segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Especial de Cinema


ESPECIAL
GLOBO DE OURO 2018

E saiu hoje a lista dos indicados ao Globo de Ouro 2018, uma das mais importantes premiações do cinema mundial. A fantasia “A forma da água”, de Guillermo Del Toro, lidera com sete indicações (dentre elas melhor filme – drama, melhor roteiro e direção), seguido pelo drama biográfico “The post: A guerra secreta”, de Steven Spielberg, com seis nomeações. Na categoria TV, a microssérie da HBO “Big Little Lies” atingiu o ranking, com seis indicações.
A cerimônia de entrega dos Globos de Ouro será no dia 7 de janeiro de 2018, em Los Angeles, com apresentação do comediante Seth Meyers.
Confira a lista completa dos indicados, de cinema e TV.



Melhor filme – Drama

"Me chame pelo seu nome"
"The Post: A guerra secreta"
"Dunkirk"
"A forma da água"
"Três anúncios para um crime"

Melhor filme - Comédia e musical

"Artista do Desastre"
"Corra!"
"I, Tonya"
"Lady Bird: É Hora de Voar"
"O Rei do Show"

Melhor diretor

Christopher Nolan - "Dunkirk"
Guillermo del Toro - "A Forma da Água"
Martin McDonagh - "Três Anúncios Para um Crime"
Ridley Scott - "All the Money in the World"
Steven Spielberg - "The Post: A Guerra Secreta"

Melhor roteiro

"A Forma da Água" - Guillermo del Toro
"A Grande Jogada" - Aaron Sorkin
"Lady Bird: É Hora de Voar"- Greta Gerwig
"The Post: A Guerra Secreta" - Liz Hannah, Josh Singer
"Três Anúncios Para um Crime" - Martin McDonagh

Melhor atriz de filme - Drama

Frances McDormand - "Três Anúncios Para um Crime"
Jessica Chastain - "A Grande Jogada"
Meryl Streep - "The Post: A Guerra Secreta"
Michelle Williams - "All the Money in the World"
Sally Hawkins - "A Forma da Água"

Melhor atriz de filme - Comédia ou musical

Emma Stone - "A Guerra dos Sexos"
Helen Mirren - "The Leisure Seeker"
Judi Dench - "Victoria e Abdul - O Confidente da Rainha"
Margot Robbie - "I, Tonya"
Saoirse Ronan - "Lady Bird: É Hora de Voar"

Melhor ator de filme - Drama

Daniel Day-Lewis - "Trama Fantasma"
Denzel Washington - "Roman J. Israel, Esq."
Gary Oldman - "O Destino de uma Nação"
Timothée Chalamet - "Me Chame pelo Seu Nome"
Tom Hanks - "The Post: A Guerra Secreta"

Melhor ator - Musical ou comédia

Ansel Elgort - "Em Ritmo de Fuga"
Daniel Kaluuya - "Corra!"
Hugh Jackman - "O Rei do Show"
James Franco - "Artista do Desastre"
Steve Carell - "A Guerra dos Sexos"

Melhor ator coadjuvante

Armie Hammer - "Me Chame pelo Seu Nome"
Christopher Plummer - "All the Money in the World"
Richard Jenkins - "A Forma da Água"
Sam Rockwell - "Três Anúncios Para um Crime"
Willem Dafoe - "Projeto Flórida"

Melhor atriz coadjuvante

Allison Janney - "I, Tonya"
Hong Chau - "Pequena Grande Vida"
Laurie Metcalf - "Lady Bird: É Hora de Voar"
Mary J. Blige - "Mudbound"
Octavia Spencer - A Forma da Água"

Melhor animação

"Com Amor, Van Gogh"
"O Poderoso Chefinho"
"O Touro Ferdinando"
"The Breadwinner"
"Viva: A Vida é uma Festa"

Melhor trilha sonora para filme

"A Forma da Água" - Alexandre Desplat
"Dunkirk" - Hans Zimmer
"The Post: A Guerra Secreta" - Vários
"Trama Fantasma" - Jonny Greenwood
"Três Anúncios Para um Crime" - Carter Burwell

Melhor canção original

"Home" - de "O touro Ferdinando"
"River" - de "Mudbound"
"Remember me" - de "Viva: A vida é uma festa"
"The star" - de "A estrela de Belém"
"This is me" - de "O rei do show"

Melhor filme língua estrangeira

"Em Pedaços"
"First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers"
"Loveless” (Nelyubov)
"The Square"
"Uma Mulher Fantástica"



