sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Resenhas & Críticas

Baghdad ER

Documentário que mostra o trabalho da equipe médica de emergência do 86’HAC (Hospital de Apoio ao Combate), no Iraque. No local são atendidos centenas de soldados norte-americanos feridos na Guerra do Iraque.
Vencedor de quatro prêmios Emmy na categoria de programa não-ficção em 2006 (direção, edição de som, fotografia e realização), este chocante documentário, não lançado em DVD no Brasil, retrata os estados físico e emocional daqueles que atuaram na Segunda Guerra do Iraque. Para quem gosta do seriado “Plantão Médico” (ER), irá achar interessante esta variação, toda filmada no interior do 86th Combat Support Hospital.
Bem fotografado e explicativo, a fita impressiona pelas seqüências fortes de amputação de pernas e braços, rostos desfigurados por bombas e fraturas expostas das mais horríveis. Logo, um filme apelativo e sensacionalista. E é disto que o público gosta, não? Os diretores poderiam ter editado partes, mas preferiram agradar o gosto popular.
Bem fotografado, o documentário não se resume a cirurgias. Mostra-se o lado humano dos “personagens reais”, como o desespero dos soldados que perdem os colegas em emboscadas, a luta pela vida, discussões sobre a guerra e resgates. Há momentos especiais; na calmaria, médicos e enfermeiros se entretém com música e tocam saxofone.
As atrocidades captadas pelas câmeras comovem. A guerra do Iraque é exemplo atualíssimo do comportamento humano em busca de progresso, expansionismo territorial e consumismo aliado à ambição. Confirma-se como o homem moderno é cruel e cada vez mais irracional. Em três anos de guerra no país do Oriente Médio, mais de 2340 soldados morreram, e outros 17 mil ficaram feridos em ataques.
A produção, original da HBO, fez sucesso lá fora. No Brasil poucos assistiram. Um filme triste, patriótico e de impacto. Vale ser conferido. Um aviso: o documentário está sendo exibido no canal Cinemax. (Por Felipe Brida).

Título original: Baghdad ER
País/Ano: EUA, 2006
Elenco: soldados, médicos e enfermeiros norte-americanos que estão no Iraque.
Direção: Jon Alpert/ Matthew O’Neill
Gênero: Documentário
Duração: 64 min.


Desafiando Gigantes

Técnico de futebol americano de uma escola norte-americana, Grant Taylor (Alex Kendrick) nunca conseguiu levar o time Shiloh Eagles a uma temporada de vitórias. Enfrentando crises pessoais e profissionais, não desiste do sonho de tornar o time consagrado e notável.
Fez sucesso nos Estados Unidos esta outra fita sobre esportes, bastante previsível, e sem muitas discussões. Mas aqui temos dois graves problemas. O diretor Alex Kendrick (que interpreta o personagem principal) ultrapassa os limites e testa o público para transmitir mensagens de perseverança. As frases “nunca desista seus sonhos” e “enfrente seus gigantes” são retomadas a cada instante, ou seja, de modo desnecessário. O filme abre com essa idéia e termina com a mesma. Já sabemos, só pelo nome do filme, que o foco é este, então para que bater na mesma tecla? A segunda falha é a falta de argumentos para sustentar o enredo, talvez aí esteja a razão de tantas repetições. Por enfrentar dificuldades na vida, o protagonista vive um mar de lamentações e invoca a Deus minuto a minuto. Mais parece um pregador religioso do que treinador esportivo. A explicação disto tudo tem mesmo um fundo religioso: parte do elenco e da equipe de produção são seguidores da Igreja Batista de Sherwood em Albany, Georgia. A repetição é tanta que aborrece o telespectador.
É aquela velha fórmula de passar ao público mensagens positivas, narrada em tom melodramático e exagerado, com um fundo de auto-ajuda. Particularmente eu, como parte do público e resenhista de cinema, fiquei indiferente. Foi longe de melhorar minha auto-estima. Talvez por que tudo soa falso e seja sentimentalóide demais. As situações não condizem com a realidade. O elenco, ainda por cima, está despreparado e inexpressivo.
Não sou fã de filmes sobre esporte, ainda mais de futebol americano (assim como a maioria dos brasileiros, que desconhece os macetes da modalidade). Portanto, foi penoso assisti-lo. Cansativo e descartável. (Por Felipe Brida)

Título original: Facing the Giants
País/Ano: EUA, 2006
Elenco: Alex Kendrick, Shannen Fields, James Blackwell, Erin Bethea, Bailey Cave.
Direção: Alex Kendrick
Gênero: Drama
Duração: 111 min.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Cine Brasil

Saneamento Básico – O Filme

Os moradores da pequena Linha Cristal, comunidade na serra gaúcha formada por descendentes de italianos, estão cansados de conviver com o mau cheiro do esgoto a céu aberto e exigem a construção de um sistema de saneamento básico. Uma comissão é designada para pleitear o projeto junto ao Poder Público. No entanto, a sub-prefeitura está sem verbas, ou melhor, tem apenas um dinheiro destinado à elaboração de um vídeo institucional. O grupo, então, resolve fazer um filme de ficção científica sobre poluição de rios para conscientizar a população e conseguir verba para concretizar o sonho da comunidade.
Bastante divertida e original, esta nova comédia brasileira firma a carreira do diretor gaúcho Jorge Furtado, responsável por projetos mais pessoais, como “Meu Tio Matou um Cara”, e considerado um dos mais bem sucedidos curta-metragistas brasileiros (leia mais sobre Furtado no final da resenha). O diretor soube aproveitar o elenco, cheio de nomes “de peso” que esbanjam energia. Wagner Moura interpreta Joaquim, o marido avoado de Marina (Fernanda Torres), mulher séria e nervosa que lidera a equipe de filmagem da ficção. Ela é filha de Otaviano, um marceneiro ranzinza e reumático, papel magistralmente encarnado por Paulo José. Temos ainda Tonico Pereira, Camila Pitanga (uma surpresa), Bruno Garcia, Lázaro Ramos (parceiro de Wagner Moura e que aparece só a partir da metade do filme) e uma ponta bem “apagada” do comediante Lúcio Mauro Filho (do programa Zorra Toral).
“Saneamento Básico – O Filme” é, basicamente (desculpe o trocadilho), uma homenagem àquelas produções de baixo custo e também aos cineastas (como os de início de carreira) que enfrentam todas as dificuldades do mundo para captar patrocínios e finalizar sua película. Ao mesmo tempo o diretor cria metalinguagens acerca do gênero “ficção científica” (hoje pouco visto no cinema) e brinca com clichês ao desenvolver os personagens, como um cientista com cabelos estabanados e ar eloqüente. E repare na metalinguagem sobre o próprio “Saneamento Básico”, quando Otaviano diz, irritado, para a filha: “E desde quando fazer filme de esgoto é fazer cinema?”.
Por trás de toda essa mistura de linguagens, o ingrediente-chave: a preocupação quanto às questões ambientais. No caso, trata-se com seriedade o descaso do Poder Público em torno do saneamento básico (a falta de sistema de esgoto ainda pode ser presenciada em muitas cidades).
Logo nos créditos iniciais onde aparece o nome dos patrocinadores, a atriz Fernanda Torres (voz) conversa com os telespectadores com o intuito de entretê-los enquanto o filme não começa. Uma seqüência bem planejada e diferente.
Diverti-me bastante. Senti certa demasia do diretor ao repetir situações em formato de sitcom, como as incansáveis discussões do casal central. Mas nada atrapalha o resultado. Para completar o conteúdo, locações bucólicas e várias músicas italianas (Io Che Amo Solo Te e outras mais). Bem produzido, a fita deve ser descoberta pelo público.

Curiosidades: Jorge Furtado, com “Saneamento”, firma-se como bom realizador de longas (lembrando que já era um curta-metragista de primeira). Natural de Porto Alegre, Furtado começou a carreira na primeira metade dos anos 80. Escreveu e dirigiu importantes curtas. Assisti a vários dele, como Barbosa (1988); Ilha das Flores (1989) – talvez o mais famoso curta de todos os tempos, um sucesso de público; Ângelo Anda Sumido (1997) e O Sanduíche (2000). (Por Felipe Brida)

Título original: Saneamento Básico – O Filme
País/Ano: Brasil, 2007
Elenco: Fernanda Torres, Wagner Moura, Paulo José, Bruno Garcia, Camila Pitanga, Tonico Pereira, Lázaro Ramos, Janaína Kremer, Sérgio Lulkin, Lúcio Mauro Filho.
Direção: Jorge Furtado
Gênero: Comédia
Duração: 112 min.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Comentários do Blogueiro

As comédias de Dudley Moore

Dias atrás recebi email de uma leitora que mora em Londrina/PR. Dizia ser apaixonada pelo comediante Dudley Moore (falecido em 2002, aos 66 anos) e pediu simpaticamente se eu pudesse comentar algo sobre ele. E quando recebi o email, havia acabado de assistir “Mulher Nota 10”, talvez sua comédia mais popular, inclusive um grande sucesso no Brasil. E logo após este comentário, resolvi escrever uma pequena resenha sobre “Mulher Nota 10”.
Sobre Dudley Moore, era um bom ator (e músico), porém teve carreira irregular. Seus filmes oscilavam entre medianos e bobeiras. Além de “Mulher Nota 10”, fez outra comédia notória, “Arthur – O Milionário Sedutor”. Por este filme, foi indicado ao Oscar de melhor ator em 1982, mas perdeu para Henry Fonda em “Num Lago Dourado”.
Assisti a vários filmes dele, como “Infielmente Tua”, uma comédia bem engraçada lançada em 1984, “Crazy People – Muito Loucos”, “Escândalos no Hotel” e “Tal pai, Tal Filho”, outro sucesso de público. Em especial, gosto de vê-lo na comédia de humor negro “Golpe Sujo”, de 1978. Ele interpreta Stanley Tibbets, um sujeito galanteador metido a rico que tenta de todas as formas arrancar uns beijos da charmosa Gloria, personagem de Goldie Hawn. Só que Tibbets é desastrado e nem um pouco sedutor. Sua pequena participação é marcante e faz gargalhar, como nas cenas da cama-boate e aquela em que abre o armário e solta bonecas infláveis! Inesquecível.
Dudley, inglês nascido em Londres, em 1935, morreu vítima de uma rara paralisia, após anos batalhando contra a doença. Quem quiser matar a saudade de Dudley Moore, seus filmes disponíveis em DVD são: “A Melhor Defesa é o Ataque” (1984), “Arthur – O Milionário Sedutor” (1981), “Crazy People – Muito Loucos” (1990), “Mulher Nota 10” (1979) e “O Diabo é Meu Sócio” (1968) e “Santa Claus – A Verdadeira História de Papai Noel” (1985). (Por Felipe Brida)

