sexta-feira, 14 de junho de 2019

Resenhas Especiais



 Eu sou Ali: A história de Muhammad Ali

Um olhar íntimo sobre o homem Cassius Clay por trás da lenda do pugilismo americano Muhammad Ali.

Escrito e dirigido por uma mulher, Clare Lewins, este maravilhoso documentário sobre a lenda do boxe Muhammad Ali (1942-2016) é filme obrigatório para qualquer fã dele ou do esporte, um retrato fiel e emocionante sobre a vida e a carreira de Ali, lançado dois anos antes dele falecer (o filme saiu em 2014).
Dos arquivos pessoais da família do pugilista pela primeira vez saíram materiais guardados a sete-chaves, como entrevistas antigas de Ali, bastidores dos treinos dele antes de entrar no ringue, áudios de conversas com os filhos pequenos, misturando depoimentos atuais de amigos, como os boxeadores Mike Tyson e George Foreman, do cantor Tom Jones, além do irmão também pugilista Rahman Ali e de treinadores, ou seja, várias pessoas relembram a carreira gloriosa de Ali prestando a ele uma homenagem. Traz também trechos de lutas históricas com Henry Cooper e Charles Liston.


Sobre Ali: nascido Cassius Clay Jr., de uma família de escravos afro-americanos, foi eleito pela mídia da época como “O desportista do século”. Converteu-se ao Islamismo, mudou de nome e teve participação marcante na luta dos negros contra o racismo, a favor da igualdade entre as pessoas, nos anos 60 e 70 (o documentário foca bem este lado engajado dele; Ali teve como mentor Malcolm X, além de ter sido amigo pessoal de Martin Luther King). Quebrou barreiras ao aliar esporte e política, posicionando inclusive contra a Guerra do Vietnã. No início dos anos 80 descobriu o Mal de Parkinson, passou por tratamentos e até transplante de células-tronco, vivendo bem por quase três décadas - mas sua saúde piorou até que faleceu em 2016 aos 74 anos.
Conheça este importante doc que resgata a incrível trajetória e as facetas de Muhammad Ali, uma lenda do esporte mundial. Disponível em DVD pela Universal Pictures.

Eu sou Ali: A história de Muhammad Ali (I am Ali). Reino Unido/EUA, 2014, 111 min. Colorido. Documentário. Dirigido por Clare Lewins. Distribuição: Universal Pictures


O time de 92

Documentário sobre a trajetória de seis amigos nascidos na região operária do Reino Unido que se tornaram lendas do futebol britânico e inspiraram uma geração inteira.

Excelente doc britânico que não passou nos cinemas brasileiros, mas na época, em 2013, saiu por aqui diretamente em home vídeo, distribuído pela Universal Pictures numa edição estendida (totaliza 123 minutos, com 24 minutos a mais da versão de cinema exibida na Grã-Bretanha). Bem realizado, mostra a árdua trajetória de seis rapazes simples que viraram astros do Manchester United Football Club, da juventude deles até a ascensão meteórica no mundo do esporte, entre 1991 e 1992; seus nomes ficaram na memória de toda uma geração: David Beckham, Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt, Phil Neville e Gary Neville. Conta-se que na época (1992), o Manchester United apostou em jogadores da categoria de base para formar uma equipe, e estes jovens, então com idades entre 17 e 18 anos, entrariam em campo para reconstruir o futebol no Reino Unido. Bons de bola, elevaram o time, colocando-o nas principais disputas em campeonatos mundiais. E os seis magníficos nunca perderam o contato. Agora quarentões, reuniram-se para gravar este filme inspirador, um prato rico para quem curte histórias de futebol com um lado de motivação/superação (o doc não disfarça o saudosismo, tem uma edição primorosa, com muitas imagens de jogos do Manchester e do arquivo pessoal do sexteto, com momentos em família e amigos).


O filme foi dirigido por dois irmãos, Benjamin Turner e Gabe Turner, fascinados por esporte - em 2016 voltariam a dirigir outro doc na mesma pegada, “I am Bolt”, sobre o atletista e jogador de futebol jamaicano Usain Bolt.

