sexta-feira, 31 de maio de 2019

Resenha Especial



O longo caminho para casa

Documentário que expõe a difícil situação dos judeus após a Segunda Guerra Mundial, quando tiveram de se adaptar em outros países até a criação do Estado de Israel pela ONU em 1948.

Merecidamente foi o documentário vencedor do Oscar em 1998, indicado também ao Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, que reconstrói a saga dos judeus no fim da Segunda Guerra quando mais de seis milhões deles foram mortos no Holocausto. Traz cenas fortes, por vezes chocantes, do genocídio cometido pelos nazistas dentro dos campos de concentração, discutindo paralelamente como o povo judeu foi forçado a se adaptar na Europa a partir de 1945, já que eram pessoas refugiadas, sem moradia, sem família e sem identidade.
Houve uma pesquisa meticulosa para a elaboração do impactante roteiro do filme, narrado por Morgan Freeman, que reúne vozes de atores judeus importantes como Martin Landau, Sean Astin, Michael York e Helen Slater, além de trechos de áudios das próprias vítimas dos horrores da guerra, resgatados nos escombros dos campos de concentração. Uma história indigesta, amarga, triste, que deve ser sempre lembrada para que ela nunca mais seja repetida.


Três anos depois o diretor e roteirista Mark Jonathan Harris voltaria a ganhar outro Oscar por um documentário de tema próximo, intitulado “Nos braços de estranhos” (2000), que falava de crianças judias contrabandeadas durante a Ocupação Nazista na Alemanha.
A cópia que assisti em DVD, muito boa, é da Focus Filmes, porém saiu anos antes pela Versátil com outro título, “O longo caminho para casa”.

O longo caminho para casa (The long way home). EUA, 1997, 119 min. Documentário. Preto-e-branco/Colorido. Dirigido por Mark Jonathan Harris. Distribuição: Focus Filmes

terça-feira, 28 de maio de 2019

Resenhas Especiais


Sessão Documentários

Confira abaixo resenha de dois ótimos documentários para quem curte o gênero!


Steve Jobs: O homem e a máquina

Documentário sobre a vida e a extensa carreira do CEO da Apple Steve Jobs, da juventude à ascensão no ramo da tecnologia até seu falecimento prematuro em 2011, aos 56 anos,

Nascido em São Francisco, Steve Paul Jobs (1955-2011) tornou-se o principal magnata das comunicações nas décadas de 90 e 2000. Seu nome marcou gerações e continua presente no dia a dia de centenas de milhões de pessoas. De gênio difícil, revolucionou o mercado de telefonia, celulares e computadores num nível impossível de ser mensurado. Pois bem, a biografia de Jobs apareceu em três filmes lançados na mesma época: primeiro veio o irregular e entediante “Jobs”, de 2013, com Ashton Kutcher fraquinho no papel do protagonista; dois anos depois saiu o excelente drama “Steve Jobs”, de 2015, dirigido por Danny Boyle, com duas indicações ao Oscar (uma delas para o ator Michael Fassbender, numa composição assustadoramente perfeita) e no mesmo ano este documentário pouco lembrado, mas bem satisfatório, que revira os arquivos pessoais da família com novidades sobre sua vida e trajetória.
Somos apresentados a um homem de muitas facetas, um entusiasta e sonhador com seu lado inventor nato que logo se tornaria o maior empresário da Informática norte-americana, que ajudou a reconfigurar a tecnologia entre os anos 70 e 2000. Jobs colecionou um punhado de ações empreendedoras: foi um dos fundadores da Apple, tornou possível os computadores para uso pessoal, ampliou o acesso ao sistema de celulares e tablets, reformulou o Macintosh e criou o Iphone. Até botou o dedo mágico no ramo do cinema (Jobs dirigiu por um tempo a Pixar e virou um dos maiores acionistas individuais da Disney). Toca também sem pestanejar no outro lado dele, mais sombrio, o do empresário destemido, calculista e genioso, difícil de lidar, de espírito crítico e de poucos amigos, o que o tornou cada vez mais solitário. Tudo isto está detalhado com precisão nesse documentário criativo da CNN Filmes, distribuído pela Universal no Brasil.
Ganhador do Oscar pelo documentário “Um táxi para a escuridão” (2007) e indicado ao Oscar por “Enron: Os mais espertos da sala” (2005), Alex Gibney escreveu, dirigiu e narrou o filme – é dele também o doc comentadíssimo sobre a Cientologia, “Going clear: Scientology & the prison of belief” (2015), vencedor de três prêmios Emmy.

Steve Jobs: O homem e a máquina (Steve Jobs: The man in the machine). EUA, 2015, 128 min. Documentário. Preto-e-branco/Colorido. Dirigido por Alex Gibney. Distribuição: Universal Pictures


Rocha que voa

Documentário sobre o exílio do cineasta brasileiro Glauber Rocha (1939-1981) em Cuba, entre 1971 e 1972.

