domingo, 11 de novembro de 2018

Resenha Especial


Manifesto

Treze personagens encenados pela atriz Cate Blanchett discursam manifestos políticos e artísticos para responder questões acerca do mundo contemporâneo.

Assisti a “Manifesto” pela primeira vez em outubro do ano passado numa cabine para jornalistas em São Paulo e depois, em DVD, revi duas vezes. É uma co-produção Alemanha/Austrália, de 2015 (demorou dois anos para chegar no Brasil), escrito e dirigido por Julian Rosefeldt, exibido nos Festivais de Sundance, Rotterdam e Tribeca. Também passou no Festival do Rio e foi para as salas de cinema, distribuído nos cinemas e em DVD pela Mares Filmes.
O que achei? Um filme desafiador, que coloquei na minha lista dos melhores do ano passado, com um trabalho visceral e fora do comum de Cate Blanchett num tour-de-force interpretando 13 personagens em manifestos efusivos, alguns históricos, contra todo tipo de sistema e convenções. Na pele de uma viúva no funeral do marido, de um andarilho, de uma cientista (numa cena lindamente alusiva à "2001 – Uma odisseia no espaço", com direito ao monolito negro), de uma operária no chão de fábrica, de uma professora com metodologias revolucionárias ou de uma ventríloqua que manipula um boneco em autoimagem, por trás existe um grito desesperado por mudanças, em uma sociedade deteriorada pelo modo capitalista de viver. As declarações públicas dos personagens surgem em referências claras a artistas modernos e contemporâneos que romperam com a arte tradicional, com menção a Kandinsky, Braque, Rodchenko, além de manifestos de diretores de cinema, como Godard, e dos cineastas do Dogma, como Lars Von Trier.


Para o diretor, só a arte engajada poderá salvar a humanidade de um sistema falido para habilitar uma nova práxis e por consequência reconstruir um novo mundo. Uma obra experimental desconcertante e urgentemente obrigatória, mais atual do que nunca! Já em DVD pela Mares.

Manifesto (Idem). Alemanha/Austrália, 2015, 94 min. Drama. Colorido. Dirigido por Julian Rosefeldt. Distribuição: Mares Filmes

Nota do Blogueiro


Segunda parte dos novos filmes em DVD distribuídos pela A2 com os selos Mares, Flashstar e Focus. São nove ao todo: Com amor, Van Gogh (2017, indicado ao Oscar, ao Bafta e ao Globo de ouro de animação), A viagem de meu pai (2015), Bye bye Alemanha (2017), Tráfico de mulheres (2017), A viagem de Fanny (2016), Lembranças de uma infância (2015), Segredos obscuros (2017), O resgate de uma vida (2016) e Crônicas da tribo fantasma (2015). Já nas lojas - e logo tem crítica deles no blog e na fanpage Cinema na Web. Obrigado, @andrecavallini @a2_filmes @maresfilmes, pelo envio dos DVDs.










sábado, 10 de novembro de 2018

Nota do Blogueiro


Filmes e mais filmes chegando em DVD pela A2 com os selos Mares, Flashstar e Focus. Esta é a primeira remessa dos bons títulos lançados pela distribuidora ao longo deste ano: Thelma (2017), Rodin (2017 - indicado à Palma de Ouro em Cannes), Stonewall - Onde o orgulho começou (2015), Manifesto (2015), Terraformars - Missão em Marte (2016) e A história de Wim de A a Z (2016). Já nas lojas - e logo tem crítica deles no blog e na fanpage Cinema na Web. Obrigado, @andrecavallini @a2_filmes @maresfilmes, pelo envio dos DVDs.







quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Nota do blogueiro


Amigos, criei ontem a fanpage Cinema na Web em comemoração aos 10 anos do meu blog. Já estou postando lá críticas e resenhas de filmes lançados em DVD e em Bluray, e também de filmes do Netflix (o blog continua normalmente). Se quiser acompanhar seja bem-vindo! Deixe comentários e sugestões. Boa leitura! :) 
https://www.facebook.com/Cinema-na-Web-315962665906787