O time de 92 (The class of 92). Reino Unido, 2013, 123 min. Colorido. Documentário. Dirigido por Benjamin Turner e Gabe Turner. Distribuição: Universal Pictures

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Resenhas Especiais



Godzilla

O monstro Godzilla emerge do mar no Japão, ataca as cidades litorâneas do país e segue em direção a São Francisco, na Califórnia. Perseguido por criaturas voadoras, ele deixa um rastro de destruição por onde passa. Para coibir o caos nos Estados Unidos, o Exército decreta estado de alerta sitiando a cidade de São Francisco.

Em 2014 produtores americanos e japoneses associados à distribuidora Warner Bros pensaram numa regravação do clássico “Godzilla” (1954), de Ishirô Honda, em comemoração aos 60 anos do filme japonês de sucesso, que caiu no imaginário popular. Como já existiram várias continuações e derivados, a ideia agora foi dar um ar denso de drama numa história de ação com monstros destruidores. O resultado desagradou grande parte do público, que esperava por uma fita violenta e barulhenta, com Godzilla aparecendo todo instante. Reside aí o diferencial do filme que teve uma alta bilheteria em 2014 (arrecadou U$ 530 milhões contra um custo de U$ 160 mi): temos como foco histórias de reconexão entre pais e filhos, muita discussão estratégica do Exército para salvar a população e o principal, aparição menor de monstros e do próprio Godzilla, que surge em cena somente nas penumbras depois de 1h (realmente o filme é bem escuro, com clima de angústia em meio a um apocalipse, com monstros apenas sugeridos, concepção do diretor Gareth Edwards a partir de um filme-revelação anterior dele, “Monstros”, de 2010, indicado ao Bafta, que é super bacana, sobre uma cidade mexicana atacada por uma polvo imenso, que aparece rapidamente – a trama é sobre relações humanas, no caso entre um membro do Exército e uma voluntária, durante o ataque). Deixo em destaque o comentário para explicar e justificar os tais “pontos negativos” do filme levantados pelo grande público e por parte da crítica. Eu gostei e melhorou na revisão dias atrás...
Conta com um elenco renomado, como Juliette Binoche, Sally Hawkins, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen, David Strathairn e Bryan Cranston, boa parte com participações rápidas, além do mocinho da fita, Aaron Taylor-Johnson. E a trilha sonora bate bem com a proposta, assinada por Alexandre Desplat.
Aproveitando, “Godzilla” ganhou continuação este ano, ainda está nos cinemas “Godzilla II: Rei dos monstros”, tão bom quanto este primeiro capítulo, com mais destruição e criaturas medonhas, para quem queria ver quebra-quebra – esta parte dois está entre as maiores bilheterias nos Estados Unidos, com parte do elenco original, como Sally Hawkins e Ken Watanabe, e outro diretor, especializado em terror e fantasia, Michael Dougherty (de “Contos do Dia das Bruxas” e “Krampus: O terror do Natal”).

Godzilla (Idem). EUA/Japão, 2014, 123 min. Ação. Colorido. Dirigido por Gareth Edwards. Distribuição: Warner Bros.


Mamãe: Operação balada

Mãe jovem e trabalhadora, Allyson (Sarah Drew) passa as noites cuidando do filho pequeno. Dificilmente encontra um tempo para ela mesma. Até que organiza com duas amigas de passar uma noite na balada, sem maridos e sem filhos. Mas Allyson não imaginaria as confusões pelo caminho, envolvendo marmanjos, polícia e trânsito parado.

