segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Cine Lançamento


Emma.

Emma Woodhouse (Anya Taylor-Joy) é uma jovem rica e inteligente que mora numa pequena cidade inglesa. Inquieta, promove encontros amorosos para suas amigas, mas foge de romances para si. Até que um dia a flecha do cupido a atinge. Dividida entre a razão e a emoção, Emma não terá chances de escapar do homem que a deseja.

Primeiro filme da fotógrafa de clipes musicais Autumn de Wilde, que revisa o aclamado romance de Jane Austen para deixar sua visão em torno das mulheres da aristocracia inglesa do século XIX. Agradável, romântico e divertido, o filme mantém o cinismo e as sátiras do clássico livro sobre casamentos arranjados e amadurecimento, renova a história com pitadas maliciosas e incrementa tudo com um figurino modernoso para a fase Regencial ali retratada (o contexto é entre a Era Georgiana e a Era Vitoriana, tomada por uma atmosfera liberal e efervescência cultural) – quem assina esse figurino vibrante é Alexandra Byrne, ganhadora do Oscar, e que pode ser indicada aqui novamente. E os trajes combinam bem com a direção de arte e a fotografia, formidáveis!
Achei melhor que a versão anterior do livro, aquela fita alegre de 1996 com Gwyneth Paltrow interpretando Emma. Anya Taylor-Joy (de “Fragmentado” e da série de sucesso da Netflix “O gambito da rainha”) dá um show como a protagonista cupido, uma menina rica e mimada, que manipula a vida de todos que a cercam, desde o pai às amigas, promove relacionamentos para elas, aproxima pessoas, mas corre de um namoro (até um dia se esbarrar em um ‘affair’).


É uma comédia de costumes bem feminina, com um elenco de apoio interessante, com menção a Johnny Flynn, Mia Goth e o veterano Bill Nighy.
A essência da trama e do curso dela dialoga com duas obras da popular escritora inglesa (Jane Austen), “Razão e sensibilidade” e “Orgulho e preconceito”, que também ganharam versões para cinema.
Um deleite para fãs de filmes românticos de época. Em DVD e Bluray pela Universal Pictures.

Emma. (Idem). Reino Unido, 2020, 124 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Autumn de Wilde. Distribuição: Universal Pictures

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Especial de Cinema


As estreias no cinema e no streaming em 2021

O ano de 2021 começou com tudo. A pandemia do coronavírus permanece nos rondando, deixando o mundo em alerta e apreensivo. O isolamento social é regra número 1 para que a contaminação seja freada, aliado ao uso de máscaras e higiene frequente das mãos. Nesse cenário nefasto, o cinema (e as artes em geral) foi um dos setores que mais foi prejudicado. Ir a uma sala de cinema hoje, ficar duas horas sentado olhando para a tela enquanto o ar-condicionado circula, torna-se um risco seríssimo de contágio pelo vírus que vem matando milhares de pessoas por dia no mundo todo.
Os cinemas tiveram de se readequar nesse novo mundo em transformação, limitando o número de ingressos vendidos, separando espaços entre as poltronas, diminuindo o valor dos ingressos. Para se ter noção, mais de 70% das estreias de 2020 foram prorrogadas para 2021. E não sabemos se elas irão ocorrer. Muitas distribuidoras já optaram em lançar seu catálogo de filme no streaming, para que o longa chegue ao público e não caia na gaveta. Só o tempo dirá o que será das salas de cinema...
Como tarefa de todo início de ano, preparei uma rápida lista com as principais estreias programadas para 2021. Elas não estão divididas mês a mês, pois, como disse, as distribuidoras ainda estão em negociação com os cinemas, se vão colocá-los em circuito das salas ou mandar direto para o streaming - alguns já estrearam fora do Brasil, como “Um lugar silencioso 2” e “Monster Hunter”, parte deles está apenas com o título original, pois ainda não houve tradução para o português, e outros nem título correto possui. Vamos torcer pelo cinema e continuar prestigiando essa arte extraordinária, seja nas salas, com os devidos cuidados, ou nas plataformas digitais, em casa.