Neste ensaio em forma de documentário, um retrato íntimo e pessoal sobre o turbulento período de exílio do diretor e roteirista Glauber Rocha em Havana, que tece também uma crítica ferrenha à Ditadura na América Latina nos anos 70. Com coerência, lucidez e comentários políticos, este pequeno grande filme dirigido pelo filho de Glauber, Eryk Rocha, traça um paralelo entre o movimento Cinema Novo no Brasil e o Cinema Revolucionário Cubano, reforçando o papel dos intelectuais na formação da opinião pública num momento de censura e medo.
Reúne depoimentos de diretores cubanos que trabalharam com Rocha, como os falecidos Fernando Birri, Julio García Espinosa e o mais notório de todos, Tomás Gutiérrez Alea, além de entrevistas com atores e do próprio povo. Intercalam-se sequências de filmes e desenhos do cineasta brasileiro, além de áudios seus considerados perdidos na época em que viveu isolado na ilha da América Central.
Realizado pelo ICAIC, o Instituto de Cinema de Cuba, em parceria com produtoras brasileiras, o doc ganhou o prêmio de melhor filme no “É tudo Verdade”, um prêmio especial no Festival de Havana e concorreu ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2003. Recomendo este trabalho autoral importantíssimo para desvendarmos a alma inquieta do revolucionário diretor brasileiro e ícone do Cinema Novo, mentor de obras máximas da época como “Deus e o diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” (1969), falecido precocemente em 1981 aos 42 anos. E é sem dúvida uma honrosa homenagem de filho para pai – foi o primeiro trabalho de Eryk Rocha, hoje um documentarista de peso (é dele outro filme de tema semelhante, o premiado “Cinema Novo”, de 2016, ganhador do Golden Eye no Festival de Cannes).

Rocha que voa (Idem). Brasil/Cuba, 2002, 94 min. Documentário. Preto-e-branco/Colorido. Dirigido por Eryk Rocha. Distribuição: Europa Filmes

Nota do Blogueiro


Catálogo do 45o. Festival Sesc Melhores Filmes com meu voto da crítica. Concordam com o que escolhi?




domingo, 26 de maio de 2019

Resenha Especial


O tempo não apaga

* Reedição (o DVD acaba de ser relançado no Brasil pela Classicline)

Três amigos de infância, Martha, Walter e Sam, guardam um segredo assustador. Duas décadas se passam, e Martha (Barbara Stanwyck) está casada com Walter (Kirk Douglas); ela é uma industrial bem-sucedida e gananciosa, enquanto ele trabalha como promotor de justiça, de comportamento suspeito e muito ambicioso. A rotina dos dois muda quando o velho amigo Sam (Van Heflin) surge de forma inesperada na cidade, passando a ameaçar o casal para se “vingar” do crime cometido pelos três no passado.

Um autêntico filme noir norte-americano em plena época em que Hollywood produzia filmes desse subgênero ‘importado’ da França. Indicado ao Oscar de melhor roteiro original em 1947, “O tempo não apaga” fala do sentimento da culpa, da consciência suja, tudo porque o trio da história guarda um terrível segredo a sete chaves – eles, pequenos, cometeram um assassinato brutal (logo na abertura exibe-se a referida ideia). O tempo passa, e cada um deles, já na idade adulta, tem suas vidas mesquinhas: Barbara Stanwyck é a mulher fatal, uma industrial com fama e poder; Kirk Douglas, o marido, promotor de justiça com ar perigoso; e Van Heflin, o tormento na vida do casal, um homem chantageador disposto a tudo, inclusive a revelar à sociedade o segredo que os une.


Como sempre nos filmes noir, e aqui não é diferente, há intriga, chantagem e reviravolta em torno dos personagens, todos de moral comprometida e de má índole – não há ‘mocinhos’ na trama, tampouco pessoas éticas. E outros elementos de estilo noir estão presentes, como o final não-feliz, a tortura psicológica, a tentativa de redenção etc.
Produzido em PB, acaba sendo um dos trabalhos importantíssimos e menos conhecidos do diretor Lewis Milestone, duas vezes vencedor do Oscar – por “Dois cavaleiros árabes” (1927) e “Nada de novo no front” (1930), um cineasta que teve papel fundamental para a solidificação do cinema norte-americano durante a década de 30, cuja carreira durou até a metade dos anos 60.
Milestone escolheu bem o elenco: Barbara, uma das mulheres fatais do cinema noir, Kirk Douglas, aqui estreante, e Van Heflin, um de meus atores preferidos, além da participação menor da grande atriz Judith Anderson (como a mãe rude de Martha Ivers) e a coadjuvante Lizabeth Scott (a namorada de Sam).
Com título dramático demais – a tradução do original seria “O estranho amor de Martha Ivers”, que soa ambíguo e bem esquisito, o filme acaba de ser relançado em DVD pela Classicline - havia saído pela primeira vez em 2011 na coleção ‘Clássicos’ pela Paramount Pictures. Para quem tem curiosidade em conhecer o noir, este é um exemplo dos bons.

O tempo não apaga (The strange love of Martha Ivers). EUA, 1946, 116 min. Drama. Preto-e-branco. Dirigido por Lewis Milestone. Distribuição: Classicline

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Cine Lançamento


Como treinar o seu dragão 3

Soluço (voz de Jay Baruchel) cresceu, decidido em manter a pacificidade entre homens e dragões na Ilha de Berk. Sua nova missão é soltar os dragões ainda aprisionados pelos vikings, procurando por eles em outras terras, o que desperta a atenção do mal-intencionado Grimmel (F. Murray Abraham). Para capturar Soluço, Banguela e seu grupo, Grimmel usa um dragão fêmea, chamada Fúria da Luz, desencadeando uma nova guerra em Berk.

