quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Morre no Rio o ator Fábio Sabag


O ator e diretor Fábio Sabag morreu na madrugada de hoje (dia 31) aos 77 anos no Rio de Janeiro. Vítima de câncer de próstata, estava internado desde o mês passado no Hospital Quinta D´Or, no Rio.
Nascido em 19 de novembro de 1931 em Bariri, Sabag era descendentes de libaneses. Estreou a carreira artística como ator de cinema em "Ladrão em noite de chuva" (1960). Atuou em cerca de 50 filmes, dentre eles "Mineirinho vivo ou morto" (1967), "Os raptores" (1969), "Memórias de um gigolô" (1970), "Os inconfidentes" (1972), "Os condenados" (1973), "Tati - A garota" (1973), "O casal" (1975), "Teu tua" (1979), "O homem do pau-brasil" (1982), "Luz Del Fuego" (1982), "Memórias do cárcere" (1984), "Ópera do malandro" (1986) e "Maria, mãe do filho de Deus" (2003).
Em novelas participou de "Elas por elas" (1982), "Partido alto" (1984), "Cambalacho" (1986), "Brega & Chique" (1987), "Pecado capital" (1998), "Kubanacan" (2003) e "A lua me disse" (2005), sua última aparição na TV.
Na Rede Globo, onde trabalhou nos anos 70 como produtor executivo, dirigiu, em conjunto com outros realizadores, as novelas "A cabana do pai Tomás" (1969), "Nina" (1977), "Mandala" (1987), "Que rei sou eu?" (1989), "Rainha da sucata" (1990), "Vamp" (1991) e "De corpo e alma" (1992).
Recentemente completou 60 anos de carreira no teatro, onde atuou em mais de 70 peças - as montagens mais famosas, "Gata em teto de zinco quente" e "O fiel camareiro". O corpo do ator será enterrado amanhã em São Paulo. Por Felipe Brida

domingo, 28 de dezembro de 2008

Cine Lançamento


Wall-E

No ano de 2800, o planeta Terra sofre com o acúmulo de lixo. Devido à poluição atmosférica os seres humanos trocaram suas casas por naves e foram viver em outra órbita. Wall-E, um dos robôs especiais programados para limpar o lixo, passa a trabalhar sozinho em uma área contaminada por gases tóxicos. Certo dia conhece uma robô, de nome Eva, que chega à Terra com a missão de procurar vida naquele ambiente devastado. Nasce então um estreito laço de amizade entre os dois.

Dirigido por Andrew Stanton, ganhador do Oscar de melhor animação por “Procurando Nemo” em 2004, quando dividiu o prêmio com o co-diretor Lee Unkrich, “Wall-E” rapidamente tornou-se sucesso de público e de crítica. A nova animação da Pixar/Disney liderou o primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas na estréia em junho deste ano, e a sensação repetiu-se no Brasil, onde o filme também ficou em primeiro lugar no final de semana quando lançado.
Bem escrito, o filme evita piadas e carrega um visual intenso de desolação pós-apocalipse, o que nem por intervenção divina irá agradar as crianças. A lenta narrativa inicial e a temática adulta deverão atrair em especial os jovens.
Como pano de fundo, mensagens de preservação ambiental e de preocupação com o futuro da vida humana. Os reduzidos diálogos ajudam a remeter ao clima de devastação de um planeta Terra engolido pelo lixo, conseqüência do consumismo capitalista. Como podemos notar os desenhos estão deixando de lado aquelas antigas historinhas para fazer criança sorrir. Questões de debate envolvendo problemáticas sociais já podem ser vistas em animações recentes – “Happy Feet – O pingüim”, por exemplo.
Os conhecedores de cinema encontrarão em “Wall-E” referências musicais de outras fitas, como o clássico tema “Assim falou Zaratustra”, de “2001 – Uma odisséia no espaço” (aliás, na seqüência que precede o clímax o sistema que comanda uma das naves rebela-se de forma parecida ao do personagem de Arthur C. Clarke, Hall-9000). As semelhanças não param por aí. A animação tem um quê de “Corrida Silenciosa” (1972) – a proteção de um ser em extinção, as plantas em ambos os casos. O modelo de Wall-E é o mesmo de “Short Circuit – Um robô em curto-circuito” (1986), e seu sentimento de solidão lembra “ET”, de Spielberg (até a voz é parecida). Tem ainda a homenagem-mote declarada a “Alô, Dolly” cuja música “Put on your Sunday clothes” repete incessantemente ao longo do filme.
Não é por acaso que Eva, a robô por quem Wall-E se apaixona, evoca o nome da primeira mulher criada por Deus e conseqüentemente a primeira a habitar o mundo. Acopla-se assim à idéia defendida por estudiosos de que, se a degradação ao meio ambiente continuar, as catástrofes, naturais ou induzidas, acometerão a vida na Terra, e o a humanidade se reorganizará a partir dos primórdios.
Por essas razões “Wall-E” fica distante de uma animação comum. E a ambientação recria um medonho futuro não muito longínquo ou impossível. Por Felipe Brida

Título original: Wall-E
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: vozes de Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver, MacInTalk.
Direção: Andrew Stanton
Gênero: Animação
Duração: 98 min.
Lançamento em DVD: Primeira quinzena de dezembro
Distribuidora: Walt Disney

sábado, 27 de dezembro de 2008

Entrevista Especial


Selton Mello estréia como diretor em filme sobre desestruturação familiar (*)

Felipe Brida

Mineiro natural de Passos, o ator Selton Mello, que completa 36 anos na próxima terça-feira, dia 30, assinou recentemente seu primeiro filme como diretor de cinema. O drama “Feliz Natal” teve estréia nos cinemas brasileiros no dia 21 de novembro e, devido às críticas positivas, deverá permanecer nas salas de projeção até o próximo mês.
Premiado em festivais de cinema de todo o país, dentre eles três prêmios no Festival de Paulínia – melhor diretor, atriz coadjuvante (Darlene Glória e Graziella Moretto) e menção especial para o ator Fabrício Reis, e nove troféus no Festcine Goiânia, “Feliz Natal” é um dramático painel sobre desestruturação e tragédia familiar.
O longa-metragem narra a história de Caio (Leonardo Medeiros), um homem de 40 anos que, no dia de Natal, decide retornar à casa dos pais após vários anos longe da família. Lá reencontra o pai, Miguel (Lúcio Mauro), que não aceita a sua volta, o irmão Téo (Paulo Guarnieri), que enfrenta uma crise conjugal, e a mãe, Mércia (Darlene Glória), alcoólatra e perturbada. A presença de Caio altera a vida de todos os membros da família, provocando comportamentos extremos, como ódio e reconciliação.
Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida pelo diretor Selton Mello ao Notícia da Manhã.


NM – Selton, nessa primeira investida como diretor de cinema você resolveu rodar um projeto de carga dramática densa, que aborda a desestruturação no ambiente familiar. Como foi levar essa temática tão séria ao cinema?

Mello – Foi uma tentativa de dizer algo que eu vinha querendo me expressar há tempos, mas como ator não tive a possibilidade de fazer. Resolvi então ir a fundo num projeto cuja idéia principal era de fazer um filme intenso sobre incomunicabilidade entre pais e filhos e ao mesmo tempo o da solidão em suas diversas formas. Outro diferencial do meu primeiro longa é que o caso gira em torno de uma família classe média, tão pouco abordada no cinema brasileiro hoje em dia. Espelhei-me nos ensinamentos de Arnaldo Jabor, que fazia tão bem filmes sobre a classe média em sua fase inicial da pornochanchada.


NM – Pelo fato de o filme ser dramático, pesado, angustiante, o que foge do gosto habitual do telespectador, acredita que “Feliz Natal” atingirá o público?

Mello – Espero que sim. As críticas são positivas, e o público vem demonstrando calorosa aceitação. Destaco que o longa é uma história próxima de nós; existe uma família em ruínas, o filho sai de casa, a mãe é alcoólatra e separou-se do marido, o irmão está infeliz com o casamento. Há um passado negro na vida do personagem central, só revelado nos momentos finais da fita, em uma seqüência marcante, puramente visual e poética. Estou confiante: acredito que fui feliz nesse projeto.

NM – Uma das críticas positivas sobre seu trabalho é de que você “dirige atores”. Por ser um estreante tal comentário torna-se um grande empurrão para continuar nesse ramo. No entanto, “dirigir atores” atrapalha num momento em que o cinema prefere almejar o mercado e a indústria?

Mello – O diferencial do filme é justamente ter reunido um time de atores e atrizes de primeira categoria, e, claro, ter rodado um projeto de cunho autoral e bastante peculiar. Cada um dos personagens traz uma história diferente. Darlene Glória não atuava há muito tempo, pelo menos num papel de destaque. Uma atriz grandiosa nos anos 70 e que hoje estava esquecida. E seu papel é uma explosão. Paulo Guarneiri não atuava desde 1996, e é um dos grandes atores brasileiros, também esquecido. Tem ainda Lúcio Mauro, Graziella Moretto e o principal, Leonardo Medeiros, que vem firmando carreira e é sem duvida um dos maiores nomes da geração atual de atores.

NM – Recentemente, no Festival de Cinema de Goiânia, você declarou ao público que irá a partir de agora dedicar-se à direção e possivelmente dará uma freada como ator. Você pretende deixar de atuar?

Mello – Não pretendo, por enquanto, deixar o trabalho de ator. Apenas estou me sentindo cansado, meu emocional anda esgotado. Eu sou uma pessoa bastante crítica; considero que meus trabalhos como ator, nos últimos tempos, vem se repetindo. E eu não quero continuar na mesmice. Por isso minha intenção é tirar férias, repensar meu trabalho e me reinventar.