Simpática comédia independente norte-americana, de orçamento bem baixo (U$ 5 milhões), assinada pelos irmãos diretores Andrew e Jon Erwin, que no ano passado fizeram sucesso com o filme motivacional “Eu só posso imaginar”. Menos pretensioso, “Mamãe: Operação balada” (2014) acompanha a loucura na vida de uma jovem mãe que se dedica somente para os filhos, sem diversão, com muito estresse ao lado do marido pouco atencioso (papel de Sean Astin, astro mirim na década de 80, lembrado por “Os Goonies”). Para distrair a cabeça, sai com as amigas para uma longa jornada noite adentro, entre bares, baladas e rolês, participando de malucas enrascadas. O filme é montado em cima de uma sucessão de imprevistos cômicos, ou seja, de uma história só, com cenas hilárias – as melhores são a com um passarinho e outra na delegacia. É um humor acertado em cheio, com uma boa atriz principal que segura a fita, Sarah Drew (de “Meu nome é rádio” e da série “Grey’s anatomy”).
Foi um dos primeiros filmes (e o melhor até agora) dessa safra sobre o tema de jovens mães estressadas que saem para a balada com as amigas, longe dos maridos - depois vieram os inferiores “Perfeita é a mãe” (2016), a continuação “Perfeita é a mãe 2” (2017) e o sofrível “A noite é delas” (2017, com Scarlett Johansson, bem absurdo e bizarro). Em DVD pela Sony Pictures.

Mamãe: Operação balada (Moms' night out). EUA, 2014, 98 min. Comédia. Colorido. Dirigido por Andrew Erwin e Jon Erwin. Distribuição: Sony Pictures

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Resenhas Especiais



Assassinato num dia de sol

O detetive Hercule Poirot (Peter Ustinov) viaja a uma ilha paradisíaca no Mediterrâneo para investigar o sumiço de uma pedra preciosa. Ele fica hospedado em um hotel luxuoso, frequentado por figurões. Prestes a desvendar o caso da joia, uma atriz de cinema é assassinada numa praia a poucos metros, fazendo com que Poirot abra uma nova investigação em que todos os hóspedes são suspeitos.

Elegante adaptação para o cinema de uma intrigante história policial de Agatha Christie no melhor estilo de suspense da famosa escritora britânica que conquistou milhões de leitores pelo mundo afora, até hoje a mais comentada quando o assunto é investigação. Um dos personagens clássicos do universo Christie retorna com pompa, graça e inteligência: o detetive Hercule Poirot, novamente vivido por Peter Ustinov, ganhador de dois Oscars – o ator interpretou Poirot em três longas-metragens, “Morte sobre o Nilo” (1978), este “Assassinato num dia de sol” (1982) e “Encontro marcado com a morte” (1988), e em três telefilmes na década de 80.
Repetindo o clima de mistério e o mote das histórias, há um crime sem solução aliado a uma série de suspeitos, sendo que todos eles têm um álibi. Aqui a morta é uma atriz de cinema indesejada, arrogante e chata (papel de Diana Rigg), que faz questão de maltratar os outros. Quem a matou e de que forma ocorreu o crime? Você só saberá nos minutinhos finais, e de forma surpreendente!
Como nos dois melhores filmes anteriores baseados em obras de Agatha Christie (“Assassinato no expresso Oriente” e “Morte sobre o Nilo”), o elenco secundário é um charme só, com atores e atrizes ganhadores de Oscar, Bafta e Globo de Ouro, como James Mason, Sylvia Miles, Colin Blakely, Jane Birkin e Maggie Smith. O brilhante roteiro é de Anthony Shaffer, mestre em suspenses de botar o neurônio para funcionar, como “Jogo mortal” e “Frenesi”, ambos de 1972, e a direção, de Guy Hamilton (de várias fitas policiais da franquia James Bond, como “007 contra Goldfinger”).


Saiu no box Agatha Christie, com outros três filmes inferiores: “A maldição do espelho” (1980), e os telefilmes “Um brinde mortal” (1983) e “Treze à mesa” (1985, com Ustinov como Poirot). Conta com extras (entrevistas) e cards colecionáveis.

Assassinato num dia de sol (Evil under the sun). Reino Unido, 1982, 116 min. Suspense. Colorido. Direção de Guy Hamilton. Distribuição: Obras-primas do Cinema


O mistério de Agatha

Em dezembro de 1926 a escritora britânica de histórias policiais Agatha Christie (Vanessa Redgrave) desapareceu misteriosamente após um acidente de carro. A pedido do marido, Archie (Timothy Dalton), a polícia realiza uma busca frenética por seu paradeiro, mobilizando a família, a comunidade e a imprensa. Contratado para cobrir o caso está o jornalista Wally Stanton (Dustin Hoffman), que descobre que Agatha mudou de nome e isolou-se em um resort em Yorkshire, o que o faz investigar a situação por conta própria e em total sigilo.