Último filme da trilogia “Como treinar o seu dragão”, este capítulo três rendeu a maior bilheteria da franquia se contabilizado os festivais que antecederam a estreia no Brasil e nos Estados Unidos, no início deste ano. Encerrou com chave de ouro uma cinessérie sólida, de sucesso entre a garotada e até entre o público adulto – os três juntos, nesses nove anos, arrecadaram U$ 1,3 bilhões nas salas de cinema, um estrondo inigualável!
Com menos ação e mais romance e ternura, pode ser analisado como uma fábula sensata sobre amadurecimento, coragem, amizade, perdas e o primeiro amor, envolvendo os personagens consagrados da franquia: Soluço, Banguela, Astrid, Melequento, Perna-de-peixe e a estreia neste exemplar, a Fúria da Luz. Preciso confessar que de todos é o capítulo que menos se encaixa no meu gosto; esperava momentos mais intensos de ação, como nos anteriores, e aqui o romance é muito melosinho para uma animação para crianças, além de repetições de elementos dos filmes um e dois – melhora da metade para o final, chama atenção pela radicalização de cores impressionantes e é incontestável o visual, de tirar o chapéu. É um trabalho bom de animação, mas inferior da franquia. 


Ainda tem chances de ser indicado ao Oscar de 2020, pois estreou em janeiro passado (o que deverá ocorrer, já que os dois foram). Os méritos vão para o criador Dean DeBlois, canadense que ganhou respeito no mundo da animação desde quando trabalhava na Disney, em “Lilo & Stitch” (perceba que Stitch é um animal alienígena, mistura de cão e dragão, que indica a preferência do cineasta por criaturas assim). Ele trouxe o elenco de volta, com nomes de peso emprestando suas vozes, como Jay Baruchel, Cate Blanchett, Jonah Hill, Gerard Butler e Kristen Wiig, e o roteiro segue a mesma tradição, baseado na série de livros infanto-juvenis de Cressida Cowell (as obras já venderam oito milhões de cópias no mundo todo, um sucesso desde o lançamento no Reino Unido em 2003).
“Como treinar o seu dragão 3” chegou ontem em DVD e Bluray, num disco recheado de extras – o Bluray, por exemplo, traz dois curtas-metragens de animação da Dreamworks, abertura alternativa, cenas excluídas, especiais e comentários.

Como treinar o seu dragão 3 (How to train your dragon: The hidden world). EUA/Japão, 2019, 104 min. Animação. Colorido. Dirigido por Dean DeBlois. Distribuição: Universal Pictures/Dreamworks


E com o lançamento de "Como treinar o seu dragão 3" em DVD e Bluray, leia resenha especial de "Como treinar o seu dragão 2", outro sucesso da franquia.

Como treinar o seu dragão 2

Dragões e humanos começam a conviver em paz na Ilha de Berk, graças ao empenho do garoto viking Soluço (voz de Jay Baruchel). Num dia comum, passeando com seu dragão de estimação Banguela, descobre uma caverna onde habita uma enorme geração de lendários dragões, protegidos por Valka (voz de Cate Blanchett), mãe de Soluço, que foi afastada dele quando era bem pequeno. Soluço e os vikings adultos precisarão preservar a caverna de um ataque planejado pelo malvado Drago Bludvist (voz Djimon Hounson), que quer roubar as criaturas para utilizá-las para o mal.

Uma animação grandiosa e emocionante que ganhou o Globo de Ouro de melhor animação desbancando o favorito do ano, “Operação Big Hero”, da Disney, e em seguida recebeu indicação ao Oscar na mesma categoria. Vale a pena cada momento do filme, superior ao primeiro “Como treinar o seu dragão” (de 2010 – também indicado ao Oscar, na verdade dois, de melhor animação e trilha sonora). Romântico, espirituoso, com um visual lindíssimo em computação gráfica com destaque para a ilha de dragões, parte exatamente de onde terminou o outro, com o garoto Soluço apaziguando o clima de terror entre humanos e as criaturas voadoras. Neste capítulo, que teve boa repercussão de bilheteria, há mais elementos do cinema de aventura, como lutas, além de reviravoltas e uma mensagem cheia de significados honestos sobre amizade, proteção aos animais e como tornar o mundo melhor.


O acerto se dá pela manutenção do diretor, Dean DeBlois, pela mesma equipe técnica e de roteiristas da Dreamworks, e claro o elenco de nomes pop, como Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, Jonah Hill, T.J. Miller e Kristen Wiig. Para crianças, jovens e adultos não perderem de vista!
Com o sucesso dos dois primeiros filmes (baseados nos livros infanto-juvenis de Cressida Cowell), o Netflix produziu várias séries complementares, como “Dragões: Corrida até o limite” e “Como treinar o seu dragão: Legends”, que continuam bem assistidos pelo público e ajudam na compreensão de detalhes da trama.

Como treinar o seu dragão 2 (How to train your dragon 2). EUA, 2014, 102 min. Animação. Dirigido por Dean DeBlois. Distribuição: 20th Century Fox/ Dreamworks

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Cine Lançamento


Lançamento da semana em DVD e Bluray pela Universal Pictures! 

