quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cine Lançamento

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Ataque ao prédio

Na periferia de Londres, gangue de rua aprisiona-se no prédio de um conjunto habitacional. A ideia do grupo é sobreviver, pois estão na mira de monstros alienígenas, famintos por carne humana. O local será palco de uma batalha entre humanos e seres do espaço sideral, com direito a granadas, tiros e muito sangue.

Ficou inédita no Brasil essa divertida comédia de humor negro britânica, que mistura dois outros gêneros codependentes, o terror e a ficção científica. Recebeu indicação ao Bafta de melhor direção e roteiro e ainda concorreu em festivais de cinema independente. Infelizmente obteve pouca repercussão, foi tremendo fracasso de público lá fora e pouca gente ouviu falar. Agora, em DVD, não há desculpa para perder.Um entretenimento excitante que celebra os filmes trash produzidos na década de 80.
A história é simples e se passa em um único cenário: o tal prédio referenciado no título, que fica no lado pobre do sul de Londres (lá existe periferia sim, como em todos os países, acreditem!). Dentro do edifício, jovens de uma gangue ficam escondidos com o intuito de planejar estratégias de sobrevivência. Isto porque o lugar está infestado de alienígenas em forma de enormes cães raivosos. E o resultado sabemos de cor – perseguições sem fim, muito tiroteio, escapadas, tudo em ritmo incessante. Ah, e um balde de sangue (não chega a ser ‘gore’ como o filme anterior dos mesmos produtores, a ótima comédia de humor negro “Todo mundo quase morto”, de 2004).
Visualmente o trabalho traz truques de iluminação bem curiosos, com cores azuis fortes – e toda a história acontece à noite. Outra diferença crucial (e uma das boas surpresas da fita) está na criação dos monstros: como já mencionado, cães selvagens com aparência de ursos pretos, com dentes fluorescentes, super assustadores e rápidos no ataque.
Atores ingleses desconhecidos compõem o elenco. Dos inúmeros, há dois rostos familiares, a do humorista Nick Frost e da jovem atriz Jodie Whittaker, lançada em “Vênus” (2006).
Em sua estreia no cinema, o diretor Joe Cornish, um dos roteiristas de “As aventuras de Tintim” (2011), acertou em cheio, sabendo dosar momentos cômicos (o restrito humor inglês, com piadas subentendidas, diálogos afiados, tiradas metafóricas), horror, ficção, toques de suspense e aventura. Por isso merece ser descoberto pelo público. Boa diversão (e cuidado com os sustos!). Por Felipe Brida

Ataque ao prédio
(Attack the block). Inglaterra/ França, 2011, 88 min. Comédia/ Ficção científica/ Horror. Dirigido por Joe Cornish. Distribuição: Sony Pictures

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Viva Nostalgia!

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Gente como a gente

A morte acidental de um jovem esportista deixa cicatrizs profundas em toda a família. Conrad Jarrett (Timothy Hutton) é um adolescente em crise, que se sente culpado pela morte do irmão e já tentara o suicídio. A mãe, Beth (Mary Tyler Moore), tem dificuldade em aceitar o filho e assumidamente amava mais o outro. E o pai, Calvin (Donald Sutherland), tenta unir aquela família marcada pelo trágico passado.

