terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Nota do blogueiro

 
Cine Debate abre programação de 2026 com o premiado ‘Anora’
 
O Cine Debate, projeto de extensão do Imes Catanduva, abre 2026 com uma programação repleta de filmes premiados, de várias origens e épocas. Neste sábado, dia 31/01, a partir das 14 horas, o projeto retorna com a exibição de “Anora” (2024, de 139 minutos), produção independente norte-americana vencedora da Palma de Ouro no Festival de Cannes e também de cinco Oscars (melhor filme, melhor direção para Sean Baker, melhor atriz para Mikey Madison, melhor roteiro original e melhor edição). A comédia dramática virou sensação em festivais do mundo inteiro, indicado e premiado ainda no Bafta e no Critics Choice. Sessão e debate são gratuitos e abertos ao público, na sala de ginástica do Sesc Catanduva, conduzidos pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, crítico de cinema e professor do Imes Felipe Brida.


 
Sinopse – Anora (Mikey Madison) é uma jovem stripper do Brooklyn, que trabalha em uma badalada boate. Certa noite, conhece Ivan (Mark Eydelshteyn), filho de um oligarca russo, um dos homens mais ricos de seu país. Eles se casam por impulso, numa festa privada, e vivem um conto de fadas. Até que os pais descobrem o passado de Anora decidindo anular o casamento dos dois.
 
Cine Debate
 
O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do Imes Catanduva em parceria com o Sesc Catanduva. Completa 14 anos em 2026 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. No próximo mês (em 28/02) o filme exibido no projeto será “Sonhar com leões” (2024), coprodução Brasil, Espanha e Portugal, com Denise Fraga no elenco. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

domingo, 25 de janeiro de 2026

Especial de cinema

 
Festival de Berlim chega à 76ª edição e anuncia filmes da programação
 
O 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o Berlinale, apresenta ao público, neste ano de 2026, uma programação repleta de filmes históricos e sociais. Os organizadores do festival anunciaram, na última quarta-feira, em coletiva de imprensa, os títulos que serão exibidos em todas as seções do evento. A Berlinale acontece na capital alemã, entre os dias 12 e 22 de fevereiro, tendo o cineasta alemão Wim Wenders como presidente do júri internacional. A atriz Michelle Yeoh será agraciada com o Urso de Ouro Honorário, enquanto o compositor Max Richter receberá das mãos da diretora Chloé Zhao o prêmio Berlinale Camera – os dois trabalharam juntos em ‘Hamnet – A vida antes de Hamlet’, filme pelo qual ele acaba de receber indicação ao Oscar de melhor trilha sonora. O cinema brasileiro marca presença com oito produções espalhadas em diferentes seções; são eles ‘Se eu fosse vivo... vivia’, de André Novais Oliveira, que integra a seção Panorama; ‘A fabulosa máquina do tempo’, de Eliza Capai, ‘Papaya’, animação de Priscilla Kellen, e ‘Feito pipa’, de Alan Deberton, os três na seção Generation Kplus; ‘Quatro meninas’, de Karen Suzane, na programação da Generation 14plus, além de ‘Fiz um foguete imaginando que você vinha’, de Janaina Marques, na seção Forum, ‘Nosso segredo’, dirigido pela atriz Grace Passô, que integra a Perspectives, nova seção competitiva do festival, e o curta ‘Floresta do fim do mundo’, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa, que estará no Forum Expanded.


Um dos mais famosos festivais de cinema do mundo, a Berlinale terá como filme de abertura a produção afegã ‘No good men’, comédia dramática de cunho político da premiada diretora Shahrbanoo Sadat. Na competição principal, 22 filmes disputam o Urso de Ouro e o Urso de Prata. Entre os destaques estão longas que exploram temas contemporâneos como migração, identidade e transformações sociais. Alguns deles são o novo trabalho do cineasta brasileiro Karim Aïnouz, a coprodução Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha ‘Rosebush pruning’, que conta com um elenco estelar, como Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Elle Fanning e Pamela Anderson; o drama ‘At the sea’, do húngaro Kornél Mundruczó, com Amy Adams; a animação japonesa ‘A new dawn’, de Yoshitoshi Shinomiya; ‘Yellow letters’, do multipremiado diretor turco İlker Çatak; ‘Josephine’, da cineasta brasileira de ascendência chinesa e americana Beth de Araújo, com Channing Tatum; a produção mexicana ‘Moscas’, de Fernando Eimbcke; ‘Queen at sea’, produção britânica com Juliette Binoche e Tom Courtenay; o drama de época austríaco ‘Rose’, com Sandra Hüller; e o drama com terror ‘Nightborn’, com Rupert Grint.


A nova seção do festival, Perspectives, apresentará 14 filmes autorais, sendo 11 deles première mundial e seis dirigidos por mulheres. Dentre os títulos estão a coprodução Noruega e Reino Unido ‘A prayer for the dying’, com Johnny Flynn e John C. Reilly, e o britânico ‘Animol’, com Stephen Graham. Já a seção Forum, que traz longas e curtas experimentais e independentes, com foco em discussão sobre política e diversidade cultural, apresenta este ano 32 filmes, como o documentário norte-americano ‘Barbara Forever’, o terror com comédia indonésio ‘Ghost in the cell’, o drama sul-coreano ‘My name’ e a cópia restaurada de ‘O casamento do meu irmão’, produção de 1983, de Charles Burnett. Haverá ainda a seção Forum Special, com diversos títulos, e o Forum Expanded, com 21 longas e curtas novos e restaurados, sendo eles filmes ficcionais e documentários de países como Singapura, Colômbia, Indonésia, Alemanha, República Democrática do Congo e Itália. A seção Panorama reúne 37 títulos de 36 países, mostra dedicada a filmes disruptivos na linguagem e de conteúdos inovadores. É uma das mais aguardadas do festival, e contará com títulos como ‘Only rebels win’ (filme libanês que será a abertura do Panorama, cujo elenco conta com Hiam Abbass); ‘The days she returns’, do sul-coreano Hong Sangsoo; a coprodução Brasil e França ‘Isabel’, com Marina Person; o norte-americano ‘Mouse’, com Sophie Okonedo; e a coprodução Estados Unidos e Reino Unido ‘The moment’, com Charli xcx, Alexander Skarsgård e Rosanna Arquette. Nas seções Generation 14plus e Generation Kplus, dedicadas a filmes com temáticas e protagonistas infantojuvenis, serão 18 longas e 23 curtas do mundo todo, dentre eles a coprodução Índia e Singapura ‘Not a hero’, de Rima Das, e o britânico ‘Sunny dancer’, com Bella Ramsey e Neil Patrick Harris. Outras seções são a Berlinale Special, com 19 obras, incluindo documentários e séries que exploram temas culturais e políticos, distribuídos em dois eventos, Gala e Midnight, dentre eles ‘Boa sorte, divirta-se, não morra’, de Gore Verbinski, com Sam Rockwell; ‘O testamento de Ann Lee’, com Amanda Seyfried; ‘The blood countess’, com Isabelle Huppert; o documentário americano ‘The ballad of Judas Priest’; ‘The only living pickpocket in New York’, com John Turturro; e novas séries como a chilena ‘A casa dos espíritos’ e as britânicas ‘O senhor das moscas’ e ‘The story of documentary film’, este dirigido pelo premiado cineasta Mark Cousins.


Na Berlinale Classics serão 10 filmes de nove países, todos em nova restauração 4K, como o japonês ‘Introdução à Antropologia’ (1966), de Shōhei Imamura; o alemão ‘Segredos de uma alma’ (1926), de Georg Wilhelm Pabst; o suspense/terror soviético ‘O hotel do alpinista morto’ (1979), de Grigori Kromanov; o anime japonês ‘Ninja scroll’ (1993); e ‘Despedida em Las Vegas’ (1995), de Mike Figgis, drama que deu a Nicolas Cage o Oscar de melhor atopr. Para finalizar, na Berlinale Shorts serão 21 filmes, todos inéditos, de países como Senegal, Áustria, Alemanha, Espanha e Romênia.
Vitrine para os principais filmes da temporada de 2026, a Berlinale foi fundada em 1951. Ao lado de Cannes e Veneza, é um dos festivais mais importantes da Europa. Desde 2000 o palco central de exibições e recepção de convidados é o Theatre am Potsdamer Platz, conhecido como ‘Berlinale Palast’.




