quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cine Lançamento

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Kick-Ass – Quebrando tudo

Viciado em história em quadrinhos, o adolescente Dave Lizewski (Aaron Johnson) é o autêntico loser da escola: mirrado, apanha à beça, é excluído pelos amigos e rejeitado pela menina que gosta. Certo dia, inspirado pelas páginas ilustradas dos quadrinhos, resolve se transformar num super-herói. Auto-intitulando-se “Kick-Ass”, bota um uniforme verde e amarelo e enche o peito para brigar. No entanto, é esbofeteado ainda mais pelos meninos e, diferente dos personagens das HQ, não tem poderes especiais. Sua rotina muda do dia para a noite quando se torna fenômeno na internet, após um vídeo dele cair na rede. Novos colegas se solidarizam com suas atitudes e juntam-se a ele como novos super-heróis. O motivo? Todos planejam se vingar de um cruel mafioso, a fim de fazer vigorar a paz na violenta cidade de Nova York.

Boa surpresa do ano! Uma aventura bem produzida, de espírito jovem, original em tudo, no roteiro, na edição e no elenco formidável, composto por jovens talentosos. Primeiramente é uma adaptação para cinema da homônima série de história em quadrinhos escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr., lançada nos EUA em 2008 pela Marvel Comics – e que por enquanto não tem previsão de chegar ao Brasil. Isso significa que... é um bom motivo para os brasileiros conhecerem algo novo e interessante. Segundo, o poder diferencial: não trata de super-heróis que costumamos ver por aí, fortes, vencedores, arquétipo da invencibilidade. Pelo contrário, aqui eles são um bando de frangotes, sem poderes nenhum, no entanto ativos e muito violentos. Com armas improvisadas (cabo de vassoura, vasos e brinquedos) eles fazem um estrago danado. Esses heróis às avessas acreditam no seu ser potencial, porém não afirmam a identidade de fortes. Basta notar o nome que cada um dos jovens adota, como Kick-Ass e Mother Fucker, adjetivos pejorativos usados nos Estados Unidos como sinônimo de idiota e fracassado.
A turma não é do naipe do Batman, do Homem-Aranha, do Superman, do Homem de Ferro e de tantos outros por aí. Por isso o filme se torna tão engraçado e bem diferente. Mas não vá esperando coisa leve: é violento, com excessivas cenas de sangue que pende ao lado do humor negro, (proposital), edição frenética e uma infinidade de situações patéticas e outras bem inusitadas. O trabalho tem bom resultado graças a um jovem diretor que está chegando com idéias criativas, Matthew Vaugh, o mesmo de outra aventura bem peculiar, “Stardust – O mistério da estrela” (2007). Não deixem de conhecer. E tem continuação vindo por aí, anunciada para 2012! Por Felipe Brida

Título original: Kick-Ass
País/Ano: EUA/Inglaterra, 2010
Elenco: Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Chloe Moretz, Garrett M. Brown, Clark Duke, Nicolas Cage, Elizabeth McGovern, Jason Flemyng, Xander Berkeley
Direção: Matthew Vaugh
Gênero: Aventura
Duração: 117 min.
Distribuição: Universal Pictures

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Morre o ator Dary Reis

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O ator brasileiro Dary Reis morreu no último domingo aos 84 anos no Rio de Janeiro. As causas da morte não foram reveladas.
Gaúcho natural de Formigueiro (São Sepé), nasceu em 12 de fevereiro de 1926. Atuou em mais de 20 novelas (a maior parte delas na Rede Globo) e em dezenas de filmes.
Seu primeiro trabalho como ator foi no filme de comédia "Três recrutas" (1953). No cinema esteve no elenco de "Eu matei Lúcio Flávio" (1979), "Os Paspalhões em Pinóquio 2000" (1980), "Os Trabalhões na Serra Pelada" (1982), "Os Trapalhões na Arca de Noé" (1983), "A longa noite do prazer" (1983) e "Os trapalhões e o Mágico de Oróz" (1984).
Participou de novelas como "Anástacia, a mulher sem destino" (1967), "Irmãos coragem" (1970), "Cavalo de aço" (1970), "Cuca legal" (1975), "Pecado capital" (1975), "Escrava Isaura" (1976), "Sem lenço, sem documento" (1977), "Sinal de alerta" (1978), "Água viva" (1980), "Mulheres de areia" (1993), "Irmãos coragem" (1995), "Torre de Babel" (1998), "Força de um desejo" (1999) e "Bang Bang" (2005 - seu último trabalho).
Fez seriados cômicos, como "Os trapalhões" e "Chico Anysio Show", e uma participação especial na minissérie "Hilda Furacão" (1998).
Dary Reis deixa filhos e netos. Por Felipe Brida

domingo, 26 de dezembro de 2010

Cine Lançamento

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O grande desafio

Professor na Wiley College (Texas), Melvin B. Tolson (Denzel Washington), no auge da Depressão Americana, na década de 30, inicia uma árdua tarefa de preparar seus alunos para serem debatedores em seminários e competições em universidades. Com seus métodos nada ortodoxos, desenvolve nos adolescentes a arte da retórica, da oratória e da argumentação.

Biografia romanceada do professor, educador e poeta Melvin Beaunorus Tolson (1898-1966), de raça negra e origem humilde, que, na segunda metade dos anos 30, revolucionou as práticas educacionais no Texas (e que depois se espalharam para outros estados norte-americanos) devido à sua postura rígida com aqueles insignes discursos inflamados e muito poderosos.
Denzel Washington, sempre sério e bom ator, interpreta esse personagem curioso, homem de uma única palavra, idealista, de pensamentos radicais e metodologia de ensino nem um pouco convencional que, numa jornada incansável, prepara seus alunos para serem grandes debatedores em campeonatos de debate (há justamente aqui a referência ao título original em inglês, “Os grandes debatedores”). Sustenta-se como drama sobre superação, apesar de um pouco cansativo e lento – e demorado, já que são mais de duas horas de filme cujo assunto não muda. Outro tema em evidência no filme, obviamente, é o preconceito racial, já que a maior parte dos estudantes que aparecem na história são bastante pobres e negros, marginalizados então em uma época onde a discriminação pulsava na sociedade da época.
É a segunda investida de Washington como diretor, demonstrando certo talento atrás das câmeras, mesmo que toque em temas repetitivos (o anterior foi outro drama de temática parecida, sobre superação e preconceito racial, “Voltando a viver”, de 2002).
Nomeado em 2008 ao Globo de Ouro de melhor filme na categoria drama, só agora resolveram lançar no Brasil a fita, com atraso de quase três anos! Praticamente desconhecido, merecia carreira mais digna por parte do público.
Um filme motivador, levado com seriedade, e indicado especialmente para educadores. Por Felipe Brida

Título original: The great debaters
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Denzel Washington, Forest Whitaker, John Heard, Nate Parker, Jurnee Smollett
Direção: Denzel Washington
Gênero: Drama
Duração: 126 min.
Distribuição: California Filmes

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cine Lançamento


O aprendiz de feiticeiro

Feiticeiro dos tempos atuais, Balthazar Blake (Nicolas Cage) precisa defender a cidade de Manhattan de seu maior inimigo, Maxim Horvath (Alfred Molina), um mago com poderes especiais que planeja uma série de catástrofes a fim de proliferar o caos. Para tanto Blake une forças com um novato em magias, Dave (Jay Baruchel), que passa a ser seu aprendiz.

Naufragou nas bilheterias norte-americanas, mas aqui no Brasil obteve boa receptividade nas salas de cinema essa boa fitinha de aventura sobre feitiçaria em tempos modernos, que custou caro aos cofres da Disney (cerca de U$ 150 milhões).
Nicolas Cage, que topa qualquer parada no cinema, assume a identidade de um bruxo que mora numa Manhattan dark, disposto a tudo para proteger a cidade de seu antigo inimigo, o mago Horvath (Alfred Molina, em papel discreto), este aliado à terrível feiticeira Morgana (uma participação rápida de Alice Krige, atriz de fitas de terror). Em meio à iminência do caos, descobre um talento escondido, um rapaz acanhado (o franzino Jay Baruchel, de “Ela é demais para mim”), e resolve introduzi-lo às técnicas de magia, como controle da mente, formação de bolas de fogo e energia pelas mãos e até invisibilidade. Unidos, do “lado do bem”, contarão com o apoio dos ensinamentos do velho mago Merlin para salvar a cidade.
Bom, a história se resume a isto. Ágil, sem compromisso, bem feitinha. Como alicerce da história, um show à parte de efeitos especiais, alguns que surpreendem pela qualidade técnica da computação gráfica, que tornam o filme diversão garantida, melhor do que poderíamos esperar. Não é ruim, não; serve como entretenimento para jovens, e até os adultos embarcam.
A direção é de Joe Turteltaub, o mesmo do suspense instigante “Instinto” e das duas continuações de “A lenda do tesouro perdido” (ambas com Nicolas Cage, amigo de diretor). Não confundir com a fita policial homônima dos anos 90, com James Woods e Michael J. Fox. Por Felipe Brida

Título original: The sorcerer’s apprentice
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Nicolas Cage, Jay Baruchel, Alfred Molina, Teresa Palmer, Toby Kebbell, Monica Bellucci, Alice Krige
Direção: Joe Turteltaub
Gênero: Aventura
Duração: 109 min.
Distribuição: Walt Disney Pictures

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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O escritor fantasma

Um escritor fantasma em início de carreira (Ewan McGregor) é contratado para dar continuidade à autobiografia do primeiro-ministro inglês Adam Lang (Pierce Brosnan), envolvido em escândalos e abuso de poder. Aos poucos, o jovem descobre segredos obscuros do político, o que o faz repensar o trabalho. Quando é informado sobre a misteriosa morte do escritor fantasma que o antecedeu, percebe que cada vez mais está aprisionado num beco sem saída.