Pela primeira vez em DVD no Brasil, distribuído recentemente pela Paramount Pictures, o drama familiar que influenciou gerações de cineastas e um dos primeiros a discutir a dor da perda dentro de uma família. Lançado em 1980, venceu quatro Oscars do ano seguinte – melhor filme, diretor (Robert Redford), roteiro adaptado e ator coadjuvante (o estreante no cinema Timothy Hutton, perfeito em um personagem complexo, oprimido pela mãe), além de outras duas indicações, a de ator coadjuvante (para o judeu Judd Hirsch, como um psiquiatra nada ortodoxo, que clinica o rapaz em crise) e melhor atriz para a comediante Mary Tyler Moore, em um papel nada engraçado – pelo contrário, interpreta a rancorosa figura materna, uma mulher de sentimentos controversos, que não aceita o filho mais novo.
Repercutiu no mundo todo, com boa bilheteria na estreia, e tornou-se, merecidamente, o filme do ano, indicado aos principais prêmios – além do Oscar, o Bafta e o Globo de Ouro.
Baseado no romance de Judith Guest, o drama absorve temas universais, como reabilitação e sofrimento, tudo porque a história envolve uma família em fase de superar a morte do filho, um jovem que morreu afogado. O personagem do irmão se culpa pela tragédia, tenta o suicídio, recorre a um psiquiatra, interrompe as atividades diárias devido ao trauma que o acompanha. E os pais se dividem, em lados bem opostos: a mão rejeita o rapaz, sem disfarces, e o patriarca da família tem esperança de que o clima harmônico retorne. Diante da tela o público acompanha a dureza do dia-a-dia dos Jarret’s com desilusão à flor da pele. O clima é amargo, os três personagens tem aproximação com ressalvas, falta calor humano e carinho na casa “assassinada”. As peças que faltam demoram a se encaixar, as feridas não cessam de sangrar. Por essas razões não é uma fita fácil de lidar, guardando um desfecho sem concessão, bastante negativo. No fundo, Conrad, Beth e Calvin são pessoas como nós, que sentem tristeza, choram escondidas, punem-se pela culpa, pensam duas vezes antes de perdoar. Gente como a gente.
Foi o primeiro trabalho de Redford como diretor, cuja carreira atrás das câmeras foi de altos e baixos (os melhores dele são este, “Nada é para sempre” e “Quiz Show – A verdade dos bastidores”).
Todo o eleco dá um show de interpretação, em especial Timothy Hutton, filho do falecido ator Jim Hutton e ex-marido da atriz Debra Winger. Tinha 19 anos quando fez o filme, e nunca sua carreira alavancou. Nem se tornou galã, tampouco participou de outros trabalhos importantes. Um desperdício, pois Hutton era carismático e bom em cena. Hoje o vemos apenas como coadjuvante em algumas poucas fitas comerciais. Por Felipe Brida

Gente como a gente
(Ordinary people). EUA, 1980, 124 min. Drama. Dirigido por Robert Redford. Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cine Lançamento

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Melancolia

A jovem Justine (Kirsten Dunst) acaba de se casar. Os convidados a esperam na mansão de sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), localizada em um descampado. Durante a celebração, Justine tem fortes crises emocionais. Ao mesmo tempo em que a festa ocorre, a milhões de quilômetros dali o planeta Melancolia aproxima-se da Terra, o que poderá, em poucas horas, causar uma catástrofe.

Novo drama psicológico escrito e dirigido pelo dinamarquês Lars Von Trier, menos impactante que a polêmica fita anterior, que dividiu a opinião da crítica, “Anticristo” (2009), mas que incomoda por mexer com temas que desconcertam os valores individuais. Em “Melancolia”, ele justapõe dois filmes distintos; a primeira parte se concentra em um casamento supostamente arranjado, que não dará certo. A noiva, interpretada pela atriz Kirsten Dunst (vencedora em Cannes como melhor atriz), está em crise, chora escondida no quarto, sofre da tal melancolia. Para piorar, os pais são distantes – papéis pequenos de John Hurt, como o patriarca alcoólatra, e Charlotte Rampling, na pele da mãe que exala arrogância. A única pessoa ao seu lado é a irmã (Charlotte Gainsbourg – revelação em ‘Anticristo’), que cede a deslumbrante mansão para a festa de casamento. Tudo anda mal, sem motivos para comemorar. Na segunda parte a trama se verte para um disaster movie, quando um estranho planeta azul chamado Melancolia vem em direção à Terra. É quando o filme muda o tom, fica estranho e perturbador, com clima de tragédia anunciada. As irmãs sentem a proximidade do fim do mundo, mesmo sabendo que os cientistas afastam tais possibilidades. Justine, a recém-casada, cala-se, passiva, não quer mais viver, enquanto a irmã sofre desesperada, com esperança de dias melhores.
As fitas de Trier, anticomerciais, anticonvencionais, antimodelos, não são fáceis de serem digeridas pelo público. Não há nada de poético em seus personagens tristes. Melancolia é o sentimento da personagem central, infeliz com o casamento, com a vida. E também o nome do planeta azul, outra referência à tristeza – o adjetivo ‘blue’, em inglês, significa triste, deprimido.
As marcas do cineasta permanecem: sequências estáticas, com personagens ‘congelados’ e leves vibrações (um efeito curioso típico dele, sempre com música instrumental ao fundo); filme dividido em capítulos – neste há duas partes, chamados “Justine” e “Claire”; o título riscado com uma espécie de grafite, a mão; e a técnica que aprendera com o movimento Dogma 95, que é a câmera nos ombros, sem tripé (por isso a obra apresenta trepidações).
Na vida real, Trier sofre de depressão, questiona a morte com intensidade e é niilista, sem crenças, transmitindo essas ideias com eloquência em seus filmes. Por isso é um artista tão autoral.
Com “Melancolia”, concorreu à Palma de Ouro e diversos outros prêmios menores independentes. Em Cannes criou alvoroço, no ano passado, pois no festival defendeu abertamente o Nazismo, desferindo críticas severas aos judeus. Mostrou-se preconceituoso, depois tentou se defender afirmando que tudo não passava de uma brincadeira. O contra-ataque veio imediato com o público europeu rejeitando-o desde então. Não é por menos.
Atenção para o final, muito discutível, que pode causar impacto.
Como resultado temos uma experiência diferente, num trabalho difícil, com elenco sério. Kirsten Dunst está perfeita como a protagonista (só lembrada pela trilogia “Homem Aranha”) ao lado de Charlotte, Kiefer Sutherland (em momento especial da carreira em crise), Stelan Skasgaard e o filho Alexander Skasgaard.
Distanciará muita gente, mas os que realmente seguem as preciosidades da Sétima Arte devem procurar. Por Felipe Brida