(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 27/12/2008. Crédito para as duas fotos: Divulgação.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Morre o diretor Robert Mulligan


Indicado ao Oscar como melhor diretor por "O sol é para todos" em 1963, o cineasta Robert Mulligan morreu na última sexta-feira (dia 19) aos 83 anos. Ele sofria de problemas cardíacos.
Irmão mais velho do falecido ator Richard Mulligan (1932-2000), Robert nasceu no Bronx, Nova York, em 23 de agosto de 1925. Iniciou a carreira na primeira metade dos anos 50, dirigindo filmes para TV e seriados. Dentre os trabalhos desse período estão "Suspense", "The Alcoa Hour", "Studio One" e "Playhouse 90".
No cinema dirigiu 20 filmes. Sua estréia deu-se em 1957 com "Vencendo o medo", cujo elenco contava com Anthony Perkins e Karl Malden. Logo depois vieram duas fitas com Tony Curtis como protagonista - "A taberna das ilusões perdidas" (1960) e "O grande impostor" (1961). Ainda em 1961 dirigiu "Quando setembro vier", clássica comédia romântica estrelada por Rock Hudson e Gina Lollobrigida. Voltou a trabalhar com Hudson no ano seguinte, em "Labirinto de paixões".
A partir de 1962 Mulligan foi responsável por filmes que receberam uma série de indicações ao Oscar. "O sol é para todos" ganhou três prêmios da Academia, dentre eles o de melhor ator para Gregory Peck. "O preço de um prazer" (1963) foi indicado a cinco categorias no Oscar - uma delas melhor atriz para Natalie Wood. O drama "À procura do destino" (1965) recebeu três indicações, incluindo atriz coadjuvante para a veterana Ruth Gordon, e a comédia dramática "Tudo bem no ano que vem" (1978), quatro.
Em 1971 Mulligan dirigiu "Verão de 72", filme-símbolo da época - aqui no Brasil recebeu o título de "Houve uma vez um verão". O drama projetou a atriz carioca Jennifer O'Neill ao mundo do cinema e deu a Michel Legrand o Oscar de melhor música.
Outros trabalhos do diretor incluem "Subindo por onde se desce" (1967), "A noite da emboscada" (1968), "A inocente face do terror" (1972), "Irmãos de sangue" (1978), "Clara's heart" (1988) e "No mundo da lua" (1991), seu último trabalho. Por Felipe Brida

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Morre o ator Van Johnson aos 92

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Astro de Hollywood nos anos 40 e 50, o ator Van Johnson morreu hoje aos 92 anos. Ele vivia em um asilo em Nova York e faleceu de causas naturais.
Nascido em 26 de agosto de 1916 em Newport, Rhode Island (EUA), Johnson iniciou a carreira em 1940 fazendo pontas em filmes. Em 1942, logo após assinar contrato com a MGM, foi convocado para combater na Segunda Guerra Mundial; porém não pôde servir seu país devido ao fato de que, em decorrência de um acidente automobilístico, havia implantado uma placa metálica na cabeça.
Longe de metralhadoras e bombas, firmou sólida carreira no cinema a partir dos anos 50. Atuou em mais de 100 filmes. Com Humphrey Bogart e Jose Ferrer participou do drama de guerra "A nave da revolta" (1954); no mesmo ano fez par romântico com Eizabeth Taylor em "A última vez que vi Paris" (1954). Trabalhou com grandes atrizes, dentre elas Esther Williams, Judy Garland, Janet Leigh e Jane Wyman. Na carreira de Johnson constam ainda os filmes "Dois no céu" (1943), "A comédia humana" (1943), "Ziegfeld Follies" (1946), "Mamãe, ele e eu" (1949), "O preço da glória" (1949), "A noiva desconhecida" (1949), "Meu coração tem dono" (1950), "Todos são valentes" (1951), "Brigadoon - A lenda dos beijos perdidos" (1954), "Pelo amor de meu amor" (1955), "A 23 passos da rua Baker" (1956), "Esposas e amantes" (1963), "Os seus, os meus e os nossos" (1968) e "O seqüestro do presidente" (1980).
Conhecido por usar meias vermelhas extravagantes, o ator atuou em seriados norte-americanos, como "Maude". A única indicação a um prêmio que Johnson recebeu ao longo da carreira foi um Emmy pela participação no seriado "Rich Man, Poor Man" em 1976. Johnson deixa uma filha. Por Felipe Brida

Especiais sobre Cinema


Lista com indicados ao Globo de Ouro é anunciada em Los Angeles (*)


Felipe Brida

A Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood anunciou na manhã de hoje, quinta-feira, a lista dos indicados à 66ª edição do Globo de Ouro. A divulgação ocorreu no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles.
O ator Heath Ledger (foto ao lado), falecido em janeiro deste ano em decorrência de uma overdose de medicamentos, recebeu indicação de melhor ator coadjuvante em “Batman – O cavaleiro das trevas”, onde interpreta o famoso vilão Coringa. O brasileiro “Última Parada 174”, dirigido por Bruno Barreto, ficou de fora da disputa na categoria filme estrangeiro.
O drama biográfico “Frost/Nixon”, do aclamado diretor Ron Howard, e a fantasia “The Curious Case of Benjamin Button”, adaptação de uma história de F. Scott Fitzgerald dirigida por David Fincher, tiveram o maior número de indicações: cinco categorias cada um.
Considerado prévia do Oscar, o Globo de Ouro será realizado no dia 11 de janeiro, a partir das 17 horas em Los Angeles.

Confira abaixo a lista completa dos indicados (exceto as categorias relacionadas a seriados e minisséries).


Melhor filme - Drama:

"The Curious Case of Benjamin Button"
"Frost/Nixon"
"The Reader"
"Revolutionary Road"
"Slumdog Millionaire"

Melhor filme - Comédia ou musical:

“Queime Depois de Ler”
“Happy-Go-Lucky”
“Na mira do chefe”
“Mamma Mia! – O filme”
“Vicky Christina Barcelona”

Melhor diretor:

Danny Boyle, por “Slumdog Millionaire”
Stephen Daldry, por “The reader”
David Fincher, por “The Curious Case of Benjamin Button”
Ron Howard, por “Frost/Nixon”
Sam Mendes, por “Revolutionary Road”

Melhor atriz dramática:

Anne Hathaway, por “Rachel getting married”
Angelina Jolie, por “Changeling”
Meryl Streep, por “Doubt”
Kristin Scott Thomas, por “I've Loved You So Long”
Kate Winslet, por “Revolutionary Road”

Melhor ator dramático:

Leonardo DiCaprio, por “Revolutionary Road”
Frank Langella, por “Frost/Nixon”
Sean Penn, por “Milk”
Brad Pitt, por “The Curious Case of Benjamin Button”
Mickey Rourke, por “The wrestler”

Melhor atriz em comédia ou musical:

Rebecca Hall, por “Vicky Christina Barcelona”
Sally Hawkins, por “Happy-go-lucky”
Frances McDormand, por “Queime depois de ler
Meryl Streep, por “Mamma Mia! – O filme”
Emma Thompson, por “Last Chance Harvey”

Melhor ator em comédia ou musical:

Javier Bardem, por “Vicky Christina Barcelona”
Colin Farrell, por “Na mira do chefe”
James Franco, por “Pineapple Express”
Brendan Gleeson, por “Na mira do chefe”
Dustin Huffman, por “Last Chance Harvey”

Melhor ator coadjuvante:

Tom Cruise, por "Tropic Thunder"
Robert Downey Jr. por "Tropic Thunder"
Ralph Fiennes, por "The Duchess"
Philip Seymour Hoffman, por "Doubt"
Heath Ledger, por "Batman – O cavaleiro das trevas"


Melhor atriz coadjuvante:
Amy Adams, por "Doubt"
Penelope Cruz, por "Vicky Christina Barcelona"
Viola Davis, por "Doubt"
Marisa Tomei, por "The Wrestler"
Kate Winslet, por "The Reader"

Melhor roteiro:

Simon Beaufoy, por “Slumdog millionaire”
David Hare, por “The reader”
Peter Morgan, por “Frost/Nixon”
Eric Roth, por “The Curious Case of Benjamin Button”
John Patrick Shanley, por “Doubt”


Melhor filme de animação:

"Bolt"
"Kung Fu Panda"
"Wall-E"

Melhor trilha sonora:

Alexandre Desplat, por “The Curious Case of Benjamin Button”
Clint Estwood, por “Changeling”
James Newton Howard, por “Defiance”
A.R. Rahman, por “Slumdog millionaire”
Hans Zimmer, por “Frost/Nixon”


Melhor canção:

“Down to Earth” – Wall-E
“Gran Torino” – Gran Torino
“I thought I lost you” – Bolt
“The wrestler” – The wrestler
“Once in a lifetime” – Cadillac Records

Melhor filme em língua estrangeira:

“The Baader Meinhof Complex” (Alemanha)
“Everlasting Moments” (Suécia/Dinamarca)
“Gomorra” (Itália)
“I've Loved You So Long” (França)
“Waltz With Bashir” (Israel)



(*) Matéria publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 12/12/2008. Crédito para as fotos: Divulgação.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cine Lançamento

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Arquivo X – Eu quero acreditar

A ex-agente do FBI Dana Scully (Gillian Anderson) agora trabalha como médica em um hospital. Procurada para auxiliar em um estranho caso envolvendo uma agente seqüestrada e um padre pedófilo com visões sobrenaturais, Scully recorre ao antigo colega de trabalho, Fox Mulder (David Duchovny), também afastado do FBI. Juntos irão atuar na última investigação de suas vidas.

Dez anos após o primeiro filme baseado na franquia “Arquivo X”, o produtor do seriado Chris Carter aparece com a tentativa de resgatar da tumba os agentes do FBI Fox Mulder e Scully em um caso policial sobre seqüestro e visões do além. Infelizmente, com ajuda de Frank Spotnitz, outro produtor do seriado, escreveu um roteiro confuso, cheio de pequenas histórias paralelas que nunca se concluem e um final apressado, à beira do catastrófico. Aliás, o filme caminha sempre sem clima. Uma experiência decepcionante.
O seriado terminou de vez em 2002, após nove anos de exibição, e tudo já havia se concluído. Ou seja, não havia motivos para ressuscitarem os antigos fantasmas. É um desprazer reunir Scully médica, levando outra vida, e Mulder, isolado em um apartamento, barbudo e sem ânimo. Parece que a própria dupla central demonstra um baita desinteresse por estar nessa segunda continuação.
O intrigante caso do padre pedófilo, um dos chamarizes da fita, conclui-se de forma banal. Em tudo é um verdadeiro blergh (ou blasé, como queiram). Por Felipe Brida

Título original: The X-Files: I want to believe
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet, Billy Connolly, Xzibit, Mitch Pileggi.
Direção: Chris Carter
Gênero: Ficção científica
Duração: 104 min.
Lançamento: Primeira quinzena de dezembro
Distribuidora: 20th Century Fox