Marighella

Antlers: Espíritos obscuros

Fatima

A mulher na janela

A menina que matou os pais

O menino que matou meus pais

Espiral: Jogos mortais

A lenda de Candyman

Bela vingança

Fatale

Os pequenos vestígios


Nomadland

Eduardo e Mônica

Em um bairro de Nova York

A escavação

Free guy – Assumindo o controle

Caça-fantasmas: Mais além

Uma noite de crime 5

Jungle cruise (Disney) – sem título

Morbius

Guerra com o vovô

Vem brincar

Malignant


Uma noite em Miami

Escape room 2

O jardim secreto

Um lugar silencioso 2

King's Man: A origem

Last night in Soho

Without remorse

Venom 2

Bios

Morte sobre o Nilo

Snake Eyes: G.I. Joe Origins

Halloween kills: O terror continua

Os eternos

Viúva Negra

Godzilla vs. Kong

Clifford: O gigante cão amigo – O filme

After: Depois da Verdade

West side story

Monster hunter

Turma da Mônica – Lições

Um príncipe em Nova York 2

Top Gun: Maverick

Os Croods 2

Tom & Jerry: O filme

A boa esposa

Pinóquio

O grande Ivan

Verão de 85

Fale com as abelhas

Wish dragon

Malcolm & Marie

Judas e o messias negro

News of the World

A liga de monstros

The last duel

Mestres do Universo

Pedro Coelho 2: O fugitivo

Raya e o último dragão

Velozes & furiosos 9

Minions 2

Infinito

Jackass 4

Invocação do mal 3

The tomorrow war

007: Sem tempo para morrer

Duna

Missão: Impossível 7

O banqueiro

Spider-Man (sem título)

Space Jam: O novo legado

Black Adam

Uncharted

Blade

Matrix 4

Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings

Esquadrão suicida 2





terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Nota do Blogueiro


Cine Debate retorna online no dia 23 e comemora nove anos de existência
 
O Imes Catanduva abre esse mês as sessões de 2021 do projeto “Cine Debate”, com a exibição de “Violência e paixão” (1974), o penúltimo filme do premiado cineasta italiano Luchino Visconti.  O longa está disponível em cópia restaurada, gratuito ao público, no site do SESC Digital, em https://sesc.digital/conteudo/cinema-e-video/42855/violencia-e-paixao. Após assistir ao filme, o público poderá participar do debate virtual, agendado para o dia 23 de janeiro, às 14h, na plataforma do Sesc Catanduva no Youtube - https://www.youtube.com/user/sesccatanduva - ele será mediado pelo idealizador do projeto, o jornalista e crítico de cinema Felipe Brida, professor do Senac e do Imes Catanduva, e por Alexandre Vasques, programador cultural do Sesc Catanduva.
O filme tem Burt Lancaster, Helmut Berger e Silvana Mangano, numa história dramática sobre um velho professor, colecionador de pinturas que retratam grupos familiares, que vê sua vida invadida quando aceita alugar um apartamento no andar superior para a vulgar marquesa Brumonti, que ali instala o amante Konrad, além de sua filha e o namorado dela. A obra trata de temas como fascismo, velhice e morte.

 
Cine Debate
 
O Cine Debate é uma parceria do Imes com o Sesc e o Senac Catanduva e completa nove anos trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população.
Segue o mesmo formato do segundo semestre de 2020: uma vez por mês, online, porém agora retorna aos sábados, a partir das 14h, pelo canal do Sesc no Youtube.
Vamos prestigiar, participar e debater cinema! Todos estão convidados!
Confira abaixo a programação do primeiro semestre do Cine Debate 2021 (datas agendadas, por enquanto, de janeiro e fevereiro) – todos os filmes estão disponíveis gratuitamente no site do Sesc Digital, procurem lá em sesc.digital/home
 
Dia 23/01 – 14h – “Violência e paixão” (1974, 121 min)
Dia 27/02 – 14h – “A carruagem de ouro” (1952, 103 min)
 