Viva Nostalgia

Mulher Nota 10

O compositor quarentão George Webber (Dudley Moore) vive um bom relacionamento com sua namorada Samantha (Julie Andrews). Certo dia, é “atacado” pela crise da meia-idade quando se apaixona pela atraente Jenny (Bo derek), mulher bem mais nova que ele. Desesperado, sai em uma busca frenética para conquistar a nova paixão.
Uma comédia de Blake Edwards (diretor da maior parte dos filmes da série “A Pantera Cor-de-Rosa”) que fez bastante sucesso em todo o mundo. Concorreu a dois prêmios Oscar (melhor trilha sonora para Henry Mancini – compositor dos filmes de Edwards – e melhor canção). Agradável e fácil de ver, a fita é mais apropriada para o público acima dos 40, que irá se identificar com as situações. Firmou a carreira da até então desconhecida Bo Derek (que só havia feito, no ano anterior, o filme “Orca – A Baleia Assassina”). Uma atriz bonita e carismática, mais lembrada por esta fita, já que depois nunca mais se envolveu em projetos importantes.
Talvez o maior escorregão do filme esteja no final, logo após o encontro de George e Jenny, sob o som de “Bolero de Ravel”, uma seqüência famosa e bastante engraçada. Termina de forma brusca e sem reviravoltas. Talvez esta seja a intenção, retratar as conseqüências das paixões desenfreadas e das traições do mundo moderno. (Por Felipe Brida)

Título original: 10
País/Ano: EUA, 1979
Elenco: Dudley Moore, Julie Andrews, Bo Derek, Robert Webber, Dee Wallace, Sam J. Jones, Brian Dennehy, Don Calfa.
Direção: Blake Edwards
Gênero: Comédia/ Romance
Duração: 122 min.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Cine Brasil

Lavoura Arcaica

André (Selton Mello) é um filho desgarrado que foge de casa, sufocado pela austeridade do pai (Raul Cortez) e pelo amor em excesso da mãe (Juliana Carneiro da Cunha). A partida do jovem desestrutura a família. Isolado em uma casa de campo, André passa a reviver, em lembranças, momentos de sua vida, e volta a ser atormentado pela sua paixão secreta, a irmã Ana (Simone Spoladore). O irmão mais velho, Pedro (Leonardo Medeiros), recebe a missão de trazer André de volta ao lar.
Um dos filmes mais magníficos, poéticos e densos produzidos pelo cinema brasileiro. Sabe aquela fita que já nasce com todas as características de obra-prima? Pois esta é uma delas. O diretor Luiz Fernando Carvalho (responsável pela direção de importantes projetos na Rede Globo, como as minisséries “Os Maias” e “A Pedra do Reino”, a série “Hoje é Dia de Maria” e as novelas “Pedro Sobre Pedra”, “Renascer” e “O Rei do Gado”) conseguiu recriar, de modo sublime, a parábola bíblica de “O Filho Pródigo”, só que invertida. Em vez de o filho voltar, o irmão vai até os confins do mundo para buscá-lo.
O longa, premiado nos Festivais de Montreal e de Brasília, é baseado no romance homônimo de Raduan Nassar, lançado em 1975 (o livro levou vários prêmios, como o Jabuti, um dos mais importantes no Brasil). No filme, mantém-se, como no livro, a narrativa poética e a perturbação do personagem principal, André. Sua figura é a personificação do paradoxo. Ao mesmo tempo que reconhece ser a “ovelha negra” e o vagabundo da família, algo que causa ódio entre os irmãos trabalhadores, quer voltar para casa; no entanto, reluta, com receio do tratamento rígido adotado pelo pai (aliás, Raul Cortez brilha em um personagem sombrio). O dilema toma conta do jovem durante todo o desenrolar da história. A cada momento do filme temos lances e cortes inovadores e seqüências que retratam o verdadeiro vazio. Um vazio que domina a família, que acende paixões violentas, que desperta a imoralidade, que distancia e que une. O vazio torna-se teor essencial, pois preenche e qualifica as figuras dramáticas.
O filme é um verdadeiro exercício de linguagem de cinema. Por trabalhar com temas tão densos e, por vezes, enigmáticos, misturados a uma narrativa lenta e pormenorizada, a fita, classificada como “filme de arte”, se auto restringe quanto à circulação e aceitação do público. Não é para todos. Além do mais, a duração é de 163 minutos, muito longo. Não é fácil acompanhar a história, que culmina com um fim trágico e sem concessão. O clímax, o embate entre pai e filho na mesa, é provocante e perfeito. Imagine o duelo entre o saudoso Raul Cortez e Selton Mello!
Mesmo com a duração excessiva, posso dizer que a fita é altamente recomendável, ou melhor, obrigatória. Tenha paciência e assista-a. Dedique pouco mais de duas horas e meia de seu dia para acompanhar esta obra única no cinema nacional.

Curiosidade: O escritor Raduan Nassar nasceu em 1935, na cidade de Pindorama (região de Catanduva, onde moro). Filho de imigrantes libaneses, lançou também outro livro que se tornou sucesso na literatura e que também virou filme, “Um Copo de Cólera”. (Por Felipe Brida)
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Título original: Lavoura Arcaica
País/Ano: Brasil, 2001
Elenco: Selton Mello, Raul Cortez, Leonardo Medeiros, Juliana Carneiro da Cunha, Simone Spoladore, Caio Blat, Mônica Nassif, Renata Rizek.
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Gênero: Drama
Duração: 163 min.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Especiais Sobre Cinema

Framboesa de Ouro 2008
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Amigos e leitores

Recebi, na última semana, dois emails de internautas querendo saber sobre o Framboesa de Ouro de 2008, premiação que destaca os piores do ano. A lista com os vencedores sempre é divulgada um dia antes do Oscar (e, assim, tornou-se pública no último sábado).
Bom, posto aqui a lista com os vencedores e todos os indicados nas 11 categorias da 28ª edição Framboesa de Ouro (Razzie Awards). Sobre o prêmio, que aproveita para esculachar geral com as produções ruins do ano, temos alguns destaques. Incrementou-se uma categoria ("pior desculpa para um filme de terror"!), e o grande vencedor, "Eu Sei Quem Me Matou", bateu o recorde. Nunca um mesmo filme havia levado tantas estatuetas. Foram oito das nove indicações, incluindo filme e atriz (para Lindsay Lohan). A "bomba do ano" acabou de ser lançada em DVD (veja a capa do filme ao lado). E Eddie Murphy saiu-se vitorioso. Levou o Framboesa de ator, ator coadjuvante e atriz coadjuvante, todos pelo filme Norbit (aquela comédia sem graça no qual interpreta três personagens). Confiram. (Por Felipe Brida)

Pior Filme

* Eu Sei Quem me Matou
Bratz - O Filme
Acampamento do Papai
Eu os Declaro Marido e... Larry!
Norbit

Pior Ator

* Eddie Murphy (no papel de Norbit em Norbit)
Nicolas Cage (Motoqueiro Fantasma, A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos e O Vidente)
Jim Carrey (Número 23)
Cuba Gooding, Jr. (Acampamento do Papai e Norbit)
Adam Sandler (Eu os Declaro Marido e... Larry!)

Pior Atriz

* Lindsay Lohan como Aubrey (Eu Sei Quem me Matou)
* Lindsay Lohan como Dakota (Eu Sei Quem me Matou)
Jessica Alba (Awake, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado e Maldita Sorte)
Logan Browning, Janel Parrish, Nathalia Ramos & Skyler Shaye (Bratz - O Filme )
Elisha Cuthbert (Captivity)
Diane Keaton (Minha Mãe Quer Que Eu Case)

Pior Ator Coadjuvante

* Eddie Murphy como Sr. Wong (Norbit)
Orlando Bloom (Piratas do Caribe: No Fim do Mundo)
Kevin James (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Rob Schneider (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Jon Voight (Bratz, A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos, September Dawn e Transformers)

Pior Atriz Coadjuvante

* Eddie Murphy como Rasputia (Norbit)
Jessica Biel (Eu os Declaro Marido e... Larry! e O Vidente)
Carmen Electra (Deu a Louca em Hollywood)
Julia Ormond (Eu Sei Quem me Matou)
Nicolette Sheridan (Operação Limpeza)

Pior Par

* Lindsay Lohan & Lindsay Lohan (Eu Sei Quem me Matou)
Jessica Alba & Hayden Christensen (Awake)
Jessica Alba & Dane Cook (Maldita Sorte)
Jessica Alba & Ioan Gruffudd (Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado)
Qualquer combinação de dois personagens descerebrados (Bratz - O Filme)
Eddie Murphy & Eddie Murphy (Norbit)
Adam Sandler & Kevin James (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Adam Sandler & Jessica Biel (Eu os Declaro Marido e... Larry!)

Pior Refilmagem ou Cópia

* Eu Sei Quem me Matou
Uma Casa de Pernas Para o Ar
Bratz - O Filme
Deu a Louca em Hollywood
Who's Your Caddy?

Pior Prelúdio ou Seqüência

* Acampamento do Papai
Aliens Vs Predador 2
A Volta do Todo Poderoso
Hannibal - A Origem do Mal
O Albergue: Parte II

Pior Diretor

* Chris Siverston (Eu Sei Quem me Matou)
Dennis Dugan (Eu os Declaro Marido e... Larry!)
Roland Joffe (Captivity)
Brian Robbins (Norbit)
Fred Savage (Acampamento do Papai)

Pior Roteiro

* Eu Sei Quem me Matou (escrito por Jeffrey Hammond)
Acampamento do Papai (roteiro de Geoff Rodkey e David J. Stem & David N. Weiss)
Deu a Louca em Hollywood (escrito por Jason Friedberg & Aaron Seltzer)
Eu os Declaro Marido e... Larry! (escrito por Barry Fanaro e Alexander Payne & Jim Taylor)
Norbit (roteiro de Eddie Murphy & Charles Murphy e Jay Sherick & David Ronn)

Pior Desculpa para um Filme de Terror (Nova categoria)

* Eu Sei Quem me Matou
Aliens Vs Predador 2
Captivity
Hannibal - A Origem do Mal
O Albergue: Parte II