Um incrível suspense de investigação digno de histórias do universo de Agatha Christie, mas que em partes ocorreu de verdade com a famigerada escritora britânica. Em 1926 ela ficou desaparecida por 11 dias, depois de um acidente de carro, dando origem a uma sucessão de estranhos acontecimentos. Os fatos até hoje não foram totalmente esclarecidos, e o que temos neste filme, vale destacar, é uma mistura de ficção (incluindo um desfecho imaginado) e momentos reais do caso extraídos de uma extensa reportagem da jornalista Kathleen Tynan que originou um livro controverso.
Sabe-se que Agatha era suicida, não tinha uma boa relação com o marido, um oficial militar que depois virou magnata, e dias antes do sumiço foi abandonada por ele, por causa de uma amante. As circunstâncias do desaparecimento lembram as obras policiais da escritora, ela mesma se entregava intensamente a suas histórias fictícias e para piorar teve amnésia, não se recordando do que houve depois do acidente – situação que implicou na falta de consistência de argumentos e provas para a polícia finalizar o caso.
Não leve o filme tão a sério quanto a uma biografia de Agatha, pois não é. E sim entregue-se a um suspense de época de muitas qualidades, charmoso, cheio de mistérios e reviravoltas impressionantes.


Michael Apted, de “O destino mudou sua vida” (1980), “Mistério no parque Gorky” (1981), “Nas montanhas dos gorilas” (1988) e “Nell” (1994), dirige bem Vanessa, que mesmo não tendo a aparência da escritora, protagoniza com energia; tem Dustin Hoffman num papel de destaque, o do jornalista de intenções indefinidas, e participação de Dalton, o ex-007, em início de carreira.
Em 1980 recebeu indicação ao Oscar e ao Bafta de melhor figurino, que realmente chama a atenção. Em DVD pela Classicline.

O mistério de Agatha (Agatha). Reino Unido, 1979, 105 min. Drama/Suspense. Colorido. Dirigido por Michael Apted. Distribuição: Classicline


* Resenhas publicadas na coluna Middia Cinema, da revista Middia, edição de junho e julho de 2019

Sessão Documentários



Ouvindo imagens

Dentro de um taxi chamado “Auto PSi” que perambula as ruas de São Paulo, passageiros contam histórias a partir de imagens que são mostradas a eles (mas que nunca vemos).

Exibido no Festival “É Tudo Verdade” e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2006, o documentário teve início com uma intervenção urbana de Fabiana de Barros (artista suíça de origem brasileira, filha do multiartista Geraldo de Barros, grande expoente da arte moderna), realizada em 2003 na cidade de São Paulo dentro da programação da Mostra Sesc de Artes – Latinidades. O título da intervenção era “Auto PSi”, com um taxi que pegava pessoas pelas ruas, e como pagamento da corrida o indivíduo tinha de contar uma história tendo como base imagens extraídas de testes psicológicos, adaptadas do Teste de Apercepção Temática (TAT) do Dr. Henry Murray (entre 1935 e 1943 este médico catalogou imagens responsáveis por ativar a fabulação de seus pacientes). Daí nascia este filme repleto de signos urbanos sobre a metrópole de São Paulo. São histórias singelas de pessoas comuns e de gente conhecida - como o cantor Paulo Ricardo e o falecido cineasta Hector Babenco, intercalando cenas de dentro do taxi com gravações de fora dele, de uma São Paulo em movimento, das ruas congestionadas, de gente lotando as calçadas e de prédios imensos, ou seja, um resumo da feroz selva de pedra e seus extensos problemas.
Nós, telespectadores, nunca vemos as imagens, somente ouvimos os passageiros do taxi narrando as histórias, o que faz com que criemos imagens mentais. Por isto o doc é sinestésico, simbólico e muitíssimo pessoal, feito de forma rara por um diretor suíço, Michel Favre.
Saiu em DVD pelo Selo Sesc, com um livreto em três línguas - português, francês e inglês. Uma preciosidade para sua coleção!