Março: “A hora do lobo” (1968, 90 minutos)
Abril: “De crápula a herói” (1959, 132 minutos)
Maio: “Mamma Roma” (1962, 106 minutos)
Junho: “Tomates verdes fritos” (1991, 130 minutos)
Julho: “Lili Marlene” (1981, 111 minutos)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Na Netflix


O plano imperfeito

Dois assistentes que trabalham para executivos de Nova York andam estressados pelas cobranças de seus chefes. Cada um atua em uma empresa diferente. Num encontro casual, elaboram um plano amoroso para que os executivos, um homem e uma mulher, se conheçam e, quem sabe, se apaixonem.

Da diretora das séries cômicas de sucesso nos Estados Unidos “The office”, “Unbreakable Kimmy Schmidt” e “The good place”, Claire Scanlon, é uma agradável comédia romântica que a Netflix lançou em 2018, que trata do estressante mundo dos negócios de Nova York por outro prisma. Na história, dois amigos exauridos pelos seus chefes durões bolam um plano para que eles se encontrem e, daí, tenham um relacionamento, para que, assim, eles vivam felizes no trabalho e não cobrem tanto os subordinados (naquele raciocínio de “quem está apaixonado, é mais emotivo, sabe conversar e não enche o saco”). O plano dá certo até um ponto, depois as situações apertam.
A roteirista Katie Silberman, dos filmes de humor “Megarromântico” e “Fora de série”, ambas de 2019, acertou numa uma fita alto astral, bem passageira, para se assistir sem compromisso. Tem um dos melhores papéis da protagonista Zoey Deutch (de “Antes que eu vá” e da série “The politician”), e participação especial de Lucy Liu (uma das chefes, alvo do plano romântico).


Confira essa brincadeira divertida que se encaixa como uma farsa moderna, previsível e leve para recompor nosso humor em épocas de pandemia.

O plano imperfeito (Set it up). EUA, 2018, 105 minutos. Comédia/Romance. Colorido. Dirigido por Claire Scanlon. Distribuição: Netflix

sábado, 9 de janeiro de 2021

Cine Especial


T2: Trainspotting


Após trair os amigos roubando dinheiro de um golpe, vem o acerto de contas quando Mark (Ewan McGregor) retorna para casa. Ele está sendo aguardado por Sick Boy (Johnny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle).

Vinte anos depois do cultuado “Trainspotting – Sem limites” (1996), que sacudiu as estruturas para mostrar o indigesto retrato do submundo das drogas de Edimburgo, o cineasta Danny Boyle fez o retorno triunfal para a cena dos quatro amigos do longa original, agora beirando os 40, 50 anos de idade. Seu “Trainspotting 2”, intitulado só “T2”, é um ajuste de contas, de um jeito maduro, sem a violência, o frenesi e a desesperança do anterior. Os quatro personagens, no passado adictos e arruaceiros, se encontram de maneira definitiva para relembrar a traição (o roubo de dinheiro por Mark), para encarar um futuro mais ordinário e sadio.
Antes era o romance “Trainspotting”, agora a trama vem das páginas do livro “Pornô”, a sequência escrita por Irvine Welsh e publicada nove anos depois. Na tela, é muito bom rever os atores Ewan McGregor, Johnny Lee Miller, Ewen Bremner e Robert Carlyle, guiados novamente pelo mestre Boyle, participando do roteiro do mesmo John Hodge – filmes assim é um tiro no escuro, podem dar muito errado, no entanto o resultado aqui é formidável. São outros personagens, mudados pela vida, mais conscientes, menos subversivos.
Segue estrutura do anterior, com montagem disruptiva e trilha sonora com bandas de rock (como Blondie, Queen e Underworld cantando a música-tema do primeiro, “Born Slippy”).