Melhor série de TV - Drama

"Game of Thrones"
"The Handmaid's Tale"
"Stranger Things"
"The Crown"
"This Is Us" 

Melhor ator em série limitada ou filme feito para TV

Robert De Niro - "O mago das mentiras"
Ewan McGregor - "Fargo"
Geoffrey Rush - "Genius"
Jude Law - "The Young Pope"
Kyle MacLachlan - "Twin Peaks"

Melhor filme para TV ou série limitada

"Big Little Lies"
"Fargo"
"Feud"
"The Sinner"
"Top of the Lake"

Melhor série - Musical ou comédia

"Black-ish"
"Master of None"
"SMILF"
"The Marvelous Mrs. Maisel"
"Will & Grace"

Melhor ator de série de TV - Musical ou comédia

Anthony Anderson - "Black-ish"
Aziz Ansari - "Master of None"
Eric McCormack - "Will & Grace"
Kevin Bacon - "I Love Dick"
William H. Macy - "Shameless"

Melhor ator de série de TV - Drama

Bob Odenkirk - "Better Call Saul"
Freddie Highmore - "The Good Doctor"
Jason Bateman - "Ozark"
Liev Schreiber - "Ray Donovan"
Sterling K. Brown - "This Is Us"

Melhor atriz de série de TV - Drama

Caitriona Balfe - "Outlander"
Claire Foy - "The Crown"
Elisabeth Moss - "The Handmaid's Tale"
Katherine Langford - "13 Reasons Why"
Maggie Gyllenhaal - "The Deuce"

Melhor atriz de minissérie ou filme feito para TV

Jessica Biel - "The Sinner"
Jessica Lange - "Feud"
Nicole Kidman - "Big Little Lies"
Reese Witherspoon - "Big Little Lies"
Susan Sarandon - "Feud"

Melhor atriz de série de TV - Musical ou comédia

Alison Brie - "GLOW"
Frankie Shaw - "SMILF"
Issa Rae - "Insecure"
Pamela Adlon - "Better Things"
Rachel Brosnahan - "The Marvelous Mrs. Maisel"

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV

Ann Dowd - "O Conto da Aia"
Chrissy Metz - "This Is Us"
Laura Dern - "Big Little Lies"
Michelle Pfeiffer - "O Mago das Mentiras"
Shailene Woodley - "Big Little Lies"

Melhor ator coadjuvante para série, minissérie ou filme feito para TV

Alexander Skarsgård - "Big Little Lies"
Alfred Molina - "Feud"
Christian Slater - "Mr. Robot: Sociedade Hacker"
David Harbour - "Stranger Things"

David Thewlis - "Fargo"

domingo, 10 de dezembro de 2017

Cine Lançamento


Ascensão e queda de um império

Em 1398, nos primeiros anos da Dinastia Joseon, o comandante supremo Kim Min-Jae (Ha-kyun Shin) apaixona-se perdidamente por uma mulher mais nova, na medida em que enfrenta sérios desafios para o fortalecimento do reino da Coreia. A nova paixão irá desencadear intrigas e traições, e Min-Jae terá de tomar decisões vitais com seus aliados para governar com precisão o território recém-invadido.

Há duas décadas o cinema sul-coreano detém espaço no circuito de cinema no Brasil, pela qualidade técnica dos filmes e histórias surpreendentes, contadas por diretores visionários, em especial os de terror. Épicos de guerra também viraram moda no país asiático, vieram para cá e foram ovacionados pelo público, e “Ascensão e queda de um império” encaixa-se como um exemplar bem tradicional dessas produções, um vigoroso drama de ação com pano de fundo histórico, com fatos reais romanceados durante a Dinastia Joseon, uma das mais duradouras, que existiu na Coreia do Sul por 500 anos.
Com direção de arte deslumbrante, auxiliada por figurinos grandiosos, esta produção de orçamento alto se passa na primeira década da dinastia em questão, que foi a última da História da Coreia, marcada pela consolidação da doutrina confucionista, a aproximação com a cultura chinesa e a expansão do comércio e da tecnologia, momento crucial para o avanço do estado coreano. Por outro lado, dentro do reino sob plena reforma, haviam divergências gritantes, o caos imperava lado a lado com a violência desmedida, tudo em torno de lutas em nome da coroa, gerando traições e cobiça. Nesse contexto de descontrole social, são apresentadas duas figuras contraditórias - um rei desafiador, apaixonado pela primeira vez (por uma mulher mais nova), e um príncipe de sutil audácia, disposto a apropriar-se do trono, almejando o poder absoluto - e ambos retratam, disfarçadamente, duas autoridades máximas da Coreia, Yi Bang-won, rei da Dinastia Joseon, conhecido como Taejong, o Grande, e Jung-Na, príncipe e comandante supremo (trocaram nomes, todavia as características psicológicas foram mantidas; tem até uma chacina de cavalos, assustadora, que realmente existiu e está nos anais da História da Coreia). Todas as decisões para o andamento da história do filme passam pelo crivo destes dois personagens geniosos, representantes da ordem e da política nacional em formação – assim a obra centra a ação no pensamento do rei e do príncipe, para abrir o leque de plots e reviravoltas, bem armadas. E dá certo, pois as cenas de batalha são eficientes e empolgam, o romance fica na medida ideal e ganha créditos como um drama épico de qualidade. Quem dirige é um jovem desconhecido para nós, Sang-hoon Ahn, que em sua terra rodou outros quatro filmes (nenhum lançado aqui).
Infelizmente ninguém soube do filme - no Brasil veio diretamente em home vídeo, pela Flashstar, oportunidade de agora o público assistir para conhecer os antepassados desse importante país da Ásia Oriental. Já em DVD. Indicação de primeira!