De Olho no Oscar

Surpresas e merecimentos na 80ª edição do Oscar, realizada ontem, em Los Angeles (Hollywood, Califórnia). Há tempos não se via um evento que reunisse filmes fortes e com temáticas variadas. Biografia de cantora famosa, perseguição sem trégua de um assassino nada elegante e até conflitos por causa de petróleo compuseram parcela dos longas indicados à maior premiação da cinematografia mundial.
É a 11ª edição do Oscar que assisto e registro (tanto a gravação como a análise do evento). E percebi que o resultado, como de alguns anos para cá, vem se pulverizando. Cada filme sai de lá com uma estatueta pelo menos. Já foi a época em que Titanic, Ben Hur, O Último Imperador e outros filmes mais ganhavam 10, 11 Oscars na noite. Tanto é que o longa que mais reuniu prêmios ontem foi “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Venceu quatro, nas categorias melhor filme, diretor (no caso, diretores, os irmãos Ethan e Joel Coen - foto abaixo), roteiro adaptado e ator coadjuvante (para Javier Bardem). Acho que os irmãos Coen levaram mais por consolação (o popular “conjunto da obra”); lembro que em anos anteriores concorreram em diversas categorias, como diretor (Fargo) e roteiro (E Aí, meu Irmão, Cadê Você?). Só que são diretores de filmes “cabeça”, fugindo do gosto popular. Suas obras são esquisitas e inusitadas, com personagens bizarros. Também vejo o prêmio para Bardem (foto abaixo) como consolação. Seu papel de assassino frio, cheio de tiques e com aquele cabelo cafona com franja estilo “vaca lambeu”, é perfeito, e chega a assustar. Ele domina as cenas e torna-se uma figura sinistra. Mas em “Antes do Anoitecer”, Bardem estava bem melhor, num papel mais sensível e humano. Interpretou o personagem principal, o poeta e escritor Reinaldo Arenas, perseguido pelo regime comunista cubano por ser homossexual. Em 2001, foi indicado a Oscar de melhor ator, mas perdeu para Russell Crowe em “Gladiador”. Portanto, dar a ele o Oscar, apesar de ter sido favorito e muito elogiado, soou como consolar a perda de sete anos atrás.
Em seguida, “O Ultimato Bourne”, que estranhamente faturou três prêmios em categorias menores – melhor edição, mixagem de som e som. Tudo bem que o filme tem ótimas qualidades técnicas de som, mas seu concorrente, Transformers, era mais preferível.
“Sangue Negro” e “Piaf – Um Hino ao Amor” faturaram, cada um, dois prêmios, respectivamente melhor ator (Daniel Day-Lewis) e fotografia, para Robert Elswit, e melhor atriz (Marion Cottilard) e maquiagem. É o segundo Oscar merecedor de Lewis (ganhou primeiro em Meu Pé Esquerdo, em 1990). Marion Cottilard (foto ao lado) venceu sem injustiça, um prêmio merecido. A atriz, linda por sinal, compõe uma Edith Piaf perfeita, e solta a voz de maneira esplendorosa. Ambos, Lewis e Marion, eram meus favoritos ao prêmio.
E levaram apenas um Oscar “Conduta de Risco” (melhor atriz coadjuvante, Tilda Swinton, uma das surpresas da noite), "Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (melhor direção de arte para o lendário Dante Ferretti), “Desejo e Reparação” (melhor trilha sonora), “Ratatouille” (animação), “Elizabeth: A Era de Ouro” (figurino, também um prêmio surpresa, já que o anterior, Elizabeth, havia concorrido à mesma categoria em 1999), “Juno” (roteiro original) e “A Bússola de Ouro” (efeito especial, outro filme que gerou discussão).
Viram? Uma verdadeira salada.
Dos filmes do Oscar deste ano, assisti a apenas alguns (acredito que 30% deles). Isto porque de uns cinco meses para cá estive envolvido em outros projetos, tanto na área de Jornalismo como em Cinema, e acabei desfalcado. A boa notícia é que em menos de duas semanas boa parte deles serão lançados em DVD.
Em março, quatro deles estarão nas locadoras. São eles: “Conduta de Risco”, “Piaf – Um Hino ao Amor”, “No Vale das Sombras” e “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”. Até agora, no Brasil, seis já estão disponíveis em DVD – “O Ultimato Bourne”, “Transformers”, “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo”, “Ratatouille”, “Tá Dando Onda” e “Norbit”.
E abaixo, a lista completa dos indicados ao Oscar 2008 e, claro, dos vencedores (marcados em negrito).
(Por Felipe Brida)


Melhor filme

"Conduta de Risco"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"
"Desejo e Reparação"
"Juno"

Melhor diretor

Tony Gilroy ("Conduta de Risco")
Jason Reitman ("Juno")
Julian Schnabel ("O Escafandro e a Borboleta")
Paul Thomas Anderson ("Sangue Negro")
Ethan e Joel Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez)

Melhor ator

George Clooney ("Conduta de Risco")
Daniel Day Lewis ("Sangue Negro")
Tommy Lee Jones ("No Vale das Sombras")
Viggo Mortensen ("Senhores do Crime")
Johnny Depp ("Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet")

Melhor ator coadjuvante

Casey Affleck ("O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford")
Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Philip Seymour Hoffman ("Jogos do Poder")
Hal Holbrook ("Na Natureza Selvagem")
Tom Wilkinson ("Conduta de Risco")

Melhor atriz

Cate Blanchet ( "Elizabeth: A Era de Ouro")
Julie Christie ("Longe Dela")
Marion Cotillard ("Piaf – Um Hino ao Amor")
Laura Linney ("A Família Savage")
Ellen Page ("Juno")

Melhor atriz coadjuvante

Cate Blanchett ("Não Estou Lá")
Ruby Dee ("O Gângster")
Saoirse Ronan ("Desejo e Reparação")
Amy Ryan ("Medo da Verdade")
Tilda Swinton ("Conduta de Risco")

Melhor direção de arte

"O Gângster"
"Desejo e Reparação"
"A Bússola de Ouro"
"Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"
"Sangue Negro"

Melhor fotografia

"O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
"Desejo e Reparação"
"O Escafandro e a Borboleta"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"

Melhor figurino

"Across the Universe"
"Desejo e Reparação"
"Elizabeth: A Era de Ouro"
"Piaf – Um hino ao amor"
"Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"

Melhor edição

"O Ultimato Bourne"
"O Escafandro e a Borboleta"
"Na Natureza Selvagem"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"

Melhor edição de som

"O Ultimato Bourne"
"Ratatouille"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"
"Transformers"

Melhor mixagem de som

"O Ultimato Bourne"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Ratatouille"
"Os Indomáveis"
"Transformers"

Melhor efeito especial

"A Bússola de Ouro"
"Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo"
"Transformers"

Melhor roteiro adaptado

"O Escafandro e a Borboleta"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Desejo e Reparação"
"Longe Dela"
"Sangue Negro"

Melhor roteiro original

"Juno"
"Lars and the Real Girl"
"Conduta de Risco"
"Ratatouille"
"A Família Savage"

Melhor maquiagem

"Piaf – Um Hino ao Amor"
"Norbit"
"Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo"

Melhor trilha sonora original

"Desejo e Reparação" (Dario Marianeli)
"O Caçador de Pipas" (Alberto Iglesias)
"Conduta de Risco" (James Newton Howard)
"Ratatouille" (Michael Giacchino)
"Os Indomáveis" (Marco Beltrami)

Melhor canção original

"Falling Slowly" ("Once")
"Happy Working Song" ("Encantada")
"Raise It Up" ("O Som do Coração")
"So Close" ("Encantada")
"That's How You Know" ("Encantada")

Melhor filme de animação

"Ratatouille" (Brad Bird)
"Tá Dando Onda" (Ash Brannon/ Chris Buck)
"Persépolis" (Marjane Satrapi/ Vincent Paronnaud)

Melhor filme estrangeiro

"Os Falsários" (Stefan Ruzowitzky - Áustria)
"Beaufort" (Joseph Cedar - Israel)
"Katyn" (Andrzej Wajda - Polônia)
"12" (Nikita Mikhalkov - Rússia)
"Mongol" (Sergei Bodrov - Cazaquistão)

Melhor documentário

"No End in Sight"
"Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience"
"Sicko"
"Taxi to the Dark Side"
"War/Dance"

Melhor documentário de curta-metragem

"Freeheld"
"La Corona"
"Salim Baba"
"Sari's Mother"

Melhor curta-metragem

"At Night"
"Il Supplente"
"Le Mozart des Pickpockets"
"Tanghi Argentini"
"The Tonto Woman"

Melhor animação de curta-metragem

"I Met the Walrus"
"Madame Tutli-Putli"
"Meme Lês Pigeons Vont au Paradis"
"My Love"
"Peter and the Wolf"

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Cine Brasil

Caixa Dois

O banqueiro milionário Luiz Fernando (Fúlvio Stefanini) recebe R$ 50 milhões na transação de precatórios. Só que o doleiro responsável pela liberação do cheque sofre um derrame cerebral e está em coma. Disposto a tudo para ganhar a dinheiro, o banqueiro usa sua secretária, Ângela (Giovana Antonelli) como “laranja” para a fraude. Mas o braço direito de Luiz Fernando, Romeiro (Cássio Gabus Mendes), comete um erro e faz com que os R$ 50 milhões vá parar na conta de Angelina (Zezé Polessa), mulher trabalhadora e honesta e que, por coincidência, é a futura sogra de Ângela. A confusão está armada.
O mais novo filme do notório diretor Bruno Barreto é baseado na peça Caixa Dois, de Juca de Oliveira, lançada em 1997 e que ficou seis anos em cartaz. O foco, seja na peça teatral ou no filme, é abordar, de maneira cômica, temas próximos dos brasileiros, como corrupção, fraudes envolvendo quantias monstruosas de dinheiro e ganância do povo, seja o rico ou o pobre. Parecia um projeto interessante para ser levado à tela. O resultado, infelizmente, foi uma tremenda furada.
A baixa do filme gira em torno do elenco. Cássio Gabus Mendes não se contém e interpreta um personagem insuportável, altamente abobalhado e cheio de caretas. Romeiro, que é o tal personagem, só abre a boca para falar asneiras e nunca se dá bem. O ator Thiago Fragoso faz o papel do namorado de Antonelli (casal sem química e tampouco interessante), sempre bonzinho, alegre. Ele, que tem uma participação importante no enredo, não convence. O comediante Daniel Dantas, responsável por interpretar o marido demitido por Luiz Fernando e marido de Angelina, que acabou de ganhar, por engano, o dinheirão, fica perdido. Oscila entre a gritaria e a paciência. Também deixa a desejar. E Giovana Antonelli está mais uma vez especialmente mal. Lembra de Avassaladoras e Bossa Nova? É a mesma mulher, sem tirar nem por. Inexpressiva e que não segura de jeito nenhum o papel. Já Fúlvio, com aquele jeito bonachão, e Zezé, como a dona-de-casa esforçada, trabalham bem, para compensar os colegas de cena.
Além das participações defeituosas, o filme conclui de forma aterradora. Custei a acreditar que a comédia terminava daquele jeito, banal. Mesmo um pouco antes da conclusão havia o que podemos chamar de “pré-conclusão”, que soava mais agradável. Mas relutaram em transpor o arranjo mais inescrupuloso possível.
Um filme com narrativa teatral, bem curto (81 minutos), preocupado em questionar a honestidade dos envolvidos na trama. No entanto, conduzido por um elenco caricato. Lances legais, como o cheque manchado de ovo, não contornam o resultado.
Sempre tive admiração por Bruno Barreto, “dono” de um dos maiores clássicos do cinema nacional, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Dirigiu obras importantes, como Um Beijo no Asfalto (1981), Gabriela, Cravo e Canela (1983) e O que é Isso, Companheiro? (1997). Diverti-me bastante com Romance da Empregada (1987) e O Casamento de Romeu e Julieta (2005). Mas aqui errou feio e levou, para o currículo, uma obra infeliz. (Por Felipe Brida)

Título original: Caixa Dois
País/Ano: Brasil, 2007
Elenco: Giovana Antonelli, Fúlvio Stefanini, Daniel Dantas, Thiago Fragoso, Zezé Polessa, Cássio Gabus Mendes, Marina de Sabrit, Robson Nunces.
Direção: Bruno Barreto
Gênero: Comédia
Duração: 81 min.

