sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Especial de cinema

 
Estreias de 2026 – Nos cinemas e no streaming
 
Já que 2026 começou, vamos conhecer as principais estreias programadas para os cinemas e streaming. Seguem abaixo os filmes, e na frente de cada um, as datas previstas de estreia (dia e mês) no Brasil. Alguns estão com títulos provisórios. No final da lista tem as séries para 2026 e títulos prorrogados para 2027. Lembrando que as distribuidoras podem alterar as datas de estreia.
 
Janeiro
 
- Se eu tivesse pernas, eu te chutaria (01/01)
- Jovens mães (01/01)
- A empregada (01/01)
- Marty Supreme (08/01)
- Família de aluguel (08/01)
- Tom & Jerry: Uma aventura no museu (08/01)
- Agentes muito especiais (08/01)
- O diário de Pilar na Amazônia (15/01)
- Davi: Nasce um rei (15/01)
- Me ame com ternura (15/01)
- Arco (15/01)
- Ato noturno (15/01)
- O beijo da mulher-aranha (15/01)
- Extermínio – O templo dos ossos (15/01)
- Song Sung Blue: Um sonho a dois (15/01)
- Dinheiro suspeito (16/01) – Netflix
- Justiça artificial (22/01)
- A única saída/ No other choice (22/01)
- Segredo obscuro (Shell) (22/01)
- Alerta apocalipse (22/01)
- Terror em Silent Hill: Regresso para o inferno (22/01)
- Dupla perigosa (26/01) – Prime Video
- Socorro! (29/01)
- La grazia (29/01)
- Infinite icon: Uma memória visual (29/01)
- Hamnet – A vida antes de Hamlet (29/01)
- A voz de Hind Rajab (29/01)
- O primata (29/01)
- A pequena Amélie (29/01)
- O som da queda (29/01)
- O menino e o panda (29/01)
 



 
Fevereiro
 
- A cronologia da água (05/02)
- O gatola da cartola (05/02)
- O som da morte (Whistle) (05/02)
- Destruição final 2: Migração (05/02)
- (Des)controle (05/02)
- Os estranhos: Capítulo 3 (05/02)
- Bone Lake – O lago dos ossos (05/02)
- Pillion (05/02)
- O morro dos ventos uivantes (12/02)
- Goat – Um cabra bom de bola (12/02)
- Caminhos do crime (12/02)
- Imperfeitamente perfeita (12/02)
- A última ceia (12/02)
- O frio da morte (19/02)
- Para sempre minha (Keeper) (19/02)
- Isso ainda está de pé? (19/02)
- A história do som (19/02)
- Pânico 7 (26/02)
- Nuremberg 7 (26/02)
- O olhar misterioso do flamingo (26/02)
 


 
Março
 
- A noiva (05/03)
- Cara de um, focinho de outro (Hoppers) (05/03)
- Velhos bandidos (05/03)
- Mato ou morro (05/03)
- Casamento sangrento 2: A viúva (12/03)
- Kokuho – O preço da perfeição (12/03)
- Colegas e o herdeiro (continuação de ‘Colegas – O filme’) (12/03)
- Uma segunda chance (12/03)
- POV: Presença oculta (12/03)
- O monstro no meu quarto (Dust bunny) (19/03)
- Amargo natal (19/03)
- Devoradores de estrelas (19/03)
- Peaky Blinders: O homem imortal (20/03) – Netflix
 

 
Abril
 
- Super Mario Galaxy: O filme (02/04)
- A great awakening (02/04)
- Ruas da Glória (02/04)
- O drama (09/04)
- Boa noite, divirta-se e não morra (09/04)
- Eu & você na Toscana (09/04)
- A múmia (16/04)
- Entre notas e costuras (Mother Mary) (16/04)
- Normal (16/04)
- Michael (23/04)
- Apex (24/04) – Netflix
- O diabo veste Prada 2 (30/04)
- Obsessão (30/04)
 

 
Maio
 
- Mortal Kombat II (14/05)
- Star Wars: O Mandaloriano e Grogu (21/05)
- Uma babá gloriosa (21/05)
- Papaya (28/05)
 
 
Junho
 
- Godzilla Minus Zero (04/06)
- Mestres do universo (04/06)
- Pinocchio – Maldição de madeira (04/06)
- Dia D (11/06)
- Todo mundo em pânico 6 (11/06)
- Privada de suas vidas (11/06)
- Toy story 5 (18/06)
- Se eu fosse você 3 (18/06)
- Deus ainda é brasileiro (25/06)
 
Julho
 
- Minions 3 (02/07)
- Minha vida com Shurastey (02/07)
- Moana (10/07)
- A odisseia (17/07)
- Evil Dead Burn (24/07)
- Supergirl: A mulher do amanhã (24/07)
- Homem-Aranha: Um novo dia (31/07)
 


 
Agosto
 
- Sobrenatural 6 (13/08)
- Flowervale Street (20/08)
- Coiote vs. Acme (27/08)
- The dog stars (27/08)
- Cliffhanger – Escalada do medo (27/08)
 

 
Setembro
 
- Cara de barro (Clayface) (10/09)
- Resident evil untitled (17/09)
- Até que a sorte nos separe 4 (24/09)
 
 
Outubro
 
- Digger (01/10)
- A rede social 2 (08/10)
- Street Fighter (15/10)
- The Legend of Aang: The Last Airbender (22/10)
 

 
Novembro
 
- The shepherd (12/11)
- Bruna Surfistinha 2 (19/11)
- Jogos Vorazes: Amanhecer na colheita (19/11)
- Narnia (26/11)
- Backrooms (26/11)
 
 
Dezembro
 
- Jumanji 3 (10/12)
- Duna: Parte 3 (17/12)
- Vingadores: Doutor Destino (17/12)
- Werwulf (24/12)
 


