segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Nota do Blogueiro


Dois boxes lançamentos de novembro/dezembro em DVD pela Obras-Primas do Cinema. Só filmes cult e raridades pela primeira vez no mercado brasileiro em cópias remasterizadas! 
Tem a caixa "John Waters", com quatro filmes do ousado cineasta norte-americano, que marcou toda uma geração - "Problemas femininos" (1974) e "Polyester" (1981), ambos com sua musa, Divine, além de "Cry-baby" (1990) e "Mamãe é de morte" (1994). 
Também tem o box "Expressionismo Alemão - Volume 4", com cinco filmes do notório movimento dos primórdios do cinema - "Da aurora à meia-noite" (1920), "Sombras" (1923), "O gabinete das figuras de cera" (1924), "As mãos de Orlac" (1924) e "A mulher na Lua" (1929).
Em todos há extras e acompanham card colecionáveis! Obrigado, pessoal da Obras-primas do Cinema, pelo envio dos boxes.




Especiais de Cinema



Globo de Ouro: anunciado um dos principais prêmios da temporada 2020

A Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood anunciou hoje pela manhã os indicados ao Globo de Ouro 2020, cuja premiação será no dia 05 de janeiro. “História de um casamento”, drama produzido pelo Netflix e que está disponível na plataforma desde o último dia 06, lidera com seis indicações, seguido de “O irlandês” (também do Netflix) e de “Era uma vez em... Hollywood”, ambos com cinco nomeações cada. Além de filmes, o Globo de Ouro premia séries consagradas pelo público; neste ano, “Chernobyl”, “The Crown” e “Inacreditável” lideram a disputa com quatro indicações cada.
Veja abaixo a relação completa dos indicados.




Globo de Ouro 2020

Melhor filme – Drama

“O irlandês”
“História de um casamento”
“1917”
“Coringa”
“Dois papas”

Melhor Filme - Musical ou Comédia

“Era uma vez em... Hollywood”
“Jojo Rabbit”
“Entre facas e segredos"
“Rocketman”
“Meu nome é Dolemite”

Melhor diretor de filmes

Bong Joon-ho (“Parasita”)
Sam Mendes (“1917”)
Todd Phillips (“Coringa”)
Martin Scorsese (“O irlandês”)
Quentin Tarantino (“Era uma vez em... Hollywood”)

Melhor atriz de filme – Drama

Cynthia Erivo (“Harriet”)
Scarlett Johansson (“História de um casamento”)
Saoirse Ronan (“Adoráveis mulheres”)
Charlize Theron (“O escândalo”)
Renée Zellweger (“Judy - Muito além do arco-íris”)

Melhor ator de filme – Drama

Christian Bale (“Ford vs. Ferrari”)
Antonio Banderas (“Dor e glória”)
Adam Driver (“História de um casamento”)
Joaquin Phoenix (“Coringa”)
Jonathan Pryce (“Dois papas”)

Melhor atriz em filme - Musical ou Comédia

Awkwafina (“The Farewell”)
Ana de Armas (“Entre facas e segredos”)
Cate Blanchett (“Cadê Você, Bernadette?”)
Beanie Feldstein (“Fora de série”)
Emma Thompson (“Late Night”)

Melhor ator em filme - Musical ou Comédia

Daniel Craig (“Entre facas e segredos”)
Roman Griffin Davis (“Jojo Rabbit”)
Leonardo DiCaprio (“Era uma vez em... Hollywood”)
Taron Egerton (“Rocketman”)
Eddie Murphy (“Meu nome é Dolemite”)

Melhor atriz coadjuvante em filmes

Kathy Bates (“O caso Richard Jewell”)
Annette Bening (“O relatório”)
Laura Dern (“História de um casamento”)
Jennifer Lopez (“As golpistas”)
Margot Robbie (“O escândalo”)

Melhor ator coadjuvante em filmes

Tom Hanks (“Um lindo dia na vizinhança”)
Anthony Hopkins (“Dois papas”)
Al Pacino (“O irlandês”)
Joe Pesci (“O irlandês”)
Brad Pitt (“Era uma vez em... Hollywood”)