Morre o ator Robert Prosky


O ator Robert Prosky morreu aos 77 anos na última segunda-feira, dia 8, conforme anunciado hoje pelos familiares. Vítima de complicações decorrentes de uma cirurgia no coração, Prosky faleceu em um hospital próximo à sua residência, em Washington DC.
O ator, nascido em Philadelphia, Pennsylvania, no dia 13 de dezembro de 1930, formou-se em Economia. Enquanto estudava teatro em Nova York, trabalhava como guarda-livros no Federal Reserve Bank.
Iniciou a carreira artística no teatro durante os anos 60. No cinema, atuou em aproximadamente 60 filmes, dentre eles "O quarto poder" (1997), "O segredo" (1996), "A letra escarlate" (1995), "O último grande herói" (1993), "Hoffa - Um homem, uma lenda" (1992), "Um sonho distante" (1992), "As coisas mudam" (1988), "As grandes férias" (1988), "Nos bastidores da notícia" (1987), "Christine - O carro assassino" (1983) e "Profissão ladrão" (1981).
Prosky era casado com Ida Hove, mãe de seus três filhos. Por Felipe Brida

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Especiais sobre Cinema


Restauração de “São Bernardo” realça visão capitalista corrosiva de Leon Hirszman (*)

Felipe Brida

Lançado em 1972 após sete meses de censura pelo Regime Militar, o filme “São Bernardo”, baseado na obra de Graciliano Ramos escrita em 1934, sai agora em um DVD especial distribuído pela Vídeo Filmes. O lançamento é resultado do projeto de restauro digital da obra de Leon Hirszman (1937-1987), diretor do longa-metragem. Encabeçam o trabalho de restauração o crítico de cinema Carlos Augusto Calil, os irmãos Lauro e Eduardo Escorel, diretores de fotografia, e os filhos do cineasta, Maria e João Pedro Hirszman.
“São Bernardo” retrata a vida do modesto caixeiro-viajante Paulo Honório (Othon Bastos), que, no interior de Alagoas, enriquece de uma hora para outra e torna-se um homem rude e inescrupuloso. Adquire terras, escraviza seus funcionários e tenta de todas as formas comprar a fazenda de São Bernardo. Arranja um casamento forçado com a professora Madalena (Isabel Ribeiro), a qual a trata como objeto. O conflito entre o casal se intensifica quando Madalena resolve se livrar da dominação do marido.
Em 1974 “São Bernardo” recebeu prêmios em diversos festivais de cinema no Brasil, dentre eles Gramado. A obra restaurada teve sua primeira exibição em tela de cinema na noite de abertura do 41º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, no dia 18 de novembro. O Teatro Nacional recebeu um público de 600 pessoas e contou ainda com a presença dos três últimos integrantes vivos da produção: os atores Othon Bastos e Nildo Parente e o diretor de fotografia Lauro Escorel.
Em entrevista especial ao Notícia da Manhã, o ator Othon Bastos relembrou as dificuldades em se adaptar a obra de Graciliano Ramos para o cinema em plena época do Regime Militar. Confira.


NM – Othon, diante do período turbulento do Regime Militar, em épocas de “Brasil: ame-o ou deixe-o”, como foi construir o personagem Paulo Honório?

Bastos – Vivíamos uma época de repressão, era difícil se manifestar naqueles anos. O personagem não poderia ser outro em circunstância do período que passávamos então: Paulo Honório é rude, frio, perturbado. Ele não aceitava idéias socialistas, revolucionárias. Chega ao ponto de combater o padre, acusando-o de ser comunista. E como poderia amar uma mulher que dizia a realidade, que os empregados da fazenda deveriam receber melhor tratamento, um salário digno? Paulo Honório é a imagem do capitalismo selvagem e violento – ele vem do nada e rapidamente atinge a ascensão, e torna-se um fazendeiro inescrupuloso. E ao mesmo tempo um opressor. Falar desses assuntos durante o Regime Militar era uma questão polêmica. Ao decorrer do filme (e do livro) fica evidente a auto-destruição daquele homem, reflexo dos tempos modernos. É sem dúvida um personagem difícil e que ainda hoje incomoda. As questões do filme e do livro não envelheceram e continuam super-atuais.

NM – O senhor foi um dos rostos marcantes do Cinema Novo, talvez por ter se sobressaído com personagem-chave do filme de maior destaque desse período, “Deus e o Diabo na terra do sol”, dirigido por Glauber Rocha. Como era trabalhar na efervescência do cinema de vanguarda no Brasil?

Bastos – Eu entrei no Cinema Novo pelas portas do fundo; não fazia parte da elite do Cinema Novo, composto por Glauber Rocha, Ruy Guerra, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e o próprio Leon Hirzsman. Inicialmente, não tinha muita ligação com esse grupo que pensava política e socialmente o movimento cinematográfico. Comecei mesmo em “Deus e o diabo”, em 1964. Depois desse filme, tornei-me a própria imagem do Cinema Novo. Mais tarde, devido a convites, comecei a andar com os fundadores do Cinema Novo. Fiz poucos filmes desse período, aliás antes de “Deus e o Diabo” participei em ponta de dois filmes inaugurais do movimento. Mas o que marcou mesmo foi a figura dual e impressionante do Corisco na obra máxima de Glauber. Trabalhar em cinema nesse período era escolher papéis e saber aonde deveríamos pisar para não ser “comido” pelo Regime Militar. Eram tempos duros.

NM – Antes, diretores e atores estavam à mercê da repressão no Brasil. E hoje, é possível apontar um inimigo cuja classe artística fica acuada?

Bastos – Nos anos 60 e 70 tínhamos um inimigo comum e todos sabiam quem era ele. Sabíamos aonde pisar, como driblar o sistema e, claro, tínhamos a noção de que qualquer passo errado poderia se transformar em uma situação de vida ou morte. O risco era iminente não só para os artistas, mas para políticos e pensadores. Atualmente não sabemos quem são nossos inimigos. Talvez o maior deles seja a parte financeira: muitos diretores e atores tentam fazer cinema, mas por falta de incentivo acabam parando. Alguns conseguem verba com patrocínio, outros recorrem à ajuda estrangeira. Fazer cinema no Brasil hoje é um trabalho árduo e penoso.


Saiba mais sobre o ator

Nascido em Tucano, Bahia, no dia 23 de maio de 1933, Othon Bastos atua em cinema e televisão desde os anos 60. Iniciou a carreira como ator em 1962 participando de uma ponta no filme “Tocaia no asfalto”. No cinema trabalhou em mais de 40 filmes e foi premiado três vezes: melhor ator por “Os deuses e os mortos” em 1970 no Festival de Brasília e na mesma categoria por “São Bernardo” em 1974 no Festival de Gramado, e ator coadjuvante por “Bicho de sete cabeças” em 2002 no Grande Festival de Cinema Brasileiro. Trabalhou em mais de 40 filmes, dentre eles “Bicho de sete cabeças” (2001), “Mauá – O imperador e o rei” (1999). Atuou em 30 novelas, dentre elas “Roque Santeiro” (1985), “Selva de pedra” (1986), “Despedida de solteiro” (1992), “A padroeira” (2001) e “Desejo proibido” (2007), e minisséries como “Desejo” (1990), “O quinto dos infernos” (2002) e “Mad Maria” (2005).


(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 05/12/2008. Crédito para a primeira foto, cena de "São Bernardo": Divulgação. Duas outras fotos: Felipe Brida

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cine Lançamento


Kung Fu Panda

Urso panda desajeitado, Po (voz de Jack Black) recebe uma missão divina: treinar kung fu ao lado dos mais importantes lutadores de sua terra a fim de proteger o Vale da Paz do vingativo leopardo Tai Lung.

Junto com “Shrek” e “Wallace & Gromit – A batalha dos vegetais”, “Kung Fu Panda” é uma das melhores animações produzidas pela DreamWorks. Tornou-se sucesso de público imediato. No final de semana de estréia nos EUA, na primeira quinzena de junho, arrecadou USS 60 milhões desbaratinando filmes que já estavam consolidados em cartaz – “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal”, “Sex and the city - O filme” e “Homem de ferro”.
Diverte e agrada jovens e adultos. No entanto os meninos irão curtir mais as incríveis seqüências de lutas e pancadaria produzidas em computação gráfica cujas técnicas ainda recriam um visual deslumbrante de uma China que preserva os tempos medievais. O uso adequado do sistema digital neste caso comprova a eficácia da incorporação do vídeo-game no cinema, questão bastante debatida hoje por cineastas e estudiosos na área de cinema.
A voz do comediante Jack Black é combinação perfeita para o panda trapalhão e sem jeito para o kung fu. Como não poderia faltar, as mensagens positivas (sobre perseverança, crescimento pessoal etc) conduzem as ações dos personagens da fita.
Em sua primeira animação em formato longa-metragem, Mark Osborne (indicado ao Oscar de curta-metragem de animação em 1998 por “More”) levantou, dentro e fora dos Estados Unidos, nova franquia. A continuação de “Panda”, anunciada recentemente, está prevista para 2011. Por Felipe Brida

Título original: Kung Fu Panda
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: Vozes de Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Jackie Chan, Ian McShane, Lucy Liu, James Hong, Seth Rogen, Randall Duk Kim, Michael Clarke Duncan, Wayne Knight.
Direção: Mark Osborne/ John Stevenson
Gênero: Animação
Duração: 92 min.
Lançamento: Segunda quinzena de novembro
Distribuidora: DreamWorks Animation/ Paramount Pictures/ UIP

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Comentários do blogueiro


Amigos leitores

Após 28 dias sem atualização, o blog retorna ao seu funcionamento normal. Devido a compromissos de trabalho estive impossibilitado de sequer disparar uma postagem. Retorno dos festivais de Goiânia e Brasília com muitas novidades, dentre elas entrevistas exclusivas que vocês poderão conferir aqui a partir de hoje. Logo abaixo trago uma matéria - um panorama geral - sobre o 41º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, publicada hoje no jornal Notícia da Manhã.
O email mantém-se aberto para sugestões, críticas e dúvidas; só enviar mensagem para felipe@epipoca.com.br
Um grande abraço e boa leitura.

