terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Especial de cinema

 

Balanço: Os melhores e os piores filmes de 2024

 

Segue a minha tradicional lista dos melhores (50 ao todo) e dos piores (20) filmes de 2024, assistidos em festivais de cinema (presenciais e online), em salas de cinema e no streaming. São longas exibidos no Brasil, e outros que, por estarem em festivais, ainda não entraram no circuito nacional. Em 2024 assisti a 1019 longas-metragens, sendo 483 estreias.

OBS 1 – Quanto aos filmes produzidos e lançados em 2024, muitos deles, por terem sido exibidos em festivais, só devem entrar no circuito nacional em 2025.

OBS 2 – Os filmes não estão na ordem de preferência, e sim em ordem alfabética.

Aproveito para desejar a todos os leitores do Cinema na Web um feliz Ano Novo, com saúde, paz, harmonia, prosperidade e muito cinema.

 

Melhores filmes de 2024 (produzidos e lançados em 2024)

 

20 dias em Mariupol

A cozinha

A hipnose

A mais preciosa das cargas

A memória infinita

A sala dos professores

A semente do fruto sagrado

A substância

Ainda estou aqui

Alien: Romulus

Anora

Apocalipse nos trópicos

Ascensão e queda: John Galliano

Cidade; campo

Clube zero

Conclave

Deadpool & Wolverine

Duna - Parte 2

Dying – A última sinfonia

Emilia Pérez

Entrevista com o demônio

Faye: Entre luzes e sombras

Fernanda Young: Foge-me ao controle

Furiosa – Uma saga Mad Max

Garra de ferro

Guerra civil

Kokomo City: A noite trans de Nova York

Longlegs: Vínculo mortal

Love lies bleeding – O amor sangra

Mal viver

Malu

Maria Callas

Memórias de um caracol

O aprendiz

O banho do diabo

O brutalista

O homem crocodilo

O homem dos sonhos

O mal que nos habita

O menino e a garça

O sabor da vida

O surfista

Oito cartões-postais da utopia

Rivais

Robô selvagem

Salão de baile – This is Ballroom

Super/Man: A História de Christopher Reeve

Tudo vai ficar bem

Viver mal

Zona de exclusão

 





Piores filmes de 2024 (produzidos e lançados em 2024)

 

A batalha do biscoito Pop-Tart

Agente X – A última missão

Alerta de risco

Alice

Aprendiz de espiã: Na cidade eterna

Argylle: O superespião

Armadilha

Dois é demais em Orlando

Feios

Madame Teia

Manobra arriscada

Mea culpa

Megalópolis

Nosso Lar 2: Os mensageiros

O cara da piscina

O tarô da morte

Os estranhos – Capítulo 1

Segredos

Turma da Mônica Jovem: Reflexos do medo

Ursinho Pooh: Sangue e mel 2

 




segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Estreias da semana – No streaming



Está disponível na plataforma Adrenalina Pura o novo filme policial com scifi com Morgan Freeman e Josh Hutcherson, que trata de um tema caro para o mundo da ficção científica: a viagem no tempo. Sim, o cinema já produziu muito sobre isso, há até clássicos do gênero, e aqui é apenas um ligeiro entretenimento, com pegada teen. Em suma, um passatempo para distrair. Na história, um blogueiro de assuntos sobre tecnologia (Hutcherson) encontra um anel misterioso, que dá o poder de voltar no tempo 57 segundos. Ele descobre que aquilo é a porta de entrada para uma nova forma de vida futura, que será controlada pelo anel. Paralelamente, o criador do artefato (Freeman) é perseguido por criminosos, que foge junto com o blogueiro, numa escapada infernal. Seguindo a premissa de longas do gênero, haverá reviravoltas, perseguições e tiros para todos os lados – e em tramas como essa, o protagonista usufruirá das oportunidades em voltar no tempo, como ganhar dinheiro em cassinos, pois saberá o resultado do jogo e, ao voltar 57 segundos, apostará as fichas de forma certeira. É legal, bem movimentado e bom ver o premiado Morgan Freeman aos 86 anos esbanjando talento, ao lado de Josh Hutcherson, ator-mirim, de ‘Zathura – Uma aventura espacial’ (2005), que andava sumido. Distribuído no Brasil pela California Filmes, está em exibição na plataforma online Adrenalina Pura, streaming especializado em fitas de ação, thriller, suspense e terror, muitos deles com astros e estrelas de Hollywood - são mais de 400 títulos no catálogo, com filmes originais e exclusivos, com estreias semanalmente, e isponível na Prime Video Channels, Apple TV e Claro TV+. O canal é uma parceria entre Sofa Digital e Califórnia Filmes, e dentre os títulos do catálogo estão ‘As duas faces da lei’ (2008), ‘Assassino a preço fixo’ (2011), ‘Dublê do diabo’ (2011), ‘No olho do furacão’ (2018), ‘Invasão ao serviço secreto’ (2019), ‘Mar em chamas’ (2021), ‘Criaturas do senhor’ (2022), ‘A última caçada’ (2022), ‘Até o limite’ (2022), ‘Informante’ (2023) e ‘Colateral’ (2024).