Nome importantíssimo do cinema, Roman Polanksi dirige um bom thriller político, não necessariamente espetacular. Precisa-se de atenção redobrada para sacar a trama tétrica, um tanto quanto diabólica. O teor da história é o inferno astral na vida de um escritor fantasma (“ghost writer” em inglês – aquela pessoa contratada para escrever um livro de memórias ou biografia, sendo que o real biografado é quem assina a obra, ou seja, o escritor torna-se invisível). Sujeito atencioso, em início de carreira, recebe o convite para biografar a vida de um político sujo e mau caráter. Isto vai sendo desvendado aos poucos durante o filme, num jogo de gato e rato (sem adrenalina, conduzido mais por diálogos fortes e tensão psicológica).
O personagem do escritor, papel de Ewan McGregor (numa composição séria, num de seus melhores trabalhos recentes), não tem nome, apenas é chamado de “escritor fantasma”. Do outro lado do quebra-cabeça, o político misterioso, interpretado por Pierce Brosnan, que esconde um passado pra lá de estranho (será mesmo que o diretor cutuca Tony Blair?).
Diante desse panorama, dá para notar o quão intrigante é a história, muito tortuosa e confusa, cujo círculo só se fecha nos segundos finais – e ainda algumas situações não são minuciosamente explicadas.
Interessante como o escritor vai virando um verdadeiro fantasma, isolado por todos aqueles que o conhecem, esmaecendo-se sem compaixão. Falar mais estraga o resultado.
Baseado no romance homônimo de Robert Harris e adaptado para as telas pelo próprio autor junto com Roman Polanksi, “O escritor fantasma” ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim – e foi indicado ainda ao de Ouro na mesma premiação.
Curioso e enigmático, com desfecho pra lá de inesperado. Uma boa dica para quem quer “quebrar” a cabeça no fim de semana.
Cuidado com o título: em 2008 saiu em DVD uma fita de suspense de mesmo nome, aquém desta aqui. Por Felipe Brida

Título original: The ghost writer
País/Ano: Inglaterra/França/Alemanha, 2010
Elenco: Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Kim Cattrall, Tom Wilkinson, James Belushi, Jon Bernthal, Timothy Hutton, Eli Wallach, Olivia Williams
Direção: Roman Polanski
Gênero: Suspense/Drama
Duração: 128 min.
Distribuição: Paris Filmes

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Morre o diretor Blake Edwards aos 88 anos

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O lendário diretor, roteirista e produtor de cinema Blake Edwards, criador da série “A pantera cor-de-rosa”, morreu na última quarta-feira aos 88 anos, em Santa Monica, California, vítima de uma grave pneumonia. Devido a problemas motores, locomovia-se com auxílio de cadeira de rodas, e vinha enfentando sérios problemas de saúde nos últimos anos.
Nascido em 26 de julho de 1922 em Tulsa, Oklahoma, Edwards recebeu indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado por “Victor ou Victoria” (1982), além do Globo de Ouro de melhor filme pelo drama “Vício maldito” (1962).
Dirigiu, entre 1963 e 1993, os oito primeiros filmes da cinessérie “A pantera cor-de-rosa”, que deu origem ao famoso desenho animado. Tornou-se amigo pessoal do ator principal das fitas, Peter Sellers, com quem teve uma relação conturbada e desgastante – e com quem rodou a clássica comédia pastelão “Um convidado bem trapalhão” (1968).
Assinou a direção de filmes consagrados, como “Bonequinha de luxo” (1961) e “Mulher nota 10” (1979), além de “Anáguas a bordo” (1959), , “A corrida do século” (1965), “Os dois indomáveis” (1971), “A semente de tamarindo” (1974), “S.O.B.” (1981), “O homem que amava as mulheres” (1983), “Minhas duas mulheres” (1984), “Encontro às escuras” (1987), “Confusões de um sedutor” (1989) e “Switch – Trocaram meu sexo” (1991).
Em 2004 ganhou um Oscar honorário pela carreira de 40 anos dedicados ao cinema.
Era casado com a atriz Julie Andrews (desde 1969). Deixa quatro filhos. Por Felipe Brida

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Minha cama de zinco

Paul Peplow (Paddy Considine) é um alcoólatra que, em fase de reabilitação, freqüenta um grupo de terapia. À procura de emprego, recebe uma proposta tentadora para trabalhar com um importante empresário local, Victor Quinn (Jonathan Pryce). Empregado e em busca de uma nova vida, acaba iniciando um relacionamento conturbado com a esposa do chefe, Elsa (Uma Thurman), uma ex-viciada em cocaína.

Adaptação para TV, feita originalmente pela HBO, de uma peça dramática escrita por David Hare, roteirista inglês de fino talento, indicado ao Oscar duas vezes – por “O leitor” e “As horas”, ambos como melhor roteiro.
Desconhecido do público, até mesmo porque só foi exibido em rede aberta nos Estados Unidos, “Minha cama de zinco” é uma fita independente curtinha (tem apenas 75 min.), que explora as dificuldades dos adictos em largar o vício, bem como o árduo caminho que encontram para a ressocialização. Não leva o tema tão a fundo, não procura mostrar os dependentes químicos usando drogas (até mesmo porque isto afasta grande parte dos telespectadores), no entanto tem seu grau de seriedade.
Os personagens principais (um rapaz alcoólatra e uma cocainômana casada que acabara o tratamento), além do vício maldito, encaram um outro problema pela frente quando desencadeia entre os dois uma paixão inesperada. A partir daí a história muda de figura.
Bem teatral (mantém dessa forma estrutura bem próxima ao formato original), fechado em poucos ambientes, o filme foi produzido em 2008 e só agora lançado em DVD no Brasil. Aqueles interessados pela história devem descobrir. Por Felipe Brida

Título original: My zinc bed
País/Ano: EUA/Inglaterra, 2008
Elenco: Paddy Considine, Uma Thurman, Jonathan Pryce, Sara Powell
Direção: Anthony Page
Gênero: Drama
Duração: 75 min.
Distribuição: Warner Home Video

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Salt

Uma das mais perspicazes agentes da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) é acusada por um desertor de ser uma espiã russa infiltrada. Procurada por um grupo de agentes especiais dispostos a caçá-la a todo custo, Salt terá de utilizar todos os tipos de disfarces para fugir e assim provar sua inocência.

Na década de 80, Hollywood explorou o tema da Guerra Fria no cinema até esgotar, com espiões infiltrados em fugas mirabolantes. Passados quase 20 anos do fim da União Soviética, a chama se reacende com essa produção badalada, de orçamento relativamente alto (U$ 75 milhões) e que não rendeu a bilheteria esperada na estréia nas salas, ficando atrás de “A origem” e “Shrek para sempre”.
O filme, como há de se prever pela sinopse, traz de volta todos os elementos daquelas fitas do passado. Primeiramente a questão do personagem central (aqui, a bela Angelina Jolie, cada vez mais bonita) acusado de traição (Salt é da CIA e precisa provar que não é uma espiã russa após acusações de um suposto colega de profissão). Já começa num interrogatório onde surgem essas denúncias, e logo Salt, cercada por todos os lados, precisa fugir, dando início a suas loucas escapadas, que só terminam no desfecho do filme. Como é uma produção de ação, muito bem realizada por sinal, não poderia faltar corre-corre, tiroteios, explosões e uma enxurrada de reviravoltas. Preste atenção nos detalhes para não se perder!
Não tem novidades, até mesmo porque o filme lembra “Missão impossível” e os inúmeros “007”. Somente mais uma fita de ação com forte adrenalina e bem feitinha.
Deu certo talvez pela direção de Phillip Noyce, diga-se de passagem um grande especialista em fitas de ação, acostumado a rodar projetos sobre espionagem, dentre eles duas adaptações de Tom Clancy - “Jogos patrióticos” e “Perigo real e imediato” (com o agente Jack Ryan, interpretado por Harrison Ford), e “O santo” (com Val Kilmer), todos com o pano de fundo sobre a Guerra Fria.
No Brasil o DVD single veio com as três versões, opcionais – a de cinema (com 101 min.), a estendida (com um minuto a mais, sem cenas de relevância) e a do diretor, com quatro minutos acrescidos e final alternativo (menos emocionante que o original). Dê uma conferida, sem compromisso e sem exigências. Por Felipe Brida

Título original: Salt
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Olbrychski, August Diehl
Direção: Phillip Noyce
Gênero: Ação
Duração: 101 min.
Distribuição: Sony Pictures

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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A epidemia

Pequena cidade no interior dos Estados Unidos é exposta a um misterioso vírus. Acometidos pela insanidade e violência, os habitantes vão, um a um, tornando-se zumbis sedentos por sangue. Para escapar dos ataques das criaturas, o xerife Dutton (Timothy Olyphant), sua esposa Judy (Radha Mitchell) e outros moradores refugiam-se num abrigo, e iniciam uma luta pela sobrevivência.

Estreou nos cinemas com recepção moderada do pública essa boa refilmagem de “O exército do extermínio”, filme cult dos anos 70 dirigido pelo mestre de terror George A. Romero (e recentemente lançado em DVD no Brasil). Superior ao original, que era precário e bem datado, o remake mantém a estrutura do antigo: conta uma história interessante sobre zumbis canibais, velha formula de fitas de horror que o cinema americano adora e vem rodando aos montes ultimamente. Aqui – assim como em “Extermínio” e “Terra dos mortos”, os mortos-vivos são velozes e inteligentes e dominam uma cidade inteira em busca de sangue humano. Dá ênfase à trama os dois protagonistas (um casal – ele, xerife, interpretado por Olyphant, melhor ator do que em fitas anteriores, e pela bonita Radha Mitchell, a esposa), que lideram um grupo de sobreviventes que precisam escapar dos ataques dos ferozes zumbis.
Boa parte da história se desenrola à noite, ou seja, o filme é escuro, além de ser violento, com muitos sustos, prato cheio para fãs de cinema de terror.
O título, mantido do original, “The crazies” (na tradução literal, “Os enlouquecidos”), faz referência à alucinação coletiva provocada por um vírus (as causas da doença fica solta no ar, não é bem explicada) que ataca o sistema neurológico das vítimas, daí o motivo de ficarem loucas e mortais.
Breck Eisner dirigiu antes o fraco “Sahara” (2005), e saiu-se melhor aqui nessa refilmagem de um filme pouco conhecido do público brasileiro. Os interessados devem arriscar. Por Felipe Brida

Título original: The crazies
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker
Direção: Breck Eisner
Gênero: Terror/Ação
Duração: 101 min.
Distribuição: Imagem Filmes

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cine Lançamento

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Ela é demais para mim

Kirk (Jay Baruchel) é um jovem franzino que trabalha como segurança em um aeroporto. Certo dia topa com uma bela garota, Molly (Alice Eve), que, de forma inusitada, apaixona-se por ele. Por ser maltratado pela família, o rapaz encontra uma série de dificuldades em se afirmar como pessoa e tentar conquistar a menina.