Melhor roteiro para filme

Noah Baumbach (“História de um casamento”)
Bong Joon-ho and Han Jin-won (“Parasita”)
Anthony McCarten (“Dois papas”)
Quentin Tarantino (“Era uma vez em... Hollywood”)
Steven Zaillian (“O irlandês”)

Melhor filme em língua estrangeira

“The Farewell”
“Dor e Glória”
“Retrato de uma jovem em chamas”
“Parasita”
“Os miseráveis”

Melhor animação

“Frozen 2”
“Como treinar seu dragão 3”
“Link perdido”
“Toy Story 4”
“O rei leão”

Melhor música para filmes

“Beautiful Ghosts” (“Cats”)
“(I’m Gonna) Love Me Again” (“Rocketman”)
“Into the Unknown” (“Frozen 2”)
“Spirit” (“O rei leão”)
“Stand Up” (“Harriet”)

Melhor trilha sonora original para filmes

Daniel Pemberton (“Brooklyn - Sem pai nem mãe”)
Alexandre Desplat (“Adoráveis mulheres”)
Hildur Guðnadóttir (“Coringa”)
Thomas Newman (“1917”)
Randy Newman (“História de um casamento”)

TV

Melhor série – Drama

“Big Little Lies”
“The Crown”
“Killing Eve”
“The Morning Show”
“Succession”

Melhor série - Musical ou Comédia

“Barry”
“Fleabag”
“O método Kominsky”
“Maravilhosa Sra. Maisel”
“The Politician”

Melhor série limitada ou filme para TV

“Catch-22″
“Chernobyl”
“Fosse/Verdon”
"The Loudest Voice"
“Inacreditável”

Melhor ator em série limitada ou filme para TV

Christopher Abbott (“Catch-22”)
Sacha Baron Cohen (“O espião”)
Russell Crowe (“The Loudest Voice”)
Jared Harris (“Chernobyl”)
Sam Rockwell (“Fosse/Verdon”)

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV

Kaitlyn Dever (“Inacreditável”)
Joey King (“The Act”)
Helen Mirren (“Catarina, a Grande”)
Merritt Wever (“Inacreditável”)
Michelle Williams (“Fosse/Verdon”)

Melhor ator coadjuvante em série, série limitada ou filme para TV

Alan Arkin (“O Método Kominsky”)
Kieran Culkin (“Succession”)
Andrew Scott (“Fleabag”)
Stellan Skarsgård (“Chernobyl”)
Henry Winkler (“Barry”)

Melhor atriz coadjuvante em série, série limitada ou filme para TV

Patricia Arquette (“The Act”)
Helena Bonham Carter (“The Crown”)
Toni Collette (“Inacreditável”)
Meryl Streep (“Big Little Lies”)
Emily Watson (“Chernobyl”)

Melhor ator em série de TV - Musical ou Comédia

Michael Douglas (“O Método Kominsky”)
Bill Hader (“Barry”)
Ben Platt (“The Politician”)
Paul Rudd (“Cara x Cara”)
Ramy Youssef (“Ramy”)

Melhor atriz em série de TV - Musical ou Comédia

Christina Applegate (“Disque amiga para matar”)
Rachel Brosnahan (“Maravilhosa Sra. Maisel”)
Kirsten Dunst (“On Becoming a God in Central Florida”)
Natasha Lyonne (“Boneca Russa”)
Phoebe Waller-Bridge (“Fleabag”)

Melhor atriz em série de TV – Drama

Jennifer Aniston (“The Morning Show”)
Olivia Colman (“The Crown”)
Jodie Comer (“Killing Eve”)
Nicole Kidman (“Big Little Lies”)
Reese Witherspoon (“Big Little Lies”)

Melhor ator em série de TV – Drama

Brian Cox (“Succession”)
Kit Harington (“Game of Thrones”)
Rami Malek (“Mr. Robot”)
Tobias Menzies (“The Crown”)
Billy Porter (“Pose”)

domingo, 8 de dezembro de 2019

Nota do Blogueiro


"Infelizmente, as aulas de Inglês não tavam ino muito bem. O sr. Boone me chamou na sala dele mais ou menos uma semana depois de ler a minha autobiografia, e ele falou: 'Sr. Gump, acho que tá na hora de parar de tentar ser engraçado e começar a levar o curso a sério'. Ele me devolveu um trabalho que eu tinha escrito sobre o poeta Wordsworth. 'O período romântico', ele falou, 'não veio depois de um monte de porcaria clássica. Nem os poetas Pope e Dryden eram dois cocôs'".