 

A História de uma planta (2024)


Chegou na GNT, para assinantes do canal da Globo, a minissérie ‘A História de uma planta’ (2024), um incrível documentário sobre a representação da cannabis na sociedade brasileira. A série aborda o que as pessoas pensam sobre ela, o preconceito em torno da planta e como a Medicina vem utilizando o canabidiol para fins terapêuticos. Com roteiro e direção de Nina Kopko e Geovani Martins, reúne depoimentos de especialistas da Medicina, da Psicologia, da Neurociência, do Jornalismo e do Direito, e dentre os nomes entrevistados estão Sidarta Ribeiro, Joel Luiz Costa e Nelson Motta. A minissérie faz um diálogo aberto e desmistificador em torno da cannabis, popularmente conhecida como maconha, a partir de dados científicos e pesquisas, que reforçam o poder de uma das plantas medicinais mais antigas do mundo, presente em todos os continentes. Ao falar da maconha, a série trabalha assuntos relacionados, como racismo, Código Penal e fake news. A série estreou na GNT no 16/12, e a cada semana um episódio fica disponível – ontem foi liberado o 3º capítulo, e são cinco ao todo, de 25 minutos, que depois serão disponibilizados no Globoplay. Conta com a produção da Feel Filmes em coprodução com o GNT.





sábado, 28 de dezembro de 2024

Resenhas Especiais


Lançamentos em DVD da Obras-primas do Cinema.

Confira abaixo resenha de três filmes em DVD lançados recentemente pela distribuidora Obras-primas do Cinema.


Um rosto de mulher


* Reedição

Traumatizada devido a uma cicatriz no rosto, Anna Holm (Joan Crawford) transformou-se em uma mulher amargurada e chantagista. Certo dia, resolve submeter-se a uma cirurgia plástica para recuperar a beleza. Porém Anna continua atormentada pelo passado obscuro.
 
“Um rosto de mulher” estava inédito em mídia física no Brasil até 2013, quando foi lançado em DVD pela distribuidora ‘Colecione Clássicos’, em uma excelente cópia restaurada para deleite dos fãs do cinema antigo. A ‘Colecione’ mudou de nome, há algum tempo é ‘Obras-primas do Cinema’, e ela acaba de relançar a mesma cópia em DVD, mas no box ‘Joan Crawford’, com outros três filmes da grande atriz do cinema norte-americano – os títulos que estão juntos são ‘O pecado da carne’ (1932), ‘Quando o diabo atiça’ (1934) e ‘Manequim’ (1937).
Produzido em 1941, traz um papel marcante de Joan Crawford como uma mulher amargurada e que, por se sentir rejeitada pela enorme cicatriz na face, subestima as pessoas de seu convívio. Joan interpretou uma série de vilãs no cinema, e este com certeza é um dos trabalhos notórios da carreira da atriz, que na vida real era depressiva, alcoólatra e que maltratava os filhos (para conhecer a biografia dela assistam ao drama “Mamãezinha querida”, de 1981, com Faye Dunaway – a Obras-primas lançou o filme em DVD há alguns anos).




Joan interpreta aqui uma personagem difícil, arrogante, uma antagonista de primeira classe, que na história submete-se a uma cirurgia com o intuito de regressar à beleza – e que para os indivíduos que a cercam seria um possível retorno à antiga personalidade da mulher, sensata e carinhosa anos atrás. O que não acontece, pois o problema de Anna não está exclusivamente na “cicatriz” e sim nos tormentos do passado, de teor trágico, que aos poucos se revela no filme.
Com extenso clima noir, esse drama psicológico foi dirigido pelo vencedor do Oscar por “Minha bela dama”, George Cukor (1899-1983), um dos talentosos nomes de Hollywood dos anos 50 e 60, o mesmo de “A costela de Adão” (1949) e “Nasce uma estrela” (versão de 1954).
No elenco central ainda constam os atores Melvyn Douglas e Conrad Veidt como bons coadjuvantes, ofuscados pelo brilho imenso de Joan. Pouco conhecido no Brasil, o filme é uma boa raridade para se ter na coleção.
 
