sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Especiais sobre Cinema


IV Festival de Cinema de Goiânia seleciona 83 produções nacionais
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Da Redação


O FestCine Goiânia 2008, festival de cinema promovido pela Secretaria de Cultura de Goiânia, selecionou 83 filmes, dentre eles curtas e longas-metragens e vídeos universitários, que irão concorrer a prêmios na quarta edição do evento, realizado entre os dias 10 e 17 de novembro. Serão 12 longas-metragens, todos nacionais e divididos em duas categoriais – ficção e documentário, inseridos na Mostra Competitiva. As produções incluem “Feliz Natal”, dirigido por Selton Mello, “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, e “Iluminados”, da diretora Cristina Leal.
De acordo com Débora Torres Avelar, produtora executiva do FestCine Goiânia, além da Mostra Competitiva de longas haverá uma competição de curtas-metragens nas categorias ficção, documentário e animação. “Teremos 12 curtas de produtores goianos, uma mostra com 45 vídeos universitários e outra com vídeos caseiros. O maior incentivo, entretanto, é o edital que seleciona roteiros para serem executados e exibidos durante o festival”.
Serão distribuídos R$ 248 mil em prêmios divididos em quatro categorias: longa-metragem ficção, no valor de R$ 100 mil; longa-metragem documentário e curta goiano (ficção, documentário e animação), ambos no valor de R$ 60 mil; vídeo universitário, R$ 25 mil; e vídeo caseiro, R$ 3 mil.
As mostras de vídeos escolares, com vídeos produzidos por 30 escolas da Rede Municipal de Ensino, curtas goianos vencedores do Edital 2008 de roteiros e o Festivalzinho, cujas produções são voltadas ao público infantil, também integram a programação do FestCine.
Segundo Débora Avelar, a qualidade e o desenvolvimento do cinema e do audiovisual no Brasil e, em particular, em Goiânia, levaram a Prefeitura da capital goiana a lançar em 2005 o I FestCine, hoje considerado um dos maiores festivais de cinema brasileiro. “O sucesso se repetiu em 2006 e em 2007, respectivamente com a segunda e terceira edições do festival. Isto demonstra que o evento já se tornou tradicional”.
Renomados artistas brasileiros do cinema e da TV devem participar do evento. Em 2007 marcaram presença no III FestCine Goiânia atores como Cecil Thiré, John Herbert (foto ao lado, junto com o cineasta Ricardo Pinto e Silva) e Fernando Alves Pinto, as atrizes Thelma Reston, Ana Maria Magalhães, Rita Cadillac e Neusa Borges, madrinha do festival, os cineastas Toni Venturi, Adilson Ruiz e Ricardo Pinto e Silva, e o crítico de cinema Rubens Ewald Filho.
Aberto à população, o evento acontece no Cinema Municipal, localizado no Centro Municipal de Cultura “Goiânia Ouro”.

Confira abaixo os longas-metragens indicados às categorias ficção e documentário:


Longas-metragens – Ficção

1. Ainda Orangotangos (2007) – Dirigido por Gustavo Spolidoro
2. Meu Mundo em Perigo (2007) – Dirigido por José Eduardo Belmonte
3. Juventude (2008) – Dirigido por Domingos de Oliveira
4. Feliz Natal (2008) – Dirigido por Selton Mello
5. A Festa da Menina Morta (2008 - foto à esquerda) – Dirigido por Matheus Nachtergaele
6. Netto e o Domador de Cavalos (2008) – Dirigido por Tabajara Ruas


Longas-metragens – Documentário

1. Iluminados (2007) – Dirigido por Cristina Leal
2. 1958: O ano em que o mundo descobriu o Brasil (2007) – Dirigido por José Carlos Asbeg
3. Sentidos à Flor da Pele (2008) – Dirigido por Evaldo Mocarzel
4. Palavra (En)cantada (2008) – Dirigido por Helena Solberg
5. Benzeduras (2008) – Dirigido por Adriana Rodrigues
6. O Retorno (2007) – Dirigido por Rodolfo Nanni