Trecho de "Forrest Gump", de Winston Groom, um clássico da literatura norte-americana publicado pela primeira vez em 1986, que virou um dos maiores filmes da história, ganhador de seis Oscars em 1995. No Brasil ganhou uma belíssima edição de 30 anos, em capa dura, com luva e ilustrações de Rafael Coutinho, pela editora Aleph (2016, 392 páginas, tradução Aline Storto Pereira). Conheça a jornada de Forrest Gump, um rapaz simples do Alabama, contador de histórias incríveis, que testemunha eventos importantes da História dos Estados Unidos do século XX. E que levava consigo o lema "Ser idiota não é nenhuma caixa de chocolates".
Um livro apaixonante que deu origem a uma obra-prima do cinema estrelada por Tom Hanks e dirigida por Robert Zemeckis. Já nas livrarias!
Obrigado, Aleph, pelo envio do exemplar.





sábado, 7 de dezembro de 2019

Nota do Blogueiro


"Anteac balançou a cabeça enquanto pensava no que deveria ser reportado a suas irmãs na Casa Capitular. Elas já estariam estudando a importância da mensagem anterior. Uma máquina que seria capaz de esconder a si mesma e seus conteúdos da presciência penetrante até do próprio Imperador Deus? Seria isso possível? Ou era um tipo diferente de teste, um teste da sinceridade das Bene Gesserit para com seu Senhor? Mas agora! S ele já não soubesse a gênese dessa enigmática Hwi Noree..."

Trecho de "Imperador Deus de Duna", quarto volume da saga "Duna", lançado em 1981, escrito por Frank Herbert, com edição em capa dura publicado no Brasil pela editora Aleph (2017, 512 páginas, tradução de Christiane Almeida).
Nesse capítulo, o planeta Arrakis é comandado pelo Imperador Deus, que se mostra um déspota, ameaçando a sobrevivência dos povos. Desmoralizado, um grupo de pessoas se rebela, e o futuro do planeta mantém-se cada vez mais incerto.
Herbert une nesse clássico da literatura scifi temas recorrentes de suas obras, como política, filosofia e religião, com uma narrativa particular e repleta de detalhes.
Obrigado, equipe da Aleph, pelo envio do livro. Ah, e o quinto volume da saga, "Os hereges de Duna", será lançado pela Aleph em 2020 - os livros já estão em pré-venda nas melhores livrarias. :)




Resenha Especial



Ferrari: Rumo à imortalidade

Documentário sobre a Scuderia Ferrari, equipe mais vitoriosa da Fórmula 1, com foco nos anos 50, chamado de “década mais mortal da História do Automobilismo”.

Um grande documentário britânico para quem gosta de corridas de carro, com 100% de resgate histórico em fotos e vídeos antigos da Scuderia Ferrari competindo na Fórmula 1. Mostra a trajetória da equipe com foco nos anos 50, apelidado de “A década mais mortal da História do Automobilismo”, uma época marcada por tragédias nas pistas do mundo inteiro - logo no início do filme vemos o pior desastre automobilístico já registrado, ocorrido em junho de 1955 no torneio das 24 Horas de Le Mans, quando um efeito cascata culminou com carros explodindo e partes dos motores voando até as arquibancadas; morreram 83 espectadores e o piloto francês Pierre Levegh, além de ter deixado 120 pessoas feridas. Desse triste fato muito comentado na época surgem outros para recontar as façanhas de pilotos que morreram defendo a Ferrari, como Eugenio Castellotti (1930-1957), Alfonso de Portago (1928-1957) e Luigi Musso (1924-1958), intercalando imagens raras restauradas das corridas, locuções esportivas da época e depoimentos atuais de familiares e amigos dos pilotos vítimas dos acidentes fatais.


