sexta-feira, 17 de julho de 2009

Especiais sobre cinema

Lançamentos em DVD

Felipe Brida

Coraline e o mundo secreto

Conto-de-fadas dark e bem estilizado, Coraline e o mundo secreto (Coraline, 2009, 100 min.) chega às locadoras esse mês, distribuído pela Universal. A animação digital conta a história da garotinha Coraline que, junto com os pais, vai morar em uma nova casa, localizada em um local bem afastado da cidade. Pela porta secreta do seu quarto, Coraline descobre um mundo paralelo. Ao adentrar aquele território desconhecido, passa a conviver com criaturas estranhas e misteriosas. Peripécias absurdas e personagens bizarros preenchem esse mais novo trabalho de Henry Selick, o mesmo diretor da prestigiada animação “O estranho mundo de Jack” (1993). Sombrio para as crianças, “Coraline e o mundo secreto” deverá encontrar público entre os jovens e os adultos. Um exemplo claro de animação séria e inteligente. Confiram.

Rio congelado

Filme independente cuja história se passa na inóspita fronteira congelada entre Estados Unidos e Canadá. Ray Eddy (Melissa Leo) é uma mulher reservada que vive em um trailer no interior do estado de Nova York. Enfrentando problemas financeiros, junta-se a uma contrabandista, e ambas arriscam suas próprias vidas em um perigoso trabalho: cruzar o congelado rio Saint Lawrence transportando, no porta-malas de um carro, imigrantes ilegais do Canadá para os Estados Unidos. Com duas indicações ao Oscar esse ano – melhor atriz (Melissa Leo) e melhor roteiro original, o drama venceu ainda o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, na categoria filme dramático, e também dois prêmios no Independent Spirit Awards (atriz e produtores). Todo filmado em digital, o filme carrega o peso da falta de habilidade da diretora estreante, Courtney Hunt, que distancia os personagens. Falta paixão pelo projeto, cuja história, atrativa, fica à mercê de uma narrativa tradicional. Os grandes méritos estão nas exuberantes locações originais, de puro gelo, e na excepcional atuação de Melissa Leo, no melhor momento de sua desconhecida carreira – ela é atriz de TV, e aqui consegue criar uma personagem feminina fragilizada, de forma bastante humana e sensível, algo tão difícil de ver no cinema nos dias de hoje. Vale uma checada sem compromisso.


As noivas de Copacabana O detetive Jorge França (Reginaldo Faria) é convocado para investigar uma série de assassinatos cometidos por um psicopata. O autor dos crimes, o atraente Donato Menezes (Miguel Falabella), mata mulheres de várias classes sociais por meio de estrangulamento, após vesti-las com um vestido de noiva. Escrita por Dias Gomes e Ferreira Gullar a partir de um caso verídico, a minissérie As noivas de Copacabana”, exibida pela Rede Globo em junho de 1992, virou sucesso de crítica e de público devido à sua trama policial envolvente. Sai agora em DVD, compactado em oito episódios totalizando seis horas, reunidos em dois discos. Distribuído pela Som Livre, chega também para a venda.

As mãos de Orlac

A distribuidora Cult Classic traz, pela primeira vez em DVD, As mãos de Orlac, obra esquecida do Expressionismo Alemão, lançada em 1924. A história: o pianista Orlac tem as mãos decepadas em um grave acidente de trem. Por meio de um procedimento experimental, recebe duas novas mãos implantadas. Só que os membros pertenciam a um assassino que fora executado horas antes. Orlac acredita que poderá absorver a personalidade do morto e assim cometer assassinatos. Mudo e em preto-e-branco, o filme dirigido por Robert Wiene (o mesmo de “O gabinete do Dr Caligari”, clássico que inaugurou o movimento expressionista na Alemanha em 1920) tem no elenco o notório Conrad Veidt (que ficou mundialmente conhecido como o antagonista de "Casablanca", o major Strasser) na pele do pianista Orlac, um homem dedicado à música que aos poucos enlouquece após receber as mãos implantadas. Tem-se aqui um bom exemplar do Expressionsimo com toda sua estética ímpar: história que mistura terror e fantasia, cenários pintados, geométricos e distorcidos que remetem ao pós-guerra e também lembram um sonho, uso de sombras, personagens excêntricos acometidos pela loucura etc. O movimento alemão inspirou o cinema de horror moderno, como o americano a partir dos anos 30. A cópia do filme pela Cult Classic está boa e na maior metragem disponível no mercado, de 113 minutos, restaurada - a versão de cinema da época era de 92 minutos. Ah, e vale mencionar que o longa foi inspirado no livro original de Maurice Renard, e existem outras versões, como a coprodução França/Reino Unido de mesmo título, feita em 1960, com Mel Ferrer no papel central e participação de Christopher Lee.
Fiquem atentos para os próximos lançamentos da Cult Classic, já em pré-venda nas melhores lojas especializadas em DVD: “O estudante de Praga” (1926, de Henrik Galeen), “Os pescadores de Sargaços” (1929, de Jean Epstein), “A cadela” (1931, de Jean Renoir) e “O homem da linha” (1986, de Jos Stelling). Um deleite para os colecionadores!

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