Ascensão e queda de um império (Sunsu-ui sidae/ Empire of lust). Coreia do Sul, 2015, 113 minutos. Drama/Ação. Dirigido por Sang-hoon Ahn. Distribuição: Flashstar

sábado, 9 de dezembro de 2017

Nota do blogueiro


NO CINEMA

O blog Cinema na Web, em parceria com a Imagem Filmes, vai presentear os leitores com três pares de ingressos para as sessões de dois emocionantes filmes baseados em incríveis histórias reais - "O poder e o impossível", com Josh Hartnett, e "A origem do Dragão", biografia do lendário ator e mestre em artes marciais Bruce Lee - que entram em circuito nos principais cinemas brasileiros a partir da próxima semana.
Para participar é simples - envie um email até o dia 14 de dezembro (quinta-feira) para felipebb85@hotmail.com, com seu nome completo, telefone de contato e cidade, e a frase Eu quero ganhar um par de ingresso para (e o nome do filme). A sessão é válida para todos os cinemas parceiros da Imagem Filmes (vide ingressos), e a retirada deve ser feita diretamente comigo, em Catanduva - local a combinar via email.
Não serão encaminhados ingressos por correios. Sessões válidas de segunda a quarta-feira, exceto feriados.
Obrigado, Imagem Filmes, pela parceria e pelo envio dos ingressos!


Nota do blogueiro


Quatro lançamentos da Universal, Paramount e Sony Pictures que chegaram no mercado em DVD para locação e venda - e que recebi em casa dias atrás. A eletrizante ação "Em ritmo de fuga", um dos melhores do ano; o documentário musical "Buena Vista Social Club - Adios", continuação do ótimo "Buena Vista Social Club"; a aventura scifi "Transformers - O último cavaleiro", o quinto da franquia de sucesso; e o bom drama de época "O estranho que nós amamos", remake do clássico de 1971, em que Sofia Coppola ganhou prêmio de melhor direção em Cannes.
Obrigado, @sonypictureshebr @universalpicsbr @paramountmovies, @2014mada e @m2.comunicacao, pelo envio dos DVDs.





quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Viva Nostalgia!


O conto do czar Saltan

Czar Saltan (Vladimir Andreyev) entra em guerra seguindo para terras longínquas. No trono ficou a esposa, czarina (Larisa Golubkina), que governa com o filho, o príncipe Gvidon (Oleg Vidov). Ela acaba traída pelas irmãs e lançada ao mar em um barril junto com Gvidon. Ambos sobrevivem e aportam em uma ilha mágica, onde um cisne irá auxiliá-los para retornar para casa. Na viagem, mãe e filho armam planos para derrotar os inimigos traidores.

Acaba de sair no Brasil pela CPC-Umes Filmes, até então inédita em DVD, essa primorosa fábula em dois atos baseada em contos populares extraídos do livro de Alexander Pushkin (1799–1837), o maior poeta do Romantismo Russo. De grandeza técnica indiscutível, esta fita de fantasia épica muito querida na Rússia foi montada com extrema delicadeza e perfeição pelas mãos do diretor Aleksandr Ptushko (1900–1973), profícuo nome do cinema soviético, realizador de dezenas de obras entre a década de 20 e sua morte. Ele teve zelo em manter a sonoridade do texto quando o transportou ao cinema, por isso os diálogos têm rimas tonificantes, proclamadas por figuras carismáticas, quase circenses, que caminham por cenários suntuosos, coloridos, beirando um sonho desfrutável, onde homens conversam com esquilos e cisnes, absorvidos e transformados pela magia da natureza.
Um filme sinestésico, que explora bem todos os nossos sentidos e nos leva imediatamente a um processo de catarse. Não deixem passar despercebida a maior fita de fantasia soviética de todos os tempos, um trabalho de mestre!


