sábado, 12 de agosto de 2017

Nota do blogueiro


Mais quatro lançamentos de julho e agosto da A2 Filmes em DVD, com os selos Flashstar e Focus. "Subterrâneo", "Os opostos se atraem", "Perigosa atração" e "O evangelista". Já nas locadoras e nas lojas para venda. Obrigado, equipe da @a2_filmes, pelo envio dos títulos.


Nota do blogueiro


DVDs saídos do forno! Lançamentos de julho e agosto da A2 Filmes, com o selo da Flashstar. "Lila & Eve - Unidas pela vingança", "Ascensão e queda de um império", "O corpo" e "Guerra fria". Já nas locadoras e nas lojas para venda. Obrigado, equipe da @a2_filmes, pelo envio dos títulos.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Nota do blogueiro


"Eu me encontrava em pé sob uma estrutura cônica prateada tão alta quanto a nave de uma igreja. Pelas paredes desciam pencas de mangueiras coloridas que desapareciam em tubulações redondas. Virei-me. Os dutos de ventilação troavam, aspirando os restos da atmosfera tóxica do planeta que lá haviam penetrado durante a aterrissagem". Trecho do livro "Solaris", de Stanislaw Lem, clássico da ficção científica, publicado em 1961 e que acaba de ganhar no Brasil nova edição, pela Editora Aleph (2017, 312 páginas, tradução de Eneida Favre - diretamente do polonês). Filosófico e existencialista, a grandiosa obra literária deu origem a três filmes, o mais importante deles dirigido por Andrei Tarkovski em 1972, ganhador de prêmio em Cannes. O projeto gráfico, de Pedro Inoue, magnifica a edição com desenhos internos e laterais das folhas em amarelo. Obrigado, @editoraaleph, pelo lindo exemplar.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cine Lançamento


A garota no trem

Abalada com o recente divórcio, Rachel (Emily Blunt) é uma mulher solitária e deprimida, viciada em álcool. Todos os dias faz o mesmo trajeto de trem, de casa para o centro da cidade, onde trabalha, e sempre observa, pela janela do vagão, um casal aparentemente perfeito, morador de um bairro nobre. Até que um crime bárbaro colocará a vida de Rachel em risco.

Por pouco Emily Blunt não recebeu indicação ao Oscar de melhor atriz pela soberba interpretação da alcoólatra e decadente Rachel nesse suspense desafiador classe A da Universal, coproduzido pela Dreamworks, baseado no best-seller mundial de Paula Hawkins. Infelizmente Emily ficou de fora da lista da Academia, porém foi nomeada ao Bafta e ao SAG, nas edições de 2017.
Formatado como thriller de mistério com reviravoltas e vendido com um final surpresa (mas bem previsível para os atenciosos na trama), “A garota no trem” interliga três mulheres da mesma cidade a um crime brutal. Numa ponta do quebra-cabeça está Rachel (Emily Blunt), alcoólatra, que viaja de trem, importuna o ex-marido pelo telefone, quer saber o que ele anda fazendo. Controladora, entra de cabeça num processo de autodestruição devido ao divórcio e por outros traumas do passado, anunciados no filme em flashbacks. Na outra ponta, Anna (Rebecca Ferguson, boa atriz, cada vez mais com fisionomia parecida com Ingrid Bergman), a atual esposa do ex de Rachel; e entre as duas, Megan (Haley Bennett, jovem, bonita e promissora), a indiferente babá do filho de Anna. Nenhuma se conhece, apesar de as três possuírem semelhança nas características de personalidade, até que um assassinato irá aproximá-las, numa trilha sombria de erros, desconfianças e pistas falsas (e ponto final, para não cometermos spoiler). Com um intenso toque policial, o suspense psicológico dialoga com a narrativa da mulher encorajada e ao mesmo tempo reprimida na sociedade machista e argumenta contra a autoridade masculina, com uma pegada deslumbrantemente sexy e passional. A edição lembra os telefilmes à moda antiga (com fade, clarões e câmera lenta), único defeito de opção do diretor Tate Taylor. Como filme de mistério e suspense funciona bem, acima da média dos lançamentos do gênero.
O DVD, lançado pela Universal, traz como extras making of e cenas excluídas.

A garota no trem (The girl on the train). EUA, 2016, 112 min. Suspense. Dirigido por Tate Taylor. Distribuição: Universal Pictures

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nota do blogueiro


Outro lançamento imperdível da Sony Pictures que chegou em casa em DVD: o romance com ficção científica "Passageiros" (2016), indicado a dois Oscars. Chris Pratt e Jennifer Lawrence arrebentam em cena! Já nas lojas para venda e nas locadoras. Obrigado, @sonypictureshebr, pelo envio do filme. Adorei, e vou rever.


sábado, 29 de julho de 2017

Nota do blogueiro


"Tentei guardar o registro da cena na minha cabeça como uma foto. O Dr. Fowler esticado na cama com um buraco no olho e os miolos espalhados pelas cobertas. Havia um abajur aceso na mesinha de cabeceira ao lado da Bíblia. Dentro da Bíblia havia balas de revólver. A foto no porta-retratos, antes da cômoda, agora presa à mão fria do médico". Trecho do romance de investigação com pitadas de horror "Coração satânico", o super lançamento da Darkside Books de junho passado (319 páginas, tradução de Carla Madeira). Escrito por William Hjortsberg e publicado em 1978, a sinistra história policial que envolve ocultismo, desaparecimento e assassinatos brutais numa Nova York da década de 50 originou o cultuado filme homônimo de 1987, dirigido magistralmente por Alan Parker. O livro já se encontra disponível para venda nas melhores livrarias. Obrigado, equipe da @darksidebooks, pelo presente.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Nota do blogueiro


Grandes lançamentos da Universal, Paramount e Sony Pictures que chegaram no mercado em DVD para locação  e venda - e que recebi em casa dias atrás. Os dramas vencedores do Oscar "Um limite entre nós" e "Manchester a beira-mar", o thriller de espionagem indicado ao Oscar "Aliados", o drama de guerra "A longa caminhada de Billy Lynn", o suspense eletrizante "Fragmentado" e o drama britânico "T2 Trainspotting", continuação  de "Trainspotting -  Sem limites". Um melhor que outro! Obrigado, @sonypictureshebr @universalpicsbr @paramountmovies, pelo envio dos DVDs.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Resenha Especial


Aleksandr Nevsky

Na Rússia do século XIII, o príncipe Aleksandr Nevsky (Nikolay Cherkasov) organiza um exército popular para lutar contra os Cavaleiros Teutônicos, que pretendem invadir o território russo durante as Cruzadas.