Nesse mundo próprio destacou-se a figura de Enzo Ferrari, patriarca da marca, a quem o filme homenageia. Era um competidor nato que brigava por recordes dos seus possantes, um homem odiado por uns, elogiado por outros, responsável por revolucionar as corridas. Também dá enfoque na amizade dos pilotos Peter Collins e Mike Hawthorn, ambos falecidos em acidentes de carro.
Um filme marcante, sombrio, que nos leva a refletir sobre o limite entre o homem e a máquina, de competidores dispostos a tudo, que viviam numa linha tênue entre a vida e a morte, dentro de carros engenhosos superando a velocidade.

Ferrari – Rumo à imortalidade (Ferrari: Race to immortality). Reino Unido, 2017, 91 minutos. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Daryl Goodrich. Distribuição: Universal Pictures

Resenha Especial



Marvin

Estudante do Ensino Médio, Marvin (Finnegan Oldfield) sofre bullying na escola e desprezo em casa por ser gay. Desde garoto enfrenta problemas semelhantes, uma vida marcada por abusos, falta de compreensão e renúncias. Tentando fugir a todo momento da realidade, aproxima-se do teatro onde conhecerá pessoas que o ajudarão a se libertar.

Um delicado drama de temática gay muito bem construído, com destaque para o bom trabalho do ator principal, o britânico criado na França Finnegan Oldfield, que interpreta com sinceridade o garoto-título do filme - e pelo papel concorreu ao Cesar. Mistura fatos recentes, do rapaz nos palcos do teatro, e memórias, do protagonista quando pequeno (interpretado por outro bom ator, Jules Porier), e em ambos os tempos os problemas que cercaram Marvin, de bullying e desprezo por ser homossexual. Nascido no interior, ele vivia fugindo da escola por apanhar e ser ridicularizado pelos alunos mais velhos. Em casa o pai o condenava com olhares fulminantes, havia a ausência da mãe e tinha medo do irmão violento. Ficou sozinho em quase todos os momentos da vida, até que na juventude, por meio do teatro, aproximou-se de pessoas que mudariam sua trajetória, como uma diretora da escola recém-empossada, um mentor que o encoraja a contar sua vida nos palcos e por fim a atriz Isabelle Huppert (que faz ela mesma).
Marvin vira um exemplo comum de vidas massacradas pelos abusos físicos e psicológicos, uma das vítimas das várias formas de intolerância que se arrastam pelo mundo afora. Mesmo com dificuldades, como se estivesse numa prisão eterna, amenizou os tormentos da alma ao lado de pessoas solidárias e compreensivas (ainda resta uma salvação!?).


Veja e se emocione! Um filme independente da diretora e roteirista Anne Fontaine (que também foi atriz), uma grande realizadora de dramas femininos com personagens mulheres de impacto em seus filmes, como “Nathalia X” (2003), “A garota de Mônaco” (2008), “Coco antes de Chanel” (2009), “Gemma Bovery – A vida imita a arte” (2014) e o melhor de seus trabalhos, “Agnus Dei” (2016) - em “Marvin”, com roteiro dela junto de Pierre Trividic, percebemos sua mão feminina na composição das cenas, do enredo e dos personagens.
Ganhador do Queer Lion no Festival de Cinema de Veneza, onde também concorreu a melhor filme no Venice Horizons. Foi exibido ainda no festival Varilux de Cinema de 2017.

Marvin (Idem). França, 2017, 113 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Anne Fontaine. Distribuição: Focus Filmes


segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Resenhas Especiais


Ronaldo


Documentário intimista sobre a carreira do jogador português Cristiano Ronaldo.