Melancolia
(Melancholia). Dinamarca/ Suécia/ França/ Alemanha, 2011, 136 min. Drama/ Ficção científica. Dirigido por Lars Von Trier. Distribuição: Califórnia Filmes

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cine Lançamento

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Super 8

No verão de 1979, na pequena cidade de Lillian, em Ohio, um grupo de amigos aficionados por cinema se reúne para rodar um filme amador de mortos-vivos. A estação ferroviária local servirá como palco de uma das cenas. Escondidos dos pais e portando uma câmera Super 8, Joe (Joel Courtney), Charles (Riley Griffiths), Martin (Gabriel Basso), Cary (Ryan Lee) e Alice (Elle Fanning) vão até o ponto combinado, de madrugada. Durante a gravação, presenciam o descarrilamento de um imenso trem de carga, provocado por uma caminhonete que invadiu os trilhos. Os garotos saem vivos daquele acidente de grandes proporções, e logo a área é cercada pelo Exército, que procura por algo misterioso alojado num dos vagões. Com o passar das horas, os jovens, testemunhas oculares do fato, começam a notar estranhos desaparecimentos, desde motores de carros a pessoas.

Com efeitos visuais espetaculares, “Super 8” é a nova aventura com ficção científica escrita e dirigida por J.J. Abrams e produzida pelo mago Steven Spielberg. A princípio, como o título sugere, o filme recorre à metalinguagem, ou seja, fala do cinema dentro do cinema. Um grupo de garotos do interior se prepara para uma competição de vídeos amadores. A ideia é produzir um filme de zumbis com uma câmera Super 8. No entanto, a vida deles mudará para sempre quando um gravíssimo acidente de trem ocorre a poucos metros do local onde gravam as cenas iniciais daquele trabalho.
Não é novidade contar que existe um extraterrestre na história. Desde os previews falava-se em uma obra que se aproximasse de “Contatos imediatos de terceiro grau” e “ET”, ambos de Spielberg.
O ser do outro espaço aparece pouco (sempre escondido, no escuro), a partir da metade, quando a trama fica confusa, cheia de meandros envolvendo o Exército, a polícia, o Governo, conspirações e sumiço de gente. E tudo se explica na conclusão absurda, que carrega um lirismo forçado para comprovar a inteligência do alienígena.
Tirando certas falhas do desfecho, “Super 8” é um entretenimento intrigante e bem produzido, com rica fotografia em tons azulados, além da recriação de época certeira, dos nostálgicos anos 70.
J.J. Abrams, de “Missão impossível III” e o novo “Star Trek”, presta uma sincera homenagem aos diretores de cinema, àqueles que iniciaram a carreira fazendo fitas amadoras de fundo de quintal, com uma Super 8 (por exemplo, Ridley Scott, M. Night Shyamalan, e os próprios Spielberg e J. J. Abrams, que nos extras do DVD comentam seus primeiros curtas, bem precários).
Obteve boa repercussão entre os jovens, com relativo sucesso de público; rendeu mais de cinco vezes o orçamento (custou U$ 50 milhões, e nas salas arrecadou U$ 259 milhões).
O elenco central reúne uma garotada pouco conhecida, boa parte deles estreantes e promissores, como Elle Fanning, irmã mais nova da talentosa atriz Dakota Fanning. Por Felipe Brida