A programação completa com os horários e salas de cada filme será divulgado em breve no site da Berlinale, em https://www.berlinale.de/en/home.html

* Fotos extraídas do site oficial da Berlinale
 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming


A única saída
 
Visionário, com seu típico humor macabro e recorrendo ao clima de paranoia como fez em ‘Old boy’ (2003), o multipremiado cineasta sul-coreano Park Chan-wook entrega aqui sua versão do livro ‘The ax’, de Donald E. Westlake, que já havia inspirado a ótima comédia de suspense ‘O corte’ (2005), de Costa-Gavras. Park transporta a história de ambição e disputa a todo custo para seu país natal, no tempo atual. Os 25 anos de experiência como executivo no ramo de fabricação de papel não seguraram no emprego Man-soo (Lee Byung-hun); ele acaba de ser demitido da empresa com uma leva de outros funcionários. Seu mundo desaba, já que leva uma boa vida, numa casa luxuosa com seus dois filhos e a esposa dedicada. Com o passar das semanas, a crise financeira vem, mas ele não pretende vender a casa nem cortar gastos. Até que resolve jogar todas as fichas numa vaga em outra empresa do ramo papeleiro, mesmo que tenha de eliminar a concorrência (no sentido literal mesmo). Comédia perturbadora, violência e sangue, suspense e sequências absurdas tomam conta do novo trabalho de Park. É crítico e divertido, um longa inteligente, para se prestar atenção nos detalhes e nos diálogos, pois é um vai-e-vem de personagens e subtramas. O ator Lee Byung-hun segura o filme, e é um primor o domínio do diretor, considerado um dos nomes mais importantes do cinema contemporâneo, que revolucionou o cinema de ação contemporâneo com ‘Old boy’ e tantas obras notórias que são uma pancada. Exibido no Festival de Veneza e no Festival de Toronto, onde recebeu o prêmio do público de melhor filme internacional, o assisti na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda com o título em inglês, ‘No other choice’. Estranhamente foi esquecido no Oscar deste ano, não recebendo nenhuma indicação – no Globo de Ouro teve indicações de melhor filme – comédia ou musical, filme de língua não-inglesa e ator para Lee Byung-hun. Estreou ontem em cinemas brasileiros de 21 cidades, com distribuição da Mares Filmes e a Mubi.
 

O ônibus perdido
 
Exibido no Festival de Toronto, o drama de ação inspirado em caso verídico acaba de receber indicação ao Oscar de melhor efeitos visuais. O filme adapta para as telas o livro ‘Paradise: One town's struggle to survive an american wildfire’, da jornalista Lizzie Johnson, então repórter em Los Angeles e hoje correspondente do Washington Post na Ucrânia. Livro e filme narram a trajetória de um homem que virou herói nacional durante o devastador caso ‘Camp Fire’, considerado o incêndio mais letal da história da Califórnia, ocorrido em 2018. Kevin McKay, um motorista escolar com apenas um mês de experiência na função, conduziu um ônibus perdido em meio às chamas, levando dentro 22 crianças e uma professora. Sem saber para onde ir, isolado em uma região sem comunicação, com fumaça para todo lado, McKay passou horas no volante driblando as chamas para salvar os passageiros. A narrativa tensa do filme reflete o caos e a coragem que marcaram aquele dia – a jornalista Lizzie acompanhou a tragédia trazendo para o livro a história desse homem. O caso Camp Fire envolveu um incêndio que teve início em 8 de novembro de 2018 em Butte County, causado por falhas em linhas de transmissão de uma empresa de eletricidade e gás natural. O fogo espalhou-se rapidamente, e a cidade de Paradise, onde o filme acontece, foi totalmente destruída. O saldo foi de 85 mortos, 52 mil moradores evacuados e 18 mil casas e comércio destruídos, e uma área queimada de mais de 62 mil hectares. Os prejuízos giraram em torno de US$ 16 bilhões. A direção do filme é competente, de um cineasta que admiro e sigo há muito tempo, o inglês Paul Greengrass, que costuma fazer obras angustiantes com seu peculiar olhar cinematográfico. Ele segue um estilo documental e utiliza câmeras de mão para criar realismo. Ex-jornalista, Greengrass dirigiu longas reais sobre desastres e ataques terroristas, como ‘Domingo sangrento’ (2002), sobre o massacre de manifestantes em uma passeata na Irlanda do Norte que explodiu em uma terrível guerra civil no país em 1972, ‘Voo United 93’ (2006), que recria os ataques de 11 de setembro, e ‘22 de julho’ (2018), sobre os atentados na Noruega de 2011 que mataram 77 pessoas, além de sucessos comerciais como os dois últimos filmes da trilogia de Jason Bourne. Para o elenco de ‘O ônibus perdido’, escalou Matthew McConaughey, que entrega um tour de force como o heroico motorista Kevin McKay, e America Ferrera, no papel da professora que está com as crianças no ônibus. Os dois estão sublimes, em papeis muito humanos, num filme movimentado, que não deixa de lembrar toda uma mobilização comunitária que ajudou a socorrer vítimas e a controlar o caótico episódio. Produção da Apple TV, está disponível no streaming.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Especial de cinema

 
Oscar 2026: ‘O agente secreto’ é indicado em quatro categorias em anúncio histórico
 
Os brasileiros passaram o dia todo comemorando nas redes sociais após as indicações do filme ‘O agente secreto’ ao Oscar 2026. Nesta manhã, em Los Angeles, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas fez o anúncio oficial dos nomeados. O filme brasileiro concorre em quatro categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor seleção de elenco/casting, a mais nova seção do Oscar, lançada neste ano. O momento, histórico e marcante, coloca o país páreo na disputa. É a segunda vez de um filme brasileiro concorrer com o maior número de indicações, equiparando-se a ‘Cidade de Deus’ (2002), que também teve quatro nomeações. No ano passado, ‘Ainda estou aqui’ levou o cinema brasileiro para todos os cantos do mundo e recebeu três indicações ao Oscar – vencendo a de melhor filme internacional (a primeira estatueta para o país). ‘O agente secreto’ repete o feito, após longa campanha em festivais e inserção do longa nas salas dos Estados Unidos e do mundo. Outro brasileiro também foi lembrado hoje no anúncio da Academia – trata-se de Adolpho Veloso, nomeado como melhor diretor de fotografia pela produção norte-americana ‘Sonhos de trem’.


Filmes box office receberam inúmeras indicações hoje: ‘Pecadores’ quebrou um recorde, entrando para a História como o filme com mais nomeações, em 16 notáveis categorias, seguido de ‘Uma batalha após a outra’, com 13. ‘Frankenstein’, ‘Marty Supreme’ e ‘Valor sentimental’ empataram com nove cada, seguido por ‘Hamnet – A vida antes de Hamlet’, que recebeu oito. Já ‘Bugonia’ e ‘F1: O filme' ficaram empatados com ‘O agente secreto’, com quatro indicações cada um dos filmes.
A 98ª festa de entrega do Oscar será realizada no Teatro Dolby, em Los Angeles, no dia 15 de março, com transmissão no Brasil pela TNT, HBO Max e Rede Globo, além do site do G1 e também pelo Youtube da Academia.
Confira abaixo a lista completa dos indicados.
 