Especiais sobre Cinema


Festival de Brasília consagra filme sobre fobias com quatro Candangos (*)

Felipe Brida

Mesmo sob uma chuva de vaias do público na noite de entrega dos troféus Candango, o diretor Kiko Goifman saiu-se o vencedor do 41º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, na última terça-feira (dia 25). Seu novo longa-metragem, “FilmeFobia” (foto acima) levou quatro prêmios – melhor filme, ator (Jean-Claude Bernardet), montagem e direção de arte. A fita é um falso documentário em que o ensaísta e crítico de cinema Jean-Claude Bernardet interpreta um cineasta que procura testar diferentes fóbicos. Para isto, reúne um grupo de pessoas que deverá aparecer em seu filme encarando aquilo que os apavora – anões, pombos, aranhas, seringas, altura, sexo, mar e palhaços. Segundo o diretor Kiko Goifman, grande parte do elenco é composta por pessoas que realmente sofrem de uma fobia e, portanto, tiveram de ficar frente a frente com seus medos reais. Em Brasília, o filme, cuja primeira exibição pública ocorreu no 61º Festival de Locarno (Suíça) em agosto passado, causou mal estar e indignação no público.
Considerado por críticos e pelo próprio público como um dos mais insatisfatórios dos últimos anos, a edição 2008 do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro trouxe, na seleção oficial, quatro documentários – “À margem do lixo”, “O milagre de Santa Luzia”, “Tudo isso me parece um sonho” e “Ñande Guarani”, uma ficção (Siri-Ará) e outra ficção semi-documental, “FilmeFobia”. O número de interessados no festival também sofreu uma queda violenta em relação aos anos anteriores; estima-se um decréscimo de 25% no público esse ano.

Terceira parte

Logo atrás de “FilmeFobia” ficou “À margem do lixo”, documentário que retrata a vida de catadores de lixo. O filme recebeu três prêmios – especial do Júri, melhor filme (Júri popular) e fotografia. Dirigido por Evaldo Mocarzel, é a terceira parte de uma tetralogia iniciada com “À margem da imagem” (2003) e “À margem do concreto” (2005).

São Bernardo

Na abertura da 41ª edição do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, duas apresentações especiais marcaram a noite do dia 18 de novembro: um concerto da orquestra do Teatro Nacional Cláudio Santoro, coordenador pelo regente Ira Levin, e, logo após, a exibição do filme “São Bernardo” (1972), do diretor Leon Hirszman, em edição remasterizada. Os últimos integrantes vivos da equipe do filme estiveram presentes no festival para participar de um debate sobre a obra, uma adaptação do livro de Graciliano Ramos: os atores Othon Bastos e Nildo Parente e o diretor de fotografia Lauro Escorel. Confira, na próxima semana, no Notícia da Manhã, entrevista exclusiva com o ator Othon Bastos, realizada diretamente do Festival de Brasília.

Programação

Além da exibição de longas e curtas-metragens, o festival contou com seminários, debates sobre filmes e workshops. O cineasta Nelson Pereira dos Santos, idealizador do movimento Cinema Novo nos anos 60, foi o grande homenageado da edição desse ano.
Na noite de encerramento do festival foi exibido o filme “Lance maior”, em comemoração aos 40 anos do drama, estréia do diretor Sylvio Back no cinema.
Criado em 1965 pelo crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro é o segundo maior festival de cinema realizado no país – perde apenas para Gramado.


Confira os principais vencedores do troféu Candango na categoria longa-metragem

Prêmios oficiais:

Melhor filme (Júri oficial): “Filmefobia”, de Kiko Goifman
Prêmio especial do Júri: “À margem do lixo”, de Evaldo Mocarzel
Melhor filme (Júri popular): “À margem do lixo”
Melhor direção: Geraldo Sarno, por “Tudo isto me parece um sonho”
Melhor ator: Jean-Claude Bernadet, por “FilmeFobia”
Melhor atriz e Melhor atriz coadjuvante: Elenco feminino de “Siri-Ará”
Melhor ator coadjuvante: Everaldo Pontes, por “Siri-Ará”
Melhor roteiro: Geraldo Sarno e Werner Salles, por “Tudo isto me parece um sonho”
Melhor fotografia: Gustavo Hadba e André Lavenere, por “À margem do lixo”
Melhor direção de arte: Cris Bierrenbach, por “FilmeFobia”
Melhor trilha sonora: “O milagre de Santa Luzia”
Melhor som: Fernando Cavalcante, por “Ñande Guarani”
Melhor montagem: Vania Debs, por “FilmeFobia”

(*) Matéria publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 28/11/2008. Créditos para a foto: Divulgação

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Especiais sobre Cinema


IV Festival de Cinema de Goiânia seleciona 83 produções nacionais
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Da Redação


O FestCine Goiânia 2008, festival de cinema promovido pela Secretaria de Cultura de Goiânia, selecionou 83 filmes, dentre eles curtas e longas-metragens e vídeos universitários, que irão concorrer a prêmios na quarta edição do evento, realizado entre os dias 10 e 17 de novembro. Serão 12 longas-metragens, todos nacionais e divididos em duas categoriais – ficção e documentário, inseridos na Mostra Competitiva. As produções incluem “Feliz Natal”, dirigido por Selton Mello, “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, e “Iluminados”, da diretora Cristina Leal.
De acordo com Débora Torres Avelar, produtora executiva do FestCine Goiânia, além da Mostra Competitiva de longas haverá uma competição de curtas-metragens nas categorias ficção, documentário e animação. “Teremos 12 curtas de produtores goianos, uma mostra com 45 vídeos universitários e outra com vídeos caseiros. O maior incentivo, entretanto, é o edital que seleciona roteiros para serem executados e exibidos durante o festival”.
Serão distribuídos R$ 248 mil em prêmios divididos em quatro categorias: longa-metragem ficção, no valor de R$ 100 mil; longa-metragem documentário e curta goiano (ficção, documentário e animação), ambos no valor de R$ 60 mil; vídeo universitário, R$ 25 mil; e vídeo caseiro, R$ 3 mil.
As mostras de vídeos escolares, com vídeos produzidos por 30 escolas da Rede Municipal de Ensino, curtas goianos vencedores do Edital 2008 de roteiros e o Festivalzinho, cujas produções são voltadas ao público infantil, também integram a programação do FestCine.
Segundo Débora Avelar, a qualidade e o desenvolvimento do cinema e do audiovisual no Brasil e, em particular, em Goiânia, levaram a Prefeitura da capital goiana a lançar em 2005 o I FestCine, hoje considerado um dos maiores festivais de cinema brasileiro. “O sucesso se repetiu em 2006 e em 2007, respectivamente com a segunda e terceira edições do festival. Isto demonstra que o evento já se tornou tradicional”.
Renomados artistas brasileiros do cinema e da TV devem participar do evento. Em 2007 marcaram presença no III FestCine Goiânia atores como Cecil Thiré, John Herbert (foto ao lado, junto com o cineasta Ricardo Pinto e Silva) e Fernando Alves Pinto, as atrizes Thelma Reston, Ana Maria Magalhães, Rita Cadillac e Neusa Borges, madrinha do festival, os cineastas Toni Venturi, Adilson Ruiz e Ricardo Pinto e Silva, e o crítico de cinema Rubens Ewald Filho.
Aberto à população, o evento acontece no Cinema Municipal, localizado no Centro Municipal de Cultura “Goiânia Ouro”.

Confira abaixo os longas-metragens indicados às categorias ficção e documentário:


Longas-metragens – Ficção

1. Ainda Orangotangos (2007) – Dirigido por Gustavo Spolidoro
2. Meu Mundo em Perigo (2007) – Dirigido por José Eduardo Belmonte
3. Juventude (2008) – Dirigido por Domingos de Oliveira
4. Feliz Natal (2008) – Dirigido por Selton Mello
5. A Festa da Menina Morta (2008 - foto à esquerda) – Dirigido por Matheus Nachtergaele
6. Netto e o Domador de Cavalos (2008) – Dirigido por Tabajara Ruas


Longas-metragens – Documentário

1. Iluminados (2007) – Dirigido por Cristina Leal
2. 1958: O ano em que o mundo descobriu o Brasil (2007) – Dirigido por José Carlos Asbeg
3. Sentidos à Flor da Pele (2008) – Dirigido por Evaldo Mocarzel
4. Palavra (En)cantada (2008) – Dirigido por Helena Solberg
5. Benzeduras (2008) – Dirigido por Adriana Rodrigues
6. O Retorno (2007) – Dirigido por Rodolfo Nanni


Oficinas

O FestCine Goiânia 2008 promove ainda três oficinas e mini-cursos gratuitos, focados em processos cinematográficos.
Entre os dias 11 e 16 de novembro, o diretor de fotografia Pedro Pablo Lazzarini – argentino radicado no Brasil há mais de 30 anos, e o premiado diretor Ugo Giorgetti (foto abaixo), responsável por filmes como “Boleiros”, “Festa” e “Sábado”, ministram a oficina Aprenda a fazer Cinema com quem faz Cinema. O curso tem o objetivo de contribuir com a formação de novas gerações de telecineastas.
O advogado Petrus Barreto fala, nos dias 11 e 12, sobre direitos autorais. A oficina Introdução ao Direito Autoral abordará temas como Direitos Morais e Patrimoniais do Autor e Domínio Púbico, Regimes Especiais, Limitações aos Direitos de Autor, Instrumentação Jurídica dos Direitos de Autor e Cessão de Licenciamento de Obras.
Jornalista do Notícia da Manhã, Felipe Brida, pós-graduando em Artes Visuais e Intermeios na Unicamp e pesquisador de cinema desde 1998 ministra o mini-curso Cinema Brasileiro: Censura, pós-militarismo e retomada, entre os dias 13 e 16, no stand das oficinas montado durante o evento.
Cada oficina selecionará, por currículo, apenas 30 alunos. Conheça mais sobre o FestCine Goiânia pelo site http://www.festcinegoiania.com.br/

(*) Reportagem publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 31/10/2008. Créditos para a primeira foto: Cida Carneiro. Outras fotos: Divulgação.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Especiais sobre cinema


Brasil disputa vaga com 67 países para Oscar de filme estrangeiro

Felipe Brida

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou a lista oficial e atualizada de todos os países que encaminharam seus filmes para concorrer a uma vaga do Oscar 2009 na categoria de melhor filme estrangeiro. No total foram 67 produções, e somente cinco serão selecionadas – conhecidos pelo público apenas no dia 22 de janeiro.
O Brasil está representando com o drama Última Parada 174, do diretor Bruno Barreto, e que teve estréia em todo o país na última semana. O filme, inspirado no documentário “Ônibus 174”, de José Padilha, o diretor de “Tropa de Elite”, narra a trajetória de Sandro Nascimento, menino de rua que sobreviveu à chacina da Candelária, e que, anos depois, jovem, seqüestrou o ônibus da linha 174. Nesse último evento, ocorrido em 2000, foi morto em decorrência de uma desastrada ação policial.
Confira abaixo a lista completa dos 67 pré-selecionados (na sequência: país/filme/diretor) para a 81ª edição do Oscar, realizada no dia 22 de fevereiro de 2009, no teatro Kodak de Los Angeles.


