sábado, 14 de maio de 2011

Especiais sobre cinema

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Um norte-americano na Revolução Russa

Por Felipe Brida *


Lançado em 1981, o épico moderno Reds retrata com seriedade e precisão a trajetória do jornalista John Reed (1887-1920), que, após viajar o mundo para cobrir guerras e revoluções no início do século 20, identificou-se com o comunismo na Rússia e muda para o país com o intuito de conhecer seus ideais. Lá, aprendeu a cartilha da Revolução Bolchevique, tornou-se ativista do sistema de governo e, ao retornar aos Estados Unidos, iniciou a formação do Partido dos Trabalhadores.
Reed vivenciou um período da história contemporânea de grandes transformações sociais e políticas em todo o mundo. Absorveu conceitos e estratégias daquela nova forma de política, baseada no notório Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, que afrontava diretamente o capitalismo reinante. Com apenas 28 anos, ficou famoso pelos discursos inflamados e influenciou futuras gerações de ativistas.
Com mais de três horas de duração, o filme apresenta todos esses momentos da vida do jornalista. Para interpretar o personagem principal, Warren Beatty (também diretor e roteirista do Reds) estudou a fundo o biografado e, durante as gravações na Rússia, colheu uma série de depoimentos de pessoas que tiveram contato com Reed, além de amigos de infância e colegas de profissão. Tais comentários foram incluídos ao longo do filme e permitem entender melhor a Revolução Russa.
A película não se prende ao panorama histórico e acompanha com rigor o relacionamento entre Reed e a escritora feminista Louise Bryant (1885-1936), o grande amor de sua vida, interpretada por Diane Keaton. Com 12 indicações ao Oscar em 1982, foi premiado em três categoriais: diretor, atriz coadjuvante (Maureen Stapleton) e fotografia (Vittorio Storaro).

A revolução e os personagens de Reds

Em 1917, a Revolução Russa ganhou projeção mundo afora e seus preceitos foram disseminados para outros países. Lênin foi um dos principais atores do movimento e, influenciado pela obra de Karl Marx, colocou em prática seus ideais em prol dos operários, que passaram a reivindicar melhores condições de trabalho e a organizar greves e paralisações nas fábricas. Foi um momento em que grande parte da classe trabalhadora foi à luta contra o setor dominante, detentor do poder.
Em Reds, a revolução em si aparece na metade do filme, quando Reed escreve os primeiros capítulos do seu famoso livro "Dez Dias que Abalaram o Mundo", que aborda todo o processo. Paralelamente à explosão do movimento, o jornalista descobre a traição de Louise, que mantinha um caso com o dramaturgo anarquista Eugene O’Neill (interpretado de forma marcante por Jack Nicholson). Nesse momento, resolve isolar-se na Rússia e volta a ter contatos frequentes e sigilosos com a velha amiga Emma Goldman (papel de Maureen Stapleton), que teve grande influência no desenvolvimento do Anarquismo na América do Norte.
A luta de Reed terminou em 1920, quando morreu de tifo em um hospital de Moscou. Ele foi o único norte-americano a ser enterrado com honras de herói na Rússia, próximo ao Palácio do Kremlin, na Praça Vermelha.

Ficha técnica

Título original e em português: Reds
País/Ano: Estados Unidos, 1981
Gênero: Drama
Duração: 195 minutos
Direção: Warren Beatty
Distribuição em DVD no Brasil: Paramount Pictures

* Publicado na coluna "Cine na Intra", no site do Senac São Paulo (www.sp.senac.br), em 25 de março de 2011

Um comentário:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Grande filme, Felipe. Revi um dia desses e fiquei vivamente encantado.
Apareça!

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