Melhor filme
 
'Bugonia'
'F1: O filme'
'Frankenstein'
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Marty Supreme'
'Uma batalha após a outra'
'O agente secreto'
'Valor sentimental'
'Pecadores'
'Sonhos de trem'
 
Direção
 
Chloé Zhao, 'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
Josh Safdie, 'Marty Supreme'
Paul Thomas Anderson, 'Uma batalha após a outra'
Joachim Trier, 'Valor sentimental'
Ryan Coogler, 'Pecadores'
 
Atriz
 
Jessie Buckley, 'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
Rose Byrne, 'Se eu tivesse pernas, eu te chutaria'
Kate Hudson, 'Song Sung Blue - Um sonho a dois'
Renate Reinsve, 'Valor sentimental'
Emma Stone, 'Bugonia'
 
Ator
 
Timothée Chalamet, 'Marty Supreme'
Leonardo DiCaprio, 'Uma batalha após a outra'
Ethan Hawke, 'Blue Moon'
Michael B. Jordan, 'Pecadores'
Wagner Moura, 'O agente secreto'
 


Atriz coadjuvante
 
Elle Fanning, 'Valor sentimental'
Inga Ibsdotter Lilleaas, 'Valor sentimental'
Amy Madigan, 'A hora do mal'
Wunmi Mosaku, 'Pecadores'
Teyana Taylor, 'Uma batalha após a outra'
 
Ator coadjuvante
 
Benicio Del Toro, 'Uma batalha após a outra'
Jacob Elordi, 'Frankenstein'
Delroy Lindo, 'Pecadores'
Sean Penn, 'Uma batalha após a outra'
Stellan Skarsgård, 'Valor sentimental'
 
Roteiro original
 
'Blue Moon'
'Foi apenas um acidente'
'Marty Supreme'
'Valor sentimental'
'Pecadores'
 
Roteiro adaptado
 
'Uma batalha após a outra'
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Bugonia”
'Sonhos de trem'
'Frankenstein'
 
Filme internacional
 
'Foi apenas um acidente' - França
'O agente secreto' - Brasil
'Valor sentimental' - Noruega
'A voz de Hind Rajab' - Tunísia
'Sirât' - Espanha
 
Animação
 
'Guerreiras do K-Pop'
'Zootopia 2'
'Arco'
'Elio'
'A pequena Amélie'
 

Documentário
 
'A vizinha perfeita'
'Alabama: Presos do sistema'
'Embaixo da luz de neon'
'Rompendo rochas'
'Mr. Nobody against Putin'
 
Som
 
'F1: O filme'
'Frankenstein'
'Uma batalha após a outra'
'Pecadores'
'Sirât'
 
Montagem
 
'F1: O filme'
'Marty Supreme'
'Uma batalha após a outra'
'Valor sentimental'
'Pecadores'
 
Direção de arte
 
'Frankenstein'
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Marty Supreme'
'Uma batalha após a outra'
'Pecadores'


 
Fotografia
 
'Pecadores'
'Uma batalha após a outra'
'Sonhos de trem'
'Frankenstein'
'Marty Supreme'
 
Efeitos visuais
 
'Avatar: Fogo e cinzas'
'F1: O filme'
'Jurassic World: Recomeço'
'O ônibus perdido'
'Pecadores'
 
Canção original
 
'Dear me', de 'Diane Warren: Relentless'
'Golden', de 'Guerreiras do K-Pop'
'I lied to you”', de 'Pecadores'
'Sweet dreams of Joy', de 'Viva Verdi!'
'Train dreams', de 'Sonhos de trem'
 
Maquiagem e cabelo
 
'Frankenstein'
'Kokuho: O preço da perfeição '
'Pecadores'
'Coração de lutador: The Smashing Machine'
'A meia-irmã feia'
 

Figurino
 
'Avatar: Fogo e cinzas'
'Frankenstein'
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Marty Supreme'
'Pecadores'
 
Elenco/Casting
 
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Marty Supreme'
'Uma batalha após a outra'
'O agente secreto'
'Pecadores'
 
Trilha sonora original
 
'Bugonia'
'Frankenstein'
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Uma batalha após a outra'
'Pecadores'
 
Curta-metragem em live-action
 
'Butcher's stain'
'A friend of Dorothy'
'Jane Austen's period drama'
'The singers'
'Two people exchanging saliva'
 
Animação de curta-metragem
 
'Butterfly'
'Forevergreen'
'The girl who cried pearls'
'Retirement Plan'
'The Three Sisters'
 
Melhor documentário em curta-metragem
 
'Quartos vazios'
'Armado com uma câmera: Vida e morte de Brent Renaud'
'Children no more: “Were and are gone'
'O diabo não tem descanso'
'Perfectly a strangeness'
 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 3


Nouvelle Vague
 
O cineasta norte-americano Richard Linklater completou 65 anos de idade e 40 de carreira, um contador de histórias originais cujos filmes dividem muito a opinião dos críticos. Em 2025 ele lançou dois longas com ambientação real e histórica – ‘Blue Moon’, que se passa nos anos 40 e trata do fim parceria musical de Lorenz Hart e Richard Rodgers, e ‘Nouvelle Vague’, que presta uma singela homenagem ao movimento cinematográfico francês das décadas de 50 e 60 que revolucionou a linguagem da Sétima Arte. Eu curti ambos quando os assisti na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro passado. ‘Nouvelle Vague’, uma coprodução Estados Unidos e França, reimagina os bastidores da gravação de ‘Acossado’ (1960), filme icônico do movimento francês, idealizado por um dos cineastas mais célebres daquele período, Jean-Luc Godard. Linklater mergulhou no processo de criação daquela obra, desde a escrita do roteiro (feita a seis mãos, por Godard, François Truffaut e Claude Chabrol, também idealizadores da Nouvelle Vague), até a escolha do elenco e as gravações pelas ruas de Paris. Metalinguístico, o longa foca nos altos e baixos dos bastidores de produção de um filme, como conflitos na escrita do roteiro, exigências estressantes dos diretores, a busca pelo elenco ideal e problemas relacionais na equipe. O filme foi rodado em preto-e-branco e conduzido por uma linguagem singular – repare nos enquadramentos e cortes, com interferências de quebra da quarta parede, como ‘Acossado’ fez de verdade. Outro destaque da linguagem do filme é um certo estilo documental, uma homenagem direta ao espírito inovador da Nouvelle Vague. Momentos de humor crítico e sagaz com passagens dramáticas delineiam a construção desse filme caprichado, de pura qualidade estética, que traz um pouco da Paris da revolução cultural daquele período, bem como do movimento Nouvelle Vague, marcado pela Política do Autor e pelas experimentações artísticas da juventude do pós-guerra. O elenco é liderado por Guillaume Marbeck na pele de Godard, Zoey Deutch interpretando Jean Seberg e Aubry Dullin como Jean-Paul Belmondo – os três estão formidáveis, com caracterização que lembram os reais artistas. O longa foi selecionado para o Festival de Cannes de 2025, disputando a Palma de Ouro, além de ter recebido indicação ao Gotham Awards na categoria de filme internacional e ao Globo de Ouro de melhor filme – comédia ou musical. Continua em cartaz nos cinemas, com distribuição pela Mares Filmes e Alpha Filmes.
 

 
A useful ghost - Uma ajuda do além
 
Vencedor do Grand Prix da Semana da Crítica em Cannes de 2025, o inusitado longa-metragem tailandês marca a estreia de Ratchapoom Boonbunchachoke e figura entre as obras mais excêntricas do cinema recente. Coproduzido com França, Singapura e Alemanha, foi escolhido como representante oficial da Tailândia para disputar o Oscar 2026 de melhor filme internacional. A narrativa se apresenta como uma fábula com forte comentário social, que aborda desigualdade e exploração no trabalho, mas revestida de elementos fantásticos. Difícil classificá-lo em um único gênero: é uma fita surrealista que transita entre drama, comédia, romance e horror sobrenatural. Gosto de filmes esquisitos, e este me pegou – mas adiante que é para público extremamente específico. A trama acompanha uma série de personagens relacionados à morte de duas pessoas que tinham algum vínculo com uma fábrica de aspiradores de pó. Um funcionário desta empresa morre no trabalho, vítima de doença respiratória, e retorna como espírito habitando um daqueles aparelhos de limpeza. Paralelamente, o fantasma da jovem esposa do herdeiro da fábrica também ‘encarna’ em outro dispositivo doméstico. Os dois aspiradores de pó animados percorrem dias e noites em busca de seus entes familiares. O enredo é narrado pela perspectiva de um enigmático rapaz, chamado para reparar um aspirador que, segundo o dono, emite urros de dor e tosse. O encontro dos dois será marcado por uma longa conversa – o primeiro contará com detalhes casos de espíritos que se instalam em eletrônicos domésticos, interpretado pelo ouvinte como uma lenda urbana. Por meio de flashbacks, o filme reconstrói aquelas duas histórias de equipamentos assombrados, revelando porque esses fantasmas acabam sendo “úteis” - como sugere o título. Apesar do tom absurdo e nonsense, o longa funciona como metáfora crítica sobre exclusão, hierarquias sociais e preconceito. E dialoga ainda com crenças tailandesas sobre espíritos protetores e rituais de oferenda, muito comuns no país. O filme exige atenção, já que múltiplas subtramas se entrelaçam. Ousado e provocativo, inclui cenas de sexo bizarras — em uma delas, um homem se envolve intimamente na cama com o aparelho possuído, chegando a beijar de língua o tubo do aspirador. Visualmente, a produção aposta em enquadramentos estáticos e uma estética de cores que reforça sua estranheza. Atualmente em cartaz, chega ao público brasileiro pela Pandora Filmes.
 