Afeganistão, "Opium War", de Siddiq Barmak

África do Sul, "Jerusalema", de Ralph Ziman

Albânia, "The Sorrow of Mrs. Schneider", de Piro Milkani e Eno Milkani

Alemanha, "Der Baader Meinhof Komplex", de Uli Edel

Argélia, "Mascarades", de Lyes Salem

Argentina, "Leonera", de Pablo Trapero

Áustria, "Revanche", de Gotz Spielmann

Azerbaijão, "Fortress", de Shamil Nacafzada

Bangladesh, "Aha!", de Enamul Karim Nirjhar

Bélgica, "Eldorado", de Bouli Lanners

Bósnia e Herzegovina, "Neve", de Aida Begic

Brasil, "Última Parada 174", de Bruno Barreto

Bulgária, "Zift", de Javor Gardev

Canadá, "Ce qu'il faut pour vivre", de Benoit Pilon

Cazaquistão, "Tulpan", de Sergey Dvortsevoy

Coréia do Sul, "Keurosing", de Tae-gyun Kim

Chile, "Tony Manero", de Pablo Larrain

China, "Dream Weavers", de Jun Gu

Colômbia, "Perro come Perro", de Carlos Moreno

Croácia, "Niciji sin", de Arsen Anton Ostojic

Dinamarca, "To Verdener", de Niels Arden Oplev

Egito, "El Gezira", de Sherif Arafa

Espanha, "Los Girasoles Ciegos", de José Luis Cuerda

Eslováquia, "Slepe Lásky", de Juraj Lehotsky

Eslovênia, "Rooster's Breakfast", de Marko Nabersnik

Estônia, "Ma Olin Siin", de Rene Vilbre

Filipinas, "Ploning", de Dante Nico Garcia

Finlândia, "Tummien Perhosten Koti", de Dome Karukoski

França, "Entre les Murs", de Laurent Cantet

Geórgia, "Mediator", de Dito Tsintsadze

Grécia, "Corretivo", de Thanos Anastopoulos

Holanda, "Dunya & Desie", de Dana Nechushtan

Hong Kong, "Wa pei", de Gordon Chan

Hungria, "Iszka Utazása", de Csaba Bollok

Islândia, "White night wedding”, de Baltasar Kormakur

Índia, "Somos todos diferentes", de Aamir Khan

Irã, "A canção dos pardais", de Majid Majidi

Israel, "Waltz with Bashir", de Ari Folman

Itália, "Gomorra", de Matteo Garrone

Japão, "Okuribito", de Yojiro Takita

Jordânia, "Capitão Abu Raed", de Amin Matalqa

Látvia, "Rigas Sargi", de Aigars Grauba

Líbano, "Sob as Bombas", de Philippe Aractingi

Lituânia, "Perda", de Maris Martinsons

Luxemburgo, "Nuits d'Arabie", de Paul Kieffer

Macedônia, "Eu sou de Titov Veles", de Teona Strugar Mitevska

Marrocos, "Deus às mães", de Mohamed Ismail

México, "Arrancáme la Vida", de Roberto Sneider

Noruega, "O' Horten", de Bent Hamer

Palestina, "Le Sel de la Mer", de Annemarie Jacir

Polônia, "Sztuczk", de Andrzej Jakimowski

Portugal, "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes

Quirguistão, "Tengri", de Marie Jaoul de Poncheville

Reino Unido, "Hope Eternal", de Karl Francis

República Tcheca, "Karamazovi", de Petr Zelenka

Romênia, "Restul e Tacere", de Nae Caranfil

Rússia, "Rusalka", de Anna Melikyan

Sérvia, "Turneja", de Goran Markovic

Singapura, "My Magic", de Eric Khoo

Suécia, "Maria Larssons eviga ögonblick", de Jan Troell

Suíça, "O amigo", de Micha Lewinsky

Tailândia, "Rak haeng Siam", de Chookiat Sakveerakul

Taiwan, "Hai jiao qi hao", de Te-Sheng Wei

Turquia, "Üç Maymun", de Nuri Bilge Ceylan

Ucrânia, "Indi", de Aleksandr Kirienko

Uruguai, "Matar a todos", de Esteban Schroeder

Venezuela, "El Tinte de La Fama", de Alejandro Bellame Palacios

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Cine Lançamento

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O nevoeiro

Logo após uma violenta tempestade, Maine é atingida por um nevoeiro que toma conta da cidade. Um grupo de pessoas isola-se em um supermercado a fim de esperar a névoa passar. Porém os refugiados descobrem que estão cercados por seres grotescos sedentos por sangue. O grupo, liderado por uma fanática religiosa, Sra. Carmody (Marcia Gay Harden), tentará de todas as maneiras para sair do supermercado e assim destruir as criaturas.

Descartável adaptação para os cinemas do livro “The Mist”, escrito pelo mestre do terror Stephen King, e dirigido pelo francês Frank Darabont que, depois de “Cine Majestic” (2001), entrou em decadência e não rodou mais nenhum filme.
Aqui, um exemplo de terror medíocre com incursão no tema de ficção científica, com direito a portais para outras dimensões e criaturas pré-históricas. Sangue é o que não falta.
No entanto, uma novidade: está longe de ser um roteiro superficial. Há muitas referências metafóricas sobre questões políticas atuais que remetem à relação dos Estados Unidos com países do Oriente Médio (Iraque e Afeganistão). O grupo de pessoas manipulado por uma fanática religiosa, a violência explosiva cometida pelos próprios seguidores da misteriosa mulher, o que inclui um rápido ritual de sacrifício, e a dominação militar, no final, propagadora da paz e da ordem social podem passar despercebidos pelos olhares desatentos do público.
Como terror, segura-se um clima de medo e estranheza até os 45 minutos iniciais; depois, com a invasão dos asquerosos seres (moscas e baratas gigantes e até um enorme caranguejo com tentáculos de polvo!), o filme cai no lugar-comum e fica apelativo. E tudo conduzido sob narrativa ágil. A resolução reserva surpresas e pode ser considerada chocante.
Não confundir com “O nevoeiro”, título homônimo para a televisão do filme “A bruma assassina” (The fog - 1980), de John Carpenter, e nem com a tosca refilmagem, “A névoa” (2005), ambos sobre nevoeiro, só que, ao invés de monstros, trazia espíritos vingativos de antigos piratas em busca de ouro perdido!
Nos Estados Unidos “O nevoeiro” também saiu em versão P&B, idéia originalmente bolada pelo diretor Darabont. Por Felipe Brida


Título original: The mist
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, William Sadler, Jeffrey DeMunn, Laurie Holden, Toby Jones, Frances Sternhagen, Nathan Gamble.
Direção: Frank Darabont
Gênero: Terror/ Ficção científica
Duração: 126 min.
Lançamento: Segunda quinzena de outubro
Distribuidora: Dimension Films/ MGM/ The Weinstein Company/ Paris Filmes

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cine Lançamento

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Sex and the city – O filme

Jornalista bem sucedida no campo da moda, Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) vive em Nova York, sem filhos e sem marido. Junto com as inseparáveis amigas Samantha (Kim Catrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon), tenta equilibrar o trabalho com os relacionamentos amorosos. Após um rápido romance com o charmoso “Mr Big” (Chris Noth), recebe a proposta para se casar. Será que Carrie conseguirá viver uma vida a dois?

Esperava-se mais deste primeiro filme baseado na famosa série homônima produzida pela HBO e exibida entre 1998 e 2004, vencedora de diversos prêmios, dentre eles oito Globos de Ouro.
A franquia “Sex and the city” obteve sucesso principalmente entre o público feminino por tratar questões comportamentais sobre a independência da mulher na sociedade contemporânea. Também ficou notória por focar tendências da moda, e ainda criava ponte para exibição e propaganda das maiores grifes do mundo, um autêntico desfile de glamour, muita gente bonita e um passeio por uma Nova York de arrancar suspiros pela beleza e brilho. Ou seja, cumpre seu papel como uma sitcom que atinge o extremo do nível comercial, bem agradável, mas longe do empolgante, pelo menos para mim.
Aqui, no filme, as situações se repetem, o quarteto de amigas vive as angústias e sonhos já tratados na série, a personagem central ainda quer firmar um namoro sério e por aí vai. O próprio roteiro falha em não construir sacadas. Uma das poucas surpresas seria a do momento do casamento de Carrie, aliás uma seqüência-clichê. A duração excessiva (quase duas horas e meia de projeção) torna arrastada a história. Há situações inacabadas, sem conclusão, e o ritmo de seriado permanece aqui, lento e recheado de diálogos. Em suma, a fita não deu certo, e grande parte dos fãs da série criticou o resultado.
Apesar de ter pouco acompanhado “Sex and the city” pela televisão, conhecia a temática e as personagens. Confesso que não é meu estilo de seriado, o que fez com que sentisse dificuldades em me envolver com o conteúdo do longa. Pensando dessa maneira, a indicação do filme serve apenas para o público que já está familiarizado com o sitcom.
Além das quatro boas atrizes principais (em especial Sarah Jessica Parker e Kim Catrall), a fita tem ainda a participação especial da ganhadora do Oscar Jennifer Hudson e da veterana Candice Bergen. Por Felipe Brida

Título original: Sex and the city
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth, Jennifer Hudson, Candice Bergen.
Direção: Michael Patrick King
Gênero: Comédia
Duração: 148 min.
Lançamento: Primeira quinzena de outubro
Distribuidora: PlayArte

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Resenhas & Críticas

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Um beijo roubado

Em Nova York, Jeremy (Jude Law) dirige um restaurante-café até altas horas da noite. Certo dia, prestes a fechar o estabelecimento, conhece a jovem Elizabeth (Norah Jones), que, amargurada, conta a ele sobre a traição do namorado. Ela deixa as chaves do apartamento com Jeremy, caso o ex venha buscá-las. Elizabeth passa a freqüentar o restaurante e logo percebe o interesse de Jeremy por ela. No entanto, a jovem arruma um emprego como garçonete em Memphis e tem de deixar Nova York. No bar onde trabalha e longe de Jeremy vai conhecer pessoas que mudarão para sempre sua vida.