Máquinas mortais

Num futuro incerto, a civilização foi destruída com a Guerra dos 60 Minutos. Poucos sobreviventes espalhados em algumas regiões do planeta organizaram-se em bandos para dar início a um novo mundo, dominado por cidades que se movem sobre enormes rodas. Nesse ambiente de caos e desolação, Hester Shaw (Hera Hilmar) é uma heroína disposta a tudo para impedir os terríveis planos de um perigoso inimigo, Thaddeus (Hugo Weaving), comandante da cidade predadora de Londres.

O aplaudido cineasta neozelandês Peter Jackson é o produtor desta fita de aventura longa, que conta com um visual pesado de um mundo apocalíptico tomado por desertos e grandes máquinas em movimento, e que dividiu bem a opinião do público. Jackson trouxe sua equipe de roteiristas das trilogias “O senhor dos anéis” e “O Hobbit” (Fran Walsh e Philippa Boyens) e juntos adaptaram a estranha história do primeiro capítulo de uma série de livros de mesmo título, de Philip Reeve, lançado em 2001 (disponível no Brasil pela Harper Collins) – no total são quatro volumes, que poderão ganhar versões para o cinema em breve.
Na abertura o narrador informa que o mundo acabou nas mãos da humanidade numa guerra devastadora que durou 60 minutos. Os sobreviventes fizeram assentamentos para uma nova era da evolução humana, numa terra condenada. Inaugurava-se a “Era das Grandes Cidades Predadoras do Oeste”, onde as cidades se movem sobre rodas, e quem as comanda busca comida, combustível e outros recursos. Enquanto os fortes permanecem poderosos, os marginalizados pensam em saídas para ter espaço nesse mundo caótico, e é onde surge a personagem principal, uma heroína com um lenço vermelho no rosto para esconder uma cicatriz. Ela se rebela contra uma conspiração levantada pelo personagem de Hugo Weaving, o comandante de Londres, cidade predadora que engole sem dó as cidades menores. E para derrotar o inimigo ela trava uma batalha ao lado de outros jovens com o mesmo ideal.


O ritmo de ação não dá tréguas, é ataque e explosão por terra e pelos ares, perseguições sem fim, muito barulho e momentos bizarros (por exemplo, as Cidades-Tração, aquelas que se movem, que literalmente devoram as cidades pequenas puxando-as com ganchos para dentro delas).
Meu problema é com a estética exagerada do filme, por ser algo sujo, brega e delirante demais, que chega a enjoar - em partes o visual e algumas sequências lembram “Mad Max: Estrada da fúria” e “O castelo animado” (a animação japonesa do castelo que anda). Por ter Peter Jackson nos créditos esperava-se um equilíbrio e incrementos brilhantes, o que não ocorre... é apenas uma fita de aventura com ficção científica para consumo imediato, nada memorável ou especial. Assiste-se num estalo de dedos e pronto!
Rodado na Nova Zelândia, em locações e estúdios, custou U$ 120 milhões e amargou feio nas bilheterias, tendo um prejuízo estrondoso – até agora é o filme de menor rentabilidade de 2018.
Quem dirige é Christian Rivers, em sua estreia na direção. Especializado em efeitos visuais, é pupilo de Peter Jackson, ganhou um Oscar (de efeitos por um filme do diretor, “King Kong”) e trabalha com seu mestre desde o terror trash “Fome animal” (1992).

Máquinas mortais (Mortal engines). EUA/Nova Zelândia, 2018, 128 min. Ação. Colorido. Dirigido por Christian Rivers. Distribuição: Universal Pictures

Nota do Blogueiro


A Panini lançou este mês no Brasil uma ótima HQ de "O espetacular Homem-Aranha", na mesma semana do lançamento do DVD e do Bluray de "Homem-Aranha no Aranhaverso". Trata-se de "A sorte dos Parker", licenciada pela Marvel Comics, num álbum de luxo em capa dura, com 152 páginas. Reúnem-se no volume várias aventuras de Homem-Aranha publicadas em 2014 em "The Amazing Spider-Man", em que o super-herói se encontrará com diversos personagens, como Doutor Octopus, Homem de Ferro, Hulk, Mulher-Aranha, Capitão América, Mary Jane Watson, Electro, Gata Negra e Teia de Seda. Todas as histórias têm roteiro de Dan Slott. Já nas livrarias e nas bancas!



sexta-feira, 17 de maio de 2019

Nota do Blogueiro


A Dreamworks, juntamente com a Universal Pictures, lançou esta semana em DVD e Bluray a animação "Como treinar seu dragão 3", que encerra a premiada trilogia e que foi enorme sucesso nos cinemas este ano. Uma aventura bacana para toda a família! No disco, há extras variados, como abertura alternativa, curtas-metragens da Dreamworks, cenas excluídas, especiais e comentários.
Para comemorar o lançamento do filme, a empresa de jogos Cobag lançou um divertido jogo de tabuleiro para a criançada. Trata-se de uma aventura no reino mágico dos dragões com os principais personagens da franquia, que se movimentam através das peças dispostas nos números do tabuleiro. Na caixa vem um minitabuleiro, duas modalidades de cartas e peças em papelão para movimentar as figuras.
Tanto o DVD e o Bluray quanto o jogo estão disponíveis nas melhores lojas. Obrigado, pessoal da Universal, pelo envio dos itens! :)