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Fique atento! Neste domingo será realizada a maior festa da cinematografia mundial: a 80ª edição do Oscar. A transmissão do evento, que acontece no Kodak Theater (Hollywood, Los Angeles), ficará por conta da Rede Globo, TNT e E!. Como havia comentado anteriormente, o canal TNT exibirá a festa por completo, a partir das 21h30 (horário de Brasília). Já a Globo, devido à grade da programação, irá transmitir o Oscar somente após o Big Brother 8, ou seja, boa parte do evento já estará comprometida. E o canal E! estará transmitindo a festa desde às 21 horas, quando as celebridades chegam ao tapete vermelho. O mesmo canal também vai mostrar a festa dos artistas após o Oscar, previsto para às 3 horas. Ao lado, pôster oficial da 80ª edição do Oscar.

Por falar em premiação, o filme brasileiro Estômago, dirigido por Marcos Jorge, levou ontem dois prêmios no encerramento da 11ª edição do Festival Internacional de Cinema de Punta del Este, realizado no Uruguai. As categorias vencidas foram melhor filme e melhor ator (João Miguel). “Estômago” conta a história de um cozinheiro que se destaca no ramo da culinária devido aos seus dotes especiais.
Outros filmes brasileiros também se destacaram. “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, levou a estatueta de melhor documentário, e “O Brilho dos meus Olhos”, dirigido por Allan Ribeiro, ficou com o prêmio de melhor curta-metragem. O ator João Miguel, além de levar o prêmio de melhor ator por Estômago, também ganhou na mesma categoria, pelo filme “Mutum”, de Sandra Kogut. 17 longas-metragens de 10 países foram selecionados para o festival, que teve início no domingo passado, dia 17. Dentre eles, “Sangue Negro”, que concorre a oito categorias no Oscar 2008. (Por Felipe Brida)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Cine Brasil

Cidade Baixa

Dois pescadores, Naldinho (Wagner Moura) e Deco (Lázaro Ramos), são amigos desde a infância e vivem aplicando pequenos golpes em uma comunidade na Bahia. A amizade é abalada quando surge uma prostituta, Karinna (Alice Braga), que passa a dividir os pescadores em um conturbado triângulo amoroso. Colegas e amantes, os três enfrentam uma longa viagem rumo à Cidade Baixa, em Salvador.
Produzido por Walter Salles e lançado em 2005, “Cidade Baixa” recebeu vários prêmios dentro e fora do país, como o prêmio de melhor atriz (Alice Braga) no Festival do Rio e o Prêmio Juventude, na 58º edição do Festival de Cannes, em 2005.
O que era para ser uma história trivial, sobre um complicado relacionamento entre dois homens que disputam a mesma mulher, transfigura-se em um enredo intrigante e de forte impacto. E tudo sustentado pela vitalidade de dois dos maiores nomes da televisão – e agora do cinema – da atualidade: Lázaro Ramos e Wagner Moura (na vida real eles são grandes amigos e trabalham juntos em inúmeros projetos). Em meio a eles, Alice Braga (sobrinha de Sônia Braga e filha da atriz Ana Maria Braga, que fez filmes nos anos 70). Um show de interpretações.
Alice aceitou o difícil papel de uma promíscua stripper. Saiu-se bem, convincente, elogiada e agora iniciando carreira nos Estados Unidos (o filme “Eu Sou a Lenda”, com Will Smith, tem ela no elenco). Aqui, pintou o cabelo de loiro e esbanja beleza. Aparece nua e provocante.
Um filme com alta carga erótica e muitas cenas fortes. A tal Cidade Baixa, nome dado à área estreita e litorânea de Salvador, local onde se desenrola a maior parte da história, é mostrada como um ambiente de insegurança misturado a intensos conflitos sociais. A fotografia ajuda a recriar o submundo onde os personagens se infiltram. No pano de fundo, prostituição, drogas e violência urbana. Por falar em violência, o ator José Dumont aparece em uma cena rápida, no início do filme, em uma rinha de galos. Ele interpreta, de forma marcante, um apostador alcoólatra que tem “sangue nos olhos”.
Um bom filme nacional em meio a uma safra de altos e baixos. Apesar de um pouquinho antigo, vale conferir. É o segundo dirigido pelo baiano Sérgio Machado, roteirista de Abril Despedaçado e Madame Satã.

Título original: Cidade Baixa
País/Ano: Brasil, 2005
Elenco: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Alice Braga, José Dumont, Harildo Deda, Fernando de Freitas.
Direção: Sérgio Machado
Gênero: Drama
Duração: 100 min.

De Olho no Oscar

Tá Dando Onda

Cadú (voz de Shia LaBeouf) é um pingüim sonhador e idealista, e tem, como ídolo, o grande surfista Big Z. Certo dia, apoiado pelos amigos, deixa a cidade natal, na Antártida, para participar de um torneio mundial de surf em uma ilha remota. Lá, torna-se companheiro de um veterano surfista, Grego (voz de Jeff Bridges), um pingüim determinado e sábio. A amizade entre os dois renderá aventuras e aprendizagens.
Indicada ao Oscar de melhor animação este ano (concorre junto com Ratatouille e Persepolis), esta nova animação, rodada nos estúdios Sony Pictures, é mais uma fita sobre pingüins, agradável e leve. Nos dois últimos anos, uma enxurrada de filmes com pingüins invadiu o mercado, como Happy Feet – O Pingüim (que levou o Oscar de animação ano passado), A Marcha dos Pingüins e sua paródia, A Farsa dos Pingüins. Tudo isto como mais uma forma de conscientizar a população sobre os riscos do aquecimento global e a possível extinção dos pequenos animais? O cinema nunca teve preocupação em focar os pingüins, e de repente ficamos diante de uma explosão temática em um período tão curto. Só que “Ta Dando Onda” nada tem a ver com os antecessores e sequer trata de temas sérios. Em “A Marcha dos Pingüins” e “Happy Feet” existiam questões inquietantes por trás, como a interferência do ser humano e a luta pela sobrevivência e pela procriação da espécie.
Se a animação “Tá Dando Onda” (uma tradução infeliz, com coloquialismo para agradar o público infantil) está longe de apontar problemáticas, por outro lado traz uma novidade. A fita é toda contada em formato de falso-documentário. Parece paradoxal, mas isto existe (lembram da comédia Zelig, de Woody Allen, sobre um cara apelidado de “O Camaleão”? Era no mesmo estilo). Para esclarecer, o protagonista Cadú passa a narrar sua vida para uma equipe que está produzindo um documentário sobre a carreira do jovem surfista. Parentes e amigos também dão depoimentos sobre o pingüim, há seqüências com filmagens antigas da família de Cadú e até recortes de jornal que retratam a conquista do jovem no mundo do surf. Erros de gravação e problemas técnicos durante a filmagem permeiam a história. Ou seja, é autêntica brincadeira metalingüística.
Seria este o único diferencial desta animação em computação gráfica, bem produzida por sinal. Já o roteiro fica num meio termo. Uma história sobre lição de vida e perseverança, comumente tratada em desenhos. A produção, com consentimento dos roteiristas, remontou espécimes “mutantes” de pingüins tropicais, ao colocá-los no meio da selva, tomando sol e caminhando pelas praias. Pingüins fora do habitat natural não dá pra engolir. E confesso que isto passou despercebido no início do filme. Só na cena em que o protagonista se perde em uma gruta subterrânea é que caiu minha ficha.
Achei uma animação interessante, mas não especial. Para ter sido indicada ao Oscar, das duas uma: ou a safra de desenhos anda cambaleante ou a seleção do Oscar confirmou superestimar certas produções. Quando terminou o filme, saí com aquela sensação de que em breve irei esquecê-lo. Mas volto a deixar claro. Não é um filme ruim. Apenas mediano, com truques inovadores no gênero, engraçadinho e sem muitas perspectivas. Ainda fico com A Marcha dos Pingüins e Happy Feet.
Vale lembrar que os diretores são dois experts no campo da animação gráfica – Ash Brannon (co-diretor de Toy Story 2 e responsável pelo departamento de animação dos filmes Toy Story e Vida de Inseto) e Chris Buck, que havia dirigido Tarzan (da Disney) e atuou no departamento de arte de outros filmes da Diseny, como O Cão e a Raposa, A Pequena Sereia, Pocahontas (também roteirista) e O Galinho Chicken Little.
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Título original: Surf’s Up
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Vozes de Shia LaBeouf, Zooey Deschanel, Jeff Bridges, Jon Heder, James Woods, Diedrich Bader, Mario Cantone.
Direção: Ash Brannon/ Chris Buck
Gênero: Animação
Duração: 85 min.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

