A cruz de ferro
Com cenas típicas do diretor, de tiros e mortes em câmera lenta (característica fecunda do cineasta), e um vasto material de arquivo (vídeos e fotos da Segunda Guerra Mundial, no caso), tem um humor cínico e reviravoltas marcantes. Quebra o estereótipo dos nazistas vilões para mostrá-los como soldados quaisquer em meio à dureza de uma guerra. Fala da truculência dos inimigos (no caso os soviéticos e os americanos) e das artimanhas de sobrevivência no meio do caos. Um dos mais complexos personagens da história é o capitão Stransky (interpretado pelo ótimo Maximilian Schell), um homem já cansado da guerra que envia a tropa atrás da cruz somente para satisfazer seu ego e honrar o nome da família (e também de ganhar mais um item para sua coleção particular).
Complementam o time de astros e estrelas James Coburn, James Mason, David Warner e Senta Berger. Teve uma continuação bem inferior dois anos depois, “Ruptura das linhas inimigas” (1979), com novo diretor, produtor e elenco (incluindo Richard Burton e Rod Steiger).
O filme pode ser encontrado em mídia física no Brasil em diversas cópias. Em agosto deste ano ele saiu em bluray pela Versátil Home Video, com excelente cópia restaurada pela StudioCanal, companhia francesa que integra a Canal+ Group, na metragem sem cortes, de 132 minutos, a melhor até agora do mercado. A restauração em 4K deu-se a partir do negativo original em 35mm, e o filme saiu dentro do box ‘Peckinpah Essencial’ - foto abaixo – é uma caixa com dois discos em bluray que trazem também, em inéditas cópias restauradas em 4K, ‘Meu ódio será sua herança’ (1969 – na versão do diretor, de 145 minutos), ‘Sob o domínio do medo’ (1971 – versão sem cortes, de 118 minutos) e ‘Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia’ (1974). Nos discos há cinco horas de material extra, além de acompanhar um livreto de 44 páginas e cards colecionáveis. Em DVD o filme pode ser encontrado pela Classicline, também na metragem sem cortes, de 132 minutos – a versão de cinema é de 119 minutos; em 2022 a Classicline relançou o filme numa caixa em disco triplo (3 DVDs) chamada “Coleção Cruz de ferro”, contendo tanto o filme de 1977 quanto a continuação, “Ruptura das linhas inimigas”, esse em duas versões (a versão americana, chamada de ‘estendida’, de 111 minutos, e a compacta, com 83 minutos, exibida na TV brasileira, com dublagem da época).




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