segunda-feira, 31 de março de 2008

Cine Lançamento

No Vale das Sombras

Na primeira semana depois de retornar da Guerra do Iraque, o soldado Mike Deerfield (Jonathan Tucker) desaparece, e é visto como foragido do Exército. O pai, Hank (Tommy Lee Jones), um ex-polical, parte em busca do filho, e conta com a ajuda da detetive Emily Sanders (Charlize Theron). Quando o corpo de um jovem é encontrado despedaçado e carbonizado, levanta-se a suspeita de que o soldado Mike fora assassinado. As investigações tomam outro rumo, e as conseqüências se tornam cada vez mais perigosas.
O diretor Paul Haggis (de “Crash – No Limite”) demorou um ano e meio para produzir o roteiro deste filme sombrio e amargo. E retorna com força bruta com o objetivo de nos tocar profundamente. Soube conduzir uma história forte que enfoca as conseqüências de uma guerra sem limites. De um lado, no país onde acontece o conflito armado (Iraque), soldados norte-americanos que cometem abusos de poder, como torturas e agressões contra o povo iraquiano. Do outro lado do continente, familiares aflitos à espera dos filhos combatentes. E o filme divide-se entre o drama pesado e o gênero policial, que decorre das investigações.
Mas o teor lancinante dado à fita está em encobrir segredos obscuros e atrocidades desumanas levadas ao extremo pelo grupo de soldados acusado de homicídio doloso. É nesta temática que o enredo se edifica. Não conto mais, porém aviso de antemão: preparem-se para um filme triste e bastante digno, cujo foco é uma verdadeira ferida aberta.
Como “mexe em um cacho de abelhas” e deixa revelado aquele gosto de denúncia, a fita foi rejeitada pelos festivais norte-americanos. Teve apenas uma indicação ao Oscar deste ano, de melhor ator para Tommy Lee Jones. E participou de apenas duas premiações estrangeiras (Londres e Veneza).
A atriz Charlize Theron tingiu os cabelos de marrom escuro para compor a personagem da insistente detetive. Há ainda uma pequena participação de Susan Sarandon como a mãe sofrida do soldado desaparecido, que entra em desespero e chora, chora, chora. Vale lembrar que é a segunda vez que faz par com Lee Jones; antes haviam feito “O Cliente”, em 1994.
O título faz referência a uma passagem bíblica, sobre o vale de Elah, onde Davi encontrou o gigante Golias (e tal fato é contado pelo personagem de Lee Jones ao filho da detetive Emily Sanders). Assista e reflita. Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: In the Valley of Elah
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Jason Patric, Susan Sarandon, James Franco, Josh Brolin, Barry Corbin, Frances Fisher, Wes Chatham, Jonathan Tucker, Brent Briscoe.
Direção: Paul Haggis
Gênero: Drama
Duração: 121 min.

domingo, 30 de março de 2008

Cine Lançamento

Instinto Secreto

Executivo bem-sucedido e pai de família exemplar, Earl Brooks (Kevin Costner) esconde um terrível segredo: é um serial killer frio e calculista. Os crimes cometidos por Brooks colocam a polícia em estado de alerta, porém ninguém conhece a identidade do assassino. Dominado por seu alter-ego, Marshall (William Hurt), o executivo sente compulsão em matar a todo o momento. Para desvendar o caso, a polícia designa a competente detetive Tracy Altwood (Demi Moore), que ficará no encalço do serial killer.
Um fraco suspense psicológico prejudicado por um elenco fora de forma. A dupla Kevin Costner (sempre com cara de tédio) e Demi Moore não convence, e William Hurt, que interpreta o “outro eu” de Brooks, uma espécie de consciência do mal, passa o tempo mascando chicletes e soltando gargalhadas sofríveis. Aliás, o conflito demasiado entre o alter-ego de Brooks e o próprio executivo cansa e provoca irritação.
Aqui, a idéia de dualidade “bem x mal” centrada na figura de um homem íntegro que se transfigura em matador em poucos segundos assemelha-se a outro filme, mais interessante e com resultados aceitáveis, “Confissões de uma Mente Perigosa” (2002), dirigido por George Clooney. E, no fundo, ambos não passam de visões modernas e disfarçadas da grande obra literária “O Médico e o Monstro”, do escocês Robert Louis Stevenson, tantas vezes levada às telonas.
No enredo de “Instinto Secreto”, absurdos generalizados, como a do fotógrafo que, ao invés de entregar Brooks à polícia, já que havia tirado fotos que incriminasse o executivo, resolve participar dos assassinatos junto com ele. Outra besteira é Brooks colocar perucas e barba, como camuflagem, para cometer os crimes e não ser reconhecido, sendo que em assassinatos anteriores ia de “cara limpa”. Difícil engolir a figura do executivo culto e engravatado como um perigoso serial killer que amedronta a cidade. Tudo bem que devem existir por aí personalidades deste naipe, mas aqui definitivamente as situações não ajudam, tampouco a caracterização do personagem principal. Reparem na cena do acidente sofrido pela detetive Atwood (Demi Moore), algo que era para deixar qualquer um, no mínimo, paraplégico! Dói em mim só de lembrar.
O diretor Bruce A. Evans só havia dirigido um filme, o fraco “Kuffs – Um Tira por Acaso”, em 1992, e, depois, virou roteirista (“A Ilha da Garganta Cortada”, “Starman – O Homem das Estrelas” etc). E saiu-se péssimo com este projeto, que carrega apenas a sinopse chamativa. Disponível em DVD. Por Felipe Brida.

Título original: Mr. Brooks
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Kevin Costner, Demi Moore, William Hurt, Dane Cook, Marg Helgenberger, Ruben Santiago-Hudson, Danielle Panabaker.
Direção: Bruce A. Evans
Gênero: Suspense
Duração: 120 min.

sábado, 29 de março de 2008

Cine Lançamento

Conduta de Risco

Viciado em jogos de mesa e divorciado, o advogado Michael Clayton (George Clooney) atua em uma grande empresa de advocacia em Nova York. Presta serviços sujos e fraudulentos em uma firma, seu trabalho mais recompensador. Descontente, pretende deixar o emprego, mas as dívidas não permitem tal façanha. Do outro lado da cidade, o advogado Arthur Evans (Tom Wilkinson), da corporação em que Clayton trabalha, surta e toma atitudes extremas, no caso tirar a roupa em meio a uma reunião e tentar sabotar documentos de uma empresa de herbicida. Clayton é incumbido de investigar o misterioso caso.
Drama poderoso que recorre a enfoques polêmicos e teor de denúncia para expor até que ponto o ser humano pode chegar para encobrir a verdade e proteger seu status. Começa lento e engrena só depois de 25 minutos de filme. O ritmo fica cada vez mais intenso e conduz o público a uma complexa teia de intrigas. Não há personagens de boa índole, e todos carregam um ar de suspeito e podridão. Em primeiro plano, Clayton, um advogado infeliz e sem escrúpulos, disposto a mudar de vida. Uma espécie de anti-herói elegante e convincente. Nos planos abaixo se encontram o advogado Arthur, conivente com atitudes perniciosas e que, assim como Clayton, sente- se sufocado e pretende sair fora de cena. E ainda temos a executiva Karen Crowder (Tilda Swinton – vencedora do Oscar de atriz coadjuvante, em um papel estupendo e marcante), mulher maquiavélica e disposta a matar para não “comprometer” o nome da empresa onde trabalha. É com este quadro de figuras imorais que a história se constrói e, ao mesmo tempo, entra em colapso. Revira temas incomodativos, como defender corporações negligentes para o interesse dos mais poderosos. Segue a linha de “A Qualquer Preço” e “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento”, no entanto com mais extensão e profundidade.
Gosto, em especial, da cena em que Tom Wilkinson (no excelente papel do advogado estressado e delirante - e que depois fica emparedado) observa atentamente ao outdoor interativo em movimento da empresa que defende, em um local (seria a Times Square?) cheio de luzes e cores vibrantes. Um simbólico ataque do capitalismo e consumismo insistentes. Por falar em simbólico, muitas passagens do filme têm fundo alegórico.
Excelente estréia, como diretor, de Tony Gilroy, roteirista Eclipse Total, O Advogado do Diabo, Armageddon, Prova de Vida, A Isca e da trilogia “Bourne”. Para ser sincero não admiro Clooney nesta fita. Apesar de sério, não demonstra potencial para estabilizar ou mesmo firmar o difícil papel. Clooney está melhor (e barbado) em Syriana – A Indústria do Petróleo, com o qual levou o Oscar de coadjuvante em 2006.
Junto com “Desejo e Reparação”, “Conduta de Risco” foi indicado a sete prêmios Oscar. Conforme citado acima, ganhou apenas o de atriz coadjuvante. As outras indicações foram: melhor filme, ator (George Clooney), ator coadjuvante (Tom Wilkinson), diretor (Tony Gilroy), roteiro original e trilha sonora. Um filme forte, perturbador e que merece atenção. OBS: Equivocado comentário extraído de jornal norte-americano impressa nas capas do DVD (lançado recentemente) e nos pôsteres: “O melhor suspense de todos os tempos”. É drama pesado e apenas tons sutis de suspense para garantir a atenção do público. Por Felipe Brida

Título original: Michael Clayton
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack, Michael O’Keefe, Danielle Skraastad, Denis O’Hare, Julie White.
Direção: Tony Gilroy
Gênero: Drama
Duração: 119 min.