Um rosto de mulher (A woman’s face). EUA, 1941, 106 min. Suspense/Drama. Preto-e-branco. Dirigido por George Cukor. Distribuição: Obras-primas do Cinema.


Uma questão de escolha

 
Prestes a se casar com a adorável Stephanie (Leslie Hope), Travis (George Newbern), um rapaz virgem de 20 anos, apaixona-se perdidamente por uma vendedora de carros, Jonni (Kimberly Foster), que diz ser ‘a garota de seus sonhos’. Travis foge com ela em seu carro novo, para desespero dos pais e da noiva, entrando em crise se deve ou não se casar com Stephanie.
 
Nostálgica comédia adolescente dos anos 80 muito reprisada na TV, com um bom trabalho do trio central, atores e atrizes que vinham construindo sua carreira a partir dos anos 80, no caso George Newbern, de ‘Uma noite de aventuras’ (1987), Leslie Hope, de ‘Uma dupla acima da lei’ (1988), e Kimberly Foster, de ‘Dragnet – Desafiando o perigo’ (1987). O filme é rápido, tudo acontece em dois dias na vida de um rapaz do interior, virgem, que irá se casar com o amor de infância; só que, numa viagem para Dallas, para se dar de presente um carro, acaba se apaixonando pela vendedora, pouco mais velha que ele. O garotão tímido foge com ela e é atormentado por pesadelos (as cenas dos tormentos trazem momentos de terror e aflição, como a noiva morta-viva no altar e ele nadando no suco gástrico do próprio estômago). A partir daí fica confundido, se casa ou não, para desespero dos pais, amigos e da coitada da noiva abandonada. O filme é uma comédia romântica com road movie temperada sob o clássico drama dos anos 60 ‘A primeira noite de um homem’, que falava de um rapaz tímido dividido entre o amor de uma jovem e de uma nova paixão, a mãe dela, uma mulher mais velha.
Repare na boa trilha sonora que abre o filme e volta ao longo da história, do compositor Carter Burwell, em início de carreira – já era aqui parceiro de trabalho dos irmãos Coen e seria indicado a três Oscars futuramente.





Em DVD no box de disco duplo ‘Sessão anos 80 – vol. 16’, com outros três filmes, ‘Diferenças irreconciliáveis’ (1984), ‘As aventuras de um anjo’ (1985) e ‘Um hóspede do barulho’ (1987) – a caixa traz cards com as capas dos filmes e 15 minutos de extras, como entrevistas e making of dos longas.
 
Uma questão de escolha (It takes two). EUA, 1988, 80 min. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por David Beaird. Distribuição: Obras-primas do Cinema.


Meu amigo robô

 
O cãozinho Dog mora sozinho em um apartamento em Manhattan. Certa vez, vê na TV um anúncio de venda de robôs que servem de acompanhantes e resolve comprar um. O robô é enviado, e entre eles nasce uma duradoura amizade. Até que num passeio na praia, Dog abandona seu melhor amigo e parte para novos rumos.
 
Exibido em Cannes e indicado ao Oscar de melhor animação desse ano, ‘Meu amigo robô’ venceu prêmio especial em Toronto e o principal prêmio em dois festivais focados em fitas infantis e animação, o Annie e o Annecy. É uma graciosa animação para jovens e adultos, uma adaptação para as telas da popular graphic novel da norte-americana Sara Varon, romancista e ilustradora gráfica infantil, conhecida por criar personagens de animais; ela lançou ‘Robot dreams’ em 2007, fazendo sucesso entre os leitores. É sobre um cão que mora sozinho num apartamento na Nova York dos anos 80 e adquire um robô para acabar com sua solidão. Entre aventuras e desventuras, os dois se tornarão grandes amigos, até que um fatídico dia na praia poderá colocar fim naquela relação. Sem diálogos, tem muitos momentos cômicos, outros românticos e referências ao mundo do cinema, com relação direta a ‘O mágico de Oz’, ‘Star Wars’ e até ‘O iluminado’ - uma canção famosa dos anos 70 é cantada e assobiada pelos personagens, ‘September’, do grupo Earth, Wind & Fire. O robô, que não tem nome na história, lembra a concepção do robô Robbie, de ‘Planeta proibido’ (1956).
O cineasta espanhol Pablo Berger realiza filmes diferentes, com narrativas fora do comum, como a comédia dramática ‘Da cama para a fama’ (2003) e a fantasia ‘Branca de Neve’ (2012), que recria, numa Espanha dos anos 20, em preto-e-branco, o notório conto dos irmãos Grimm. Além de dirigir, Berger também escreve o roteiro e produz, que é o que fez em ‘Meu amigo robô’. Um filme para toda a família, que fala sobre o poder da amizade e toca ainda em questões de diversidade e aceitação em um mundo que muda a todo instante.