Monumental aventura épico-filosófica soviética, dirigida pelo mestre da linguagem cinematográfica Sergei Eisenstein, que estruturou uma biografia audaciosa de Aleksandr I, da Novogórdia (1220-1263), líder militar da Rússia Medieval, traçando forte paralelo com o Nazismo, cujo partido se fortalecia na época do filme (1938). Com trilha retumbante de Serguey Prokofiev, que repetiu a dose com Eisenstein em “Ivan, o terrível” (1944-1945), o épico é dividido em dois blocos essenciais: no primeiro, dramático, sólido e de teor musical, conta-se o exílio de Nevsky, a invocação de seu nome pelo povo de Novgorod, como um salvador, e em seguida os acontecimentos que o levaram a estruturar o levante popular; no segundo, a demarcação da guerra, com gigantescas batalhas entre os russos e os alemães e agregados que compunham a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, organização militar da Igreja Católica.
Ímpar na linguagem construtivista, Eisenstein era mestre nas referências semióticas. Quando menciona os teutônicos faz alusão aos nazistas. A truculência nas ações dos cavaleiros, de invadir casas e matar pessoas nas ruas, mostradas no filme, seria a mesma praticada pelas hordas hitleristas, como a SS e a Gestapo, quando a Segunda Guerra estouraria um ano depois – reparem nas cenas chocantes de crianças queimadas vivas na fogueira! Uma obra cinematográfica até premonitória!
Falando em Construtivismo, Eisenstein recorre a recursos grandiosos de montagem, com destaque na segunda parte do filme, com enquadramentos, músicas rápidas e avanço das imagens.
Conhecido no Brasil com o título de “Cavaleiros de Ferro”, o filme foi restaurado pela Mosfilm em 2015 e chega com esta ótima cópia em DVD no Brasil pela CPC Umes Filmes. Surpreenda-se com a forma e o estilo do diretor Sergei Eisenstein, que revolucionou a linguagem do cinema.

Aleksandr Nevsky (Aleksandr Nevskiy). URSS, 1938, 103 min. Drama/Ação. Dirigido por Sergei M. Eisenstein. Distribuição: CPC Umes Filmes

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de julho/agosto de 2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Resenha especial


Homem comum

Documentário que registra duas décadas na vida de um caminhoneiro paranaense, Nilson de Paula, hoje cego, viúvo e com sérios problemas de saúde.

Qual o real significado de viver para um cidadão comum? A resposta aparenta ser simples, mas está distante de conclusões determinadas. Nesse premiado documentário brasileiro, o diretor Carlos Nader caminha na direção de soluções para esta questão crucial, a partir das histórias de vida de um caminhoneiro cheio de sonhos e esperanças, que representam, no geral, os anseios do povo brasileiro. Ensaio e narrativa se misturam, documentário e ficção tornam-se um só, vida e morte se completam e ilustram a essência do filme, uma obra pessoal e especial do cineasta paulistano.
Nader conheceu o protagonista de seu “Homem comum” em 1994, por mero acaso, num ponto de encontro de caminhoneiros. Dali em diante iniciou uma extensa jornada audiovisual, de quase vinte anos, capturando momentos alegres e tristes de Nilson com a família até o falecimento dele, em 2012. Em casa ou na rua, as falas simplórias do humilde trabalhador demonstram a generosidade de uma vida dedicada a duras viagens nas estradas pelo Brasil afora, ao lar, à esposa e filhos. Dificilmente Nilson consegue exprimir com palavras o real significado de viver. É nas imagens que parte da resposta surge, elas substanciam o que o diretor quer saber do caminhoneiro para contar ao público.
No documentário intercalam-se cenas caseiras antigas de Nilson, gravadas por Nader, algumas bem tristes, retiradas do baú familiar, como a morte da mulher amada (aparece o velório e o funeral, registro guardado até então a sete chaves pelo cineasta), e cenas cotidianas atuais, de um senhor debilitado, cego, solitário. No antes e depois, desabrocham temas tão simples e tão essenciais.
Junto, Nader cria um paralelo, de sábia inteligência cinematográfica, com o cultuado filme dinamarquês de tema semelhante “A palavra” (1955), de Carl T. Dreyer, e também com um curta em preto-e-branco dirigido por ele mesmo especialmente para o projeto, chamado “Life: the dream” (este, um segmento baseado em “A palavra”, mas em ambiente inglês, para dialogar sobre a brevidade da vida).
Feito de maneira autoral, artesanal e com afeto por um diretor aplaudido em festivais, “Homem comum” instiga o público a repensar o que a vida é e o que queremos deixar escrito durante nossa existência. Venceu o prêmio de melhor documentário no Festival É Tudo Verdade, em 2014, e melhor montagem no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2016.
Quem quiser assistir ao doc, ele está disponível em DVD, lançado pelo Instituto Moreira Salles (IMS). O disco traz o documentário, em metragem ampliada, de 103 minutos (20 a mais da exibida nos cinemas brasileiros), e um livreto ilustrado de 26 páginas, com textos do músico e ensaísta José Miguel Wisnik e do próprio diretor Carlos Nader. Como sempre, as edições em disco do IMS são um investimento magnífico para colecionador nenhum botar defeito.