Cine Lançamento

Justiça a Qualquer Preço

A um passo de se aposentar, o agente policial Erroll Babbage (Richard Gere), especialista em investigação de crimes sexuais, será substituído pela novata Allison Lowry (Claire Danes). A missão do policial veterano será treinar a jovem. Porém, o desaparecimento de uma garota fará com que Erroll trabalhe no caso como o último de sua vida. Auxiliado por Allison, o agente policial irá se infiltrar no submundo da prostituição a fim de encontrar o paradeiro da garota sumida.
O primeiro filme de língua inglesa do chinês Wai-Keung Lau (que mudou o nome para Andrew Lau), diretor mais conhecido lá fora pelas fitas de luta e ação, trata de um tema polêmico, mas sem seriedade. Logo na abertura do filme, aponta-se, por meio de pesquisas, o grande número de casos de crimes sexuais registrados nos Estados Unidos. O que poderia ser um estudo digno de um assunto tão delicado dá lugar a um banal thriller com torturadores e sádicos. Não há explicações profundas sobre o comportamento de tais maníacos. O telespectador exigente, como eu, sentir-se-á traído e desanimado, pelo fato de a espera de argumentos fiéis nunca ser alcançada.
Se não bastasse, o personagem do agente veterano vivido por Richard Gere (como está envelhecido!) é perturbado e sofre alucinações que serão justificadas ao longo do filme. Na seqüência final, uma longa cena desagradável de crueldade.
Como ainda não é o filme definitivo sobre crimes sexuais, a temática deverá ser mais bem trabalhada por diretores inspirados.
A cantora Avril Lavigne aparece em uma ponta desprezível como uma garota vítima de violência (ela já havia participado de “Nação Fast Food” e emprestado a voz para a personagem Heather, na animação “Os Sem-Floresta”). Por Felipe Brida

Título original: The Flock
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Richard Gere, Claire Danes, Kadee Strickland, Ray Wise, Russell Sams, Avril Lavigne, Kristina Sisco.
Direção: Andrew Lau (Wai-Keung Lau)
Gênero: Suspense/Policial
Duração: 102 min.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Cine Lançamento

Sem Reservas

A chef Kate Armstrong (Catherine Zeta-Jones) comanda a cozinha de um sofisticado restaurante em Manhattan. Com seu jeito metódico, deixa qualquer um de seus funcionários à beira da loucura. Ainda sofrendo com a morte da irmã, Kate é afastada do cargo por um período e passa a cuidar da sobrinha de nove anos, Zoe (Abigail Breslin). Quando retorna ao trabalho, depara-se com um novo chef de cozinha, Nick (Aaron Eckhart), adorador de músicas italianas, que poderá tomar o lugar de Kate para sempre.
Refilmagem de uma fita alemã/italiana que ficou pouco conhecida no Brasil, “Simplesmente Martha” – esta trata o mesmo tema, tem os mesmos personagens, porém com melhor resultado. Não espere muito de “Sem Reservas”. É apenas agradável e sem inspiração. Temos uma carismática Catherine Zeta-Jones (como sempre) e uma infinidade de pratos que deixam o telespectador faminto, talvez os únicos chamarizes do filme. Peca ser previsível demais e ficar naquele romance “lenga-lenga” com os inevitáveis clichês, a exemplo a ultrapassada fórmula de o casal se apaixonar depois das intensas brigas e disputas. Mas é próprio do gênero “romance” não abrir possibilidades de se fugir deste método de narrativa. O público feminino e os amantes da cozinha irão se identificar mais com esta comédia dramática.
Depois de alcançar notoriedade com filmes de arte (“Shine – Brilhante” e “Neve Sobre Cedros”) e com projetos mais sérios (como “Lembranças de um Verão”), o diretor Scott Hicks, nascido na Uganda, rende-se ao cinema comercial. E este é o efeito que vem acometendo boa parte dos diretores destacados em estilos restritos e pessoais (só aqui pelo blog podemos ver dois exemplos, Oliver Hirschbiegel e Neil Jordan, responsáveis por recentes fitas ruins – “Invasores” e “Valente”, respectivamente). Diante do público guiado pelo entretenimento, os diretores acabam cruzando o outro lado da linha para satisfazer os anseios dos telespectadores e garantir êxito nas bilheterias, mesmo se os projetos resultarem desnecessários ou fracos. Por Felipe Brida

Título original: No Reservations
País/Ano: EUA/Austrália, 2007
Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patricia Clarkson, Jenny Wade, Bob Balaban, Eric Silver.
Direção: Scott Hicks
Gênero: Comédia romântica
Duração: 104 min.

Resenhas & Críticas

Sonhadora

O treinador de cavalos Bob Crane (Kurt Russell) e sua filha Cale (Dakota Fanning) passam a cuidar de uma égua ferida. Ambos desenvolvem um carinho especial para com o animal. Devido à rápida recuperação da égua, pai e filha inscrevem-na na importante competição Breeder’s Cup. A égua recebe o nome de Soñador e torna-se uma das grandes promessas nas pistas de corrida de cavalos.
Na altura do campeonato, o público já deve conhecer o talento da pequena Dakota Fanning, uma atriz de apenas 14 anos que trabalhou em mais de 15 filmes, incluindo “Guerra dos Mundos”, “Amigo Oculto”, “O Gato” e “Chamas da Vingança”. Mais interessante ainda é notar que ela brilha mesmo em filmes menores, como este “Sonhadora”, um drama simples e inspirado em fatos reais.
A fita não vai além de um sensível passatempo para se assistir reunindo toda a família. A narrativa e a sucessão de acontecimentos são moldadas a partir do típico método em que se utilizam mensagens positivas, bem no estilo “nunca desista dos seus sonhos”. Ajudada por um bom elenco, o filme tem seus momentos divertidos, outros emocionantes. Uma boa pedida para se assistir sem compromisso. Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Dreamer: Inspired by a True Story
País/Ano: EUA, 2005
Elenco: Dakota Fanning, Kurt Russell, Elisabeth Shue, Kris Kristofferson, David Morse, Luís Guzman, Freddy Rodríguez, Oded Fehr, Ken Howard.
Direção: John Gatins
Gênero: Drama
Duração: 106 min.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Cine Lançamento

A Loja Mágica de Brinquedos

Na loja de brinquedos comandada pelo sr. Magorium (Dustin Hoffman) tudo ganha vida. Carrinhos saem fora do controle dos humanos e bolas pulam sem ajuda das crianças. Lá, a magia transforma a realidade dos pequeninos. Mas Magorium, já velho e cansado, precisa deixar a loja para um novo gerente. E a escolhida tomar conta do local é sua insegura funcionária Molly (Natalie Portman). A difícil missão de Molly será continuar a fazer da loja um espetáculo para os olhos das crianças.
Quando trabalhava em uma loja de brinquedos, o diretor estreante Zach Helm anotava, em rascunhos, as primeiras histórias que, depois, dariam origem ao roteiro deste filme. Seu sonho era rodar uma fita infantil em que adultos e crianças usufruíram de fantasias em um mundo mágico. Pôs em prática o projeto, porém foi mal sucedido com o resultado. E as razões para tal fracasso são aparentes.
As crianças ficam entediadas com as poucas mágicas, e mesmo aquelas exibidas não provocam emoção, sem contar os diálogos em excesso. O enredo sem graça pode aborrecer os adultos. Dustin Hoffman, na pele de Mr. Magorium, o dono da loja de brinquedos, criou um personagem infeliz. Com dentes pra frente, falando em soquinhos, sobrancelhas à la Jânio Quadros e cara de insano, mais parece um cientista maluco de filmes B dos anos 60 do que um bondoso senhor à beira dos 244 anos. A pior interpretação da carreira de Hoffman? Acredito que sim.
Uma das atrizes mais talentosas da atualidade, a simpática Natalie Portman (impressão minha ou ela está um pouco esquecida?) se supera, porém resta a ela um papel sem grandes chances. Fico em dúvida quanto ao garoto Zach Mills, que já trabalhou em diversos seriados. Faltou energia, “vida” ao personagem.
O tema central não traz nenhuma novidade. Tantos outros diretores estiveram envolvidos em projetos semelhantes, como A Fantástica Fábrica de Chocolates e Pagemaster – O Mestre da Fantasia.
Diante das poucas produções infantis geradas pela indústria cinematográfica de Hollywood, surge este exemplo infeliz, que não entusiasma as crianças e só deixa enfadado os pais. Falta nele o elemento principal: mágicas! Muita conversa e pouca aventura. Por Felipe Brida

Título original: Mr.Magorium’s Wonder Emporium
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Dustin Hoffman, Natalie Portman, Jason Bateman, Zach Mills, Isaac Dunrford.
Direção: Zach Helm
Gênero: Comédia
Duração: 93 min.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Morre o ator Richard Widmark

O ator Richard Widmark morreu ontem aos 93 anos, em sua residência, localizada em Roxbury, Connecticut. Ele estava doente há vários anos, informou a esposa em nota oficial divulgada hoje. A causa da morte não foi revelada.
Nascido em Sunrise, Minnesota, no dia 26 de dezembro de 1914, Widmark ficou conhecido pelos papéis de vilões. Em seu primeiro filme, “O Beijo da Morte” (1947), cujo papel era o de um gângster assassino, recebeu indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.
Ao longo da duradoura carreira de 45 anos, trabalhou em 75 filmes, sendo a maior parte deles entre os anos 40 e 50. Dentre as obras mais famosas estão: Rua Sem Nome (1948), Sombras do Mal (1950), Pânico nas Ruas (1950), Almas Desesperadas (1952), A Lança Partida (1954), O Álamo (1960), Julgamento em Nuremberg (1962), A Conquista do Oeste (1963), O Caso Bedford (1965), Alvarez Kelly (1966), Assassinato no Expresso Oriente (1974), Terror na Montanha Russa (1977), Coma (1978), O Enxame (1978) e Paixões Violentas (1987). Estava afastado das telas desde “A um Passo do Poder” (1992), seu último filme. Widmark produziu três filmes. Deixa esposa (segundo casamento) e filhos. Por Felipe Brida

segunda-feira, 24 de março de 2008

Premiados & Aplaudidos

Johnny & June

Biografia do cantor Johnny Cash (1932-2003), interpretado por Joaquin Phoenix, desde a infância na plantação de algodão até atingir o sucesso como cantor nos anos 50, ao lado de Elvis Presley, e conhecer o amor de sua vida, a cantora June Carter (1929-2003).
Conhecido como “O Homem de Preto”, por vestir roupas pretas nos shows musicais, Johnny Cash tornou-se uma das grandes vozes do estilo country e, depois, do rock antigo, responsável pelos sucessos “I Walk the Line” e “Ring of Fire”. O filme, segunda biografia dirigida por James Mangold (o anterior foi “Garota, Interrompida”, de 1999), fica restrito apenas a partes da vida de Cash; não vai além da infância e do período em que chegou ao estrelato, e tudo conduzido pela velha fórmula de biografias hollywoodianas, meio romanceado, meio água-com-açúcar. Talvez o que mais chama a atenção na fita seja trabalhar a profunda questão dos vícios das drogas. Cash usava anfetaminas e barbitúricos, tornou-se violento, foi preso e ia drogado tocar nos shows, provocando confusões. Seu comportamento destrutivo arruinou o casamento e não mais agradava aos fãs. E só uma pessoa poderia tirá-lo dos vícios, no caso, a paixão de sua vida, June.
Apesar de arrastada demais e permeado com dramalhão, a fita é interessante e retrata um tempo em que, para se fazer música, o artista tinha de se preparar bastante e batalhar ferozmente junto às produtoras.
Premiado com o Oscar de melhor atriz para Reese, e indicado a outras quatro categorias – ator (Phoenix), edição de som, edição e figurino. Aliás, Reese, como sempre, está simpática e contagiante. Phoenix sai melhor que a encomenda, em um de seus melhores papéis (lembrando que o ator é irregular e já fez projetos ruins, como “8 MM”, e outros sem graça, como “A Vila” e “Brigada 49”). A captação dos direitos para a adaptação do filme teve início oito anos antes do lançamento do filme, e foram os próprios Johnny Cash e June Carter que escolheram Reese e Phoenix para os papéis. Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Walk the Line
País/Ano: EUA/ALE, 2005
Elenco: Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Dallas Roberts, Dan John Miller.
Direção: James Mangold
Gênero: Drama
Duração: 136 min.