Selecionado para a abertura do Festival de Cannes em 2007, “O beijo roubado” é um simpático drama romântico, primeiro longa do chinês Kar Wai Wong em terras estadunidenses. Um pouco lento e cheio de cores luminosas, a fita trata com sutileza temas intimistas, como a transformação dos sentimentos humanos provocados pelas relações interpessoais. A idéia do acaso como elemento de suporte para a reflexão sobre o “eu e o outro” também se faz presente em todas as pequenas histórias que se entrelaçam ao longo do filme – a maior parte é trágica e por vezes amarga, como a do policial (David Strathairn) angustiado com a separação da esposa (Rachel Weisz).
A narrativa derrapa na parte final, a partir do encontro da garçonete vivido por Norah Jones com a personagem interpretada por Natalie Portman, uma viciada em jogos de mesa.
A trilha jazzística composta por Ry Cooder conduz o drama de forma magistral. Em sua estréia no cinema, a bonita cantora Norah Jones demonstra um carisma notável. O título em português é um tanto tolo, lembra comédia besteirol americana, mas depois se justifica. Vale ser conferido. Por Felipe Brida

Título original: My blueberry nights
País/Ano: Hong Kong/ China/ França, 2007
Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, David Strathairn, Natalie Portman, Benjamin Kanes, Adriane Lenox, Cat Power.
Direção: Kar Wai Wong
Gênero: Drama/ Romance
Duração: 95 min.
Lançamento: Segunda quinzena de agosto
Distribuidora: Europa Filmes/ MGM/ The Weinstein Company

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Entrevista Especial

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João Ellyas: “Humor é sempre humor. Seja ingênuo ou sacana” (*)

Felipe Brida

Salim Muchiba, Zé Bento e Mamadinho da Silva. Personagens que fizeram sucesso dentro e fora de Catanduva. O primeiro deles, no país inteiro. E o responsável pela criação dessas figuras humorísticas é o renomado ator catanduvense João Ellyas.
A carreira artística do humorista, filho de alfaiate, começou no rádio na segunda metade dos anos 50. Ainda jovem, sua vontade era ser radialista. Para treinar a voz, anunciava comerciais no programa “Luar do Sertão”, apresentado por Maurílio Vieira. Na mesma época, o saudoso jornalista Lecy Pinotti deu a João Ellyas um nome artístico para que ele atuasse em programas radiofônicos – Escovinha, que depois virou Grachinha e tornou-se famoso.
A primeira incursão de Ellyas em emissoras da capital veio em 1964; o ator saiu de Catanduva, a convite do amigo Adoniram Barbosa, que o levou para a Rede Record para atuar no programa “Histórias da Maloca”. Ainda lá trabalhou com Otelo Zeloni, Zilda Cardoso, Renato Corte-Real e Ary Toledo.
Na metade dos anos 60 abandonou a carreira para ser comerciante. Casou-se em 1971, formou família e passou a dedicar-se aos filhos. Porém, o famigerado talento de Ellyas não poderia deixar de ser mostrado ao público. O ator voltou para a TV quase 20 anos depois, em 1990, na “A Praça é Nossa”, com seu personagem mais importante, o mão-de-vaca Salim Muchiba (foto abaixo). Depois Salim ganhou corpo na “Escolinha do Professor Raimundo”, onde Ellyas passou também a ser redator do programa.
Autor de quatro livros, pintor e poeta, João Ellyas, em entrevista especial ao Notícia da Manhã, relembra suas criações artísticas e discute a situação dos programas de humor na TV brasileira. Confira!


NM – Sobre TV e formatos, de que forma analisa o gênero comédia nos programas televisivos hoje em relação ao passado? Considera o conteúdo apelativo e nonsense?

Ellyas – Quem faz a comparação de “hoje a comédia está escrachada e abusada” são as pessoas mais velhas, de mentalidade conservadora. O humor de ontem e o humor de hoje são engraçados do mesmo jeito. Antigamente na cabeça do povo tudo era pecado; então se fazia o humor sem palavrão, água-com-açúcar. Hoje mudou-se o conceito, o mundo mudou. Os telespectadores não querem ver aquele humor ingênuo. Então é o próprio povo que deseja essa nova forma de comédia. Então as emissoras e os produtores de TV e cinema atendem a esses anseios.


NM – Mas a comédia na TV é hoje bastante criticada pelos abusos. O público ainda não se acostumou com essa mudança de conteúdo?

Ellyas – Quando há uma revolução no campo das artes, ela torna-se bastante criticada inicialmente. Depois o padrão vai se ajeitando. É o caso do Pânico na TV, que segue a linha do humor escrachado. A turma começou a ser criticada quando do surgimento do programa; eles reformularam o conteúdo, e hoje todos assistem ao programa. E o público entende muito bem a proposta. Pode ser que daqui a algumas décadas o humor passe por uma nova estruturação e aconteça outro tipo de humor. Se hoje você fizer o humor ingênuo, meu camarada... você não arranca risos de ninguém.
Apesar de eu ter vindo de uma geração do humor antigo, anos 60, não sou de comparar o “antes” com a atualidade. Humor é sempre humor. Ele segue duas alternativas: ou é engraçado ou não é. Se hoje reclamam dos palavrões, é porque também a hipocrisia ficou pra trás. Há maneiras de se dizer o mesmo palavrão: aquela sutil, brincalhona, e aquela agressiva, apelativa. Já percebi, nos shows que faço, que quando recrio um texto inteligente e bem sacado, ele não provoca o riso como aquele em que há sacanagem. E isto serve pra qualquer público. Se fez rir é porque valeu a pena.


NM – Identifica-se com qual tipo de humor?

Ellyas – Particularmente todos os tipos me fazem rir: os ingênuos e os sacanas; no entanto é necessário ser inteligente. O que não aprovo aquele humor característico do Pânico, de humilhar e denegrir a imagem das pessoas. Mas não posso negar que rio sempre. O povo é sacana e quer ver alguém tirar sarro na cara das pessoas. Mas vejo que o Pânico está maneirando; eles têm talento para fazer um humor sem ofender as pessoas. O povo já cansou de tanta bagunça. Por incrível que pareça não tenho mais saco para assistir a programas de humor nem a filmes. Apenas confiro rapidamente a programação com o objetivo de analisar o formato. Só. Ainda sou adepto do “ao vivo”, que é menos previsível e mais atraente. E ainda dá abertura para o improviso.


NM – Os personagens caipiras que faz, como o Zé Bento, por focarem o regionalismo e o ingênuo, funcionam fora do interior?
Ellyas – A maior prova de que o caipira funciona é analisarmos alguns ícones, como Mazzaropi, Nhô Moraes e Nerso da Capitinga. O caipira prevalece, tem uma fingida ingenuidade e uma sacanagem nos olhos. Faz-se de bobo pra dizer o que pensa. Esta é a graça do caipira. Não é só no Brasil, existem os caipiras norte-americanos – o seriado “A família Buscapé” fez muito sucesso. O caipira sempre trouxe público pro circo, pouco pra TV. Por isso acho que evitam colocá-lo em programas. Hoje não há mais circo. E o cinema brasileiro atinge sua maturidade, e não vai usar caipira no cinema. A oportunidade pro personagem está escassa. Eu, por exemplo, não vou fazer meu show como caipira, de jeito nenhum. Eu entro de smoking, faço piadas. Certo momento coloco a peruca, um dente postiço e a palheta e interpreto o Zé Bento. Aí o público fica doido... Por que isso? O público quer saber se você é um artista bem informado e inteligente ou se você é um completo idiota. Há comediantes idiotas, mas engraçados; e o público ri dele. Se eu chegar de supetão como caipira e passar o tempo todo como caipira, o público vai cansar e me achar um babaca. Por isso primeiro você mostra que não é bobo, e depois deixa surgir o caipira. A aceitação é unânime.


NM – O senhor atuou por vários anos em uma das maiores emissoras de TV do mundo, a Rede Globo. Considera-se um artista que vive o glamour de ator?

Ellyas – Diferente de muitos colegas, nunca gostei de viver como artista famoso. É da minha índole isto. Nunca me encantei por glamour ou fama. Sou um cidadão simples, que adora morar no interior. Aliás, sempre fiquei em Catanduva; na época da Globo nunca transferi meu domicílio para São Paulo.


NM – Qual a dedicação artística de João Ellyas hoje?

Ellyas – Sou âncora de um programa semanal de humor na rádio Elektro, onde interpreta personagens, falo sobre economia, alertas, notícias de serviço social e de interesse público. Também viajo promovendo shows fechados para convenções empresariais e faculdades. No segmento da literatura, preparo um romance policial. Vivo minha vida em Catanduva, tranqüilo e feliz, e ainda por cima estou trabalhando, graças a Deus! Não saio daqui nem a pau.


(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 10/10/2008. Créditos para a primeira foto de J. Ellyas: Arquivo/Notícia da Manhã. Segunda foto: Divulgação.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Morre o ator japonês Ken Ogata

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O ator japonês Ken Ogata, de 71 anos, morreu no último domingo, vítima de um câncer no fígado. A informação foi divulgada hoje pelos familiares.
Nascido em Tóquio no dia 20 de julho de 1937, Ogata, em 40 anos de carreira, atuou em mais de 60 filmes, dentre eles "Balada de Narayama" (1983) - pelo qual ganhou diversos prêmios internacionais -, "Mishima - Uma vida em quatro capítulos" (1985), "Minha vingança" (1979), "Kichiku/The demon" (1978) e "O grande rapto' (1991).
Trabalhou também no cult "O livro de cabeceira" (1996) e participou em um dos segmentos do drama "11 de setembro" (2002). Casado, o ator deixa filhos. Por Felipe Brida

sábado, 4 de outubro de 2008

Resenhas & Críticas


Awake – A vida por um fio

Prestes a se casar com a charmosa Sam Lockwood (Jessica Alba), Clay Beresford (Hayden Christensen), jovem rico e bem sucedido e ainda superprotegido pela mãe, Lilith (Lena Olin), descobre, certo dia, que sofre graves problemas cardíacos. No entanto ele terá de passar por um transplante de coração para que sua saúde volte se normalize. O médico encarregado da cirurgia, Dr. Jack Harper (Terrence Howard), enquanto não encontra um doador que seja compatível com o tipo sanguíneo de Beresford, aconselha-o a aproveitar a vida ao longo da espera. O jovem então é pressionado a se casar com a noiva, o que faz com que a mãe entre em conflito com a futura nora.