Homem comum (Idem). Brasil, 2015, 103 min. Documentário. Dirigido por Carlos Nader. Distribuição: Instituto Moreira Salles (IMS)

Nota do blogueiro


"No caminho de casa, com o soco inglês limpo e guardado de novo, Healy parou em uma faixa pavimentada ao lado da Mulholland Drive. Estava atrasado, quase vinte minutos atrasado, mas a nova cliente com a qual havia combinado de se encontrar não havia desistido dele. Ela estava sentada no banco do motorista do conversível vermelho da VW [...]". Trecho do capítulo quatro do livro "Dois caras legais", uma novelização do filme, de autoria de Charles Ardai, baseada no engraçadíssimo roteiro de ação escrito por Shane Black e Anthony Bagarozzi. Conheça a história incomum de March e Healy, dois homens durões que buscam solucionar o sumiço de uma garota e ao mesmo tempo o misterioso assassinato de uma atriz pornô, possivelmente cometido por magnatas americanos. Altas doses de adrenalina e um incansável humor feroz conduzem a narrativa agitada. O livro saiu no Brasil pela editora Gryphus em 2016 (234 páginas, tradução de Miguel Damian Ribeiro Pessoa), com um bom projeto gráfico (com destaque para as cores da capa, lombada e orelhas). Assista também ao ótimo filme, com Russell Crowe e Ryan Gosling.
Obrigado, equipe da Gryphus, pelo gentil envio do livro.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nota do blogueiro


INGRESSOS
Seis ingressos do filme de terror "7 desejos" que a Image Filmes nos enviou para presentear no blog Cinema na Web, no Instagram e no Facebook. Quer ir ao cinema? Para participar e concorrer, siga a página da @imagemfilmes no Instagram e envie mensagem no meu email (felipebb85@hotmail.com) com os dizeres "Eu quero ganhar um ingresso". "7 desejos" estreia em todo o Brasil no dia 27 de julho! Não perca!
Valeu, @imagemfilmes, pelo gentil envio dos convites.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Comentários do blogueiro


" - É verdade, meu pai era fazendeiro na época.
Então a escuridão desaparece, e tudo fica dourado e verde quando o vento bate nos pendões do milho novo que chegam à nossa cintura, chacoalhando as hastes, como se uma tempestade em algum lugar estivesse se aproximando".

Trecho do prólogo do livro Interestelar, romantizado por Greg Keyes a partir do roteiro original de cinema de Jonathan e Christopher Nolan. Lançado no Brasil pela editora Gryphus com o selo Gryphus Geek (2014, 266 páginas, tradução de Vera Whately), a obra literária circula entre o drama existencial, a ação e o scifi, com pormenores e explicações acerca da incrível jornada do fazendeiro Cooper em sua viagem interespacial. Recomendo a leitura e também ao premiado filme de Nolan, uma obra-prima do cinema contemporâneo. Obrigado, equipe da Gryphus Editora, pelo gentil envio do exemplar.


sábado, 15 de julho de 2017

Cine Lançamento


Boys

Dois garotos maratonistas, de 15 anos, Sieger (Gijs Blom) e Marc (Ko Zandvliet), integram um time da cidade para disputar um campeonato mundial. Ao se conhecerem melhor no intervalo dos treinos, acabam se apaixonando, mas reprimem o sentimento.

Sincero e tocante, o telefilme holandês “Boys”, de 2014, teve lançamento comercial no Brasil no final do ano passado, exibido em poucas salas de cinema, e depois saiu em DVD pela Flashstar. Curtinho (com 77 minutos apenas), modesto e com uma bonita fotografia, conta a história decisiva na vida de dois rapazes que descobrem o amor pela primeira vez, mas escondem o fato entre eles. Imaturos para compreender esse sentimento novo e avassalador, ainda enfrentam pressão na escola, na competição esportiva e entre os colegas de turma; não bastasse isto, lidam, angustiados, com sérios problemas familiares. Tudo conspira para colocá-los à prova do amor recém-nascido, impulsionando-os a embarcar numa travessia de desafios e aceitações.
O filme não opta pelo romance conto de fadas ou colorido, nunca sabemos se haverá um beijo, toque ou abraço. O diferencial: a diretora Mischa Kamp trabalha em cima de minimalismos, com a câmera captando pormenores dos personagens centrais, como troca de olhares, tremores nas mãos, vozes estremecidas. Sentimos a palpitação do coração de Sieger e Marc, até o cheiro das apreensões, nessa fita bem intencionada, que beira a sinestesia.
Uma descoberta altamente recomendada que melhor representa tanto o cinema de temática gay quanto o cinema europeu independente. Recebeu indicação a prêmios em festivais ao redor do mundo e já está disponível para locação e venda.

Boys (Idem). Holanda, 2014, 77 min. Drama/ Romance. Dirigido por Mischa Kamp. Distribuição: Flashstar

Comentários do blogueiro


Clássicos e cult movies da Universal com capas no estilo Pop Art. Novos produtos em DVD no mercado brasileiro desde junho! "Gatinhas e gatões" (1984) é um deles, que comprei a preço bem baratinho. Desta primeira leva tem também quatro outros títulos: Orgulho e preconceito (2005), Psicose (1960), Mamma mia! (2008) e  Clube dos cinco (1985). Já à venda!


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Comentários do blogueiro


"O que fazia Phiona voltar dia após dia eram as lindas peças que a haviam atraído em primeiro lugar. Ela queria desesperadamente mover aquelas peças, assim como as outras crianças já estavam fazendo. Ela podia notar a excitação em seus rostos, mas no começo não estava sentindo aquela mesma emoção".
Trecho do comovente livro "Rainha de Katwe", uma história real sobre a garota Phiona Mutesi, nascida e criada nas miseráveis favelas da Uganda, que conquistou o mundo ao se tornar campeã nas Olimpíadas de Xadrez. Lançado pela Harper Collins em 2012, o livro, de autoria de Tim Crothers (221 páginas, tradução de Alda Lima), voltou às prateleiras em nova edição devido a obra ter se transformado em filme pela Disney em 2016, estrelado pela vencedora do Oscar Lupita Nyong'o. Um livro super bonito e bem escrito sobre esperança, renascimento e persistência. Já nas melhores lojas!
Obrigado, @harpercollinsbrasil, pelo envio do exemplar. 


sábado, 8 de julho de 2017

Resenha Especial


A montanha sagrada

Num mundo corrupto e violento, um ladrão (Horacio Salinas) caminha errante em busca de salvação. Cruza com um alquimista (Alejandro Jodorowsky), que o apresenta a sete pessoas vindas de sete planetas solares. Todos estão à procura da Montanha Sagrada.