Super 8
(Idem). EUA, 2011, 112 min. Ficção científica. Dirigido por J.J Abrams. Distribuição: Paramount Pictures

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Viva Nostalgia!

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O cardeal

O jovem eclesiástico Stephen Fermoyle (Tom Tryon) deverá se tornar cardeal em poucos dias. Até que receba o título da Igreja, passará por uma série de provações, como a força da fé, a paixão por uma mulher e a dúvida sobre o chamado.

Interminável adaptação do romance de Henry Morton Robinson, com quase três horas de duração, que situa a vocação eclesiástica de um jovem padre americano na Segunda Guerra Mundial. O cineasta austríaco de origem judia Otto Preminger (viveu exilado nos Estados Unidos desde os anos 30 e sempre realizava filmes sobre conflitos existenciais) era um crítico nato quando o assunto era política e religião. No drama “O cardeal” exprime uma opinião que ainda gera polêmica: a inclinação da Igreja Católica ao regime nazista de Hitler.
Sem partir para ataques ou moralismo barato, o diretor se assegura com seriedade e, acima de tudo, sinceridade. Ele registra, como um extenso diário, o dia-a-dia de um padre novato (o falecido Tom Tryon, modesto na interpretação) que logo será elevado a cardeal. Dividido entre religião e política, fé e uma enxurrada de dúvidas, o rapaz é mostrado como uma pessoa comum: apaixona-se por uma mulher (papel da bela Romy Schneider) e tem receio sobre qual caminho seguir. EM certo momento é transferido para outras paróquias menores, cai nas mãos da Ku Klux Klan quando defende a comunidade negra (e apanha muito), logo a cúpula religiosa do Vaticano o força a envolver-se com política, torna-se monsenhor e vira uma voz tímida contra os ideais nazistas que querem aliança com a igreja.
Fica nítida essa posição de Preminger, que condena o comportamento dos religiosos católicos que, mesmo à força, criaram vínculos com Alemanha Nazista.
Tem direção de arte e figurino que recriam o ambiente episcopal com riqueza de detalhes, muito bonito quando na tela.
Em 1964 recebeu seis indicações ao Oscar: melhor diretor, edição, figurino, fotografia, direção de arte e ator coadjuvante (John Huston, como um cardeal conselheiro do jovem padre). E no Globo de Ouro do mesmo ano ganhou os prêmios de melhor filme e ator coadjuvante (Huston).
Filmado em Boston, Los Angeles, Viena e Roma, o filme não descreve apenas o universo do padre, em suas escolhas; os questionamentos do personagem também são os nossos, as dúvidas de cada um, os medos que nos devoram. Por isso considero um bom estudo de caso para os interessados.
A história é puramente ficção, não baseada em fatos reais, como está descrito na abertura do filme. Originalmente distribuído pela Columbia Pictures, sai em DVD no Brasil em edição limitada pela Lume Filmes. Conheça. Por Felipe Brida

O cardeal
(The cardinal). EUA, 1963, 175 min. Drama. Dirigido por Otto Preminger. Distribuição: Lume Filmes

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cine Lançamento

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Larry Crowne – O amor está de volta

Larry Crowne (Tom Hanks), um pacato gerente de supermercado, sempre foi uma pessoa otimista. Atualmente divorciado, vive sozinho mantendo bom relacionamento com os vizinhos. A vida de Larry muda quando vê a necessidade de voltar aos estudos para continuar no trabalho. Quando ingressa em uma faculdade comunitária, apaixona-se pela professora de Oratória, Mercedes Tainot (Julia Roberts), uma mulher dedicada, mas bem severa. Como será para o “jovem” estudante lidar com essa situação complicada?

