quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Nota do blogueiro


Coisa de cinema! Quatro bons lançamentos em DVD pela Obras-primas do Cinema chegando no mercado brasileiro, para delírio dos cinéfilos: o box John Carpenter, com disco duplo contendo quatro filmes do cineasta - Dark star (1974), Assalto à 13a. DP (1976), Alguém me vigia (1978) e Trilogia do terror (1993); o cultuado Mal do século (1995), de Todd Haynes; a coleção "Sessão anos 80 - volume 3", com quatro produções que marcaram a década de 80 - A inocência do primeiro amor (1986), Namorada de aluguel (1987), Atração mortal (1988) e Ela é o diabo (1989), em disco duplo, com extras e quatro cards colecionáveis; e por último o box "Expressionismo Alemão - volume 3", com cinco obras notáveis do movimento cinematográfico que revolucionou a Sétima Arte. São elas: O estudante de Praga (1913), Fantasma (1922), Tartufo (1925), Variedades (1925) e O homem que ri (1928) - inclui três discos, mais de 90 minutos de extras e cinco cards. Já nas lojas! Obrigado, pessoal da @obrasprimas_docinema, pelo envio dos DVDs.





terça-feira, 18 de setembro de 2018

Resenha Especial


Minions

(* Reedição)

Os Minions habitam o planeta Terra há milhões de anos e sempre serviram os vilões da História. Depois de um terrível incidente, ficam sem um mentor, fazendo com que a comunidade das criaturinhas amarelas entre em depressão na clausura de uma caverna. O tempo passa, e o trio Stuart, Kevin e Bob, planeja uma viagem ao desconhecido para localizar um vilão que compactue com suas ideias. Só que eles não imaginam cruzar, no caminho, com a ameaçadora Scarlett Overkill (voz de Sandra Bullock), detentora de máquinas e poderes fora do comum.

Em comemoração ao Dia das Crianças, a Universal Pictures antecipou o lançamento de um box especial com três fitas de animação para a garotada, que acabaram de chegar em DVD nas lojas, em edições especiais. Neste foram reunidas três produções da Illumination, “Sing – Quem canta seus males espanta” (2016), que recebeu duas indicações ao Globo de Ouro; “Pets – A vida secreta dos bichos” (2016); e este “Minions” (2015), uma aventura descontraída e bem caprichada com os três personagens de destaque do Minions - Stuart, Kevin e Bob, adoráveis criaturas amarelas que apareciam nas fitas da franquia “Meu malvado favorito”. Ganharam o primeiro filme próprio, e aqui podemos ver como tudo começou. De cara, na abertura, ouvimos o grupo soltando a voz para a vinheta da Universal, uma sacada divertida. Logo acompanhamos uma breve linha do tempo com os Minions em passagens da História do Mundo, desde o surgimento da Terra, a briga com dinossauros milhões de anos atrás e até aloprar o exército de Napoleão Bonaparte, por exemplo, embalados pela canção “Happy together”, de The Turtles. No tempo atual, precisamente a década de 60, que é o eixo central da trama, os três Minions mais famosos saem da escuridão (como no Mito da Caverna, de Platão) para alcançar o novo, com a meta de encontrar um vilão que os inspire. É o start de uma jornada frenética, onde percorrerão o mundo, sempre com muita euforia, até cair nas graças da superpoderosa vilã Scarlett Overkill, criada especialmente para este filme.
Do começo ao fim, vai por mim, a animação diverte crianças e adultos, e ainda tem referências cinematográficas e musicais da cultura pop, para os entendidos – como a turbulenta situação político-social dos Estados Unidos no fim da década de 60, com citações à Guerra do Vietnã, movimento hippie, Contracultura etc
As vozes dos Minions, todas feitas pelo diretor, Pierre Coffin, provocam riso à parte - e ainda vemos nomes importantes do cinema emprestar a voz para personagens secundários, como Sandra Bullock, Michael Keaton, Jon Hamm, Allison Janney, Steve Coogan e narração de Geoffrey Rush.
Indicado ao Bafta em 2016 na categoria melhor animação, “Minions” tem trilha sonora assinada pelo brasileiro Heitor Pereira (ex-Simply Red) e fecha com uma sequência surpreendente (não deixem que te contem para não estragar a boa surpresa!).
Assim como os três filmes anteriores de “Meu malvado favorito”, produzidos pela mesma equipe, o orçamento foi parecido (este aqui de U$ 74 milhões) com uma bilheteria estrondosa, de U$ 337 milhões - atingiu os top 10 dos mais rentáveis de 2015. O público lotou as salas, conferiu com prazer, parte dos exigentes esperava mais, a crítica ficou dividida, porém na minha análise, como deu para notar, aprovei o resultado - os Minions deram o ar da graça numa animação engraçada, inteligente, ou seja, um passatempo de primeira qualidade. Já em DVD pela Universal em edição simples e no box. Confira também o extra, o “Jingle Bells” do Minions.