domingo, 23 de março de 2008

Cine Lançamento

Rambo IV

Ex-combatente da Guerra do Vietnã, John Rambo (Sylvester Stallone) vive isolado no norte da Tailândia, e sua profissão é cuidar de rebeldes e refugiados. Numa noite, dois missionários visitam Rambo e pedem auxílio para subir o principal rio da região para levar alimentos à população afetada pela guerra na Birmânia. O ex-combatente aceita a proposta, porém, no caminho, os missionários são seqüestrados. Para capturá-los, Rambo terá de organizar uma operação de resgate.
Um dos filmes mais aguardados do ano não passa de uma fita de ação cheia de excessos e americanismo (como já visto nas duas continuações anteriores). Violento, repleto de tiroteio, explosões vorazes, amputações e torturas. Uma verdadeira chuva de pedaços de gente cai para todos os cantos, causada pelo personagem principal, um genuíno matador sem dó nem piedade. Conta-se que 236 pessoas são mortas ao longo do filme, o que resulta em uma média de um morto a cada 30 segundos! Sem dúvida a maior matança da série Rambo.
O tão esperado lançamento do filme nos cinemas chega a frustrar. Não existe nada de excepcional, aliás, a história de Rambo é recontada. Tive a sensação de que estava assistindo a uma refilmagem dos dois primeiros filmes juntos.
O mais espantoso é ver Stallone, com 61 anos de idade, todo deformado, envelhecido, gordo e inexpressivo, bancando o salvador da pátria. Não combina mais. Depois de “Rocky Balboa” e neste “Rambo 4”, comprovou ter a mesma mania de Clint Eastwood: velhos, interpretando papéis de mocinho. Antes, com seus trinta e poucos anos, Stallone, como Rambo, simbolizava um Estados Unidos imponente, com qualidade de bravo e indestrutível. Agora, cheio de rugas e com características disformes, passa a imagem de um país decadente. É ou não é?
Primeiro filme da série Rambo dirigido por Stallone (vale lembrar que o ator é diretor também, responsável por Rocky II, Rocky III e Rocky IV), o projeto deve ter sido criado para satisfazer o ego de Stallone, que anda sumido das telas. Não tem outra explicação.
Recebeu boa aceitação por parte dos fãs, e, até certo ponto, concordo com eles, quanto a considerar este aqui melhor que “Rambo III” e ser páreo a “Rambo II – A Missão” (ambos já eram fracos e tolos). Mas não há como negar que a fita é desnecessária e superficial. Por Felipe Brida

Título original: Rambo
País/Ano: EUA/ALE, 2008
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden, Graham McTavish, Jake La Botz.
Direção: Sylvester Stallone
Gênero: Ação
Duração: 91 min.

sábado, 22 de março de 2008

Resenhas & Críticas

Camisa de força

Veterano da Guerra do Golfo, Jack Starks (Adrien Brody) retorna para casa após ficar internado em decorrência de um tiro que levou na cabeça. Acusado de matar um policial, Starks é preso e, por sofrer amnésia, é internado em um hospital psiquiátrico. O médico responsável, Thomas Becker (Kris Kristofferson), utiliza métodos nada convencionais e começa a tratar o paciente com drogas experimentais, deixando-o amarrado em uma camisa de força dentro de uma gaveta de necrotério. No local escuro e isolado, Starks descobre poder viajar no tempo. É aí que conhece a jovem Jackie (Keira Knightley), que poderá desvendar o assassinato do policial.
Semelhante a “Efeito Borboleta”, o filme fracassou nos Estados Unidos e ficou pouco conhecido no Brasil. Uma trama complexa sobre viagem no tempo (vai pro futuro, retorna ao passado) com toques de sadismo e paranóia torna a fita difícil de acompanhar e, por vezes, indigesta. Brody passa boa parte do tempo amarrado em uma camisa de força e suspirando dentro de uma gaveta de necrotério, cobaia de bizarros experimentos do médico interpretado por Kristofferson. Eu, que tenho claustrofobia, fiquei incomodado. Acredito que o público não irá degustar tanto sufoco, sem contar os absurdos da história, que nunca convence. Apenas uma fantasia estranha que, por incrível que pareça, mistura suspense, horror, drama, romance e ficção científica. Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: The Jacket
País/Ano: EUA/ALE, 2005
Elenco: Adrien Brody, Keira Knightley, Kris Kristofferson, Jennifer Jason Leigh, Kelly Lynch, Daniel Craig, Brad Renfro, Steven Mackintosh.
Direção: John Maybury
Gênero: Suspense/ Drama
Duração: 103 min.


Venom

Ao tentar socorrer uma idosa em um acidente de carro, caminhoneiro despenca de uma ponte e morre picado por cobras alojadas em uma caixa de vodu, dentro do carro onde ele estava. Um grupo de jovens resolve investigar a morte do homem. Possuído por forças malignas, o caminhoneiro ressuscita de forma monstruosa, disposto a trucidar aqueles que cruzarem seu caminho.
O título nada tem a ver com um dos vilões das histórias de “Homem Aranha”. Aqui, um terror banal, com violência descabida e todos os clichês possíveis. Mal-feito, cheio de sangue falso e besteiras que só o gênero de terror norte-americano voltado para os jovens pode reservar. Pelo fato de o homem-monstro, assim como Jason Voorhees a partir do sexto filme da série “Sexta-Feira 13”, ser indestrutível, esperamos o óbvio: a morte, uma a uma, dos personagens. Uma das soluções encontradas pelos personagens para conter o ser maligno, que é usar o filho dele como boneco de vodu, chega a ser uma das piores idéias já vistas em filme. O diretor Jim Gillespie dirigiu antes apenas dois filmes, ambos fracos – “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” (1997), que virou sensação e sucesso de público, e “D-Tox” (2002). Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Venom
País/Ano: EUA, 2005
Elenco: Agnes Bruckner, Jonathan Jackson, Laura Ramsey, D.J. Cotrona, Rick Cramer, Meagan Good, Bijou Phillips, Method Man, Pawel Szadja.
Direção: Jim Gillespie
Gênero: Terror
Duração: 85 min.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Cine Lançamento

Valente

A apresentadora de rádio Erica Bain (Jodie Foster) e seu namorado, David (Naveen Andrews), são espancados por marginais, próximo a um túnel em Nova York. David não sobrevive, enquanto que Erica é hospitalizada e corre risco de morte. Ela se recupera e volta para casa. Traumatizada, resolve fazer justiça com as próprias mãos, indo atrás dos bandidos que a atacaram.
Lembram de “Desejo de Matar”, aquele sucesso do cinema policial lançado em 1974 e estrelado por Charles Bronson, cujo personagem, atormentado com o assassinato da esposa e o estupro da filha, saía atirando contra todos aqueles que cruzavam seu caminho? Pois bem, esta é a versão feminina do clássico. Aqui se utiliza também o apelido de “vigilante” para designar a justiceira impiedosa. Fracasso arrasador nos Estados Unidos, a fita é descartável e desperdiça o bom elenco. Uma furada ter reunido dois grandes nomes – Jodie Foster e Terrence Howard (que interpreta o detetive da história) – em um projeto com temática discutível e ineficiente. O que pensar da seguinte idéia defendida no filme: Andar armado com revólver por aí e fazer justiça com as próprias mãos, vingando-se da corja de criminosos e mandando balas para todos os lados? Ah, se essa moda pega aqui no Brasil...
Não tive ânimo. Assisti ao filme com cara de sono. Tudo é improvável demais. Para começar, a amizade (e o possível romance) entre a apresentadora de rádio e o policial não combina. Segundo, em qualquer canto que a personagem principal tomava rumo, ela era perseguida por gente estranha. E a matança surgia. Nem a conclusão se salva – um final pavoroso que denuncia a manipulação de provas pela polícia.
Ainda que o elenco se esforce (Jodie foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz este ano melhor pelo filme), não tem como negar a tremenda fria em que se meteu o competente diretor irlandês Neil Jordan, responsável por projetos criativos e elogiados, como “Entrevista com o Vampiro”, “Nó na Garganta”, “Mona Lisa” e “Traídos pelo Desejo”. Um dos piores filmes do ano, com um título em português infeliz. O título original não está longe do nosso. Por Felipe Brida

Título original: The Brave One
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Jodie Foster, Terrence Howard, Nicky Katt, Naveen Andrews, Mary Steenburgen, Ene Oloja, Zöe Kravitz, Luís da Silva Jr.
Direção: Neil Jordan
Gênero: Policial
Duração: 123 min.

Cine Brasil

Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll

Amigos desde o final dos anos 60, na época turbulenta do movimento hippie, Wood e Stock vivem hoje como se estivessem parados no tempo. Nostálgicos, curtem fumar um baseado feito com orégano e escutar rock’n’roll. São desleixados com a casa e com a família e só falam asneiras. Com dificuldades em se adaptarem ao mundo consumista contemporâneo, resolvem, como forma de entretenimento, ressuscitar a velha banda de rock.
Animação escrachada baseada nos quadrinhos do chargista e cartunista Angeli, famoso por seu humor anárquico e urbano. Na fita, muito palavrão, situações constrangedoras e sexo desvirtuado. Os produtores poderiam ter segurado um pouco a barra, assim teriam maior sucesso.
Impossível se identificar com os personagens, nenhum deles agradáveis. Os hippies Wood e Stock não tiram seus óculos escuros por nada, evitam pensar no hoje, fazem críticas ao sistema capitalista e, como escapismo, divertem-se de maneira imoral. Adoram puxar um fumo à base de orégano e ouvir bandas de rock dos anos 70. E para completar o quadro temos Rê Bordosa, hippie sem neurônios e que passa a maior parte do tempo atrás de sexo e resmungando. Todos vagabundos e politicamente incorretos.
A idéia de transformar as histórias em quadrinho em filme soava interessante. O próprio Angeli produziu a animação e ajudou no roteiro. Porém, resulta mediano. A falta de um enredo empolgante é substituída pela enxurrada de obscenidades.
Nem todos poderão gostar do estilo simplista do diretor Otto Guerra. Neste aspecto, aprovei. Ele conseguiu transpor de forma interessante um HQ para película. O que assistimos são histórias em quadrinhos com poucos movimentos, característica que admiro em Guerra desde seus curtas-metragens “Treiler – A Última Tentativa” (1986), “Novela” (1992) e “Rocky & Hudson – Os Cowboys Gays” (1994). Cada personagem mexe levemente os olhos e a boca, com corpo estático.
Outro acerto foram as vozes emprestadas por Sepé Tiaraju de Los Santos (Stock) – o melhor deles; José Vitor Castiel (Wood) e Rita Lee (Rê Bordosa), que garantem algumas risadas. Tem até Tom Zé imitando Raul Seixas.
Vencedor de três prêmios no Cine PE – Festival de Pernambuco e um prêmio especial no Festival de Cuiabá. De qualquer jeito esta animação ficará restrita aos fãs de Angeli, aos adoradores de rock e àqueles que curtem cinema alternativo. Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll
País/Ano: BRA, 2006
Elenco: Vozes de Sepé Tiaraju de Los Santos, José Vitor Castiel, Júlio Andrade, Rita Lee, Janaína Kremer, Michele Frantz, Lobão, Tom Zé, Felipe Mônaco, Geórgia Reck.
Direção: Otto Guerra
Gênero: Animação
Duração: 81 min.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Morre o ator Paul Scofield