Fracasso nas salas de cinema, chegou diretamente em DVD no Brasil essa comédia romântica (mais comédia besteirol que romance) que é a estréia do diretor Jim Field Smith.
O filme é uma chacota só em cima de um rapaz alvo de todos os tipos de humilhação, o que o faz ser uma pessoa desmotivada. Ele não tem namorada, a família não acredita no potencial dele, os amigos tem o prazer de zoar de sua cara. Na linguagem popular, Kirk é um cara zoado, um típico “loser”. Só que vê a chance de mudar de vida quando acontece o impossível: uma garota linda, de fechar o comércio, diz estar morrendo de amores por ele. A partir dessa premissa é que tem início os acontecimentos cômicos da fita, com certo besteirol e, não poderia faltar, piadas sobre sexo (como a sequência da ereção com fins trágicos e a raspagem dos pêlos pubianos). Tudo mostrado num tom meio grosseiro, que só serve para a garotada se divertir.
O ator Jay Baruchel sempre faz caretas, é um ator novo, mirrado, com presença de cena, mas exagerado.
Facilmente previsível, com desfecho sem surpresa, a fita tem momentos engraçados, outros de muita zombaria, e não é tão inteligente como comentaram por aí.
Mais voltado para a meninada que procura por entretenimento corriqueiro. Por Felipe Brida

Título original: She’s out of my league
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Jay Baruchel, Alice Eve, T.J. Miller, Mike Vogel, Nate Torrence
Direção: Jim Field Smith
Gênero: Comédia
Duração: 104 min.
Distribuição: Paramount Pictures

sábado, 4 de dezembro de 2010

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Repo Men – O resgate de órgãos

Em um futuro próximo, uma corporação chamada “The Union” torna-se conhecida no mundo inteiro pelo serviço pioneiro de aluguel de órgãos mecânicos para seres humanos. As leis são rígidas: se o comprador não pagar a mensalidade do produto, a empresa convoca os coletores, um grupo de homens treinados para recolher o órgão vendido. Um deles é Remy (Jude Law), que, certo dia, sofre um infarto quase fatal. Afastado de suas atividades, com um coração mecânico transplantado e sem dinheiro para pagar pelo serviço adquirido, une-se a um colega de profissão, Jake (Forest Whitaker) para escapar da perseguição de outros coletores da “The Union”.

Baseado no livro de ficção científica “The Repossession Mambo”, de Eric Garcia, o filme do estreante diretor Miguel Sapochnik aproxima-se bastante da história original, ou seja, tem roteiro estranho e sequências de pura violência. Na verdade é uma fita de ação futurista com teor “gore” (sangrento), com concepção meio trash e absurda. Obviamente que o público masculino terá mais estômago para assistir.
A trama se passa na cidade de Toronto, Canadá, com seus prédios gigantescos e arquitetura contemporânea, mostrando o trabalho de um repo man, um coletor de órgãos, de índole fria, que arranca sem dó nem piedade o fígado (literalmente falando) dos endividados. A composição do personagem é de anti-herói, que com o passar do filme vira mocinho, pois tem de fugir da cruel organização onde trabalhava. Para se salvar junta-se a um colega e ambos partem para uma jornada ao inferno, acompanhados por uma mulher, a única da história, papel da brasileira Alice Braga.
Há reviravoltas previsíveis e um desfecho pouco intrigante, portanto não espere algo sensacional que a sinopse supõe.
Analisando a fundo, o tema é bem sério (disfarçado pelos absurdos das típicas fitas de ação); trata principalmente de como a roda do mercado selvagem gira no mundo capitalista, pós-moderno, consumindo as pessoas por dentro. Ai dos endividados, que aqui perdem a alma...
Saiu com o título provisório de “Os coletores”, mantido em Portugal. Por Felipe Brida

Título original: Repo Men
País/Ano: EUA/Canadá, 2010
Elenco: Jude Law, Forest Whitaker, Alice Braga, Liev Schreiber, Carice Van Houten, RZA
Direção: Miguel Sapochnik
Gênero: Ação
Duração: 111 min.
Distribuição: Universal Pictures/ UIP
Site oficial: http://www.repomenarecoming.com/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Tudo pode dar certo

Ex-professor universitário, Boris Yellnikoff (Larry David) é hoje um velho rabugento e reclamão, que vive sozinho trancado num apartamento. Pessimista convicto, já tentou o suicídio uma vez – por ter se jogado de um prédio, sem sucesso em seus objetivos, ficou manco. Certo dia, é abordado por uma jovem, Melody (Evan Rachel Wood), que pede para entrar em seu apartamento. Ele concorda com a idéia, e ambos passam o dia juntos, como amigos. Com o passar das semanas a menina não demonstra querer ir embora. Até que chega o fatídico dia em que Melody confessa estar apaixonada por ele.

Woody Allen volta com tudo em cima em seu novo projeto pessoal, um típico filme autoral, com diálogos filosóficos, sacadas e abobrinhas, gente que reclama da vida e personagens fechados em um mundinho próprio. Seu melhor trabalho como diretor em anos, cujo script estava engavetado desde 1977 (o papel principal seria para o comediante judeu Zero Mostel, mas este morreu de infarto antes das gravações).
É uma comédia dramática protagonizada por um senhor suicida e rabugento, amargo, que carrega nas costas o dissabor de estar velho. Antipático, reclama de Deus e o mundo, semelhante à figura de Woody Allen ator quando encabeça como protagonista dramas e comédias. Ele estorva o público com suas lamúrias e ainda por cima tem o ego inflado: acredita que sabe das coisas melhor que ninguém, que o mundo conspira contra ele, que é o melhor jogador de xadrez e o único a entender mecânica quântica e o caos do universo. Vendo dessa forma parece que o personagem é insuportável, que repudia o público. Mas não. Tudo graças ao ator Larry David, muito engraçado, que garante as piadas e conversa diretamente com os telespectadores (vez ou outra ele vira pra câmera e brinca com a gente, ou seja, o filme tem linguagem metalingüística). Na verdade David fez pouco cinema, é um ator de TV, criador do famoso sitcom “Seinfeld”. Por mais implicante que a criatura seja, ele diverte à beça.
“Tudo pode dar certo” é isto: um personagem mala interpretado por um grande humorista, o seu dia-a-dia ao lado de uma jovem que acaba de conhecer (a sempre boa atriz Evan Rachel Wood), e as surpresas de uma amizade (quase) colorida entre ambos, já que os opostos se atraem aqui – pela idade (Boris poderia ser avô de Melody, e os dois com certeza não combinam), pela intelectualidade, pelo ritmo de vida.
Um grande Woody Allen em forma, bem melhor do que suas fitas medíocres recentes (“Melinda e Melinda”, “Scoop – O grande furo” e “O sonho de Cassandra”). Aos 75 anos dá uma reviravolta e demonstra ter pique para projetos que lembram a notória carreira de outrora. Conheça. Por Felipe Brida

Título original:
Whatever works
País/Ano: EUA/França, 2009
Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley Jr., Michael McKean, Adam Brooks,
Direção: Woody Allen
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 92 min
Distribuição: Sony Pictures/ California Filmes

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Morre o lendário diretor italiano Mario Monicelli

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O diretor e roteirista italiano Mario Monicelli cometeu suicídio ontem, em Roma. Ele tinha 95 anos e jogou-se do prédio do hospital San Giovanni, onde estava internado para tratar de um câncer terminal.
Nascido em 15 de maio de 1915 em Viareggio, Lucca (Toscana), foi um dos nomes mais notórios do cinema italiano, ao lado de Luchino Visconti, Vittorio De Sica e Roberto Rosselini.
Recentemente completou sete décadas de carreira, sendo um dos cineastas mais antigos ainda em atividade.
Monicelli dirigiu cerca de 60 filmes, dentre eles os clássicos “Os eternos desconhecidos” (1958), “O incrível exército de Brancaleone” (1966) e a continuação, “Brancaleone nas Cruzadas” (1970), “Meus caros amigos” (1975) e a segunda parte da trilogia, “Quinteto irreverente” (1982), “As duas vidas de Mattia Pascal” (1985) e “Parente é serpente” (1992).
Indicado a dois Oscars como roteirista – por “Os companheiros” (1963) e “Casanova 70” (1965), ganhou o Leão de Ouro em Veneza pelo filme “A grande guerra” (1959) e um especial pela carreira, em 1991. Recebeu ainda três prêmios no Festival de Berlim como melhor diretor – “Pais e filhos” (1956), “Carol Michele” (1976) e “Il marchise Del Grillo” (1982). Três outros também foram indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro – “A grande guerra” (1959), “Os companheiros” e “A garota com a pistola” (1968).
Sua filmografia inclui ainda “Totò e as mulheres” (1952 – um das tantas parcerias que fez com o falecido cineasta Steno), “O médico e o charlatão” (1957) e “Caros F. amigos” (1992). Seu último trabalho como diretor foi em “Le rose Del deserto” (2006), além de dois curtas-metragens inéditos, rodados entre 2009 e 2010.
Como ator fez uma pequena participação (simbólica e bastante memorável) no filme “Sob o sol de Toscana” (2003).
Monicelli deixa três filhos. Por Felipe Brida

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Morre o cineasta Irvin Kershner aos 87 anos


