terça-feira, 13 de maio de 2008

Cine Lançamento

Margot e o Casamento

A escritora de contos Margot (Nicole Kidman) não mantém contato com a irmã Pauline (Jennifer Jason Leigh) há tempos. Ao ficar sabendo que ela irá se casar, segue, acompanhada do filho Claude (Zane Pais), para as comemorações. A surpresa toma conta do lugar com a chegada inesperada da irmã. Mas na residência do casal, Margot irá vivenciar momentos de angústia e crises comportamentais diante da conturbada relação de Pauline com o noivo Malcolm (Jake Black), um ator desempregado e explosivo.
Filme de circuito alternativo repleto de personagens excêntricos e uma gama de bizarrices. O diretor Noah Baumbach, que recebeu indicação ao Oscar de melhor roteiro original em 2006 por “A Lula e a Baleia”, não se esforça em comover o público, já que a história sobre duas irmãs separadas por brigas no passado exige carga emocional e tom dramático. Opta pelo caminho de unir um drama nada convencional com comédia de humor negro, o que resulta irregular e estranho demais.
O elenco não ajuda e deixa de cumprir com as expectativas. Nicole Kidman, no papel central, é aquela mesma atriz de sempre, que vem se ajeitando em projetos cada vez mais duvidosos (vide “A Bússola de Ouro”, “Invasores”, “Reencarnação” e este aqui). Reparem como as plásticas não caíram bem em Nicole e a deixam com dificuldade de variar as expressões faciais. Jennifer Jason Leigh, que começa a mostrar a cara de novo depois de sumir das telas, não soube encontrar qual melhor caminho para uma esposa amargurada e sofredora, irmã de Margot. Falta-lhe energia e espontaneidade. E Jake Black então? É o personagem mais excêntrico, com bigode e cabelo desarranjado, e, claro, caricato. Aquele jeitão hiperativo é preservado na pele do marido beberrão e nada dedicado para com a família. E uma ponta desprezível de John Turturro.
A fita é uma mistura generalizada de situações que nem sempre são pormenorizadas, como a birra entre os vizinhos e a tentativa de estupro do filho. As bonitas locações na casa de veraneio, onde a família de Pauline mora, não colabora. Resumindo: um projeto mal arranjado que dificilmente irá encontrar um público para apreciá-lo. Lançado em DVD na segunda quinzena de abril. Por Felipe Brida

Título original: Margot at the Wedding
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Nicole Kidman, Jennifer Jason Leigh, Jack Black, Zane Pais, John Turturro, Ciarán Hinds, Justin Roth.
Direção: Noah Baumbach
Gênero: Drama
Duração: 91 min.

domingo, 11 de maio de 2008

Viva Nostalgia!

Lutador de Rua

Nos Estados Unidos dos anos 30, durante a Grande Depressão, um homem desempregado, Chaney (Charles Bronson), chega a New Orleans com a intenção de estabilizar sua vida. Junta-se ao promotor de lutas Speed Weed (James Coburn) e adentro no submundo de competições clandestinas. Do tipo calado, Chaney compensa o pouco dialogo com força feroz nos braços. Mas uma dívida financeira irá separar Chaney de Speed. No entanto, o promotor só vê em Chaney a chance de ganhar um bom dinheiro nas arriscadas lutas.
Considerado um dos melhores filmes de lutas rodado nos Estados Unidos, o projeto, cuja direção ficou sob o encargo do estreante Walter Hill, que depois se destacaria por filmes policiais e de ação (48 Horas partes I e II, Caçada Mortal, Ruas de Fogo, Inferno Vermelho), trouxe à tona uma história ousada sobre o submundo das lutas, ilegais e proporcionadas em ambientes secretos por empresários oportunistas e mafiosos. Quase duas décadas e meia anterior à “Clube da Luta”, traz seqüências de luta bem fotografadas e atrativas. Para balancear, há pitadas irrelevantes de romance e drama. Charles Bronson, na época já casado com Jill Ireland, que aqui interpreta a garota-interesse amoroso de Chaney, repete um personagem típico de faroestes em que participou (como o gaiteiro em Era uma Vez no Oeste), caladão e observador, porém com habilidade nas mãos.
O visual não ficou datado. O futuro diretor Roger Sppotiswoode atua aqui na edição. Exibido inúmeras vezes em TV aberta, o filme foi distribuído em DVD pela Sony Pictures há alguns anos, com uma capa feia que dói e sem extras (apenas trailer). Por Felipe Brida

