segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Cine Lançamento


No auge da fama

Humorista nova-iorquino, Andre Allen (Chris Rock), que até pouco tempo atrás era um requisitado astro de cinema, prepara-se para lançar seu novo filme. Com linhas traçadas pelo destino, cruza inesperadamente com a jornalista do New York Times Chelsea Brown (Rosario Dawson), que propõe uma entrevista sobre sua carreira. Após um flerte, ela o faz confrontar-se com as duras marcas do passado.

O astro do cinema negro Chris Rock escreve, dirige e protagoniza uma das melhores comédias românticas recentes do cinema Black, infelizmente lançada diretamente no Brasil em home vídeo pela Paramount (deveria ter sido exibida nos cinemas, para um maior número de pessoas conhecerem). É o melhor Chris Rock de todos os tempos, que rejeita velhos padrões, como o lado histérico insuportável do seu stand up, e reage como um bom roteirista e diretor, num papel equilibrado, autobiográfico, sobre os percalços do negro na mídia americana, cutucando sutilmente mazelas com um humor afinado. Os diálogos realçam a problemática da massa com a música e o cinema feitos pelos negros, discute a intolerância e o racismo disfarçado, em tom cínico, de forma inteligente (Chris Rock demonstra talento que muitos duvidavam, inclusive eu, que nunca gostei de seus trabalhos).
Compôs um elenco incrível de nomes notáveis do cinema negro, como a exuberante Rosario Dawson (e ótima atriz), a vencedora do Oscar Whoopi Goldberg, as indicadas ao Oscar Gabourey Sidibe e Taraji P. Henson, o rapper DMX e outros da nova geração, como os comediantes Kevin Hart e Tracy Morgan, além de Luís Guzmán e uma pontinha de Adam Sandler.
Rock, com pouco orçamento na mão (o filme é independente, custou U$ 6 milhões), rodou tudo nas ruas Nova York, sempre dialogando com pessoas nos locais onde costuma frequentar no cotidiano, como bares, casas de amigo e praças.
Surpreendi-me com a qualidade desse filme pessoal de Chris Rock, pela maneira discreta, porém perspicaz como abordou o tema dos negros na mídia atual e que, no final das contas, diverte com as boas sacadas e também deixa um espaço para o público refletir. Recebeu prêmios diversos ao redor do mundo, ou seja, teve um reconhecimento até fora dos Estados Unidos, onde a bilheteria nos cinemas foi maior. Altamente indicado. Já em DVD e Blu-ray. Por Felipe Brida


No auge da fama (Top five). EUA, 2014, 102 min. Comédia romântica. Dirigido por Chris Rock. Distribuição: Paramount

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Resenha especial


O vale das bonecas

A jovem Anne Welles (Barbara Parkins) pretende seguir a carreira de atriz de show business. Enérgica e disposta a tudo, ela larga os estudos, sai de casa, no interior dos Estados Unidos, e parte para Nova York. Na companhia de duas belas garotas, Neely (Patty Duke) e Jennifer (Sharon Tate), envolvidas com a arte e o movimento feminista, Anne encara a árdua disputa na cidade grande para obter um lugar na Broadway.

Lançado em 1967, em plena agitação da contracultura e dos movimentos feministas, o bom drama “O vale das bonecas” obteve enorme sucesso de público nos Estados Unidos, com bilheteria de U$ 50 milhões no mundo todo (o orçamento foi de U$ 5 milhões). Também romântico, idealizado com uma bonita fotografia do show biz de Nova York e da cidade durante o inverno e com um elenco central composto por três lindas mulheres, o filme tornou-se memorável por dois fatos: foi uma adaptação super aguardada do best seller de Jacqueline Susann, que só em território americano vendeu 30 milhões, e também pelo fato de ter sido um principais trabalhos da atriz e modelo Sharon Tate, ex-mulher do cineasta Roman Polanski, assassinada pelos integrantes da seita de Charles Manson em 1969 (ela e mais quatro pessoas foram mortas com facadas, depois de serem submetidas à tortura).
Permeado com alguns números musicais (até a atriz Susan Hayward, do elenco de apoio, aparece cantando), há um diálogo importante, dependendo do tema um mais profundo que o outro, com o pano de fundo histórico-cultural dos Estados Unidos da década de 60, em especial ao sonho americano, ao movimento feminista e, claro, à difusão das drogas lícitas e ilícitas, como LSD, ácido e os famigerados barbitúricos, utilizados em larga escala pelas estrelas da época, muitas delas mortas prematuramente pelo uso abusivo (os comprimidos, por exemplo, aparecem como personagens na abertura, em animação).
Como produto de cinema, “O vale das bonecas” funcionou como entretenimento e hoje, apesar de datado, serve como recorte de estudo de uma época de profundas transformações que influenciaram a política, a moda e as artes do mundo inteiro.
Dirigido por Mark Robson, o filme recebeu indicação ao Oscar e ao Grammy de melhor trilha sonora (John Williams), além de melhor atriz para Sharon Tate no Globo de Ouro.
Até então o filme estava inédito em DVD no Brasil. Teve, em 1970, uma continuação inferior, não mais baseada na obra original de Jacqueline Susann, de outro diretor e novo elenco, intitulada “De volta à casa das bonecas”. Por Felipe Brida