 
- Já estreou em vários países, mas no Brasil permanece sem data
 
- Christy (com Sydney Sweeney)
- Anêmona (com Daniel Day-Lewis)
- O vingador tóxico (com Peter Dinklage)
- Anniversary, de Jan Komasa (com Diane Lane)
- We bury the dead (com Daisy Ridley)
- Tardes de solidão, de Albert Serra
- Distante (com Anthony Ramos)
 
 
- Em pós-produção, com estreia programada para 2026
 
- Na zona cinzenta, de Guy Ritchie (com Henry Cavill)
- O custo da verdade, de Guy Ritchie (com Rosamund Pike)
- Artificial, de Luca Guadagnino (com Andrew Garfield)
- The adventures of Cliff Booth, de David Fincher (com Brad Pitt)
- Roosevelt, de Martin Scorsese (com Leonardo DiCaprio)
- Madden, de David O. Russell (com Nicolas Cage)
- Highlander, de Chad Stahelski (com Henry Cavill)
- Klara and the sun, de Taika Waititi (com Jenna Ortega)
- The Bookie & the Bruiser, de S. Craig Zahler (com Vince Vaugh)
- Corrente do mal 2, de David Robert Mitchell (com Maika Monroe)
- Polaris, de Lynne Ramsay (com Joaquin Phoenix)
- Paper tiger, de James Gray (com Adam Driver)
- The exorcist untitled, de Mike Flanagan (com Scarlett Johansson)
- Day drinker, de Marc Webb (com Johnny Depp)
- How to make a killing (com Glen Powell)
- Hokum (com Adam Scott)
- The plague (com Joel Edgerton)
- A queda 2, dos irmãos Spierig
- O bosque selvagem, de Travis Knight
- Verity, de Michael Showalter (com Anne Hathaway)
- Os corretores, de Andrucha Waddington (com Fernanda Torres)
- Geni e o zepelim, de Anna Muylaert (com Seu Jorge)
- Corrida dos bichos, de Fernando Meirelles (com Rodrigo Santoro)
- Overman: O filme (animação de Laerte)
- Zero d.C, de Alejandro Monteverde (com Gael Garcia Bernal)
 
 
Ainda em fase de produção – sem data para estrear
 
- Orfã 3: O preço da mentira
- O expresso polar 2
- Noite sem fim 2
- Fale comigo 2
- Feriado sangrento 2
- Mudança de hábito 3
- Quarto de despejo: Diário de uma favelada
- As aventuras de Tintim: Os prisioneiros do sol
- Star Wars: Rogue squadron
- Yellow cake
- Parallax
- The purge: Survival
- Jogos mortais XI
- Legalmente loira 3
 
 
Estreias prorrogadas para 2027
 
- Homem-Aranha: Além do aranhaverso
- Shrek 5
- Gremlins 3
- Um lugar silencioso 3
- As Tartarugas Ninja: Caos mutante 2
 
 
- Séries programadas para 2026
 
- The pitt – 2ª temporada (08/01) – HBO Max
- Dele & dela (08/01) – Netflix
- O gerente da noite – 2ª temporada (11/01) – Prime Video
- Sequestro no ar (16/01) – AppleTV
- O cavaleiro dos sete reinos (18/01) – HBO Max
- The Beauty – Lindos de morrer (21/01) – FX
- Magnum (Wonder Man) (27/01) – Disney+
- Bridgerton – 4ª temporada (29/01) – Netflix
- Avatar: O último mestre do ar – 2ª. temporada (22/02) – Netflix
- Young Sherlock (03/03) – Prime Video
- Rooster (março) – HBO Max
- Euphoria – 3ª. temporada (abril) – HBO Max
- A casa do dragão – 3ª temporada – HBO Max
- Duna: A profecia – 2ª. temporada – HBO Max
- Spider-noir – Prime Video
- Hacks – 5ª. temporada - HBO Max
- The Creep Tapes – 3ª temporada – Shudder
- Dona Beja – HBO Max
- A especialista – Apple TV
- Vanished – MGM
- Half man – HBO Max
 



 
Séries em produção, previstas para estrear em 2026
 
- Monster – 4ª temporada - The Lizzie Borden Story – Netflix
- Crystal Lake – Peacock
- The conjuring – HBO Max
 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 1


Se eu tivesse pernas, eu te chutaria
 
Assisti no Festival do Rio ao aguardadíssimo filme que deu a Rose Byrne o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim do ano passado - para mim um dos melhores longas da edição passada do Festival do Rio. O drama com humor negro e mistério é um show de interpretação de Rose Byrne, que deve ser, até que enfim, indicada ao Oscar – ela foi recentemente nomeada ao Globo de Ouro pela intensa e soberba interpretação, um genuíno tour de force. Um filme onde o humor está ali, instalado, dentro de uma história altamente dramática, de uma personagem que se depara com uma sucessão de problemas e quase enlouquece - quando rimos, é de um riso nervoso.  Rose interpreta uma terapeuta que vê sua vida desmoronar em poucos dias. Ela cuida sozinha da filha pequena (nunca aparece o rosto da garotinha, apenas voz e mãos) que está doente e utiliza uma sonda gástrica para se alimentar. O marido está em viagem e também nunca aparece. A casa onde mora inunda, então ela se muda para um motel onde inicia um conflito com a recepcionista do lugar. Uma paciente em crise a deixa aflita, seu psicólogo tem comportamento agressivo, um acidente de carro torna tudo estressante e por aí segue uma lista enorme de problemas diários, que tiram o sono da terapeuta. O filme, como muitos da A24, traz algo sobrenatural simbólico na história – aqui é uma fenda no teto que inunda o quarto da personagem. Olhando por um prisma mais central, é um drama pesadíssimo, sobre as complexidades de uma mulher que tem de lidar sozinha com tudo ao mesmo tempo, como maternidade, ausência do marido, os cuidados com a casa e o excesso de trabalho. Uma história que nos angustia, com um trabalho impecável e certamente memorável de Rose. Estreia hoje nos cinemas pela Synapse Distribution, nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Recife, Maceió, Fortaleza e Belém.
 