O ator britânico Paul Scofield, vencedor do Oscar de melhor ator em “O Homem que Não Vendeu sua Alma”, em 1967, morreu aos 86 anos, vítima de leucemia. Ele recebia tratamento médico e estava internado em um hospital em Sussex. A notícia da morte de Scofield foi anunciada hoje.
Nascido em janeiro de 1922 em Hurstpierpoint (West Sussex, Inglaterra), Paul Scofield sempre esteve ligado às artes. Aos 16 anos tornou-se ator de teatro em Londres. A primeira oportunidade para trabalhar no cinema surgiu em 1955, quando foi convidado pelo diretor Terence Young a participar do filme The Lady.
Trabalhou em apenas 30 longas-metragens, dentre eles O Trem (1964), Scorpio (1973), Rei Lear (1971), Henrique V (1989) e Hamlet (1990).
Um de seus papéis mais marcantes foi o do temível juiz Thomas Danforth em As Bruxas de Salem (1996 - foto acima). Indicado ainda ao Oscar de ator coadjuvante por Quis Show – A Verdade dos Bastidores (1994), Scofield também atuou em filmes para TV e seriados britânicos.
“A Revolução dos Bichos", de 1999, foi seu último trabalho. Era casado com a atriz Joy Parker e deixa dois filhos. Por Felipe Brida

Cine Lançamento

O Reino

Um ataque-bomba mata mais de 100 pessoas em uma petrolífera em Riad, Arábia Saudita. Dentre os mortos e feridos estão norte-americanos e outros povos ocidentais. Encarregado de investigar o crime e punir os culpados, o agente especial do FBI Ronald Fleury (Jamie Foxx) reúne sua equipe e viaja até o local do bombardeio. Antes de iniciar o trabalho de investigação, Fleury terá de se aproximar dos sauditas e mostrar a intenção de sua hospedagem ao país.
Alguns poderão achar um filme eficiente, violento e de intensa ação. De fato é. Um prato cheio aos fãs de barulho, perseguições e explosões de carro. Chega até a tirar o fôlego. No entanto, é uma fita pretensiosa. A alegórica idéia de intervenção dos Estados Unidos na Arábia dá a sensação de que o diretor Peter Berg (que faz uma ponta como um agente do FBI) deixa em destaque o apoio à guerra do Iraque. Totalmente parcial, aqui (como sempre) os agentes especiais são os salvadores da pátria. Os árabes formam um povo violento, hostil, sanguinário. O que sabemos de olhos fechados é que não existem bons e maus; cada um tem o seu interesse particular e, para conquistá-lo, utiliza as armas que pode.
Amarrado a uma trama complexa, cheia de absurdos e com elenco regular, até certo ponto do filme acreditei que os Estados Unidos estariam colaborando para desvendar os ataques e, assim, ajudar a Arábia, encontrando os terroristas. Era uma nova visão de união de forças transposta para um filme, e cheguei a ficar entusiasmado. Só que bruscamente dá uma guinada e muda o foco, culminando em um tiroteio sem fim. Perde-se a linha e ficamos diante do americanismo barato e de uma suposta guerra interminável.
Em suma, a fita é ação pura e deverá agradar aos fãs do gênero. Por outro lado, a intenção não é das melhores. Produzido pelo especialista em filmes de ação Michael Mann (diretor de “Miami Vice”, “Fogo Contra Fogo” e “Colateral”), passou despercebido no Brasil e agora chega direto em DVD. Por Felipe Brida

Título original: The Kingdom
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Jamie Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper, Jason Bateman, Ashraf Barhom, Jeremy Piven, Richard Jenkins, Francis Fisher, Danny Huston, Ali Suliman.
Direção: Peter Berg
Gênero: Ação
Duração: 110 min.

Cine Lançamento

Stardust - O Mistério da Estrela

Tristan (Charlie Cox) sai em busca de uma estrela cadente para conquistar o amor de Victoria (Sienna Miller). Na jornada, em uma terra distante e cercada de mistérios, o jovem irá enfrentar perigosos rivais que também querem a estrela, como a feiticeira Lamia (Michelle Pfeiffer) e os quatro filhos do rei de Stormhold (Peter O’Toole). Mas a estrela transforma-se em uma bela garota, Yvaine (Claire Danes), que acaba se apaixonando por Tristan. Juntos, terão de fugir das inúmeras armadilhas preparadas pelos vilões.
Deliciosa fantasia cuja bilheteria fracassou nos Estados Unidos, onde arrecadou pouco mais de 39 milhões de dólares, e passou despercebido no Brasil. A reunião de figuras míticas e criaturas em um enredo que mistura histórias paralelas tornam ainda mais interessante a fita de aventura. De um lado, a disputa de poder entre os filhos do rei, e de outro, muita magia, bode que vira gente, fantasmas, unicórnios e piratas. Portanto, um conto de fadas não apenas para crianças. Há seqüências assustadoras, ajudadas pela competente maquiagem, em destaque aquela que transforma Pfeiffer em uma bruxa caquética e truculenta. Violência moderada e interessantes efeitos visuais e direção de arte, como, por exemplo, a engenhoca voadora dos piratas, uma mistura de navio acoplado em um zepelim! Estranhamente foi esquecido pelo Oscar. A Academia resolveu indicar o inferior “A Bússola de Ouro”, que, em certos pontos, assemelha-se com Stardust (o clima e os personagens típicos de conto de fadas).
O ator Robert De Niro interpreta o líder dos piratas, capitão Shakespeare, e aparece só uma hora depois do filme. A participação é pequena, porém reserva surpresa em uma seqüência ridícula e esculachada. A narração fica por conta de Ian McKellen.
Desconhecia a história em quadrinhos “Stardust”, do inglês Neil Gaiman, e acredito que poucos brasileiros tiveram acesso às edições, criadas nos anos 90. Nunca “pegou” aqui, e o mesmo desprezo aconteceu com o filme.
Agora em DVD, lançado recentemente, pode ser que seja reconhecido pelo público. Um filme que não faz feio, de ritmo ágil e cheio de aventuras. Nem a longa duração me incomodou; estava tão empolgado que queria mais. Vale conhecer. Por Felipe Brida

Título original: Stardust
País/Ano: ING/ EUA, 2007
Elenco: Claire Danes, Michelle Pfeiffer, Charlie Cox, Jason Flemyng, Robert De Niro, Sienna Miller, Nathaniel Parker, Rupert Everett, Peter O’Toole.
Direção: Matthew Vaughn
Gênero: Aventura
Duração: 127 min.

terça-feira, 18 de março de 2008

Morre o diretor Anthony Minghella

O diretor, produtor e roteirista de cinema Anthony Minghella morreu aos 54 anos, segundo anunciou hoje sua agente. A causa da morte não foi divulgada. Em 1997, recebeu dois prêmios Oscar - melhor diretor e melhor roteirista pelo épico “O Paciente Inglês”.
Nascido em Ryde, Inglaterra, em janeiro de 1954, Minghella iniciou a carreira na primeira metade dos anos 80, escrevendo peças de teatro e roteiros para filmes para a TV e seriados. Entre 1987 e 1990, escreveu episódios para a famosa série “Inspetor Morse”.
Seu primeiro trabalho como diretor foi no romance fantasmagórico “Um Romance do Outro Mundo”, em 1990. Por este filme, ganhou o Bafta de melhor roteirista.
Em 1993 rodou, nos Estados Unidos, a comédia romântica “Um Amor de Verdade”. Dois anos depois de ganhar notoriedade com “O Paciente Inglês”, dirigiu “O Talentoso Ripley”, outro sucesso de público e de crítica. Dirigiu outro épico elogiado e premiado, “Cold Mountain” (2003), e o recente “Invasão de Domicílio” (2006). Havia encerrado as gravações da comédia “The Nº 1 Ladies Detective Agency” e ainda filmava uma das histórias do filme “New York, I Love You”, previsto para ser lançado este ano.
Como produtor, fez Íris (2001), Paraíso (2002), O Americano Tranqüilo (2002), A Intérprete (2005), Em Nome da Honra (2006) e Conduta de Risco (2007). Fez ainda uma ponta no filme Desejo e Reparação (2007).
Presidente da British Film Institute, era casado com a atriz e coreógrafa chinesa Carolyn Choa e tinha dois filhos, o ator Max Minghella, e Hannah. Por Felipe Brida