O conto do czar Saltan (Skazka o tsare Saltane). URSS, 1967, 81 min. Aventura. Colorido. Dirigido por Aleksandr Ptushko. Distribuição: CPC-Umes Filmes

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de dezembro 2017 / janeiro 2018

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Nota do blogueiro


"O monge Caine parte para os Estados Unidos em 1871 em busca de seu pai e de seu meio-irmão, que vivem no oeste. Caine é um homem que evita o enfrentamento, mas quando sua tranquilidade é perturbada ou quando agem violentamente contra ele, sua habilidade com o Kung Fu aflora e ele pacifica o ambiente".

Trecho do livro "Kung Fu", terceiro volume da coleção TV Estronho, um ótimo guia de 192 páginas sobre a cultuada série televisiva exibida mundialmente entre 1972 e 1975, com David Carradine. Escrito por Saulo Adami, coordenador da coleção, e publicado pela editora Estronho em formato de bolso, o livro contém um riquíssimo material de pesquisa com muitas informações e referências de cada capítulo de cada temporada, recheado de fotos dos bastidores, pôsteres e trechos dos roteiros.
Saiu há dois meses pela @estronho, e eu recebi carinhosamente um exemplar do editor, o amigo Marcelo Amado. Já estou lendo, pois sou fã do seriado (tenho todas as temporadas em DVD, que saíram faz tempo no Brasil) e super indico aos interessados. Aos fãs, uma mensagem: "Paciência, pequeno Gafanhoto"!
Valeu, Marcelo, pelo lindo livro. E vida longa à Estronho!



Viva Nostalgia!


Natal branco

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, dois amigos militares, Bob (Bing Crosby) e Phil (Danny Kaye), que animavam os soldados nos intervalos da guerra, formam uma dupla que viaja em turnê pelos Estados Unidos levando música e dança a populares casas noturnas. Eles estão no auge, construindo uma sólida carreira, até que um dia reencontram o ex-comandante, hoje proprietário de uma hospedaria quase falida. Para não deixar o empreendimento fechar as portas, Bob e Phil abrem shows musicais no local para atrair turistas e possíveis hóspedes.

Delicioso musical da Paramount de 1954 que inaugurou a técnica do VistaVision, processo de ampliação da tela com alta qualidade de imagem nos cinemas, competidor direto do CinemaScope (lançado no ano anterior). O filme tornou-se popular nos Estados Unidos, com um Bing Crosby alegre, dividindo o palco com o ótimo comediante Danny Kaye, além da participação elegante da cantora e atriz Rosemary Clooney, tia de George Clooney. Todo o movimento do filme rodeia as músicas do premiado Irving Berlin, criador de trilhas importantes do cinema, como esta que dá título ao filme - a imortal “White Christmas” ganhou o Oscar em 1942, parte da trilha de “Duas semanas de prazer”, também estrelado por Crosby, que tinha história semelhante.
“Natal branco” fala menos de Natal e enfoca mais os bastidores do show business, de como os produtores, atores e cantores se viravam em um país recém-saído de uma guerra, ainda em processo de reconstrução social.
Tudo no filme anima o espectador, desde as coreografias de um Bob Fosse em início de carreira à fotografia esplendorosa do premiado Loyal Griggs.
Este é um dos relançamentos do mês da Classicline, em edição de colecionador; o filme tinha saído em DVD uma década atrás, pela Paramount, mas saiu de catálogo, e agora a Classicline fez bem em soltar novas cópias no mercado em plena época natalina. Há extras legais como canções de Natal interpretadas na TV americana por grandes nomes do cinema, e um documentário sobre o filme. Recomendado aos fãs de musical!


Natal branco (White Christmas). EUA, 1954, 120 min. Musical/Drama. Dirigido por Michael Curtiz. Colorido. Distribuição: Classicline

* Publicado na coluna Middia Cinema, da revista Middia, edição de dezembro de 2017 / janeiro de 2018

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cine Lançamento


Dois lançamentos imperdíveis da Flashstar

A distribuidora de cinema Flashstar lançou recentemente dois bons filmes em DVD, super indicados aos fãs da Sétima Arte: “A face de um anjo” (2014) e “Hacker - Todo crime tem um início” (2016). Abaixo escrevi breves críticas sobre eles. Acompanhem!