Um dos filmes mais surrealistas de todos os tempos, ousado, hermético no sentido, de difícil interpretação e que contesta o consumismo, a ditadura da beleza, a guerra, o sensacionalismo da mídia e, claro, todas as formas de religião. Escrito e dirigido pelo chileno Alejandro Jodorowsky (que interpreta um alquimista meio guia espiritual) três anos depois do cultuado e bizarro faroeste “El topo” (1970), a obra extensivamente crua e filosófica gera incômodo pelas imagens fortes e profanas, como a marcha de soldados levantando cruzes com corpos de carneiros sem pele, excrementos em igrejas e fuzilamentos – na época muitas sequências passaram por censura em alguns países. Bem inserido na Estética do Feio, o polêmico filme se passa em um lugar qualquer da América Latina com evidências de regime ditatorial (foi produzido no México), discutindo o autoritarismo nas relações de poder e a repressão de grupos marginalizados, numa época onde Golpes de Estado e regimes militares invadiam o mundo espalhando o medo.
Um experimento sem limites de um diretor ultracriativo, que também pensou em cada milímetro de cenário, com pura geometria, e de figurinos excêntricos (as cores vibrantes inundam a tela num espasmo sensorial). Um delírio cinematográfico como só Jodorowsky ousou fazer. Para ver e refletir.

A montanha sagrada (La montaña sagrada). México/EUA, 1973, 115 min. Drama. Dirigido por Alejandro Jodorowsky. Distribuição: Obras-primas do Cinema

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de julho/agosto de 2017

domingo, 2 de julho de 2017

Nota do blogueiro


DVD do documentário "Homem comum" (2014), lançado recentemente pelo Instituto Moreira Salles (IMS) com distribuição pela Bretz Filmes. Indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o filme acompanha por 20 anos o cotidiano de um caminhoneiro, registrado pelas lentes do diretor Carlos Nader, e a íntima relação dos temas morte e vida com o filme dinamarquês "A palavra" (1955). Já em DVD - acompanha um bonito livreto ilustrado de 26 páginas.
Obrigado, @imoreirasalles, pelo envio do exemplar.


terça-feira, 27 de junho de 2017

Nota do blogueiro


"Missus automaticamente baixou a mão e afagou Coco atrás das orelhas. Ostensivamente, enfiei meu focinho entre seus dedos, mas ela nem deu sinal de registrar minha presença. Mais tarde, Coco se sentou diante de mim com um osso de borracha [...]".
Trecho do livro "Quatro vidas de um cachorro" (2010), de W. Bruce Cameron, relançado no Brasil pela editora Harper Collins devido à repercussão do filme (2016, 288 páginas, tradução de Regina Lyra). Sob o ponto de vista de um cachorro, a obra mostra o dia a dia de um canino e os pensamentos sobre os humanos e outros animais que o cercam. Um livro encantador e cheio de vivacidade. Obrigado, @harpercollinsbrasil, pelo envio.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nota do blogueiro


Pequena amostra de filmes soviéticos e russos lançados em DVD pela CPC Umes Filmes, licenciados e restaurados pela Mosfilm. Pela primeira vez no Brasil, seis raridades imperdíveis aos cinéfilos e colecionadores, com um lindo projeto gráfico! Apresento a vocês "A história de um homem de verdade" (1948), "O fascismo de todos os dias" (1965), "Tigre branco" (2012), "Solaris" (1972), "A mãe" (1989) e "12 cadeiras" (1970). Já nas melhoras lojas! Valeu, @cpcumesfilmes, pelo envio dos títulos. Conheça todo o catálogo da CPC Umes Filmes em
http://cpcumesfilmes.org.br/prestashop/index.php


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sorteio de ingressos


E tem novo sorteio no blog!
Cinema na Web, em parceria com a Paris Filmes, vai sortear amanhã quatorze ingressos para sessão do filme brasileiro "Meus 15 anos", longa protagonizado por Larissa Manoela com participação do humorista Rafael Infante e da cantora Anitta.
Para participar é simples - envie um email até amanhã (dia 20/06) às 20h para felipebb85@hotmail.com, com seu nome completo, telefone de contato e cidade, com a frase Eu quero ganhar um ingresso. A sessão é válida para todos os cinemas parceiros da Paris Filmes (vide ingressos), e a retirada deve ser feita diretamente comigo, em Catanduva. Não serão encaminhados ingressos por correios. Sessões válidas de segunda a quarta-feira, exceto feriados.




sábado, 17 de junho de 2017

Nota do blogueiro


"Por toda a sala, eles lutaram: estocada e parada, finta e contrafinta. O ar dentro das bolhas formadas pelos escudos, de tão exigido, ficou viciado, pois a lenta troca gasosa que se dava nas bordas das barreiras não o conseguia repor. A cada novo contato dos escudos, o cheiro de ozônio ficava mais forte. Paul continuou a recuar, mas agora dirigia-se para a mesa de exercícios. Se conseguir contorná-lo perto da mesa, irei lhe mostrar um truque, pensou Paul. Só mais um passo, Gurney".
Trecho do cultuado romance de ficção científica "Duna" (1965), de Frank Herbert, relançado este mês pela Editora Aleph em nova edição, com capa dura, ilustrações, mapas, lista de terminologia, notas cartográficas e introdução inédita de Neil Gaiman (2017, 680 páginas, tradução de Maria do Carmo Zanini).
Controverso, enérgico e repleto de personagens bizarros, o livro é dividido em três partes (Duna, Muad'Dib e O profeta) e quatro apêndices. Teve continuações escritas por Herbert e pelo filho, Brian, originou o filme homônimo de 1984, de David Lynch, indicado ao Oscar, e também o seriado em 2000. Uma obra futurista revolucionária e imprescindível para os fãs. Já nas melhores livrarias! Super obrigado, equipe da @editoraaleph, pelo envio do exemplar.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Resenha Especial



Ponette – À espera de um anjo

Ponette (Victoire Thivisol), uma garotinha de quatro anos, sofre a perda da mãe. Entristecida, lamenta o ocorrido e compartilha esse estranho sentimento com o pai e com os amigos da escola buscando maneiras de encontrar a mãe um dia.