Teve distribuição nos cinemas pela Imovision, e agora sai em DVD em edição especial pela Obras-primas do cinema em parceria com a Imovision, com luva e 15 minutos de extras. Disponível ainda na plataforma online da Reserva Imovision e para aluguel no Prime Channels e Youtube Filmes.
 
Meu amigo robô (Robot dreams). Espanha/França, 2023, 102 minutos. Animação. Colorido. Dirigido por Pablo Berger. Distribuição: Imovision e Obras-primas do Cinema

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Especial - Filmes de Natal


Confira abaixo resenhas de quatro filmes com tema natalino para entrar no espírito da época.

Tudo menos Natal

Raúl (Tamar Novas) detesta o Natal com toda a força do mundo. Auditor atarefado, é rabugento e reclama de tudo. O Natal chegou, e ele terá de se controlar para passar a noite em família. Será que Raúl conseguirá?

A Netflix tem, no catálogo, uma centena de filmes natalinos produzidos nos últimos anos. Tem norte-americano, brasileiro, italiano e espanhol, como é o caso desse divertido conto de natal urbano, sobre um homem de classe média rabugento, que odeia as festas de final de ano. Reclamão, ele passará o Natal em família entre comidas e brincadeiras, e para tanto terá de se comportar para não dar vexame e estragar a alegria dos outros. Engraçadinho e romântico, o longa é um passatempo apropriado para ver no fim de ano. A comédia tem momentos pastelão para causar risos aleatórios, algumas cenas com pitadas de romance, e, como boa parte de obras natalinas, traz mensagem positiva no final, sobre aproveitar a vida e, claro, as festas em família. Em dada cena, na metade, ouvimos a lindíssima canção ‘The Christmas Song’, imortalizada por Nat King Cole.



Galã espanhol, de filmes como ‘Mar adentro’ (2004) e ‘Abraços partidos’ (2009), Tamar Novas manda bem e vale vê-lo voltar em cena, depois de ter sumido das telas. Ponto alto do filme são as sequências na cidade tomada pela neve – as gravações ocorreram no inverno gelado do Vale de Benasque, em Aragão, no nordeste da Espanha. Para assistir em família e entre amigos, pois a diversão será garantida.
 
Tudo menos Natal (A 1000k de la Navidad). Espanha, 2021, 102 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Álvaro Fernández Armero. Distribuição: Netflix


Entre armas e brinquedos
 
Papai Noel (Mel Gibson) é um idoso ranzinza e desordeiro, que vive no Alaska com a esposa, a cuidadosa Ruth (Marianne Jean-Baptiste). Seus negócios de fim de ano não andam bem, por isso está estressado. Do outro lado do continente, um garoto rico e mimado contrata um matador de aluguel para eliminar o Bom Velhinho, por ter odiado o presente que recebeu. Noel e Ruth, então, viram alvo de perigosos bandidos armados, e os dois terão de sobreviver a rajadas de tiros e perseguições.
 
Há uma onda de filmes de Hollywood em que as adoráveis aventuras natalinas infanto-juvenis se transformam em fitas policiais malucas com tiros, porrada e bomba, subvertendo a figura mágica do Papai Noel. O Bom Velhinho carismático vira um homem comum, que bebe, fuma, é estressado, arruma brigas etc. ‘Entre armas e brinquedos’ (2020) foi um dos primeiros dessa safra, depois vieram ‘Noite infeliz’ (2022), com David Harbour como um Santa Claus beberrão que é espancado por criminosos e tem de sobreviver, e um lançamento exibido recentemente nos cinemas, ‘Operação Natal’ (2024), com o premiado J.K. Simmons na pele de um Papai Noel bombado alvo de um sequestro. ‘Entre armas e brinquedos’ tem menos tom de fantasia e mais cara de fita policial, com cenas de ação violentas guardadas para o final, típicas daquelas com Bruce Willis e Mel Gibson. Aliás, Gibson é a estrela principal aqui, interpretando um Noel mal-humorado que vive no Alaska. Seu nome é Chris (em referência a um dos nomes de Papai Noel, Kris Kringle), vive com a esposa, Ruth, uma senhora toda cuidadosa – papel da atriz inglesa indicada ao Oscar Marianne Jean-Baptiste. Ele tem renas que ficam como cavalos num curral, e seus negócios, a venda de presentes, estão em crise. Certo dia, uma criança malvada (Chance Hurstfield) se alia a um perigoso matador (Walton Goggins, um vilão de primeira linha, marcante no filme ‘Os oito odiados’, de 2015) para se vingar do presentinho recebido do Papai Noel. E para o Alaska eles vão com um grupo armado caçar o coitado do velhinho. Porém não imaginam o que os espera!