O diretor de cinema Irvin Kershner faleceu no último domingo aos 87 anos em Los Angeles. As causas da morte não foram divulgadas.
Nascido na Philadelphia, Pennsylvania, em 29 de abril de 1923, formou-se em Cinema pela Universidade da California. Iniciou a carreira na segunda metade dos anos 1950 produzindo documentários para TV.
Estreou como diretor de cinema no policial “Stakeout on Dope Street” (1958), passando depois a rodar episódios de diversos seriados.
Dirigiu “Os olhos de Laura Mars” (1978), “Star Wars – O império contra-ataca” (1980), “007 – Nunca mais outra vez” (1983) e “Robocop 2” (1990), seus filmes mais memoráveis.
Também assinou a direção de “Almas redimidas” (1961), “Sublime loucura” (1966), “O magnífico farsante” (1967), “O amor é tudo” (1970), “Além das fronteiras do lar” (1972), “Espiões” (1974) e “A vingança de um homem chamado cavalo” (1976).
Aposentado desde 1994, vivia em Los Angeles. Por Felipe Brida.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Morre o comediante Leslie Nielsen aos 84 anos

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O ator canadense Leslie Nielsen morreu na tarde de ontem aos 84 anos em Fort Lauderdale, Flórida. O comediante estava internado há 14 dias em um hospital para tratar de uma pneumonia. Era mais lembrado como o tenente Frank Drebin na trilogia "Corra que a polícia vem aí", feita nos anos 80 e 90 - que foi a versão para cinema do seriado “Police squad!” (1982), também interpretado por ele.
Nascido em Regina/Saskatchewan (Canadá) em 11 de fevereiro de 1926, Nielsen iniciou a carreira artística em seriados televisivos em 1950. Nos cinemas fez sua estréia em “O planeta proibido” (1956).
Nesses 60 anos dedicados à sétima arte, atuou em inúmeras comédias, dentre elas o clássico "Apertem os cintos... O piloto sumiu" (1980). Fez paródias que homenageavam filmes notórios, como “A repossuída” (1990), “Drácula – Morto, mas feliz” (1995), “Duro de espiar” (1996), “O foragido” (1998), “2000.1 – Um maluco perdido no espaço” (2000), “Todo mundo em pânico 3” (2003), “Todo mundo em pânico 4” (2006) e “Super-herói: O filme” (2008). Também participou de fitas de terror, como “A morte convida para dançar” (1980) e “Creepshow – Show de horrores” (1982), e dramas – "O destino de Poseidon" (1972), “O homem com a lente mortal” (1982), “Querem me enlouquecer” (1987) e “O poder da esperança” (2007).
Casado quatro vezes, o ator deixa duas filhas. Por Felipe Brida

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cine lançamento

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O primeiro mentiroso

O tímido Mark Bellison (Ricky Gervais) vive em uma cidade que não sabe o que é mentir. Todos os habitantes de lá são sinceros, só falam a verdade. Certo dia, quase arruinado financeiramente, na fila do banco, inventa a mentira. Com essa artimanha, passa a ludibriar as pessoas e descobre como mudar o comportamento dos outros inclusive criando novas concepções para a política e a religião.

Comédia original em tom de sátira com sacadas inteligentes, um pouco de besteiras escrachadas e um resultado meio-termo. Escrita e dirigida pelo ótimo ator principal da fita, o humorista inglês Ricky Gervais, descoberto no seriado “The Office”, o filme chega diretamente em vídeo no Brasil.
Para curtir é preciso entrar no clima da brincadeira, nessa fantasia sobre um sujeito rejeitado pelas mulheres, gordinho, acanhado, que, em um mundo onde a sinceridade reina (até porque ninguém sabe o que significa mentir), ele inventa a mentira num estalo de insight. E com a nova arma na mão passa a enganar os outros a fim de se dar bem na vida. De todas as formas: no amor, na profissão, no divertimento, na vida social – conquista a mulher de seus sonhos, que sempre o desprezou porque era honesta demais (Jennifer Garner) e inicia uma competição feroz no emprego com um homem desafiador (o sumido Rob Lowe, sempre canastrão). Traz ainda pontas de Phillip Seymour Hoffman, Jason Bateman e Edward Norton, em pequenas aparições.
É difícil rodar uma fita dessas, pois o roteiro não pode escorregar em uma vírgula para se obter o resultado mais próximo da perfeição – por isso ainda dá para encontrar furos, pequenos, mas existem.
Um certo divertimento para quem se deixar levar por esse tipo de humor. Por Felipe Brida

Título original: The invention of lying
País/Ano: EUA, 2009
Elenco: Ricky Gervais, Jennifer Garner, Tina Fey, Rob Lowe, Jonah Hill, Jeffrey Tambor, Fionula Flanagan, Louis C.K.
Direção: Ricky Gervais/ Matthew Robinson
Gênero: Comédia
Duração: 99 min
Distribuição: Universal Home Video

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Morre a atriz Ingrid Pitt, aos 73 anos

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A atriz e escritora Ingrid Pitt, que participou de vários filmes eróticos de terror na produtora inglesa Hammer entre as décadas de 60 e 70, morreu ontem em Londres, dois dias após completar 73 anos de idade. As causas da morte não foram divulgadas.
Nascida na Polônia com o nome de Ingoushka Petrov em 21 de novembro 1937, era descendente de judeus. Sobreviveu ao campo de concentração na Segunda Guerra Mundial e iniciou a carreira artística em pequenas pontas em filmes como "Dr Jivago", "Falstaff - O toque da meia-noite" (1965), "Um escravo das Arábias em Roma" (1968) e "Desafio das águias" (1968), este ao lado e Richard Burton e Clint Eastwood.
Na produtora Hammer alcançou notoriedade em filmes de horror - os maiores sucessos foram "Carmilla - A vampira de Karnstein" (de 1970, também conhecido no Brasil com o título "Os vampiros amantes"), "A condessa Drácula" (1971) e "O homem de palha" (1973).
Como escritora, publicou dois romances e contos de terror em coletâneas. Em 1999 lançou sua biografia, "Life's a scream". A atriz deixa uma filha. Por Felipe Brida

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cine lançamento

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Querido John

Casal é separado pelo atentado de 11 de Setembro. De um lado, o soldado idealista John Tyree (Channing Tatum) resolve deixar a terra natal para proteger seu país; do outro, a estudante universitária Savannah Curtis (Amanda Seyfried) espera ansiosa o retorno do amado. A única forma que encontram para manter contato é por meio de cartas de amor.

Melodrama sentimentalóide com cara de telefilme, feito exclusivamente para meninas. Aqueles que se envolvem com filmes românticos poderão se emocionar com essa história bonita e certamente triste que fala sobre a dor da separação. Ambienta-se no abalo mundial provocado pelo atentado ao World Trade Center, sem recorrer a fatos históricos. Como protagonista temos uma boa atriz do momento, Amanda Seyfried (de “Mamma Mia! – O filme” e “Garota infernal”), sempre bonita e meiga, num papel discreto. Já o lado masculino do par romântico não se completa com o ator Channing Tatum, inserido no cinema recentemente, que, apesar do jeito de galã (entenda-se fortão e charmoso), é fraco, insosso. Até que vemos química no casal, porém o rapaz não convence nem como soldado patriota nem como o sofredor apaixonado.
Baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks, que liderou por semanas as vendas nos Estados Unidos, o filme liderou as bilheterias norte-americanos e na estréia tirou “Avatar” do ranking.
É um romance à moda antiga (o mesmo tema invadiu Hollywood nos anos 50 e 60), super piegas, que lembra fitas dos anos 50 sobre o amor que nunca morre mesmo quando dois amantes são separados pela guerra. Histórias desse naipe soam hoje tão ingênuas, tão bregas, que só mesmo os românticos por natureza deverão aprovar.
Um dos filmes menores do diretor sueco Lasse Hallström, que antes fez um belo drama, “Sempre ao seu lado”, com Richard Gere. Por Felipe Brida

Título original: Dear John
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Amanda Seyfried, Channing Tatum, Richard Jenkins, Henry Thomas, D.J. Cotrona
Direção: Lasse Hallström
Gênero: Drama/Romance
Duração: 108 min
Distribuição: Sony Pictures
Site oficial: http://www.dearjohn-movie.com/

domingo, 21 de novembro de 2010

Cine Lançamento

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Toy Story 3

O garoto Andy (voz de John Morris) cresceu. De malas prontas para a faculdade, resolve se desfazer dos velhos brinquedos, colocando-os dentro de caixas para serem guardados no sótão. Só que a mãe de Andy manda-os para um orfanato. Os brinquedos acostumam-se com as crianças na nova moradia, porém o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) quer retornar para casa. Será que ele conseguirá levar os amigos de volta ao antigo lar?