 
Jovens mães
 
Prepare-se para um filme de doer na alma, que bate fundo e nos abre reflexões sobre adolescência perdida. Coprodução Bélgica/França assinada pelos irmãos Dardenne, os belgas Jean-Pierre e Luc, que fazem filmes nesse tom dramático, sempre com atores amadores, parecendo documentário tamanha a naturalidade ali tratada – de ‘A criança’ (2005) e ‘O garoto da bicicleta’ (2011). Vencedor do prêmio de roteiro e do Júri Ecumênico em Cannes, o filme traz cinco jovens mães, que tiveram filhos prematuramente e hoje moram num abrigo que serve de casa de assistência onde recebem apoio psicológico e ajuda no cuidado de banho e alimentação dos recém-nascidos. Cada uma delas lida com a fase materna e com a desestruturação familiar – quase todas são mãe solo, uma foi expulsa de casa pela mãe alcoólatra, outra nunca conheceu a própria mãe, que a entregou para a adoção. Meninas despedaçadas, sem perspectivas, e com a responsabilidade precoce de cuidar de um filho. Realidade escancarada pelos Dardenne, numa fita nua e crua. Um drama duro, com momentos incômodos. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne escrevem, produzem e dirigem, e sabem como ninguém desvendar as relações familiares. Os diretores passaram a ser conhecidos no Brasil a partir do fim dos anos 90 na Mostra de Cinema de SP, onde apresentam com frequência seus filmes, em sessões lotadas – lembro que vi na Mostra ‘A garota desconhecida’ (2016), ‘O jovem Ahmed’ (2019) e este ‘Jovens mães’ (2025). O filme estreia hoje nos cinemas pela Vitrine Filmes, nas salas das seguintes cidades: São Paulo, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Poços de Caldas, Niterói, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Vitória, Maceió, Salvador, Natal, Teresina e Recife.
 

 
Influencer do mal: A História de Jodi Hildebrandt
 
Estreou nessa semana na Netflix um novo documentário que segue a linha de filmes investigativos que a provedora costuma lançar. O filme acompanha um caso aterrador que explodiu nos noticiários norte-americanos em 2023, de uma influencer digital que manipulou uma mãe a torturar seus filhos. São duas mulheres distintas que se tornaram amigas e sócias. Primeiramente é apresentado a influenciadora Jodi Hildebrandt, que possuía milhares de seguidores em seu canal do Youtube que ensinava mães a “educar” seus filhos. Jodi tinha um discurso religioso extremista e métodos nada comuns para ensinar comportamento para as crianças. Tornou-se mentora de outra influencer, Ruby Franke, que tinha um canal sobre conselhos de como ser uma mãe melhor, educando os filhos com certa rigidez. Ruby aplicava os métodos em casa e contava diariamente como dois de seus filhos pequenos reagiam. Ruby foi bastante criticada por seguidores na época, que falavam da sua postura severa com os filhos. Quando Jodi e Ruby foram presas em 2023, o sinistro caso tomou conta da mídia – Ruby, induzida por Jodi, aprisionou os dois filhos em casa por anos, numa mansão em Utah, afastada de tudo, e os torturava com cinto e queimaduras. Um dos filhos, um menino de 12 anos, fugiu, pediu ajuda a vizinhos e à polícia, e somente assim puderam se livrar da mãe perversa. O documentário investiga minucias do caso, é um filme apreensivo sobre maus-tratos a crianças, com diversos trechos dos vídeos das Youtubers, bem como do julgamento de Jodi e Ruby – elas pegaram uma pena pesada e ficarão presas por muitos anos. A diretora Skye Borgman realiza com constância docs investigativos envolvendo crianças, quase todos da Netflix, e premiada em festivais independentes; são dela ‘Sequestrada à luz do dia’ (2017) e ‘A garota da foto’ (2022).


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Especial de cinema

 
Balanço: Os melhores e os piores filmes de 2025
 
Mais um ano chega ao fim...
Segue a minha tradicional lista dos melhores (50 ao todo) e dos piores (25) filmes de 2025, assistidos em festivais de cinema (presenciais e online), em salas de cinema e no streaming. São longas exibidos no Brasil, e outros que, por estarem em festivais, ainda não entraram no circuito nacional. Em 2025 assisti a 986 longas-metragens, sendo 542 estreias.
 
OBS 1 – Quanto aos filmes produzidos e lançados em 2025, muitos deles, por terem sido exibidos em festivais, só devem entrar no circuito nacional em 2026.
OBS 2 – Os filmes não estão na ordem de preferência, e sim em ordem alfabética.
 
Aproveito para desejar a todos e todas um feliz Ano Novo, com paz, serenidade, saúde e muito, muito cinema.


