Enzo
O drama francês “Enzo”,
dirigido por Robin Campillo (nascido no Marrocos, mas criado na França), estreou
nos cinemas brasileiros no último fim de semana, com distribuição da Mares
Filmes. Ele foi o título escolhido para abrir a Quinzena dos Realizadores do
Festival de Cannes de 2025. Em seu novo trabalho, o diretor de “120 batimentos
por minuto” (2017) marca um momento emocionante na carreira: ele presta uma
homenagem ao falecido diretor e roteirista Laurent Cantet, velho parceiro de
trabalho com quem esteve lado a lado desde “A agenda” (2001). Cantet escreveu o
roteiro de “Enzo” meses antes de falecer de câncer, em 2024, mas não o terminou.
Campillo o finalizou reunindo sua marca autoral e tentando reelaborar ideias do
amigo morto. Cantet e Campillo fizeram diversos filmes, alternando direção e
roteiro, com obras de teor social focado na juventude da Geração Z, como o
vencedor da Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar de filme estrangeiro “Entre
os muros da escola” (2008). A história aqui acompanha Enzo (Eloy Pohu), um
jovem de 16 anos que decide trilhar um caminho inesperado ao se tornar aprendiz
de pedreiro, contrariando os planos de sua família burguesa, que imaginava para
ele uma carreira de prestígio. Enzo vive com os pais num casarão no sul da
França, e quando explica sobre o que quer fazer, crescem tensões familiares. Ele
briga com o pai, Paolo (Pierfrancesco Favino), e abandona tudo para trabalhar
no canteiro de obras, onde conhece Vlad (Maksym Slivinskyi), um imigrante ucraniano
que está ali para exercer a mesma função. Os dois iniciam uma amizade que mudará
o rumo de ambos – mas Enzo percebe que está se apaixonando pelo colega. O
contraste entre o ambiente privilegiado da família e a realidade do trabalho
manual dá ao filme uma força dramática que invade o âmago do protagonista, numa
fita que mistura crítica social e descoberta íntima. Quem estrela é o estreante
Eloy Pohu, que recebeu indicação ao prêmio de Melhor Ator Promissor no Lumière
Awards, e entrega um papel sério, sem ser piegas. Em Cannes o filme recebeu
indicação ao Queer Palm, e no Brasil teve sua première na Mostra Internacional
de Cinema de SP do ano passado. Um filme sobre a juventude em transformação,
com suas aspirações, livre-arbítrio e cobranças. Virou um testamento/tributo ao
legado artístico de Laurent Cantet.
Operação Y
Também conhecida como “Operação
Y e outras aventuras de Shurik” (1965), a comédia nonsense soviética é mais uma
fita pastelão de um mestre do assunto, Leonid Gaidai (1923-1993), cineasta que fez
pérolas do cinema russo que misturava aventura, comédia e ação, sem deixar a
crítica social de lado. Todos os filmes dele são em velocidade acelerada, como “A
prisioneira do Cáucaso” (1966), “Braço de diamante” (1969) e “12 cadeiras”
(1971), e um parece derivar do outro. “Operação Y” é diversão na veia, uma fita
criativa e popular na época, que agora chega ao Brasil com ótima restauração feita
pela Mosfilm, o maior estúdio de cinema da Rússia, fundado há mais de 100 anos.
São três histórias independentes que giram em torno do estudante Shurik (Aleksandr
Demyanenko, ator de quase todos os filmes de Gaidai). Em cada episódio, o jovem
protagonista se enrosca em situações hilárias: presencia uma briga no ônibus, enfrenta
criminosos, envolve-se em confusões amorosas, tem de passar por provas
acadêmicas, é alvo de assalto e se perde em apartamentos parecidos. A linguagem
dinâmica do filme, em ritmo feroz de corre-corre, passando daqui pra lá em
segundos, torna a obra memorável, propositalmente caricata. Gaidai (pode ser
visto com a grafia Gayday) reúne elementos da comédia slapstick (pastelão) com
romance e aventura para lançar um olhar ao modo de vida soviético dos anos 60,
abordando temas como a vida urbana, as tensões da época (Guerra Fria) e as crises
da juventude. Está em exibição gratuita até a noite de hoje no streaming da CPC-Umes
Filmes, em https://www.youtube.com/@cpc-umesfilmes23

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