quarta-feira, 15 de maio de 2019

Nota do Blogueiro


Cinema de qualidade

A Obras-primas do Cinema lançou recentemente em DVD três boxes especiais no mercado brasileiro, para o delírio dos cinéfilos. A remessa de abril traz os seguintes títulos:  "Trilogia Terror em Amityville", com os três primeiros filmes da assustadora franquia de terror (Terror em Amityville, de 1979; Amityville II - A possessão, de 1982; e Amityville 3: O demônio, de 1983), a caixa "Andrzej Wadja", com quatro filmes cult premiados do cineasta polonês (Cinzas e diamantes, de 1958; Terra prometida, de 1975; O homem de mármore, de 1977; e O homem de ferro, de 1981); e por último a minissérie "Jesus de Nazaré" (1977), de Franco Zeffirelli, em versão integral de seis horas e meia de duração. Todos eles encontram-se em inéditas cópias remasterizadas, com muitos extras e cards colecionáveis, que só a Obras-Primas do Cinema traz para o público. Garanta já o seu!
Obrigado, equipe da OPC, pelo envio dos boxes!








segunda-feira, 13 de maio de 2019

Resenha Especial



O mundo fora do lugar

O fotógrafo aposentado Paul (Matthias Habich), que vive na Alemanha, fica intrigado com uma descoberta na internet: há uma sósia de sua esposa falecida morando nos Estados Unidos. Ela é uma cantora lírica, de nome Caterina Fabiani (Barbara Sukowa). Coincidentemente a filha de Paul, Sophie (Katja Riemann), também canta, mas está desempregada. No dia da descoberta mostra a foto de Caterina para Sophie e insiste para que a filha viaje à América para se encontrar com aquela mulher. Ela resolve ir, e no encontro das duas virão à tona estranhos fatos do passado atrelados a um segredo guardado a sete chaves.

Drama sóbrio repleto de revelações surpreendentes dirigido com maestria por uma das cineastas mais talentosas da Alemanha, Margarethe von Trotta, ex-mulher do premiado diretor Volker Schlöndorff e que trabalhou como atriz no cinema e na TV de seu país. Três anos antes havia dirigido a veterana Barbara Sukowa na excelente biografia da filósofa judia Hannah Arendt (no filme de nome “Hannah Arendt - Ideias que chocaram o mundo”), voltando aqui a trabalhar com essa atriz de forte presença e personalidade. Reúnem-se a ela o polonês Matthias Habich e a alemã Katja Riemann, em seus melhores trabalhos no cinema, para uma história impactante sobre estranhas coincidências da vida em torno dos nossos laços afetivos. Katja interpreta uma mulher desempregada, que faz bicos como cantora em bares noturnos, e certo dia resolve viajar aos Estados Unidos, a pedido do pai, para entender uma inusitada situação envolvendo a mãe falecida e uma sósia dela, que é uma cantora lírica de prestígio. A filha investiga por conta própria o caso descobrindo segredos sobre as origens da sua família, numa jornada difícil e amarga, algo que mudará seus dias para sempre.


O roteiro também é Margarethe von Trotta, que optou por um desfecho simbólico. Exibido nos cinemas brasileiros em 2017, dois anos depois do lançamento na Europa, esta fita de arte alemã íntima e feminina deveria ter recebido maior atenção da crítica e do público. Quem perdeu no cinema, pode assistir em DVD, distribuído pela Mares Filmes.

O mundo fora do lugar (Die abhandene welt). Alemanha, 2015, 100 min. Drama. Colorido. Dirigido por Margarethe von Trotta. Distribuição: Mares Filmes

Resenha Especial



Parceiros de jogo

Jogador número 1 de poker, Gerry (Ben Mendelsohn) enfrenta uma terrível crise pessoal devido às dificuldades financeiras. Tudo poderá mudar quando conhece Curtis (Ryan Reynolds), um jogador mais novo, que o leva a novas partidas de poker pela noite afora. Juntos topam viajar de carro a Nova Orleans, onde haverá um grande campeonato de baralho.

Indicado ao Spirit Award de melhor ator para Ben Mendelsohn (ele está super bem no papel principal, o do jogador afundado em dívidas), este filme desconhecido do grande público participou de festivais independentes nos Estados Unidos e, para mim, foi uma descoberta positiva! Não teve a chance de passar nos cinemas brasileiros, sendo lançado diretamente em home vídeo pela Flashstar – e ainda está no catálogo do Netflix como “Febre do Mississipi”.
É um drama sobre crise de identidade onde o protagonista, um homem viciado em jogos de baralho, precisa urgentemente dar a volta por cima. Endividado, sozinho e desiludido, encontra um parceiro na noite (Ryan Reynolds, um ano antes do sucesso de “Deadpool”) para ganhar dinheiro nas mesas de poker. Sonhando alto, partem para uma viagem rumo a um grande campeonato, atravessando várias cidades até Nova Orleans (da metade ao final vira um road movie, com os personagens cruzando com uma série de pessoas e situações diferentes, e até há momentos de romance). Na estrada ou nos salões de jogos, a fita discute, de forma sucinta e discreta, o vício na jogatina, um mundo cruel onde pessoas fazem altas apostas e em poucas horas podem perder tudo o que ganharam numa vida inteira.


Mendelsohn (um ator de séries da década de 80 e 90, que de uns anos para cá ficou mais famoso) e Reynolds dão veracidade para seus difíceis papéis, num roteiro correto, escrito por uma dupla que também dirigiu o filme, Anna Boden e Ryan Fleck - eles são namorados, ficaram conhecido este ano pela direção de “Capitã Marvel” e fizeram juntos dois bons trabalhos anteriores, “Se enlouquecer não se apaixone” e “Perseguindo um sonho”).
Uma boa pedida para quem gosta de dramas sobre o mundo dos jogos de baralho e das apostas.