Oficinas

O FestCine Goiânia 2008 promove ainda três oficinas e mini-cursos gratuitos, focados em processos cinematográficos.
Entre os dias 11 e 16 de novembro, o diretor de fotografia Pedro Pablo Lazzarini – argentino radicado no Brasil há mais de 30 anos, e o premiado diretor Ugo Giorgetti (foto abaixo), responsável por filmes como “Boleiros”, “Festa” e “Sábado”, ministram a oficina Aprenda a fazer Cinema com quem faz Cinema. O curso tem o objetivo de contribuir com a formação de novas gerações de telecineastas.
O advogado Petrus Barreto fala, nos dias 11 e 12, sobre direitos autorais. A oficina Introdução ao Direito Autoral abordará temas como Direitos Morais e Patrimoniais do Autor e Domínio Púbico, Regimes Especiais, Limitações aos Direitos de Autor, Instrumentação Jurídica dos Direitos de Autor e Cessão de Licenciamento de Obras.
Jornalista do Notícia da Manhã, Felipe Brida, pós-graduando em Artes Visuais e Intermeios na Unicamp e pesquisador de cinema desde 1998 ministra o mini-curso Cinema Brasileiro: Censura, pós-militarismo e retomada, entre os dias 13 e 16, no stand das oficinas montado durante o evento.
Cada oficina selecionará, por currículo, apenas 30 alunos. Conheça mais sobre o FestCine Goiânia pelo site http://www.festcinegoiania.com.br/

(*) Reportagem publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 31/10/2008. Créditos para a primeira foto: Cida Carneiro. Outras fotos: Divulgação.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Especiais sobre cinema


Brasil disputa vaga com 67 países para Oscar de filme estrangeiro

Felipe Brida

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou a lista oficial e atualizada de todos os países que encaminharam seus filmes para concorrer a uma vaga do Oscar 2009 na categoria de melhor filme estrangeiro. No total foram 67 produções, e somente cinco serão selecionadas – conhecidos pelo público apenas no dia 22 de janeiro.
O Brasil está representando com o drama Última Parada 174, do diretor Bruno Barreto, e que teve estréia em todo o país na última semana. O filme, inspirado no documentário “Ônibus 174”, de José Padilha, o diretor de “Tropa de Elite”, narra a trajetória de Sandro Nascimento, menino de rua que sobreviveu à chacina da Candelária, e que, anos depois, jovem, seqüestrou o ônibus da linha 174. Nesse último evento, ocorrido em 2000, foi morto em decorrência de uma desastrada ação policial.
Confira abaixo a lista completa dos 67 pré-selecionados (na sequência: país/filme/diretor) para a 81ª edição do Oscar, realizada no dia 22 de fevereiro de 2009, no teatro Kodak de Los Angeles.