Sucesso imediato de público na estréia nos cinemas, o terceiro capítulo de “Toy Story” é uma animação na medida certa, para crianças e adultos. A produtora Disney/Pixar acertou de novo, trazendo uma história divertida, ágil, com diálogos bem sacados, cheia de peripécias aprontadas pela turma do cowboy Woody e do super-herói espacial Buzz Lightyear.
Juntam-se ao grupo dos já conhecidos personagens (como o Sr. Cabeça de Batata e o dinossauro Rex) novas caras, que ficam com as piadas mais afiadas, como a Barbie e o Ken e a Sra. Cabeça de Batata.
A história acompanha uma grande aventura na vida da turma de brinquedos. Abandonados pelo garoto Andy, agora crescido, eles chegam a um lugar aparentemente tranqüilo, a creche “Sunnyside”. Só que o lugar é empesteado por crianças bagunceiras, que rasgam ursinhos de pelúcia e espalham tinta pelas paredes. Com receio de ser destroçado, Woody (que não acredita ter sido abandonado por Andy, ou melhor, não aceita o rapaz ter crescido) encabeça uma missão de fugir daquela área de risco, contando com o apoio de poucos amigos (menos Buzz, que se transforma em um rival) com a finalidade de retornar para casa. Dá pra imaginar as inúmeras trapalhadas que surgirão...
É diversão garantida para todo o tipo de público. Os filmes da Disney sempre foram inteligentes e fogem do medíocre, portanto embarquem nessa nova aventura de Toy Story!
O diretor Lee Unkrich, do grupo da Disney/Pixar, é veterano na área da animação em computação gráfica, e antes co-dirigiu os sucessos “Procurando Nemo” e “Monstros S.A”. Por Felipe Brida

Título original: Toy Story 3
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Laurie Metcalf, Jodi Benson, John Morris
Direção: Lee Unkrich
Gênero: Animação
Duração: 103 min
Distribuição: Walt Disney

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Resenha

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A vida secreta das abelhas

Por Morgana Deccache *

O drama se passa na Carolina do Sul em 1964. Tempo de segregação racial, preconceitos, lutas, injustiças, dor e conquistas tanto externa como a principal, a conquista interna de cada um com suas histórias de vida que se entrelaçam no decorrer do filme.
Embora aborde um tema forte, pesado como o racismo e todas as dores que isso causa, a história nos é contada de forma suave e séria, com frases lançadas por alguns dos personagens que nos remete a uma introspecção pessoal sobre nossos preconceitos, conceitos sobre familia, liberdade, sonho e sentido do amor ou do se amar.
As abelhas usadas como pano de fundo nos leva a refletir sobre nossos segredos, sentimentos e a doçura que cada um pode extrair em seu espaço existencial nessa vida.
Recomendo assistir pelo menos duas vezes para que os diálogos não se percam em meio a outros momentos que cada um, de forma pessoal, poderá provar com sabor único do mel que era produzido na magnetizante criação de abelhas das irmãs Boatwright.
Adaptação do romance "The Secret Life of Bees", de Sue Monk Kidd. Bom filme e ótima reflexão!

Informações técnicas:

Título Original: The secret life of bees
Ano: 2008
Direção: Gina Prince-Bythewood
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 114 minutos

(*) Morgana Deccache é jornalista, professora universitária no campo de Comunicação e palestrante com formação nas áreas de liderança e teatro amador de pantomima. É também locutora e professora de cursos profissionalizantes. Escritora nas horas vagas. Natural do Rio de Janeiro, atualmente reside em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e trabalha como professora em cursos técnicos no Senac Catanduva.

domingo, 14 de novembro de 2010

Cine Lançamento

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[REC] 2 – Possuídos

Preso em quarentena em um edifício após um vírus mortal atacar uma cidade e transformar pessoas em zumbis canibais, um grupo de condôminos, bombeiros e jornalistas espera por socorro. Designados para averiguar a situação, agentes da SWAT invadem o local. É quando se deparam com acontecimentos assustadores.

Continuação sem muita criatividade, mas que ainda provoca tensão e medo, de uma fita espanhola que causou sensação no circuito de cinema independente e rapidamente virou cult, eleito por cinéfilos como um dos 10 filmes mais assustadores da década. Tanto a primeira parte (de 2007, também disponível em DVD, que teve inclusive uma refilmagem norte-americana copiada quadro-a-quadro, “Quarentena”) quanto essa sequência são bons exercícios de terror psicológico, voltado a pessoas que suportam cenas grotescas de sangue e sustos.
A trama começa minutos após o término da história anterior, no mesmo prédio e com alguns personagens sobreviventes. A continuação segue a mesma linha, diferencial também na técnica de filmagem: um cameraman grava tudo, sendo que o público acompanha o ponto de vista dele, com perspectiva em primeiro plano. O recurso não é novo – o terror “A bruxa de Blair” ficou famoso por isto, e recentemente vieram outros com resultado menor, como “Cloverfield – Monstro” e “Diário dos mortos”.
Com a câmera apoiada nos ombros, o cinegrafista expõe momentos de angústia e terror dos personagens aprisionados no prédio, e um a um vira comida de zumbis. É a mesma gritaria coletiva do filme anterior, muitos mortos-vivos, sangue pra todo lado, num espetáculo sensacionalista com teor de cinema trash.
Os produtores rodaram a fita com orçamento modesto, em locações, sem sets de filmagem, e obtiveram bom retorno nas bilheterias – o filme estreou bem nas salas de cinema no bimestre passado.
Quem conhece o primeiro, vale tentar a segunda parte, que não decepciona. Ah, e novas continuações vem por aí... Por Felipe Brida

Título original: [REC] 2
País/Ano: Espanha, 2009
Elenco: Claudia Silva, Ferran Terraza, Jonathan Mellor, Óscar Zafra, Ariel Casas
Direção: Jaume Balagueró/ Paco Plaza
Gênero: Terror
Duração: 85 min
Distribuição: PlayArte

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Morre o produtor de cinema Dino de Laurentiis

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O produtor de cinema Dino de Laurentiis, de origem italiana, morreu ontem em Los Angeles aos 91 anos, de causas naturais. Em mais de cinco décadas dedicadas ao cinema, produziu mais de 300 filmes. Dividiu com Carlo Ponti (seu parceiro em diversos trabalhos) em 1957 o Oscar de melhor filme estrangeiro por “A estrada da vida”.
Foi casado por 40 anos com a atriz italiana Silvana Mangano, até sua morte em 1989, com quem teve quatro filhos (o único homem, Federico De Laurentiis, morreu em um acidente de avião em 1981, aos 26 anos de idade).
Nascido em 8 de agosto de 1919 em Torre Annunziata, Campânia, Itália, começou a produzir filmes em sua terra natal em 1941, após um breve período como ator. Dentre as produções estão “Arroz amargo” (1949), “Europa 51” (1952), “Onde está a liberdade?” (1954), “O ouro de Nápoles” (1954) e “A bela moleira” (1955).
Nos Estados Unidos produziu épicos como “Guerra e paz” (1956), filmes religiosos como “Barrabás” (1961) e “A Bíblia” (1966), ficção científica, como "Barbarella" (1968), "Flash Gordon" (1980) e "Duna" (1984), e terror, como “Olhos de gato” (1985), “A hora do lobisomem” (1985), “Comboio do terror” (1986) e “Uma noite alucinante 3” (1992).
Dentre outros trabalhos estão “A batalha de Anzio” (1968), “Serpico” (1973), “King Kong” (1976), “O ovo da serpente” (1977), “Na época do Ragtime” (1981), “Conan, o bárbaro” (1982), “Conan, o destruidor” (1984), “O ano do dragão” (1985), “Horas de desespero” (1990), “Corpo em evidência” (1993), “Breakdown” (1996), “U-571 – A batalha do Atlântico” (2000), “Hannibal” (2001) e “Dragão vermelho” (2002). Por Felipe Brida

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cine Lançamento

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Esquadrão Classe A

Acusados de roubar uma matriz de dólares falsos em Bagdá, quatro veteranos da Guerra do Iraque são capturados e presos em uma cadeia de segurança máxima. De lá o grupo planeja uma fuga mirabolante. Fora da das grades, o quarteto tem pela frente uma missão crucial: encontrar os verdadeiros ladrões para provar sua inocência.

Na estréia nas salas de cinema, em junho, arrecadou bons milhões de dólares essa versão para cinema do famoso seriado homônimo, que durou cinco temporadas (de 1983 a 1987), e foi exibido nas tarde na Rede Globo, com imenso sucesso. Quanto ao filme, sua bilheteria atingiu, somente no final de semana, U$ 26 milhões, ficando atrás apenas de “Karatê Kid”.
Como entretenimento, mais indicado ao público masculino, a produção faz jus ao porquê veio ao mundo. Quem procura por adrenalina incessante, é um prato cheio, bem mais ágil do que os episódios da série (são novos tempos, novas propostas).
O ritmo ágil já começa desde a abertura do filme, que, por sinal, segue o estilo da produção de TV – mesma trilha sonora e apresentação dos personagens com pequenas legendas para identificação deles. O início é um pouco confuso, com vários acontecimentos que não sabemos ao certo aonde vão cair. Da metade para frente, a partir da prisão do quarteto, a história se alinha, juntamente com um espetáculo pirotécnico de efeitos visuais e muito barulho, explosões, tiroteios, pancadaria e fugas alucinantes.
Toca levemente em assuntos sérios, como a corrupção na CIA e no Exército, porém isto é apenas um rápido complemento, já que a trama não se interessa em levantar polêmicas. É um filme de ação frenética, bem feito, com muitos absurdos criativos a la James Bond e ponto final.
Traz novo elenco, dentre eles Liam Neeson, no papel do coronel Hannibal, sério e durão, bem diferente do personagem original, feito pelo falecido George Peppard. Os outros três companheiros dele, todos com a tradicional tatuagem da força especial no braço, são Baracus (quem não se lembra do fortão BA?), capitão Murdock e tenente Faceman, cada um com suas táticas de guerra. Falando em elenco, o ator que faz o novo BA, Quinton Jackson (na vida real um campeão de luta na categoria meio-pesado), é novato e infelizmente não é divertido como Mr. T, do original.
Ah, e o contexto histórico é outro; no seriado eles sobreviveram à Guerra do Vietnã, e aqui lutaram no Iraque.
O diretor, Joe Carnahan, é mão pesada, especialista em ação, e assinou outros dois bons filmes do gênero, “Narc” (2002) e “A última cartada” (2006). Partidários da classe masculina, arrisquem a locação. Por Felipe Brida