Parceiros de jogo (Mississippi Grind). EUA, 2015, 108 min. Drama. Colorido. Dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck. Distribuição: Flashstar

Nota do blogueiro


Ontem faleceu o grande humorista brasileiro Lúcio Mauro, aos 92 anos, e hoje perdemos um ícone da comédia norte-americana, Doris Day (aos 97 anos). RIP



sexta-feira, 10 de maio de 2019

Nota do Blogueiro


"Com as mãos no alto das costas de John, Alice comprimiu o rosto em seu peito e aspirou seu cheiro. Teve vontade de lhe dizer algo mais, de falar do que ele significava para ela, mas não conseguiu encontrar as palavras. John abraçou-a um pouco mais apertado. Ele sabia. Os dois passaram muito tempo parados na cozinha, abraçados um ao outro sem dizer uma palavra".

Trecho do livro "Para sempre Alice", de Lisa Genova, publicado pela primeira vez em 2009 e que acabou de ganhar uma edição comemorativa de 10 anos no Brasil, pela editora Harper Collins do Brasil (2019, 320 páginas, tradução de Vera Ribeiro). Cativante e ao mesmo tempo dramático, conta a história de uma renomada professora universitária, Alice Howland, mãe de três filhos e bem casada, que de repente descobre o Mal de Alzheimer precoce. Abalada com o diagnóstico, recebe total apoio total para superar a triste doença, mesmo sabendo que ela não tem cura. Aos poucos as lembranças de Alice vão embora, ela esquece de coisas corriqueiras, no entanto nunca perde a vontade de viver.
Best seller do The New York Times, o livro originou o bom e dramático filme de mesmo título, que deu a Julianne Moore o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz em 2015.
Já nas livrarias! Obrigado, equipe da Harper Collins, pelo envio do exemplar.



Resenha Especial



Um doce refúgio

O designer gráfico Michel (Bruno Podalydès) sempre foi fascinado por aviões e desde pequeno gostaria de pilotar um. Sem que a esposa saiba, compra um caiaque, que possui aerodinâmica semelhante a uma aeronave, e parte sozinho para uma viagem em busca de um velho sonho.

Uma apaixonante comédia francesa escrita, dirigida e protagonizada por Bruno Podalydès, num papel diferente do que costumamos ver por aí. Ele interpreta um artista gráfico sonhador, que vive aéreo, afundado em pensamentos sobre a vida. Ouve músicas clássicas para fugir da chata realidade, ama tecnologia e é vidrado em aviões. Resolve comprar um caiaque, tira férias sem a esposa desconfiar e segue para uma incrível viagem pelo interior da França, passeando por lindos campos e rios, onde reinventará um avião com muita criatividade e persistência. Os dias que passará afastado do intenso cotidiano mudarão para sempre sua forma de ver o mundo.
Indico para quem curte fitas leves, agradáveis, fáceis de assimilar. O filme é pura poesia, bem-humorado, soa ingênuo com suas alegorias românticas e é muito bucólico (as lindas paisagens campestres do interior da França aguçam nossa vontade de ir para lá).


O ator Bruno Podalydès segue os primeiros passos na direção, sendo um bom exemplo à nova geração de cineastas de seu país. Ele também soube escolher a trilha sonora, com músicas clássicas, como Bach, e outras famosonas norte-americanas, dentre elas duas que gosto demais, “Don't let me be misunderstood” e “Michael row the boat ashore”. E escalou duas atrizes maravilhosas que não passam despercebidas, Sandrine Kiberlain (como a esposa de Michel) e Agnès Jaoui (indicada ao César de atriz coadjuvante por este trabalho). Em DVD pela Mares Filmes.

Um doce refúgio (Comme un avion). França, 2015, 104 min. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Bruno Podalydès. Distribuição: Mares Filmes

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Resenhas Especiais



Guerra Fria

Bandidos mercenários infiltrados na política sequestram um grupo de oficiais da polícia de Hong Kong. Para libertar os reféns, listam uma série de exigências, dentre elas a soltura de um perigoso mentor do crime, que está em uma penitenciária. Para iniciar as negociações entram em jogo dois policiais que não se bicam, Sean Lau (Aaron Kwok) e Waise Lee (Tony Ka Fai Leung).

A China encabeça o ranking das maiores produtoras de filmes do mundo, mas apenas uma pequenina parte chega ao Brasil.  Destaca-se pelos filmes de ação, realizando anualmente uma centena de obras desse gênero, movimentados e com tramas intrigantes. “Guerra fria” (2012) é um bom exemplo, o primeiro de uma trilogia (este capítulo um só está disponível em streaming no Brasil e pode ser assistido no Netflix; a parte II, de 2016, saiu em DVD pela Flashstar, enquanto o capítulo final encontra-se em pré-produção, com previsão de lançamento ainda em 2019 – e todos contam com o mesmo elenco).
Como gênero se encaixa num thriller político, de roteiro complexo, baseado em fatos verídicos e até então confidenciais, de um caso de resgate conhecido por “Cold War”, que ameaçou a Segurança Pública em Hong Kong. Preste muito atenção devido aos muitos diálogos e uma gama de complôs bem esquematizados, envolvendo política interna, polícia e terrorismo. Os astros Aaron Kwok e Tony Ka Fai Leung mandam bem como dois líderes policiais em conflito e na mão deles tudo pode acontecer!
Dois diretores honcongueses escreveram e dirigiram, Lok Man Leung e Kim-Ching Luk, e quatro anos mais tarde voltariam a dirigir “Guerra Fria II”, que é tão bom quanto.