Melhores filmes de 2025
 
3 obás de Xangô (Brasil, 2024, de Sergio Machado)
A hora do mal (EUA, 2025, de Zach Cregger)
A meia-irmã feia (Noruega/Dinamarca/Romênia/Polônia/Suécia, 2025, de Emilie Blichfeldt)
A vizinha perfeita (EUA, 2025, de Geeta Gandbhir)
Águias da República (Suécia/França/Dinamarca/Finlândia/Alemanha, 2025, de Tarik Saleh)
Alma do deserto (Colômbia/Brasil, 2024, de Monica Taboada Tapia)
Babygirl (EUA/Holanda, 2024, de Halina Reijn)
Bugonia (EUA/Irlanda/Reino Unido/Canadá/Coreia do Sul, 2025, de Yorgos Lanthimos)
Casa de dinamite (EUA, 2025, de Kathryn Bigelow)
Coração de lutador - The smashing machine (EUA/Japão/Canadá, 2025, de Benny Safdie)
Depois da caçada (EUA/Itália, 2025, de Luca Guadagnino)
Diários da caixa preta/Quatro paredes (EUA/Japão/Reino Unido, 2024, de Shiori Itô)
Dreams (Noruega, 2024, de Dag Johan Haugerud)
Eddington (EUA/Finlândia, 2025, de Ari Aster)
F1: O filme (EUA, 2025, de Joseph Kosinski)
Faça ela voltar (Austrália, 2025, de Danny Philippou e Michael Philippou)
Família (Itália, 2024, de Francesco Costabile)
Filhos (Dinamarca/Suécia/França, 2024, de Gustav Möller)
Flow (Letônia/Bélgica/França, 2024, de Gints Zilbalodis)
Frankenstein (EUA/México, 2025, de Guillermo del Toro)
Guarde o coração na palma da mão e caminhe (França, Território Palestino Ocupado e Irã, 2024, de Sepideh Farsi)
Homem com H (Brasil, 2025, de Esmir Filho)
Hot milk (Reino Unido/Grécia/Austrália, 2025, de Rebecca Lenkiewicz)
Jayne Mansfield, minha mãe (EUA, 2025, de Mariska Hargitay)
Manas (Brasil/Portugal, 2024, de Marianna Brennand)
Missão: Impossível - O acerto final (EUA/Reino Unido, 2025, de Christopher McQuarrie)
Morra, amor (EUA/Canadá/Reino Unido, 2025, de Lynne Ramsay)
O agente secreto (Brasil/França/Holanda/Alemanha, 2025, de Kleber Mendonça Filho)
O bom bandido (EUA, 2025, de Derek Cianfrance)
O roteiro da minha vida – François Truffaut (França, 2024, de David Teboul)
O telefone preto 2 (EUA/Canadá, 2025, de Scott Derrickson)
One to One: John & Yoko (Reino Unido, 2024, de Kevin Macdonald e Sam Rice-Edwards)
Pecadores (EUA/Austrália/Canadá, 2025, de Ryan Coogler)
Predador: Assassino de assassinos (EUA, 2025, de Dan Trachtenberg e Joshua Wassung)
Ritas (Brasil, 2025, de Oswaldo Santana e Karen Harley)
Roberto Rossellini – Mais que uma vida (Itália, 2025, de Ilaria de Laurentiis, Raffaele Brunetti e Andrea Paolo Massara)
Rua do Pescador, nº 6 (Brasil, 2025, de Bárbara Paz)
Se eu tivesse pernas, eu te chutaria (EUA, 2025, de Mary Bronstein)
Sem chão (Território Palestino Ocupado/ Noruega/ Dinamarca/ França/ Alemanha/ Bélgica, 2024, de Yuval Abraham, Basel Adra e Hamdan Ballal)
Setembro 5 (EUA/Alemanha, 2024, de Tim Fehlbaum)
Seymour Hersh – Em busca da verdade (EUA, 2025, de Laura Poitras e Mark Obenhaus)
Sirât (Espanha/França, 2025, de Oliver Laxe)
Superman (EUA/Canadá/Austrália/Nova Zelândia, 2025, de James Gunn)
Tempo de guerra (EUA/Reino Unido, 2025, de Ray Mendoza e Alex Garland)
Trilha sonora para um golpe de Estado (Bélgica/França/Holanda, 2024, de Johan Grimonprez)
Uma batalha após a outra (EUA, 2025, de Paul Thomas Anderson)
Valor sentimental (Noruega/Alemanha/Dinamarca/França/Suécia/Reino Unido/Turquia, 2025, de Joachim Trier)
Vermiglio - A noiva da montanha (Itália/França/Bélgica, 2024, de Maura Delpero)
Você é o universo (Ucrânia, 2024, de Pavlo Ostrikov)
Wallace & Gromit: Avengança (Reino Unido, 2024, de Merlin Crossingham e Nick Park)




Piores filmes de 2025
 
A seita (EUA/Reino Unido/Alemanha/França, 2024, de Jordan Scott)
Atena (Brasil, 2023, de Caco Souza)
Blindado (EUA, 2024, de Justin Routt)
Branca de Neve (EUA, 2025, de Marc Webb)
Código Alarum (EUA, 2025, de Michael Polish)
Duplicidade (EUA, 2025, de Tyler Perry)
Duro de casar (EUA/Chipre, 2025, de Simon West)
G20 (EUA, 2025, de Patricia Riggen)
Guerra dos mundos (EUA/Alemanha, 2025, de Rich Lee)
Hurry up tomorrow: Além dos holofotes (EUA, 2025, de Trey Edward Shults)
Meio grávida (EUA, 2025, de Tyler Spindel)
Minha família muito louca! (Alemanha/Irlanda/Austrália, 2024, de Mark Gravas)
Na sua pele – A série ‘Marked Men’ (EUA, 2025, de Nick Cassavetes)
Nas terras perdidas (EUA/Alemanha, 2025, de Paul W.S. Anderson)
O homem do saco (EUA, 2024, de Colm McCarthy)
O jogo do assassino (EUA/Reino Unido/Espanha/Hungria, 2024, de J.J. Perry)
O rei da feira (Brasil, 2025, de Felipe Joffily)
O ritual (EUA/Índia, 2025, de David Midell)
Os estranhos – Capítulo 2 (EUA/Espanha/Reino Unido, 2025, de Renny Harlin)
Presa/Kalahari (EUA, 2024, de Mukunda Michael Dewil)
Rosario (EUA/Colômbia, 2025, de Felipe Vargas)
Screamboat – Terror a bordo (EUA, 2025, de Steven LaMorte)
Um dia fora de controle (EUA, 2025, de Luke Greenfield)
Uma advogada brilhante (Brasil, 2025, de Ale McHaddo)
Viva! A babá morreu (EUA, 2024, de Wade Allain-Marcus)


Resenha especial

 
A cruz de ferro
 
* Resenha reeditada
 
Em 1943, no auge da Segunda Guerra, Rolf Steiner (James Coburn) é promovido a sargento e recebe a dura missão do capitão Stransky (Maximilian Schell) de localizar a cruz de ferro de um tenente morto em combate. Para satisfazer a vontade do chefe, Steiner desloca um grupo de homens destemidos, sem saber o que encontrará pelo caminho.
 