 
Belén: Uma história de injustiça
 
Produção argentina de 2025 baseada em acontecimento real, o drama está na shortlist do Oscar para disputar uma vaga na categoria de melhor filme estrangeiro, ao lado de grandes filmes como ‘O agente secreto’, ‘Sirāt’ e ‘Valor sentimental’. O longa se baseia em dois livros: ‘Somos Belén’, de Ana Correa, e ‘Libertad para Belén’, da jurista Soledad Deza, que é a personagem central dessa comovente trama. Em 2014, Soledad assumiu um caso que se tornou símbolo da luta pelos direitos da mulher ao aborto, culminando na aprovação, em 2020, da Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVE) - até a 14ª semana de gestação. Soledad se sensibilizou com uma jovem apelidada de Belén, de 27 anos, que foi presa injustamente após sofrer um aborto espontâneo em um hospital público de Tucumán. Os médicos suspeitaram que Belén tivesse provocado a interrupção da gravidez e acionaram a polícia. Belén (cujo nome real foi preservado para proteger a identidade da verdadeira mulher) foi a julgamento e condenada a oito anos de cadeia por homicídio, mas ela cumpriu quase três, com a entrada de Soledad no caso. A prisão de Belén ganhou as ruas com protestos massivos exigindo sua liberdade. O lema #LibertadParaBelen invadiu as redes sociais, abriu-se um amplo debate sobre a autonomia do corpo feminino e o aborto, gerando um movimento na Argentina e em outros países da América do Sul que ficou conhecido como ‘Maré Verde’ (‘Ola Verde’) - as mobilizações nas ruas argentinas chegaram a reunir cerca de 1,5 milhão de mulheres. O longa acompanha especialmente a relação da advogada Soledad e a jovem Belén, antes e depois do julgamento. Ao encerrar o ‘Caso Belén’, Soledad viu abrir um novo horizonte para seus estudos e a própria existência, engajando-se na luta feminista em prol das mulheres vulneráveis vítimas de estupro. Com o filme é possível refletir o que está por trás do aborto, tema extremamente polêmico na sociedade, que divide opiniões. A direção e interpretação de Soledad Deza ficam a cargo de Dolores Fonzi, em seu segundo trabalho como diretora, demonstrando seriedade em frente à câmera e atrás dela. Indicado ao Critics Choice de melhor filme internacional e premiado no Festival de San Sebastián, o drama transforma uma dor real em um manifesto em defesa dos direitos das mulheres. Produção da Amazon/MGM, está disponível no Prime Video.


 
Adeus, June
 
A oscarizada atriz Kate Winslet faz sua estreia como diretora neste comovente filme sobre os vínculos emocionais entre uma mãe e os filhos diante de uma doença terminal. É uma obra autoral feita em família, que Kate insistiu em produzir com recursos próprios; em 2017 ela perdeu a mãe, vítima de câncer de ovário, e anos depois, o filho dela, Joe Anders, que tem com o cineasta Sam Mendes, escreveu um roteiro inspirado na morte da avó e nas experiências do luto intitulado ‘Goodbye, June’. Anders o apresentou na faculdade de cinema na Inglaterra, e agora pode vê-lo ganhar forma, em sua estreia como roteirista – Anders é ator, tem 22 anos, e já atuou em filmes como ‘1917’ (2019) e Lee (2023 – quando contracenou com a mãe, Kate). Trata-se de uma coprodução Reino Unido e EUA, filmada em Londres, com um elenco de peso: Helen Mirren, Timothy Spall, Toni Collette, Johnny Flynn e Andrea Riseborough. A narrativa se desenrola nas semanas que antecedem o Natal, quando quatro irmãos adultos se reúnem para visitar a mãe debilitada por um câncer em estágio terminal. Eles precisam ainda dar suporte ao pai idoso, que enfrenta uma série de problemas de saúde, além do comportamento instável. Deu para notar que não é um filme fácil de digerir, trabalhando com seriedade e emoção o tema da perda familiar. Os atores seguram a trama com coração e alma, numa obra que nasce da relação real de mãe e filho, refletindo a despedida de forma tocante. Produzido pela Netflix, estreou na véspera do Natal e permaneceu por duas semanas entre os 10 filmes mais assistidos da plataforma nesta temporada.



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 2

 
Transamazônia
 
Em exibição nos cinemas desde o dia 08/01, o bom longa ‘Transamazônia’ traz uma narrativa repleta de contrastes, sobre dois mundos que se encontram e entram em choque. Rodado no Pará, a história costura pelo menos cinco temas: o poder da fé, a manipulação religiosa, a luta pela preservação da floresta, as tradições indígenas e a relação frágil e ao mesmo tempo profunda entre um pai e sua filha. Na trama, uma jovem sobrevive a um acidente aéreo na Amazônia e se torna um ‘milagre vivo’ – ela é Rebecca Byrne, papel da atriz alemã Helena Zengel, que se destacou no impactante drama ‘Transtorno explosivo’ (2019) e no ano seguinte foi indicada ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante em ‘Relatos do mundo’ (2020). Para a comunidade pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne (Jeremy Xido, ator e diretor canadense), a menina está viva por uma manifestação divina, portanto a incentiva a seguir seus passos no mundo religioso. Ela se torna uma pregadora protestante que se utiliza também do curandeirismo, no meio da selva, levando os indígenas para mundo da espiritualização ocidental. A chegada de madeireiros ilegais na região ameaça os povos indígenas e também a integridade da família Byrne. Misturando diálogos em português e inglês, o filme revela duas situações que avançam no país e ameaçam a cultura dos povos originários – a questão dos madeireiros ilegais, que matam para explorar indiscriminadamente a região, e a evangelização pentecostal dos indígenas, que mais parece aquilo que estudávamos na colonização e exploração do Brasil no século XVI. Produzido em parceria internacional (uma coprodução França, Alemanha, Suíça, Taiwan e Brasil), o longa mistura drama e suspense com ingredientes fortes dos dois gêneros, refletindo diferentes olhares sobre a Amazônia, além dos dilemas que surgem quando crença, natureza e relações pessoais se entrelaçam. A diretora é Pia Marais, uma sul-africana radicada na Alemanha, em seu quarto longa-metragem; ela escreveu o roteiro com ajuda de dois roteiristas a partir de uma história real ocorrida na floresta amazônica na década de 70. Pia conta que ficou no Brasil por uma temporada para estudar o caso, viajando pela Amazônia em busca de histórias e elementos para compor o fiel retrato dos personagens. Integrou a Seleção Oficial do Festival de Locarno e da Mostra Panorama Mundial no Festival do Rio 2024, tendo distribuição no Brasil pela Filmes do Estação.



Eu, que te amei
 
Apresentado no Festival de Cannes do ano passado, o drama francês é inspirado no tumultuado caso de amor de Simone Signoret (1921-1985) e Yves Montand (1921-1991), dois ícones do cinema francês. Eles foram casados por quase 35 anos, até o falecimento de Simone. O casal tinha um amor efusivo, uma liga forte, mas haviam impasses, brigas violentas e traições. O casal tinha nítidos contrastes: Simone era ciumenta, atormentada pelos casos extraconjugais do marido, como o que teve com Marilyn Monroe, enquanto Montand, um mulherengo de bom coração, tentava relevar tudo para evitar confrontos. Atuaram juntos em quatro filmes franceses entre as décadas de 50 e 70. Existia ali um casal além de seu tempo, que se entendia apesar das diferenças, dois artistas politizados que encabeçaram filmes revolucionários e entregavam grandes interpretações. Nascida na Alemanha, porém radicada na França, Simone Signoret, de ‘As diabólicas’, venceu Oscar, Bafta, Berlim e Cannes, enquanto o galã ítalo-francês Montand protagonizou produções cultuadas como ‘O salário do medo’ (1953) e ‘Z’ (1969). O trabalho da diretora e roteirista Diane Kurys, de ‘Refrigerante de menta’ (1977) e ‘Por uma mulher’ (2013), é maduro e sólido, cuja pesquisa sobre o famoso casal durou cinco anos. Ela é uma cineasta de 77 anos que conheceu os verdadeiros biografados, e no drama optou pela captura de cenas íntimas, de muitos diálogos do casal em casa e entre amigos, com longas conversas sobre casamento, trabalho e futuro – numa das tantas cenas românticas, Montand canta ‘Les feuilles mortes’ para Simone no aniversário dela (Montand gravou este clássico da música francesa, escrita por Jacques Prévert nos anos 70, e num dos trechos há o verso que remete ao título do filme, ‘Moi qui t'aimais’, que significa ‘Eu, que te amei’). A dupla de atores está em um momento de pura consagração, ‘encarnando’ as reais figuras, com um impressionante trabalho de cabelo, maquiagem e figurino – são eles Marina Foïs, de ‘As bestas’ (2022) e o ator de origem marroquina que vem fazendo muitos filmes e também é diretor, Roschdy Zem, de ‘Os filhos dos outros (2022). Gostei do resultado, de um filme sensato que não cai no melodrama. Está nos principais cinemas do Brasil, com distribuição da Autoral Filmes.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 1