Minions (Idem). EUA, 2015, 91 min. Animação. Dirigido por Kyle Balda e Pierre Coffin. Distribuição: Universal Pictures


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Resenha Especial


Minha primeira caçada

O caçador de cervos Buck Ferguson (Josh Brolin), que apresenta um programa na TV americana, leva seu cinegrafista, Don (Danny McBride), e o filho, Jaden (Montana Jordan), para uma viagem especial num camping de caça. Ele procura por um cervo de cauda branca, raro na região. Só que no caminho o trio irá se envolver em várias aventuras para chegar à floresta onde está o animal, isolada do mundo.

Uma boa comédia de erros produzida pela Netflix, engraçadinha, bem no gosto dos americanos, de apenas 1h23 de duração, lançada na plataforma em julho deste ano. Desde 2017 a Netflix vem lançando uma média de 15 filmes próprios por mês no Brasil, boa parte deles do gênero comédia, e essa fita independente é uma boa aposta, que foi mais apreciada pelos americanos, e aqui no Brasil não pegou.
No elenco temos Josh Brolin, um bom ator versátil que faz de tudo um pouco e vem ganhando destaque em obras importantes do cinema, no papel do protagonista, um caçador e apresentador de um programa sobre caçada de animais selvagens. Ele viaja com o cinegrafista, interpretado pelo comediante e roteirista do filme Danny McBride (aqui melhor que de costume), e o filho adolescente até um camping para encontrar um cervo raro, de cauda branca, mas pelas trilhas da floresta vão se deparar com confusões. O título original faz referência a esse cervo difícil de ser localizado, enquanto a tradução no Brasil faz jus à primeira caçada do garoto Jaden, uma espécie de rito de passagem, uma iniciação à vida adulta, que o pai dele propõe.
Além da comédia o filme procura saídas para o drama, em que pai e filho tentam se reconectar após um tempo afastados, com bons ingredientes desse gênero, sem ser piegas ou choroso, já que o humor se destaca!
Eu gostei, assiste-se facilmente. O resultado deu certo por causa da mão boa do diretor Jody Hill, de fitas de comédias, que escreveu o roteiro ao lado do ator Danny McBride. Vale uma espiada no Netflix.

Minha primeira caçada (The legacy of a whitetail deer hunter). EUA, 2018, 83 min. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Jody Hill. Distribuição: Netflix


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Cine Lançamento


Maria Madalena

Numa comunidade pesqueira, a devotada Maria Madalena (Rooney Mara), contra a vontade dos pais, foge de casa para se juntar a Jesus Cristo (Joaquin Phoenix) e seus apóstolos, que percorrem a região para transmitir ao povo mensagens positivas de amor ao próximo. Ela vai ajudá-los nas pregações, com destino a Jerusalém, numa jornada espiritual que a transformará, assim como irá mudar o rumo daquele grupo de homens de fé.

