segunda-feira, 26 de maio de 2008

Morre o diretor e produtor Sydney Pollack, aos 73

O diretor e produtor de cinema Sydney Pollack morreu hoje no final da tarde aos 73 anos, vítima de um câncer. Faleceu na própria residência, em Los Angeles, cercado de parentes e amigos. Em 1986 ganhou dois prêmios Oscar - melhor diretor e fotografia pelo drama "Entre Dois Amores", que conta com Meryl Streep e Robert Redford no elenco. Dirigiu Redford em três outros filmes: "Mais Forte que a Vingança" (1972), "O Cavaleiro Elétrico" (1979) e "Havana" (1990). Como diretor realizou importantes filmes do cinema norte-americano, dentre eles "Nosso Amor de Ontem" (1973), "Operação Yakuza" (1974), "Três Dias do Condor" (1975), "Ausência de Malícia" (1981) e "A Firma" (1993). Refilmou, em 1995, "Sabrina" e ainda dirigiu Harrison Ford no fracassado "Destinos Cruzados" (1999). Seus dois últimos filmes foram lançados em 2005 - o suspense "A Intérprete" (2005) e o documentário "Esboços para Frank Gehry". Neste ano concorreu ao Oscar de melhor filme, junto com outros produtores, por "Conduta de Risco".
Nascido em Lafayette, Indiana, em julho de 1934, Pollack iniciou a carreira na primeira metade dos anos 60, dirigindo episódios para minisséries nos Estados Unidos, como "O Fugitivo".
Foi ainda indicado a dois Oscar como diretor - "A Noite dos Desesperados" (1969) e "Tootsie" (1982). Na produção, assinou mais de 45 obras do cinema. Trabalhava também como ator em pontas em filmes, como em "Conduta de Risco", "A Intérprete", "Fora de Controle" (2002), "De Olhos Bem Fechados" (1999), "A Qualquer Preço" (1998) e "A Morte lhe Cai Bem" (1992).
Irmão do atuante figurinista Bernie Pollack e casado com a atriz de seriados Claire Griswold, Pollack deixa três filhos (um deles já falecido). Por Felipe Brida

domingo, 25 de maio de 2008

Cine Lançamento

30 Dias de Noite

Em Barrow, no extremo norte do Alasca, durante os 30 dias do rigoroso inverno local, o sol não aparece, e a cidade permanece em escuridão. Enquanto mais da metade dos moradores viaja para lugares mais quentes, outros resolvem ficar em suas casas para curtir a neve e o frio. Porém, logo no primeiro dia de escuro total, um grupo de vampiros aparece em busca de sangue. Encurralado, o xerife Oleson (Josh Hartnett) irá organizar uma equipe para proteger a comunidade dos perigosos seres.
E chega com um mega-atraso nas locadoras este filme de terror em estilo “gore” baseado na grafic novel dark de Steve Niles, lançada nos cinemas em julho do ano passado. Agradou uma legião de fãs, e o sucesso nos Estados Unidos fez com que fosse lançada uma minissérie de sete capítulos, intitulada “30 Days of Night – Blood Trails”, com elenco e direção diferentes. Porém, se ainda não assistiu, abandone as expectativas.
A fita troca os sustos pela ação rápida e escancara a sanguinolência gratuita (em uma das cenas finais Hartnett arranca a machadadas a cabeça de um vampiro!), o que irá de imediato afastar o público feminino.
Escolheram para protagonistas dois nomes duvidosos, Josh Hartnett e Melissa George. Particularmente Hartnett é um dos piores atores de sua geração. Qual papel de destaque do jovem ator? O elenco coadjuvante conta com Ben Foster, como o misterioso encarcerado, e Danny Huston, o líder vampiresco.
A procedência dos vampiros (uma mistura estranha de gatos e morcegos, com olhos puxados e orelhas pontiagudas) é incerta e sem menção. Aliás, nem se parecem com os vampiros estereotipados do cinema, com capas e caninos afiados. O ambiente gelado e a música com tons agudos lembram o cult de terror de John Carpenter “O Enigma do Outro Mundo”.
Em alguns momentos fiquei incomodado com os cortes bruscos da montagem, em especial a seqüência da matança dos cachorros (olha “O Enigma” de Carpenter presente de novo!). A edição parece apressada e resulta feia.
Um filme mediano, sem nada em especial. Poderá encontrar público por meio dos aficionados em horror. Sam Raimi assina como produtor (a intenção dele era dirigir a fita, que acabou ficando para David Slade, de “Menina Má.com”).
Realmente em Barrow, localizada no extremo norte do Alaska, próximo ao Pólo Norte, os termômetros chegam a marcar 40 graus negativos. Lançado em DVD na segunda quinzena deste mês. Por Felipe Brida