Eat the night
 
O multiverso e a realidade estendida (modalidade dentro da Realidade Virtual) entraram de cabeça no mundo do cinema. Filmes cujos personagens alteram suas rotinas por causa de um jogo imersivo, em que assumem avatares, fazem-se presentes há pelo menos 15 anos. O cinema reflete a realidade, e os jogos estão cada vez mais presentes na rotina das pessoas. Produções hollywoodianas de alto orçamento, a trilogia ‘Avatar’ (2009, 2022 e 2025) e ‘Jogador nº 1’ (2018) repercutiram os temas nas salas do mundo todo. Mas há também longas-metragens pouco conhecidos do grande público que tratam de multiverso e realidade estendida, sendo dois bons exemplares que vi recentemente, ‘Grand Theft Hamlet’ (2024) e ‘Eat the night’ (2024). Este é uma produção francesa, que traz dois irmãos, Pablo (Théo Cholbi) e Apolline (Lila Gueneau), fanáticos por um jogo chamado Darknoon, onde vivem experiências ultrassensoriais. Dentro do Darknoon, eles se transformam em personagens desbravadores, explorando um mundo mítico com guerreiros e criaturas. Fora do jogo, Pablo é um jovem traficante de drogas, que se apaixona por um rapaz misterioso, apelidado de Night (Erwan Kepoa Falé). Apolline passa mais tempo que Pablo jogando, com o passar dos dias se afasta dele. Quando Pablo se envolve em uma guerra de gangues de rua, recorre ao mundo virtual para escapar do problema. Realidade e ficção se misturam, até que a Darknoon anuncia o encerramento do jogo em 60 dias. O filme é um thriller autoral visionário, também um ‘coming of age’ com elementos de ‘jogos da mente’, que prende a atenção do começo ao fim. Conta com uma estética inovadora, tão disruptivo quanto ‘Grand theft Hamlet’, em que a fantasia se sobressai a ponto de engolir a realidade, tornando-se a salvação dos personagens. A ambientação ocorre em dois mundos – na vida real e na plataforma do revolucionário jogo. Radical em vários aspectos, principalmente na questão técnica, o filme tem classificação indicativa 18 anos, por trazer conteúdo envolvendo drogas, sexo e violência. Explora temas sensíveis para a sociedade, como liberdade sexual e vício digital. Exibido na Quinzena dos Realizadores de Cannes e indicado ao Queer Palm, teve exibição no Brasil no Festival do Rio de 2024 e agora está disponível na plataforma Reserva Imovision.
 

 
Davi: Nasce um rei
 
Nova animação da Heaven Content, principal produtora e distribuidora de filmes cristãos no Brasil, que lança de cinco a oito longas anuais e vem ampliando sua marca. O filme infantil bíblico, que é um musical também, narra a história de Davi, um jovem pastor incumbido de combater um gigante filisteu, de nome Golias, que amedronta a região. Com poucos recursos, vence Golias tornando-se herói do povo de Israel. Anos mais tarde vira rei, ajudando a unificar as tribos do norte e do sul. Nem tudo é mostrado nesse filme infantil que arrecadou mais de US$ 70 milhões somente nos cinemas norte-americanos, seguindo os passos de outra animação da Heaven que fez sucesso no ano passado, ‘O rei dos reis’. A trajetória de Davi representa coragem, fé e devoção. Não é um filme do meu agrado, mas reconheço que a qualidade técnica da produção o coloca em competitividade com outras animações que estão no mercado exibidor. As crianças poderão gostar. Direção de Phil Cunningham (que havia feito anteriormente a série animada ‘O jovem Davi’), em parceria com Brent Dawes, que escreveu o roteiro.


O palhaço no milharal
 
Nova fita slasher de palhaço assassino com humor macabro, coprodução EUA/Canadá/Reino Unido/Luxemburgo e rodada em verdadeiras locações de milharais e fazendas no Canadá. De orçamento pequeno – U$ 1 milhão, fez presença nos cinemas do exterior e agora chega ao streaming no Brasil, na HBO Max. Com apelo de terror adolescente, o filme – voltado a apreciadores do gênero, e confesso que achei ok, é baseado na série de livros de Adam Cesare, com publicação no Brasil. Um assassino mascarado se utiliza da figura de um palhaço amigável, de nome Frendo, mascote de uma cidadezinha no meio-oeste dos Estados Unidos, para atacar as pessoas. O perverso serial killer persegue um grupo de jovens durante uma festa anual do milho, em Kettle Springs, deixando um rastro de medo pelo caminho. Segue a tradicional ideia do slasher, com mortes macabras e escondendo a identidade do matador, que só descobrimos na reta final. Rostos conhecidos, como Carson MacCormac, Katie Douglas, Will Sasso e Kevin Durand, atuam no filme, assinado pela produtora Shudder, especializada em horror movies, em parceria com a produtora de ‘Sorria’ – partes 1 e 2 (2022 e 2024), a Temple Hill Entertainment. Quem dirige é o norte-americano Eli Craig, de duas fitas de terror anteriores, ‘Tucker e Dale contra o mal’ (2010) e ‘Pequeno demônio’ (2017).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Cine especial – Filmes de terror


Esquizofrenia
 
Um psiquiatra (Klaus Kinski) torna-se o principal suspeito de uma série de assassinatos, cujas vítimas são suas pacientes.
 
Nos anos 80 o ator polaco radicado na Alemanha Klaus Kinski, pai da atriz Nastassja Kinski, esteve em diversos filmes de terror, alguns como bandidos perigosos, outros como psicopatas desajustados, como em ‘Terror dentro da noite’, ‘Perversão assassina’ (que passava no Cine Trash e me dava um medo danado) e este ‘Esquizofrenia’. Os traços faciais de Kinski são peculiares, seus papeis carregam um ar de loucura, e, portanto, provocam paúra de cara. Ele fez ‘Esquizofrenia’ um ano depois de ‘Nosferatu – O vampiro da noite’ (1979), de Werner Herzog, com quem trabalhou em outros filmes cult, chegando a gravar no Brasil. Ele interpreta um psiquiatra/terapeuta cujas pacientes estão sendo assassinadas. O médico e a filha se tornam suspeitos número um, e a polícia entra no caso para investigar. Com elementos pontuais do giallo (o estilo de filme de assassino em série feito na Itália dos anos 70), como visão do assassino (em primeira pessoa), e este utilizando luvas pretas de couro, o filme slasher norte-americano de classificação indicativa 18 anos investe no clima de terror, com um serial killer solto matando sem parar – só o vemos na sombra, de silhueta, utilizando um chapéu. Tensão, angustia e paranoia marcam esta pérola esquecida do cinema de terror oitentista, realizado nos primeiros respiros do cinema slasher. Foi o segundo e último filme do diretor e roteirista David Paulsen, que realizou no ano anterior outro slasher, ‘A hora do calafrio’ (1979), e depois faria apenas séries. No elenco participação dos atores Christopher Lloyd e Craig Wasson. Quem produziu foi a lendária Cannon, criada pelos primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus, que lançou filmes populares de ação nos anos 80, como ‘Braddock - O supercomando’, ‘Invasão U.S.A.’, ‘Comando Delta’, ‘Falcão - O campeão dos campeões’ e ‘Mestres do Universo’. Saiu recentemente em DVD em uma boa cópia pela Versátil Home Vídeo no box ‘Slashers – Vol. 16’, reunindo três filmes mais, que são ‘Armadilha para turistas’ (1979), ‘Réveillon maldito’ (1980) e ‘Retrato mortal’ (1982).