Sam Peckinpah (1925-1984), apelidado em Hollywood de ‘poeta da violência’, dirigiu com muita dificuldade esse filme de guerra violento, considerado por Orson Welles um dos melhores do tema já produzidos no cinema. O diretor de obras-primas como “Meu ódio será sua herança” (1969) e “Sob do domínio do medo” (1971) demorou para levantar recursos financeiros para o projeto, e estava consumido pelo álcool (Peckinpah era viciado em bebida). Mas nada disso atrapalhou a conclusão desse filme visceral, produzido no Reino Unido e na Alemanha Ocidental e rodado na antiga Iugoslávia. A complexa trama, baseada no livro do alemão Willi Heinrich, traz um sargento recém-nomeado que recebe a missão quase suicida de satisfazer o ego de um melancólico capitão nazista, de obter a cruz de ferro de um tenente morto. Vale destacar que a tal cruz de ferro era uma condecoração militar única e preciosa, originalmente do Reino da Prússia e depois utilizada no Império Alemão e objeto de desejo no Terceiro Reich, exclusiva dos tempos de guerra. Receoso quanto à missão, o sargento reúne homens para se jogar no front para encontrar a almejada cruz.
Com cenas típicas do diretor, de tiros e mortes em câmera lenta (característica fecunda do cineasta), e um vasto material de arquivo (vídeos e fotos da Segunda Guerra Mundial, no caso), tem um humor cínico e reviravoltas marcantes. Quebra o estereótipo dos nazistas vilões para mostrá-los como soldados quaisquer em meio à dureza de uma guerra. Fala da truculência dos inimigos (no caso os soviéticos e os americanos) e das artimanhas de sobrevivência no meio do caos. Um dos mais complexos personagens da história é o capitão Stransky (interpretado pelo ótimo Maximilian Schell), um homem já cansado da guerra que envia a tropa atrás da cruz somente para satisfazer seu ego e honrar o nome da família (e também de ganhar mais um item para sua coleção particular).



Complementam o time de astros e estrelas James Coburn, James Mason, David Warner e Senta Berger. Teve uma continuação bem inferior dois anos depois, “Ruptura das linhas inimigas” (1979), com novo diretor, produtor e elenco (incluindo Richard Burton e Rod Steiger).
O filme pode ser encontrado em mídia física no Brasil em diversas cópias. Em agosto deste ano ele saiu em bluray pela Versátil Home Video, com excelente cópia restaurada pela StudioCanal, companhia francesa que integra a Canal+ Group, na metragem sem cortes, de 132 minutos, a melhor até agora do mercado. A restauração em 4K deu-se a partir do negativo original em 35mm, e o filme saiu dentro do box ‘Peckinpah Essencial’ - foto abaixo – é uma caixa com dois discos em bluray que trazem também, em inéditas cópias restauradas em 4K, ‘Meu ódio será sua herança’ (1969 – na versão do diretor, de 145 minutos), ‘Sob o domínio do medo’ (1971 – versão sem cortes, de 118 minutos) e ‘Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia’ (1974). Nos discos há cinco horas de material extra, além de acompanhar um livreto de 44 páginas e cards colecionáveis. Em DVD o filme pode ser encontrado pela Classicline, também na metragem sem cortes, de 132 minutos – a versão de cinema é de 119 minutos; em 2022 a Classicline relançou o filme numa caixa em disco triplo (3 DVDs) chamada “Coleção Cruz de ferro”, contendo tanto o filme de 1977 quanto a continuação, “Ruptura das linhas inimigas”, esse em duas versões (a versão americana, chamada de ‘estendida’, de 111 minutos, e a compacta, com 83 minutos, exibida na TV brasileira, com dublagem da época).



 
A cruz de ferro (Cross of iron). Reino Unido/Alemanha, 1977, 132 minutos. Guerra. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Sam Peckinpah. Distribuição: Versátil Home Video (Bluray de 2025) e Classicline (DVD de 2022)
 
* Resenha reeditada do texto original publicado em 24/12/2022

domingo, 28 de dezembro de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 3


Seymour Hersh – Em busca da verdade
 
Exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP deste ano com o título original, ‘Cover-up’, o documentário que está na shortlist do Oscar de 2026 é um thriller político sobre o trabalho do jornalista investigativo americano Seymour Hersh, prêmio Pulitzer. Apelidado de Sy, hoje aos 88 anos, especializou-se em geopolítica e assuntos militares. Judeu, descendente de lituanos, investigou o Pentágono, as atividades ilegais da CIA, a Guerra do Vietnã – denunciando as bombas químicas mortais usadas pelos americanos lá, além de Nixon e da Guerra do Iraque. Atuou como assessor de imprensa do Partido Democrata e escreveu artigos sobre as torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib, cometida por militares americanos, chegando ainda a denunciar a caçada forjada a Osama Bin Laden. Parte dessa trajetória de Hersh são analisadas por ele mesmo, num documentário sério e vívido. Ele relutou em participar, mas acabou cedendo, abrindo sua casa para contar momentos ruidosos da carreira jornalística. Em momentos mais ousados, denuncia certa perseguição à imprensa e a autocensura dos jornais americanos. Conta com amplo material da época, como fotos e reportagens televisivas, e arquivos pessoais de Hersh, como anotações em cadernos e arquivos sigilosos guardados a sete-chaves. É também um filme de denúncia sobre as atrocidades do imperialismo dos Estados Unidos. Exibido nos festivais de Veneza, Toronto e Nova York, é uma produção da Netflix que acaba de estrear na plataforma. Quem dirige é Laura Poitras, jornalista e cineasta especializada em cinema político, que ganhou o Oscar de melhor documentário por ‘Cidadãoquatro’ (2015) e que tem outros dois docs indicados ao Oscar, ao lado do diretor cinco vezes ganhador do Emmy Mark Obenhaus.
 