De Olho no Oscar

Piratas do Caribe – No Fim do Mundo

No filme anterior, “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte”, capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) foi engolido pelo Kraken e levado ao fim do mundo. Nesta nova aventura da série, a turma de desbravadores, entre eles Will Turner (Orlando Bloom), Elizabeth Swann (Keira Knightley) e capitão Barbossa (Geoffrey Rush), vão até Cingapura para encontrar pistas que possam levá-los até o paradeiro de Sparrow. A jornada não será fácil, e o grupo terá de enfrentar muitas aventuras envolvendo figuras místicas e monstros.
Assumo que sou fã inveterado da série “Piratas do Caribe”. Como não havia assistido “No Fim do Mundo” nos cinemas, aluguei semana passada em DVD e, de quebra, assisti aos dois anteriores em uma tacada só. Mas irei deixar de lado meus sentimentos e partir direto ao que interessa aos leitores.
O terceiro filme da franquia traz, como ponto de partida da história, a busca pelo pirata Jack Sparrow, desaparecido no longa anterior, “O Baú da Morte”. E apenas isto. Não há especialmente nenhuma novidade a mais. Por ter sido rodado simultaneamente com o anterior, os personagens do segundo filme retornam aqui, como o pirata com cara de polvo Davy Jones e seus capangas cobertos de ostras e corais, além do disputado baú da morte. Capitão Barbossa, que antes apareceu nos minutos finais, volta a ter participação importante. E não esquecendo que o filme é uma verdadeira babel. Em determinado momento, há uma mistura de raças, como ingleses, orientais e árabes, todos intrigados e querendo mostrar força.
É o típico filme de uma história arrastada, sem reviravoltas ou surpresas empolgantes. Passa longe em ter a originalidade do primeiro filme. Mas, mesmo assim, nada disto propicia dissabor e torna-o ruim. Aqui, os fatos ficam mais esclarecidos e o enredo ainda prende a atenção. Para falar a verdade, não me decidi se prefiro este ou o anterior.
Escorregadas na estrutura do filme existem. 1º) É muito longo, o que pode ser cansativo para o público em geral. Aliás, a cada filme da série aumentava-se a duração. O primeiro já era grande, tinha 143 minutos; este então é um exagero total, 167 minutos. 2º) O competente ator chinês Chow Yun-Fat interpreta o intrépido capitão Sao Feng, de Cingapura, uma figura marcante. Infelizmente sua aparição é rápida demais, um personagem pouco aproveitado. Para compor o vilão, o ator utilizou uma maquiagem bem carregada (bigode fino de mandarim, sobrancelha estabanada, marcas pelo corpo todo, inclusive cicatrizes vorazes no rosto). 3º) Gerou-se muita expectativa em ver o guitarrista Keith Richards, um dos fundadores da banda inglesa Rolling Stones, interpretar o pai de Jack Sparrow, capitão Teague. O personagem apenas “aparece”, diz umas palavrinhas e sai de cena. Uma decepção. Não contei, mas a participação dele não ultrapassa três minutos de filme.
Para equilibrar as falhas, os pontos positivos. A direção de arte é o que mais me atraiu. Logo no início, uma exótica Cingapura, numa mistura de extravagância, misticismo e sujeira. Depois uma seqüência com outro visual bonito, no caso as geleiras e os personagens cobertos de neve. Os efeitos especiais completam e provocam o deleite do público, como a deusa Calypso em plena transformação e a virada do navio pela força humana. As batalhas entre navios são bem projetadas.
Temos uma brincadeira (homenagem?) usando o estilo de filmes faroeste, em especial o mestre Sergio Leone. Uma trilha sonora semelhante à de “Era uma Vez no Oeste”, só que remixada, com três pistoleiros chegando para lutar com outros três. E tudo filmado em close-up, inclusive o jeitoso andar dos personagens.
Deu para perceber que, em meio à longa duração, tudo acontece. Aquela “salada” de aventura, comédia, suspense, terror e romance permanece como marca registrada da franquia.
Acredito que “No Fim do Mundo” ainda terá a opinião dividida. Tenho dúvidas se este terceiro irá emplacar. Pelo visto, não. Poucos adoram, enquanto grande parcela odeia o filme.
“Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” (que não recebeu o número “3” no título) recebeu duas indicações ao Oscar este ano: maquiagem e efeitos especiais. E uma indicação ao Framboesa de Ouro (os piores do ano), na categoria ator coadjuvante (Orlando Bloom). (Por Felipe Brida)

Título original: Pirates of the Caribbean: At World’s End
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Keira Knightley, Jack Davenport, Chow Yun-Fat, Bill Nighy, Naomie Harris, Jonathan Pryce, Stellan Skarsgard, Lee Arenberg, Keith Richards.
Direção: Gore Verbinski
Gênero: Aventura
Duração: 167 min.

Morre o ator Rubens de Falco

O ator Rubens de Falco, 76 anos, morreu hoje (sexta-feira), em São Paulo. Ele sofreu uma parada cardíaca decorrente de uma embolia. Falco estava internado no Centro Integrado de Atendimento ao Idoso, em São Paulo, desde 2006, época em que sofreu um derrame.
Nascido em 1931 em São Paulo, Rubens de Falco iniciou a carreira no teatro. Fez filmes, novelas e minisséries. Mais lembrado pelos personagens de vilão, como seu maior êxito, o algoz personagem Leôncio Almeida, na novela “A Escrava Isaura”, exibida em 1976.
Nos anos 50, Falco atuou como “ponta” em importantes filmes brasileiros, dentre eles Apassionata (1952), Esquina da Ilusão (1953) e Floradas na Serra (1954). Foi o narrador do filme Moral em Concordata (1959). Ainda no cinema fez Engraçadinha Depois dos 30 (1966), O Homem que Comprou o Mundo (1968), Tempo de Violência (1969), Anjos e Demônios (1970), Uma Pantera em Minha Cama (1971), A Difícil Vida Fácil (1972), Pixote – A Lei do Mais Fraco (1981), O Monge e a Filha do Carrasco (1995) e Sonhos Tropicais (2001). Trabalhou em filmes cubanos, como Un Hombre de Exito (1985), e também em filmes venezuelanos.
Nas minisséries esteve em Os Maias (1979), Padre Cícero (1984), Grande Sertão: Veredas (1985) e Memorial de Maria Moura (1994). Participou de muitas novelas, como A Muralha (1961), Supermanoela (1974), Escalada (1975), Gabriela (1975), Dona Xepa (1977), O Astro (1977), Gaivotas (1979), Os Imigrantes (1981), Sinhá Moça (1986), Bambolê (1987), Pacto de Sangue (1989), Os Ossos do Barão (1997) e Brida (1998). O último trabalho de Falco foi na refilmagem da novela “Escrava Isaura”, exibida pela Rede Record em 2005. O ator interpretou o personagem Comendador Almeida. (Por Felipe Brida)

Morre o ator brasileiro Oswaldo Louzada

O ator Oswaldo Louzada morreu hoje (sexta-feira) aos 95 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido por Louzadinha, ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D’Or. A causa da morte foi falência múltipla de órgãos.
Nascido em 1912 no Rio de Janeiro, Louzada participou de muitos filmes brasileiros, além de telenovelas e minisséries. Seus papéis eram sempre como coadjuvante ou mesmo “ponta”.
O primeiro trabalho do ator foi no cinema. Em 1944 esteve no elenco de “Gente Honesta” (com Oscarito e Vanda Lacerda) e também em “É Proibido Sonhar” (com Mesquitinha). Em 1954 fez “É Proibido Beijar” (com Tônia Carrero, Ziembinski e Otelo Zeloni). Atuou em dois filmes dirigidos por Carlos Hugo Christensen em 1955: “Mãos Sangrentas”, uma co-produção Brasil/Argentina, e “Leonora dos Sete Mares”.
Na época da chanchada fez “Rico Ri à Toa” e “Rio Fantasia”, ambos em 1957. Foi diretor, junto com Tito Davison, do filme “Mujeres de Fuego”, rodado no México.
No período do Cinema Novo fez “O Assalto ao Trem Pagador” (1962) e “Lampião – O Rei do Cangaço” (1964). Outros filmes foram: “Crônica da Cidade Amada” (1964), novamente com Carlos Hugo Christensen, “Viagem aos Seios de Duília” (1964) e “Guerra Conjugal” (1975).
Na televisão atuou em novelas como “Bandeira 2” (1971), “João da Silva” (1973), “Escalada” (1975), “Estúpido Cupido” (1976), “Locomotivas” (1977), “Pecado Rasgado” (1978), “Cabocla” (1979), “Brilhante” (1981), “Final Feliz” (1982), “Hipertensão” (1986), “Pacto de Sangue” (1989), “Vamp” (1991), “Cara & Coroa” (1995), “Uga Uga” (2000) e “Mulheres Apaixonadas” (2003). Nesta última novela, teve papel importante junto com a atriz veterana Carmen Silva. Eles interpretavam um casal de idosos – Leopoldo e Flora – que eram maltratados pela neta Dóris (Regiane Alves). O assunto fez reascender no país a questão da Terceira Idade.
Também marcou presença em minisséries como “O Tempo e o Vento” (1985), “O Primo Basílio” (1988), “Desejo” (1990), “Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados” (1995) e “O Quinto dos Infernos” (2002).
O último trabalho de Louzada foi no seriado cômico “Sob Nova Direção”, em 2004. O corpo do ator será enterrado hoje às 17 horas, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. (Por Felipe Brida)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Comentários do Blogueiro

Pessoal, mais uma novidade no blog “Cinema na Web”. A partir de hoje terá início a seção Cine Brasil. Um espaço voltado a comentários e resenhas sobre filmes brasileiros. Haverá um pouco de tudo: filmes lançamentos e antigos, Cinema Novo, chanchada, premiações, artistas em destaque e outros assuntos que envolvem o cinema no Brasil. E para começar irei postar, entre hoje e sábado, resenhas de quatro filmes que assisti esta semana: Cidade Baixa, Lavoura Arcaica, O Vestido e Caixa Dois.
E deixo disponível, logo ao lado esquerdo, na descrição de meu perfil, um email para contato.
Uma boa leitura a todos!

Cine Brasil

O Vestido

Duas irmãs encontram um vestido de festa na casa onde moram e passam a questionar a origem daquela roupa. A mãe, Ângela (Ana Beatriz Nogueira), revela às filhas a verdadeira história sobre aquela vestimenta, o que a faz recordar de um triângulo amoroso envolvendo seu marido, Ulisses (Leonardo Vieira), que havia fugido de casa para morar com a jovem Bárbara (Gabriela Duarte).
O filme, baseado no poema “O Caso do Vestido”, escrito por Carlos Drummond de Andrade em 1945, fracassou quando lançado em 2003 e recebeu críticas das mais penosas. Mas os motivos da má recepção do longa de Paulo Thiago são claras: um roteiro confuso, cheio de vai-e-vem entre épocas e lugares e um amontoado de personagens sem inspiração e sem química (não ficou interessante juntar Leonardo Vieira e Ana Beatriz Nogueira como o casal em crise). O público se perde pelos meandros da narratividade em tom teatral.
O foco da história é livremente inspirado no poema de Drummond (já o havia lido há muitos anos e reli esses dias para que pudesse analisar melhor o filme). Existem situações desnecessárias e que escapam do texto original do grande poeta e contista mineiro, como a participação de Ulisses e Bárbara no garimpo. O vestido, que dá nome ao título do filme, torna-se personagem essencial ao enredo. Uma figura mágica e sempre presente.
Enfim, não gostei do resultado. Nem mesmo Gabriela Duarte, vencedora na categoria melhor atriz no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, não segura o papel. Confesso que fiquei irritado com a personagem se expressando em tom de declamação. Muito patético e esquisito para o público. (Por Felipe Brida)

Título original: O Vestido
País/Ano: Brasil, 2003
Elenco: Leonardo Vieira, Gabriela Duarte, Ana Beatriz Nogueira, Daniel Dantas, Paulo José, Stela Freitas, Renato Borghi, Othon Bastos, Ana Lúcia Torre, Péricles Amin.
Direção: Paulo Thiago
Gênero: Drama
Duração: 120 min.