Título original: 30 Days of Night
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Josh Hartnett, Melissa George, Ben Foster, Danny Huston, Mark Boone Jr., Mark Rendell, Joel Tobeck, Manu Bennett, Amber Sainsbury.
Direção: David Slade
Gênero: Terror
Duração: 113 min.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Resenhas & Críticas

Segredos na Noite

Gabriel Noone (Robin Williams) apresenta um programa noturno de rádio bastante popular em que ele narra histórias dramáticas, muitas delas baseadas em próprias experiências vividas. Homossexual assumido, Noone termina um romance com o parceiro de longas datas. Sua vida começa a se transformar quando passa a receber telefonemas de um jovem misterioso, Pete (Rory Culkin), que diz ser seu fã. Porém descobre que a mãe de Pete, Donna (Toni Collette), uma mulher cega e perturbada, esconde fatos que cerca um passado sombrio do filho. E Noone sai em busca da verdade com o intuito de ajudar Donna e Pete.
Lançado direto em vídeo, “Segredos na Noite” é um descartável drama com toques de suspense desconhecido do público. Mal estruturado, o filme não se preocupa em tratar com seriedade ou mesmo resolver o lance impactante da trama, o do abuso sexual. E também não convence a busca desesperada de um radialista infeliz, como se fosse um investigador, para se aproximar do fã (aparição menor de Rory, irmão mais novo de Kieran e Macaulay Culkin). O elenco está apático, em especial Toni Collette, fora de forma como a cega “que tudo vê”. Outro projeto sofrível na safra irregular e medonha de Williams (aqui parece aborrecido), que de uns anos para cá vem participando de filmes fracos e nada memoráveis. Em DVD. Por Felipe Brida

Título original: The Night Listener
País/Ano: EUA, 2006
Elenco: Robins Williams, Toni Collette, Rory Culkin, Sandra Oh, Joe Morton, Bobby Cannavale, John Cullum.
Direção: Patrick Stettner
Gênero: Drama
Duração: 90 min.


Vamos Nessa

Um dia na vida de cinco jovens em Los Angeles, na época do Natal. Ronna (Sarah Polley) trabalha como caixa em um supermercado. Sem dinheiro para pagar o aluguel, poderá ser despejada; já o colega de serviço, Simon (Desmond Askew), está se organizando para viajar com três amigos para Las Vegas. Para ganhar um dinheiro extra, Ronna topa intermediar a venda de comprimidos de ecstasy para um casal de atores de TV, homossexuais, Zack (Jay Mohr) e Adam (Scott Wolf), que, por outro lado, estão a serviço de um policial para prender traficantes de drogas. No entanto, nenhum dos planos sai como planejado.
De ritmo frenético e reviravoltas inteligentes, este terceiro filme do diretor Doug Liman (de “A Identidade Bourne”, “Sr. & Sra. Smith” e “Jumper”) ficou famoso, principalmente nos Estados Unidos, em circuitos fechados de cinema. A história pode parecer boba e não atrativa, mas não se deixe enganar: o entretenimento é de tirar o fôlego!
Dividida em três segmentos para apresentar os personagens e suas façanhas, a fita reúne um pouco de tudo para equilibrar os gostos: mistura-se comédia de humor negro com seqüências dramáticas e aventura. Há um bando de tipos bizarros e que reservam segredos, interpretados por um elenco de primeira. Boa parte dos atores e das atrizes garantiu o sucesso na carreira com este filme, como Sarah Polley, Katie Holmes e Timothy Olyphant (o Hitman).
Quem curte Tarantino (aliás, “Vamos Nessa” é um tributo ao diretor, mas sem violência excessiva) não pode perder. A palavra Go (título original) é dita pelos personagens nos momentos de sufoco. Lançado em DVD em 2001. Por Felipe Brida