 
Vizinhos bárbaros
 
Muitos conhecem a francesa Julie Delpy como atriz, de filmes europeus como ‘A igualdade é branca’ (1994) e da trilogia americana ‘Antes do amanhecer’ (Before Trilogy). Mas ela é também uma exímia diretora e roteirista, realizadora de oito longas-metragens, cujo último trabalho acaba de estrear nos cinemas brasileiros, ‘Vizinhos bárbaros’ (2024). É uma comédia dramática humanista, sobre imigração e xenofobia. Na história, os moradores de uma comuna francesa aceitam acolher imigrantes refugiados da Ucrânia, em troca de subsídios do governo. A Ucrânia tinha acabado de entrar em guerra com a Rússia em 2022, e o grupo se prepara para recebê-los após um plebiscito na cidade. No entanto, descobrem algo inusitado: os refugiados são na verdade sírios, que fugiram de outra guerra – a da guerra civil, o que desencadeia uma série de conflitos étnico-culturais. O filme tem belas paisagens da região onde se passa a história, Paimpont, uma vila medieval cercada por castelos e lagos, tem crítica social – sobre o preconceito aos árabes e palestinos, onde passam a ser atacados pelos franceses, e no final fica a pergunta: “quem são os bárbaros neste caso”? Julie Delpy lidera o elenco, que conta com Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte e do pai de Julie, o ator Albert Delpy. Exibido no Festival de Toronto, o filme estreia nos cinemas brasileiros com selo de distribuição da Synapse Distribution. Um bom filme alternativo para o público fugir dos lançamentos comerciais.
 

 
Volveréis
 
Outro longa alternativo entra em cartaz nos cinemas brasileiros, desta vez uma produção espanhola coproduzida na França, assinada por Jonás Trueba, filho de um dos maiores diretores vivos da Espanha, Fernando Trueba, do ganhador do Oscar de filme estrangeiro ‘Sedução’ (1992). É o 12º longa que Jonás dirige, que costuma fazer comédias dramáticas sobre intensas relações de amor e amizade – lembro que em Buenos Aires, ao participar do Festival Internacional de Cine Independente de Buenos Aires (Bafici) de 2015, assisti a um dos primeiros trabalhos dele, que me marcou muito, ‘Los exilados románticos’ (2015), nunca exibido no Brasil. ‘Volveréis’ segue a temática abordada por ele anteriormente, uma comédia dramática que circula um relacionamento em crise, de uma diretora de cinema e um ator, respectivamente Ale (Itsaso Arana) e Álex (Vito Sanz). Eles viveram 15 anos juntos, mas agora decidem se separar. O pai de Álex (papel rápido do próprio Fernando Trueba) diz que tudo é motivo para festa, seja casamento, separação ou funeral. Então Ale e Álex organizam uma festa de separação para reunir amigos e familiares – uma forma de comunicar o divórcio e de reforçar que não estarão mais juntos, por mais impossível que aquilo possa parecer. Daquelas comédias cujas ações se repetem e soam absurdas – quem em plena consciência faz uma festa para se separar?, que se desdobra em situações inusitadas. No fim das contas o casal nunca se separa, até porque trabalham no cinema e poderão se trombar em outras produções. A estética do cinema de Jonás foge do padrão, recorrendo a ambientes internos, com uma fotografia que reluz, ele divide a tela em dois para mostrar o que andam fazendo cada personagem, com transições e metalinguagens. É dele também o roteiro, que o escreveu ao lado dos dois atores centrais, o casal, que vale destacar está muito bem em cena. Um filme particular para público interessado em cinema com novas linguagens. Nos cinemas pela Zeta Filmes.
 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 2

  
Milonga
 
Com dois prêmios no Cine Ceará de 2024, a coprodução Uruguai/Argentina da estreante cineasta uruguaia Laura González chegou ao circuito de cinema brasileiro com pouca repercussão do público, infelizmente. É um bom filme, um delicado drama bem construído e bem interpretado, que passou despercebido aos olhos das pessoas – e incluo aqui a crítica. Os dois países sul-americanos produtores sabem contar histórias de traumas, superação e memória, e ‘Milonga’ segue nesse escopo. O drama acompanha Rosa (Paulina García, chilena premiada como melhor atriz no Festival de Berlim por ‘Glória’, a versão original de 2013), uma senhora que ficou viúva há poucos meses, após longa dedicação ao marido. Ela sofreu nas mãos dele, um cidadão violento. Sozinha, afasta-se da única pessoa da família, o filho. Um dia descobre na milonga, um ritmo derivado do tango, uma forma de superação dos traumas passados. Ela passa a frequentar um salão de dança para pessoas idosas. Lá conhece Juan (o uruguaio Cesar Troncoso, que fez diversos filmes no Brasil), e os dois iniciam uma amizade que extravasará para fora do salão de dança. Um filme feminino em que a protagonista é encorajada a resolver seus problemas por meio da arte e assim seguir a vida com outros olhares. Também toca em feridas das mulheres agredidas e abusadas por seus companheiros, mostrando as marcas psicológicas duradoras da violência doméstica. Um bom exemplar da nova safra do cinema latino-americano contemporâneo. Nos cinemas pela Kajá Filmes.
 