Um dos grandes filmes do cinema sobre o olhar da criança em torno de temas adultos, escrito e dirigido com simplicidade técnica pelo francês Jacques Doillon, de “O jovem assassino” (1990) e do recente “Rodin” (2017 - em cartaz nas salas brasileiras). Para realizar essa belíssima obra-prima do cinema francês (e o filme mais importante da sua carreira) Doillon recrutou uma garotinha inexperiente de Lyon, chamada Victoire Thivisol, na época com quatro anos, para ser a base de toda a história que viria contar. A composição da personagem-título por Victoire é de uma naturalidade impressionante, que emociona os desavisados e nos faz refletir. Ponette vive amargurada, anda com indagações sobre a morte prematura da mãe, tem pensamentos maduros para sua tenra idade, questiona a lei da vida, tenta compreender o sentido da ausência. Ela não aceita a morte, chora, corre atrás de respostas quando conversa com o pai ou com os amiguinhos da escola. Recorre até a Deus para ampliar o significado de todo aquele vazio e sofrimento. O filme constrói metodicamente a relação da criança com a morte, dos impactos que isto pode causar no coração e na mente de uma menina que está começando a compreensão de mundo, e o público padece junto, tamanha a beleza cinematográfica e a percepção do diretor Doillon, um artesão na arte do encantamento. Pelo papel, a atriz mirim Victoire Thivisol ganhou prêmio especial no Festival de Veneza – e o filme recebeu honrosamente indicação ao Leão de Ouro.
Redescoberto agora pela distribuidora brasileira Obras-Primas do Cinema, “Ponette” é uma poesia cativante sobre maturidade, esperança e morte, que pode ser absorvido como uma lição de vida. Obrigatório!
A edição especial recém-lançada pela Obras-Primas do Cinema traz, como bônus, uma hora de entrevistas e making of.

Ponette – À espera de um anjo (Ponette). França, 1996, 93 min. Drama. Dirigido por Jacques Doillon. Distribuição: Obras-Primas do Cinema

Nota do blogueiro


" - Acredito em você, John Carter. Não sei o que é um 'cavalheiro', nem nunca ouvi falar da Virgínia, mas em Barsoom os homens não mentem. Se ele não deseja falar a verdade, permanece em silêncio".
Trecho do livro "Uma princesa de Marte", de Edgar Rice Burroughs, publicado como uma série em seis partes na All-Story Magazine, em 1912, e lançado no Brasil pela editora Aleph em 2012 (269 páginas, tradução de Ricardo Giassetti). Uma deliciosa e fascinante aventura scifi escrita pelo criador de Tarzan e que inspirou o filme da Disney "John Carter: Entre dois mundos" (2012). Já nas lojas. Obrigado, equipe da @editoraaleph, pelo envio do livro.


sábado, 10 de junho de 2017

Nota do blogueiro


"Não demorou muito até que Nancy a avistasse: a menina esguia usando um vestido xadrez vermelho, com duas grossas tranças de cabelo cor de linho, pendendo às costas. Sob o chapéu de palha um pequeno rosto ansioso e sardento[...]". Trecho do adorável, inspirador e mundialmente aplaudido romance "Pollyana", de Eleanor H. Porter. Escrito em 1913, virou filme da Disney em 1960, ganhador do Globo de Ouro, e agora acaba de sair nessa fabulosa reedição de capa alegre pela Martin Claret (2017, 201 páginas, tradução de Luiz Fernando Martins). Agradeço o envio do exemplar, equipe da @editoramartinclaret.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cine Lançamento


Romance à francesa

Clément (Emmanuel Mouret), um professor quarentão, está feliz da vida, pois namora uma linda mulher, a atriz Alicia (Virginie Efira). Sempre enrolado com relacionamentos, conhece outra beldade, a jovem e intrometida Caprice (Anaïs Demoustier), que quer sair com ele de todo jeito, não se importando em ser sua amante. Dividido entre as duas, Clément encontrará grandes problemas pela frente, ainda mais quando descobre que o melhor amigo está apaixonado por Alicia.

Mais uma boa investida da França na comédia romântica independente, uma fita modesta e agradável, que na Europa obteve pequeno sucesso, porém no Brasil ninguém ouviu falar (estreou em outubro nos cinemas brasileiros, pela Mares Filmes, que acabou de lançá-la em DVD). Escrito, dirigido e protagonizado por Emmanuel Mouret, um dos bons atores da nova geração do seu país, o filme fala sobre amores fugazes e amantes, um tema batido, mas aqui tratado com singeleza, sem pender para exageros ou romance barato. Conhecemos de perto a vida de um professor de beleza duvidosa lidando com duas mulheres charmosas, a namorada, uma atriz prestigiada, e a amante, mais nova e enxerida (de nome Caprice, título original do filme). Além de se dividir no relacionamento, fica sabendo que o fiel amigo foi seduzido pela sua namorada “oficial” – as confusões começam aí, para incrementar os conflitos da história, que tem um desfecho bonito. Sem delongas, o roteiro resume-se às atrapalhadas de um homem indeciso no relacionamento, as mentiras para não ser exposto e como trair sem ser descoberto.
De um tempo para cá, já apontei isto em resenhas anteriores, o Brasil recebe uma infinidade de comédias francesas bem legais, todavia fora do circuito, em consequência, pouco conhecidas do grande público. “Romance à francesa” é uma dessas gratas surpresas, que merece atenção. Assistam!