Afeganistão, "Opium War", de Siddiq Barmak

África do Sul, "Jerusalema", de Ralph Ziman

Albânia, "The Sorrow of Mrs. Schneider", de Piro Milkani e Eno Milkani

Alemanha, "Der Baader Meinhof Komplex", de Uli Edel

Argélia, "Mascarades", de Lyes Salem

Argentina, "Leonera", de Pablo Trapero

Áustria, "Revanche", de Gotz Spielmann

Azerbaijão, "Fortress", de Shamil Nacafzada

Bangladesh, "Aha!", de Enamul Karim Nirjhar

Bélgica, "Eldorado", de Bouli Lanners

Bósnia e Herzegovina, "Neve", de Aida Begic

Brasil, "Última Parada 174", de Bruno Barreto

Bulgária, "Zift", de Javor Gardev

Canadá, "Ce qu'il faut pour vivre", de Benoit Pilon

Cazaquistão, "Tulpan", de Sergey Dvortsevoy

Coréia do Sul, "Keurosing", de Tae-gyun Kim

Chile, "Tony Manero", de Pablo Larrain

China, "Dream Weavers", de Jun Gu

Colômbia, "Perro come Perro", de Carlos Moreno

Croácia, "Niciji sin", de Arsen Anton Ostojic

Dinamarca, "To Verdener", de Niels Arden Oplev

Egito, "El Gezira", de Sherif Arafa

Espanha, "Los Girasoles Ciegos", de José Luis Cuerda

Eslováquia, "Slepe Lásky", de Juraj Lehotsky

Eslovênia, "Rooster's Breakfast", de Marko Nabersnik

Estônia, "Ma Olin Siin", de Rene Vilbre

Filipinas, "Ploning", de Dante Nico Garcia

Finlândia, "Tummien Perhosten Koti", de Dome Karukoski

França, "Entre les Murs", de Laurent Cantet

Geórgia, "Mediator", de Dito Tsintsadze

Grécia, "Corretivo", de Thanos Anastopoulos

Holanda, "Dunya & Desie", de Dana Nechushtan

Hong Kong, "Wa pei", de Gordon Chan

Hungria, "Iszka Utazása", de Csaba Bollok

Islândia, "White night wedding”, de Baltasar Kormakur

Índia, "Somos todos diferentes", de Aamir Khan

Irã, "A canção dos pardais", de Majid Majidi

Israel, "Waltz with Bashir", de Ari Folman

Itália, "Gomorra", de Matteo Garrone

Japão, "Okuribito", de Yojiro Takita

Jordânia, "Capitão Abu Raed", de Amin Matalqa

Látvia, "Rigas Sargi", de Aigars Grauba

Líbano, "Sob as Bombas", de Philippe Aractingi

Lituânia, "Perda", de Maris Martinsons

Luxemburgo, "Nuits d'Arabie", de Paul Kieffer

Macedônia, "Eu sou de Titov Veles", de Teona Strugar Mitevska

Marrocos, "Deus às mães", de Mohamed Ismail

México, "Arrancáme la Vida", de Roberto Sneider

Noruega, "O' Horten", de Bent Hamer

Palestina, "Le Sel de la Mer", de Annemarie Jacir

Polônia, "Sztuczk", de Andrzej Jakimowski

Portugal, "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes

Quirguistão, "Tengri", de Marie Jaoul de Poncheville

Reino Unido, "Hope Eternal", de Karl Francis

República Tcheca, "Karamazovi", de Petr Zelenka

Romênia, "Restul e Tacere", de Nae Caranfil

Rússia, "Rusalka", de Anna Melikyan

Sérvia, "Turneja", de Goran Markovic

Singapura, "My Magic", de Eric Khoo

Suécia, "Maria Larssons eviga ögonblick", de Jan Troell

Suíça, "O amigo", de Micha Lewinsky

Tailândia, "Rak haeng Siam", de Chookiat Sakveerakul

Taiwan, "Hai jiao qi hao", de Te-Sheng Wei

Turquia, "Üç Maymun", de Nuri Bilge Ceylan

Ucrânia, "Indi", de Aleksandr Kirienko

Uruguai, "Matar a todos", de Esteban Schroeder

Venezuela, "El Tinte de La Fama", de Alejandro Bellame Palacios

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Cine Lançamento

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O nevoeiro

Logo após uma violenta tempestade, Maine é atingida por um nevoeiro que toma conta da cidade. Um grupo de pessoas isola-se em um supermercado a fim de esperar a névoa passar. Porém os refugiados descobrem que estão cercados por seres grotescos sedentos por sangue. O grupo, liderado por uma fanática religiosa, Sra. Carmody (Marcia Gay Harden), tentará de todas as maneiras para sair do supermercado e assim destruir as criaturas.