* Publicado na coluna "Middia Cinema", da Middia Magazine - edição setembro/outubro de 2015

O vale das bonecas (Valley of the dolls). EUA, 1967, 123 min. Drama. Dirigido por Mark Robson. Distribuição: Obras-primas

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Resenha especial


Imagens

Escritora de livros infantis, Cathryn (Susannah York) prepara-se para sua nova obra literária sobre crianças e unicórnios. Imersa totalmente na literatura, sofre uma forte crise de delírios desconfiando de uma possível traição do marido, Hugh (Rene Auberjonois). Para se restabelecer, Cathryn e o esposo viajam para um local remoto e lá começa a ser atormentada por imagens perturbadoras. Em constante tensão, a escritora fecha-se em um mundo particular a ponto de não distinguir mais a realidade palpável dos pensamentos que a assombram.

Excelente fita cult escrita e dirigida por Robert Altman, numa única experiência com o cinema de terror, com pontual teor intimista e psicológico, que deixa o público à flor da pele. O importante cineasta norte-americano, falecido em 2006 aos 81 anos, rodou o filme na Irlanda, no inverno – por isto a fotografia enevoada do húngaro vencedor do Oscar Vilmos Zsigmond, e optou por não dar nome à longínqua cidade onde ocorrem os estranhos eventos com a protagonista, interpretada por Susannah York (premiado como melhor atriz em Cannes, num papel assombroso, digno de calorosos elogios). Na realidade, essa obra alternativa de Altman traz pontos autorais e de certa forma baseados em pequenas situações reais ligados a Susannah (falecida em 2011, aos 72 anos). Ela também era escritora de livros infantis, como sua personagem, e na época preparava-se para uma nova história para as crianças, intitulada “À procura do unicórnio”. Altman, sagazmente, aproveitou-se da ocasião para trazer para o roteiro do filme uma escritora num exaustivo processo criativo apropriando-se inclusive das terras imaginárias de Om contida nesse livro de Susannah (em várias sequências a personagem lê passagens do livro real, permeadas com imagens oníricas de uma região remota). Original o trunfo de Altman, que fez tudo com pouco dinheiro – a produção, independente, custou U$ 800 mil.
Outro item crucial para o perturbador resultado do filme envolve a trilha sonora metódica do imponente músico premiado John Williams.
Há uma simbologia ambígua nas fortes imagens criadas pelo diretor, sempre apontando para a esfera principal do filme, que é a escritora. Como um espelho (representado, na história, pela câmera fotográfica do marido), ela vê reflexos de sua vida passada, em delírios que se confundem com a realidade, saindo do limite da tela em direção ao telespectador, que também fica numa linha cruzada entre o que é verdade e o que não passa de imaginação.
Indicado à Palma de Ouro em Cannes, “Imagens” é um trabalho controverso da carreira de Altman, fora do padrão dos seus filmes, com forte impacto visual e final igualmente assustador. Pela primeira vez em DVD no Brasil em edição especial restaurada com vários extras (depoimento de Altman, cenas comentadas e trailer), com distribuição pela Versátil. Por Felipe Brida*

* Publicado na coluna "Middia Cinema", da Middia Magazine - edição setembro/outubro de 2015

Imagens (Images). Inglaterra/EUA, 1972, 101 min. Suspense/Drama/Terror. Dirigido por Robert Altman. Distribuição: Versátil

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Morre o diretor e roteirista Wes Craven


Diretor e roteirista de filmes de terror como "A hora do pesadelo" (1984), "A maldição de Samantha" (1986), "A maldição dos mortos-vivos" (1988), "As criaturas atrás das paredes" (1991) e "Pânico" (1996), cineasta faleceu ontem aos 76 anos, de câncer cerebral. Deixa esposa e dois filhos.




quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Lançamentos


Projeto Almanaque

Grupo de universitários descobre, no sótão da casa de um deles, um antigo projeto de máquina do tempo. Surpresos, eles montam o equipamento e utilizam-no para voltar ao passado a fim de reparar pequenos erros do cotidiano. Porém a situação foge do controle causando efeitos devastadores na vida de cada um dos envolvidos.