Esquizofrenia (Schizoid). EUA/Israel, 1980, 89 min. Terror. Colorido. Dirigido por David Paulsen. Distribuição: Versátil Home Video
 
 
O esquartejador
 
Após a passagem de um furacão, dois casais veem-se presos em uma ilha. Eles estão sozinhos e resolvem explorar aquele lugar ermo. Entram num cinema, abandonado ao relento, e passam a noite nas ruínas de casas abandonadas. Um misterioso matador espreita os viajantes, e um a um começa a morrer.
 
Conhecido no Brasil por ‘The slayer – O assassino’, essa fita B de terror com classificação 18 anos é um nasty movie, sangrento e brutal, na linha dos slashers sobrenaturais. Tradicionalmente as fitas slashers trazem na trama um serial killer mascarado, uma pessoa de verdade, que só descobrimos quem é no final – já aqui o matador é alguém misterioso que mais parece uma entidade, e aos poucos vai assumindo ares de um demônio/monstro, cuja identidade é surpresa e somente revelada no finalzinho. Produzido no ano de ouro dos slashers, tem um clima de sonho e delírio, que remete ao horror independente ‘Sonhos alucinantes’ (1971). Isto porque o que acontece com os personagens pode não ser real, já que estão perdidos numa ilha erma, onde não mora ninguém, e em tese tudo ali é calma e paz. No entanto as horas são intermináveis, o grupo de turistas não recebe socorro, e mortes bizarras ocorrem a cada instante. Outros slashers sobrenaturais já haviam sido realizados com boa aceitação do público, como ‘Armadilha para turistas’ (1979) e ‘Incubus’ (1981). Marcou a estreia do diretor norte-americano J.S. Cardone, que se fixou no cinema de terror, realizando depois ‘Limite da loucura’ (1990), ‘A presa’ (1992) e ‘Vampiros do deserto’ (2001). Saiu recentemente em DVD em uma boa cópia pela Versátil Home Vídeo no box ‘Slashers – Vol. 17’, reunindo junto os longas ‘Psicose para matar’ (1988), ‘O fantasma do shopping: A vingança’ (1989) e ‘Medo em Cherry Falls’ (2000).



O esquartejador (The slayer). EUA, 1982, 90 min. Terror. Colorido. Dirigido por J.S. Cardone. Distribuição: Versátil Home Video
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Resenha especial


Ao cair da noite
 
Ursula (Brigitte Bardot) é uma jovem que abandona o convento para morar com os tios em uma distante fazenda. A chegada dela faz com que incertezas ocupem a rotina da casa, já que a menina parece guardar um segredo. Um assassinato cometido na calada da noite abalará toda a comunidade daquela remota região rural.
 
A atriz francesa Brigitte Bardot faleceu há duas semanas, exatamente em 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos. Vista como uma das mulheres mais belas de seu tempo, era uma atriz sexy sem ser vulgar e ousada em cena – em muitos dos filmes que participou, inclusive alguns dirigidos pelo marido, Roger Vadim (1928-2000), chegou a ficar seminua, em uma época de extremos pudores, isto nas décadas de 50 e 60. O auge da carreira veio em três filmes sequenciais de Vadim: ‘E Deus criou a mulher’ (1956 – que marcou a estreia dele na direção), ‘Ao cair da noite’ (1958) e ‘Torneio do amor’ (1961). Por cinco anos estiveram casados, depois Vadim a trocou pela atriz Annette Stroyberg e em seguida por Jane Fonda, com quem fez o cultuado ‘Barbarella’ (1968), o casamento mais duradouro dele, de quase uma década.
Brigitte virou símbolo sexual em um período de grande revolução cultural, em que as mulheres ganhavam a tela esbanjando beleza e rompendo padrões. Ela nasceu em uma família burguesa e católica, viveu recolhida em casa durante a ocupação nazista em Paris, e aos 11 anos tentou ser bailarina. Fez balé, mas abandonou a carreira para ser modelo, ganhando a capa da revista Elle aos 15 anos. Sua beleza chamou a atenção da mídia, e teve oportunidade de fazer um primeiro filme aos 17 anos, em 1952, com ajuda do futuro marido, Roger Vadim – ele era seis anos mais velho, na época com 23 anos. Começaram a namorar em 1952 e casaram-se em seguida, até que no auge da Nouvelle Vague, movimento revolucionário no cinema que abria espaço para o cinema autoral na França, ele a escalou para seu primeiro longa, que escandalizou a Europa: ‘E Deus criou a mulher’. Nele, Brigite interpretava uma garota de 18 anos, Juliete, com desejos sexuais à flor da pele, marcando assim um tipo de papel e sensualidade que repetiria em outros trabalhos (neste filme, em uma cena marcante, ela dança em cima de uma mesa, com o vestido entreaberto mostrando as pernas, rodeada por vários homens, provocando um de seus pretendentes, um senhor bem idoso – papel de Curd Jurgens). Em seguida viria ‘Ao cair da noite’, conhecido no Brasil por ‘Vingança de mulher’ - a tradução ‘Ao cair da noite’ vem do título em inglês, ‘The night heaven fell’, um filme com ares de melodrama, de baixo orçamento, rodado na Espanha. O personagem de Brigitte também é ousado, mas com contenção – já que o personagem era de uma noviça no convento. A produção franco-italiana, gravada na região seca, de deserto e de calor intenso de Almería, no sul da Espanha, locação de muitos filmes de faroeste nos anos 60 e 70, traz com nitidez a beleza de Bardot no quadro, no auge da carreira, numa composição destemida, sexy, a frente de seu tempo. No filme ela é uma jovem saída de um convento, que vai morar com os tios. Ursula é cobiçada por todos, até pelo tio – numa cena polêmica, este homem, um senhor de idade, tenta abusar dela, que bate nele e o ameaça. Logo o personagem é assassinado, e ela se torna suspeita. O filme ousou por mostrar também um jovem estudante, papel de Stephen Boyd, que mantém relações sexuais com uma mulher de mais idade, Alida Valli, a tia de Bardot no filme. Após o assassinato do tio, Ursula foge com este rapaz para as montanhas. Há passagens marcantes que demonstram o lado destemido dessa mulher, por exemplo, quando ela invade uma tourada e assume o lugar do toureiro atiçando o animal com a bandeira; em outra cena, ela fica de calcinha e sutiã brancos, de renda. O filme ganhou projeção internacional por ter Brigitte no ápice da carreira, mais bela do que nunca.


Brigitte foi peça fundamental nos movimentos feministas que viriam nos anos 60. Atuou até o início dos anos 70, até abraçar a causa animal, virando uma ferrenha ativista. Ela cairia no ostracismo e isolamento, vivendo reclusa em sua mansão, apelidada de La Madrague, em Saint Tropez – e que depois virou abrigo dos cachorros que ela cuidava. Sua carreira foi marcada por contradições: foi denunciada por falas racistas e xenofóbicas, criticou o movimento #MeToo – campanha mundial contra o assédio e estupro de mulheres, depois apoiou a família Le Pen e o partido de extrema-direita na França, recebendo críticas pelo posicionamento contra as minorias. Logo após sua morte, uma história voltou a circular, de que ela estava no Brasil quando houve o Golpe Militar de 64, e aqui comemorou o fato, ao lado de amigos brasileiros, apoiando posteriormente a Ditadura. De musa revolucionária infelizmente Brigitte tornou-se uma pessoa reacionária...
‘Ao cair da noite’ é uma obra menor de Brigitte, que fica atrás de obras-primas como ‘A verdade’ (1960), ‘O desprezo’ (1963) e ‘Viva Maria’ (1965), mas vale para conhecer quem foi essa atriz belíssima que marcou um tempo. O filme foi relançado recentemente em DVD pela Classicline, juntamente com outros cinco filmes de Brigitte – a Classicline foi a distribuidora que mais trouxe filmes dela em DVD ao Brasil, e nesses relançamentos estão, por exemplo, ‘Garota levada’ (1956 – também conhecido por ‘Mademoiselle Pigalle’), ‘Quer dançar comigo?’ (1959) e ‘As mulheres’ (1969).