Descartável adaptação para os cinemas do livro “The Mist”, escrito pelo mestre do terror Stephen King, e dirigido pelo francês Frank Darabont que, depois de “Cine Majestic” (2001), entrou em decadência e não rodou mais nenhum filme.
Aqui, um exemplo de terror medíocre com incursão no tema de ficção científica, com direito a portais para outras dimensões e criaturas pré-históricas. Sangue é o que não falta.
No entanto, uma novidade: está longe de ser um roteiro superficial. Há muitas referências metafóricas sobre questões políticas atuais que remetem à relação dos Estados Unidos com países do Oriente Médio (Iraque e Afeganistão). O grupo de pessoas manipulado por uma fanática religiosa, a violência explosiva cometida pelos próprios seguidores da misteriosa mulher, o que inclui um rápido ritual de sacrifício, e a dominação militar, no final, propagadora da paz e da ordem social podem passar despercebidos pelos olhares desatentos do público.
Como terror, segura-se um clima de medo e estranheza até os 45 minutos iniciais; depois, com a invasão dos asquerosos seres (moscas e baratas gigantes e até um enorme caranguejo com tentáculos de polvo!), o filme cai no lugar-comum e fica apelativo. E tudo conduzido sob narrativa ágil. A resolução reserva surpresas e pode ser considerada chocante.
Não confundir com “O nevoeiro”, título homônimo para a televisão do filme “A bruma assassina” (The fog - 1980), de John Carpenter, e nem com a tosca refilmagem, “A névoa” (2005), ambos sobre nevoeiro, só que, ao invés de monstros, trazia espíritos vingativos de antigos piratas em busca de ouro perdido!
Nos Estados Unidos “O nevoeiro” também saiu em versão P&B, idéia originalmente bolada pelo diretor Darabont. Por Felipe Brida


Título original: The mist
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, William Sadler, Jeffrey DeMunn, Laurie Holden, Toby Jones, Frances Sternhagen, Nathan Gamble.
Direção: Frank Darabont
Gênero: Terror/ Ficção científica
Duração: 126 min.
Lançamento: Segunda quinzena de outubro
Distribuidora: Dimension Films/ MGM/ The Weinstein Company/ Paris Filmes

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cine Lançamento

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Sex and the city – O filme

Jornalista bem sucedida no campo da moda, Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) vive em Nova York, sem filhos e sem marido. Junto com as inseparáveis amigas Samantha (Kim Catrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon), tenta equilibrar o trabalho com os relacionamentos amorosos. Após um rápido romance com o charmoso “Mr Big” (Chris Noth), recebe a proposta para se casar. Será que Carrie conseguirá viver uma vida a dois?

Esperava-se mais deste primeiro filme baseado na famosa série homônima produzida pela HBO e exibida entre 1998 e 2004, vencedora de diversos prêmios, dentre eles oito Globos de Ouro.
A franquia “Sex and the city” obteve sucesso principalmente entre o público feminino por tratar questões comportamentais sobre a independência da mulher na sociedade contemporânea. Também ficou notória por focar tendências da moda, e ainda criava ponte para exibição e propaganda das maiores grifes do mundo, um autêntico desfile de glamour, muita gente bonita e um passeio por uma Nova York de arrancar suspiros pela beleza e brilho. Ou seja, cumpre seu papel como uma sitcom que atinge o extremo do nível comercial, bem agradável, mas longe do empolgante, pelo menos para mim.
Aqui, no filme, as situações se repetem, o quarteto de amigas vive as angústias e sonhos já tratados na série, a personagem central ainda quer firmar um namoro sério e por aí vai. O próprio roteiro falha em não construir sacadas. Uma das poucas surpresas seria a do momento do casamento de Carrie, aliás uma seqüência-clichê. A duração excessiva (quase duas horas e meia de projeção) torna arrastada a história. Há situações inacabadas, sem conclusão, e o ritmo de seriado permanece aqui, lento e recheado de diálogos. Em suma, a fita não deu certo, e grande parte dos fãs da série criticou o resultado.
Apesar de ter pouco acompanhado “Sex and the city” pela televisão, conhecia a temática e as personagens. Confesso que não é meu estilo de seriado, o que fez com que sentisse dificuldades em me envolver com o conteúdo do longa. Pensando dessa maneira, a indicação do filme serve apenas para o público que já está familiarizado com o sitcom.
Além das quatro boas atrizes principais (em especial Sarah Jessica Parker e Kim Catrall), a fita tem ainda a participação especial da ganhadora do Oscar Jennifer Hudson e da veterana Candice Bergen. Por Felipe Brida