Cine Lançamento

Os Mensageiros

O casal Roy (Dylan McDermott) e Denise (Penelope Ann Miller) muda-se com os filhos para uma tranqüila e remota fazenda em Dakota do Norte. A calmaria dá lugar a aparições de fantasmas e figuras malignas invisíveis, vistas apenas pelos filhos do casal, Jess (Kristen Stewart) e Ben (Evan Turner). O medo e a insegurança passa a dominar a vida dos moradores.
O primeiro filme de língua inglesa rodado pelos irmãos gêmeos Oxide e Danny Pang escorrega em todos os tipos possíveis de clichê. Os “Pang”, naturais de Hong Kong, China, traziam grande expectativa quando rodaram, em seu país natal, o terror “The Eye – A Herança” (2002). Só que acabaram perdendo a mão nos projetos seguidos (exemplo disto são as continuações do “The Eye”), que variavam de comédias bizarras a horror fantasmagórico. Ou seja, tornaram-se diretores irregulares. E “Os Mensageiros” não deixa dúvida quanto à meteórica decadência dos irmãos chineses. Um filme previsível e de conteúdo fraco, com efeitos visuais feios. No projeto, nomes importantes, como McDermott, Ann Miller e Corbett (este interpreta um fazendeiro tosco, que usa boné, jaqueta e um bigode nada estiloso, parecido com o do ator “Sam Elliott”).
Não mais atrai o nome de Sam Raimi como um dos produtores. Raimi tem assinado muitas bobagens, como “O Grito 2”, “O Pesadelo”, “Darkman III” e outros mais.
Enfim, um filme dispensável e sem energia. Nem mesmo o elenco dá conta do recado.

Título original: The Messengers
País/Ano: EUA/Canadá, 2007
Elenco: Kristen Stewart, Dylan McDermott, Penelope Ann Miller, John Corbett, Evan Turner, William B. Davis, Brent Briscoe, Theodore Turner.
Direção: Oxide Pang Chun/ Danny Pang
Gênero: Terror
Duração: 90 min.


O Pântano

A escritora de livros infantis Claire Holloway (Gabrielle Anwar) sofre com uma série de pesadelos. Pela televisão, reconhece uma paisagem rural, imagem recorrente em seus tormentos. Claire decide passar umas férias no local campestre, e descobre que a região é assombrada pelo fantasma de uma menina e de um jovem.
Este segundo longa dirigido pelo ator de telefilmes e seriados Jordan Barker é mais um daqueles filmes de terror sobrenatural que invade as prateleiras das locadoras. Enredo nada original, sustos previsíveis, final que não convence. O pior de tudo é ver o premiado ator Forest Whitaker em um papel ingrato demais. Ele interpreta um especialista em fatos paranormais que não tem muito o que fazer na história. No mesmo ano deste filme, Whitaker rodou “O Último Rei da Escócia”, em que levou o Oscar de melhor ator pelo papel do ex-ditador da Uganda Idi Amin Dada.
“O Pântano” - não confundir com o filme homônimo lançado em 2001 (comédia-dramática argentina dirigida Lucrécia Martel) - é mais uma xaropada na irregular carreira de Gabrielle Anwar (de “Perfume de Mulher” e “Invasores de Corpos – A Invasão Continua”). A atriz estava desaparecida das telas há um bom tempo e retorna aqui, envelhecida e cheia de olheiras. A explicação sobre o título só aparece no final. Passe longe!

Título original: The Marsh
País/Ano: Canadá, 2006
Elenco: Gabrielle Anwar, Forest Whitaker, Justin Louis, William Cuddy, Joe Dinicol, Brooke Johnson.
Direção: Jordan Barker
Gênero: Terror
Duração: 92 min.


O Jogo das Sete Mortes

Sete jovens são convocados para participar de um reality show. Em uma casa isolada e cheia de cômodos, o grupo se reúne. Apenas um deles vencerá o prêmio de 100 mil dólares. Só que misteriosos assassinatos começam a acontecer. Quem conseguirá se salvar?
Este filme B, rodado em 2002, só foi lançado em novembro de 2006. Tento entender, mas não chego a uma conclusão, porque a Universal distribuiu uma fita tão desastrosa. Um filme completamente caseiro. Exemplo autêntico de fita mal feita que reúne personagens esquisitos. Tem de tudo: um homossexual escandaloso que usa roupa punk (meio “The Cure”), uma japonesa bissexual e tarada, uma loira histérica com cabelo rastafari, e por aí vai. É muita bizarrice para um projeto só. Todos eles passam a maior parte do tempo se xingando. Humilhações, preconceito e filosofias furadas não faltam. E naquele clima de “quem é o assassino?” e “quem vai morrer agora?”, saturado em terrores anteriores, como “Sexta-Feira 13” e “Pânico”. Com o desenrolar da trama, vemos o psicopata, vestido em trajes e máscara que só podem ser uma homenagem a Darth Vader, matar suas vítimas com choques e injeção letal! O que era para assustar faz rir. O público não merece ver tamanha inutilidade. No site americano IMDB (um dos maiores sobre cinema), os internautas elegeram este filme como um dos piores já realizados até hoje. A nota foi de 2,6. Em 2002 também foi rodado outra fita de terror sobre câmeras escondidas que filmavam jovens aprisionados e sendo mortos em uma casa. Apesar de melhor aceito pelo público, o “O Olho que Tudo Vê” (My Little Eye) também é tolo, só que com produção acima da média (envolvendo Estados Unidos, Canadá, França e Inglaterra). Os diretores norte-americanos em início de carreira sofrem de falta de talento. Não tem outra justificativa.

Título original: Reality Check
País/Ano: EUA, 2002
Elenco: Vanessa Christel, Natlia Cigliuti, Timothy Lee DePriest, Nate Dushku, Julie Ann Emery, Sticky Fingaz, Kim Hoy.
Direção: Rafal Zielinski
Gênero: Suspense/Terror
Duração: 88 min.

(Por Felipe Brida)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cine Lançamento

Peço desculpas aos leitores, pois não tive tempo de postar as resenhas até sexta-feira, conforme havia prometido. Mas agora disponibilizo três textos enquadrados no “show de horrores”! Lembram que comentei sobre filmes de suspense e terror lançados recentemente? Foi uma semana de amargar. Cada filme ruim, meu Deus! Vale lembrar que resenha e crítica servem para indicar ou não filmes a serem vistos. Neste caso, um alerta para afugentar os cinéfilos. E amanhã posto o restante. Boa leitura.


Temos vagas

Após a morte do filho pequeno, Amy (Kate Beckinsale) e seu marido David (Luke Wilson) resolvem viajar. Até que chegam a um lugar isolado e desconhecido, e o pior acontece: o carro quebra. Sem opções, param em um motel próximo, gerenciado por um estranho homem chamado Mason (Frank Whaley). Naquela noite o jovem casal irá enfrentar seus piores pesadelos, quando descobrem que o motel, na verdade, é palco de torturas e assassinatos macabros. E tudo gravado por câmeras escondidas.
Um thriller com jeitão de “Psicose”, só que fraco e desnecessário. Difícil entender como bons atores, no caso Kate Beckinsale e Luke Wilson, participam de projetos tão duvidosos. História velha, situações recheadas de clichês, violência gratuita. Para ser franco, a única coisa que me atraiu no filme foi o arranjo diferente utilizado nos créditos iniciais. O resto, pura bobeira. E ao contrário do que algumas pessoas disseram, este thriller está longe, mas muito longe de ser uma homenagem à grande obra de Alfred Hitchcock.

Título original: Vacancy
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Kate Beckinsale, Luke Wilson, Frank Whaley, Ethan Embry, Scott G. Anderson, Mark Casella.
Direção: Nimród Antal
Gênero: Suspense/Terror
Duração: 80 min.


Sombra da Morte

Seis anos após presenciar a irmã mais velha morrer em um acidente de carro, Christy (Nora Zehetner) retorna à sua cidade natal. Ainda traumatizada e sob tratamento psicológico, a jovem é assombrada por estranhas visões envolvendo a morte da irmã. Com a ajuda de uma sobrinha, que também passa a ter pressentimentos, Christy irá investigar a ligação dos fatos.
Imaginem um filme mal feito, com elenco ruim e uma história “batida” sobre assombrações. Pronto, este é exemplo perfeito. Não tem como não ficar irritado diante da inexpressividade e do amadorismo dos atores. A atriz Nora Zehetner, que interpretou a personagem Eden McCain em oito episódios da primeira temporada da série “Heroes”, em 2006, é péssima. Se fosse diretor de cinema, nunca a contrataria. A conclusão é uma bobeira só. “Sombra da Morte” é o primeiro filme do diretor Dagen Merrill. O DVD foi lançado recentemente pela MTV Films em parceria com a Paramount. Mas para que assistir?

Título original: Beneath
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Nora Zehetner, Brenna O’Brien, Carly Pope, Don S. Davis, Matthew Settle, Gabrielle Rose.
Direção: Dagen Merrill
Gênero: Terror
Duração: 82 min.



Noites de Agonia

Deprimido e recém-divorciado, John Hare (Stuart Laing) muda-se para uma casa isolada e aparentemente tranqüila. Só que sons assustadores e vibrações do além começam a tomar conta do local, o que faz Hare desconfiar que não está sozinho no novo lar.
Outro filme pavoroso que tiveram a capacidade de lançar em DVD. O estúdio – Platina Filmes – deve ter pirado ao permitir levar ao mercado uma fita vergonhosa. Um terror inglês de quinta categoria, com cenários feios (parecem filmados em fundo de quintal sujo). Uma história que já começa mal e só tende a piorar. Como sempre em fitas do gênero, um final tido como “surpresa”. A fita tem participação da atriz Nina Sosanya (de “Manderlay”) É o primeiro filme dirigido por Sean Hogan. E nós, adoradores do cinema, torcemos para que este diretor largue mão de burrices e vá se empenhar em projetos mais criativos. (Por Felipe Brida)

Título original: Lil Still/ The Haunting of #24
País/Ano: Inglaterra, 2005
Elenco: Stuart Laing, Robert Blythe, Nina Sosanya, Susan Engel, Tim Barlow.
Direção: Sean Hogan
Gênero: Terror
Duração: 80 min.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ARTIGO

Um Tempo para a Sensibilidade (*)

"O Som do Coração" (August Rush) é um filme sensível, suave e ao mesmo tempo tomado de uma gama de força, emoção e ensinamentos nas entrelinhas, ou melhor, nas entre-notas musicais. Alguns "menos sensíveis" poderão classificá-lo de "açucarado, meloso". Prefiro ficar com a classificação de "suave". As telonas têm estado saturadas de sangue e violência; este filme dá "um tempo" nesse seguimento de fúria. Cada momento do filme é coberto de sensibilidade e ternura que nos é passado pelas cenas, diálogos, fotografias, e principalmente, pela interpretação do pequeno Freddie Highmore como August Rush, um gênio de musicalidade. Sua interpretação nos leva às lágrimas e ao mesmo tempo à reflexão sobre perseverança, desejos, sonhos e fé.
Vale muito assisti-lo, no mínimo, duas vezes. O filme só teve um grande erro, ao meu ver: o final não seguiu a suavidade do filme, termina de forma muito brusca. Uma pena que o diretor pecou no encerramento, poderia ser suave como o seguimento do filme. Mesmo assim vale ver. Uma dica aos "sensíveis de coração" e cansados de tanta violência nas telonas e vida real.