 
Ao cair da noite (Les bijoutiers du clair de lune). França/Itália, 1958, 91 min. Drama/Suspense. Colorido. Dirigido por Roger Vadim. Distribuição: Classicline

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Especial de Cinema

 
Histórico: ‘O agente secreto’ vence dois Globos de Ouro, de melhor ator e filme de língua não-inglesa
 
A noite de domingo foi de muita comemoração no Brasil. Isto porque o filme ‘O agente secreto’, de Kleber Mendonça Filho, fez história levando dois prêmios no Globo de Ouro, um feito inédito para uma produção brasileira. O longa venceu nas categorias de melhor filme de língua não-inglesa e melhor ator em filme de drama para Wagner Moura, em premiação realizada ontem no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. É a segunda vez que o Brasil ganha na categoria de filme estrangeiro, 27 anos depois de 'Central do Brasil' (1998) - em 1960 ‘Orfeu negro’ foi vencedor, porém o prêmio ficou com a França, já que a obra era uma coprodução França/Itália/Brasil. Esta é a segunda vez que um brasileiro se destaca nos palcos do Globo de Ouro: no ano passado a atriz Fernanda Torres se consagrou recebendo a estatueta de melhor atriz em filme de drama por ‘Ainda estou aqui’, e agora Wagner Moura. Promovido pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood desde 1944, o Globo de Ouro é uma das principais festas do cinema onde se premiam filmes e séries, também termômetro para o Oscar. Na noite de ontem os maiores vitoriosos foram o filme de ação e drama ‘Uma batalha após a outra’, de Paul Thomas Anderson, e a minissérie ‘Adolescência’, ambos vencedores com quatro estatuetas cada. A 83ª edição da premiação foi novamente apresentada pela comediante Nikki Glaser.
Confira abaixo a lista completa dos vencedores do Globo de Ouro 2026 – o vencedor é o primeiro filme ou série de cada categoria, em negrito.
 



Cinema
 
Melhor Filme de Drama
 
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
"Frankestein"
"Foi Apenas um Acidente"
"O Agente Secreto"
"Valor Sentimental"
"Pecadores"
 
Melhor Filme de Comédia ou Musical
 
"Uma Batalha Após a Outra"
"Blue Moon"
"Bugonia"
"Marty Supreme"
"No Other Choice"
"Nouvelle Vague"
 
Melhor Direção
 
Paul Thomas Anderson - "Uma Batalha Após a Outra"
Ryan Coogler - "Pecadores"
Guillermo del Toro - "Frankenstein"
Jafar Panahi - "Foi Apenas um Acidente"
Joachim Trier - "Valor Sentimental"
Chloé Zhao - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
 
Melhor Ator em Filme de Drama
 
Wagner Moura - "O Agente Secreto"
Joel Edgerton - "Sonhos de Trem"
Oscar Isaac - "Frankenstein"
Dwayne Johnson - "Coração de Lutador: The Smashing Machine"
Michael B. Jordan - "Pecadores"
Jeremy Allen White - "Springsteen: Salve-me do Desconhecido"
 
Melhor Atriz em Filme de Drama
 
Jessie Buckley - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
Jennifer Lawrence - "Morra, Amor"
Renate Reinsve - "Valor Sentimental"
Julia Roberts - "Depois da Caçada"
Tessa Thompson - "Hedda"
Eva Victor - "Sorry, Baby"
 
Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical
 
Timothée Chalamet - "Marty Supreme"
George Clooney - "Jay Kelly"
Leonardo DiCaprio - "Uma Batalha Após a Outra"
Ethan Hawke - "Blue Moon"
Lee Byung-Hun - "No Other Choice"
Jesse Plemons - "Bugonia"
 
Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical
 
Rose Byrne - "Se Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"
Cynthia Erivo - "Wicked: Parte 2"
Kate Hudson - "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois"
Chase Infiniti - "Uma Batalha Após a Outra"
Amanda Seyfried - "O Testamento de Ann Lee"
Emma Stone - "Bugonia"
 
Melhor Ator Coadjuvante
 
Stellan Skarsgård - "Valor Sentimental"
Benicio del Toro - "Uma Batalha Após a Outra"
Jacob Elordi - "Frankenstein"
Paul Mescal - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"
Adam Sandler - "Jay Kelly"
 
Melhor Atriz Coadjuvante
 
Teyana Taylor - "Uma Batalha Após a Outra"
Emily Blunt - "Coração de Lutador: The Smashing Machine"
Elle Fanning - "Valor Sentimental"
Ariana Grande - "Wicked: Parte 2"
Inga Ibsdotter Lilleass - "Valor Sentimental"
Amy Madigan - "A Hora do Mal"
 
Melhor Roteiro
 
"Uma Batalha Após a Outra"
"Marty Supreme"
"Pecadores"
"Foi Apenas um Acidente"
"Valor Sentimental"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
 
Melhor Trilha Sonora
 
"Pecadores"
"Frankenstein"
"Uma Batalha Após a Outra"
"Sirât"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
"F1: O Filme"
 
Melhor Canção Original
 
"Golden" - "Guerreiras do K-pop"
"Dream as One" - "Avatar: Fogo e Cinzas"
"I Lied To You" - "Pecadores"
"No Place Like Home" - "Wicked: Parte 2"
"The Girl In The Bubble" - "Wicked: Parte 2"
"Sonhos de Trem" - "Sonhos de Trem"
 
Melhor Filme de Língua Não-Inglesa
 
"O Agente Secreto"
"Foi Apenas Um Acidente"
"No Other Choice"
"Valor Sentimental"
"Sirât"
"A Voz de Hind Rajab"
 
Melhor Filme de Animação
 
"Guerreiras do K-pop"
"Arco"
"Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito"
"Elio"
"A Pequena Amélie"
"Zootopia 2"
 
Maior Evento Cinematográfico do Ano
 
"Pecadores"
"Avatar: Fogo e Cinzas"
"F1: O Filme"
"Guerreiros do K-pop"
"Missão: Impossível - O Acerto Final"
"A Hora do Mal"
"Wicked: Parte 2"
"Zootopia 2"
 
TV
 
Melhor Série de Drama
 
"The Pitt"
"A Diplomata"
"Pluribus"
"Ruptura"
"Slow Horses"
"The White Lotus"
 
Melhor Ator de Drama em Série de TV
 
Noah Wyle - "The Pitt"
Sterling K. Brown - "Paradise"
Diego Luna - "Andor"
Gary Oldman - "Slow Horses"
Mark Ruffalo - "Task"
Adam Scott - "Ruptura"
 
Melhor Atriz de Drama em Série de TV
 
Rhea Seehorn - "Pluribus"
Kathy Bates - "Matlock"
Britt Lower - "Ruptura"
Helen Mirren - "Terra da Máfia"
Bella Ramsey - "The Last of Us"
Keri Russell - "A Diplomata"
 
Melhor Série de Comédia
 
"O Estúdio"
"Abbott Elementary"
"O Urso"
"Hacks"
"Ninguém Quer"
"Only Murders in the Building"
 
Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical
 
Seth Rogen - "O Estúdio"
Adam Brody - "Ninguém Quer"
Steve Martin - "Only Murders in the Building"
Glen Powell - "Chad Powers"
Martin Short - "Only Murders in the Building"
Jeremy Allen White - "O Urso"
 
Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical
 
Jean Smart - "Hacks"
Kristen Bell - "Ninguém Quer"
Ayo Edebiri - "O Urso"
Selena Gomez - "Only Murders in the Building"
Natasha Lyonne - "Poker Face"
Jenna Ortega - "Wandinha"
 
Melhor Filme para TV ou Série Limitada
 
"Adolescência"
"All Her Fault"
"O Monstro em Mim"
"Black Mirror"
"Morrendo por Sexo"
"A Namorada"
 
Melhor Ator de Filme para TV ou Série Limitada
 
Stephen Graham - "Adolescência"
Jacob Elordi - "O Caminho Estreito para os Confins do Norte"
Paul Giamatti - "Black Mirror"
Charlie Hunnam - "Monster: A História de Ed Gein"
Jude Law - "Black Rabbit"
Matthew Rhys - "O Monstro em Mim"
 
Melhor Atriz de Filme para TV ou Série Limitada
 
Michelle Williams - "Morrendo por Sexo"
Claire Danes - "O Monstro em Mim"
Rashida Jones - "Black Mirror"
Amanda Seyfried - "Long Bright River"
Sarah Snook - "All Her Fault"
Robin Wright - "A Namorada Ideal"
 
Melhor Ator Coadjuvante - TV
 
Owen Cooper - "Adolescência"
Billy Crudup - "The Morning Show"
Walton Goggins - "The White Lotus"
Josan Isaac - "The White Lotus"
Tramell Tillman - "Ruptura"
Ashley Walters - "Adolescência"
 