Título original: The A-Team
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Liam Neeson, Bradley Cooper, Jessica Biel, Quinton Jackson, Sharlto Copley, Patrick Wilson, Henry Czerny
Direção: Joe Carnahan
Gênero: Ação
Duração: 117 min
Distribuição: Universal Pictures
Site oficial: http://www.ateam-movie.com/

sábado, 6 de novembro de 2010

Morre a atriz Jill Clayburgh

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Duas vezes indicada ao Oscar - melhor atriz por "Uma mulher descasada", em 1979 (ganhou em Cannes na mesma categoria), e "Encontros e desencontros, em 1980 -, Jill Clayburgh morreu ontem aos 66 anos, em Lakeville, Connecticut. Ela sofria de leucemia crônica há 20 anos. Teve um romance com Al Pacino, com quem viveu por cinco anos, até se casar com o dramaturgo David Rabe.
Nascida em 30 de abril de 1944 em Nova York City, estudou teatro e iniciou a carreira nos palcos, atuando em diversas peças na Broadway. Apareceu em pequenos papéis em seriados de TV no final da década de 60, e foi descoberta por Brian de Palma no filme independente "Festa de casamento" (1969), ao lado do até então ator estreante Robert De Niro.
No cinema trabalhou em 40 filmes, dentre eles "O ladrão que veio jantar" (1973), "O homem terminal" (1974), "O expresso de Chicago" (1976), "A disputa dos sexos" (1977), "La luna" (1979 - indicada ao Globo de Ouro), "Esta é minha chance" (1980), "Um juiz muito louco" (1981 - indicada ao Globo de Ouro), "Onde estão minhas crianças?" (1986), "Gente diferente" (1987), "Gemidos do prazer" (1992) e "Nu em Nova York" (1993). A partir daí, com o avanço da doença, distanciou-se da carreira artística, aparecendo esporadicamente em produções menores.
Seus últimos trabalhos são "Correndo com tesouras" (2006) e o inédito "Love and other drugs" (2010).
Deixa o esposo e dois filhos, um deles a também atriz Lily Rabe. Por Felipe Brida

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cine Lançamento

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Marmaduke

Marmaduke é um dogue alemão bagunceiro, criado por uma família moderna, os Winslow. Quando se mudam para Orange County, na Califórnia, o cachorro apaixona-se por Jezebel, uma charmosa cadela da raça afghan. Junto dela acaba enfrentando uma série de perigos, dentre eles uma quadrilha de cães malvados.

Baseado nas tirinhas de Brad Anderson e Phil Leeming, cujas histórias em quadrinhos em PB são produzidas até hoje (desde 1954), e praticamente desconhecidas no Brasil, “Marmaduke” é uma adaptação típica para crianças. Por ser bem infantil, com animais que falam e se envolvem em confusões, no estilo de “Beethoven – O magnífico”, só mesmo o público infantil terá espírito (e paciência) para assistir.
Owen Wilson empresta a voz para o personagem do cão Marmaduke e a cantora Fergie, vocalista da banda Black Eyed Peas, dubla Jezebel. Além deles, outros artistas participam na dublagem em papéis menores, como Sam Elliot, Kiefer Sutherland e os irmãos Wayans.
Com aquele roteiro rasteiro, trama previsível e efeitos visuais até que decentes, a fantasia mescla animação em computação gráfica e atores em cena num show de trapalhadas entre cães, gatos, seres humanos e carros conversíveis. Para os adultos poderá ser uma experiência insuportável, porém as crianças darão boas gargalhadas.
O diretor Tom Dey é o mesmo das comédias “Bater ou correr” (2000) e “Showtime” (2002), ou seja, só roda passatempos fraquinhos. Por Felipe Brida

Título original: Marmaduke
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Owen Wilson (voz), Fergie (voz), Emma Stone (voz), Sam Elliot (voz), Kiefer Sutherland (voz), irmãos Wayans (vozes), William H. Macy
Direção: Tom Dey
Gênero: Comédia
Duração: 87 min
Distribuição: Fox Film

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cine Lançamento

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A hora do pesadelo

Freddy Krueger (Jackie Earle Haley), um assassino em série desfigurado por causa de um incêndio, invade os sonhos de um grupo de jovens, eliminando um a um de forma brutal.

Refilmagem desnecessária de um clássico do cinema de terror que criou escola e influenciou o gênero. O sinistro assassino Freddie Krueger fez tanto sucesso que do primeiro filme, lançado em 1984, surgiu uma franquia bastante popular: rendeu sete continuações e um seriado nos anos 90, além de bonecos de resina, álbuns de figurinha etc
Não há motivos para um remake, já que o original não é tão antigo e já era bom de nascença, graças a um diretor competente, Wes Craven. O que temos agora é uma fitinha ruim, descartável, com uma história que os fãs da cinessérie conhecem bem, sem trazer um pingo de novidade.
Jackie Earle Haley, um ator já feio por natureza (indicado ao Oscar de coadjuvante como um suspeito de pedofilia em “Pecados íntimos”), substitui Robert Englund, trazendo menos humor negro como o público estava habituado a ver. Conhecemos o Krueger sádico, que faz dos assassinatos um jogo de crueldade, brinca com as vítimas, e nesta nova composição o matador aparece pouco, mais sério, calado e com os mesmos apetrechos, dentre eles a luva de lâminas, marca característica do vilão.
Na época dos comentários de bastidores sobre a refilmagem, não sabia o que esperar. Agora, com o lançamento em DVD, confirma-se o resultado de “A hora do pesadelo” pela velha teoria sobre os remakes: uma furada lascada. Atualmente, no cinema, é cada vez mais impossível refazer um trabalho com a qualidade do anterior, ou mesmo rodar uma continuação digna. Em termos financeiros, é mais fácil a indústria cinematográfica reciclar a fórmula apenas para atender os anseios das novas gerações que freqüentam as salas de exibição. É assim que matam a tal da criatividade, hoje palavra desconhecida em Hollywood.
Quem cometeu a tragédia no novo Freddie foi um diretor estreante, Samuel Bayer, especialista em rodar videoclipes de bandas famosas (por isso o filme tem cenas que carregam um jeitão de clipe, como na sequência do incêndio).
Assim como eu, os que conhecem de cabo a rabo todos os outros filmes anteriores, sentirão um vazio profundo. Por isso, dê preferência ao original de 1984, lançado em DVD há um bom tempo. E bons sonhos! Por Felipe Brida

Título original: A nightmare on Elm Street
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Jackie Earle Haley, Kyle Gallner, Rooney Mara, Thomas Dekker, Clancy Brown,
Direção: Samuel Bayer
Gênero: Terror
Duração: 95 min
Distribuição: Warner Bros
Site oficial: http://www.nightmareonelmstreet.com/dvd/

domingo, 31 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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As melhores coisas do mundo

O garoto Mano (Francisco Miguez), de 15 anos, vive uma tensão dentro e fora de casa. Enquanto faz de tudo para conquistar uma menina do colégio, bastante cobiçada, vê o casamento dos pais cair por terra, o que afeta inclusive o irmão mais velho, Pedro (Fiuk). Nesse ínterim, o pai faz uma confissão que destrói as poucas forças que existem dentro do jovem. Contando com o apoio dos poucos amigos, Mano terá de lidar com essas e outras situações comuns da vida.

Um dos bons filmes nacionais de 2010, essa comédia dramática super próxima do público devido aos temas retratados tem como protagonista um jovem de 15 anos (interpretado por um ator-revelação convincente e descolado, Francisco Miguez) que, nessa fase crítica da adolescência, descobre as melhores coisas do mundo, pelo ponto de vista dele e dos amigos: a primeira transa, a primeira paixão e tocar violão. Nem só do prazer emocional vive o homem, e com as melhores coisas do mundo aparecem também as piores para Mano: a decepção amorosa, o divórcio dos pais e, em especial, a revelação do pai, que assume ser gay e estar morando com um ex-aluno. É a partir daí que Mano pira geral, quando passa a ser mal visto no colégio. Assim, o jovem terá de aprender as duras lições da vida, e com maturidade enfrentar os desafios que o mundo propõe. Mano, Mano, as barreiras assumem papel fundamental na formação do indivíduo como ser social.
O tema aparenta ser forte, mas o lado dramático da história anda lado-a-lado com a comédia, o que suaviza o sufoco que o roteiro supõe.
Ah, e não é o filme do Fiuk como andaram falando por aí. É o filme do Miguez! Fiuk está bem, tem aparição marcante, mas é papel secundário. Quem rouba a atenção e brilha em cada momento é Miguez, um achado no cinema! Mano transmite sinceridade, sentimentos humanos, nos faz rir e ficar emocionados. Que talento nato! Grande revelação do ano, e tomara que o jovem ator seja aproveitado na carreira que se inicia.
Conta ainda com as participações de Denise Fraga (como a mãe amargurada), Zé Carlos Machado (o pai), Caio Blat (o professor que chacoalha o coração das alunas) e Paulo Vilhena (o professor de violão).
Não deixem de ver esse novo trabalho de Laís Bodanzky, cineasta importante nos dias de hoje, em seu melhor filme. Por Felipe Brida

Título original: As melhores coisas do mundo
País/Ano: Brasil, 2010
Elenco: Francisco Miguez, Fiuk, Denise Fraga, Zé Carlos Machado, Gabriela Rocha, Caio Blat, Paulo Vilhena
Direção: Laís Bodanzky
Gênero: Drama/ Comédia
Duração: 100 min
Distribuição: Warner Bros

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Como treinar o seu dragão

Na ilha de Berk, o pequeno Hiccup se inscreve em um programa de treinamento para lutar contra dragões, prática comum dos habitantes do local. Torna-se amigo de um dragão filhote e adota-o como bicho de estimação. Enquanto tenta demonstrar ao seu povoado que os dragões não são perigosos como aparentam, uma nova batalha está prestes a ser travada na ilha entre os seres humanos e as criaturas.