Título original: Hard Times
País/Ano: EUA, 1975
Elenco: Charles Bronson, James Coburn, Jill Ireland, Strother Martin, Margaret Blye, Michael McGuire.
Direção: Walter Hill
Gênero: Ação
Duração: 97 min.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Cine Brasil

Cão Sem Dono

Ciro (Júlio Andrade), recém-formado em Literatura, passa por uma crise existencial. Não tem planos para o futuro, vive solitário em um apartamento e está sem emprego. Certo dia, conhece Marcela (Tainá Muller), jovem modelo em busca de sucesso. Ambos se entregam a uma tórrida paixão, e passam a dividir também os problemas do dia-a-dia. E tudo é observado por um cão abandonado que aparece inesperadamente na casa de Ciro.
Reconhecido pelos filmes policiais rodados em câmeras ágeis, o diretor Beto Brant deixou tais técnicas para trás e enveredou, aqui, no drama psicológico de ritmo vagaroso, quase parando, para contar a história distanciada de um rapaz em crise e sem perspectivas. A narrativa é lenta, e os fatos se desenrolam em poucos ambientes, o que torna a fita cansativa e difícil de acompanhar. É comum vermos dramas psicológicos fracassarem, e com este não foi diferente.
O novo trabalho de Beto Brant e Roberto Ciasca apresenta falhas que prejudicam o conteúdo da fita. Ficou irregular a tentativa de filmar grande parte do enredo em formato de documentário, com close up, diálogos diretos para a câmera e cortes e aberturas de cena em “fade”. Assemelha-se a um projeto experimental. Infelizmente a história em si não é atraente, tampouco a linguagem metafórica em relação ao personagem Ciro, desorientado e sem companhia, e ao cachorro sem dono e abandonado. O mesmo espírito de solidão do cão envolve a atmosfera vazia do rapaz. E o escapismo de Ciro é beber e fazer sexo com a modelo por quem se apaixona (e depois esta descobre estar doente – sub-trama mal aproveitada e que poderia envolver o telespectador. Outro erro!).
Doideira coletiva do júri de festivais entregarem prêmios a “Cão Sem Dono”. Sinto muito, mas a atriz Tainá Muller levar o de melhor atriz nos festivais de Cuiabá e no CINE-PE (Recife) foi um tremendo engano. Em seu primeiro trabalho como atriz, a gaúcha (muito bonita) nada faz, não faz emocionar o público, não carrega o papel nas costas, é inexpressiva. Meu Deus! Poderiam ter indicado Júlio Andrade, bom ator, apesar de não ter grandes lances. E o filme ainda concorreu este ano ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, nas categorias diretor e roteiro adaptado.
Baseado no livro “Até o Dia em que o Cão Morreu”, de Daniel Galera, o drama chegou em DVD esta semana, sem alarde ou divulgação, e deverá permanecer assim por um bom tempo. Longe da agilidade e destreza dos longas anteriores roteirizados pelos colegas Beto Brant e Marçal Aquino, como “O Invasor”, “Os Matadores” e “Ação Entre Amigos”. Um filme de arte que nunca engrena. Por Felipe Brida

Título original: Cão Sem Dono
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Júlio Andrade, Tainá Muller, Marcos Contreras, Luiz Carlos V. Coelho, Janaina Kremer.
Direção: Beto Brant/Renato Ciasca
Gênero: Drama
Duração: 82 min.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Entrevista Especial