Sinopse: Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), guitarrista irlandês, e Lyla Novacek (Keri Russell), jovem violoncelista, se conhecem em uma noite mágica em Nova York. Separados pelo destino desse encontro, nasce August Rush (Freddie Highmore), que vai parar no orfanato. O pequeno garoto decide sair em uma jornada musical em busca de seus pais. No caminho, ele recebe a ajuda de um estranho misterioso (Robin Williams). Dirigido por Kirsten Sheridan. Drama, 100 min.

(*) Morgana Deccache, 44 anos, é jornalista, professora universitária no campo de Comunicação e palestrante com formação nas áreas de liderança e teatro amador de pantomima. É também locutora e professora de cursos profissionalizantes. Escritora nas horas vagas. Natural do Rio de Janeiro, atualmente reside em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

Comentários do Blogueiro

Agradecimento aos internautas
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O blog Cinema na Web completa hoje uma semana de existência. Foram, até agora, 16 postagens, incluindo resenhas, especiais e comentários, e um total de 336 visitas. Deixo aqui registrado um agradecimento especial aos leitores e também aos colaboradores que aceitaram a proposta de escrever artigos sobre cinema. Fico satisfeito e contente ao receber emails de internautas elogiando o blog. E vamos continuar atualizando este espaço uma vez por dia.
E já aviso de antemão: de quinta-feira para cá assisti a oito filmes, sendo sete terror/suspense, todos eles muito ruins. Já previa isto só de olhar para a sinopse e pela má qualidade da capa. Alguns deles são desconhecidos, produções independentes lançadas por distribuidoras menores. Mas irei postar comentários sobre eles a partir de hoje. Passei uma temporada de amargar. Cada filme porcaria, todos eles indicações de pessoas que me encontravam pela rua e também de newsletter que recebi. Parece que o gosto do público segue de mal a pior. (Por Felipe Brida)

Cine Lançamento

Licença para Casar

Sadie (Mandy Moore) e Ben (Joh Krasinski) ficaram noivos e querem marcar o casamento. Só que para se casar na igreja da família de Sadie, os jovens terão de ingressar em um curso de preparação de noivos, dirigido por Reverendo Frank (Robin Williams). Eles aceitam a proposta, porém irão descobrir que casar não é tão fácil assim.
Esta é mais uma comédia infeliz do diretor Ken Kwapis, o mesmo de “Vibes” (1988) e “Ele Disse, Ela Disse” (1991). E também mais uma fita com Robin Williams em papel fraco. Williams resolveu aparecer em todas as produções possíveis, inclusive em filmes péssimos, como as comédias “Quem é Morto Sempre Aparece” (2005) e “Férias no Trailer” (2006). Um exemplo de ator que não consegue mais distinguir projetos bons de porcarias.
O personagem de Reverendo Frank utiliza métodos nada ortodoxos para preparar os noivos centrais que desejam se casar. Ele ataca de espião, invade a privacidade do casal, coloca escutas no quarto para saber se manterão a promessa de não fazer sexo antes do casamento, e outros absurdos mais que só pioram o filme. Em uma das cenas, o padre fica empolgado e quer conhecer as posições sexuais preferidas pelo casal. Pelo amor de Deus! Quem quer passar uma hora e meia vendo um padre oportunista, intrometido, chato e que perturba as pessoas? Meio desajustado, não? Veja que estranho e paradoxal: por trás de tudo, o reverendo pretende defender a moral e os bons costumes só que utilizando conduta desrespeitosa e interesseira. É aquela velha história de “prega uma coisa, e faz outra”. Assim não dá.
O ator John Krasinski, que interpreta o noivo com cara de sonso, só se expressa por meio de caretas e bicos. Repare como ele tem traços do Shrek (orelha de abano, rosto grande e nariz de batata!). Coincidencia ou não, Krasinski fez a voz de Lancelot no filme “Shrek Terceiro”.
Uma comédia boba voltada ao público jovem, que trata de temas batidos, como as dificuldades na vida de casado e a dedicação para com filhos recém-nascidos. Sinceramente, uma perda de tempo. (Por Felipe Brida)

Título original: License to wed
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Robin Williams, Mandy Moore, John Krasinski, Eric Christian Olsen, Grace Zabriskie, Josh Flitter, Peter Strauss, Roxanne Hart.
Direção: Ken Kwapis
Gênero: Comédia
Duração: 91 min.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Resenhas & Críticas

O Julgamento do Diabo
Escritor fracassado, Jabez Stone (Alec Baldwin) luta em ser reconhecido pelo seu trabalho. Cansado de viver em uma maré de azar, resolve vender a alma ao diabo, que aparece para ele em forma de uma charmosa mulher (Jennifer Love Hewitt). Para que o escritor alcance a fama, o diabo fará uma proposta tentadora.
Para que fique bem claro, a comédia “O Julgamento do Diabo” é refilmagem do clássico drama “The Devil and Daniel Webster” (1941), dirigido por William Dieterle. Um filme que tinha, no elenco, grandes nomes, como Edward Arnold, Walter Huston, Jane Darwell, Simone Simon e Gene Lockhart, e que deu a Bernard Herrmann o Oscar de melhor música dramática em 1942. Além disto, o ator Walter Huston concorreu ao Oscar de melhor ator.
Na refilmagem, mudou-se o gênero (de drama para comédia) e manteve-se boa parte do tom narrativo original. Como resultado, temos uma farsa de poucos risos. Um filme menor, pouco visto, que aborda, como tema principal, a busca pelo sucesso. Uma comédia apenas razoável, nada memorável, mas que dá para assistir sem problema algum.
Alguns problemas ficam evidentes. Perde-se tempo em mostrar as dificuldades na vida de um escritor, como fracassar nas vendas, receber críticas destruidoras, o desejo de ser notório e até mesmo ser acusado de plágio. Outro defeito são as inúmeras cenas em slow motion, que dá uma cara de telefilme mal feito à comédia. No elenco, o veterano Anthony Hopkins interpreta o advogado Daniel Webster, em um momento nada especial.
A conclusão apela para uma interessante Corte do Inferno, representada por um júri do além e composta por ícones da Literatura, como Truman Capote, Oscar Wilde, Ernest Hemingway e Mario Puzo. Realmente os artistas convidados se assemelham aos verdadeiros escritores.
A equipe de filmagem enfrentou sérias dificuldades para lançar a comédia. O longa, rodado em 2001, ficou engavetado por vários anos devido à falta de verba para a pós-produção e lançamento. Em agosto de 2007, a distribuidora “My Own Worst Enemy Productions”, que financia projetos “parados”, adquiriu os direitos do longa e lançou-o nos cinemas americanos. No Brasil a fita veio direto em vídeo.
É o primeiro filme de ator Alec Baldwin como diretor. Ele utilizou o pseudônimo de Harry Kirkpatrick para assinar a direção. E é a segunda fita entre Baldwin e Hopkins. Ambos atuaram juntos na aventura “No Limite”, em 1997. (Por Felipe Brida)

Título original: Shortcut to Happiness/ The Devil and Daniel Webster
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Alec Baldwin, Jennifer Love Hewitt, Anthony Hopkins, Dan Ayfroyd, Kim Catrall, Ken Murton, Frank Sivero, John Savage, Jason Patric.
Direção: Harry Kirkpatrick

Gênero: Comédia
Duração: 102 min.

Morre o ator Perry Lopez


O ator Perry Lopez, mais conhecido por interpretar o tenente Lou Escobar, colega de trabalho de Jake Gittes (Jack Nicholson) no premiado "Chinatown" (1974), morreu de câncer no pulmão na última quinta-feira (dia 14), em Beverly Hills, Califórnia. Ele tinha 76 anos.
Nascido em 1931, em Nova York, Perry Lopez nunca chegou ao estrelato. No entanto, esteve no elenco de muitos filmes, sempre em papéis menores. Seu primeiro trabalho no cinema deu-se em “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), com participação não-creditada. Em 1955 atuou no premiado filme “Mister Roberts”. No início de carreira, trabalhou no filme noir “Morrendo a cada Instante” (1955), além de contracenar com Elvis Presley em “Estrela de Fogo” (1960). Fez faroestes, como “Quando um Homem é um Homem” (1963) e “O Preço de um Covarde” (1968), e até comédia de guerra, como em “Os Guerreiros Pilantras” (1968). Atuou ao lado de Charles Bronson em dois filmes: "Desejo de Matar IV - Operação Crackdown" (1987) e "Kinjite: Desejos Proibidos" (1989). Retornou com o papel de Lou Escobar, agora promovido a capitão, na continuação de Chinatown, "A Chave do Enigma" (1990). A última aparição de Lopez no cinema foi em “Confessions of a Hitman” (1994).
Além de filmes, fez pequenas participações nas mais famosas séries de TV americanas, como “Casal 20”, “As Panteras”, “Bonanza”, “Mod Squad”, “Tarzan” e “Jornada nas Estrelas”. (Por Felipe Brida)