Divertido e nada crível, é uma aventura com ação para público adulto, uma brincadeira curiosa e original para assistir no clima de Natal. Duas músicas natalinas clássicas tocam, ‘Jingle bells’ e ‘Do you hear what I hear?’, e junto com a neve do Alaska, ajudam a incrementar o resultado pretendido do filme.
O longa nem entrou nos cinemas em 2020, pois estávamos no ano terrível da pandemia, quando os cinemas ficaram fechados. Nem saiu em mídia física no Brasil, saindo diretamente no streaming. Pode ser assistido agora na Netflix, AppleTV e na plataforma Adrenalina Pura.
 
Entre armas e brinquedos (Fatman). EUA/Reino Unido/Canadá, 2020, 99 minutos. Ação/Comédia. Colorido. Dirigido por Eshom Nelms e Ian Nelms. Distribuição: Califórnia Filmes


Natal em julho
 
Jovem e humilde, Jimmy MacDonald (Dick Powell) trabalha como balconista em um café. Ele sonha em mudar de vida e ser rico; para tanto, participa de uma loteria que dará ao ganhador uma bolada: 25 mil dólares. Ele namora uma colega de trabalho, Betty Casey (Ellen Drew), com quem quer se casar. Enquanto aguarda o anúncio do prêmio para o vencedor, três amigos de Jimmy pregam uma peça – eles enviam uma carta informando que o rapaz ganhou o dinheiro. Acreditando no documento, sai para fazer compras e investir em seus sonhos.
 
Comédia romântica alegre e festiva, com um adorável clima de fim de ano, mesmo sem ser um filme diretamente natalino. Mas como assim, se até o ‘Natal’ aparece no título? O tal ‘Natal em julho’ é uma antecipação das comemorações e compras caras que o protagonista faz, ao saber que é ganhador de uma bolada. Na trama, um jovem quer mudar de vida e investir no futuro, ajudando sua mãe e se casando, e por isso participa de uma espécie de concurso/loteria. Mas seus amigos o enganam, fazendo uma brincadeira ao dizer que ele é o ganhador. O rapaz então, felicíssimo, dá-se um banho de loja, como se fosse no Natal. Mas e agora, como será o ‘depois das compras’ ao saber que ele não ganhou nada?




Em dado momento o filme assume o lado ‘pastelão’, com tortas voando nas pessoas e gente escorregando – nos Estados Unidos esse subgênero chamado ‘comédia pastelão’ se chama ‘Screwball comedy’, com situações malucas e burlescas, muito consumida e influente no cinema norte-americano dos anos 30 e 40. O filme todo é narrado pelo personagem a sua namorada no terraço de um prédio, em que ele imagina sua vida transformada ao ser rico. Dick Powell, de ‘Até a vista, querida’ (1944), e Ellen Drew, de ‘A ilha dos mortos’ (1945), são o adorável casal central dessa história, escrita e dirigida por Preston Sturges, premiado com o Oscar de melhor roteiro por ‘O homem que se vendeu’ (1940) – aliás, este foi seu primeiro filme como diretor, lançado meses antes de ‘Natal em julho’. Originalmente da Paramount Pictures, o filme foi relançado em DVD pela Classicline.
 
Natal em julho (Christmas in July). EUA, 1940, 67 minutos. Comédia/Romance. Preto-e-branco. Dirigido por Preston Sturges. Distribuição: Classicline
 
 
Natal diabólico
 
Harry (Brandon Maggart) é um operário de uma fábrica de brinquedos. Traumatizado por um fato que presenciou quando criança, ele enlouquece e, vestindo roupa de Papai Noel, sai para matar pessoas na noite do Natal.
 
Fita de terror independente que antecipou outro slasher que ficaria famoso e ganharia continuações, ‘Natal sangrento’ (1984). As histórias são parecidas, protagonizadas por alguém traumatizado que ataca as vítimas com machado vestindo-se de Papai Noel – a diferença é que aqui o protagonista é um homem de quarenta e poucos anos, enquanto no filme seguinte é um jovem de 18 anos. Em ‘Natal diabólico’, conhecemos um cara fissurado pela figura do Papai Noel – ele coleciona adesivos, ímãs de geladeira e bonecos de Santa Claus e dorme vestido com roupas de Noel. Na abertura, mostra sua infância, na década de 40, quando, pequeno, presenciou dentro de casa a mãe transando com um Papai Noel em frente à arvore de Natal. Esse trauma vai e vem em sua mente, ele vive sozinho e tem um lado temperamental aguçado. Num dia de trabalho, na fábrica de brinquedos natalinos, tem um ataque de nervos ao ser zombado, sai correndo para casa e acaba assumindo a figura de um Santa Claus sinistro – com um machado na mão e outras armas, sai atacando quem estiver no caminho, deixando um rastro de sangue.