Fafy Siqueira: de Roberto Carlos a diretora de teatro em São Paulo

Felipe Boso Brida*
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De estatura baixa, olhos espantados e jeito de garota travessa, a atriz carioca Fafy Siqueira conquistou o público brasileiro com seus papéis cômicos e desleixados. E ainda atrai a atenção dos telespectadores com os personagens extrovertidos. Podemos vê-la atuando na novela “Duas Caras”, como a madame Amora, irmã gêmea de Amara, interpretado por Mara Manzan, que teve de se afastar das telas por motivo de saúde. Nascida no Rio de Janeiro em outubro de 1954, Fafy iniciou a carreira imitando personalidades em programas de humor. Quem não se lembra dela encarnando o cantor Roberto Carlos ou mesmo Ronald Golias? Nos anos 80, fez papéis menores no cinema, como em “Urubus e Papagaios” (1985) e “Romance da Empregada” (1987). Até que, em 1990, dois filmes alavancaram sua carreira: “Uma Escola Atrapalhada” e “Sonho de Verão”. Em novelas, ganhou espaço em “Hipertensão” (1986), “Quem é Você” (1996), “Zazá” (1997), “Brida” (1998), “Cobras & Lagartos” (2006) e “Pé na Jaca” (2007). Esteve no elenco da minissérie “O Primo Basílio”, em 1988, e ainda apresentou o programa “Alô Alô”, na TV Cultura. Passou pelos principais programas de humor da televisão brasileira, como “Escolinha do Professor Raimundo”, na pele de dois personagens – a torcedora da Portuguesa Lusa do Canindé e Gardênia Alves –, em Sai de Baixo, Zorra Total, Brava Gente e A Praça é Nossa. Atualmente dedica-se também a duas outras paixões: dirigir e atuar em espetáculos teatrais. Sua peça mais famosa é “Aconteceu com Shirley Taylor”.
Confira mais sobre a carreira da atriz na entrevista abaixo, concedida por ela, em São Paulo, especialmente ao jornal Notícia da Manhã.

NM – Fafy, seu novo personagem, na novela “Duas Caras”, traz mais um papel cômico para a carreira. Por que só fazer humor?

Fafy – Vamos por partes. Recentemente fui contratada pela Rede Globo para a novela “Duas Caras”, a convite de Wolf Maia e Aguinaldo Silva. Substituo minha amiga Mara Manzan. O personagem seria da Mara também, ou seja, ela faria um papel duplo. Sinto-me orgulhosa por estar no lugar da Mara e por ter sido lembrada para manter o núcleo de humor dentro da novela. Agora, vamos ao que interessa. Meu forte são os papéis de humor. Não resisto quando sou convidada e cedo facilmente. O diretor de teatro Guilherme Leme disse que gostaria de escrever uma peça dramática para que eu atuasse. Mas não quis. Não quero remar contra a maré. Meu negócio é comédia, e sou reconhecida por isto. Está na veia, é inexplicável. Confesso que meu sonho é fazer um programa humorístico com inúmeros personagens, no estilo de “Planeta dos Homens” e “Viva o Gordo”. Olha que boa idéia! Na minha atual situação, ficaria legal fazer a “Viva a gorda”!

NM – Então recusaria papéis dramáticos?

Fafy – Olha, já fiz peças teatrais com momentos tristes. Por exemplo, em “Monólogos da Vagina” interpretava uma mulher que era estuprada na Bósnia e sofria muito. Era de uma carga emocional dramática densa e complexa. Tive de aprender a arte dramática, fugir do meu usual. E fui bem elogiada pela atuação. Mas não me arrisco mais. Minha “praia” é outra. Em janeiro começaremos a ensaiar uma peça sobre a vida da Dercy Gonçalves, escrito pela Maria Adelaide Amaral e dirigido por Marília Pêra. Vai ser um sucesso tremendo, espero.

NM – Qual filme, novela ou peça remontaria com um estilo próprio?

Fafy – Anos atrás a Letícia Spiller convidou-me para participar da peça “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, baseada no original de Fassbinder. No elenco estavam Fernanda Montenegro e Renata Sorrah. Na época pensei: “Imagine eu fazendo drama. Não ficará legal, será frustrante”. E não aceitei. Por incrível que possa parecer, hoje minha vontade é remontar a peça, porém usar um lado mais bem humorado, amenizando o drama. Hoje, como diretora, me solto no palco, grito, puxo os cabelos, dou gargalhadas. Tudo para que meu trabalho dê certo e seja bem visto.

NM – No cinema, seu grande momento, talvez, foi participar de “Sonho de Verão”. O que representou o filme para uma geração de jovens no início dos anos 90?