Guerra fria (Hon zin). Hong Kong, 2012, 101 min. Ação. Colorido. Dirigido por: Lok Man Leung e Kim-Ching Luk. Sem distribuição no Brasil


Guerra Fria II

Uma operação de resgate conduzida pelo policial Sean Lau (Aaron Kwok), com apoio do Comissário Waise Lee (Tony Ka Fai Leung), encerrou-se com sucesso. Lau é então nomeado comissário de Polícia de Hong Kong, enquanto Lee se aposenta. Porém um antigo criminoso sai da cadeia e sequestra a esposa e a filha de Lau, exigindo resgate em troca das mulheres. Esta será mais uma dura missão do comissário, que correrá contra o tempo para salvar sua família.

O primeiro “Guerra Fria” foi sucesso nos cinemas da China em 2012 e iniciava uma trilogia de ação, com o mesmo elenco. Esta segunda parte, tão eletrizante quanto a anterior, começa de onde parou o filme 1, com a soltura de um bandido, situação que ameaçava a vida do comissário Lau. Além do sequestro da filha e da esposa do policial recém-nomeado para outra patente, fatos não esclarecidos retornam para uma nova investigação, como uma van desaparecida na União Europeia. Tudo faz com que a polícia de Hong Kong seja amplamente mobilizada, para a segunda fase da Operação Guerra Fria (ou “Cold War”). Agora Lau precisará da ajuda do rival Lee, o vice-comissário, para esclarecer casos policiais que se entrelaçam e que relacionam traições políticas, vingança e terrorismo. Assim como o anterior, há extensos diálogos sobre o mundo policial, revelações surpreendentes, mistérios e momentos de ação bem planejados, na melhor forma do cinema chinês. Para quem curte aberturas de filmes, este traz uma ideia bem legal, com pessoas, objetos, armas e veículos em formato de gelo sendo destruídos.


A dupla central retorna com fúria e vigor, Aaron Kwok e Tony Ka Fai Leung, e uma participação especial abrilhanta o elenco nesta parte dois, Chow Yun-Fat (de “O tigre e o dragão”), um dos maiores astros do cinema de Hong Kong.
Lembrando que o primeiro filme está somente disponível no Brasil em streaming (como o Netflix), enquanto esta parte dois saiu em DVD pela Flashstar (mas com o título “Guerra Fria”, sem a menção ao segundo capítulo) – e o três será lançado até final do ano.

Guerra fria II (Han zhan II). Hong Kong/China, 2016, 109 min. Ação. Colorido. Dirigido por: Lok Man Leung e Kim-Ching Luk. Distribuição: Flashstar

terça-feira, 7 de maio de 2019

Resenha Especial



Descompensada

Por crescer ouvindo de seu pai que a monogamia não deveria existir, Amy (Amy Schumer) nunca acreditou em relacionamentos sérios. Hoje redatora de uma revista, ela troca de ficantes como troca de roupa. Mas seu conceito sobre romances irá mudar quando se apaixona por um charmoso médico, Dr. Aaron (Bill Hader).

A comediante Amy Schumer escreveu o roteiro desse filme engraçado e falsamente romântico que rendeu a ela sua primeira indicação ao Globo de Ouro de atriz, em 2016. Dividiu a opinião do público, no entanto rendeu bilheteria nos Estados Unidos (boa, não excelente) – eu curti na época do lançamento e revi semana passada em DVD.
Gosto do tipo de humor de Schumer, com tiradas afiadas, sem caretas, sem nada de pastelão ou piadas fajutas, humor típico americano da boa geração atual. Com 37 anos, ela é uma atriz notadamente de seriados, que galga carreira no cinema – este foi seu segundo longa, e o primeiro como protagonista. Interpreta uma redatora de revista gordinha e desajeitada, que nunca acreditou em namoros duradouros. No trabalho recebe a pauta de entrevistar um ortopedista, especializado em Medicina Esportiva (Bill Hader, bem aproveitado), e logo acaba se apaixonando pela sua fonte jornalística. Os dois começam um relacionamento que parecia logo terminar, algo que fará Amy modificar seu pensamento, suas atitudes e rotina, ou seja, sua vida em geral.
O título em português prejudica a seriedade da história, com seu drama perspicaz que aos poucos surge ali e acolá. Não sei o que as distribuidoras pensam na hora de planejar o marketing, viu... (ela não é descompensada, e sim infeliz, rejeitada, tristonha – em inglês, o título “Trainwreck” significa “Trem desgovernado”, que é como andam as coisas para Amy, numa linha entre o cômico e o trágico).