Título original: Sex and the city
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth, Jennifer Hudson, Candice Bergen.
Direção: Michael Patrick King
Gênero: Comédia
Duração: 148 min.
Lançamento: Primeira quinzena de outubro
Distribuidora: PlayArte

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Resenhas & Críticas

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Um beijo roubado

Em Nova York, Jeremy (Jude Law) dirige um restaurante-café até altas horas da noite. Certo dia, prestes a fechar o estabelecimento, conhece a jovem Elizabeth (Norah Jones), que, amargurada, conta a ele sobre a traição do namorado. Ela deixa as chaves do apartamento com Jeremy, caso o ex venha buscá-las. Elizabeth passa a freqüentar o restaurante e logo percebe o interesse de Jeremy por ela. No entanto, a jovem arruma um emprego como garçonete em Memphis e tem de deixar Nova York. No bar onde trabalha e longe de Jeremy vai conhecer pessoas que mudarão para sempre sua vida.

Selecionado para a abertura do Festival de Cannes em 2007, “O beijo roubado” é um simpático drama romântico, primeiro longa do chinês Kar Wai Wong em terras estadunidenses. Um pouco lento e cheio de cores luminosas, a fita trata com sutileza temas intimistas, como a transformação dos sentimentos humanos provocados pelas relações interpessoais. A idéia do acaso como elemento de suporte para a reflexão sobre o “eu e o outro” também se faz presente em todas as pequenas histórias que se entrelaçam ao longo do filme – a maior parte é trágica e por vezes amarga, como a do policial (David Strathairn) angustiado com a separação da esposa (Rachel Weisz).
A narrativa derrapa na parte final, a partir do encontro da garçonete vivido por Norah Jones com a personagem interpretada por Natalie Portman, uma viciada em jogos de mesa.
A trilha jazzística composta por Ry Cooder conduz o drama de forma magistral. Em sua estréia no cinema, a bonita cantora Norah Jones demonstra um carisma notável. O título em português é um tanto tolo, lembra comédia besteirol americana, mas depois se justifica. Vale ser conferido. Por Felipe Brida

Título original: My blueberry nights
País/Ano: Hong Kong/ China/ França, 2007
Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, David Strathairn, Natalie Portman, Benjamin Kanes, Adriane Lenox, Cat Power.
Direção: Kar Wai Wong
Gênero: Drama/ Romance
Duração: 95 min.
Lançamento: Segunda quinzena de agosto
Distribuidora: Europa Filmes/ MGM/ The Weinstein Company

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Entrevista Especial

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João Ellyas: “Humor é sempre humor. Seja ingênuo ou sacana” (*)

Felipe Brida

Salim Muchiba, Zé Bento e Mamadinho da Silva. Personagens que fizeram sucesso dentro e fora de Catanduva. O primeiro deles, no país inteiro. E o responsável pela criação dessas figuras humorísticas é o renomado ator catanduvense João Ellyas.
A carreira artística do humorista, filho de alfaiate, começou no rádio na segunda metade dos anos 50. Ainda jovem, sua vontade era ser radialista. Para treinar a voz, anunciava comerciais no programa “Luar do Sertão”, apresentado por Maurílio Vieira. Na mesma época, o saudoso jornalista Lecy Pinotti deu a João Ellyas um nome artístico para que ele atuasse em programas radiofônicos – Escovinha, que depois virou Grachinha e tornou-se famoso.
A primeira incursão de Ellyas em emissoras da capital veio em 1964; o ator saiu de Catanduva, a convite do amigo Adoniram Barbosa, que o levou para a Rede Record para atuar no programa “Histórias da Maloca”. Ainda lá trabalhou com Otelo Zeloni, Zilda Cardoso, Renato Corte-Real e Ary Toledo.
Na metade dos anos 60 abandonou a carreira para ser comerciante. Casou-se em 1971, formou família e passou a dedicar-se aos filhos. Porém, o famigerado talento de Ellyas não poderia deixar de ser mostrado ao público. O ator voltou para a TV quase 20 anos depois, em 1990, na “A Praça é Nossa”, com seu personagem mais importante, o mão-de-vaca Salim Muchiba (foto abaixo). Depois Salim ganhou corpo na “Escolinha do Professor Raimundo”, onde Ellyas passou também a ser redator do programa.
Autor de quatro livros, pintor e poeta, João Ellyas, em entrevista especial ao Notícia da Manhã, relembra suas criações artísticas e discute a situação dos programas de humor na TV brasileira. Confira!