Tom Hanks dirigiu e produziu um dos trabalhos mais fraquinhos da temporada, além de atuar no papel-título e ter escrito o roteiro com a amiga Nia Vardalos, atriz de “Casamento grego”. Ou seja, acumulou praticamente todas as funções gastando tempo e dinheiro em uma fita comercial que fracassou nos Estados Unidos e na maioria dos países onde foi exibido.
Conta a história de um homem solitário que gerencia um supermercado e tem como hobby passear de lambreta (a foto da capa diz tudo). Ele tem bom coração, um sujeito agradável, todos gostam dele. Até mesmo a professora, quando Larry ingressa em uma faculdade cheia de fanfarrões, com o objetivo de aprimorar os conhecimentos na área de expressão oral. Julia Roberts interpreta a mestre estressada, numa variante de personagens antigos da carreira. Apesar de esbanjar beleza e sensualidade (ela está com 44 anos e parece nunca envelhecer), não tem química com Tom Hanks, que por sinal engordou e interpreta um personagem bonzinho à beça (chega até a ser careta).
É provável o público descobrir o final. Nada de imprevisível.
Ao contrário de muitas comédias românticas por aí (esta aqui é mais romance, com pouca comédia), estamos livres de piadas de mau gosto ou grosserias. Pelo menos isto...
Não chega a incomodar nem aborrecer, no entanto não espere nada de extraordinário pelo simples fato de ter duas estrelas mais bem pagas do cinema atual. O resultado? Ingênuo, bobinho e de extrema discrição.
Segundo trabalho dirigido por Hanks após quinze anos do bom drama/musical “The Wonders – O sonho não acabou”. Em DVD pela Paris Filmes. Por Felipe Brida

Larry Crowne – O amor está de volta
(Larry Crowne). EUA, 2011, 98 min. Romance. Dirigido por Tom Hanks. Distribuição: Paris Filmes

sábado, 14 de janeiro de 2012

Resenha

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Wall Street – Poder e cobiça

Bud Fox (Charlie Sheen) é um ambicioso corretor da Bolsa de Valores à procura de status e dinheiro. De uma hora para outra ganha a confiança de um poderoso investidor de Wall Street, Gordon Gekko (Michael Douglas), um dos maiores magnatas dos negócios financeiros. Só que para obter poder Fox será arremessado para o mundo ilegal da espionagem empresarial, colocando em dúvida sua índole e moral.

O engajado diretor Oliver Stone, depois de abrir seu diário sobre a Guerra do Vietnã com o premiado “Platoon” (1986), filmou outra história que viveu em épocas passadas. Seu falecido pai, a quem “Wall Street” é dedicado, trabalhou anos a fio na Bolsa de Valores, e em conseqüência Oliver conheceu a fundo o dia-a-dia da especulação financeira, venda de ações, espionagem empresarial, enfim, todos os macetes legais e ilícitos que circundam o mundo dos negócios em Nova York.
Diante do leque de informações e vivências, rodou uma ácida visão sobre o tema, de forma crítica, coerente e, por incrível que pareça, didática (boa parte do público foge quando se fala em filme político ou sobre negócios financeiros).
E não sobra para ninguém: na trama dois homens com supostos diferenciais de comportamento e atitude começam a trabalhar juntos - um jovem (Charlie Sheen, como o yuppie engomadinho, mas de família simples, que quer crescer na carreira) e um magnata quarentão com grana em contas gordas (Michael Douglas). Como ambos têm ambição desmedida, loucos por poder, dinheiro e status, confrontam-se para ver quem engole quem, até o ponto em que terão de fechar um negócio gigantesco, que poderá inclusive colocar o trabalho de toda uma corporação em jogo.
Como sempre nos trabalhos críticos de Oliver Stone, as pessoas não se salvam, pois guardam sujeira na manga. Em “Wall Street” há trapaceiros, fraudadores, esquemas de trilhões de dólares e corrupção em cada canto. Todos são vilões, inescrupulosos, facilmente corrompidos.
O cineasta expande uma visão séria e dura sobre a amarga ilusão provocada pelo capitalismo selvagem, a do sonho americano em colapso.
Aos curiosos em conhecer os bastidores do mundo empresarial, uma boa opção de filme de adulto, cujo elenco reúne famosos como Terence Stamp, Hal Holbrook, James Karen, Martin Sheen (pai de Charlie, interpretando o próprio pai no filme), Sean Young, Paul Guilfoyle, James Spader, Saul Rubinek, Sylvia Miles e Richard Dysart. O próprio Oliver Stone aparece poucos segundos como um investidor.
Reparem nas duas músicas centrais, como se contrapõem com o antes e depois do personagem Bud Fox (sem contar a ironia dos títulos) – a de abertura, “Flying me to the moon”, cantada por Frank Sinatra, e o encerramento com “This must be the place”, de Talking Heads.
Em 1988 o filme ganhou o único Oscar que concorreu, o de melhor ator para Michael Douglas (que faz uma interpretação soberba). Ele levou os principais prêmios daquele ano – Globo de Ouro, Kansas, National Board of Review, obtendo notoriedade a partir daqui. Nos anos seguintes ‘estourou’ em três sucessos da carreira, “Chuva negra”, “A guerra dos Roses” e “Instinto selvagem”. Por Felipe Brida