Fafy – Meu Deus, “Sonho de Verão” virou sucesso absoluto. Atraiu uma legião de fãs, tivemos uma bilheteria fantástica. A comédia agradou a todos. Fiquei famosa a partir daí. Era muito engraçado atuar com Sérgio Mallandro. Nossos personagens se confrontavam o tempo todo: de um lado eu, a governante durona, e do outro ele, um cara folgado e mentiroso. O filme tornou-se sucesso imediato. Lançou bons artistas, como Andréa Veiga, Letícia Spiller e Cláudio Heinrich. Sinto saudades dessa época.

*Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, no dia 04/05/2008. Créditos para foto: Felipe Brida

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Cine Lançamento

Morte no Funeral

Uma família inglesa de classe média alta se reúne para o funeral do patriarca. Daniel (Matthew Macfayden), o filho mais organizado, prepara a casa para receber os parentes. Porém nada sai como planejado. Simon (Alan Tudyk), o namorado da prima de Daniel, ingere acidentalmente alucinógenos e passa a ter delírios, enquanto um dos filhos do falecido sai paquerando as mulheres no funeral. A confusão toma rumos inesperados quando um anão chega e começa a extorquir os filhos para não revelar que era amante do pai morto. Daniel terá a árdua tarefa de se livrar das malucas situações.
Comédia inglesa de humor negro que obteve êxito de bilheteria nos Estados Unidos e boa repercussão no Brasil. E sem dúvida uma das melhores comédias lançadas recentemente. Em tom de esculacho generalizado, a fita arranca boas risadas do público. Reúnem-se diversos personagens em situações diversas. Algumas beiram o absurdo, como o primo que toma drogas achando que é Valium e passa o funeral todo fora de si (bom de careta, Alan Tudyk exagera nas expressões), e outras são próximas a nós – o tio idoso irritado com a demora do enterro e o paquerador insensato que se nega a ajudar financeiramente com os arranjos fúnebres.
Filme de uma piada só (o funeral é apenas pano de fundo para os personagens deslancharem a “zoeira”), a história fica cada vez mais frenética e doida. Reserva-se o melhor para a seqüência do banheiro (e bem escatológica por sinal).

Mas nem tudo é “gag” (piada visual). O humor inglês (tem gente que chia quando ouve este termo) está incutido nos próprios diálogos e cortes de cena, indispensáveis para tal estilo cômico.
Todo o mérito do filme é dado ao diretor Frank Oz, um dos criadores do “Muppets Show” e responsável por dirigir comédias impagáveis, como “Os Safados” (1988), “Nosso Querido Bob” (1991), “Será que Ele é?” (1997) e “Os Picaretas” (1999). Depois do fracasso de “Mulheres Perfeitas” (2004), refilmagem de “Esposas em Conflito” (também conhecido como “As Esposas de Stepford”), voltou ao país natal, Inglaterra, e acertou ao rodar este inteligente entretenimento. Não deixe de conferir. Em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Death at a Funeral
País/Ano: Inglaterra/EUA, 2007
Elenco: Matthew Macfayden, Keeley Hawes, Alan Tudyk, Andy Nyman, Ewen Bremner, Peter Vaugh, Peter Dinklage.
Direção: Frank Oz
Gênero: Comédia
Duração: 90 min.