Cine Lançamento


 Arranha-céu: Coragem sem limite

O ex-agente do FBI Will Sawyer (Dwayne Johnson) trabalhava como negociador de resgate de reféns. Numa invasão em uma casa, certa vez, uma explosão o deixou gravemente ferido. Ele perdeu a perna esquerda e precisou implantar uma prótese. À procura de emprego, é contratado como segurança do maior edifício do mundo, com 220 andares. Mas um incêndio criminoso deverá destruir o prédio em poucas horas, e Sawyer terá de invadir o arranha-céu em chamas para resgatar sua família, que está presa num dos quartos.

O popular astro Dwayne Johnson, ex-The Rock, co-produziu esse blockbuster incendiário lotado de situações impossíveis e muitos efeitos especiais, que só tem sentido se desligarmos o botão da realidade e o encararmos como um cinemão de entretenimento com um balde de pipoca na mão. Com menos simpatia, Johnson interpreta um veterano de guerra, ex-líder da equipe de resgate do FBI, que num dia de trabalho ficou ferido numa explosão. Amigos morreram, ele perdeu a perna e hoje usa prótese. Desistiu da profissão, está sem emprego, e agora recebe a proposta de um amigo para ser segurança do maior prédio do mundo, um arranha-céu de 220 andares, equipado com o melhor sistema de proteção. É um edifício futurista chamado Pérola (fictício), criado por um magnata da tecnologia de Hong Kong, com destaque para os 990 metros de altura, que concentra parques temáticos, áreas arborizadas e centros comerciais. Com a oportunidade, ele retoma a vida, porém mal é contratado terá de voltar à ativa policial para resgatar a mulher e os filhos do prédio – criminosos incendiaram o lugar, para um plano mirabolante, com a família dele trancada num dos quartos.


O personagem de Johnson, amputado, com perna mecânica, escala o prédio, ataca um grupo inteiro de bandidos, sobe em guindastes, envolve-se numa noite infernal para salvar a família, num filme que mistura “Inferno na Torre” (1974), “Duro de matar” (1988), “Risco total” (1993) e momentos absurdos de James Bond. Por esta razão, não é para ser levado a sério nem chiar... É uma fita assumidamente de ação, bem feita, com efeitos especiais pirotécnicos (de destruição em massa do exuberante prédio, rodado em estúdios), para consumo rápido. Breve filme de entretenimento e não mais que isto.
Para compor o personagem, Dwayne Johnson inspirou-se no primeiro norte-americano amputado a escalar o Monte Everest, atleta campeão das Paraolimpíadas chamado Jeff Glasbrenner (que acompanhou as gravações no set). Independente de Glasbrenner ter superado o Everest, o que o personagem inspirado nele faz no filme, para um amputado ou não, é coisa de cinema... É ver para crer!
Chama a atenção no elenco a atriz Neve Campbell, sumida das telas, como a esposa de Johnson. Continua bonita, com certo charme. Lembram-se dela, da quadrilogia “Pânico” e de “Garotas selvagens”?
“Arranha-céu: Coragem sem limite” foi escrito e dirigido por Rawson Marshall Thurber, da divertida comédia “Família do bagulho” (2013), que já tinha trabalhado com Johnson em “Um espião e meio” (2016), e sua nova produção rendeu bilheteria média nos cinemas, com certeza devido à presença do astro, arrecadando U$ 305 milhões (a produção custou U$ 125 milhões). Se perdeu nos cinemas assista agora em casa; o DVD e o Blu-ray acabaram de sair pela Universal, com extras variados. São seis especiais sobre a produção, cinco cenas excluídas, cinco cenas prolongadas e comentários do diretor.

Arranha-céu: Coragem sem limite (Skyscraper). EUA, 2018, 102 min. Ação. Colorido. Dirigido por Rawson Marshall Thurber. Distribuição: Universal Pictures

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Nota do blogueiro


Super lançamento do mês em DVD pela Universal Pictures: o blockbuster incendiário "Arranha-céu: Coragem sem limite" (2018), com Dwayne Johnson e Neve Campbell. Uma boa fita de ação para passar o tempo! Já nas lojas. Amanhã tem crítica dele no blog e na fanpage Cinema na Web. Obrigado pelo filme, @universalpicsbr, @m2.comunicacao e @2014mada.