Título original: Go
País/Ano: EUA, 1999
Elenco: Katie Holmes, Sarah Polley, Jay Mohr, Timothy Olyphant, William Fichtner, Scott Wolf, Taye Diggs, Suzanne Krull, Desmond Askew.
Direção: Doug Liman
Gênero: Comédia/Aventura
Duração: 103 min.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Entrevista Especial

Versatilidade
Paulo Hesse leva vida aos excêntricos (*)


Felipe Boso Brida*

Um ator versátil, especialista em personagens excêntricos. Em 34 anos de carreira, esteve em novelas e minisséries das principais redes de televisão, como TV Tupi, Rede Globo, Record, SBT, Cultura e Bandeirantes. No cinema, inúmeras pornochanchadas e dramas no currículo. Peças teatrais então... foram mais de 30. Paulo Hesse é o nome do criador de tantos trabalhos memoráveis na televisão brasileira.
Pôs a cara pela primeira vez no cinema em 1973, em uma pornochanchada protagonizada por Vera Fischer, “A Super Fêmea”. Um ano depois recebeu o prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) de ator revelação pela novela “O Machão”, na Tupi, sua estréia em novelas. E daí para frente não parou mais, chegando hoje à marca dos 90 trabalhos nos diversos segmentos artísticos, inclusive comerciais televisivos.
Hoje, aos 66 anos, Hesse reside em São Paulo e pode ser visto na nova novela da Bandeirantes, “Água na Boca”, que estreou no último dia 12. Continua atuante com o mesmo ideal de antes. “Faço poucos trabalhos, mas em todos eles procuro ser uma figura marcante”. Confira abaixo a entrevista especial que o ator concedeu ao jornal Notícia da Manhã.

NM – Paulo, em sua estréia na TV, em “O Machão”, um fato inusitado foi crucial para determinar sua carreira. E o mesmo voltaria a se repetir décadas depois, na refilmagem da novela. Como classifica este imprevisto?

Hesse – Foi muito engraçado. Eu era recém-formado em artes dramáticas e esperava um papel para trabalhar na TV. Surgiu o convite para a estréia de “O Machão”. Eu não queria fazer a novela, pois iria aparecer em apenas três capítulos. Carlos Zara era da TV Tupi, e convenceu-me ao trabalho, um personagem estranho chamado Doutor Valcourt. Acontece que gostaram tanto da participação que o roteirista Sérgio Jockyman pediu para que me segurassem mais alguns dias na novela. Acabei fazendo mais de 200 capítulos, ou seja, quase a novela toda! A trama se passava na cidade de Limãozinho e era uma adaptação de “A Megera Domada”, de Shakespeare; ficou mais de um ano no ar, era inovadora, não tinha intervalos e um elenco magistral (Antônio Fagundes, Irene Ravache, Etty Fraser etc). Pois então, passados 25 anos, o saudoso amigo Walter Avancini me chamou para o remake, agora pela Globo, de nome “O Cravo e a Rosa”, com muitos personagens preservados do original. No Rio de Janeiro iria fazer três capítulos, o do personagem Sansão Farias. Disse a ele que isto já havia me acontecido no passado, porém acabei topando. Gravei três capítulos. Um mês depois, a produção me chamou e disse que o personagem voltaria com força total até o fim da novela. E lá fiz mais uma porrada de capítulos!

NM – Dentre seus papéis, muitos excêntricos e grande parte deles cômico. O gênero comédia também integra seu gosto pessoal?

Hesse – Sempre curti comédia. Adoro papéis que provocam risada. A partir de “O Machão” e o prêmio de ator, abriram-se as portas para mim, e passei a fazer uma novela por ano na Tupi. Minha última na Tupi foi em “Gaivotas” (1979). Meu personagem chamava-se Fernando, era um ator indisciplinado e integrante do clã de 10 amigos chamado “As Gaivotas”. O elenco contava com Rubens de Falco, Altair Lima, Yoná Magalhães, Cleide Yaconis e outros. Em comédia fiz o protagonista de uma das histórias do filme “O Ibrahim do Subúrbio”, chamado “Roy – O Gargalhador Profissional”. Adoro fazer comédia, um gênero que capacita o ator em todos os aspectos. Também interpretei, com comicidade, o poeta Mário de Andrade no filme “O Homem do Pau-Brasil” (1982). Foi fantástico.

NM – E no espetáculo teatral como utiliza a versatilidade?