Revelador, o documentário “Ronaldo” (2015) é um olhar íntimo sobre a vida e a carreira do jogador de futebol Cristiano Ronaldo, eleito pela Fifa como “o melhor do mundo” e comparado a lendas do gramado como Pelé, Maradona e Di Stéfano. Nascido em Portugal em 1985, atuou em times de destaque, dentre eles Manchester United, Real Madrid e atualmente defende o Juventus da Itália. Um jogador completo que coleciona títulos invejáveis, tem uma fama impressionante e desenvolve trabalhos beneficentes ao redor do mundo. Nesse doc, uma coprodução Reino Unido e Espanha, temos a dimensão disso tudo e um pouco mais, como a rotina dele em casa, seu jeito atencioso com os fãs, a relação com a família (em especial com a mãe), o intenso laço com amigos de infância e para mim o mais legal, a forma como criou sozinho o filho primogênito, fruto de inseminação artificial – no filme, até então, ele tinha apenas Cristiano Junior, depois veio outro, de inseminação, e em seguida a mais nova, assumida pela mãe e atual companheira dele, Georgina).
Não é uma fita restrita para apreciadores de futebol ou fãs de Ronaldo, serve para conhecermos a personalidade do prestigiado futebolista, seu carisma e as atitudes que o tornam reconhecido dentro e fora dos campos.
Dos criadores dos documentários “Amy” (2015), ganhador do Oscar na categoria, e de “Senna” (2010), ganhador do Bafta de doc e edição, tem direção de Anthony Wonke, documentarista três vezes premiado com o Bafta.

Ronaldo (Idem). Reino Unido/Espanha, 2015, 92 minutos. Documentário. Colorido. Dirigido por Anthony Wonke. Distribuição: Universal Pictures


Em algum lugar do passado

O teatrólogo iniciante Richard Colllier (Christopher Reeve) conhece na noite de autógrafos de sua primeira peça uma senhora que dá a ele um antigo relógio de bolso pedindo que “volte com ela”. A idosa vira as costas e desaparece. Intrigado, anos mais tarde, num hotel antigo, Collier vê na parede o quadro de uma mulher chamada Elise (Jane Seymour), semelhante àquela idosa, então faz uma hipnose para tentar reencontrá-la no passado.

Impossível não se emocionar (e se apaixonar) por esse clássico romântico que marcou época, muito exibido na TV aberta. Foi o terceiro trabalho de Christopher Reeve no cinema, dois anos depois de ficar eternizado como o Superman no filme homônimo de Richard Donner, de 1978. Ele é o charme dessa história de um amor que supera qualquer barreira do tempo. Reeve foi um ator versátil que atuou em drama, suspense, ficção científica, muitos filmes de romances e infelizmente teve a carreira interrompida após um trágico acidente em 1995, quando caiu de um cavalo numa cavalgada; ficou tetraplégico por uma década, até falecer aos 52 anos em 2004, vítima de infarto. Reeve tinha 28 quando participou dessa produção fazendo par com Jane Seymour, atriz duas vezes ganhadora do Globo de Ouro (carinhosamente lembrada no Brasil pela série dos anos 90 “Dra Quinn – A mulher que cura”). Eles interpretam com sensibilidade a dupla romântica no passado, quando o protagonista masculino faz uma auto-hipnose num velho hotel para retornar ao mesmo lugar 70 anos antes, em 1912. A viagem é uma minuciosa investigação para descobrir quem é uma estranha mulher que deu a ele um mimo no tempo presente. A viagem será para de puro autoconhecimento, um retorno ao seu próprio antepassado/origem.
O filme sintetiza uma metáfora sobre reencarnação e a busca pelo amor sagrado, de uma maneira romântica, chorosa e com ótima reconstituição de época (uma velha Chicago do início do século XX).
Recebeu indicação ao Oscar de melhor figurino e ao Globo de Ouro de trilha sonora, realmente um trabalho lindíssimo, memorável, assinada pelo falecido John Barry, cinco vezes ganhador do Oscar, o mesmo compositor de “Entre dois amores” e “Dança com lobos”.


Baseado no romance de Richard Matheson (autor de livros como “Eu sou a lenda” e roteirista de vários filmes dos anos 60 e 70), com roteiro adaptado por ele mesmo, conta com uma direção adequada de Jeannot Szwarc, da continuação do clássico “Tubarão” (parte 2, de 1978).
O filme teve péssima recepção da crítica na época, no entanto virou cult e ganhou o coração dos apaixonados. Vale rever essa riqueza de filme, relançado há poucos meses em DVD pela Universal Pictures com uma capa preto-e-branca, numa edição comemorativa do Dia dos Namorados (saiu junto com “Anna Karenina” e outros filmes românticos).