sábado, 3 de maio de 2008

Cine Lançamento

Os Indomáveis

O rancheiro Dan Evans (Christian Bale) enfrenta problemas financeiros e em breve será expulso da fazenda onde vive com a família. Quando fica sabendo que o perigoso bandido Ben Wade (Russell Crowe) fora preso após assaltar uma diligência, Evans se oferece para integrar um grupo de homens para levar o criminoso até uma cidade distante, onde, por lá, irá passar o trem das 3 e 10 para Yuma, cidade esta em que Wade será condenado pelos crimes. Para o trabalho, o rancheiro receberá uma boa recompensa. No entanto, no caminho, o destemido bando de Wade irá montar emboscadas para resgatar o líder.
Recebeu duas indicações ao Oscar deste ano (mixagem de som e trilha sonora) este empolgante faroeste, refilmagem de “Galante e Sanguinário” (com mesmo título em inglês, “3:10 to Yuma”, e lançado em 1957) e dirigido pelo regular James Mangold (aquele de “Cop Land”, “Kate & Leopold”, “Garota, Interrompida” e “Johnny & June”, entre outros). O enredo é ágil e bem explicativo, com seqüências de muito tiroteio e perseguições. Há uma variedade de personagens interessantes – logo na primeira cena do filme o rancheiro Dan Evans exibe uma perna decepada, enquanto Russell Crowe encarna o pistoleiro matador quieto e de atitudes instintivas, no estilo dos personagens calados, violentos e “sem nome” de Clint Eastwood. E o ator Ben Foster ficou assustador na pele de Charlie Prince, sanguinário braço-direito de Wade, Tem até um Peter Fonda velho e uma rápida participação (são apenas segundos!) de Luke Wilson, irmão mais novo de Owen Wilson. A trilha sonora de Marco Beltrami, que intercala momentos ora sutis ora nervosos, acompanha o ritmo e é outra atração à parte.
Porém, o gênero faroeste saiu de moda há anos, e, assim, o filme corre o risco de ser rejeitado pelo público. Uma pena! Como sou fã inveterado de western, “Os Indomáveis” me arrebatou do começo ao fim. E que final espantoso, não? Recomendação de primeira. Lançado em DVD em abril passado. Por Felipe Brida

Título original: 3:10 to Yuma
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Christian Bale, Russell Crowe, Logan Lerman, Peter Fonda, Dallas Roberts, Ben Foster, Gretchen Mol, Vinessa Shaw, Alan Tudyk, Luke Wilson.
Direção: James Mangold
Gênero: Faroeste
Duração: 122 min.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cine Lançamento

Leões e Cordeiros

Três tramas paralelas sobre a Guerra do Afeganistão são exibidas. De um lado, o senador Jasper Irving (Tom Cruise) pretende lançar uma nova estratégia política para conter o conflito entre os Estados Unidos e o Afeganistão, porém a façanha só terá êxito com a colaboração da jornalista Janine Roth (Meryl Streep). Ao mesmo tempo, o professor idealista Stephen Malley (Robert Redford) tenta convencer um de seus alunos mais estudiosos, Todd (Andrew Garfield), a mudar os conceitos e formas de pensar visando um futuro promissor ao estudante. Do outro lado do mundo, dois soldados, Ernest (Michael Pena) e Arian (Derek Luke), lutam na guerra para defender o país onde vivem.
Primeiro filme da United Artist após Tom Cruise assumir o comando da empresa de cinema, este drama político não foi bem recebido nos Estados Unidos na época de seu lançamento, ano passado. As conversas de bastidores (entre a jornalista e o senador), alongadas demais e cansativas, reproduzem uma propaganda de política liberal, ou seja, é propagandista. Além do mais, deixa aquele gosto de denúncia ao indicar os responsáveis pela intervenção militar e respectiva tomada do país afegão. E neste ponto a fita toma posição firme e fica até indigesta. Atira-se para todos os lados: sobra para os políticos que se deleitam com o imperialismo, um pouco para a imprensa e para a população, enfim, ninguém sai ileso.
Quanto ao filme nos Estados Unidos estão aí algumas explicações sobre seu fracasso. Agora vamos ao Brasil. O público não tem o costume de assistir a filmes com muito falatório e discussões afiadas. Ainda mais se o assunto for política norte-americana! Portanto, de cara, a fita irá desinteressar grande parte dos telespectadores. Serve mesmo para professores, intelectuais, estudantes de Direito e Economia, historiadores etc.
“Leões e Cordeiros” é interessante, mas não especialmente bom ou inovador. Predominam os diálogos cortantes e de teor de incriminação. Curto (tem uma hora e meia), traz algumas cenas de combate bem boladas e um elenco magistral (não é mole reunir Meryl Streep, Robert Redford e Tom Cruise). O personagem do senador disposto a tudo para manter o “status quo” do seu país é chocante. Não existem soluções fáceis ou felizes para o rumo dos personagens. O final é mal definido e pode desagradar. Em DVD. Por Felipe Brida

Título original: Lions for Lambs
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Tom Cruise, Meryl Streep, Robert Redford, Michael Peña, Andre Garfield, Peter Berg, Kevin Dunn, Derek Luke.
Direção: Robert Redford
Gênero: Drama
Duração: 91 min.

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