Além do terror slasher, o longa carrega tons perturbadores de drama psicológico, que configura o clima de estranheza e violência do filme. O protagonista, cansado da hipocrisia e do cinismo da sociedade em torno do Natal, dá um basta e chega ao seu limite. Brandon Maggart, de ‘Vestida para matar’ (1980), está assustador como o protagonista atormentado, e no elenco temos Jeffrey DeMunn, de ‘A morte pede carona’ (1986) e Diane Hull, de ‘Assassinato a sangue-frio’ (1979). Sai no box ‘Slashers volume XIV’, pela Versátil Home Video, com os filmes ‘A hora das sombras’ (1981), ‘Corpo estudantil’ (1981) e ‘Doce debutante’ (1983).
 
Natal diabólico (Christmas evil/You better watch out). EUA, 1980, 93 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Lewis Jackson. Distribuição: Versátil Home Video


domingo, 22 de dezembro de 2024

Estreias da semana – Nos cinemas

 

Crônica de uma relação passageira (2022)

 

Afinada comédia romântica francesa que lembra os filmes de Woody Allen, com casais que se conhecem por acaso, dialogam o tempo todo e enfrentam longas crises intercaladas a momentos inusitados. Indicada ao Queer Palm no Festival de Cannes e ao César de melhor ator para Vincent Macaigne (rosto frequente no cinema da França, de ‘A musa de Bonnard’, de 2023, por exemplo), a fita acompanha o ciclo de um ano na vida de duas pessoas que trombam por aí sem querer e iniciam um relacionamento amoroso. Ele, Vincent Macaigne, é um homem casado, e ela, Sandrine Kiberlain, de ‘A garota radiante’ (2021), uma mãe solteira. Os dois se encontram uma vez por semana, em lugar escondido, depois em praças públicas, apenas para se divertir, almoçar e quem sabe, uma transa. Um dia, resolvem se aventurar num ménage com uma garota mais nova (papel bacana de Georgia Scalliet), que causará um turbilhão de emoções na rotina do casal. Com diálogos extensos e situações engraçadas que fogem do óbvio, o filme, de 2022, ganha espaço nos cinemas brasileiros agora. Se gosta de comédia francesa, vai ser uma boa pedida. Nos cinemas pela Mares Filmes.

 


 

Histórias que é melhor não contar (2022)

 

Também está nos cinemas brasileiros outra comédia dramática, agora espanhola. É o novo trabalho do cineasta catalão Cesc Gay, que escreveu e dirigiu dois filmes do gênero com o ator argentino Ricardo Darín, ‘O que os homens falam’ (2012) e ‘Truman’ (2015). A partir de historietas comuns – cinco no total, que se conectam, ele narra desventuras de indivíduos de uma mesma cidade diante de segredos guardados envolvendo sexo, gravidez, flertes e traição. São personagens cotidianos numa Espanha moderna e cheia de significados, e suas dificuldades em controlar as emoções. Os contos cômicos e dramáticos curtos se interligam numa teia de desconfiança e altas emoções – a cada momento uma novidade é apresentada, com reviravoltas diferentes. O bom elenco ajuda na construção do filme, com astros e estrelas da Argentina e da Espanha, como Javier Cámara, o veterano José Coronado, Chino Darín (filho de Ricardo), Anna Castillo e Maribel Verdú. Exibido no Festival de Toronto. Nos cinemas pela Pandora Filmes.

 


 

Calígula: O corte final (1980/2023)

 