Romance à francesa (Caprice). França, 2015, 99 min. Comédia romântica. Dirigido por Emmanuel Mouret. Distribuição: Mares Filmes

terça-feira, 6 de junho de 2017

Nota do blogueiro


"Respiro fundo. Conforme as histórias vão passando, uma atrás da outra, eu me sinto aliviado quando meu nome não é citado. Em seguida, vem o medo daquilo que ela não disse ainda, do que ela vai dizer quando chegar minha vez. Porque minha vez está chegando. Eu sei. E quero que isso acabe. O que foi que eu fiz para você, Hannah?".
Trecho do livro "Os 13 porquês" (2009, de Jay Asher, tradução de José Augusto Lemos), relançado esse ano pela editora Atica devido ao sucesso da série produzida pelo Netflix. Um romance duro sobre temas fortemente ligados ao mundo da juventude contemporânea, para jovens e adultos refletirem os perigos do bullying na escola. Vale a leitura e depois a revisão da série mundialmente comentada. Já nas livrarias. Obrigado, equipe da Atica, pelo exemplar (abaixo, a capa original e também a versão com a luva em homenagem à série).



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Comentários do blogueiro


Chegaram os lançamentos de maio em DVD pela Classicline. Só bons filmes (e raridades imperdíveis) que vão dos anos 30 aos 70. São eles: O picolino (1935), Cavalgada trágica (1960), A mulher faz o homem (1939), Uma janela para o céu (1975), Tigres voadores (1942), 20 mil léguas submarinas (1954), Errado pra cachorro (1963) e Desbravando o oeste (1967). Todos em versões dublada e legendada! Já nas melhores lojas.
Obrigado, Classicline, pelo envio dos filmes.




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Nota do blogueiro


"Toda vez que o monstro se mexia, Conor escutava o ranger da madeira vergando e abrindo dentro daquele corpo enorme. Enxergava a força dos seus braços, grandes galhos emaranhados que se enroscavam e se moviam sem parar, formando os músculos, ligados a um enorme tronco que era seu peito, coroado por uma cabeça na qual estavam dentes capazes de destroçá-lo em uma mordida". Trecho do poderoso livro "O chamado do monstro" (2011, 216 páginas, de Patrick Ness, tradução de Antônio Xerxenesky), recém-lançado pela editora Ática. Simbólica e de narrativa emocionante, a obra literária trata das descobertas da juventude e do despertar para a maturidade. Deu origem ao ótimo filme "Sete minutos depois da meia-noite", de 2016. Edição com lindas ilustrações em preto-e-branco de Jim Kay. Já nas livrarias! Obrigado, equipe da Atica, pelo envio do livro.


Cine Lançamento


Capitão Fantástico

Em uma floresta no noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos, vive Ben (Viggo Mortensen), um homem fora dos padrões, que lá cria os filhos, no meio da natureza, longe de qualquer contato com a sociedade, onde prega suas regras, ritos e ensinamentos específicos. Quando a esposa morre, após ficar hospitalizada na cidade grande, Ben leva os filhos para se despedir da mãe, no funeral. Fora da floresta, aquela família será obrigada a enfrentar o verdadeiro mundo real.

Viggo Mortensen recebeu merecidamente sua segunda indicação ao Oscar de melhor ator neste grandioso e criativo filme independente, uma das melhores produções americanas de 2016. Ele faz um pai libertário, que abandonou a cidade para viver de forma primitiva na floresta, onde cria seus seis filhos, de idades bem distintas. Isolados do contato humano exceto da própria família, eles possuem nomes diferentes, uma mistura de apropriação indígena com mitologia nórdica (Bodevan, Kielyr, Vespyr, Zaja, por exemplo) e praticam rituais de passagem para a vida adulta, como comer o fígado de animais que caçam no mato. O pai ensina os filhos na defesa pessoal, treinamentos para escalar montanhas, proteção uns aos outros, todos são expert em caça, plantio e cultivo, com mínimos traços de consumo (como um rádio na cabana onde vivem e livros técnicos). Fechados como um clã, são críticos ferrenhos ao American Way of Life e ao capitalismo. Ele adultiza os filhos, fala abertamente sobre sexo, política, teorias de Física, e no seio do ambiente familiar, as três crianças e os três jovens aprendem e reproduzem, ou seja, o pai desperta neles o senso crítico, de autovigia e autoavaliação para argumentar e refletir qualquer assunto que esteja presente no cotidiano da floresta.
Esta é uma das óticas do filme. Em momento paralelo conhecemos, em diálogos e breves lembranças, a esposa de Ben, a mãe dos seis filhos, budista, que está doente no hospital, sob cuidados da família dela. Quando morre, a mulher deixa um testamento informando que gostaria de ser cremada, mas a família cristã quer enterrá-la, contrariando a vontade também do marido, isolado na floresta. Em razão de antigos atritos, o pai dela (papel austero de Frank Langella) dá o aviso ao genro: não apareça no funeral. Os filhos se revoltam com a morte e querem dar adeus à mãe, e o pai mesmo assim os leva para a cidade. A partir daí o filme sai do enfoque das apresentações da excêntrica família, cria as situações-problema e vira um road movie dramático discretamente cômico, discutindo questões pertinentes a choque cultural, com os filhos conhecendo o mundo exterior da redoma onde viviam, em contato com a vida em sociedade, numa jornada de descobertas e despertares. Para representar o retorno ao útero materno, viajam em um ônibus paramentado com livros, cozinha e dormitórios, apelidado de Steve, no caminho cometem pequenas contravenções, como despistar a polícia e furtar um supermercado, práticas inconcebíveis na cidade, relacionando a forma como o pai cria os filhos a partir de suas verdades e crenças, o que fará questionar seus métodos.
Com coesão e sensibilidade, “Capitão Fantástico” é uma aula de vida, expõe o tema da maturidade, das descobertas e das decisões para o futuro através do laço familiar, com a mensagem: como criamos nossos filhos e que tipo de pais somos ou queremos ser?
Prepare-se para um desfecho inusitado e não usual, aliás, todo o filme é ricamente criativo. Incrível como há bons cineastas no cinema independente, este aqui chama-se Matt Ross, em seu primeiro longa na direção, mais lembrado como ator, de filmes como “A outra face” (1997) e “Psicopata americano” (2000).
O elenco trabalha certinho, em sincronia, com bons atores revelação, especialmente as crianças. Viggo, um caso particular como sempre. Para o papel do pai, mudou-se para Idaho, no centro das Montanhas Rochosas, para aprender técnicas de sobrevivência no mato. Pelo trabalho foi indicado também ao Globo de Ouro e ao Bafta, enquanto o filme ganhou prêmio de direção no “Un certain regard”, em Cannes, e foi exibido em Sundance.
Em DVD pela Universal, sai em boa edição com apenas um extra curto, mas importante - um rápido documentário sobre os bastidores, com entrevistas e cenas das gravações.

