segunda-feira, 25 de maio de 2020

Especial - Cinema Espanhol



Especial ‘Cinema Espanhol’ no Netflix

Durante a tormenta

A chegada de uma forte tempestade une duas histórias ocorridas em dois tempos diferentes, separadas por 25 anos, que envolvem um assassinato, um desaparecimento e uma mulher à procura de respostas.

Inesperado sucesso do Netflix, o bom suspense espanhol “Durante a tormenta” entrou na plataforma há dois anos e permanece com aceitação máxima do público. Isso porque o filme tem um roteiro intrigante, que fala sobre “efeito borboleta”. Numa noite de tempestade, dois fatos ocorridos num intervalo de tempo de 25 anos se cruzam: o primeiro é em 1989, quando um garoto presencia um crime e, ao fugir da casa onde viu uma pessoa assassinada, é atropelado e morto. O segundo, em 2014, se passa no local do antigo crime, que agora abriga uma nova família; a dona da casa encontra uma fita pertencente ao menino atropelado e faz contato com ele. Aquilo não será em vão, sua filha desaparece, e ela tem nasmãos o poder de modificar o rumo dessas histórias. Fiz um resumo sem spoiler... prepare-se para momentos de grata surpresa nessa trama complexa, bem escrita, que prende o espectador até decifrar as mensagens nos minutos finais (o final é surpreendente).
É o terceiro trabalho do diretor e roteirista Oriol Paulo, um cineasta com fitas excelentes de mistério, que realizou antes “O corpo” (2012) e outro sucesso do Netflix, “Um contratempo” (2016). Ele sabe compor reviravoltas que nem podemos imaginar, recorrendo ainda ao gênero scifi (aqui com o tema “viagem no tempo”).
Com Chino Darín (filho do maior astro da Argentina, Ricardo Darín), Adriana Ugarte (de “Julieta”, onde interpreta o papel-título do drama de Almodovar), o veterano do cinema espanhol Javier Gutiérrez e participação de Álvaro Morte (o Professor da série de megafama do Netflix “La casa de papel”). Embarque na moda e veja!

Durante a tormenta (Durante la tormenta). Espanha, 2018, 129 minutos. Suspense. Colorido. Dirigido por Oriol Paulo. Distribuição: Netflix

 
As leis da termodinâmica

Um cientista vidrado nas leis da Termodinâmica busca um novo relacionamento amoroso, mas até lá inúmeras confusões pintarão em seu caminho, incluindo uma malsucedida troca de casais.

Podemos encontrar no Netflix essa gostosa comédia romântica criativa, rápida e com humor bem moldado, que relaciona as leis da Física com o poder da paixão/do amor. Do diretor espanhol Mateo Gil, de “Os implacáveis” (2011, com Sam Shepard), passa-se numa bela Barcelona (com locações lindas da cidade de Gaudí), com um protagonista neurótico, um cientista em formação que vê termodinâmica em tudo, principalmente nos namoros. Esse cara termina um romance, emenda em outro, e tudo o que acontecia antes, volta, como crise de ansiedade, troca de casais e confusões amorosas. Porém um novo flerte surge para, quem sabe, colocá-lo no eixo!
A edição do filme é elegantíssima, com fórmulas matemáticas na tela, explicações sobre termos de Física e Química para relacioná-los ao amor, mistura narração off com depoimentos verdadeiros de cientistas e professores sobre o assunto, resumindo, tem uma questão técnica bem curiosa, em tom de documentário.
Assisti zapeando no Netflix, gostei bastante e recomendo. No elenco principal, Vito Sanz (que é um protagonista apenas ok, sem ser marcante), mas em contrapartida tem Chino Darín, que poderia ter ficado com o papel principal, pois é um ator melhor (chegando perto do pai, Ricardo Darín).

As leis da termodinâmica (Las leyes de la termodinâmica). Espanha, 2018, 100 minutos. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por Mateo Gil. Distribuição: Netflix


Viver duas vezes

Aposentado, viúvo e com Alzheimer, o professor de matemática Emilio (Oscar Martínez) não desiste de encontrar um velho amor da juventude, que mora em outro estado. Essa mulher a quem ele se refere o fez crescer e abrir seus olhos quando jovem. Ao lado da neta, Emilio parte para uma viagem para o tão esperado reencontro.

Está na minha lista das melhores comédias dramáticas do Netflix essa que é uma produção original espanhola feita com sensibilidade por uma cineasta catalã, Maria Ripoll. E conduzida por um dos maiores nomes do cinema argentino, Oscar Martinez, de “O cidadão ilustre” (2016), que se divide entre produções do seu país e na Espanha. Singular, objetivo, o filme independente toca num assunto difícil e bem sério, o Alzheimer, porém utilizando o humor como arma de reflexão, ou seja, não faz a fita ser dura para acompanharmos (pelo contrário). Na trama, a doença do protagonista o faz retomar os laços familiares, com a neta pequena e com a filha-problema. Com a garotinha parte para uma viagem (o filme vira um road movie romântico) em busca do amor que teve na época de jovem. A filha não aprova a ideia, pois, para ela, é uma provocação à família e à memória da mãe falecida; mesmo assim aquele homem solitário corre contra o tempo para o reencontro, à medida que a memória vai falhando um pouco a cada dia.
Gostou? Então assista a esse filme que diverte, comove, fecha com uma sequência bonita, e funciona com um time de atores afinados em uma lição de amor e de vida.

Viver duas vezes (Vivir dos veces). Espanha, 2019, 101 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Maria Ripoll. Distribuição: Netflix

 
Toc Toc

Na sala de espera de um consultório, um grupo de pacientes com TOC aguarda a chegada do médico. Ele não aparece, então resolvem fazer uma terapia em grupo ali mesmo, com consequências engraçadíssimas.

Distribuído nos cinemas espanhóis pela Warner Bros em 2017, “Toc Toc”, no ano seguinte, teve os direitos de exibição comprados pelo Netflix, e desde essa época permanece no catálogo das produções com o selo da empresa (isso costuma acontecer em fitas independentes que entram num circuito restrito, ganham certo comentário positivo da crítica e do público, e daí o Netflix negocia a ampliação, inserindo-as em seu streaming para todos os países).
Essa comédia engraçadíssima é uma adaptação espanhola de um telefilme francês de 2008, por sua vez baseado na peça de Laurent Baffie (encenada por vários anos no Brasil, com Sandra Pêra no elenco, um sucesso nos palcos por aqui). Marcado pelo estilo teatral, traz um punhado de personagens com transtornos obsessivo-compulsivos fechados num mesmo ambiente, que é a sala de espera de um consultório médico. O longa mostra esses comportamentos extravagantes, estranhos, com casos que vão da Síndrome de Tourette (o doente xinga, faz gestos obscenos) à mania de limpeza/higiene. Todos, ansiosos à espera do médico que nunca chega... até que resolvem contornar a situação, iniciando uma terapia em grupo, com resultado hilário!
Tem os melhores atores espanhóis e argentinos da safra atual, Paco Leon, Rossy De Palma (dos filmes de Almodóvar), Oscar Martinez, e um desfecho-surpresa, que possibilita uma continuação.
A gente ri até dizer chega dos problemas dos outros nessa história maluca (os transtornos são graves, e o filme escorre para o humor proposital, assumindo o pastelão). Está no Netflix há um ano e continua fazendo sucesso no Brasil. Para dar gargalhadas sem moderação!

Toc Toc (Idem). Espanha, 2017, 96 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Vicente Villanueva. Distribuição: Netflix

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