No ano de seu lançamento, em 1980, ‘Calígula’ deu o que falar. Um tema pesado, num filme com classificação 18 anos, com cenas explícitas de sexo, que tentava construir a ascensão e a queda do insano imperador Calígula, que governou Roma por apenas quatro anos, no início do século I. Com excessos, diálogos ruins, figurino extremamente exuberante, tinha como diretor Tinto Brass, realizador italiano de filmes eróticos, e produção da Penthouse, revista pornô de Bob Guccione que começou como uma Playboy nos anos 60 e com o passar do tempo adotou o sexo hardcore. O filme, rodado em 1979 e lançado no ano seguinte, reunia um elenco de peso, como Malcolm McDowell, Helen Mirren, Peter O’Toole e John Gielgud. O roteiro, que era para ser o original do talentoso Gore Vidal, foi refeito durante as gravações, a mando de Guccione, que, também sem avisar o elenco, inseriu cenas pornôs ao longo do drama histórico. Custou caríssimo, deu prejuízo, foi censurado em muitos países, o elenco não aprovou o registro infame e sensacionalista que se fez, virou piada e recebeu indicações aos piores do ano, no extinto The Stinkers Bad Movie. Pois bem, passados 43 anos, um grupo de novos produtores, liderado por Thomas Negovan, teve acesso às mais de 10 horas do material gravado da época, que incluíam cenas do roteiro original de Vidal, que não foram utilizadas. O trio de produtores recuperou o vasto arquivo, restaurou e montou um novo filme, que está agora em exibição nos cinemas brasileiros, com o título ‘Calígula: O corte final’ (2023). Apesar de mais longo – a versão antiga tinha 156 minutos, e agora chega a 178 minutos, tem menos cenas de sexo e mais foco na figura obscura do maluco imperador. Inverteram a ordem de cenas para a nova abertura, criaram do zero os créditos iniciais, com nova trilha sonora, contratada para o filme, de Troy Sterling Nies – o antigo era de Bruno Nicolai, que pediu para assinar como Paul Clemente. Teve a première em Cannes na seção ‘Cannes Classics’, no ano passado, repercutindo melhor que o esperado – eu gostei mais dessa versão, mas vejo que continua gritado e over em vários momentos, mantendo cenas indigestas que marcaram a memória do público, como a máquina decapitadora no Coliseu, a invasão no casamento, o estripamento do homem embebedado de vinho e o assassinato do imperador Tibério. Mais coeso ao argumento original, ou seja, mais fiel ao que planejou Gore Vidal, é um novo filme que se vê, numa cópia muito bem restaurada. Nele, acompanhamos a vida do jovem imperador Calígula, da ascensão até a queda, com sua busca pelo poder para governar uma Roma em declínio. Reflete-se melhor agora a Roma decadente, com gente insana no poder, num período tomado por corrupção e violência. Nos cinemas brasileiros distribuído pela A2 Filmes.




terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Resenhas Especiais


Três bons documentários no streaming que realçam a trajetória de três personalidades mundiais.

Quincy

Documentário sobre o lendário produtor musical e compositor Quincy Jones, falecido em novembro passado, aos 91 anos.

Produtor musical, compositor de músicas pop e de trilhas sonoras de cinema, empresário e arranjador, Quincy Jones (1933-2024) foi nome fundamental do cenário artístico americano das décadas de 60 a 80. Venceu 79 Grammys, o ‘Oscar da música’, produziu álbuns famosos, como ‘Thriller’, de Michael Jackson, e foi o mentor por trás da canção/manifesto contra a fome "We are the world", em 1985. Em 2018, já com 85 anos, sua filha e atriz Rashida Jones (que teve com a também atriz Peggy Lipton, já falecida), escreveu e dirigiu esse maravilhoso documentário, ao lado do parceiro de trabalho Alan Hicks. Rashida fez um filme-memória emocionante, que revê a notável trajetória de Quincy não só na música como no ativismo social, especificamente na luta contra o preconceito racial, o que colaborou para a reformulação da indústria musical dos EUA a partir dos anos 60.
No doc, nomes importantes da música, como Lionel Richie, Jay-Z, Tony Bennett, Beyoncé, Lady Gaga e Bono, relembram a relação e a influência de Quincy. E entrevistas antigas e recentes e shows dele pelo mundo afora são trazidas para a tela para compor o retrato daquele menino simples de Illinois, mas já prematuro na música, que se tornou arranjador de Miles Davis, Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, alcançando depois o topo da parada de sucesso com músicas como ‘Ai no corrida’. Quincy era uma figura autêntica e combativa, e o filme deixa isso claro. Recomendo conhecerem o longa, da Netflix.




PS - Logo após a morte de Quincy, no dia 03 de novembro, ele recebeu homenagem póstuma do Oscar, com um prêmio honorário – em vida, ele recebeu sete indicações ao Oscar, entre trilhas sonoras e canção, e, pouca gente lembra, produziu junto de Steven Spielberg o filme ‘A cor púrpura’ (1985).

Quincy
(Idem). EUA, 2018, 124 min. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Alan Hicks e Rashida Jones. Distribuição: Netflix


Martha

Documentário da Netflix sobre vida e carreira da culinarista e apresentadora de TV Martha Stewart, do auge com seus programas pioneiros de cozinha e decoração na TV nos anos 70 até sua prisão nos anos 2000, acusada de fraude.