Capitão Fantástico (Captain Fantastic). EUA, 2016, 118 min. Drama. Dirigido por Matt Ross. Distribuição: Universal Pictures

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Comentários do blogueiro


Grandes lançamentos de maio da Obras-Primas do Cinema. Três ótimos filmes pela primeira vez em DVD no Brasil: Havaí (1966), Ponette - À espera de um anjo (1996) e Nó na garganta (1997). Discos com muitos extras e qualidade que só a @obrasprimas_docinema traz para o público! E tem também o box especial "Expressionismo Alemão", contendo cinco filmes emblemáticos do movimento. São eles: O gabinete do Dr. Caligari (1920), O castelo Vogelöd (1921), A morte cansada (1921), Fausto (1926) e A caixa de Pandora (1926). Todos em versão restaurada, lindos cards e um disco com mais de duas horas de extras (documentários, especiais etc). Necessário para qualquer colecionador!
Obrigado, equipe da Obras-Primas do Cinema, pelo envio dos filmes.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Nota do blogueiro


Dois livros da editora Atica que chegaram em casa, para divulgação. "O chamado do monstro", inteiramente ilustrado, deu origem ao belíssimo filme "Sete minutos depois da meia-noite", enquanto "Os 13 porquês" virou a cultuada série do Netflix "13 reasons why". Amanhã falo mais.
Obrigado, equipe da Ática, pelo envio das obras.


Nota do blogueiro


Lançamentos de maio da Obras-Primas do Cinema - parte 1. Três grandes filmes pela primeira vez em DVD no Brasil: Havaí (1966), Ponette - À espera de um anjo (1996) e Nó na garganta (1997). Discos com muitos extras e qualidade que só a @obrasprimas_docinema traz para o público! Obrigado, equipe da OPC, pelo envio dos filmes.


sábado, 27 de maio de 2017

Viva Nostalgia!


Balas que não erram

O temível pistoleiro de aluguel John Gant (Audie Murphy), de passagem pela pequena cidade de Lordsburg, no Novo México, hospeda-se num hotel. Os moradores ouvem falar em seu nome e ficam apavorados, pois todos conhecem seu método de agir: ele chega, instala-se no local por dias até ir atrás da vítima e matá-la com um tiro certeiro, sem nunca informar quem é o alvo. Com Gant ali, as horas ficam lentas, e o medo vai tomando conta da cidade.

Memorável faroeste psicológico realizado pela Universal na Era de Ouro do Cinema Americano, original no roteiro, que une o velho bangue-bangue a bons elementos do suspense. Famoso na época, o filme deu chance a Audie Murphy demonstrar o talento à frente de um personagem central – quase sempre o ator era posto como coadjuvante, e aqui está excepcional, no melhor trabalho de sua curta carreira, encerrada de forma trágica – ele morreu aos 46 anos em um acidente de avião, em 1971.
Os pormenores da história partem da explosiva ideia central, a do pistoleiro que chega à cidade e provoca tensão nos moradores pelo seu modus operante infalível (suas balas não erram!). Ninguém tem motivo plausível para um encontro com Gant, mas por ele ser quem é, o povoado entra em paranoia, todos têm medo de sair às ruas.
O diretor Jack Arnold (1916-1992) acertou em cheio nesse faroeste exemplar, gênero que pouco explorou - ele era um mestre em fitas scifi, dirigindo mais de 10 produções com monstros e viagens espaciais nos anos 50.
Indico especialmente aos cinéfilos amantes de western clássico, que vão se deleitar, ainda mais nessa edição recém-lançada pela Classicline.


Balas que não erram (No name on the bullet). EUA, 1959, 77 min. Faroeste. Dirigido por Jack Arnold. Distribuição: Classicline

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Resenha Especial


O quadragésimo primeiro

Na guerra civil russa, a guerrilheira Mariutka (Izolda Izvitskaya), exímia atiradora do Exército Vermelho, apaixona-se por um prisioneiro que ela escolta, tenente Vadim (Oleg Strizhenov), do Exército Branco Czarista. Para continuar o romance, eles fogem para uma ilha deserta, enquanto o país endurece com a Revolução Russa.