NM – Sobre TV e formatos, de que forma analisa o gênero comédia nos programas televisivos hoje em relação ao passado? Considera o conteúdo apelativo e nonsense?

Ellyas – Quem faz a comparação de “hoje a comédia está escrachada e abusada” são as pessoas mais velhas, de mentalidade conservadora. O humor de ontem e o humor de hoje são engraçados do mesmo jeito. Antigamente na cabeça do povo tudo era pecado; então se fazia o humor sem palavrão, água-com-açúcar. Hoje mudou-se o conceito, o mundo mudou. Os telespectadores não querem ver aquele humor ingênuo. Então é o próprio povo que deseja essa nova forma de comédia. Então as emissoras e os produtores de TV e cinema atendem a esses anseios.


NM – Mas a comédia na TV é hoje bastante criticada pelos abusos. O público ainda não se acostumou com essa mudança de conteúdo?

Ellyas – Quando há uma revolução no campo das artes, ela torna-se bastante criticada inicialmente. Depois o padrão vai se ajeitando. É o caso do Pânico na TV, que segue a linha do humor escrachado. A turma começou a ser criticada quando do surgimento do programa; eles reformularam o conteúdo, e hoje todos assistem ao programa. E o público entende muito bem a proposta. Pode ser que daqui a algumas décadas o humor passe por uma nova estruturação e aconteça outro tipo de humor. Se hoje você fizer o humor ingênuo, meu camarada... você não arranca risos de ninguém.
Apesar de eu ter vindo de uma geração do humor antigo, anos 60, não sou de comparar o “antes” com a atualidade. Humor é sempre humor. Ele segue duas alternativas: ou é engraçado ou não é. Se hoje reclamam dos palavrões, é porque também a hipocrisia ficou pra trás. Há maneiras de se dizer o mesmo palavrão: aquela sutil, brincalhona, e aquela agressiva, apelativa. Já percebi, nos shows que faço, que quando recrio um texto inteligente e bem sacado, ele não provoca o riso como aquele em que há sacanagem. E isto serve pra qualquer público. Se fez rir é porque valeu a pena.


NM – Identifica-se com qual tipo de humor?

Ellyas – Particularmente todos os tipos me fazem rir: os ingênuos e os sacanas; no entanto é necessário ser inteligente. O que não aprovo aquele humor característico do Pânico, de humilhar e denegrir a imagem das pessoas. Mas não posso negar que rio sempre. O povo é sacana e quer ver alguém tirar sarro na cara das pessoas. Mas vejo que o Pânico está maneirando; eles têm talento para fazer um humor sem ofender as pessoas. O povo já cansou de tanta bagunça. Por incrível que pareça não tenho mais saco para assistir a programas de humor nem a filmes. Apenas confiro rapidamente a programação com o objetivo de analisar o formato. Só. Ainda sou adepto do “ao vivo”, que é menos previsível e mais atraente. E ainda dá abertura para o improviso.