Hesse – Vejam quantos personagens diferentes interpretei. Todo bom ator é versátil. É necessário saber dosar, equilibrar. Estive em 35 espetáculos teatrais. Minha estréia foi em “Antígona”, clássico de Sófocles. Fiz “Peer Gynt”, do Ibsen, com Stênio Garcia e mais de 117 personagens, além de João Grilo no “Auto da Compadecida”. Em “Viva o Demiurgo”, de Paulo Pélico, fiz o demiurgo, personagem que me baseei para fazer o médico Rafidjian no filme “Bellini e a Esfinge”. Em “O Inimigo do Povo”, com texto de Ibsen, fazia o prefeito, um de meus melhores papéis. A peça deveria ser remontada todo ano para que as pessoas analisem seus políticos! No elenco estava uma criatura maravilhosa, que no começo do ano faleceu jovem, Olayr Coan.

NM – É daqueles que acredita que os papéis na TV vão se restringindo com a avanço da idade dos artistas?

Hesse – Conforme a Bíblia, “muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos”. Eu tenho certeza de que fui chamado, mas não escolhido. Sempre penso: “Será que vou morrer sem fazer nada da Maria Adelaide Amaral?”. Vi sua estréia no teatro e na TV, gosto de seu talento e da eficiência da portuguesinha. Nunca tive a sorte de fazer uma minissérie ou novela dela. Estou fora, em São Paulo, a Globo no Rio, aquela história toda. Os conceitos de idade e faixa etária se transformam. Hoje o jovem é dominante. O patrocinador quer colocar gente bonita, com cintura perfeita e peitos empinados para vender tudo. O conceito mudou. No teatro não há nada disto. Há papel para tudo. Posso fazer um cara no teatro de 40 ou 90 anos. Na TV complica. 80% das novelas têm-se adolescentes, e o restante são pessoas maduras, dentre elas um velho de cá, outro de lá. Como o aumento na estimativa de vida, os velhos não morrem. Eu não morro, mas também não tenho chance. Ficará aquele bando de idoso com poucas chances. Por isso que faço trabalhos eventuais. Por outro lado, tenho prestígio. Não faço sucesso, mas sou respeitado, o que me deixa satisfeito.

NM – O cinema brasileiro ainda sofre com a falta de telespectador?

Hesse – Sofre e muito! O cinema brasileiro sempre esteve à procura de seu espaço. Para atrair o público, nos anos 70, as comédias românticas passaram a ser pornochanchadas. O gênero degringolou, ficou abusado e terminou de vez nos anos 80. Faltava distribuidor e mercado para o cinema nacional. Enquanto isso, o cinema de fora, importado, dominava e ainda reina. Não temos ainda uma identidade cultural autêntica, e estamos condicionados pelo que vem de fora. Mesmo com a remodelação pelo movimento da Retomada, o cinema brasileiro ainda é rejeitado dentro do país. Mudou bastante, concorremos a prêmios internacionais, mas ainda não temos espaço.

Outros trabalhos:

Cinema:


“O Signo do Escorpião” (1974)
“A Casa das Tentações” (1975)
“Pintando o Sexo” (1977)
“A Árvore dos Sexos” (1977)
“Damas do Prazer” (1978)
“Império das Taras” (1980)
“O Baiano Fantasma” (1984)
“Sonhos Tropicais” (2001)

Novelas:

“Cinderela 77” (1977)
“Salário Mínimo” (1978)
“Dulcinéia Vai à Guerra” (1980)
“As Cinco Panelas de Ouro” (1982) - foto acima, menor
“Meus Filhos, Minha Vida” (1984)
“Rabo de Saia” (1984)
“Jerônimo” (1984)
“Anarquistas, Graças a Deus” (1984 - minissérie)
“Selva de Pedra” (1986)
“Éramos Seis” (1994)
“Razão de Viver” (1996)
“Mandacaru” (1997)
“Desejos de Mulher” (2002)
“Paraíso Tropical” (2007)