Ganhou três prêmios no Bafta de 2017 (melhor filme, diretor e ator para Bremner, ainda indicado para McGregor e Carlyle), e teve bilheteria OK por ser um filme mais cult – muita gente esperou ansiosa essa segunda parte de uma produção cinematográfica que entrou para a História do Cinema, e até hoje pinta em listas de norte a sul da crítica como um dos 200 melhores filmes de todos os tempos.
Recomendo o DVD lançado pela Sony que traz bônus bacanas, que incluem uma conversa com o elenco e o diretor, um minidocumentário sobre a recuperação dos usuários de drogas, cenas excluídas, trailers e comentários durante o filme do diretor Danny Boyle e do roteirista John Hodge.

T2: Trainspotting (Idem). Reino Unido, 2017, 117 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Danny Boyle. Distribuição: Sony Pictures

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Especial de Cinema


Balanço de cinema de 2020

E segue a minha tradicional lista dos melhores filmes do ano, vistos em festivais (presenciais e online), salas de cinema e de provedores streaming. São 30 ao todo. Também tem, ao final, a listinha dos piores de 2020 (no total, 20 longas).
Desejo a todos um feliz Ano Novo, com muita luz, saúde e esperança de um 2021 infinitamente melhor (e, claro, de bons filmes).

Melhores filmes de 2020

Os miseráveis (2019, de Ladj Ly)

Uma vida oculta (2019, de Terrence Malick)

Colectiv (2019, de Alexander Nanau)

Pacarrete (2019, de Allan Deberton)

1917 (2019, de Sam Mendes)

Deerskin: A jaqueta de couro de cervo (2019, de Quentin Dupieux)

A cordilheira dos sonhos (2019, de Patricio Guzmán)

Três verões (2019, de Sandra Kogut)

Joias brutas (2019, Benny Safdie e Josh Safdie)

A despedida (2019, de Lulu Wang)

Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer parou (2019, de Barbara Paz)

Corpus Christi (2019, de Jan Komasa)

37 segundos (2019, de Hikari)

Antologia da cidade fantasma (2019, de Denis Côté)

Atleta A (2020, de Bonni Cohen, Jon Shenk)

Soul (2020, de Pete Docter e Kemp Powers)

Rede de ódio (2020, de Jan Komasa)

O homem invisível (2020, de Leigh Whannell)

Secreto e proibido (2020, de Chris Bolan)

O que ficou para trás (2020, de Remi Weekes)

Pequena garota (2020, de Sébastien Lifshitz)

Os 7 de Chicago (2020, de Aaron Sorkin)

A caçada (2020, de Craig Zobel)

Meu nome é Bagdá (2020, de Caru Alves de Souza)

Ligue Djá: O lendário Walter Mercado (2020, de Cristina Costantini e Kareem Tabsch)

Mosquito (2020, de João Nuno Pinto)

Nova ordem (2020, de Michel Franco)

Berlin Alexanderplatz (2020, de Burhan Qurbani)

O roubo do século (2020, de Ariel Winograd)

Another round (2020, de Thomas Vinterberg)

 



Piores filmes de 2020

 

Mulan (2020, de Niki Caro)

O Halloween do Hubie (2020, de Steven Brill)

A possessão de Mary (2019, de Michael Goi)

Os novos mutantes (2020, de Josh Boone)

Ava (2020, de Tate Taylor)

Pequenos grandes heróis (2020, de Robert Rodriguez)

Jovens bruxas: Nova irmandade (2020, de Zoe Lister-Jones)

A última coisa que ele queria (2020, de Dee Rees)

Mulher-Maravilha 1984 (2020, de Patty Jenkins)

Coffee & Kareem (2020, de Michael Dowse)

A ilha da fantasia (2020, de Jeff Wadlow)

Modo avião (2020, de César Rodrigues)

O grito (2020, de Nicolas Pesce)

365 dias (2020, de Barbara Bialowas e Tomasz Mandes)

The last days of american crime (2020, de Olivier Megaton)

Brahms: Boneco do mal II (2020, de William Brent Bell)

Power (2020, de Henry Joost e Ariel Schulman)