Hacker: Todo crime tem um início

Alex (Callan McAuliffe) e sua mãe passam por um delicado momento financeiro. O banco acabou de tomar a casa da família, e agora o jovem tem de procurar nova moradia. Decepcionado, ele não deixará isto em vão - planeja se vingar do banco, aliando-se a hackers especializados em roubo de identidades de usuários bancários.

Um excitante filme independente inspirado em uma incrível história verídica sobre as consequências dos crimes virtuais no mundo corporativo. O ponto de partida é a vingança pessoal de um jovem em crise financeira, disposto a destruir o banco que confiscou o imóvel da família. Inteligente, mas mal intencionado, o rapaz, um engomadinho de classe média, junta-se a hackers integrantes de um grupo autodenominado de Darkweb, que rouba identidades pela rede (eles existiram de verdade, e mascarados, produziam até vídeos para ameaçar as vítimas). Aos poucos o que era um simples modo de vingança se transforma em uma obsessão por poder e dinheiro alto, com possibilidades de enriquecimento ilícito através de delitos cibernéticos.
Fruto de pesquisas que apontam que somente em 2016 hackers roubaram mais de U$ 20 bilhões no mundo inteiro, o filme se presta a uma oportuna reflexão sobre o lado obscuro da internet e os perigosos caminhos do crime virtual. Várias produções dos anos 90 e 2000 retrataram o tema, mas esta confirma um bom roteiro, atualizado, bem construído e que prende a atenção. Recomendo!

Hacker: Todo crime tem um início (Hacker). EUA/ Tailândia/ Canadá, 2016, 95 minutos. Drama/Ação. Dirigido por Akan Satayev. Distribuição: Flashstar


A face de um anjo

O diretor de cinema Thomas (Daniel Brühl) viaja a Siena, na Itália, para pesquisar sobre um crime bárbaro que chocou a cidade, material que servirá como base de seu próximo filme. Lá conhece a jornalista Simone (Kate Beckinsale), que publicou recentemente um livro sobre o assassinato em questão. Juntos, o cineasta e a escritora seguirão em busca de pistas daquele intrínseco caso e acompanhar o julgamento, que está em curso.

A mídia europeia potencializou a divulgação do caso da jovem britânica Meredith Kercher, assassinada em 2007 na cidade italiana de Perugia, um crime bárbaro até hoje mal solucionado.  As suspeitas recaíram sobre Amanda Knox, garota americana que dividia apartamento com Meredith. Com a repercussão do fato, a jornalista Barbie Latza Nadeau publicou o livro “Angel Face: The true story of student killer Amanda Knox”, e um filme havia sido planejado, mas nunca saiu do papel. Pois o diretor britânico Michael Winterbottom, de filmes com história verdadeira como “O preço da coragem” (2007) e suspenses como “Desejo você” (1998) e “O assassino em mim” (2010), pegou a ideia central e associou-se a quinze produtores italianos, americanos e ingleses para realizar esse audacioso projeto pessoal que explora de fio a pavio o crime ocorrido na Itália, com viés dramático e suspense policial, tudo para dar voz à jovem assassinada misteriosamente. Ele criou um alterego, o personagem do cineasta Thomas, interpretado pelo talentoso ator Daniel Brühl, que viaja até a Itália para reunir material e pesquisas para um próximo filme. Contata uma jornalista observadora dos fatos, que é a escritora do livro “Angel face” (Kate Beckinsale interpreta Simone, que era a verdadeira Barbie Latza Nadeau), e daí em diante, com figuras reais e fictícias, o filme ganha peso com um inquietante clima de mistério e perguntas sem respostas, que cingem a história envolvendo prisões e julgamentos. Um redemoinho de reviravoltas desdobra a trama, bem amarrada e complexa em detalhes e diálogos para solucionar a verdade tão bem escondida.
Gostei muito dos meandros e do vigor do filme (infelizmente críticos de meio mundo apedrejaram o resultado), que, ia me esquecendo, conta também com uma boa participação da lindíssima Cara Delevingne.
Suspense dramático arrojado, para o público conhecer a fundo o caso, tão explorado pelos jornais em 2007.


A face de um anjo (The face of an angel). Inglaterra/ Itália/ Espanha/EUA, 2014, 101 minutos. Drama/Suspense. Dirigido por Michael Winterbottom. Distribuição: Flashstar