quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Resenha especial

 
A cruz de ferro
 
* Resenha reeditada
 
Em 1943, no auge da Segunda Guerra, Rolf Steiner (James Coburn) é promovido a sargento e recebe a dura missão do capitão Stransky (Maximilian Schell) de localizar a cruz de ferro de um tenente morto em combate. Para satisfazer a vontade do chefe, Steiner desloca um grupo de homens destemidos, sem saber o que encontrará pelo caminho.
 
Sam Peckinpah (1925-1984), apelidado em Hollywood de ‘poeta da violência’, dirigiu com muita dificuldade esse filme de guerra violento, considerado por Orson Welles um dos melhores do tema já produzidos no cinema. O diretor de obras-primas como “Meu ódio será sua herança” (1969) e “Sob do domínio do medo” (1971) demorou para levantar recursos financeiros para o projeto, e estava consumido pelo álcool (Peckinpah era viciado em bebida). Mas nada disso atrapalhou a conclusão desse filme visceral, produzido no Reino Unido e na Alemanha Ocidental e rodado na antiga Iugoslávia. A complexa trama, baseada no livro do alemão Willi Heinrich, traz um sargento recém-nomeado que recebe a missão quase suicida de satisfazer o ego de um melancólico capitão nazista, de obter a cruz de ferro de um tenente morto. Vale destacar que a tal cruz de ferro era uma condecoração militar única e preciosa, originalmente do Reino da Prússia e depois utilizada no Império Alemão e objeto de desejo no Terceiro Reich, exclusiva dos tempos de guerra. Receoso quanto à missão, o sargento reúne homens para se jogar no front para encontrar a almejada cruz.
Com cenas típicas do diretor, de tiros e mortes em câmera lenta (característica fecunda do cineasta), e um vasto material de arquivo (vídeos e fotos da Segunda Guerra Mundial, no caso), tem um humor cínico e reviravoltas marcantes. Quebra o estereótipo dos nazistas vilões para mostrá-los como soldados quaisquer em meio à dureza de uma guerra. Fala da truculência dos inimigos (no caso os soviéticos e os americanos) e das artimanhas de sobrevivência no meio do caos. Um dos mais complexos personagens da história é o capitão Stransky (interpretado pelo ótimo Maximilian Schell), um homem já cansado da guerra que envia a tropa atrás da cruz somente para satisfazer seu ego e honrar o nome da família (e também de ganhar mais um item para sua coleção particular).



Complementam o time de astros e estrelas James Coburn, James Mason, David Warner e Senta Berger. Teve uma continuação bem inferior dois anos depois, “Ruptura das linhas inimigas” (1979), com novo diretor, produtor e elenco (incluindo Richard Burton e Rod Steiger).
O filme pode ser encontrado em mídia física no Brasil em diversas cópias. Em agosto deste ano ele saiu em bluray pela Versátil Home Video, com excelente cópia restaurada pela StudioCanal, companhia francesa que integra a Canal+ Group, na metragem sem cortes, de 132 minutos, a melhor até agora do mercado. A restauração em 4K deu-se a partir do negativo original em 35mm, e o filme saiu dentro do box ‘Peckinpah Essencial’ - foto abaixo – é uma caixa com dois discos em bluray que trazem também, em inéditas cópias restauradas em 4K, ‘Meu ódio será sua herança’ (1969 – na versão do diretor, de 145 minutos), ‘Sob o domínio do medo’ (1971 – versão sem cortes, de 118 minutos) e ‘Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia’ (1974). Nos discos há cinco horas de material extra, além de acompanhar um livreto de 44 páginas e cards colecionáveis. Em DVD o filme pode ser encontrado pela Classicline, também na metragem sem cortes, de 132 minutos – a versão de cinema é de 119 minutos; em 2022 a Classicline relançou o filme numa caixa em disco triplo (3 DVDs) chamada “Coleção Cruz de ferro”, contendo tanto o filme de 1977 quanto a continuação, “Ruptura das linhas inimigas”, esse em duas versões (a versão americana, chamada de ‘estendida’, de 111 minutos, e a compacta, com 83 minutos, exibida na TV brasileira, com dublagem da época).



 
A cruz de ferro (Cross of iron). Reino Unido/Alemanha, 1977, 132 minutos. Guerra. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Sam Peckinpah. Distribuição: Versátil Home Video (Bluray de 2025) e Classicline (DVD de 2022)
 
* Resenha reeditada do texto original publicado em 24/12/2022

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