Wall Street – Poder e cobiça
(Wall Street). EUA, 1987, 126 min. Drama. Dirigido por Oliver Stone. Distribuição: Fox

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cine Lançamento

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A inquilina

A médica Juliet Devereau (Hilary Swank) muda-se para um novo apartamento no centro velho de Brooklin. Logo no primeiro dia, conhece Max (Jeffrey Dean Morgan), o proprietário do local, que desenvolve uma estranha obsessão pela jovem.

A premiada atriz Hilary Swank, vencedora de duas estatuetas da Academia (pelas soberbas interpretações em “Meninos não choram” e “Menina de ouro”), sofre mesmo da “maldição do Oscar”. Sua carreira, muito irregular hoje, vem afundando desde 2004. Depois de merecido reconhecimento em bons filmes, encarou bobagens desprezíveis como “A colheita do mal” e outras discutíveis, como “P.S.: Eu te amo” e “Amelia”. Com “A inquilina”, mais um fracasso medonho, sem contar o quão ruim é essa fitinha B de suspense.
Esperava-se mais por ter o nome de peso de Hilary no meio e também porque foi o primeiro grande projeto da Hammer, cultuada produtora de cinema de terror inglês nos anos 60 e 70, que anda falida e mesmo assim retomou os trabalhos. Fizeram um roteiro previsível e batido, contrataram um diretor finlandês novato (Antti Jokinen), só conhecido em seu país por rodar documentários para a TV aberta, e convidaram uma atriz de renome para dar um “tchan”, além de trazer como vilão da história o charmoso Jeffrey Dean Morgan. Só que o resultado beira o ridículo: o público desmascara o suspense de imediato, não há surpresas para segurar o telespectador na poltrona, o desfecho vem “conforme o combinado” e muita perseguição no modo ‘impossível’.
Um típico filme de “Supercine”, sobre uma mulher que se muda para um lugar aparentemente calmo à procura de tranqüilidade, e o que ela encontra é tormento nas mãos de um psicótico perturbado. Já vimos tantas vezes histórias assim, bem melhores – “Atração fatal”, “Morando com o inimigo”, “Dormindo com o inimigo”, “O mensageiro do diabo”, “Círculo do medo” e o remake “Cabo do Medo” etc.
Traz ainda a participação rápida de uma lenda viva do cinema de terror, Christopher Lee, e da bonita atriz negra Aunjanue Ellis.
Se quiser um bom entretenimento de suspense com tensão e reviravoltas, veja as dicas dos filmes acima. Não perca tempo com essa bobagem equivocada. Por Felipe Brida

A inquilina
(The resident). EUA/Inglaterra, 2011, 91 min. Suspense. Dirigido por Antti Jokinen. Distribuição: Paris Filmes