Minha
querida família
A
cineasta, atriz e artista plástica Isild Le Besco retorna às telas com “Minha querida
família”, que está nos cinemas brasileiros com distribuição da Fênix Filmes.
Trata-se de uma fita francesa autoral sobre os altos e baixos das relações
familiares. A história transcorre em um fim de semana, quando uma família marca
um reencontro. São muitas pessoas, que vem de lugares distantes, e ficam
hospedadas na casa de uma idosa apelidada carinhosamente de Queen (Marisa
Berenson). No passado, ela foi cantora e chamada até de div, mas hoje mora reclusa
numa antiga casa de campo. A aconchegante residência recebe os netos e as filhas
dela, que conhecem lá novos primos. A filha mais velha de Queen, Estelle (Élodie
Bouchez), acaba de voltar de Roma com a filha pequena após uma crise conjugal. Os
dias serão marcados por rodadas de vinho, risos e piadas, jantares, brincadeiras
ao ar livre ao redor da idílica paisagem, memórias afetivas e também situações mal
resolvidas, incluindo mágoas e ressentimentos. Uma dramédia que vira dramalhão sobre
uma família que retorna às origens para um reencontro que será marcado por
alegria, mas também brigas. Bem fotografado e com boas atuações, dentre elas Marisa
Berenson, consagrada atriz de “Cabaret” (1972) e “Barry Lyndon” (1975) como a
matriarca que tenta ajeitar todos os lados da família. Teve passagem pelo
Festival de Locarno em 2024 e pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Mother’s
baby
Outra
instigante fita de arte europeia dirigida por uma mulher estreia nos cinemas
brasileiros (desta vez com distribuição da Autoral Filmes). Johanna Moder,
cineasta austríaca, entrega em seu novo trabalho um drama perturbador que se
aproxima do terror psicológico, ao investigar os temores de uma mãe diante da
maternidade. Julia (Marie Leuenberger – de “Mulheres divinas”) é a
protagonista, uma maestrina de 40 anos que tenta com muito custo engravidar
após tratamento em uma clínica de fertilidade. O médico garante o bom resultado
de um tratamento experimental, até que semanas depois ela descobre a gravidez.
O nascimento do bebê se transforma em um pesadelo: a criança é afastada de seus
braços, e quando finalmente Julia a reencontra, passa a desconfiar se aquele é
realmente seu filho. O filme é uma espiral de paranoias envolvendo uma mãe em colapso
emocional após a maternidade. O filme constrói um ambiente sufocante, marcado
por paleta de cores escuras e densas, que reforça a sensação de paranoia e
desorientação daquela mulher. O bebê nunca é mostrado em cena, recurso que
intensifica a dúvida e a angústia da protagonista – e daí entra uma trama
estranha, com axolotes (aquela espécie de salamandra aquática), que irá observar
Julia e ficar em sua mente. A felicidade idealizada da maternidade dá lugar aqui
a um estado de terror íntimo, desmontando o clichê de que o nascimento de uma
criança é sempre sinônimo de alegria. Gostei do filme, mas vejo que não é para
qualquer um, já que se torna um thriller psicológico amargo, complexo. O longa
conta ainda com Hans Löw (de “Toni Erdmann”) e Claes Bang (de “The Square: A arte
da discórdia”) no elenco. Produção conjunta entre Áustria, Suíça e Alemanha,
foi exibida em première no 75º Festival de Berlim, onde disputou o Urso de Ouro.
PS: Não teve o título traduzido no Brasil, sendo exibido em inglês.
Missão
refúgio
Ric
Roman Waugh, diretor especialista em fitas explosivas de ação, emplacou este
ano dois filmes no cinema: “Destruição final 2” (2026), com Gerard Butler, e “Missão
refúgio” (2026), com Jason Statham, que estreou anteontem no Brasil, pela
Diamond Films. É cinemão de puro movimento, com um dos melhores trabalhos de Statham,
aqui envelhecido, de barba branca. Ele interpreta Mason, ex-agente especial que
vive recluso em sua casa à beira-mar. A rotina solitária é interrompida quando
salva uma jovem, Jessie (Bodhi Rae Breathnach), de um afogamento durante uma
tempestade. O gesto heroico, no entanto, desencadeia uma perseguição
implacável: perigosos bandidos passam a caçar os dois, obrigando Mason a
recorrer às suas habilidades para proteger a menina. Mason se transforma na
figura do protetor, disposto a qualquer coisa, inclusive justiça com as
próprias mãos, para sobreviver. É um filme também de fuga constante, marcado
por porradaria, tensão e violência. O
elenco de apoio é de peso: tem Bill Nighy, indicado ao Oscar por “Viver” (2022),
Naomi Ackie, de “Sorry, Baby” (2025), e Harriet Walter, da série “Succession”
(2018-2023). Passatempo de fim de semana com a pipoca na mão para os fãs de
fitas corriqueiras com tiroteios e pancadaria, que conta com sequências
absurdas de ação que explodem em alta voltagem.
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