Premiados & Aplaudidos

O Crocodilo

O produtor de cinema Bruno Bonomo (Silvio Orlando) enfrenta uma terrível crise financeira. Seu casamento também anda mal. Certo dia, recebe um roteiro chamativo da novata cineasta Teresa (Jasmine Trinca), sobre a história de um homem corrupto. Ao analisar o roteiro, descobre ser baseado na trajetória do primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi. A busca de Bonomo por recursos financeiros para rodar o filme será uma árdua tarefa.
Sempre apreciei o trabalho do diretor Nanni Moretti, ora com seus dramas familiares (o maravilhoso e comovente “O Quarto do Filho”), ora com as comédias em tons biográficos (“Aprile” e “Caro Diário”). Todos eles filmes pessoais e com o próprio Moretti atuando como personagem central. Em “O Crocodilo”, provocou polêmica ao construir um retrato cínico de Sílvio Berlusconi, presidente do Conselho dos ministros da Itália entre 2001 e 2006, e considerado o homem mais rico da Itália e o 15º mais rico do mundo, com fortuna estimada em 20 bilhões de dólares. Empresário do setor de comunicação e proprietário de redes bancárias, foi acusado de corrupção e de ligação com a máfia. Gerou ódio entre os italianos após apoiar a guerra dos EUA contra o Iraque, defender candidatos fascistas e subestimar as civilizações islâmicas. Este é o tal Berlusconi.
Moretti é tão descarado e tão anti-Berlusconi que ele mesmo faz o papel do ator contratado para interpretar o político acusado de corrupção. E cabe a ele atacar seu alvo de todos os jeitos possíveis. Chega ao ponto de colocar cenas reais das gafes do ex-primeiro ministro em sessões públicas do Conselho e mostrar a população tirando sarro dele. Em tom de “crítica camuflada” no gênero comédia, não deixa de ser cruel.
Moretti, assim, utilizou o cinema para uma campanha contra Berlusconi. Nesse aspecto não acho interessante fazer cinema com o intuito de chacotear pessoas, por mais terríveis que elas sejam. Para comprovar minha teoria, vejam a emboscada: o filme foi lançado nos cinemas italianos no início de 2006, semanas antes das eleições gerais no país. Tornou-se sucesso de público e, coincidência ou não, Berlusconi não foi reeleito. O político deve ter tantos desafetos que, em 2006, saiu outro filme retratando sua imagem negativa, “Bye Bye Berlusconi” (e dirigido por um alemão!).
“O Crocodilo” soa interessante, mas nada divertido ou agradável. E tampouco serve para o grande público. Primeiro porque é um filme que fala sobre filme, ou seja, é pura metalinguagem em torno do mundo do cinema (mostra-se, por exemplo, a tarefa dos produtores em captar recursos e juntar elenco). Segundo, para acompanhar o desenvolvimento e entender as infinitas sacadas políticas, é bom conhecer um pouco sobre a história de Berlusconi. Por isso, eu tive de recorrer à internet para saber mais sobre o político, desconhecido entre a maioria dos brasileiros. Obviamente que poucos irão se dar ao trabalho de ir pesquisar antes de ver a fita.
Concorreu a prêmios, como a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2006 (levou prêmio especial de melhor diretor no festival), e venceu seis David di Donatello (o Oscar Italiano), incluindo filme, ator para Sílvio Orlando (fica num meio termo, ele tem cara de enfado e grita demais) e diretor.
Em muitos aspectos, a postura de Berlusconi e as gafes são semelhantes às de George W. Bush. Sobra ao político “fuzilado” o apelido-título da fita, “O Caimão”, o grande lagarto. Poderia resumir como um filme interessante, crítico, com boas sacadas e sem boas intenções. Longe, mas bem longe de ser um grande feito de Nanni Moretti. Por Felipe Brida

Título original: Il Caimano
País/Ano: ITA, 2006
Elenco: Silvio Orlando, Margherita Buy, Jasmine Trinca, Michele Placido, Giuliano Montaldo, Elio de Capitani, Nanni Moretti.
Direção: Nanni Moretti
Gênero: Comédia/ Drama
Duração: 112 min.
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A Língua das Mariposas

Espanha, 1936. Pouco antes de estourar a Guerra Civil, o pequeno Moncho (Manuel Lozano), de apenas oito anos, entra para a escola e conhece novos amigos. O professor, Don Gregorio (Fernando Fernán Gómez), homem idoso e dotado de inigualável sapiência, torna-se um tutor do jovem aprendiz. Mas as agitações políticas começam a dividir o país, e o destino de cada um toma rumos diferentes.
Prestigiado em festivais europeus e norte-americanos, “A Língua das Mariposas” ganhou o Goya (Oscar espanhol) de melhor roteiro adaptado em 2000, além de ter sido indicado a outras 12 categorias na mesma premiação, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor ator principal para Fernán Gómez. Indicações merecidas para uma pequena obra-prima do cinema espanhol, cinema este que a cada ano vai se solidificando no cenário mundial.
Sempre ouvi bons comentários sobre ele, e infelizmente demorei a assistir. Aceitei o convite da querida amiga antropóloga e professora Niminon Suzel Pinheiro, quando estive em sua casa, em São José do Rio Preto, no início do mês, para definirmos as aulas do Cine Clube. E ela ficou espantada quando respondi que ainda não havia visto “A Língua”.
Só tive sensações boas. Uma história bonita, comovente, cheia de ensinamentos. Um menino inexperiente que aprende noções de mundo e de vida com um professor que mais parece seu pai, rígido na conversa e de coração imenso. São personagens fáceis de nos identificarmos. A história permite clara reflexão entre escola e educação.
O desfecho, forte e simbólico, é de deixar o público com um nó na garganta e sufocado. Confesso que me atingiu profundamente, fiquei abalado com toda aquela união de forças em torno do Fascismo, regime autoritário que, a partir de 1939, comanda a Espanha por 34 anos, sob a presidência de Francisco Franco.
Na trilha sonora, músicas do diretor espanhol Alejandro Amenábar (de “Os Outros” e “Mar Adentro”), compostas na medida certa.
Uma fita com interpretações marcantes. O pequeno Alonzo, no papel do aluno, é um encaixe perfeito ao personagem do professor-tutor, interpretado pelo notório Fernán-Gómez (falecido no ano passado). Ambos conseguem transmitir as mensagens que o filme faz transpor. Filme para ser visto e revisto. Por Felipe Brida

Título original: La Lengua de las mariposas
País/Ano: ESP, 1999
Elenco: Fernando Fernán Gómez, Manuel Lozano, Uxía Blanco, Gonzale Uriarte, Aléxis de los Santos, Jesús Castejón, Elena Fernández.
Direção: José Luis Cuerda
Gênero: Drama
Duração: 96 min.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Cine Lançamento

Invasores

Ônibus espacial explode ao chegar à órbita terrestre, e seus destroços espalham-se por várias cidades norte-americanas. A psiquiatra Carol Bennell (Nicole Kidman) descobre que, juntamente com os destroços, vieram uma estranha forma alienígena que, em contato com os humanos, transformam-nos em pessoas insensíveis e violentas. Só que Carol terá uma missão pela frente: encontrar o filho desaparecido em meio à estranha epidemia.
Quarto filme baseado no famoso romance “Os Invasores de Corpos”, de Jack Finney (1911-1995). Conta-se novamente a mesma história já vista em “Vampiros de Almas” (1956), “Os Invasores de Corpos” (1978) e “Os Invasores de Corpos – A Invasão Continua” (1993), em que os humanos são dominados por seres alienígenas e tornam-se “robôs”, sem sentimentos. Ou seja, “Invasores” não acrescenta em nada para quem assistiu às obras anteriores. Em sua primeira fita rodada nos Estados Unidos, o diretor alemão Oliver Hirschbiegel (de “A Queda – Os Últimos Dias de Hitler) errou feio. Parece que estava limitado quanto a orçamento e teve pressa em rodar o projeto. O resultado é um filme fraco, mal construído e com efeitos digitais feios. Começa rápido demais, não há muitas explicações sobre a contaminação na cidade e as seqüências não são amarradas. Exagerou no suspense e faltou trabalhar a questão da ficção científica (como nos anteriores). Os flashbacks da psiquiatra deixam o roteiro ainda mais confuso e confundem o público. Sem falar na maneira da infestação, bem escatológica por sinal, em que os contaminados vomitam na face das vítimas (ou quando vão servir um café aos convidados, escarram e vomitam na jarra). Vai ser nojento assim na casa do chapéu!
O próprio elenco está desperdiçado. Nicole Kidman, cheia de plásticas e com um rosto cada vez mais repuxado, parece perdida. Daniel Craig não tem muito o que acrescentar em um papel ingrato. A cada passo do final, a fita só piora.
“Vampiros de Almas” tornou-se cult na categoria terror/ficção e gerou escolas. Já “Os Invasores de Corpos” (de Philip Kaufman) era arrepiante (a continuação de 1993 foi fraca, mas ainda mantinha a tensão e as situações de horror). Como os anteriores haviam sido competentes, fiquei sem entender o motivo em se fazer outro projeto, repetido e sem força. Não perca tempo com esta decepção. Por Felipe Brida

Título original: The Invasion
País/Ano: EUA/ Austrália, 2007
Elenco: Nicole Kidman, Daniel Craig, Jeremy Northam, Jackson Bond, Jeffrey Wright, Veronica Cartwright, Josef Sommer, Celia Weston.
Direção: Oliver Hirschbiegel
Gênero: Suspense/ Ficção Científica
Duração: 99 min.

domingo, 16 de março de 2008

Cine Lançamento

Paranóia

Após agredir o professor de espanhol na sala de aula, o estudante Kale (Shia LaBeouf) é condenado a três meses em prisão domiciliar. Monitorado 24 horas por dia, o jovem não pode ultrapassar um perímetro de 30 metros ao redor de sua casa. Caso faça isto, será preso. Isolado, encontra diversão em jogar videogame, comer porcariadas e espiar os vizinhos com um binóculo, inclusive a atraente Ashley (Sarah Roemer). Até que começa a desconfiar que um dos vizinhos possa ser um perigoso psicopata.
Com apenas 21 anos, Shia LaBeouf é, hoje, um dos astros de Hollywood. Iniciou a carreira em filmes e seriados no final dos anos 90, fez “Eu, Robô” e “Constantine” e a partir daí não parou mais. Antes de seu maior sucesso, “Transformers”, participou deste suspense, vendido como thriller, mas que só vira suspense na metade do filme. Ou seja, uma fita irregular. Começa com romance, depois se torna intrigante e sério. Mas conclui mal, de forma previsível, sem reviravoltas. A velha fórmula do suspeito ser o assassino volta aqui, sem sacadas. E, obviamente, não poderiam faltar os clichês.
O início empolga, com um bom LaBeouf irritado com o monitor em sua perna e espiando os vizinhos. Até ser atraído pela bela vizinha. Adiante, cai no convencional.
Destaque para o bom elenco. O carismático LaBeouf segura o filme, David Morse interpreta um personagem sinistro e Sarah Roemer faz o interesse romântico de LaBeouf (aliás, um casal com química!). Apenas Carrie-Anne Moss (ex-Matrix) fica apagada, como a exigente mãe do personagem central. O diretor D.J. Caruso já esteve melhor em um passado não muito distante – “À Sombra de um Homem”, “Roubando Vidas” e “Tudo por Dinheiro”.
Com roteiro engavetado há quase 10 anos, “Paranóia” não é um filme ruim, apenas um passatempo sobre voyerismo. Para trabalhar a questão, a pergunta “Será que meu vizinho é um assassino?” ronda a cabeça dos personagens e os deixam afoitos pela verdade, o que pode culminar em tragédia. Vale lembrar que “Janela Indiscreta” e “Dublê de Corpo” abordam o mesmo assunto, porém com resultados mais alinhavados. Por Felipe Brida

Título original: Disturbia
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Shia LaBeouf, Sarah Roemer, Carrie-Anne Moss, David Morse, Aaron Yoo, Jose Pablo Cantillo, Matt Craven.
Direção: D.J. Caruso
Gênero: Suspense
Duração: 105 min.