Indicado à Palma de Ouro em 1957 e vencedor de um prêmio especial no Festival de Cannes, “O quadragésimo primeiro” é um dos grandes e belíssimos filmes soviéticos da História do Cinema, também conhecido no Brasil com o título de “A guerrilheira”. Produzida pela Mosfilm, mistura guerra e romance com lucidez e sobriedade, utilizando pano de fundo histórico, que recorta os antecedentes da Guerra Civil Russa, ocorrida entre 1916 e 1918, com conflito ideológico e armado entre o Movimento Branco dos Czaristas e o Exército Vermelho Bolchevique, no pós-Primeira Guerra Mundial. Para representar esse contraste, temos a personagem da guerrilheira Mariutka (Izolda Izvitskaya, que morreu de alcoolismo, pobre e abandonada, aos 38 anos em 1971), mulher de forte convicção, integrante do Exército Vermelho, e o tenente Vadim, do Movimento Branco, único sobrevivente de um grupo de 40 e poucos homens (por isso o título, em menção ao personagem, que é o 41º do destacamento). Mariutka, junto da tropa, é responsável pela morte do grupo de Vadim, e como ele sobrevive, recebe a missão de escoltá-lo pelo deserto de Karakum, onde estão perdidos. O único contato local é com os Cazaques, povo de origem medieval, que os auxilia a sair de lá em direção ao mar de Aral. Temerosos com o destino da guerra, os membros do Exército Vermelho, Mariutka e Vadim vagam ao Norte, açoitados pelo frio, passam fome no deserto, enfrentam tempestades e abrigam-se em precárias cabanas de pesca, enquanto uns morrem pelo caminho, situações dramáticas que compõem a estrutura de saga no filme. Em meio a isto tudo, a atiradora e o prisioneiro iniciam um relacionamento, forçados a fugir para uma ilha deserta para viver o romance proibido, na segunda parte da saga, que muda de drama de guerra para o romance, com desfecho dramático e de impacto.
A fotografia no deserto, feita pelo prestigiado Sergey Urusevskiy, no início do filme, é deslumbrante, com detalhes bem significativos, como o conflito armado, as dunas e um enfoque nos esquecidos cazaques, com seus camelos e vestuários incríveis.
“O quadragésimo primeiro”, realizado em 1956, é remake de uma fita de 1927, ambos baseados no livro de Boris Lavrenyev, e tem na direção o ucraniano Grigoriy Chukhray (1921-2001), em sua estreia no cinema soviético. Ele fez apenas sete longas-metragens, e mesmo com poucos na carreira, recebeu indicação a três Palmas de Ouro e ao Oscar de roteirista por “A balada do soldado” (1959).
A companhia russa Mosfilm restaurou a obra, oportunidade imperdível para assistirmos em DVD, recém-lançado no Brasil pela CPC-Umes Filmes, distribuidora do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo. Saiu em linda edição, com um projeto gráfico de tirar o chapéu e preço acessível. Além deste, a CPC-Umes lançou um catálogo de cinema soviético com mais de 20 filmes restaurados, com preciosidades como “Aleksandr Nevsky” (1938) e “Tratoristas” (1939), e muitos outros trabalhos dos anos 60, 70 e 80. Vale conhecer a lista completa e, de forma especial, “O quadragésimo primeiro”.


O quadragésimo primeiro (Sorok pervyy). URSS, 1956, 87 min. Drama/Guerra. Dirigido por Grigoriy Chukhray. Distribuição: CPC-Umes Filmes

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de maio/junho de 2017.

sábado, 20 de maio de 2017

Cine Lançamento


Segundas intenções

Tobi Powell (Patrick Stewart) é um veterano professor de dança, dedicadíssimo à profissão. Quase octogenário, gay e sozinho, vive tranquilamente em um apartamento na velha Manhattan. Após um contato, aceita conceder entrevista à jornalista Lisa Davis (Carla Gugino), acadêmica que está escrevendo uma tese sobre a dança na cidade de Nova York. Acompanhada do marido, o policial Mike (Matthew Lillard), ela é bem recebida no apartamento de Tobi, porém a vida dos três mudará devido a uma série de segredos que vem à tona durante a entrevista.

Perdoem o título em português genérico e superficial dessa ótima fita dramática independente, digna, com humor sadio e um excepcional trabalho de Patrick Stewart, que implode paradigmas dos papéis que costuma interpretar no cinema de ficção científica e ação (como as franquias X-Men e Star Trek). Ele interpreta um carismático professor de dança, homossexual, membro da Juilliard School, que viveu toda uma história no mundo da dança norte-americana. Hoje, é um homem solitário, mora num aconchegante apartamento em Manhattan, faz tricô assistindo televisão, fuma maconha e tem o estranho hábito de colecionar as pontas de suas unhas cortadas num pote, como objeto de decoração na sala. A rotina do velho senhor se transforma da água para o vinho quando recebe em casa uma jornalista, com o marido, que, numa entrevista para sua tese, pretende traçar um perfil da dança em Nova York nos anos 60. Com o passar das horas juntos, revelações surgem abalando o clima harmonioso daquele dia aparentemente comum.
Do início ao fim o filme assume o estilo teatral, com diálogos intensos sobre trabalho, intimidades, arte, sexo e vida, rodado em poucos ambientes (quase tudo ocorre na sala, durante a entrevista) e dá liberdade aos três atores, resultando em uma obra sensata e emocionante, inclusive para o público menos familiarizado com o cinema independente.
E para finalizar destaco de novo: a atuação de Patrick Stewart, aos 75 anos, é a alma graciosa do filme. Ele arriscou e se deu bem nesse exercício particular da carreira, brindando-nos com um papel magistral!
Produzido em 2014, chegou ao Brasil somente agora em DVD, lançado pela A2 Filmes com o selo da Flashstar.


Segundas intenções (Match). EUA, 2014, 92 min. Drama. Dirigido por Stephen Belber. Distribuição: Flashstar

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Nota do blogueiro


"Hugo não entendia por que o velho tinha guardado o ratinho azul. Imaginou que o brinquedo fora vendido tempos atrás. Mesmo assim, o menino gostou de vê-lo".
Trecho do livro infanto-juvenil "A invenção de Hugo Cabret", best seller mundial, escrito por Brian Selznick, com ilustrações do próprio autor (Edições SM, 2007, 534 páginas, tradução de Marcos Bagno). Poético, metafórico, é uma lindíssima homenagem ao cinema, a Georges Méliés e a cidade de Paris. Inspirou o grande filme homônimo de Martin Scorsese, de 2011, ganhador de cinco Oscars. Recomendo a leitura! Obrigado, @edicoessm, pelo envio do exemplar.



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Nota do blogueiro


"Os livros bombardeavam seus ombros, braços, o rosto voltado para cima. Um livro pousou, quase obediente, como uma pomba branca, em suas mãos, as asas trêmulas".
Pequeno trecho do grande livro "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury, lançado em 1953 e agora em ótima versão para o português pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros (2016, 215 páginas, tradução de Cid Knipel). Obra-prima da literatura scifi sobre repressão e censura numa sociedade distópica onde ler é proibido, e os livros, incinerados com lança-chamas. Virou um filmão de mesmo título em 1966, dirigido por François Truffaut. Obrigado, equipe da @globolivros, pelo envio do exemplar.