Ouvindo imagens (L'image à paroles). Brasil/Suíça, 2006, 90 min. Colorido/Preto-e-branco. Documentário. Dirigido por Michel Favre. Distribuição: Universal: Selo Sesc


Eduardo Coutinho, 7 de outubro

O documentarista brasileiro Eduardo Coutinho é entrevistado por outro diretor de documentários, Carlos Nader, em que fala sobre seus filmes e sua forma única de contar histórias.

Meses antes de ser assassinado pelo próprio filho, o premiado documentarista brasileiro Eduardo Coutinho (1933-2014) participou das primeiras gravações de uma série de cinco entrevistas para o SESCTV, que infelizmente, com a tragédia, não foram concluídas. No entanto, o diretor responsável pelo projeto, Carlos Nader (de “Homem comum”), não abandonou o material, e sim editou uma das entrevistas e lançou-a neste ótimo doc, essencial aos amantes do cinema documental.
Uma tarde, numa única locação, Nader senta-se à frente de Coutinho, enquadrado em diferentes ângulos, porém sempre presente em cena. É uma inversão do jogo coutiniano, do diretor que sempre entrevistou agora sob a mira como o personagem principal, num filme-homenagem onde ele discute a diferença entre ficção e documentário, discorrendo sobre seu processo de criação ímpar, recordando histórias marcantes de personagens dos seus documentários de maior impacto, como “Babilônia 2000” (1999), “Santo forte” (1999), “Edifício Master” (2002) e “Jogo de cena” (2007). Nader recorre à fonte básica de ângulos do cinema de Coutinho: câmera frontal no rosto do entrevistado, que está à vontade para falar de tudo, às vezes o entrevistador no fundo ou intervenção de partes dele (como pés e mãos), além das perguntas que são feitas na hora, sempre aparecendo na gravação.


Coutinho era um mestre na direção, na montagem, na forma de contar histórias simples de vida. Ele tinha uma frase que seguia como matéria-prima na hora de produzir os filmes: “O ser humano tem necessidade de ser ouvido, para assim ser legitimado”. Infelizmente sua trajetória interrompeu-se de forma triste; foi assassinado a facadas aos 80 anos, dentro de casa pelo filho, deixando um legado para a cinematografia do doc brasileiro. E um lema a ser seguido por quem produz cinema:
O filme saiu em DVD pelo Selo Sesc, com um livreto especial.

Eduardo Coutinho, 7 de outubro (Idem). Brasil, 2013, 72 min. Colorido. Documentário. Dirigido por Carlos Nader. Distribuição: Universal: Selo Sesc

terça-feira, 4 de junho de 2019

Dica de Filme


Pronto para recomeçar

A vida de Nick (Will Ferrell) está de cabeça para baixo. Por causa do alcoolismo foi abandonado pela esposa e perdeu o emprego. Visando o recomeço, coloca à venda no gramado de casa objetos pessoais, o que o aproxima de uma vizinha e de um garoto que querem ajudá-lo nessa nova fase de mudanças.

Comediante de primeira linha, indicado a dois Globos de Ouro, de filmes como “O âncora” (2004), “Os produtores” (2005) e “Pai em dose dupla” (2015), Will Ferrell deixa o humor de lado para viver um personagem dramático, um alcoólatra em fase de recuperação, arruinado pela separação e pela perda do trabalho, que quer dar a volta por cima. Arriscou um papel diferente de sua longa carreira, e o resultado é bom, numa fita independente baratinha, acima da média, que traz coadjuvantes de renome como Laura Dern, Rebecca Hall e Michael Peña.
Baseado num conto de Raymond Carver (1938–1988), escritor dos originais que inspiraram os filmes “Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) (2014) e “Short Cuts – Cenas da vida” (1993), é um drama linear, leve para um tema que poderia ser pesado, com muitos diálogos e pouquíssima trilha sonora, com um bom ator que segura as pontas nesse único filme dirigido e escrito por Dan Rush. Eu gostei e recomendo, mas é para público específico que não reclama de filmes lentos, de pegada autoral.