ARTIGO

Novas mídias e o avanço da Era Digital (*)

Quando o DVD começa a virar moda no Brasil, o exigente mercado abre as portas para novas mídias digitais. Refiro-me a dois formatos, lançados em fevereiro de 2006 no Japão e nos Estados Unidos, que pretendem desbancar o DVD e, claro, eliminar de vez o VHS. Um se chama HD-DVD e o outro, Blu-ray (antes chamado de Blue-ray). Na verdade eles são “primos” quase irmãos do DVD. Ambos têm o mesmo tamanho em formato (120 mm) só que apresentam diferenças gritantes quanto ao armazenamento de dados.
O HD-DVD é o competidor número um do Blu-ray. Enquanto o primeiro utiliza um laser vermelho de 400 nanômetros para a transmissão de informações, o segundo é um azul-violeta de 405 nanômetros. Os discos em HD-DVD armazenam entre 15 e 30 GB (respectivamente em uma ou duas camadas), sendo que o Blu-ray tem a capacidade ainda maior, de 25 a 50 GB. Ou seja, tanto um como outro conseguem captar entre duas e dez vezes mais que um DVD. Assim, as duas novas mídias digitais propiciam imagens mais nítidas e delineadas, além de enriquecer detalhes. Daí o motivo de receberem o título de “alta definição”. Chegam a ter seis vezes mais definição do que um DVD comum.
Diante da novidade, o mercado brasileiro começou a receber, em agosto passado, os primeiros filmes em HD-DVD e Blu-ray. Temos um problema por trás: os grandes estúdios estão se alinhando aos formatos. Por exemplo, a Disney lança tudo em Blu-ray; já a Universal, em HD-DVD. Quem tiver apenas um dos aparelhos, irá assistir, portanto, a alguns filmes só, dependendo dos estúdios e distribuidoras. Uma pena.
Inicialmente cada filme custava em torno de R$ 130. Hoje, a média de preço é de R$ 89. Os mais populares, como a série “Harry Potter”, podem ser encontrados a R$ 69. Fiz uma pesquisa e descobri que cerca de 200 filmes já estão disponíveis em Blu-ray e HD-DVD, aqui no Brasil. A grande reclamação dos consumidores é de que a maioria dos filmes foi distribuída em edição “vanilla” – aquela sem extras, voltada à locação (e não para colecionadores).
As mais famosas empresas do ramo eletrônico já lançaram aparelhos de DVD apropriados para ambos os sistemas. Já os aparelhos que rodam apenas um dos formatos custam muito caro: entre R$ 2800 e R$ 5000.
Diante deste novo quadro na era da tecnologia e do avanço digital, um fato é certo: o DVD não sai de moda, por enquanto. Primeiro porque o preço do Blu-ray e do HD-DVD ficarão “salgados” por um bom tempo. Segundo, com a expansão dos novos formatos, o DVD ganhará mais acessibilidade. Daí a razão de encontrarmos filmes e séries em DVD pelo preço cada vez menor. Terceiro, o público já vê no DVD uma qualidade máxima, portanto ainda defendo a idéia de que adquirir as novas mídias é bobagem. Eu, pelo menos, fico satisfeito com o teor qualitativo gerado pelo DVD.
Agora, o VHS, que usa o sistema magnético para armazenar imagens e sons, some de vez. Isto é fato concreto. Inclusive muitas empresas anunciaram, em 2007, os últimos lotes de vídeo-cassete. Quem ainda tem o aparelho, guarde a sete-chaves para, em um futuro não tão distante, exibir a assustadora relíquia aos netos.


Rápidas do cinema nacional

A Elite no festival

O filme “Tropa de Elite”, sucesso de público em 2007, venceu o maior prêmio do Festival de Berlim, o Urso de Ouro, no penúltimo dia do evento (16 de fevereiro). Durante o festival, o júri ficou dividido quanto ao resultado do filme. Uns reagiram de maneira positiva, enquanto que outros não aprovaram seu conteúdo. A maior crítica girou em torno do excesso de violência que conduz o enredo. “Tropa” faz um retrato sobre a atuação do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) nas favelas e nos morros do Rio de Janeiro. Os personagens que conduzem a história são dois oficiais da PM, Capitão Nascimento (Wagner Moura) e Neto (Caio Junqueira). O primeiro procura um substituto para seu posto, enquanto que o segundo se destaca pela honestidade e coerência. Quem não assistiu pode conferir em DVD, já disponível nas locadoras.

Bomba de Gerbase

Falando em cinema nacional, o diretor gaúcho Carlos Gerbase lançou em dezembro passado seu novo longa-metragem, “3 Efes”, simultaneamente em quatro formatos: DVD, cinema, televisão e internet. Um feito inovador. Porém, o filme é uma bomba. Elenco irregular, roteiro desastroso, diálogos pobres, situações que beiram o ridículo. Lastimável. Um exemplo de “não faça um filme como este”. Passe longe!

(*) Artigo escrito por Felipe Boso Brida e publicado na coluna "Cinema em Pauta", na edição deste mês da revista Maxxis. Acesse http://www.revistamaxxis.com.br/

sábado, 15 de março de 2008

Cine Lançamento

Planeta Terror

Criminosos liberam um potente gás químico capaz de transformar as pessoas em monstruosos canibais. No hospital da cidade, o casal de médicos William (Josh Brolin) e Dakota (Marley Shelton) recebe pacientes mutilados e em fase de decomposição. Um deles é a dançarina de boate Cherry (Rose McGowan), que perdera a perna em um ataque de zumbis. As criaturas sedentas de sangue humano irão cercar o hospital e encurralar os vivos.
Desde adolescentes, os diretores Robert Rodríguez e Quentin Tarantino assistiam a filmes de terror trash tanto na televisão quanto nas sessões duplas (nos Estados Unidos chama-se “double feature”, salas de cinema que exibiam dois filmes em seqüência, em especial os de gêneros terror e ficção científica). Maduros e consolidados na carreira, resolveram rodar dois filmes de ação com terror homenageando as fitas que curtiam no passado. Enquanto Rodriguez partiu para o sanguinário e escabroso, Tarantino seguiu uma linha de mistério e crimes, em “À Prova de Morte” (e que não deixa de ser violento). Em 2007, lançaram os filmes em sessão dupla nos Estados Unidos. Uniram as fitas (o que perfez um total de 191 minutos de duração) com o nome de “Grindhouse”. Porém, o esforço foi em vão. Não emplacou, e a bilheteria naufragou. Fracasso total.
Bom, pudemos assim entender a primeira parte da situação.
Vamos para a segunda. Este mês, em DVD, foi lançado o filme de Rodriguez, “Planeta Terror” (o de Tarantino vem só no meio do ano). Particularmente, para assistir temos de entrar na brincadeira. Como já disse, este aqui é uma homenagem à risca ao terror “B”, trash, com direito ao estilo “gore” (excesso de sangue). A parte técnica e a estrutura do roteiro seguem a linha. Carnificina, atropelamentos brutais, zumbis deformados (a novidade!) e muita escatologia completam o quadro.
Propositalmente gravado em som mono 2.0 (antes não existia o stereo), o filme tem roteiro previsível e cheio de furos. Há muitas piadas de mau gosto e humor negro. Uma das situações é desvendar o destino do terrorista Osama Bin Laden. O resultado: um inteligente exercício metalingüístico, cheio de referências, a exemplo a introdução, com trailers de filmes falsos, e a película queimada na cena mais tórrida da fita. Falando em película, a imagem é riscada, defeituosa, granulada. Meramente de propósito, para acompanhar o ritmo das produções B dos anos 70/80.
O maior chamariz de “Planeta Terror” é a metralhadora com atirador de míssil implantado no lugar da perna amputada da dançarina. Uma doideira sem limites, com direito a muitas balas e explosões. Preste atenção na cena do helicóptero, que imita, de cabo à rabo, “Extermínio 2”.
O diretor escalou, em participações especiais, amigos de filmes anteriores, como Cheech Marin, Danny Trejo, Carlos Gallardo e o ator, diretor e maquiador Tom Savini. O próprio Tarantino faz uma participação; resta a ele a cena mais patética e bizarra do filme.
Para apreciar, é necessário estar sintonizado. Eu adorei, diverti-me bastante, virei o rosto em algumas seqüências que possam embrulhar o estômago, levei sustos. Assistiria de novo, sem problema algum.
Com certeza não irá atingir o grande público. A capa, mal feita (por querer), não atrai, e a história ainda menos. Exagerado, violento, divertido, inteligente. Somente para fãs de terror e grupos restritos de telespectadores. Por Felipe Brida.

Título original: Planet Terror
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Rose McGowan, Freddy Rodríguez, Josh Brolin, Marley Shelton, Jeff Fahey, Michael Biehn, Michael Parks, Bruce Willis, Quentin Tarantino, Nicky Katt, Julio Oscar Mechoso, Tom Savini, Danny Trejo, Cheech Marin, Carlos Gallardo.
Direção: Robert Rodriguez
Gênero: Terror/Ação
Duração: 104 min.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Premiados & Aplaudidos

Invisíveis

Cinco histórias sobre tragédias humanas em países do Terceiro Mundo conduzem este documentário espanhol de cunho humanitário.
Produzida pelo ator espanhol Javier Bardem, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante este ano por “Onde os Fracos Não Têm Vez”, a fita é montada a partir de cinco casos - três sobre guerras civis e dois sobre doenças – evidenciando o sofrimento de populações pobres em decorrência do descaso das autoridades. As histórias são curtas, com duração entre 12 e 27 minutos, e se passam na África e na América Latina.
A primeira, “Carta a Nora”, dirigida por Isabel Coixet, enfoca o mal de Chagas que ainda acomete os bolivianos (e, conforme o filme, também atinge boa parte da Espanha). A segunda história, “Crimes Invisíveis” (foto acima), dirigida pelo famigerado alemão Wim Wenders, tem como cenário o Congo. É a que carrega o tema mais forte, sobre mulheres violentadas por soldados africanos em meio à guerra civil. Na terceira, “Boa Noite, Ouma”, o diretor Fernando León de Aranoa capta, na Uganda, relatos de crianças desabrigadas, que, em meio à guerra civil, encontram moradia e apoio em campos de refugiados. A quarta parte, “O sonho de Bianca”, dirigida por Mariano Barroso, trata a angustiante trajetória de africanos vítimas da doença do sono e que são abandonados pelo governo. Por último, “A Voz das Pedras”, o diretor Javier Corcuera retrata os manifestos da população colombiana contra a matança de jovens em decorrência da sangrenta guerra civil que desmorona o país há 40 anos.
Como podemos perceber, o documentário é dramático e trata de questões polêmicas. Um apelo à vida. Um tapa na cara que expõe à sociedade os marginalizados, os tais “invisíveis”, que não passam de verdadeiros fantasmas aos olhos do mundo e que enfrentam seus mais diversos martírios.
A única falha é que as histórias não são bem explicadas. Resume-se a depoimentos atuais, como se o público conhecesse sobre as guerras civis na África e na Colômbia ou mesmo sobre as doenças em destaque. Fica devendo contexto histórico em todas elas. A primeira, a mais curta, é irregular, já que o tema é mal explorado e a música, repetitiva.
Mesmo assim ainda acho que vale a pena conferir. Prepara-se para levar um “tiro” de perplexidade. O destaque do documentário é a produção em parceria com a organização internacional não-governamental “Médicos Sem Fronteiras”, grupo de médicos que se destina a contribuir voluntariamente com os países onde existem miséria extrema e fome. Venceu o prêmio Goya (espanhol) de melhor documentário este ano. Atenção para os cinco diretores: são três espanhóis, um peruano e um alemão, cada qual com seus pontos de vista e características de estilo. Não disponível em DVD nem no Brasil nem nos Estados Unidos, apenas em canais por assinatura. Por Felipe Brida

Título original: Invisibles
País/Ano: ESP, 2007
Direção: Isabel Coixet, Wim Wenders, Fernando León de Aranoa, Mariano Barroso, Javier Corcuera.
Gênero: Documentário
Duração: 106 min.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Comentários do Blogueiro

Carpenter de volta ao terror
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O diretor John Carpenter anunciou estar preparando seu mais novo filme de terror, LA Gothic. Serão cinco histórias cujo protagonista, um ex-padre, terá de proteger sua filha adolescente de estranhas forças do mal espalhadas por Los Angeles. Carpenter, afastado dos cinema desde “Fantasmas de Marte” (2001) e considerado um dos mestres do terror moderno, responsável por “Halloween – A Noite do Medo”, “O Enigma do Outro Mundo” e “Christine – O Carro Assassino”, ainda não escalou o elenco.