 
Nosso natal em família
 
Exibido na Quinzena dos Diretores do Festival de Cannes e depois no Brasil pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 2024 com o título de ‘Véspera de Natal em Miller’s Point’, a comédia superpessoal do jovem cineasta Tyler Taormina é uma homenagem aos natais de sua família, na época da infância do diretor. Ali observamos uma família cheia de vícios e situações burlescas. É um ‘Parente é serpente’ menos dark, mas tão afetivo quanto. A história se passa na véspera de natal, e uma típica família americana se reúne para o evento de fim de ano. Na casa da matriarca vem filhos e filhas, primos distantes, numa noite regada a comida, conversas aleatórias e trocas de presente. Mas como em toda família haverá conflitos e desencontros. Participam ali três gerações, e aquela noite poderá ser o último encontro natalino no antigo lar dos avós, que estão bem idosos. O filme tem drama e um fino humor, sem nada escrachado, com momentos humanos e piadas sutis. Há muitos diálogos, e nós, o público, somos convidados a acompanhar os acontecimentos pelos cômodos da casa. Há um tom envelhecido na imagem, tudo se passa dentro da residência numa noite inteira, e, apesar de não citar, parece que o filme é na década de 90 – ninguém tem celular e há uma TV de tubo onde as crianças jogam videogame, particularidades daquela época. Gostei do longa porque nele recordei dos finais de ano na casa da minha avó, e assim me transportei no tempo. O elenco é interessante, com gente desconhecida e estreantes, mas alguns nomes curiosos, como Sawyer Spielberg, Francesca Scorsese e Laura Robards, respectivamente filhos de Steven Spielberg e Martin Scorsese, e neta de Jason Robards, além de participações de Maria Dizzia, Ben Shenkman, Michael Cera e Elsie Fisher. Estreou anteontem, no dia do Natal, com exclusividade na plataforma de streaming do Filmelier+.
 

 
Selena y Los Dinos: Legado de família
 
Documentário norte-americano da Netflix sobre a cantora nascido no Texas, mas de origem mexicana, Selena Quintanilla (1971-1993), que virou um ícone pop nos anos 90, mas que infelizmente teve a trajetória encerrada de forma prematura. Selena foi assassinada com um tiro por uma ex-funcionária e presidente do fã-clube, aos 23 anos, no auge da carreira, enquanto se preparava para um show em Houston, no Texas. Ela deixou marcas profundas na música tejana, um estilo que ela inovou, e uma legião de adoradores ao redor do mundo, a maioria na América. O filme, premiado no Festival de Sundance deste ano, reúne os membros da família Quintanilla, que compunham a banda dela, Los Dinos: o irmão, a irmã, o namorado e o pai, que era o empresário. A mãe de Selena, que acompanhava as turnês e auxiliava no camarim, também fala no filme, bem como donos de gravadoras e músicos que passaram pelo grupo. Los Dinos era uma banda dos anos 50 fundada pelo pai de Selena, Abraham, que reunia amigos dele. A banda perambulou tanto no México quanto nos Estados Unidos. Uma década e meia mais tarde, Abraham abriu no Texas um restaurante com a família e lá, nos anos 70, reinventou Los Dinos trocando os amigos pelos familiares – a filha mais velha na bateria, o filho da guitarra e Selena, com seis anos, no vocal. A banda cresceu, ganhou destaque nas rádios mexicanas e americanas, e Selena foi aos poucos vendo o sucesso se tornar realidade. Ao longo da carreira, Selena manteve a família na banda, ganhou um Grammy, participou do filme ‘Don Juan de Marco’ e fez centenas de shows pelo mundo levando o dançante ritmo tejano para os quatro cantos. Quando gravou o primeiro disco com letras em inglês, foi assassinada. No documentário, além das entrevistas atuais com os familiares, há clipes, shows, entrevistas antigas e bastidores dos shows de Selena. Eu gostei muito e pude conhecer mais sobre a cantora – há sobre ela um filme biográfico com Jennifer Lopez indicada ao Globo de Ouro pelo papel, ‘Selena’ (1997), e também as duas temporadas de ‘Selena: A série’ (2020-2021), um trabalho ficcional da Netflix. Agora vem esse bom doc em formato de filme, ‘Selena y Los Dinos: Legado de família’, já disponível na Netflix.
 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 1

 
 
Memórias de um verão
 
Adaptação de um livro dos anos 70 da escritora finlandesa Tove Jansson, o drama sobre amadurecimento e relações afetivas de uma avó com sua neta traz uma interpretação formidável de Glenn Close, veterana atriz que admiro muito pela sua versatilidade. Sophia (Emily Matthews), uma garota de nove anos, viaja para passar uma temporada com a avó (Glenn Close, oito vezes indicada ao Oscar) em uma ilha na Finlândia. É verão, e a região é pouco habitada, o que fortalece os vínculos das duas. Diariamente elas exploram os cantos da ilha e a natureza ali presente. A mãe de Sophia faleceu há pouco tempo, assunto que a garota evita falar, até que aquela ferida ‘aparece’ na conversa da avó com a neta. As belas paisagens do litoral finlandês ajudam a compor a essência deste filme sensorial, cheio de cenas em close-up – que favorecem as emoções e a relação de alma daquela neta com sua carinhosa avó, numa família atravessada por um luto recente. O filme foi todo rodado com luz natural, em pleno verão, em cidades banhadas pelo Golfo da Finlândia, no Mar Báltico. O diretor norte-americano Charlie McDowell, de ‘Complicações do amor’ (2014) e ‘A descoberta’ (2017), conduz com sensibilidade o elenco e um tema tão profundo. A estreante atriz mirim Emily Matthews é perfeita para o papel, e o filme conta com participação do ator norueguês Anders Danielsen Lie, de ‘A pior pessoa do mundo’ (2021). Exibido nos festivais de Miami, Munique e BFI London, teve estreia em cinemas brasileiros na semana passada, com distribuição da Synapse Distribution.
 