Pronto para recomeçar (Everything must go). EUA, 2010, 96 min. Drama. Colorido. Dirigido por Dan Rush. Distribuição: Playarte Home Video

Cine Lançamento



Anna Karenina: A história de Vronsky

Em 1904, em plena guerra entre a Rússia e o Japão, um hospital militar chefiado por Serguei Karenin (Kirill Grebenshchikov) funciona como o único ponto de socorro e abrigo em uma pequena aldeia chinesa. Serguei, que é filho de Anna Karenina (Elizaveta Boyarskaya) com o Conde Karenin (Vitaliy Kishchenko), descobre que Conde Vronsky (Max Matveev), amante de sua mãe, está em tratamento naquele hospital. Procura imediatamente por ele  e quando o encontra, inicia uma longa conversa sobre o conturbado passado de Anna, os motivos que a levaram a trair o marido e o porquê ela quis deixar de viver.

Um drama romântico original, de alma feminina, baseado no livro mundialmente famoso do Realismo Russo “Anna Karenina”, publicado em 1877 por Leon Tolstói, e também no conto “Na guerra japonesa”, de Vikenty Veresaev. A diferença desta adaptação para as mais de 30 que já foram feitas está no ponto de vista, narrado aqui pelo amante de Anna Karenina, o oficial de Cavalaria Vronsky. Ele é o fio condutor de toda a trama, cheia de detalhes e mistério, num personagem mais maduro - está ferido na guerra e abrigado em um hospital numa aldeia. Quem escuta as histórias sobre o passado de Anna é o filho dela, o militar Serguei Karenin, que tenta compreender, 30 anos depois, o que levou a mãe, que tinha dinheiro, status, poder e beleza, a agir de forma estranha e fora dos padrões da época, quando abandonou o marido para ficar com o amante, causando um estrondo na aristocracia russa.


O filme, de 2017, tem uma riqueza plástica única, com uma direção de arte exuberante atrelada a uma fotografia das mais bonitas que vi no cinema recentemente. As cores tocam a alma! Observem as cenas de dança dentro dos palácios, de tirar o chapéu. O pano de fundo real, tanto da guerra quanto do Czarismo, ajuda na construção da ideia sobre traição, decisões e aprisionamento - se passa na Manchúria, em 1904, durante a guerra entre os Impérios Russo e Japonês, que disputavam o controle dos territórios da China, e o filme abre com um longo travelling num campo de batalha, com cantoria e um cenário de destruição.


Foi produzido pelo canal de TV Rússia 1 (por isso carrega um aspecto de seriado dos bons), em parceria com a Mosfilm, o principal estúdio da Rússia desde 1920 e um dos mais antigos da Europa. As gravações deste longa-metragem correram simultaneamente com a de uma minissérie (de oito episódios de 42 minutos cada), ambos dirigidos por Karen Shakhnazarov, talvez o maior cineasta russo dos tempos atuais (ele é diretor da Mosfilm), de “Noite de inverno em Gagra” (1985), “A filha americana” (1995) e “Tigre branco” (2012), todos disponíveis em DVD pela CPC-Umes Filmes. Aliás, “Anna Karenina: A história de Vronsky” é o primeiro filme em DVD e Bluray que a distribuidora lança após exibição em circuito nacional. Portanto, mais uma oportunidade para prestigiar essa belíssima produção do cinema russo.

Anna Karenina: A história de Vronsky (Anna Karenina - Istoriya Vronskogo). Rússia, 2017, 137 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Karen Shakhnazarov. Distribuição: CPC-Umes Filmes

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Nota do Blogueiro


Quatro ótimos títulos em DVD da Classicline chegando para venda nas melhores lojas. Tem a aventura "Beau Geste" (1939, com Gary Cooper e Ray Milland, indicada a dois Oscars), o drama baseado na vida da atriz Carrie Fisher "Lembranças de Hollywood" (1990, com Meryl Streep e Shirley MacLaine, indicado a dois Oscar), o policial "Criminosos não merecem prêmio" (1963, com Paul Newman, ganhador do Globo de Ouro de atriz para Elke Sommer) e o drama/romance "A época da inocência" (1993, de Martin Scorsese, com Daniel Day-Lewis, Michelle Pfeiffer grande elenco, indicado a cinco Oscars). Muito bom!!


Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...