Uma excelente versão revisionista de uma personagem bíblica controversa, Maria Madalena, que nesta atualização ganha novos entendimentos, por isto uma produção polêmica e que dividiu a opinião do público, principalmente os religiosos.
O promissor cineasta australiano indicado ao Emmy e ao Bafta Garth Davis, que havia feito um belo trabalho em “Lion: Uma jornada para casa” (2016), optou por uma fita de arte de base cristã, porém com amplitudes feministas, de uma outra Maria Madalena, contemporânea, não mais aquela mulher apontada como prostituta, o que produz um efeito catártico aos que estão diante da tela da TV, abrindo reflexões sobre o papel da mulher atual.
Garth Davis contou com a ajuda de duas roteiristas para recriar a difícil versão, Helen Edmundson (de telefilmes britânicos) e Philippa Goslett (que tinha escrito o bom, mas pouco assistido “Poucos cinzas”, de 2008, sobre o pintor Salvador Dalí), e escalou para o papel principal Rooney Mara, numa interpretação impecável, uma das melhores da carreira. Assim acompanhamos de perto a vida de uma jovem humilde, devota e inteligente, isolada numa comunidade de pescadores, na região de Magdala, na antiga Galiléia (por isto Maria Madalena, ou Maria de Magdala). Ela quer sair de lá, briga com a família inteira por não aceitar imposições de um casamento, inclusive pais e irmãos acreditam que ela está possuída por demônios (tem até uma cena discreta de exorcismo, feito nas águas do rio). Contra todos, vai embora de casa e se junta a Cristo e aos apóstolos, que visitavam os arredores. O grupo criava ali um movimento social considerado radical, mal visto pela comunidade – e Maria também passa a ser desprezada, já que as mulheres não se juntavam aos homens nessas andanças. Ela parte para pregar a palavra de Cristo e aprender com ele o resgate dos pobres e oprimidos, cruzando terras infecundas, onde habitam pessoas com lepra e outras doenças.
Corajosa e à frente de seu tempo, Maria rompeu com as tradições familiares e quebrou as rígidas hierarquias da época, tornando-se uma figura messiânica e destacável seguidora de Jesus até a crucificação dele. Para se ter uma ideia da relevância de Maria Madalena, em 2016 o Vaticano a reconheceu como uma mulher fundamental na história de Jesus, que acompanhou de fato os apóstolos em suas peregrinações (no filme ela dividia as caminhadas com o apóstolo Pedro, papel de Chiwetel Ejiofor), e atualmente é reverenciada em diversas culturas e religiões.
Rooney Mara, duas vezes indicada ao Oscar (por “Carol” e “Millennium: Os homens que não amavam as mulheres”), cria a personagem com extrema distinção e brandura, com olhar penetrante e poucas palavras, e o filme narra sempre o seu ponto de vista no grupo dos apóstolos. Joaquin Phoenix faz Jesus, num papel-espelho de Maria, a ponte que liga a razão e a emoção entre a aprendiz e o mestre, numa interpretação incrível de um homem adorado, mas preocupado com o seu destino. Uma curiosidade: Phoenix e Rooney já haviam trabalho duas vezes juntos, em “Ela” (2013) e “Don't worry, he won't get far on foot” (2018, ainda inédito e sem tradução no Brasil).
Outro bom ator que aparece é o francês Tahar Rahim, de filmes como “O profeta” (2009) e “O passado” (2013), no papel de Judas, além de Chiwetel Ejiofor.
Dou destaque ainda para a emocionante trilha sonora, último trabalho do compositor islandês indicado ao Oscar Jóhann Jóhannsson, falecido prematuramente aos 48 anos em fevereiro deste ano, que realizou uma parceria com Hildur Guðnadóttir. O figuro é bonito, de Jacqueline Durran, seis vezes indicada ao Oscar e ganhadora por “Anna Karenina” (2012), e a fotografia, digna de suspiros (de Greig Fraser, indicado ao Oscar por “Lion” e de obras como “A hora mais escura”), rodada em lindas regiões da Itália, como Sicília e Apúlia.
Coproduzido entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, “Maria Madalena” é uma das grandes surpresas do ano, filme lindíssimo e com uma discussão necessária para abrir a nossa mente! Fresquinho em DVD pela Universal!

Maria Madalena (Mary Magdalene). EUA/Reino Unido/Austrália, 2018, 120 min. Drama. Colorido. Dirigido por Garth Davis. Distribuição: Universal Pictures

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Nota do Blogueiro


Sesc, Imes e Senac abrem esta semana mostra com filmes suecos de Bergman

O Sesc Catanduva, em parceria com o Imes e o Senac Catanduva, promove este mês a mostra de cinema “O Lobo à Espreita - Uma Homenagem ao Centenário de Ingmar Bergman”, que conta com exibição de cinco filmes do renomado cineasta sueco que completaria 100 anos em 2018. A mostra vem percorrendo o país pelas unidades do Sesc, e chega a Catanduva a partir desta semana. Serão quatro sessões às quintas e sextas-feiras no período da noite, encerrando a programação com um Cine Debate Especial, no sábado à tarde. A abertura é nesta quarta, dia 05, às 19h30, com o drama indicado ao Bafta “Persona: Quando duas mulheres pecam” (1966). Realizada no auditório do Senac Catanduva, a mostra é gratuita e aberta ao público. Confira abaixo a programação completa com data, horário e os títulos. Participem!