Desastre federal do ano, este suspense dramático com um pé no thriller recebeu duas indicações ao Framboesa de Ouro – o prêmio entregue às piores produções – nas categorias pior atriz (Jessica Alba) e pior dupla (Alba e Christensen). Alba ainda foi indicada a outros “framboesas” em 2008 – “Maldita sorte” e “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”. De fato é dose suportar uma atriz tão pobre em interpretação e cheia de simpatia em tudo, ainda por cima aliada a outro ator chocho, Christensen (já publiquei em posts anteriores meu posicionamento fatal sobre “Jumper” e as más qualidades da aventura-sucesso do ano).
Não é apenas a dupla central que não funciona. A história perde o rumo nos mil e um focos levantados. O início da trama instiga e incomoda, inclusive no texto de apresentação sobre a grande quantidade de pacientes que, durante a cirurgia, não sente o efeito da anestesia e fica acordada durante o processo operatório. A seqüência na sala de cirurgia onde acompanhamos a aflição do personagem acordando durante o transplante é forte e pode sufocar os mais delicados. Porém aos poucos o roteiro fica maluco, envolto de sub-tramas forçadas, como a conspiração no hospital num estilo fajuto de “Coma”. Pobre roteiro infeliz...
Peca na falta de sentido, e a inverossimilhança provoca risos ao invés de emocionar. Poderia ter saído uma fita séria com a preocupação de retratar um fato real e arrepiante só de imaginar. No entanto fica perceptível que a idéia passou longe das intenções dos produtores e do diretor e roteirista estreante Joby Harold. Por Felipe Brida

Título original: Awake
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Hayden Christensen, Jessica Alba, Terrence Howard, Lena Olin, Christopher McDonald, Arliss Howard, Sam Robards, Fisher Stevens.
Direção: Joby Harold
Gênero: Suspense/ Drama
Duração: 84 min.
Lançamento: Primeira quinzena de agosto
Distribuidora: The Weinstein Company /MGM/ Playarte



Sicko – $O$ Saúde

O polêmico cineasta Michael Moore monta um painel sobre o deficiente sistema de saúde pública nos Estados Unidos.

Indicado ao Oscar na categoria de melhor documentário este ano, Sicko é mais uma daquelas fitas provocadoras do jornalista investigativo e cineasta Michael Moore, homem ao mesmo tempo tão amado e tão odiado nos Estados Unidos.
De forma implacável, Moore abre um leque de situações atuais entrelaçadas em contexto histórico do século XX para tentar provar por que o sistema de saúde na maior nação do mundo é terrivelmente falho e sofrível. Para causar o sensacionalismo comum de seus documentários, o cineasta reúne depoimentos de adoentados, pacientes em estado terminal e outros que perderam familiares, e costura-os com o posicionamento crítico de especialistas da área médica. O ataque às corporações, planos de saúde e homens poderosos são inevitáveis.
Não precisamos ir além para matar a charada de que a intenção de Moore é provocar. E por mais que haja oposicionistas em relação às idéias de Moore, o cineasta consegue atingir as expectativas, já que o recurso usado é de cunho sensacionalista. Diante de tanta discussão a probabilidade de sairmos indiferentes é quase nula.
Destaco Sicko (longe de ser a melhor fita de Moore, mas ainda causadora de indagação) como uma extensão de “Fahrenheit 11/09” quanto à “ideologia mooreana” – a atitude declarada anti-Bush e anti-imperialismo norte-americano enraizada na cerne dos pensamentos liberais do diretor projeta indicativos do assunto que se mantém na mídia desde o mês passado: a grande nação prestes a ruir.
A fita, questionadora, incômoda, serve para estudos aprofundados sobre políticas e gestão de saúde.
O barco lotado de gente doente partindo rumo a Cuba, no desfecho do filme, é um trunfo bizarro que só podia ter saído da cabeça doida de Moore. Ah, e como ele próprio aconselha: “Se quiser ficar saudável nos EUA, é bom não ficar doente”. Por Felipe Brida

Título original: Sicko
País/Ano: EUA, 2007
Direção: Michael Moore
Gênero: Documentário
Duração: 123 min.
Lançamento: Segunda quinzena de julho
Distribuidora: The Weinstein Company

sábado, 27 de setembro de 2008

Morre o ator Paul Newman aos 83 anos

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Ícone da "época de ouro" do cinema norte-americano dos anos 50 e 60 e uma das últimas lendas vivas da sétima arte, o ator Paul Newman morreu aos 83 anos na madrugada de hoje (sábado). Ele sofria de câncer no pulmão e faleceu na residência onde vivia, em Westport, Connecticut. Desde que fora submetido a sessões de quimioterapia, em 2006, o ator afastou-se das telas por estar debilitado e bastante doente.
Filho de pai judeu e mãe católica, Newman nasceu no subúrbio de Cleveland, Ohio, no dia 26 de janeiro de 1925. Estudou artes na Universidade de Yale e iniciou na carreira artística no teatro, no final dos anos 40. Judeu e seguidor da religião, o ator trabalhou, entre 1952 e 1953, em diversos seriados, até conseguir uma pequena participação no cinema, em 1954, no épico "O cálice sagrado". Dois anos depois recebeu o primeiro papel de destaque, no drama "Marcado pela sarjeta". Em 1959 teve a primeira indicação ao Oscar - melhor ator por "Gata em teto de zinco quente". O ator recebeu ainda oito indicações ao Oscar na categoria de melhor ator - "Desafio à corrupção" (1961), "O indomado" (1963), "Rebeldia indomável" (1968), "Ausência de malícia" (1981), "O veredicto" (1982), "A cor do dinheiro" (1987 - vencedor - foto abaixo), "O indomável - Assim é minha vida" (1995) e "Estrada para a perdição" (2003). Um ano antes de ganhar o único Oscar, recebeu um prêmio honorário da Academia pela carreira.
Imortalizou, junto com Robert Redford, a dupla de assaltantes de banco Butch Cassidy e Sundance Kid no filme homônimo de 1969. Newman esteve no elenco de grandes filmes do cinema, dentre eles "Exodus" (1960), "O doce pássaro da juventude" (1962), "Harper - O caçador de aventuras" (1966), "Cortina rasgada" (1966), "Hombre (1967), "Roy Bean - O homem da lei" (1972) e "O emissário de Mackintosh" (1973).
Atuou também no clássico "Golpe de mestre" (1973), no filme-catástrofe "Inferno na torre" (1974), no thriller "A piscina mortal" (1975), na comédia sobre hockey "Vale tudo" (1977) e no drama "Blaze - O escândalo" (1989). Em 2006 emprestou a voz para o personagem Doc Hudson na animação da Pixar "Carros".
Paul Newman era casado há 50 anos com a premiada atriz Joanne Woodward. O ator teve seis filhos. Por Felipe Brida

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Entrevista especial

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Rubens Ewald Filho: “o cinema foi e continua sendo minha droga” (*)

Felipe Brida


Jornalista e crítico de cinema, Rubens Ewald Filho já assistiu mais de 30 mil filmes – todos eles catalogados – ao longo de meio século dedicados exclusivamente à apreciação do cinema. Considerado o maior conhecedor de cinema do Brasil, Ewald é lembrado também como o “homem do Oscar”, pelo fato de apresentar a mais importante festa do cinema mundial.
Nascido em Santos no dia 7 de março de 1945, o crítico trabalhou como resenhista de cinema na Rede Globo, revista Veja, TV Cultura, Jovem Pan e Folha de S. Paulo. Apresentou programas especiais sobre filmes no Telecine e também na HBO.
Teve uma rápida experiência como roteirista de cinema – “A árvore dos sexos” e “Elas são do baralho”, ambos de 1977, e também adaptou para a TV o romance “Éramos seis”, de Maria José Dupré, n formato de minissérie.
Questionado sobre os grandes de todos os tempos, Ewald não hesita em responder Humphrey Bogart, Bette Davis e Sean Connery. Já os melhores filmes, “2001 – Uma odisséia no espaço” e “Oito e meio”.
Rubens Ewald Filho não abre do seu trabalho e diz que quer continuar por muitos e muitos anos acompanhando cinema. Além de escrever resenhas sobre lançamentos em DVD na UOL, dedica-se atualmente ao teatro, como diretor. Lançou este mês um programa inovador de entrevistas e comentários de filmes, “Cinema com Rubens Ewald Filho”, na TV Click UOL. Lançou há dois meses seu sétimo guia de DVD, que conta com 1800 filmes analisados.
Em entrevista especial ao Notícia da Manhã, Rubens Ewald Filho conta um pouco mais de sua trajetória como crítico e faz um paralelo entre o cinema antigo e o contemporâneo. Confira!


NM – Rubens, nesses 50 anos dedicados ao cinema, o senhor assistiu a mais de 30 mil filmes. De onde veio essa apreciação pela sétima arte?


Ewald – Essa paixão pelo cinema nasceu como resposta a uma infância solitária e reprimida. Nunca tive amigos, não brincava com as outras crianças – aliás, quando pequeno, nunca saía de casa, tudo era proibido pelos meus pais. E o cinema era a minha droga (e continua sendo). Era uma maneira de escapar do dia-a-dia. Via na tela do cinema e na TV um mundo de sonho e fantasia, como se fosse uma mistura de “A rosa púrpura do Cairo” e “A história sem fim”. Outro refúgio também era a leitura. Cinema e literatura representavam, naquele momento específico da minha vida, um universo paralelo para a construção de um mundo diferente. Pra se ter idéia da minha infância sofrida, até completar nove anos de idade, quando nasceu meu único irmão, não me lembro de nenhuma passagem da minha vida. Bloqueei tudo, menos os filmes que eu vi.


NM – E quando surgiu as primeiras críticas de cinema?

Ewald – Logo na infância. A partir dos 10 anos comecei a anotar em um caderno o nome dos filmes que assistia. Colocava também uma sinopse e outros complementos. A crítica nasce justamente porque eu era um observador do mundo e não um participante. Com essa perspectiva comecei a esboçar o meu futuro trabalho. Outro ponto importante é que eu era autodidata; quando entrei na faculdade de cinema, anos mais tarde, já estava praticamente formado.


NM – A crítica influencia como formação de opinião?

Ewald – Sim. A crítica influencia demais, faz o público assistir ou não ao filme no cinema. A crítica ajuda a alimentar a bilheteria de um filme no sentido de chamar a atenção das pessoas para aquela obra lançada.


NM – Diante dessa concepção, qual deve ser o papel de um crítico de arte?

Ewald – Aliada à crítica vem o papel do crítico. Este não deve se restringir apenas em falar bem ou falar mal de um filme. Ser crítico de arte envolve uma gama de elementos. É saber usar sua experiência para levar conhecimento ao público. É quebrar paradigmas e falsas idéias. É colaborar na construção da sociedade. É assim que procuro trabalhar e ser reconhecido.