Cine Lançamento



Sicário: Dia do soldado


O agente federal Matt Graver (Josh Brolin) recontrata o sicário Alejandro (Benicio Del Toro) para atuar em novas diretrizes na guerra contra o tráfico, já que agora os carteis começaram a traficar terroristas pela fronteira dos Estados Unidos. Orientado secretamente pelo governo americano, Alejandro tem de sequestrar a filha de um barão de drogas mexicano, para assim dar início a uma guerra perversa entre os carteis de droga rivais.

Um novo capítulo surpreendentemente bom surge para a série de três filmes de “Sicário”, que começou em “Sicário: Terra de ninguém” (2015) e terminará em 2020, com a volta da atriz Emily Blunt (que fez o primeiro e nesta segunda parte ficou de fora). Benicio Del Toro e Josh Brolin retomam com brutalidade seus papeis de homens durões capciosos, mais complexos e humanos, para mais uma história violenta sobre tráfico de drogas na fronteira do México com os Estados Unidos, um lugar sem lei, dominado pelos carteis. Com cenas de ação de deslumbrar, o filme reúne acontecimentos em várias partes do mundo, como Texas (na fronteira Estados Unidos-México), Golfo da Somália, Djibuti (na África), Cidade do México, e a base de todos os conflitos, no cartel de drogas mais antigo da América, o Cartel do Golfo, conhecido como Matamoros, um verdadeiro sindicato do crime. Agora não há somente as drogas; neste segundo capítulo temos a ótica do terrorismo, empurrando os personagens no olho do furacão. Josh Brolin é o agente da CIA designado para uma missão secreta. Ele contrata novamente o sicário (matador de traficantes) Alejandro, interpretado por Benicio Del Toro, que tem dívidas com o chefão de um cartel mexicano, pois sua família inteira foi morta pelas mãos dele. Alejandro aproveita para se vingar. O plano: sequestrar a filha de um barão das drogas, como forma de rivalizar o conflito entre os traficantes da região. Porém o caso será tão complicado que haverá traição e descaminhos, numa onda de crimes não planejada.
O destaque continua com Del Toro em seu Alejandro misterioso, um homem de jogada imprevisível, que assassina sem dó os inimigos. Vale tudo na guerra contra o tráfico e o terrorismo, como o filme deixa em evidência.
Tem uma história paralela pouco explorada, a de um garoto que vira traficante ao lado do primo, ascendendo no crime, cujo sentido se dará no final do filme, aliás, um desfecho que me deixou abismado!


Gosto demais do primeiro “Sicário” (2015), realizado por um dos melhores diretores desta década, Dennis Villeneuve, e esta segunda parte, mesmo não tendo o cineasta à frente do projeto, é uma continuação fora do comum, tão violenta e dura quanto o original. O roteirista permaneceu, o jovem Taylor Sheridan, que dirigiu “Terra selvagem” (2017), e quem pegou a direção foi o italiano Stefano Sollima, que havia feito uma fita policial ítalo-francesa chamada “Suburra” (2015) e ficou conhecido pela série “Gomorra” (ele é filho do diretor de faroestes spaghettti Sergio Sollima). Por conhecer os meandros do cinema de ação criou uma fita feroz, também sem final feliz, sem meio termo, sem patriotismo barato, para alertar sobre a guerra contra o tráfico (que necessita de políticas rigorosas para o combate efetivo) e por trás do pano provoca o público com um tema atualíssimo que cutuca o governo Trump: a polêmica posição do governo norte-americano contra os imigrantes mexicanos, envolvendo a eterna e não resolvida questão da fronteira.
É um dos grandes filmes policiais de 2018, intenso, com uso adequado da violência e sequências estilizadas de assassinato. Há participações especiais de Catherine Keener, Matthew Modine e Jeffrey Donovan, que passam imperceptíveis devido ao brilho de Del Toro e, em segundo plano, Brolin. Exibido nos cinemas em junho, saiu em DVD agora pela Sony Pictures, com três making of especiais como extra.