NM – Os personagens caipiras que faz, como o Zé Bento, por focarem o regionalismo e o ingênuo, funcionam fora do interior?
Ellyas – A maior prova de que o caipira funciona é analisarmos alguns ícones, como Mazzaropi, Nhô Moraes e Nerso da Capitinga. O caipira prevalece, tem uma fingida ingenuidade e uma sacanagem nos olhos. Faz-se de bobo pra dizer o que pensa. Esta é a graça do caipira. Não é só no Brasil, existem os caipiras norte-americanos – o seriado “A família Buscapé” fez muito sucesso. O caipira sempre trouxe público pro circo, pouco pra TV. Por isso acho que evitam colocá-lo em programas. Hoje não há mais circo. E o cinema brasileiro atinge sua maturidade, e não vai usar caipira no cinema. A oportunidade pro personagem está escassa. Eu, por exemplo, não vou fazer meu show como caipira, de jeito nenhum. Eu entro de smoking, faço piadas. Certo momento coloco a peruca, um dente postiço e a palheta e interpreto o Zé Bento. Aí o público fica doido... Por que isso? O público quer saber se você é um artista bem informado e inteligente ou se você é um completo idiota. Há comediantes idiotas, mas engraçados; e o público ri dele. Se eu chegar de supetão como caipira e passar o tempo todo como caipira, o público vai cansar e me achar um babaca. Por isso primeiro você mostra que não é bobo, e depois deixa surgir o caipira. A aceitação é unânime.


NM – O senhor atuou por vários anos em uma das maiores emissoras de TV do mundo, a Rede Globo. Considera-se um artista que vive o glamour de ator?

Ellyas – Diferente de muitos colegas, nunca gostei de viver como artista famoso. É da minha índole isto. Nunca me encantei por glamour ou fama. Sou um cidadão simples, que adora morar no interior. Aliás, sempre fiquei em Catanduva; na época da Globo nunca transferi meu domicílio para São Paulo.


NM – Qual a dedicação artística de João Ellyas hoje?

Ellyas – Sou âncora de um programa semanal de humor na rádio Elektro, onde interpreta personagens, falo sobre economia, alertas, notícias de serviço social e de interesse público. Também viajo promovendo shows fechados para convenções empresariais e faculdades. No segmento da literatura, preparo um romance policial. Vivo minha vida em Catanduva, tranqüilo e feliz, e ainda por cima estou trabalhando, graças a Deus! Não saio daqui nem a pau.


(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 10/10/2008. Créditos para a primeira foto de J. Ellyas: Arquivo/Notícia da Manhã. Segunda foto: Divulgação.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Morre o ator japonês Ken Ogata

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O ator japonês Ken Ogata, de 71 anos, morreu no último domingo, vítima de um câncer no fígado. A informação foi divulgada hoje pelos familiares.
Nascido em Tóquio no dia 20 de julho de 1937, Ogata, em 40 anos de carreira, atuou em mais de 60 filmes, dentre eles "Balada de Narayama" (1983) - pelo qual ganhou diversos prêmios internacionais -, "Mishima - Uma vida em quatro capítulos" (1985), "Minha vingança" (1979), "Kichiku/The demon" (1978) e "O grande rapto' (1991).
Trabalhou também no cult "O livro de cabeceira" (1996) e participou em um dos segmentos do drama "11 de setembro" (2002). Casado, o ator deixa filhos. Por Felipe Brida

sábado, 4 de outubro de 2008

Resenhas & Críticas


Awake – A vida por um fio

Prestes a se casar com a charmosa Sam Lockwood (Jessica Alba), Clay Beresford (Hayden Christensen), jovem rico e bem sucedido e ainda superprotegido pela mãe, Lilith (Lena Olin), descobre, certo dia, que sofre graves problemas cardíacos. No entanto ele terá de passar por um transplante de coração para que sua saúde volte se normalize. O médico encarregado da cirurgia, Dr. Jack Harper (Terrence Howard), enquanto não encontra um doador que seja compatível com o tipo sanguíneo de Beresford, aconselha-o a aproveitar a vida ao longo da espera. O jovem então é pressionado a se casar com a noiva, o que faz com que a mãe entre em conflito com a futura nora.