Nome de destaque na comédia da atualidade, o criativo diretor Judd Apatow, de “O virgem de 40 anos” (2005) e “Ligeiramente grávidos” (2007), gosta de realizar filmes longos, e este não foge à regra, tem 124 minutos (grande demais por ser comédia). E como de costume aquece as produções com um megadesfile de atores e atrizes em pequenos personagens, aqui com Brie Larson, Ezra Miller, Tilda Swinton, John Cena, Marisa Tomei, Matthew Broderick, o veterano Norman Lloyd e até uma ponta de Daniel Radcliffe.
Apresento “Descompensada” como dica para um bom passatempo! Ah, o filme foi ainda indicado ao Globo de Ouro de melhor comédia ou musical.

Descompensada (Trainwreck). EUA/Japão, 2015, 124 min. Comédia. Colorido. Dirigido por Judd Apatow. Distribuição: Universal Pictures

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Resenhas Especiais



Morte para um monstro

O cientista americano Stephen Reinhart (Nick Adams) viaja de trem até Arkham, uma cidadezinha inglesa, para passar o final de semana na Mansão Witley, onde mora a noiva, Susan (Suzan Farmer). Percebe que os habitantes de lá têm medo dos Witley, e quando chega ao local é recebido com desprezo pelo sogro, Nahum Witley (Boris Karloff). Nas noites de névoa, Reinhart e a Susan descobrem um terrível segredo habitando o casarão, que relaciona os moradores, as plantas da estufa e um estranho objeto do espaço.

Terror, ficção científica e mistério rondam a estranha história desse filme britânico, cultuado na época, sobre um jovem cientista buscando respostas para uma série de fatos obscuros na velha residência da família de sua noiva. O personagem principal está hospedado por uns dias na Mansão Witley, um lugar cheio de quartos sombrios, onde paira névoa, habitado por figuras decrépitas. Ele fica impressionado com cochichos pelos cantos da casa, além de aparições e sons de animais, e juntamente com a noiva vai investigar a fundo cada centímetro do local chegando a respostas horripilantes.
Foi a primeira e melhor adaptação do conto de H.P. Lovecraft, de nome “The colour out of space”, escrito em 1927, para o cinema. Depois vieram curtas-metragens, um filme alemão PB de 2010 e em breve sairá outra versão, com Nicolas Cage.


Destaca-se pelo roteiro com muitas cenas de susto e uma direção de arte que provoca a tensão necessária para embarcarmos na ideia (em especial as do interior da casa, com teias de aranha, tarântulas, caveiras, morcegos, uma mulher de preto etc).
Protagoniza o ator americano Nick Adams, indicado ao Oscar, morto pouco tempo depois aos 36 anos, de overdose. E destaca-se o lendário ator inglês Boris Karloff, como o sogro na cadeira de rodas, provável guardião dos segredos do casarão – foi a fase final da carreira de Karloff (1887–1969), famoso intérprete do cinema de terror, cuja extensa filmografia constam 170 produções! Um marco!
Saiu em DVD mês passado pela Obras-Primas do Cinema, no box “Boris Karloff”, com três outros filmes raros dele: “O zumbi” (1933), “Corredores de sangue” (1958) e “The haunted strangler” (1958). O disco é duplo, com extras variados e cards colecionáveis.



Morte para um monstro (Die, monster, die!). EUA/Reino Unido, 1965, 79 min. Terror/Ficção científica. Colorido. Dirigido Daniel Haller. Distribuição: Obras-primas do Cinema


Quando voam as cegonhas

Veronika (Tatyana Samoylova) e Boris (Aleksey Batalov) são um jovem casal apaixonado, que passam as tardes passeando pelas ruas de Moscou. Na Europa eclode a Segunda Guerra Mundial, e Boris, que havia se alistado no Exército Vermelho, segue com outros colegas para o front. Veronika enfrenta dias de agonia quando o amado vai embora, aguardando ansiosamente seu retorno. Até que surge na vida dela um primo de Boris, com quem inicia um caso.

Ganhador da Palma de Ouro em Cannes em 1958, o contundente e romântico filme soviético foi baseado na peça do dramaturgo Viktor Rozov, e pela importância do tema venceu um prêmio humanitário na URSS.
Fala dos horrores da guerra, ainda mais da pior de todas, a Segunda Guerra Mundial, que separou um casal apaixonado. Veronika e Boris interpretam o ideal dos jovens da época, o espírito de união destroçado pela ganância humana. O diretor Mikhail Kalatozov era um apaixonado pelo seu país, amante da Sétima Arte e crítico às barbáries do homem moderno. Por isto a mensagem antiguerra contida nessa sua obra-prima, atrelada à alta qualidade técnica do filme, impecável em termos de argumento e roteiro, preciso nas cenas, feitas com poesia, contemplação e um lado onírico, que fascina pelo bom uso de enquadramentos e ângulos diferenciados. Tudo em um preto-e-branco que ressalta o sofrimento dos personagens sejam os principais ou coadjuvantes.
A atriz Tatyana Samoylova venceu o prêmio de atriz no Festival de Cannes, além de ter sido indicada ao Bafta juntamente com a produção.


Pequena joia rara, “Quando voam as cegonhas” está disponível em DVD no Brasil pela CPC-Umes Filmes. Saiu na série Cinema Soviético, numa cópia excelente, que passou por restauração digital de imagem e som pela Mosfilm.

Quando voam as cegonhas (Letyat zhuravli). URSS, 1957, 96 min. Drama. Preto-e-branco. Dirigido por Mikhail Kalatozov. Distribuição: CPC-Umes Filmes

* Críticas publicadas na coluna Middia Cinema, da Middia Magazine, edição de abril/maio de 2019