Em algum lugar do passado (Somewhere in time). EUA, 1980, 103 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Jeannot Szwarc. Distribuição: Universal Pictures

sábado, 23 de novembro de 2019

Cine Lançamento



Klaus

Jesper (voz de Jason Schwartzman) é um carteiro enviado para uma cidadezinha congelada numa ilha do Ártico onde todo dia encontra-se com um morador ilustre, Santa Klaus (voz de J.K. Simmons), o Papai Noel.

Em sua primeira investida em animação, o Netflix acerta como nunca e não fica longe de estúdios como Disney, Pixar ou Dreamworks. Também prepara o público para o clima de Natal com esse lindíssimo filme, para todos os públicos, que é o trabalho de estreia do diretor espanhol Sergio Pablos, roteirista de “Meu malvado favorito” (2010), que por muitos anos atuou no departamento de animação da Disney, onde fez, por exemplo, “O corcunda de Notre Dame” (1996), “Planeta do tesouro” (2002) e “Rio” (2011), depois realizando “Um time show de bola” (2013).
Não espere ver mais um filme sobre o Papai Noel tradicional, que veste vermelho e entrega presente para as crianças entrando pela chaminé. O diretor Pablos escreveu o roteiro com uma pegada realista, menos mágica, uma versão que reinventa o mito do Bom Velhinho, agora personificado na figura de um carpinteiro idoso (seria uma alusão a José, pai de Jesus?). O carteiro Jesper chega à fictícia Smeerensburg, no Ártico, e aos poucos se aproxima do ermitão Klaus, um homem aparentemente rude, mas de uma sensibilidade transbordante, que aplica esse sentimento nos brinquedos de madeira que fabrica em casa. Nasce uma amizade entre os dois, enquanto bons personagens secundários entram e saem de cena, para dar o tom cômico e o valor dramático que a história necessita para atingir crianças e adultos. Prepara-se para se emocionar e aquecer o coração!


O desenho de produção é um dos pontos altos, sem falar da história, infalível para o clima dessa temporada de final de ano.
Emprestam suas vozes atores consagrados como Jason Schwartzman (no Brasil foi dublado por Rodrigo Santoro), Joan Cusack, Rashida Jones e o ganhador do Oscar J.K. Simmons. Aposto que em 2020 receberá indicação ao Oscar de animação, um candidato com grandes chances ao prêmio da Academia.

Klaus (Idem). Espanha, 2019, 96 minutos. Animação. Colorido. Dirigido por Sergio Pablos. Distribuição: Netflix

Resenha Especial



Um instante de amor

França, década de 50. Gabrielle (Marion Cottilard) é uma mulher de espírito livre, com fortes impulsos sexuais. A mãe, temendo desvios mentais da filha, a força a se casar com um simples construtor de casas, o viúvo José (Alex Brendemühl). Gabrielle não ama aquele homem, e os dois vivem uma série de desavenças conjugais. Certo dia ela aborta e é diagnosticada com problemas renais, sendo necessário um tratamento em uma clínica isolada na montanha. Ela vai sozinha para lá, onde se apaixona por um tenente gravemente doente, André (Louis Garrel).

Uma esplêndida fotografia de uma França deixada no tempo e um trabalho visceral da sempre competente Marion Cottilard ajudam e muito no andamento desse drama poderoso e sem concessões, sobre uma mulher tentando lidar com seus ímpetos sexuais enquanto vive um casamento arranjado e depois divide-se ao se apaixonar perdidamente por um homem doente, mas casado, que seria o amor de sua vida. É uma história trágica sobre paixão, perdas e reencontros transcorrida em dois tempos, o passado e o presente, com uma forte ligação entre os três personagens (a mulher, o marido e o amante) – Marion tem uma beleza incrível, uma atriz marcante, ganhou o Oscar por “Piaf – Um hino ao amor” (2007) e é sempre bom vê-la bem dirigida numa fita de arte como esta; gosto especialmente dela em “Dois dias, uma noite” (2014, pela qual foi indicada ao Oscar) e no impactante “Ferrugem e osso” (2012); compartilha com ela as cenas Louis Garrel, de “Os sonhadores” (2003), e o espanhol Alex Brendemühl, de “O médico alemão” (2013), em seus melhores papéis no cinema. A atuação primorosa do trio dá-se graças à mão perfeccionista da diretora francesa (e atriz) Nicole Garcia, que dirigiu “O adversário” (2002) e “Um belo domingo” (2013), que costuma lançar em seus filmes um tom incisivo, sem cair em convenções. Nicole também colaborou no roteiro, uma adaptação do romance homônimo da italiana Milena Agus.