 
Guarde o coração na palma da mão e caminhe
 
Diretora iraniana radicada na Europa, também roteirista de documentários premiados, Sepideh Farsi realizou um dos filmes mais impactantes da temporada, um doc profundo cujo pano de fundo é a Guerra de Gaza – iniciada em 2023 e que se arrasta até hoje. O filme acompanha uma série de conversas entre Sepideh e a fotojornalista palestina Fatma Hassona, que também era poetisa - a primeira em sua residência na Europa, e a outra em sua casa, em Gaza, sob ataques a bomba. As duas se comunicam via celular, em chamadas de vídeo – uuma estética inovadora, ao mesmo tempo corajosa e delicada pelos registros ao vivo, com longas sequências sem cortes em que as interrupções se naturalizam, sejam por causa de uma bomba que explode nas proximidades onde Fatma está ou pela queda de conexão da internet que distorcem a imagem. As duas ficaram próximas, mesmo com a distância, e conversam sobre temas que envolvem tanto o massacre dos palestinos pelas forças israelenses quanto questões acerca do trabalho da fotojornalista, da mulher na sociedade palestina, da relação dela com a família, da vida em Gaza, do medo do amanhã etc. Gaza estava cercada e sob ataque, com bombardeios diários, que põe a vida de Fatma e da família dela em risco constante. O filme é a compilação de conversas que duraram 200 dias entre as duas, de 2024 e 2025, só terminando por causa de uma tragédia que se tornou fato notório – como alguns podem não saber, vou deixar em aberto espaço, sem revelar o ocorrido. Sepideh disse uma frase marcante sobre a relação dela com Fatma: “Ela se tornou meus olhos em Gaza, e eu, sua janela para o mundo”. Coprodução da França, Palestina e Irã, o filme foi para Cannes, onde concorreu ao Golden Eye, depois exibido em festivais como Edimburgo, Chicago, Montreal e Rio, e agora está nos cinemas com distribuição da Filmes do Estação (distribuidora do Grupo Estação, fundada em 1990). Um dos bons documentários do ano.
 
 
Sorry, baby
 
A Mares Filmes em parceria com a Alpha Filmes lançou nos cinemas na última semana este bom longa independente premiado em dezenas de festivais como Sundance, exibido nos festivais de Cannes e Toronto e recém-indicado ao Globo de Ouro de melhor atriz de drama para Eva Victor, que também é a diretora e roteirista. Eva fez uma pequena façanha cinematográfica: um filme cult curto, com elenco enxuto e de tema provocador, sobre abuso sexual e masculinidade tóxica, sem ser explícito, contando-o de maneira ao mesmo tempo simbólica e sensível. Ela interpreta Agnes, uma estudante madura e dedicada, que um dia é convidada pelo professor e orientador da faculdade para uma conversa particular em casa. No dia seguinte, relata para a melhor amiga que foi abusada por ele – o que a deixa despedaçada. Agnes só tem a amiga com quem contar, Lydie (Naomi Ackie), e aos poucos se vê sozinha, enfrentando crises de pânico. O filme é inspirado no verdadeiro abuso sofrido por Eva, e com destreza expôs as dolorosas feridas na tela. Sem cair em clichê ou ser melodramática, Eva dosa o lado pesado da trama com um certo humor, típico de seus trabalhos anteriores – ela era comediante em programas de internet - mas com cautela, já que o tema do abuso é delicado e não pode cair no deboche. A diretora/atriz/roteirista demonstra técnica e seriedade com seu trabalho de estreia, que se tornou um fenômeno no circuito independente de cinema e disputa vaga no Oscar de 2026, nas categorias de atriz e roteiro. Fiquei maravilhado com o trabalho dela de atriz e de diretora, um filme que merece ser descoberto.
 

 
Assassinato em Mônaco
 
Documentário da Netflix sobre a investigação em torno do assassinato de um dos homens mais ricos do mundo, Edmond Safra (1932-1999), um banqueiro bilionário morto de forma misteriosa em Mônaco. Produção britânica, o filme entrevista pessoas ligadas a Safra, como amigos, enfermeiros que cuidaram dele e familiares, além de investigadores, recorrendo a pouco material pessoal arquivo, já que Safra era um homem reservado – o que mais se destaca são reportagens de TV da época. Nascido em Beirute, Safra tornou-se um magnata, e logo naturalizou-se no Brasil, onde casou com a brasileira Lily Safra, uma filantropa. Safra morreu aos 67 anos em um incêndio em seu apartamento de luxo em Monte Carlo, Mônaco. O principal suspeito foi o enfermeiro particular, Ted Maher, ex-Boina Verde, que foi preso e confessou ter colocado fogo no apartamento de Safra – segundo ele, era uma forma de resgatar o paciente e receber dele uma recompensa. Mas Ted sempre negou ter matado Safra, apenas ter incendiado o apartamento. Diante dessa dúvida, o filme procura responder perguntas que ainda pairam no ar – Safra já estava morto quando o incêndio ocorreu? Se não, quem o matou, já que os guarda-costas dele estavam de folga no dia do crime? No filme relata-se que a esposa havia herdado boa parte da herança em vida, o que colocou Lily como suspeita. É um documentário que destrincha o fato, acompanhando bastidores da investigação e tentando colocar um ponto final nesta trama de crime e cobiça.
 

 
O mistério da Família Carman
 
Documentário investigativo da Netflix que se debruça em um caso complexo envolvendo assassinato em família e uma herança milionária. Os fatos na Família Carman se sucederam entre 2013 e 2016, com ampla repercussão nos Estados Unidos. Um jovem chamado Nathan tornou-se o principal suspeito da morte do avô, John Chakalos, um senhor com muito dinheiro em conta e aplicado em propriedades. John foi assassinado a tiros enquanto dormia, em 2013. Três anos depois, em 2016, Linda, a filha dele e mãe de Nathan, desapareceu em um acidente de barco durante uma pescaria; ela estava com Nathan, que foi resgatado das águas pela Guarda Costeira. Uma apuração interligando os dois casos deu-se pela polícia, e os crimes foram empurrados para o colo do rapaz, que sempre negou ter cometido qualquer assassinato. O filme recupera imagens do interrogatório de Nathan e dos depoimentos de Linda antes de morrer, juntando-os com relatos atuais de pessoas ligadas à família, bem como policiais e investigadores do caso. É uma teia complexa, de um caso que demorou para ser concluído. A herança deixada por Chakalos girava em torno de U$ 45 milhões. As reviravoltas são surpreendentes em mais um bom filme de caso policial em formato de documentário da Netflix – que investe pesado no tema, seja em filmes ou séries. Está no catálogo do streaming desde 20 de novembro.


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