Artemis Fowl – O mundo secreto (2020, de Kenneth Branagh)

Convenção das bruxas (2020, de Robert Zemeckis)

Encontro fatal (2020, de Peter Sullivan)

 

OBS: Alguns dos melhores filmes exibidos nos cinemas em 2020, por serem de 2019, e assistidos por mim em 2019 em festivais de cinema, já estavam na lista do ano passado, como “Jojo Rabbit”, “Monos”, “O farol”, “O jovem Ahmed”, “Transtorno explosivo” e “A verdadeira história da gangue de Ned Kelly”.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Cine Cult


A guerra do fogo

Tribo primitiva do período Paleolítico descobre o fogo e faz de tudo para protegê-lo, pois ele é um aliado para combater o frio e auxiliar na alimentação. Durante um conflito com uma tribo rival, a chama se apaga, então parte daqueles homens das cavernas sai pela selva em busca de um novo fogo.

Retorna ao catálogo da distribuidora Obras-primas do Cinema a edição especial de colecionador desse que é um dos grandes (e poucos) filmes que abordam a Pré-História, uma fita cultuada que assim como eu, muitos assistiram nas aulas de História e Geografia quando adolescente. Tinha uns 10 anos quando vi pela primeira vez, achei o máximo, e agora, transcorridos 25 anos, revi com o mesmo entusiasmo. A versão da Obras-primas mantém a cópia igual a do exterior, com imagem boa, remasterizada e com duas horas de extras (making of, entrevista com o diretor, vídeos promocionais, comentários etc).
Rodado em lugares exóticos de vários continentes, como cavernas no Canadá, montanhas do Reino Unido, lagos no Quênia, o filme reconstitui o período Paleolítico, há 80 mil anos, quando o homem descobriu o fogo. Traz todos os elementos dessa era numa verdadeira aula: o nomadismo, as rivalidades entre grupos, as cavernas como proteção, os primeiros usos de ferramentas e utensílios e as caçadas em busca de alimentos.


Baseado no romance do escritor franco-belga J.H. Rosny, escrito em 1909, tem roteiro adaptado por Gérard Brach, um velho colaborador dos filmes de Roman Polanski (escreveu, por exemplo, “Repulsa ao sexo”, “Busca frenética” e “Lua de fel”), e depois voltaria a trabalhar com o diretor de “A guerra do fogo”, Jean-Jacques Annaud, em “O nome da rosa” e “O urso”, os maiores sucessos do cineasta.
Pelos estudos antropológicos, os homens das cavernas grunhiam e tinham comportamentos animalescos, por isso que no filme não há diálogos; na verdade há uma linguagem oral com termos soltos, e foi criada pelo escritor Anthony Burgess, autor de “Laranja mecânica”, que colaborou com o roteiro. Segundo o diretor Annaud, não houve grandes efeitos especiais nem filtros, exceto a maquiagem dos atores (ganhadora do Oscar e do Bafta na categoria), ou seja, tudo o que vemos é do jeito que foi gravado, em locações originais sem uso de cenários; na cena dos mamutes, por exemplo, eles são elefantes fantasiados.
Indicado ao Globo de Ouro de filme estrangeiro, custou caro para a época por diversos pontos: maquiagens pesadas, grande número de figurantes, demora na gravação das longas tomadas externas devido ao clima e ao comportamento da natureza, parte do elenco se feriu etc. O orçamento foi de U$ 12 milhões, rendendo U$ 20 mi. nas bilheterias.


Aqui deu-se a estreia de Ron Perlman (de “Hellboy”).
Curiosidade: no mesmo ano, 1981, saíram dois longas de mesmo tema, “O homem das cavernas”, uma comédia nonsense com Ringo Starr (do Beatles), e “A História do Mundo – Parte I”, de Mel Brooks, outra comédia absurda, que traz na abertura uma paródia de “2001: Uma odisseia no espaço”, e faz piadas com um grupo de nômades desajeitados.