Ataques criminosos em foco

E não é que vai virar filme? Logo após a polícia de São Paulo decretar estado de alerta por causa dos ataques sofridos por organizações criminosas, em maio de 2006, o comentário geral era de que estes fatos poderiam virar assunto de filme. O diretor Sérgio Rezende não deixou por menos. Está em fase inicial do seu mais novo longa-metragem, Salve Geral – O Dia em que São Paulo Parou. No elenco, Andréa Beltrão, Marco Ricca e Vera Holtz. As filmagens serão nas cidades de São Paulo, Campinas e Paulínia.
Por Felipe Brida

terça-feira, 11 de março de 2008

Premiados & Aplaudidos

Favela Rising

Documentário que conta a vida de Anderson Sá, criador do movimento Afro Reggae no Rio de Janeiro. Com a mistura de hip-hop, ritmos de rua e danças afro-brasileiras, levou esperança às crianças e aos jovens das favelas cariocas, neutralizando a violência e o tráfico de drogas.
Fita norte-americana rodada no Brasil, ou melhor, no Rio de Janeiro, pouco vista pelo público. Não conhecia o biografado – Anderson Sá – e confesso que sua história me deu um sopro de vida. Um rapaz que nasceu em meio à marginalidade, presenciou crimes horrendos, escapou da morte durante a chacina de Vigário Geral em 1993 e, por fim, acabou se envolvendo com o tráfico. Consciente sobre o futuro cambaleante daqueles que vivem na rota do crime, decidiu abandonar os vícios e dedicar-se à música. Como se fosse um mensageiro da paz, levou seus diferentes ritmos musicais a uma população carente, com o intuito de abrir novos caminhos aos desesperançados.
A narrativa é em formato de videoclipe e segue o padrão dos documentários, com depoimentos, cenas reais e entrevistas especiais. A única novidade é o uso de cores contrastantes e uma câmera ágil. Sensível e nos faz refletir, ainda mais quando toca em teores mais profundos de denúncia, como flagrantes de corrupção policial, abuso de poder da polícia e chacinas em que inocentes são mortos em confronto policial. No final, reserva-se uma surpresa triste e um pouco desagradável, tanto para o personagem central quanto para o público.
Ganhou nove prêmios internacionais, dentre eles os de melhor documentário em três festivais, como Tribeca e Festival de Filmes Latinos de Nova York. Ficou mais conhecido lá fora do que no Brasil. Um filme que demorei a assistir e me arrependi de não ter conferido antes. Quando acaba, sentimos satisfação ao saber que existem pessoas que levam a arte como ferramenta modificadora da sociedade.
O documentário teve estréia tardia no Brasil, em outubro de 2006, e foi lançado em DVD somente em 2007, dois anos depois de ter sido concluído. Não deixe de ver. Por Felipe Brida

Título original: Favela Rising
País/Ano: EUA, 2005
Elenco: Anderson Sá, André Luís Azevedo, Michele Moraes, José Junior, Zuenir Ventura.
Direção: Jeff Zimbalist/ Matt Mochary
Gênero: Documentário
Duração: 82 min.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Resenhas & Críticas

Alpha Dog

Traficante de drogas em Los Angeles, Johnny Truelove (Emile Hirsch) leva uma vida isolada com poucos amigos. Por causa de uma dívida, seqüestra o jovem Zack (Anton Yelchin), irmão mais novo do devedor, Jake (Ben Foster). Truelove mantém Zack sob seu domínio, como garantia para receber o dinheiro. Longe de casa, o garoto torna-se grande amigo dos aliados de Truelove, inclusive do neurótico Frankie (Justin Timberlake).
Retrato amargo e cru sobre a juventude desregrada no mundo contemporâneo. Um filme com temática difícil, por vezes indigesta, sobre adolescentes sucumbindo às drogas e vivendo de maneira transviada. Jovens estes que se entregam facilmente à violência e são capazes de tudo para conquistar seus objetivos a fim de ganhar notoriedade no mundo do tráfico. Neste pesado e difícil drama dirigido pelo talentoso diretor Nick Cassavetes (filho do ator e ex-diretor John Cassavetes, já falecido, e da atriz Gena Rowlands), foca-se a problemática na classe média, quebrando a já velha idéia de que só os pobres propagam a violência e o tráfico de entorpecentes.
Ainda cruzam a história tribos urbanas, como emos e neonazistas, o que aponta o agrupamento de pessoas diferentes na sociedade atual. Para o final, na seqüência das rochas, resta uma chocante conclusão, que pode provocar comoção no público.
E o elenco está na medida certa. Emile Hirsch, de “Os Reis de Dogtown”, confirma ser um bom ator (um dos melhores de sua geração). O cantor pop e dançarino Justin Timberlake, ex-N’Sync, surpreende, e mostra que não só de música poderá sobreviver; tanto que recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de melhor revelação do ano. Em um papel contido e menor, Bruce Willis interpreta o pai do traficante Truelove. Sharon Stone é a mãe sofrida dos irmãos Zack e Jake, respectivamente o seqüestrado e o devedor. Reparem no final, quando Sharon está gorda, cheia de enchimento, irreconhecível.
O filme causou impacto no encerramento do Festival de Sundance e teve bilheteria acima do esperado (no Brasil, na estréia nos cinemas, em maio do ano passado, ficou em terceiro lugar no ranking, só abaixo de “Homem Aranha 3” e “Um Crime de Mestre”). Assisti duas vezes, fiquei chocado em ambas. E me guardo para uma terceira oportunidade. Uma boa fita, com história atual e polêmica, que deve ser vista, em especial pelos jovens entre 15 e 20 anos. Não perca. Por Felipe Brida

Título original: Alpha Dog
País/Ano: EUA, 2006
Elenco: Emile Hirsch, Bruce Willis, Justin Timberlake, Anton Yelchin, Ben Foster, Shawn Hatosy, Fernando Vargas, Harry Dean Stanton, Sharon Stone, Dominique Swain, Lukas Haas.
Direção: Nick Cassavetes
Gênero: Drama
Duração: 117 min.

domingo, 9 de março de 2008

Resenhas & Críticas

Turistas

Grupo de jovens turistas sofre acidente de ônibus e fica perdido em uma região praiana no Nordeste brasileiro. Unidos, eles adentram em uma mata e se tornam alvos de sádicos torturadores que fazem tráfico de órgãos.
Inteiramente rodada no Brasil (Rio de Janeiro, Bonito e Chapada da Diamantina), esta foi a fita de terror mais discutida pela mídia em 2006/2007. Justamente por mostrar um Brasil deplorável. Vamos aos fatos, ou melhor, às falhas. 1º) Não é um filme que deve ser levado a sério. Para começar, é mais uma fita de terror para adolescentes, com história fraca, cheia de idéias tolas e situação ainda piores. 2º) É uma realização da pior qualidade. Cenografia feia, elenco pobre e direção desastrosa. John Stockwell, o diretor, mostra-se aqui um mal realizador: no início temos o gênero aventura, depois se torna suspense e culmina com terror grosseiro. 3º) Um filme preconceituoso em todos os sentidos. O índio é mostrado como um matador; as mulatas são prostitutas; o motorista que leva os turistas é imprudente e desbocado, além de escarrar e enfiar o dedo no nariz. Enquanto parte da população é extremamente pobre, outros brasileiros são violentos e agressivos, como se fossem bichos do mato. 4º) Tudo é samba, tudo é festa, tudo é bebedeira, tudo é vagabundagem aqui no Brasil. Drogas alucinógenas por todos os lugares.
Passa-se uma imagem controversa do país. Nos créditos iniciais, o mapa e a bandeira do Brasil são estampados na tela, ao som de um samba bem cantado. O argumento para a realização do filme gira em torno dos inúmeros casos de turistas que são assassinados no Brasil. O próprio diretor afirmou, em entrevista, que foi roubado e baleado por garotos de rua no Peru, enquanto rodava seu filme anterior, "Mergulho Radical" (2005). Mas bem que ele poderia ter solicitado um roteiro inteligente, de gênero dramático ou de cunho documentário, sobre roubos a turistas e tráfico de órgãos, não? Difícil entender por que perder tempo e dinheiro fazendo tamanha bobagem. Poucas vezes o Brasil foi retratado pelo cinema norte-americano. E bem este aqui teve grande sucesso lá fora.
O “gore” rola solto. As cenas de tortura e cirurgia são apelativas e causam repúdio. Por falar nisto, o médico torturador é pessimamente interpretado pelo brasileiro Miguel Lunardi, da novela “Página da Vida” e dos filmes “O Outro Lado da Rua”, “Benjamin” e “Jenipapo”. Muitos brasileiros ainda estão no elenco, como o ator Agles Steib (das novelas “Senhora do Destino” e “Paraíso Tropical”), e na equipe de produção, como a prestigiada figurinista Bia Salgado. Mas que papelão, hein? O título original, grafado "Turistas" mesmo, foi também lançados com dois outros títulos nos Estados Unidos: "Paradise Lost" e "Turistas - Holiday of Horror".
Alguns artistas norte-americanos e ingleses, em especial Melissa George (do seriado “Alias”), tentam falar o português, o que acaba soando horrível. Pavoroso e que não merece créditos. Por Felipe Brida