Produzido por Michael Bay, “Projeto Almanaque” é um bom passatempo na linha de ficção científica feito por jovens atores (desconhecidos entre os brasileiros) e de interesse aos adolescentes. Apesar da assinatura de Bay, não espere shows pirotécnicos de efeitos visuais nas proporções de “Transformers”, pois o orçamento deste aqui é uma pontinha em relação aos blockbusters do famoso produtor – na verdade o filme é independente, custou U$ 12 milhões, mas rendeu o dobro nas bilheterias norte-americanas. Já no Brasil veio direto em home video (em DVD e Blu-ray, distribuído pela Paramount).
É um divertido (e por vezes assustador) entretenimento jovial, que acompanha a drástica mudança na rotina de um grupo de amigos de faculdade ao encontrar esboços de uma máquina do tempo. Fuçados em engenharia básica e entusiasmados com a descoberta, eles criam o equipamento tornando-se cobaias de uma incrível viagem ao tempo, num intenso ir e vir ao passado e ao futuro. Assim cada um deles atinge velhos objetivos: resolver desafetos, ganhar dinheiro ao prever os números da loteria, tornar-se popular na escola etc. Mas nem tudo é perfeito, e quanto mais os jovens modificam o passado, maior a probabilidade de ocorrer graves consequências no futuro, um ‘lugar’ desconhecido – ou seja, sob uma ótica determinista, o filme dialoga com a Teoria do Caos.
Super empolgante, a história contorna-se em reviravoltas decisivas, uma atrás da outra. E atente-se ao desfecho metafórico.
“Projeto Almanaque” foi uma boa descoberta de 2015, lançado numa safra positiva de novos diretores – esta é a estreia de um jovem cineasta chamado Dean Israelite, que em anos anteriores rodou somente curtas-metragens. Já em DVD e Blu-ray. Por Felipe Brida

Projeto Almanaque (Project Almanac). EUA, 2015, 106 min. Ficção científica/Ação. Dirigido por Dean Israelite. Distribuição: Paramount

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Nota de cinema


Vídeo ++ inaugura sua primeira locadora de filmes em Catanduva

A locadora de filmes Video ++ inaugurou a primeira loja em Catanduva no início desse mês. Situada na rua Treze de Maio, 332, Centro, ela substitui a antiga “100% Video”. A proprietária da marca, Thatiana Pizarro Carvalho, aposta firme na nova proposta. “Tudo permanece da mesma forma, porém a loja apresenta visual ainda mais moderno e espaço convidativo para crianças, jovens e adultos. Garantiremos, assim, o atendimento personalizado, e o público contará com novidades promocionais e muitos lançamentos em DVD e Blu-ray”, frisou.
Às terças e quartas-feiras haverá a promoção “Pague meia”, ou seja, haverá desconto de metade do valor para todos os filmes a partir da segunda locação.



Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h.

Informações: 17 3521-4344


Facebook da loja: https://www.facebook.com/videomaismais

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Viva Nostalgia!


Casa, comida e carinho

O produtor de teatro Joe D. Ross (Gene Kelly) fecha contrato com uma simples família do interior dos Estados Unidos, os Falbury, para apresentar seu novo espetáculo na fazenda deles. A proprietária das terras, Jane Falbury (Judy Garland), aceita participar da peça e logo rouba a cena, tornando-se estrela da noite para o dia.

Divertidíssima e nostálgica comédia romântica musical que fez sucesso no lançamento, em 1950, com direção do sempre bom Charles Walters (de “Lili”, “Alta sociedade” e “A inconquistável Molly”). Marcou o reencontro do lendário ator Gene Kelly e da atriz Judy Garland – ambos estiveram em cena em “Idílio em dó-ré-mi” (1942) e “O pirata” (1948), por exemplo, e aqui novamente brilham com vigor, dança e muita música (eles eram cantores e dançarinos de verdade!).
Jogando com uma história simples, o diretor presta uma singela homenagem ao mundo do teatro, com alusão à Broadway, local de convívio e trabalho do cineasta Charles Walters (a companhia que se apresenta nas terras dos Falbury é da Broadway). Mostra os bastidores da arte cênica, como a relação dos atores dentro e fora dos palcos e o corre-corre da montagem dos espetáculos, ou seja, para pessoas que lidam diariamente com teatro, o filme é uma razão a mais para assistir.
Rodado inteiramente nos estúdios da MGM, os cenários aludem ao típico interior norte-americano, com amplas fazendas verdes, gado, calorão e a harmonia da família sulista.
Chega pela primeira vez em DVD pela distribuidora Obras-primas, em cópia excelente. Divertido, agradável, é para ter em qualquer coleção. Por Felipe Brida

Casa, comida e carinho (Summer stock). EUA, 1950, 108 min. Musical/Romance. Colorido. Dirigido por Charles Walters. Distribuição: Obras-primas.

* Resenha publicada na coluna Middia Cinema - edição de agosto/setembro de 2015 da Middia Magazine.

Estreias da semana – Nos cinemas

    A pequena Amélie   Indicado ao Oscar de melhor animação deste ano, a produção franco-belga é uma pequena joia do desenho contemporâneo, ...