Nova animação da Dreamworks e uma das melhores do ano. Por semanas liderou bilheteria nas salas de cinema tanto nos EUA quanto no Brasil, atingindo público recorde na estréia. E ainda saiu em duas versões: a comum e a em 3D.
Muito bem produzido, com efeitos visuais deslumbrantes, “Como treinar o seu dragão” tem dose certa pra agradar crianças e adultos: é divertido, ágil, com diálogos inteligentes e muitas referências sobre filmes e games.
Em um mundo dominado por vikings e dragões, um garotinho sábio se dá bem ao descobrir que aquelas enormes criaturas temidas pelos humanos não passam de animais adoráveis se cuidados com carinho. Os monstrinhos substituem a figura do cão, o fiel amigo do homem, nessa fábula bonita e rica de ensinamentos. É clara a mensagem sobre proteção aos animais, por isso não percam essa agradável produção. Pelos meus cálculos, tem chance ainda de ser indicado ao Oscar de animação em 2011! Por Felipe Brida

Título original: How to train your dragon
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Vozes de Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera
Direção: Dean DeBlois/ Chris Sanders
Gênero: Animação
Duração: 98 min
Distribuição: Paramount Pictures

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

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Educação

Num bairro suburbano de Londres, no início da década de 60, a jovem Jenny Carey (Carey Mulligan), de 16 anos, enfrenta uma série de dilemas. Um deles é suportar a família de ideais superconservadores. Como toda garota, alimenta seus sonhos de menina e não vê a hora de atingir a maioridade. Desafiando pai e mãe, conhece um homem bem mais velho, o charmoso e enigmático David (Peter Sarsgaard). Aceita namorar com ele e, diante do novo amor, tem a chance de conhecer um mundo diferente; juntos passam a desfrutar do glamour da noite londrina e da boa vida. É quando Jenny encontra seu maior dilema: conquistar a tão sonhada liberdade ou voltar para casa a fim de respeitar as pretensões dos pais.

Ambientado na Londres dos anos 60, em uma época de grandes agitações culturais no campo das artes e da política mundiais, “Educação” é um drama bonitinho, bem feitinho e nada mais. O elenco é encabeçado pela ótima Carey Mulligan (indicada ao Oscar de melhor atriz esse ano pelo filme), que interpreta uma jovem sonhadora e super atraente, sufocada pelos ensinamentos tediosos dos pais de mente fechada, que querem que ela estude em Oxford, batendo de frente com os anseios da menina. Nessa fase de descobertas, Jenny se apaixona por um homem maduro, já na casa dos trinta anos, David (Peter Sarsgaard, sempre em composições interessantes, mas com o habitual olhar de catalepsia). É com ele que a jovem encontra o seu eixo, passa a frequentar galerias de arte, participar de festas glamorosas, a amar de verdade. Porém a menina está crescendo e tem dentro dela um turbilhão de indecisões no tocante à vida e à fruição.
Histórias com fundo psicológico desse naipe podem ser encontradas aos montes no cinema atual. A diferença aqui é uma produção fina, com narrativa lenta, de origem inglesa, com quê de arte, muitos diálogos, ou seja, fora dos padrões comerciais. É charmoso, mas não excepcional, e não deve ser encarado como sinônimo de “o melhor do ano”, como o Oscar listou – a de atriz até que é correta, porém são absurdas as indicações nas categorias melhor filme e outra de roteiro adaptado! Não, não...
Teve pouca repercussão no Brasil e, acredito, será pouco visto. Vale lembrar: “Educação” é mais indicado ao público feminino, que terá maior facilidade em se identificar com a personagem Jenny. Por Felipe Brida

Título original: An education
País/Ano: Inglaterra, 2009
Elenco: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Olivia Williams, Alfred Molina, Cara Seymour, Dominic Cooper, Rosamund Pike, Emma Thompson, Sally Hawkins
Direção: Lone Scherfig
Gênero: Drama
Duração: 100 min
Distribuição: Sony Pictures

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Anjo maldito

Em um hospital norte-americano, a paciente Caroline Kuntz (J.J. Neward) acorda depois de semanas internada entre a vida e a morte. Num ataque de fúria, mata várias pessoas do local e foge. Pela cidade espalha uma onda de terror. É quando o policial Carruthers (Ving Rhames) assume a investigação a fim de conter os crimes.

Transposição para o cinema do velho mito de Lilith, numa produção B de mau gosto, abaixo da média, com direito a muito sangue e violência gratuita.
A própria história de Lilith fica apagada, aparecendo apenas em uma citação medíocre (segundo sabedorias hebraicas inscritas na Cabala, e não aceitas pela Igreja Católica, Lilith foi a primeira mulher de Adão, antes mesmo de Eva, e que se transformou em cobra, espalhando o terror no Éden).
Começa com certo ar de policial, daí vira uma fita de terror sobre possessões demoníacas. Longo e arrastado (tem duas horas de duração), traz um elenco pobre – de uns anos para cá Ving Rhames vem aparecendo em cada produção de dar dó, enquanto a atriz J.J. Neward, que interpreta a sedutora vilã Caroline, possuída pelo demônio, é fraca e sem chances.
Inexpressivo, saiu direto em home vídeo. Passe longe. Por Felipe Brida

Título original: Evil angel
País/Ano: EUA, 2009
Elenco: Ving Rhames, J.J. Neward, Ava Gaudet, Richard Dutcher
Direção: Richard Dutcher
Gênero: Terror
Duração: 123 min
Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Pânico na neve

Três jovens ficam presos em um teleférico na pista de ski. Esquecidos no alto de uma montanha congelada, o trio de esquiadores luta para sobreviver em meio à neve e a uma alcatéia de lobos ferozes.

Rodado em apenas uma locação (a montanha coberta pela neve), num ambiente de causar arrepios, “Pânico na neve” é um bom exemplar de suspense psicológico, com inclinações ao gênero horror. E muito dramático também, já que acompanha uma noite interminável, de medo e angústia, na vida de três amigos esquiadores. Presos em uma cabine no teleférico, distante do chão, e quase congelados pela nevasca, eles precisam unir forças para fugir do lugar. Só que, para descer, terão de enfrentar dois inimigos cruéis: o frio cortante e um grupo de lobos famintos.
Bastante tenso, tem cenas fortes (censuradas em outros países) em relação à fúria dos animais e outras muito aflitivas, como a do rosto de um dos personagens sendo “queimado” pelo gelo.
Lembra outra fita independente, o monótono “Mar aberto” (2003), sobre um casal de mergulhadores perdido no mar, espreitado por tubarões.
“Pânico na neve” é um filme regular, que causou auê em festivais de cinema de horror nos Estados Unidos e chegou no Brasil diretamente em DVD, sem muitos comentários. Uma atenção apenas: exige do público um estômago vitaminado. Por Felipe Brida

Título original: Frozen
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Emma Bell, Shawn Ashmore, Kevin Zegers, Ed Ackerman
Direção: Adam Green
Gênero: Suspense/Drama
Duração: 93 min
Distribuição: PlayArte

domingo, 17 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Distúrbios do prazer

Pela internet, a dona de casa Nancy (Maria Bello) marca um encontro amoroso com um matador de aluguel, Louis (Jason Patrick). Ela foge com o desconhecido, deixando apenas uma carta de despedida ao marido, Albert (Rufus Sewell); indignado, sai em busca da esposa. No entanto, a cada dia Nancy se afunda na depressão e na loucura.

Inspirado em fatos reais, “Distúrbios do prazer” é um filme menor, independente, produzido em 2008 cujo maior mérito foi o de concorrer ao Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance daquele ano. Com um elenco interessante composto por três artistas da nova geração (Maria Bello, Rufus Sewell e Jason Patrick), aborda um tema atual e perigoso, sobre encontros amorosos pela internet, colocando em primeiro plano uma personagem difícil, Nancy, uma ninfomaníaca suicida que está com depressão, tem tendência explosiva e fixação pela morte. Numa de suas navegações pelo mundo virtual, apaixona-se por um matador profissional e ambos iniciam um relacionamento conturbado, repleto de dor e culpa. A partir daí algumas reviravoltas acontecem até chegar a um desfecho nada convencional. Dá para perceber que a fita é de um amargor total e, por isso, não atinge o grande público.
É um filme estranho, super pra baixo, um pouco lento para os padrões, indicado apenas aos interessados pelo assunto, ou seja, para público muito específico. Por Felipe Brida

Título original: Downloading Nancy
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: Maria Bello, Rufus Sewell, Jason Patrick, Amy Brenneman, Michael Nyqvist
Direção: Johan Renck
Gênero: Drama
Duração: 97 min
Distribuição: Paramount Pictures

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Zona Verde

Em 2003, as tropas norte-americanas ocupam Bagdá. Um dos grupos liderados pelo subtenente do Exército Roy Miller (Matt Damon) tem a árdua missão de localizar armas de destruição em massa, escondidas no deserto. Porém a rotina desses homens é virada de ponta-cabeça quando descobrem um plano ameaçador envolvendo as tropas do Iraque.

Nova parceria entre o diretor Paul Greengrass e o ator Matt Damon, que fizeram juntos os dois últimos filmes da trilogia Bourne – “A supremacia” e “O ultimato”, em mais um filme sobre a Guerra do Iraque, tema já batido pelo cinema de uns anos para cá. Só tem como diferencial o estilo de filmagem própria desse bom cineasta contemporâneo. Com a câmera na mão, sem uso de gruas ou parafernália de equipamentos, Greengrass capta imagens com trepidações e ainda altera a velocidade da gravação, gerando assim uma sequência de imagens “rápidas”. É a única pitada extra de “Zona Verde”, porque do resto (a história em si) estamos carecas de ler nos jornais e acompanhar nas histórias de bastidores.
Rodado na Espanha e em Marrocos e com roteiro do oscarizado Brian Helgeland, o filme é uma adaptação do livro “Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq's Green Zone”, escrito pelo jornalista Rajiv Chandrasekaran. É cinema-denúncia, com pano de fundo real por trás. É também cinema de ação, com muito barulho de tiros e explosões, e um tema muito discutido na época, polêmico por sinal, que condenava diretamente as ações do presidente Bush quando da invasão no Iraque após a fragilidade do regime ditatorial de Saddam Hussein em 2003, que culminou inclusive com o enforcamento desse líder estadista três anos depois. Todos sabem do fracasso que foi a invasão dos Estados Unidos no Iraque, resultando em nada, apenas em tensão mundial, pois nenhuma arma de alta destruição foi encontrada. E isto o filme aborda com clareza. Resumindo: a maior parte do público já conhece tudo isto.
O título faz menção à tal “Zona Verde”, onde se transcorre as ações do filme, que é uma área diplomática e de segurança (a mais fortificada do país) onde estão as sedes do governo, do parlamento e das embaixadas.
Fracasso de bilheteria, rendendo somente um terço do orçamento total, que foi de U$ 100 milhões, não é uma fita ruim, apenas feita com atraso e sem trazer nenhuma notícia espetacularmente nova. Por Felipe Brida

Título original: Green Zone
País/Ano: EUA/Inglaterra/França/Espanha, 2010
Elenco: Matt Damon, Greg Kinnear, Jason Isaacs, Brendan Gleeson, Amy Ryan, Yigal Naor, Antoni Corone, Raad Rawi
Direção: Paul Greengrass
Gênero: Ação
Duração: 115 min
Distribuição: Universal Pictures
Site oficial: http://www.greenzonemovie.com/

domingo, 10 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Homem de ferro 2

Ainda mais famoso no mundo dos negócios, o bilionário Tony Stark (Robert Downey Jr.), empresário do ramo de armas, enfrenta o mais novo desafio de sua vida: deter o inventor russo Ivan Danko (Mickey Rourke), que planeja construir um exército de super-máquinas de combate.