(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 20/05/2008. Créditos para foto: Felipe Brida

sábado, 17 de maio de 2008

Cine Lançamento

O Passado

O jovem Rimini (Gael García Bernal) trabalha com tradução de textos e está casado há 12 anos com Sofia (Anália Couceyro), sua primeira namorada. No entanto a relação entre eles não está nada bem e ambos resolvem se separar. Rimini conhece uma modelo, Vera (Mariana), e inicia um tórrido romance com a garota, bem mais nova que ele. Mas numa noite Vera morre atropelada ao ver o namorado beijando Sofia secretamente. Um ano depois, Rimini se casa com a tradutora Carmen (Ana Celentano), tem um filho e repentinamente é acometido por uma amnésia. Ao mesmo tempo, Sofia reaparece com a intenção de reatar o casamento.
Quatro anos depois de “Carandiru”, o renomado diretor argentino naturalizado cidadão brasileiro Hector Babenco rodou este drama irregular com cara de novela mexicana. O relacionamento do jovem Rimini com as mulheres é amargo, uma espécie de fúria momentânea de prazer que se dissolve em poucos dias, algo comum entre os casamentos e namoros atuais. Porém a inserção de inúmeros personagens femininos na história acaba por deixar o público perdido. Inexiste uma estrutura coesa entre os affairs, que nem sempre são bem esclarecidos. Há tramas secundárias recortadas e não conclusivas (como a doença, a morte da mulher atropelada, que fim levou o filho, o paradeiro da esposa, mãe do filho e outros).
Fique atento: o filme é indigesto, principalmente a partir da metade da fita, quando o tom torna-se mais sério ao infundir o amor obsessivo e paranóico de Sofia, que vai aos poucos enlouquecendo longe do ex-marido. Último filme de Paulo Autran, cujo papel é pequeno, inserido em um momento surrealista. Ele interpreta o professor francês Pousièrre e segura uma jarra de água na mão. E a estranha reunião das mulheres no final lembra um complô à la “Esposas em Conflito”!
De ritmo lento, cenas eróticas e roteiro desconexo e indigesto, o drama é bem fotografado e reúne um bom elenco, em especial o mexicano Bernal. O azar mesmo foi pecar pelo excesso de personagens e de tramas, que ajudam a naufragar a fita. Em DVD. Por Felipe Brida

Título original: El Pasado
País/Ano: Argentina/Brasil, 2007
Elenco: Gael García Bernal, Analía Couceyro, Mariana Anghileri, Ana Celentano, Marta Lubos, Mimí Ardú, Paulo Autran.
Direção: Hector Babenco
Gênero: Drama
Duração: 114 min

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Cine Lançamento

Hitman – Assassino 47

Treinado para ser um insigne matador de aluguel, o agente 47 (Timothy Olyphant) utiliza a agilidade e a ousadia para eliminar seus alvos. Na Rússia, uma operação mal-sucedida com o objetivo de matar o presidente faz com que 47 seja envolvido em um perigoso golpe político. Perseguido pela Interpol e por militares russos, o matador quer vingança contra aqueles que organizaram o plano contra ele.
Esperava-se mais deste filme de ação baseado na série de jogos de videogame “Hitman”, criado pela empresa de jogos inglesa Eidos Interactive e lançado pela primeira vez em 2000. Com enredo que lembra livros de Tom Clancy ambientados na Guerra Fria, a trama é confusa e cheia de personagens mal aproveitados. O ator Timothy Olyphant, o matador 47, aqui ficou parecido com um boneco de plástico, sem expressões ou movimentos faciais, assemelhando-se a um personagem de jogo de videogame! Nem mesmo as infinitas seqüências de tiroteio e luta, rodadas em uma câmera frenética, são bem boladas. Há ainda um pequeno romance, chocho por sinal.
47 faz referência aos dois últimos dígitos de um código de barra marcado na nuca raspada do agente, número da inscrição dele na corporação que recruta os matadores.
Uma produção cara (U$ 70 milhões) com resultado fraco e nada excepcional. Os fãs do jogo poderão curtir mais. Em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Hitman
País/Ano: EUA/França, 2007
Elenco: Timothy Olyphant, Dougray Scott, Olga Kurylenko, Robert Knepper, Ulrich Thomsen.
Direção: Xavier Gens
Gênero: Ação
Duração: 93 min.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Cine Lançamento