NM – O cinema contemporâneo segue os passos do cinema antigo?

Ewald – É complicado falar sobre cinema na modernidade, às vezes o assunto me desalenta. O mundo inteiro deteriorou de uns 30 anos para cá, em todos os sentidos. Antes, no cinema havia Truffaut, Pasolini e Fellini, era um luxo só. Um cinema reconhecido e aplaudido de verdade, causador de emoção e questionamentos. Hoje já não existe mais isto. São pouquíssimos os filmes atuais que se tornam clássicos ou obras-prima. Sou feliz de ter me apaixonado pelo cinema nos anos 60, o “cinema de verdade”, quando os filmes italianos eram a expressão máxima, a Nouvelle Vague estourava na França, e Hollywood iniciava a renovação.



NM – Considera-se um nostálgico com um pé no saudosismo?

Ewald – No melhor sentido da palavra eu sou um nostálgico sim. Assisto aos filmes antigos com saudade daquele sabor de época que vivi e que hoje não existe mais. Por isso minha grande paixão é rever obras do cinema antigo.


NM – Rubens, o senhor vem desenvolvendo um notável trabalho como coordenador da elogiada Coleção Aplauso. Como tem sido a aceitação do público quanto às obras publicadas?

Ewald – A Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado, é uma forma de registro da memória da TV e do cinema. São biografias de artistas que fizeram e fazem parte do imaginário do público. Assim como escrevi e organizei o “Dicionário dos Cineastas”, criamos a coleção, a pedido do próprio público, para que jovens e adultos utilizassem o material como consulta sobre a vida dos biografados. Não fizemos os livros para se tornaram best-sellers. Pelo contrário, são livros voltados especialmente à formação de alunos, vendidos a preços acessíveis. Por isso os exemplares são distribuídos às bibliotecas de escolas estaduais. É uma proposta diferenciada da Secretaria de Educação e de Cultura do Estado. Recentemente levei títulos da coleção para o departamento de “estudos brasileiros” na Universidade de Harvard. Estamos com mais de 140 biografados, além de registros do cinema, como a publicação de roteiros de cinema não-adaptados. O projeto continua a todo vapor, e em 2009 deveremos lançar mais títulos. Aguardem!



(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 26/09/2008. Créditos para a primeira foto de R. Ewald Filho: Felipe Brida. Outras fotos: Divulgação.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Cine Lançamento

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Longe dela

Professor universitário aposentado, Grant Anderson (Gordon Pinsent) descobre que a esposa, Fiona (Julie Christie), sofre de mal de Alzhaimer. Ela aceita tratar-se em uma clínica psiquiátrica, e o marido, apesar de relutante no início, acaba internando-a.
No entanto, as regras da clínica são claras: a paciente não deve ter contato com nenhum familiar durante os primeiros 30 dias de internação. Vencido o prazo, na primeira visita Fiona não reconhece mais o marido e demonstra estar apaixonada por um paciente, Aubrey (Michael Murphy).
E chega às locadoras, com atraso de quase dois anos, este sensível drama produzido no Canadá duas vezes indicado ao Oscar 2008 – melhor atriz (Julie Christie), premiada com o Globo de Ouro pela atuação, e roteiro adaptado. A talentosa atriz Sarah Polley faz aqui sua estréia promissora como diretora e roteirista ao adaptar para as telas um de seus contos preferidos, “The bear came over the mountain”, da escritora canadense Alice Munro. E na pré-produção da fita já idealizava Julie Christie como personagem central, ou seja, escreveu o papel para a atriz.
A história aborda um tema bastante discutido hoje em todo o mundo – o mal de Alzhaimer e as conseqüências da doença no círculo familiar do paciente. O que poderia cair em um dramalhão pesado resulta em um sólido poema de amor aos apaixonados e à vida.
E tudo dá certo no filme: há uma química gostosa entre o casal – Julie está esplêndida e Pinsent brilha na pele de um personagem dividido entre a razão e a emoção (que reflete o ser humano indeciso diante de situações tão delicadas e ao mesmo tempo tão comuns de nós) –, uma dose equilibrada de romance, drama e humor, e um desfecho lírico na medida certa para comover os mais sensíveis. Os românticos não devem perder. Por Felipe Brida

Título original: Away from her
País/Ano: Canadá, 2006
Elenco: Gordon Pinsent, Julie Christie, Michael Murphy, Olympia Dukakis, Wendy Crewson, Alberta Watson, Grace Lynn Kung
Direção: Sarah Polley
Gênero: Drama
Duração: 109 min.
Lançamento: Primeira quinzena de setembro
Distribuidora: Lions Gate/ Moviemobz

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Entrevista Especial


“O teatro é o altar do ator”, destaca a atriz Eliana Guttman (*)

Felipe Brida

De origem judaica, a atriz Eliana Guttman é um dos nomes de destaque da nova safra cultural brasileira. Descendente de poloneses, Eliana desenvolve trabalhos em todos os ramos da arte e da comunicação. Seu currículo inclui filmes, telenovelas, seriados e comerciais de televisão. Mas é no teatro que a atriz de 54 anos, paulistana da gema, adquire inspiração para seguir adiante a carreira.
Em entrevista especial ao Notícia da Manhã, Eliana Guttman fez um amplo retrato sobre a situação do teatro do País, tanto pela perspectiva dos artistas quanto do público. Confira abaixo.

NM – Eliana, você vê o teatro como a base da preparação artística e profissional do ator?

Eliana – Sim, o teatro é, sem dúvida, a base do trabalho do ator. Ali, ao vivo, com o público, sentindo a energia das pessoas que compõem a platéia, o ator aprende a compor o seu trabalho. Ele (o ator) não pode errar, tem de ser criativo, concentrado, improvisar, ter jogo de cintura; assim ele acaba moldando seu perfil para atuar em outro ramo além do teatro. Já na TV e no cinema a atuação e preparação do ator tornam-se diferentes. Lá nós podemos errar, pois temos a possibilidade de regravar tudo, depois vem a edição que ajuda a retirar os erros e excessos. Para mim, o teatro é o altar do ator. É onde eu mais me inspiro e me realizo como artista. Graças a Deus (e espero que aconteça pelo resto de minha vida) continuo à frente do teatro.

NM – Sobre o outro lado da moeda – a platéia – qual a situação hoje do público? As pessoas aderem ao teatro?

Eliana – Infelizmente presenciamos situações realmente deprimentes; há vezes em que a peça é exibida para um público de 15, 20 pessoas. A triste realidade é que o público ainda não sabe o que é o teatro e qual a mensagem que ele produz. Isto é conseqüência de um país com cultura deficiente. O fato de não termos expectadores na platéia é diretamente proporcional àquilo que vemos fora do teatro, por exemplo: o povo sofre com a falta de educação e de segurança, no sentido de formação pessoal da população. São algumas das razões estas que geram o problema cultural que o País enfrenta.

NM – Mas nada tem mudado?

Eliana – Pouco se mudou. Mas mudou. Apesar de sempre a mesma elite adquirir o ingresso para as peças, de uns tempos para cá percebi que unidades escolares incentivam os alunos a ir ao teatro. Tal medida é enriquecedora não só para o artista, mas em especial para o próprio público que acaba por experimentar o espaço do teatro. Existem muitos movimentos pró-teatro na contramão desse pouco público que ainda vemos na platéia. Os jovens hoje estão adquirindo o hábito de freqüentar o teatro, uma façanha inédita, podemos assim destacar. Talvez sejam futuros autores ou mesmo atores, mas não importa; esse grupo está lá marcando presença. Confesso que isto me alenta. Tenho esperança que o quadro mude rapidamente.

NM – Eliana, sobre cultura televisiva, aquela que mais atrai audiência no País, como analisa o crescente número de artistas que se formam anualmente e a saturação dos programas de TV, em especial as novelas?

Eliana – O mercado é restrito para a quantidade de artistas que se forma ano a ano no Brasil. Resta a alguns saír em busca de algo no estrangeiro. Recentemente amigos meus foram para atuar em séries de TV na Venezuela. Um ponto positivo quanto à imagem do artista é que, de uns anos para cá, houve aumento no número de programas vendidos para o mundo inteiro. O mercado internacional compra as novelas nossas. Voltei de Israel em abril, e vi que lá tem um canal só com novelas, 24 horas por dia. Duas novelas brasileiras – uma delas “Belíssima“ fazem sucesso no país. Inclusive “Esperança”, em que atuei, passou em Israel há pouco tempo e tornou-se mega-êxito de audiência, por tratar sobre o judaísmo.

NM – Por falar na novela “Esperança”, qual sua visão sobre o Brasil valorizar questões culturais de outros países?

Eliana – Em “Esperança” fiz a Tzipora, personagem do núcleo central – eu era a mãe da protagonista –, um papel de destaque. De imediato aprovei essa preocupação dos autores da novela em focar uma cultura bem desconhecida e não tão familiar dos brasileiros, no caso a dos judeus. Antes a Globo havia investido em “O clone”, na mesma linha, que fez sucesso. Em “Esperança” havia uma mistura de línguas e raças: mostravam-se as colônias judaicas, espanholas e italianas de maneira fenomenal. E o mais interessante é que não deixou de mostrar um pouco de nós, brasileiros, um povo miscigenado e produto dessas culturas. Eu, por exemplo, sou filha de uma judia descendente de poloneses e casada com um católico neto de italianos e portugueses; olha só como o sangue se mistura! O Brasil é essa torre de babel maravilhosa.

Conheça a atriz

Eliana Guttman nasceu em São Paulo no dia 15 de março de 1954. Formada pela EAD/USP (Escola de Arte Dramática) em 1989, trabalhou como secretária bilíngüe e iniciou a carreira em teatro no final dos anos 80. Dentre suas peças premiadas estão “Angels in América”, “O enigma Blavatsky”, “Dorotéia vai à guerra”, “Um violinista no telhado”, “Querida Helena” e “Estranho amor”.
Em novelas atuou em “Xica da Silva” (foto ao lado) e “Mandacaru”, na Manchete; “Meu pé de laranja lima”, na Band; “Torre de Babel”, “Força de um desejo” e “Esperança”, na Rede Globo; “Cristal” no SBT e “Luz do Sol”, na Record.
No cinema, atuou “Feliz ano velho”, “Sabor da paixão”, “Olga”, “Bellini e a esfinge” e “Xangô de Baker Street”. A atriz é casada com o ator Giulio Lopes, que concedeu entrevista ao NM na edição do dia 29 de agosto.

(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 12/09/2008. Fotos: divulgação.