A guerra do fogo (La guerre du feu). França/Canadá, 1981, 100 minutos. Aventura. Colorido. Dirigido por Jean-Jacques Annaud. Distribuição: Obras-primas do Cinema

sábado, 26 de dezembro de 2020

Cine Lançamento (em Bluray e DVD)



El Camino: Um filme de Breaking Bad

* Reedição

O traficante Jesse Pinkman (Aaron Paul), que produzia metanfetamina com o comparsa Walter White, foge do cativeiro onde ficou preso por dias. Ele busca novos rumos para recomeçar a vida. Mas para isso terá de se reconciliar com o passado, marcado por brutalidades. Enquanto Jesse retorna aos poucos à rotina, ex-aliados e antigos criminosos querem a todo custo sua cabeça.

A provedora Netflix, em parceria com a Sony Pictures Television, arriscou produzir um filme da premiada série televisiva “Breaking Bad” (2008-2013, da AMC), para solucionar fatos que ficaram em aberto com os personagens das cinco temporadas, e, claro, dar um destino melhor para Jesse Pinkman (muita gente reclamou na época sobre a abrupta fuga dele do cativeiro). Os fãs da série pediam desde 2013 pelo menos um novo capítulo como desfecho, até que foram saciados, seis anos depois, com esse ótimo filme de ação, violento e derradeiro.
Com cara de epílogo, parece um episódio esticado (era para ter três horas de duração, mas cortaram para duas). Começa com um resumo (de quatro minutos) de todas as temporadas, chamado de “A história até agora”, e parte da fuga alucinada de Pinkman num carro sozinho. Ele assume o protagonismo do professor e mentor Walter White (Bryan Cranston), para ser agora o dono da história, com os holofotes virados para ele. Compõe, com proveitosa condição, um grande personagem solitário, em busca de redenção. Para se reconciliar com o passado de erros, dor, sofrimento e perseguições, ele terá pela frente diversos encontros com velhos rostos, todos ligados ao submundo do crime. Seu objetivo é sair vivo dessa para viver em paz...
Cheio de easter eggs inteligentes (como placas, lugares, uniformes, veículos) e rostos conhecidos da série vencedora de dois Globos de Ouro, o filme ganha uma força descomunal graças a Vince Gilligan, criador do seriado, que assumiu a direção, não deixando nada para trás - ele é também produtor executivo tanto de “Breaking Bad” quanto de “Better call Saul”, que fala das origens do advogado de Walter White, Saul Goodman, ou seja, o que ocorre antes de “Breaking”.
O filme fica melhor para entender se assistirmos antes aos dois últimos episódios da 5ª. temporada, que tem forte ligação com os eventos de “El Camino”. Fica a dica!


Novamente Aaron Paul dá um show de interpretação como Jesse Pinkman, num papel mais dramático que de costume. Vale lembrar que sua carreira alavancou com “Breaking Bad”, pelo qual foi indicado ao Globo de Ouro de ator coadjuvante na temporada final.
Retornam ao filme os personagens Mike (Jonathan Banks), Todd (Jesse Plemons), Ed (Robert Forster – falecido aos 78 anos, no dia que “El Camino” estreou no Netflix, em 11 de outubro de 2019) e Sra. Pinkman, mãe de Jesse (Tess Harper). Não vou estragar a surpresa, mas tem outro personagem especial revelado bem no finalzinho...
Várias séries ganharam, depois do término das temporadas, filmes próprios, como “24 horas” e “Veronica Mars”, surpreendendo os fãs. “El Camino” está nessa lista, e é um dos melhores exemplos de como TV e cinema podem andar juntos.
A pedido dos colecionadores, a Sony Pictures acaba de lançar o filme em Bluray e DVD, com muitos extras (que incluem comentários de atores e equipe técnica, bastidores e materiais promocionais).

El Camino: Um filme de Breaking Bad (El Camino: A Breaking Bad Movie). EUA, 2019, 122 minutos. Policial/Drama. Colorido. Dirigido por Vince Gilligan. Distribuição: Netflix

* Texto publicado originalmente em 04/01/2020