Continuação inferior, mas que não deixa de ser empolgante, da franquia “Homem de ferro”, que procura repetir a dose do original. Deu certo nas telinhas e foi um megassucesso de público, liderando por semanas as bilheterias em todo o mundo.
Com menos ação e uma história melhor, essa segunda parte demora para começar, focando inicialmente o ego de Tony Stark diante da fama. Ele é um típico narcisista, que adora se exibir em carros luxuosos e ao lado de lindas mulheres. A postura arrogante dele só não afasta os telespectadores pela forma como Robert Downey Jr. pondera o personagem com certo grau de simpatia, humor e algumas atrapalhadas. O ator sempre está à vontade no papel, o que com certeza sustenta o filme.
Stark conta agora com novos super-heróis aliados, infelizmente pouco desenvolvidos na trama, como a Viúva Negra (papel pequeno de Scarlett Johansson, ruiva), para impedir o provável caos que venha a surgir pelas mãos do temível Ivan Danko, mecânico filho de um cientista que, num passado distante, foi colega do pai do Homem de Ferro. Quem interpreta o vilão, que aparece pouco, é Mickey Rourke, em uma composição interessante, com seu rosto deformado de verdade pelas plásticas e botox mal sucedidos, cavanhaque e cabelos compridos, e cicatrizes na face. É um personagem feio, em estilo freak, uma retomada de outro vilão das histórias em quadrinho, Dynamo. Pensando bem, só poderia ter sido encarnado por Rourke, já que seus traços esquisitos coincidem com o de Danko.
São poucas as sequências movimentadas – por isso os que esperavam Tony Stark em ação frenética não aprovaram muito o resultado. A primeira delas é uma das melhores da fita, com a grande aparição do vilão russo, que invade a pista de corridas e, segurando chicotes eletrificados, reparte carros no meio. O desfecho também apresenta uma luta infernal entre máquinas destruidoras e muitos tiros.
Longe de ser a decepção que parte dos fãs apontou, tem pouca ação, e em contrapartida um roteiro mais original. O filme diverte e entretém, ou seja, pode assistir sem medo.
Jon Favreau, que aparece aqui também como ator, dirigiu a primeira parte, e tem projetos legais no currículo, como o divertido “Um duende em Nova York” e o interessante “Zathura – Uma aventura espacial”. Por Felipe Brida

Título original: Iron man 2
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Mickey Rourke, Don Cheadle, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Jon Favreau, Samuel L. Jackson, Garry Shandling
Direção: Jon Favreau
Gênero: Aventura
Duração: 124 min
Distribuição: Paramount Pictures

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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A Riviera não é aqui

Philippe Abrams (Kad Merad) administra uma agência de correios no sul da França, onde leva uma vida estável com a esposa e o filho. Quando a mulher demonstra sinais de depressão, solicita ao chefe transferência para a Riviera Francesa. O pedido é negado, e resta a Abrams aceitar a proposta de ir para Bergues, cidadezinha no Norte, no interior do país. Com as malas prontas, parte para o lugar desconhecido. Um estilo de vida nunca imaginado espera por ele...

Simpática comédia francesa, com momentos bem divertidos, que obteve sucesso na Europa e foi produzida há dois anos, chegando somente agora ao Brasil, direto em DVD. O filme, previsível e com narrativa muito simples, fala sobre sonhos desfeitos, em que o protagonista, ansioso para mudar de ares após a doença da esposa, tem de engolir Bergues, um pequeno lugarejo afastado do oba-oba das metrópoles, um local tipicamente interiorano. Brinca com sotaques do interior, nesse caso os “ch’tis”, criticando de maneira moderada o preconceito das cidades grandes em relação às pequenas, ou melhor, ao modo discriminatório como os cidadãos dos grandes centros enxergam os interioranos (os tais “caipiras”, pra ser mais exato). A questão maior: será que Abrams trocará o certo pelo improvável?
Um charme da fita são as bonitas locações do norte do país, rodada inclusive na verdadeira Bergues, situada na divisa com a Bélgica, que tem quatro mil habitantes e uma infinidade de construções medievais.
Assina a direção um ator de sucesso em seu país, Danny Bonn, que interpreta aqui o carteiro abobalhado. Confira. Por Felipe Brida

Título original: Bienvenue chez les Ch’tis/ Welcome to the Sticks
País/Ano: França, 2008
Elenco: Kad Merad, Danny Boon, Zoé Félix, Anne Marivin
Direção: Danny Boon
Gênero: Comédia
Duração: 106 min
Distribuição: Imagem Filmes

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Cadê os Morgan?

O casal Paul Morgan (Hugh Grant) e Meryl (Sarah Jessica Parker) está em processo de separação. Em Nova York, os dois levam uma vida bem-sucedida no mundo dos negócios. Certa noite saem para jantar como amigos e acabam testemunhando um assassinato. Com medo de represálias, os dois entram para um programa do governo voltado a proteção a testemunhas. Para tanto, mudam de nome e vão morar em uma cidade do interior de Wyoming, na casa de um casal de caçadores. Será que realmente os Morgan estão fora de perigo?

Era de se prever o tremendo fracasso dessa terrível comédia nas bilheterias norte-americanas – não rendeu nem metade do investimento total, que custou cerca de U$ 58 milhões. Muito mal contada, essa é das histórias mais sem graça que encontrei recentemente no cinema. Difícil rir das piadas que se concentram no dia-a-dia atrapalhado de duas pessoas finas que, para se protegerem de bandidos, escondem-se no meio do nada, em um pequeno lugarejo interiorano, onde encontram resistência em se adaptar. Na natureza selvagem, o casal terá de conviver em harmonia bucólica, ao lado de ursos, galinhas e muito mato.
Não precisa ser gênio para saber que os assassinos voltarão a atazaná-los e novas situações se desenrolarão.
Apesar de a capinha informar que o filme é do gênero comédia romântica, não existe comédia nem romance, já que tudo é forçado, e o resultado é um desperdício só de tão banal.
E não é tarefa fácil agüentar dois artistas chatos como protagonista (Hugh Grant, cheio de caretas, falando asneiras e piadinhas toscas, e Sarah Jessica Parker, que por este papel foi indicada ao Framboesa de Ouro – prêmio dado aos piores do ano!).
Um dos bons filmes ruins do ano, que demonstra a falta de cuidado de um diretor que até se deu bem em 2007, quando rodou o agradável “Letra e música”, com High Grant novamente fazendo par romântico com Drew Barrymore. Aconselho nem tentar. Por Felipe Brida

Título original: Did you hear about the Morgans?
País/Ano: EUA, 2009
Elenco: Hugh Grant, Sarah Jessica Parker, Sam Elliott, Mary Steenburgen, Dana Ivey, Wilford Brimley, Natalia Klimas
Direção: Marc Lawrence
Gênero: Comédia
Duração: 103 min
Distribuição: Sony Pictures

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cine Lançamento

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Direito de amar

Na década de 60, o professor de inglês George Falconer (Colin Firth) repentinamente vê-se em um beco sem saída após a trágica morte de seu amante de longa data em um acidente. Dilacerado, entra em depressão e tenta o suicídio. Recorrendo a lembranças, começa a questionar os valores de sua vida.

Estréia do estilista Tom Ford na direção, em um projeto digno e muito pessoal. Ele, como diretor, investiu dinheiro para rodar o filme, algo raro no cinema hoje. Adaptou a história do livro homônimo do inglês Christopher Isherwood (“A single man”, na tradução literal, “Um homem solteiro”) para fazer esse drama sensível sobre perda e dor, que arrecadou bons elogios da crítica e também do público.
O personagem central é um professor da Califórnia, interpretado por Colin Firth (em um papel humano, que lhe rendeu indicação ao Oscar de ator esse ano), que, ao ser informado da morte do namorado, em um acidente de carro na neve, desiste de viver. Dominado por uma tristeza profunda, ele não consegue lidar com a dor que diariamente, e de forma voraz, consome suas entranhas.
O filme se passa em 1962 e acompanha um dia na vida desse homem solitário de meia idade, que, devastado, recorre ao passado para a tentativa de um recomeço. Nessas 24 horas ele flerta com um aluno, conhece um garoto de programa atencioso e aproxima-se de uma amiga inglesa que pode auxiliá-lo com conselhos (Julianne Moore, cujo papel, curto, mas marcante, deu a ela indicação ao Globo de Ouro). Mas tudo é em vão, já que para Falconer nada substitui a presença física do amante com quem morou junto por 16 anos.
Propositalmente envelhecido, Colin Firth é brilhante. Contém-se a falar pouco, faz da expressão facial saltar a emoção pretendida. Um papel humano, muito digno, um trabalho excepcional desse ator inglês que se supera a cada novo projeto.
Rodado em apenas 20 dias, é um tanto quanto pesado pela forma como faz o público se aproximar do personagem, fazendo-o sentir o drama pessoal do professor. O final é triste, pra baixo, mas não tira a delicadeza e a coerência desse bom filme, lançado no Brasil com um horrível título em português, de novela da Globo. Assista, porém preparado! Por Felipe Brida

Título original: A single man
País/Ano: EUA, 2009
Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode
Direção: Tom Ford
Gênero: Drama
Duração: 99 min
Distribuição: Paris Filmes