Recebeu indicação à Palma de Ouro no Festival de Cannes, além de concorrer a oito prêmios no César, o “Oscar Francês”, como melhor atriz, filme, diretor e roteiro. Assista a esse drama romântico fotogênico e expressivo. Em DVD pela Mares Filmes.

Um instante de amor (Mal de pierres). França/Bélgica/Canadá, 2016, 120 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Nicole Garcia. Distribuição: Mares Filmes

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Resenha Especial



Ondas do pavor

Numa ilha distante, um ex-comandante da Alemanha na Segunda Guerra Mundial (Peter Cushing) mantém escondido soldados nazistas zumbis, que servem para ele como experimento humano. Os mortos escapam pelo mar e passam a atacar turistas da região, criando um verdadeiro caos.

Fita B de terror que ajudou a consolidar o subgênero de “zumbis nazistas” tanto nos Estados Unidos quanto em outros países, como Espanha, Itália e Noruega, intensificado nas décadas seguintes. Com orçamento pequeno, de U$ 200 mil, trazia no casting dois nomes lendários do cinema de horror, Peter Cushing e John Carradine, além da atriz Brooke Adams, fundamentais para o marketing do filme pelos corredores do mundo.
O roteiro garante doses altas de tensão. Ele se repete em situações fora do controle, com soldados zumbis saindo das águas para trucidar as vítimas numa ilha remota – o filme foi escrito e dirigido por Ken Wiederhorn, que depois faria filmes de terror como “Olhos assassinos” (1981), outro de zumbi, com mistura de comédia, muito exibido na TV antigamente, “A volta dos mortos-vivos 2” (1988), e por fim “A torre do crime” (1989, em codireção com o lendário cineasta e diretor de fotografia britânico Freddie Francis). Maquiagem ficou datada, os mortos não dão medo, porém a história prende a atenção pela novidade em mesclar Segunda Guerra, nazismo, experimentos humanos e walking dead.


Acho um dos melhores da linha de “zumbis nazistas”, que influenciou diretores de várias partes do mundo – por exemplo, tivemos depois os trash “O lago dos zumbis” (1981) e “Oásis de zumbis” (1982, de Jesús Franco), algumas de ação com horror como “Missão de risco” (2007) e o explosivo “Operação Overlord” (2018), e o mais assustador e bem acabado de todos, os excelentes cult noruegueses “Zumbis na neve 1 e 2” (de 2009 e 2014, respectivamente).
“Ondas do pavor” é um marco do gênero e merece uma revisãozinha, ainda mais agora que acaba de sair em DVD no Brasil pela Versátil no box “Zumbis no cinema – volume 4” - tem ainda na caixa “Zeder” (1983), “Os mortos-vivos” (1981) e “Zumbis do mal” (1973).
PS: O filme recebeu títulos provisórios dos fãs e até foi modificado quando exibido em TV aberta, passando a ser chamado de “Horror em alto-mar” e “Comando de mortos-vivos”.



Ondas do pavor (Shock waves). EUA, 1977, 85 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Ken Wiederhorn. Distribuição em DVD: Versatil Home Video

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Resenhas Especiais


Confira abaixo resenha de dois filmes raros de terror disponíveis no Brasil em DVD, "Zeder" e "Zumbis do mal". Ambos lançados esse mês pela Versátil, no box 'Zumbis no cinema - Volume 4'.