Hairspray – Em Busca da Fama

1962, Baltimore. O sonho de todo adolescente norte-americano é aparecer no “The Corny Collins Show”, um programa de dança que faz sucesso entre a moçada. E este também é o sonho da Tracy Turnblad (Nikki Blonsky), uma jovem gordinha que adora dançar. Empenhada, ela se inscreve para participar no programa e, de maneira surpreendente, arrasa nos testes. Seu lugar está garantido na televisão! Mas a fama de Tracy poderá destronar a ambiciosa Amber Von Tussle (Brittany Snow), garota mimada que está disposta a tudo para se manter no ranking.
Com roteiro adaptado do filme homônimo (apenas com alteração no subtítulo, “E Éramos Todos Jovens”) transposto às telas em 1988 pelo diretor John Waters e que em 2002 virou peça da Broadway, a comédia musical foi bem recebida nas bilheterias norte-americanas e também no Brasil. Quase que inteiramente cantada, a fita é alegre, divertida e bem empolgante, mesmo para os que não curtem gênero musical.
A refilmagem mantém os personagens, bem como o lugar (Baltimore) e a época. A produção só não reutilizou as músicas do filme anterior e da peça para que não ficasse algo repetitivo. E como as canções são vibrantes, com ritmo que contagia!
Há uma eficiente abordagem paralela sobre o preconceito (principalmente em torno dos obesos e dos negros, e lembrando que a população dos Estados Unidos é bem constituída por estes dois grupos de pessoas) e de “carpe diem”. Aproveite a vida! Solte-se! Pule e dance! Entreguem-se a paixões!
Já o elenco, encabeçado pela simpática atriz-revelação Nikki Blonsky, é uma discussão à parte. Nikki era uma ex-balconista de uma loja de doces e tinha 18 anos quando se inscreveu para a seleção de atrizes de “Hairspray”. E venceu, sendo este seu primeiro trabalho no cinema. Ela é uma garota realmente gordinha, sem enchimento nenhum (ao contrário de John Travolta, que iremos apontar logo a seguir. O que é aquilo??), bonitinha e esforçada. Só que seu futuro é incerto. Por ser bem gordinha e fora dos padrões de atrizes, terá papéis limitados. Não sou preconceituoso; estive pensando sobre Nikki dias atrás e cheguei a esta conclusão. Mas nada a impossibilita de se destacar em filmes que não exijam beleza idealizada, não é mesmo? Tanto é verdade que depois de Hairspray ela fez apenas um filme para a TV (sobre uma menina que está acima do peso e tem dificuldades de se integrar na escola) e termina de rodar um projeto cujo papel é secundário.
Agora talvez o grande lance de marketing para atrair público tenha sido entregar a John Travolta o papel da mãe-coruja de Tracy, Edna, um senhora gorda e tristonha. Já imaginaram? Foram necessárias quatro horas de maquiagem para transformar John Travolta em Edna Turnblad. E o make-up não ficou completo: reparem nas mãos de homem dele, com vasos sanguíneos saltados. É obvio que Travolta não convence ninguém num papel feminino e fica aquele personagem-piada. O ator, com a cara siliconada devido às aplicações protéticas para compor a gorducha, volta aos tempos de “Grease” e “Embalos de Sábado à Noite” para se soltar nas danças, mesmo que em postura comedida. É desajeitado, porém não incomoda. E não está tão longe de Divine, a cantora (travesti) de sucesso nos anos 70/80 que encarnou a Edna no original.
O elenco ainda tem Michelle Pfeiffer (como a mãe maquiavélica de Amber Von Tussle, papel este que seria interpretado ou por Madonna ou por Meryl Streep), Christopher Walken, Allison Janney e Queen Latifah.
O diretor Adam Shankman retorna com fôlego (ainda bem) depois de comédias desastrosas, como “A Casa Caiu”, “Operação Babá” e “Doze é demais 2”.
Rodado em Toronto, Canadá, o musical concorreu a três Globos de Ouro (melhor musical ou comédia, ator coadjuvante para John Travolta e atriz para Nikki Blonsky), ao Bafta de melhor maquiagem e ao Grammy de melhor trilha sonora. Estranhamente ficou fora do Oscar este ano. Entretenimento para se passar horas agradáveis. Não deixe de assistir. Em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Hairspray
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Nikki Blonsky, John Travolta, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Amanda Bynes, James Marsden, Allison Janney, Queen Latifah, Zac Efron, Elijah Kelley, Brittany Snow, Paul Dooley, Jerry Stiller.
Direção: Adam Shankman
Gênero: Comédia musical
Duração: 115 min.

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