Cine Lançamento

3 Efes

A jovem e atraente universitária Sissi (Cristina Kessler) mora com o pai desempregado e o irmão pequeno. Sua maior amizade é tia Martina (Carla Cassapo), mulher mais madura que enfrenta problemas conjugais com o marido publicitário, Rogério (Leonardo Machado), e começa a sentir atração por William (Paulo Rodrigues), um catador de papelão. Quando fica sabendo que uma conhecida passa a ganhar dinheiro fácil como prostituta, Sissi resolve experimentar a novidade.
Quando terminei de assistir ao filme, ontem à noite, tive a impressão que Carlos Gerbase pode ser considerado um dos piores diretores brasileiros dos últimos anos. Um péssimo realizador. Já não havia gostado de seu filme anterior, "Tolerância" (de 2000, com Maitê Proença, Roberto Bontempo e Maria Ribeiro), que conta a história de um casal que passa por crise conjugal; a mulher advogada sai com um cliente e o marido sente-se atraído por uma menina bem nova, amiga da filha. Gerbase reluta em mostrar cenas de sexo sem necessidade, em um roteiro fraco e com elenco irregular.
Em “3 Efes” (o estranho título é explicado logo no início do filme, em uma teoria que irá amarrar toda a história), situações que beiram o ridículo incomodam (como a cena do lanche no ônibus). Como um todo, o longa gaúcho parece ter saído das pornochanchadas dos anos 70/80. O elenco, formado por jovens recém-formados em cinema, deixam pairar um clima de amadorismo que destrói a fita. Ninguém convence. Muito mal encenado. Diálogos nada interessantes, temas menos ainda. Uma das personagens fica boa parte do tempo pensando em ganhar dinheiro como garota de programa, e participa de uma aula gratuita para treinar gemidos e orgasmos! Meu Deus, para que isto? Em determinado momento, todo mundo passa a dar em cima de todo o mundo, por meio de flertes e sexo mesmo (um dos personagens sai com a chefe gorda e de meia-idade para não perder o emprego e tentar subir na carreira). É de um mal gosto tremendo. No fundo, todos os personagens procuram um mesmo ideal: saciar seus desejos e buscar novas experiências de vida. Mesmo que, para chegar ao bem estar, utilizem métodos tresloucados e imorais. O tumulto na resolução final atinge seu ponto máximo de desprazer.
Em linhas gerais, assisti ao filme desanimado. Fica evidente que o diretor Carlos Gerbase perdeu a mão e errou feio, mais uma vez. Um filme que dificilmente encontrará seu público.
Com este longa, Carlos Gerbase realizou um feito inovador. Em dezembro do ano passado, lançou-o simultaneamente em DVD, cinemas, televisão e internet (no portal Terra, dividido em cinco partes). A filmagem de “3 Efes” demorou apenas 20 dias (entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007).
Para aqueles que não sabem, Carlos Gerbase é professor de cinema na PUC-RS, escritor e músico (ex-membro da banda Replicantes, que tinha Wander Wildner no vocal). Também realiza curta-metragem. Sua obra mais elogiada é o intrigante, porém irregular curta-metragem “Deus Ex-machina” (1995). Gerbase foi roteirista da minissérie brasileira “Memorial de Maria Moura”, sucesso de público em 1994.

Título: 3 Efes
País/Ano: Brasil, 2007
Elenco: Cristina Kessler, Carla Cassapo, Leonardo Machado, Ana Maria Mainieri, Paulo Rodrigues, Fábio Rangel, Felipe de Paula, Aníbal Damasceno Ferreira.
Direção: Carlos Gerbase
Gênero: Drama/ Comédia
Duração: 100 min.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Especiais Sobre Cinema

Tropa de Elite leva maior prêmio no Festival de Berlim

O filme brasileiro “Tropa de Elite” ganhou hoje o Urso de Ouro de Melhor Filme, prêmio máximo do Festival de Berlim. O diretor José Padilha e o produtor do longa Marcos Prado subiram ao palco do Berlinale Palast para receber a estatueta. Foram aplaudidos por mais de mil pessoas. Durante o festival, que termina oficialmente amanhã, o júri ficou dividido quanto ao resultado do filme “Tropa de Elite”. Uns reagiram de maneira positiva, enquanto que outros não aprovaram o conteúdo do longa. A maior crítica girou em torno do excesso de ação e de violência que conduzem o enredo.
O filme, que se tornou sucesso de público, faz um retrato sobre a atuação do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) nas favelas e nos morros do Rio de Janeiro. Os personagens que conduzem a história são dois oficiais da Polícia Militar, Capitão Nascimento (Wagner Moura) e Neto (Caio Junqueira). O primeiro procura um substituto para seu estressante posto, enquanto que o segundo se destaca pela honestidade e coerência.
Confira abaixo a lista completa dos premiados na 58ª edição do Festival de Berlim. (Por Felipe Brida)

- Urso de Ouro: "Tropa de Elite", de José Padilha (Brasil).

- Prêmio Especial do Júri: "Standard Operating Procedure", de Errol Morris (EUA).

- Urso de Prata de Melhor Diretor: Paul Thomas Anderson, por "Sangue Negro" (EUA).

- Urso de Prata de Melhor Ator: Reza Najie por "Avaze Gonjeshk-ha", de Majid Majidi.

- Urso de Prata de Melhor Atriz: Sally Hawkins, por "Happy-Go-Lucky", de Mike Leigh.

- Urso de Prata de Melhor Roteiro: "Zuo You", de Wang Xiao Shuai.

- Urso de Prata pela Contribuição Artística: "Sangue Negro" (EUA).

- Prêmio Alfred Bauer: "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke (México).

- Prêmio da Crítica Internacional Fipresci: "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke (México).

- Prêmio Anistia Internacional: "Sleep Dealer", de Alex Rivera (México-EUA).

- Prêmio Geração 14plus: "Café com Leite", de Daniel Ribeiro (Brasil).

Resenhas & Críticas

Um Crime de Mestre

O engenheiro Ted Crawford (Anthony Hopkins) descobre que a esposa, Jennifer (Embeth Davidtz), o está traindo com um policial. No dia em que consegue provas sobre o adultério, desfere um tiro contra a mulher, deixando-a gravemente ferida. Crawford confessa o crime, é preso e levado a julgamento. Só que o engenheiro contorna o discurso, declara-se inocente e terá de enfrentar um advogado de acusação recém-formado, Willy Beachum (Ryan Gosling), que fará de tudo para colocar o criminoso atrás das grades.
Mais uma vez o diretor texano Gregory Hoblit trabalha em um suspense de tribunal levado às últimas conseqüências. Seu primeiro grande sucesso, “As Duas Faces de um Crime” (1996), trazia o jovem ator Edward Norton em uma trama complexa e intrigante. Em “Um Crime de Mestre”, a mesma dose é retomada. Dois personagens fortes se confrontam em um duelo titânico. De um lado, um velho com uma mente diabólica, interpretado pelo veterano Anthony Hopkins; do outro, um advogado inexperiente, porém firme e consciente, feito pelo carismático Ryan Gosling.
Logo de início ficamos surpresos ao ver o engenheiro atirar contra o rosto da mulher, à queima-roupa. Ou seja, não existem pistas para descobrir quem é o criminoso, pois ele está lá. O “homem mau” já é apresentado em menos de 15 minutos de filme. Mas não pense que a trama termina aí. A tensão cresce a cada encontro e desencontro da história, que oscila entre o suspense e o autêntico thriller. E no final, um elemento-surpresa que pode mudar as perspectivas e os rumos dos personagens.
Um bom suspense, com uma trama inteligente e situações imprevisíveis. Os atores estão bem. Hopkins, com olhar avoado e pensamentos cruéis, além do jeitão dissimulado, prende a atenção do público. E Gosling (indicado ao Oscar de melhor ator por Half Nelson, no ano passado), ator promissor e ainda pouco conhecido do público, não faz feio. Vale a pena. Uma boa pedida para o final de semana.
Só atenção para um problema de divulgação do filme. A “tagline” (frase chamativa que costuma estar impressa na capa dos filmes) é equivocada. Reparem que no DVD lançado no Brasil os dizeres são “Matei minha esposa. Agora prove”. Além de cafona demais, existem por trás dois erros. O original, em inglês, fica assim: “I shot my wife. Now prove it” (Atirei na minha esposa. Agora prove). Só que a tal mulher não morre. Estranho, não? Esses tradutores precisam voltar às aulas de inglês. E por que não bolar textos mais criativos? Vai entender... (Por Felipe Brida)
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Título original: Fracture
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Anthony Hopkins, Ryan Gosling, Billy Burke, Embeth Davidtz, David Strathairn, Rosamund Pike, Cliff Curtis, Fiona Shaw, Xander Berkeley, Bob Gunton.
Direção: Gregory Hoblit
Gênero: Suspense
Duração: 113 min.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

De Olho no Oscar

Ratatouille

Remy (voz de Patton Oswalt) é um ratinho que vive em Paris e adora cozinhar. Torna-se tutor de um desastrado ajudante de cozinha, Linguini (voz de Lou Romano), que é designado para trabalhar no renomado restaurante francês Gusteau’s. Receitas exóticas irão levar a dupla à notoriedade.
Imaginar um rato lidando com comidas pode parecer um tanto quanto nojento. Mas o que poderia repudiar o público não acontece. Pelo contrário, torna-se uma adorável diversão recomendada para toda a família. Até mesmo uma invasão de ratos de bueiro na cozinha mais importante da França é perdoável. Tudo porque os personagens principais da mais nova animação da Pixar/Disney são engraçados, fofos, criaturas que esbanjam simpatia. Tecnicamente muito bem produzido (todo em CG - Computação Gráfica), com detalhes de uma Paris exuberante.
É interessante notar como os filmes de animação deixaram de ser voltados ao público infantil para agradar faixas etárias “maiores”. Pelo menos a Pixar/Disney vem se esforçando a não produz mais aqueles filmes “infantilóides” (como ainda podemos ver nas produções da Dreamworks). Isto vem demonstrar que na animação pode-se, sim, incutir valores sérios e sem futilidade.
Em Ratatouille (a pronúncia correta é “ratatui”) as seqüências se alternam em comédia, drama, romance e ação, estilos mais apreciados pelo público em geral. Um dos pontos altos do filme é a presença do temível crítico de cozinha Anton Ego (voz de Peter O’Toole). Uma figura sinistra e marcante.
Também é uma das poucas vezes na história do cinema que uma animação recebe tantas indicações ao Oscar. Este ano Ratatouille concorre a cinco categorias: animação, roteiro original, edição de som, mixagem de som e trilha sonora. Um mérito significativo da equipe do produtor John Lasseter (hoje gerente geral do departamento de animação criativa da Disney). O diretor Brad Bird também dirigiu outras duas animações de sucesso: "O Gigante de Ferro" (1999) e "Os Incríveis" (2004), além do curta-metragem "Jack-Jack Attack" (2005). Ratatouille é uma animação atraente, refinada, agradável e divertida. Não perca.

Curiosidade: No filme explica-se a origem do “Ratatouille”, comida típica de países mediterrâneos, bastante popular na França. Para quem não conhece, o “ratatui” é um refogado com diversos ingredientes, como azeite, sal grosso, berinjela, cebola, abobrinha, pimenta-do-reino, manjericão, alho e pimentão. (Por Felipe Brida)

Elenco: Vozes de Patton Oswalt, Lou Romano, Ian Holm, Janeane Garofalo, Brian Dennehy, James Remar, Peter O’Toole, Brad Garrett, John Ratzenberger., Will Arnett. Na versão brasileira, vozes de Samara Felippo e Thiago Fragoso.
Direção: Brad Bird/ Jan Pinkava
Gênero: Animação
Duração: 110 min.