Título original: Turistas
País/Ano: EUA, 2006
Elenco: Josh Duhamel, Melissa George, Olívia Wilde, Desmond Askew, Beau Garrett, Max Brown, Agles Steib, Miguel Lunardi, Andréa Leal, Miguelito Acosta.
Direção: John Stockwell
Gênero: Terror/ Aventura
Duração: 96 min.

sábado, 8 de março de 2008

Cine Lançamento

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

Estados Unidos, século XIX. O jovem Robert Ford (Casey Affleck) tem, como ídolo, o bandido mais famoso e procurado do país, Jesse James (Brad Pitt). Certa ocasião, ingressa na gangue de assaltantes liderada por James. Aos poucos, Ford vai conhecendo a personalidade do criminoso mais temível do oeste americano. A admiração dá lugar ao ódio, até que o jovem planeja uma emboscada para assassinar o líder da quadrilha.
Interminável retrato biográfico que remonta os momentos finais de Jesse James, temível fora-da-lei do Velho Oeste norte-americano, morto à queima-roupa em abril de 1882, pouco antes de partir para um novo roubo junto com os irmãos Robert e Charley Ford. Por ser uma história que reconstrói minuciosamente fatos e personagens – tudo baseado em observações reais contidas no romance homônimo de Ron Hansen – o drama se torna arrastado, com diálogos excessivos e pouca ação. Começa lento, continua estático até a metade e só melhora no final, quando há os indícios da explicação do gigantesco título.
Apesar de se passar no Velho Oeste, com direito a saloons e cavalgadas, o filme não é de gênero faroeste, diferente das versões anteriores, como “Jesse James” (1927, com Fred Thomson), “Jesse James” (1939, com Tyrone Power), “Quem foi Jesse James” (1957, com Robert Wagner) e “Jovens Pistoleiros” (2001, com Colin Farrell).
Discussões desmedidas aliadas ao intimismo cercando o personagem Robert Ford modelam um enredo detalhista demais, difícil de ser acompanhado pelo público em geral.
O diretor Andrew Dominik poderia ter reduzido a metragem em uns 30 minutos, para que a fita fosse melhor digerida. Mas não, preferiu lançá-la com os 160 minutos originais, provocando o efeito "centrífuga", ou seja, afastando os telespectadores.
A escolha de Brad Pitt para o instintivo Jesse James foi um tiro no escuro. Uma interpretação discutível. Relutei, questionei, e não gostei. Ainda vejo nele traços característicos (tiques, risadas medonhas e sobrancelhas torcidas) do filme que o levou ao sucesso, “Kalifornia – Uma Jornada ao Inferno”. Repare que no início o narrador descreve que James piscava freneticamente os olhos por causa de uma doença; e não é que no decorrer do filme, inclusive nos closes, ele mantém os olhos normais? E Casey Affleck, que até recebeu indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante este ano pela fita, consegue ser ainda mais duvidoso. O ator, irmão mais novo de Ben Affleck, é insosso, de sorriso matuto e está longe de convencer. “O Assassinato” ainda recebeu indicação ao Oscar de melhor fotografia (aliás, uma fotografia escura, em momentos até difícil saber quem está em cena).
Cria-se expectativa em ver a tal morte do bandido. Só que a cena é tão rápida e sem tensão que ficamos frustrados. Confesso que era um filme que esperava bastante, torcia para ser bom. Não me agradou. É uma biografia interessante, bem produzida e filmada com técnicas modernas, mas não empolga. Uma autêntica fita de arte que dividiu opiniões. Enquanto uns adoraram o resultado, outros chiaram. Eu revi o filme recentemente e continuo no segundo grupo. Disponível em DVD. Por Felipe Brida

Título original: The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Sam Rockwell, Sam Shepard, Paul Schneider, Jeremy Renner, Mary-Louise Parker, Ted Levine, Garret Dillahunt, Michael Parks, James Carville.
Direção: Andrew Domink
Gênero: Drama/ Faroeste
Duração: 159 min.

Cine Lançamento

Os Simpsons – O Filme

Homer Simpson provoca um desastre ambiental de proporções catastróficas, colocando Springfield em estado de alerta. A cidade torna-se a mais poluída dos Estados Unidos. O presidente do país, Arnold Schwarzenegger, então convoca a força militar para isolar a população em uma redoma de vidro. Os moradores da pacata Springfield querem, a todo custo, a cabeça de Homer.
Esperava-se mais do primeiro filme do famoso seriado “Os Simpsons”, criado por Matt Groening e que este ano completa 19 anos de existência (e mais de 420 capítulos produzidos exibidos em 100 países). Basicamente é uma reunião de mini-histórias, como se fossem as do seriado, independentes e que acabam se entrelaçando. Temos o bizarro relacionamento entre Homer e um porco de estimação (as cenas mais hilárias estão aqui), o novo amor de Lisa e os vícios e as maldades de Bart. Não há, em especial, argumentos novos e, sim, situações recicladas que ainda garantem risadas.
Personagens importantes e engraçados do seriado, como Mr. Burns, as irmãs gêmeas fumantes de Marge, Patty e Selma, e o melhor amigo de Homer, o alcoólatra Barney, são poucos explorados e alguns sequer aparecem.
Seguindo a onda de filmes e documentários sobre preocupação com o meio ambiente, os produtores da animação resolveram trilhar pelo mesmo caminho. Aqui, Lisa, filha de Homer, torna-se defensora das leis ambientais e tenta levar a mensagem aos moradores. Só que sei pai (reflexo da própria população desleixada e cara-de-pau) polui a cidade.
Como não podia faltar, existem referências a filmes como “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, na única cena com a dupla Comichão e Cocadinha, “Titanic”, “Homem-Aranha” e até a “Uma Verdade Inconveniente”, em que Lisa, assim como Al Gore no documentário, utiliza uma pequena cabina móvel para apresentar ao público um projeto sobre problemas ambientais.
Longe de ser um desastre, “Os Simpsons – O Filme” faz rir mesmo com as histórias fraquinhas. Particularmente não resisto à imbecilidade de Homer, figura que satiriza o típico pai de família norte-americano, aquele que gosta de beber com amigos no bar, tem sono agudo e evita pensar. É sabido também que o personagem representa a decadência intelectual do povo estadunidense. Um indivíduo que se envolve em casos patéticos e não faz nada certo. Antes dos créditos iniciais, Homer critica o filme brincando diretamente com nós, os telespectadores.
Na cena da igreja, contestam-se, de forma de cruel, os ritos protestantes. Igualmente no seriado, está distante de ser uma animação para crianças.
Atenção para o presidente dos Estados Unidos, Arnold Schwarzenegger, um espelho de George Bush, que troca o diálogo pelas ações de intervenção, e ao próprio Tom Hanks tirando sarro do governo. Os créditos finais dão abertura a uma possível continuação.
Indicada ao Globo de Ouro de melhor animação este ano (perdeu para Ratatouille), “Os Simpsons – O Filme” pode ser assistido como um bom passatempo de sábado à tarde. Mas não espere algo sensacional. Por Felipe Brida

Título original: The Simpsons Movie
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Vozes de Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Hank Azaria, Yeardley Smith, Harry Shearer, Pamela Hayden, Albert Brooks, Tom Hanks, Joe Mantegna.
Direção: David Silverman
Gênero: Animação
Duração: 87 min.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Cine Lançamento

A Maldição da Flor Dourada

Dinastia Tang, China, século X. O imperador Ping (Chow Yun-Fat) retorna à sua cidade com o príncipe Jai (Jay Chou), seu segundo filho, para celebrar o Festival Chong Tang com a família. Porém descobre um terrível segredo: a imperatriz Phoenix (Gong Li) mantém um romance secreto com seu enteado, príncipe Wan (Liu Ye). Só que Wan confessa querer se casar com a filha do médico imperial. As intrigas e traições crescem e começam a abalar a estrutura da família real.
Sou um admirador do estilo elegante e do visual requintado criados pelo diretor chinês Zhang Yimou. Ficou conhecido pelo público ao dirigir filmes épicos que remontam lendas de seu país, a China, como os sucessos “Herói” (2002) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), sem falar em fitas pessoais, a exemplo os premiados dramas “Nenhum a Menos” (1999) e “O Caminho para Casa” (2005) – este vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. No entanto, perdeu a linha e tomou rumos incertos ao realizar esta aventura dramática, meio ação, considerado o filme mais caro já rodado na China. Indicado ao Oscar de melhor figurino em 2007, seu orçamento foi de R$ 45 milhões.
Yimou caiu em excessos. O figurino e a direção de arte são carregados demais. A profusão de cores causa, inicialmente, um impacto visual, mas com o desenrolar da fita vai aborrecendo. Nunca havia visto tantas tonalidades de cor juntas. Predomina o amarelo brilhante (daí o motivo de os personagens usarem ornamentos e vestimentas douradas, como se fosse ouro) e o vermelho-sangue, além do verde. O exagero cai no kitsch, tornando o filme brega demais. O cuidado minimalista foi tanto que se prestarmos atenção neles, deixamos de acompanhar a história!
A fita ainda peca em outros aspectos estruturais. As músicas – são três ou quatro ao todo – repetem-se a cada cinco minutos. Não há variação. A história demora para começar; quando engrena, fica em um lenga-lenga sem fim. Muitos nomes de personagens (herdeiros do trono e rivais) e explicações sobre fatos paralelos desanimam e nos deixam confusos.
Como não podia faltar nos projetos de Yimou, grande parte das cenas de arte marcial e luta de espada são bem elaboradas. Já outras, como no ataque a cavalo pelos assassinos encapuzados, apresentam erros de continuidade grosseiros (e olha que não sou cuidadoso para observar isto). Diferente dos anteriores, em “A Maldição” Yimou opta pela violência mais sanguinária. As poderosas lâminas das foices voadoras dos matadores fazem com que o sangue das vítimas espirre para todos os cantos. Estranhei o diretor ter seguido esta linha "gore".
Esperava-se melhorar no final, o que acaba não acontecendo. No desfecho, uma sucessão de tragédias “gregas” e revelações melodramáticas demais, em estilo shakesperiano.
Teria sido interessante mostrar os costumes de um país fechado e cercado de mistérios centralizando as ações nas intrigas e segredos de uma família imperial. Mas parece ter ficado melhor no papel do que na película. Demorou a chegar e passou despercebido no Brasil (e agora está disponível em DVD). Por Felipe Brida

Curiosidades: A batalha final demorou 20 dias para ser filmada, e reuniu mais de mil figurantes. Para rodar o filme foi construído o maior set de filmagem já visto na China.

Título original: Man Cheng Jin Dai Huang Jin Jia/ The Curse of the Golden Flower
País/Ano: Hong Kong, 2006
Elenco: Chow Yun-Fat, Gong Li, Jay Chou, Liu Ye, Ni Dahong, Junjie Qin.
Direção: Zhang Yimou
Gênero: Aventura/ Drama
Duração: 114 min.