Melhor Atriz Coadjuvante - TV
 
Erin Doherty - "Adolescência"
Carrie Coon - "The White Lotus"
Hannah Einbinder - "Hacks"
Catherine O'Hara - "O Estúdio"
Parker Posey - "The White Lotus"
Aimee Lou Wood - "The White Lotus"
 
Melhor Performance em Comédia Stand-Up para TV
 
Ricky Gervais: "Mortality"
Bill Maher - "Bill Maher: Alguém Mais Está Vendo Isso??"
Brett Goldstein: "The Second Best Night Of Your Life"
Kevin Hart: "Acting My Age"
Kumail Nanjiani: "Night Thoughts"
Sarah Silverman: "Postmortem"
 
Melhor Podcast
 
Good Hang With Amy Poehler
Armchair Expert With Dax Shepard
Call Her Daddy
The Mel Robbins Podcast
Smartless
Up First

domingo, 11 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming


Águias da República
 
Um dos grandes destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado acaba de estrear nas salas brasileiras, com distribuição da Imovision. Também esteve na minha lista dos melhores filmes de 2025 esse novo trabalho do diretor sueco de origem egípcia Tarik Saleh. É o fechamento da trilogia ‘Cairo’, estrelada por Fares Fares – antes foram ‘O incidente no Nile Hilton’ (2017) e ‘Garoto dos céus’ (2022). É um thriller político surpreendente, que exige atenção e conhecimento da História recente do Egito. Saleh é ousado ao retratar figuras notoriamente autoritárias com o nome e os traços como são, como o presidente Abdul Fatah Al-Sisi, um militar que ocupa o cargo máximo da política egípcia desde 2014. Fares Fares interpreta um ator egípcio, George Fahmy, idolatrado pelo público e apelidado de ‘O faraó das telas’. É convidado para interpretar o atual presidente do Egito, Al-Sisi, numa superprodução que biografa o tal político. Ele recusa, por não compactuar com as ideias do cara, um verdadeiro candidato a déspota. Porém, George é colocado na parede e vê a família sofrer ameaças; contra sua vontade, resolve atuar no filme, sem direito a voz própria e sendo constantemente moldado pelos produtores. Um filme que trata da censura numa ditadura e de como o indivíduo é tragado para dentro do sistema, sem perceber, desnaturalizando-se. Fares Fares é soberbo em cena, e seu personagem aos poucos se vê preso participando de trocas de favores entre políticos violentos, aliando-se aos militares e ao próprio presidente, por quem não tinha simpatia. Filmão de Saleh e Fares, na melhor parceria da trilogia, com trilha sonora do duas vezes ganhador do Oscar Alexander Desplat. Indicado à Palma de Ouro em Cannes, foi exibido também no festival de Toronto e tornou-se o representante da Suécia ao Oscar de filme estrangeiro – é uma coprodução com outros quatro países, França, Dinamarca, Finlândia e Alemanha.
 

 
The New Yorker: 100 anos de História
 
Ótimo documentário da Netflix sobre o centenário da The New Yorker, importante revista norte-americana que atravessou o século XX publicando críticas, reportagens e ensaios, hoje uma das poucas em papel, resistindo ao formato digital. Também inovou como uma das primeiras a adotar o New Journalism, na década de 60 – foi na New Yorker que Truman Capote publicou a série de reportagens investigativas ‘In cold blood’, um marco para o jornalismo literário. Com uma edição dinâmica, misturando páginas das revistas antigas com entrevistas e ilustrações, o filme mostra bastidores da redação, bem como apurações que levaram a grandes histórias e entrevistas da revista. Acompanha pontos de vista de jornalistas atuantes do veículo, e ex-integrantes da equipe, e dá um grande espaço de fala para o editor David Remnick, premiado com o Pulitzer, que está há mais de 30 anos à frente da The New Yorker. Leitores assíduos contam como formou seu senso crítico a partir da leitura das edições, como as atrizes Molly Ringwald e Sarah Jessica Parker e os atores Jesse Eisenberg e John Hamm. Exibido nos festivais de Telluride e Denver, tem direção do documentarista Marshall Curry, premiado com o Oscar pelo curta-metragem ‘A janela dos vizinhos’ (2019).
 

 
Misty: A História de Erroll Garner
 
Documentário musical sobre o pianista norte-americano Erroll Garner (1921-1977), um autodidata que começou a tocar piano aos três anos de idade e se tornou uma lenda do jazz. Garner recriou o gênero swing e ficou conhecido pela balada ‘Misty’, que trouxe uma nova tendência ao jazz na década de 50. O filme examina sua complexa vida pessoal, desde os relacionamentos controversos na família aos abusos cometidos pelo seu empresário, passando pelo longo processo judicial, por quebra de contrato, contra a gravadora Columbia Records, sua parceira de longa data. O filme traz cenas raras de apresentações de Garner, muitas dos anos 50 e 60, e tem como destaque a participação da única filha do pianista, Kim Garner, que lembra a trajetória do pai. Amigos que tocaram com Garner lembram o habilidoso lado artístico dele, que amava a música em primeiro lugar. Um bom filme do diretor Georges Gachot, documentarista de filmes musicais que tem forte vínculo com o Brasil – ele já dirigiu docs sobre Maria Bethânia, Nana Caymmi e João Gilberto. Exibido no DOK.fest München, entrou recentemente no catálogo do streaming Reserva Imovision.
 

 
Meu pai, o assassino BTK
 
Para aqueles que gostam de documentários investigativos intrigantes, dou a dica de assistir a esse bom filme da Netflix. Já contei em outros textos que a Netflix se destaca por filmes e séries em formato de documentário sobre assassinos reais, e aqui vai mais um bom exemplar do gênero. O doc acompanha um pai de família acusado de matar 10 pessoas num período de 17 anos. Dennis Lynn Rader ficou conhecido como BTK, apelido que ele mesmo se deu, uma sigla de ‘Bind, torture, kill’, ou seja, ‘Amarrar, torturar, matar’. Esta era a sua forma de cometer os crimes, ocorridos entre 1974 e 1991, no Estado de Kansas. Pacato, considerado um cara legal pelos vizinhos, camuflava o lado sanguinário, de um assassino frio e impulsivo. O método de BTK envolvia envios de cartas provocativas para jornais e para a polícia, contando como foram cometidos os crimes. O caso BTK mobilizou a polícia e a mídia, até culminar na prisão dele em 2005 - hoje ele continua preso em prisão perpétua, com sentença de 175 anos por assassinatos em primeiro grau. A filha dele, Kerri Rawson, é a roteirista do filme e a principal acusadora dos crimes – ela é quem também narra e conduz as entrevistas. A diretora Skye Borgman é especializada em séries e docs de crimes reais, muitos lançados pela Netflix, como ‘Sequestrada à luz do dia’ (2017), ‘A garota da foto’ (2022) e dois outros docs lançados juntos de ‘Meu pai, o assassino BTK’, em 2025, que são ‘Número desconhecido: Catfishing na escola’ e ‘Influencer do mal: A História de Jodi Hildebrandt’. PS - Stephen King inspirou-se na história de BTK para escrever um conto que deu origem ao filme ‘Um bom casamento’ (2014).
 

 
Aos pedaços: A música de Meredith Monk
 
Documentário musical que a plataforma Sesc Digital traz com exclusividade ao Brasil, um filme pouco conhecido, exibido na seção Panorama do Festival de Berlim do ano passado, sobre a compositora e intérprete norte-americana Meredith Monk, uma musicista de impressionante habilidade com sons rítmicos feitos somente com a voz, que esteve à frente da cena cultural novaiorquina da contracultura. Aos 82 anos, ela abre o livro de sua vida para lembrar a singularidade de sua arte, que mistura performance com ópera, teatro, coreografia de dança e videoarte. Na época enfrentou críticas hostis sobre seu trabalho, que até hoje é inovador e deu espaço para novos artistas experimentais. Com forte engajamento político, feminista de carteirinha e entusiasta da arte multidisciplinar, Meredith é uma lenda de seu tempo. No filme, com imagens de arquivo e da atualidade, ela relembra o início da carreira, no auge da contracultura, entre as décadas de 60 e 70, bem como as influências de Dalcroze, John Cage, grupo Fluxus, do budismo, das melodias medievais e do movimento minimalista, as parcerias e a finitude da vida. Gratuito no streaming Sesc Digital até o dia 25/01.
 

Especia de cinema

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