Desastre federal do ano, este suspense dramático com um pé no thriller recebeu duas indicações ao Framboesa de Ouro – o prêmio entregue às piores produções – nas categorias pior atriz (Jessica Alba) e pior dupla (Alba e Christensen). Alba ainda foi indicada a outros “framboesas” em 2008 – “Maldita sorte” e “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”. De fato é dose suportar uma atriz tão pobre em interpretação e cheia de simpatia em tudo, ainda por cima aliada a outro ator chocho, Christensen (já publiquei em posts anteriores meu posicionamento fatal sobre “Jumper” e as más qualidades da aventura-sucesso do ano).
Não é apenas a dupla central que não funciona. A história perde o rumo nos mil e um focos levantados. O início da trama instiga e incomoda, inclusive no texto de apresentação sobre a grande quantidade de pacientes que, durante a cirurgia, não sente o efeito da anestesia e fica acordada durante o processo operatório. A seqüência na sala de cirurgia onde acompanhamos a aflição do personagem acordando durante o transplante é forte e pode sufocar os mais delicados. Porém aos poucos o roteiro fica maluco, envolto de sub-tramas forçadas, como a conspiração no hospital num estilo fajuto de “Coma”. Pobre roteiro infeliz...
Peca na falta de sentido, e a inverossimilhança provoca risos ao invés de emocionar. Poderia ter saído uma fita séria com a preocupação de retratar um fato real e arrepiante só de imaginar. No entanto fica perceptível que a idéia passou longe das intenções dos produtores e do diretor e roteirista estreante Joby Harold. Por Felipe Brida

Título original: Awake
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Hayden Christensen, Jessica Alba, Terrence Howard, Lena Olin, Christopher McDonald, Arliss Howard, Sam Robards, Fisher Stevens.
Direção: Joby Harold
Gênero: Suspense/ Drama
Duração: 84 min.
Lançamento: Primeira quinzena de agosto
Distribuidora: The Weinstein Company /MGM/ Playarte



Sicko – $O$ Saúde

O polêmico cineasta Michael Moore monta um painel sobre o deficiente sistema de saúde pública nos Estados Unidos.

Indicado ao Oscar na categoria de melhor documentário este ano, Sicko é mais uma daquelas fitas provocadoras do jornalista investigativo e cineasta Michael Moore, homem ao mesmo tempo tão amado e tão odiado nos Estados Unidos.
De forma implacável, Moore abre um leque de situações atuais entrelaçadas em contexto histórico do século XX para tentar provar por que o sistema de saúde na maior nação do mundo é terrivelmente falho e sofrível. Para causar o sensacionalismo comum de seus documentários, o cineasta reúne depoimentos de adoentados, pacientes em estado terminal e outros que perderam familiares, e costura-os com o posicionamento crítico de especialistas da área médica. O ataque às corporações, planos de saúde e homens poderosos são inevitáveis.
Não precisamos ir além para matar a charada de que a intenção de Moore é provocar. E por mais que haja oposicionistas em relação às idéias de Moore, o cineasta consegue atingir as expectativas, já que o recurso usado é de cunho sensacionalista. Diante de tanta discussão a probabilidade de sairmos indiferentes é quase nula.
Destaco Sicko (longe de ser a melhor fita de Moore, mas ainda causadora de indagação) como uma extensão de “Fahrenheit 11/09” quanto à “ideologia mooreana” – a atitude declarada anti-Bush e anti-imperialismo norte-americano enraizada na cerne dos pensamentos liberais do diretor projeta indicativos do assunto que se mantém na mídia desde o mês passado: a grande nação prestes a ruir.
A fita, questionadora, incômoda, serve para estudos aprofundados sobre políticas e gestão de saúde.
O barco lotado de gente doente partindo rumo a Cuba, no desfecho do filme, é um trunfo bizarro que só podia ter saído da cabeça doida de Moore. Ah, e como ele próprio aconselha: “Se quiser ficar saudável nos EUA, é bom não ficar doente”. Por Felipe Brida

Título original: Sicko
País/Ano: EUA, 2007
Direção: Michael Moore
Gênero: Documentário
Duração: 123 min.
Lançamento: Segunda quinzena de julho
Distribuidora: The Weinstein Company