Programação:

Dia 05/09 – 19h30 – Persona: Quando duas mulheres pecam (1966, 85 min)
Dia 06/09 – 19h30 – A hora do lobo (1968, 90 min)
Dia 13/09 – 19h30 – Vergonha (1968, 103 min)
Dia 14/09 – 19h30 – Morangos silvestres (1957, 91 min)
Dia 15/09 – 14h – Sonata de outono (1978, 99 min) – Cine Debate Especial



sábado, 1 de setembro de 2018

Nota do Blogueiro


E tem mais DVDs na parada! Estes são os oito títulos recém-lançados pela parceira Classicline entre os meses de julho e agosto. Filmes de gêneros variados produzidos entre as décadas de 40 e 80, pela primeira vez no Brasil! São eles: Um barco e nove destinos (1944), Fomos os sacrificados (1945), Inspiração trágica (1947), Sinfonia prateada (1952), Gatilhos em duelo (1962), O pistoleiro do Rio Vermelho (1967), Um assaltante bem trapalhão (1969) e Querem me enlouquecer (1987). Um arraso! Já nas lojas. Agradeço a equipe da Classicline pelo envio dos títulos!










Nota do Blogueiro


Em DVD! Olha só o lançamento do mês da CPC-Umes Filmes na série Cinema Soviético: o drama de guerra "O destino de um homem" (1959), licenciado pela Mosfilm e agora pela primeira vez em disco no Brasil. Imperdível aos amantes do cinema cult! Obrigado, pessoal da @cpcumesfilmes, pelo envio do DVD.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cine Lançamento



Paulo, apóstolo de Cristo

Roma, 67 d.C. O apóstolo Paulo de Tarso (James Faulkner) está encarcerado no porão de uma prisão romana, enquanto aguarda sua execução. Velho e doente, ele é constantemente torturado pelos soldados do imperador Nero, e nos poucos momentos de alívio reflete acerca de seu trágico passado. Quando recebe a visita do apóstolo Lucas (Jim Caviezel), que é médico e escritor, Paulo recebe cuidados do amigo e passa a contar a ele sua trajetória de vida. Nascem então as “Cartas de São Paulo”, que se tornaram os textos mais célebres do Novo Testamento.

Um bonito (e triste) retrato do Apóstolo Paulo, que de perseguidor de cristãos converteu-se ao Cristianismo, religião proibida na época, tornando-se um homem idealista e intrépido defensor das palavras de Cristo. De apelo religioso, o filme, uma produção independente norte-americana de qualidade, é o lançamento do mês da Sony Pictures, exibido nos cinemas há três meses com pouca repercussão (eu gostei e acredito que irá agradar aqueles que têm proximidade com fitas bíblicas).
Serve de pesquisa didática para os cristãos estudarem duas figuras interessantes que existiram após a morte de Cristo: Paulo de Tarso (chamado de Saulo, depois São Paulo e também Apóstolo dos Gentios), quando esteve preso, em seus últimos dias de vida, e Lucas, o apóstolo e médico grego, inteligente e sensível, que ficou ao lado de Paulo até a decapitação dele a mando do insano imperador Nero.
Jim Caviezel ressurge das cinzas num bom papel de Lucas, sério e honesto - ele havia sido Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo” (2004), ao lado do inglês James Faulkner, que dá dignidade ao personagem-título, sem cair em melodramas (o ator ficou conhecido no Brasil por séries como “Downton Abbey” e “Game of Thrones”). Ambos procuram sensatez na atuação nutrindo uma química especial, algo que proporciona a luz do filme.
A história não fica presa à relação de amizade dos dois. Aparecem flashbacks do passado trágico de Paulo, quando criança, e misturam-se tramas paralelas, como a de Mauritius, o chefe da prisão romana, que tem a filha doente (papel de outro ator sumido, Olivier Martinez), fechando com uma resolução consistente. Apesar da primeira parte com aparência de fita para TV, tanto a qualidade técnica quanto o roteiro ganham mais vida da metade para frente. O filme é bom e deixo como dica aos interessados!
Foi rodado nas ilhas maltesas, no Mar Mediterrâneo, com custo baixo (U$ 5 milhões), atingindo bilheteria regular para um tipo de obra como essa, por ser bíblica (arrecadou, no total, U$ 23 milhões). O estúdio é o mesmo que realizou filmes de pegada bíblica como “Ressurreição” (2016), e a direção é de Andrew Hyatt, realizador de obras religiosas independentes.

Paulo, apóstolo de Cristo (Paul, apostle of Christ). EUA, 2018, 108 min. Drama. Colorido. Dirigido por Andrew Hyatt. Distribuição: Sony Pictures