Sicário: Dia do soldado (Sicario: Day of the Soldado). EUA, 2018, 122 min. Ação. Colorido. Dirigido por Stefano Sollima. Distribuição: Sony Pictures

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Resenha Especial


Sicário: Terra de ninguém

A agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt) recebe o convite para liderar uma operação contra o tráfico internacional de drogas na fronteira entre Estados Unidos e México. Ao seu lado estão dois homens durões da força-tarefa do governo americano, Alejandro (Benicio Del Toro) e Matt (Josh Brolin), que irão reunir uma equipe de atiradores super treinados para capturar o chefe de um cartel de drogas.

Uma fita de ação explosiva digna de méritos do ótimo cineasta canadense Dennis Villeneuve (de “A chegada” e “Blade runner 20149”), um dos diretores-revelação dos últimos anos. Implacável, nua e crua, para um público com nervos de aço, que escancara a rede de narcotráfico na América do Sul, com personagens sanguinários e frios, que vão desde matadores de aluguel (conhecidos como sicários) a policiais corruptos.
O diretor é um mestre na criação de cenas fortes. Conduz a ação como ninguém, deixa o público tenso, parece que estamos dentro das perseguições policiais. São poucas, mas vigorosas sequências de tiroteio e violência, sempre com estilo ímpar de Villeneuve.
Já na abertura dá um choque na plateia com um momento memorável, quando os agentes da Swat invadem um esconderijo de traficantes e encontram cadáveres ocultados dentro das paredes. A cena é uma porrada e incomoda, além de outras que aparecerão nas duas horas seguintes.
O roteiro é de Taylor Sheridan, um ator de seriados americanos, que optou por uma história intensa, sem clichês, sem final feliz – ele ganhou destaque no cinema a partir daí, e no ano seguinte escreveu “A qualquer custo” (2016), pelo qual foi indicado ao Oscar, e em seguida roteirizou e dirigiu o bom thriller “Terra selvagem” (2017). Pode parecer confuso nos primeiros 50 minutos, devido a um monte de personagens, situações que faltam explicação, mas aos poucos a história se clareia até o desfecho brilhante. Parece o filme “Traffic”, com mais violência, pois se concentra no tráfico internacional tratando da corrupção no sul dos Estados Unidos, na extensa fronteira com o México, um lugar sem lei, dominado pelo crime.
É um grandes momentos de Emily Blunt, que deveria ter sido indicada ao Oscar pelo papel da agente do FBI idealista no meio da força-tarefa contra o tráfico. Del Toro arrasa num personagem de poucas falas, parceiro de cena de Brolin, que completa o elenco de primeira linha.
Sobre o título: nos créditos iniciais aparece o significado de “Sicário”, termo que vem dos zelotes de Jerusalém, que eram seguidores de uma seita judaica que propunha luta armada contra os romanos (datada de 2000 anos atrás), dispostos a matar a qualquer custo, e que no México, onde o filme se passa, significa um matador de aluguel sanguinário.


Para mim um dos grandes filmes de ação dessa década, obra intensa e reveladora, rica em imagens simbólicas, de significados perturbadores, reveladora. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes e a três Oscars - fotografia, trilha sonora (novamente parceria firme de Villeneuve com Jóhann Jóhannsson, falecido prematuramente este ano) e edição de som, além de três Bafta (trilha, fotografia e ator coadjuvante para Benicio Del Toro).
Ganhou, este ano, uma continuação decente e envolvente chamada “Sicário: Dia do soldado” (2018), com o retorno de Del Toro e Brolin (sem a presença de Blunt), recém-lançada em DVD pela Sony Pictures. A intenção é ser uma trilogia, com a terceira parte programada para 2020.

Sicário: Terra de ninguém (Sicario). EUA/México, 2015, 121 min. Ação. Colorido. Dirigido por Denis Villeneuve. Distribuição: Paris Filmes