Zumbis do mal


A jovem Arletty (Mariana Hill) viaja para uma pequena cidade na Califórnia em busca do pai desaparecido. Logo quando chega percebe um comportamento estranho dos habitantes do local, até descobrir que todos se apresentam como uma raça diferente de zumbis.

Fãs de terror não podem deixar de conhecer essa interessantíssima fita cult de mortos-vivos bem fora dos padrões, feita nos Estados Unidos com baixo orçamento. Não explora aquela sangueira dos filmes do gênero como fomos acostumados, a história é envolta num clima de pesadelo, com uma personagem feminina vagando pela noite entre postos de gasolina à procura do pai, um artista desaparecido. Perdida no meio do nada, cruza com estranhos zumbis (também diferentes do que vemos por aí), na verdade pessoas zumbificadas, que têm um olhar parado, contemplam a lua cheia e atacam somente quando intimidados. Na busca pelo pai ela terá duras surpresas pelo caminho.
Não é um filme ocasional, há uma intensa crítica social nas entrelinhas. Tem poucas, mas boas cenas de perseguição e desespero, e tudo foi rodado em locações, em cidadezinhas do estado da California - figurino e automóveis, por exemplo, eram dos próprios atores eprodutores, o que reforça a produção independente, com custo reduzido.
Dirigido por Willard Huyck, de “Howard, o super-herói (1986), com codireção de sua falecida esposa, Gloria Katz (que nem foi creditada), e roteiro assinado por ambos (o casal concorreu ao Oscar de melhor roteiro por “Loucuras de Verão”, feito no mesmo ano, 1973, assinado em conjunto com George Lucas.
Um terror diferentão, positivamente falando, com cara de anos 70, que serve como uma baita descoberta do gênero. E só agora tivemos acesso agora, graças à Versátil que o lançou esse mês no box “Zumbis no cinema – Vol. 4”, uma caixa com DVD duplo, contendo ainda três ótimos exemplares do gênero: “Os mortos-vivos” (1981), “Zeder” (1980) e “Ondas do pavor” (1977 – também conhecido como “Horror em alto-mar”).

Zumbis do mal (Messiah of evil). EUA, 1973, 90 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Willard Huyck. Distribuição em DVD: Versatil Home Video


Zeder

Jornalista italiano (Gabriele Lavia) adquire uma máquina de escrever de segunda mão para datilografar seus textos. Ao fuçar no equipamento, depara-se com um terrível manuscrito marcado na fita de tinta da máquina, que fala sobre um lugar místico capaz de trazer os mortos à vida. Ele investiga o caso por conta própria, participando de uma série de terríveis acontecimentos.

Tétrico e obscuro, o terror italiano “Zeder”, também conhecido no Brasil como “A vingança dos mortos”, é um notável aperitivo raro aos cinéfilos adoradores do gênero, que vale pela história assombrada que persegue nossos pensamentos até depois de assisti-lo. O clima é de mistério e procura, com mais suspense do que o horror propriamente dito, com toques de excentricidade do diretor Pupi Avati, do mesmo modo que havia feito anos antes no estranho e profano “A casa das janelas sorridentes” (1976) – o roteiro nota 10 é assinado por ele em parceria com o irmão, Antonio Avati, a partir de um argumento original.
O curioso título, “Zeder”, referencia um velho cientista envolvido na trama macabra, Dr. Zeder, que estudou uma tal de “Zona K”, lugar onde era possível ressuscitar os mortos na cidade de Bologna. Entre flahsbacks, voltando a um tempo de 30 anos, o filme se constrói com perturbadores acontecimentos registrados em cidades da Itália e da França, dando espaço a personagens com poderes psíquicos, outros detentores de poderes sobrenaturais, que aos poucos são perseguidos por mortos-vivos que brotam de locais improváveis.
Acaba de ser lançado em DVD no Brasil, pela Versátil Home Video, no box “Zumbis no cinema – Vol. 4”, que traz ainda “Os mortos-vivos” (1981), “Zumbis do mal” (1974) e “Ondas do pavor” (1977 – conhecido como “Horror em alto-mar”).

Zeder (Idem). Itália, 1983, 98 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Pupi Avati. Distribuição em DVD: Versatil Home Video