Com sua fina elegância, Martha Stewart (1941-) abriu portas para os programas de culinária na televisão norte-americana a partir dos anos 70. Comandou por décadas um programa próprio de gastronomia e decoração, cuja audiência era fenomenal, influenciando gente de todo o mundo. Apelidada de ‘Rainha do Lar’, publicou dezenas de livros de culinária, teve casamentos problemáticos e hoje, isolada numa casa de campo onde cuida dos jardins, usufrui de uma fortuna estimada em 600 milhões de dólares. A vida e a trajetória de altos e baixos de Martha são destaque nesse documentário estiloso da Netflix, que vive acertando quando faz biografias. O longa, lançado um mês atrás, acompanha a carreira de Martha desde a juventude até os dias atuais, e não passa em branco no escândalo que ela enfrentou por quase uma década: entre 2001 e 2010 foi acusada de obstruir a justiça durante a investigação de um caso de ‘Insider trading’, relacionado à venda de ações de uma empresa de biotecnologia de um amigo, e ACABOU sentenciada a cinco meses de prisão. O caso judicial estampou o noticiário da época e só se falava na prisão de Martha.




No filme, ela abre sua casa para receber a equipe de filmagem e conta sobre tudo, dos relacionamentos amorosos e casamentos fracassados, do convívio na cadeia com as encarceradas, da dificuldade em retomar a carreira após a prisão, quando tentou recriar seus programas antigos. É um bom doc, que trata de todos esses temas com nitidez e mostra que aos 83 anos Martha continua sinônimo de beleza e sofisticação. Do diretor duas vezes ganhador do Emmy R.J. Cutler, criador do reality ‘American High’ (2000).

Martha
(Idem). EUA, 2024, 115 min. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por R.J. Cutler. Distribuição: Netflix


Eu não sou tudo o que eu quero ser

Um retrato pessoal e profissional da fotógrafa tcheca Libuše Jarcovjáková (1952-), que registrou a vida noturna e os marginalizados na Tchecoslováquia pós-Primavera de Praga.

Documentário tcheco dirigido por uma cineasta em ascensão de lá, Klára Tasovská, sobre a maior fotógrafa do país, Libuše Jarcovjáková (1952-), apelidada de “Nan Goldin da Tchecoslováquia”, em referência à famosa fotÓgrafa norte-americana que registrava a vida noturna, a comunidade gay e os oprimidos nos Estados Unidos. Jarcovjáková é uma artista da transformação social, que fotografa parecido com Nan, só que na antiga Tchecoslováquia pós-Primavera de Praga. Ficou famosa nas décadas de 70 e 80 pelo seu olhar peculiar; aos 72 anos, ela narra em off, nesse documentário que acaba de ser lançado no Brasil pela plataforma Sesc Digital, suas experiências no mundo da foto. Enquanto comenta sobre sua vida e dedicação ao trabalho, as fotografias aparecem encadeadas uma a uma, de boêmios, marginalizados, prostitutas, além da arquitetura das cidades, como registro singular de uma época.
Libuše fez também autorretratos na Berlim Ocidental, onde viveu, com nus femininos – seus e de outras mulheres, em que discute sexualidade, bem como faz flashs de festas e viagens. Ela captura cenas ao redor do mundo, como dos japoneses quando de uma temporada na Ásia. Devido a esses trabalhos, virou educadora social respeitada.



Ela narra trechos de seus diários, dando poesia à forma fotográfica, e o tempo inteiro vemos apenas suas fotos antigas em preto-e-branco, retiradas de seu rico acervo. Libuše não aparece nos tempos de hoje, somente em fotos antigas, o que coloca o documentário num patamar mais autoral, menos convencional.
Exibido no Festival de Berlim desse ano, onde concorreu aos prêmios Teddy e Panorama. Está disponível gratuitamente na plataforma Sesc Digital até abril de 2025, em https://sesc.digital/home

Eu não sou tudo o que eu quero ser
(Jeste nejsem, kým chci být). República Tcheca/Áustria/Eslováquia, 2024, 90 minutos. Documentário. Dirigido por Klára Tasovská. Distribuição: exibido pela plataforma Sesc Digital

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming

 

 

O instante decisivo (2024)

 

Documentário esportivo com direção de André Bushatsky, cineasta responsável por filmes ficcionais e docs, como ‘A História do homem Henry Sobel’ (2014) e ‘No outro encontro você’ (2022). Seu novo trabalho agora ruma para o mundo dos esportes, com foco na inclusão e diversidade, trazendo histórias reais de personalidades paralímpicas brasileiras. Ele apresenta a rotina de atletas de várias regiões do país se preparando para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, a maior competição esportiva do mundo com PCDs. Ilustram o filme depoimentos da lançadora de disco Beth Gomes, do velocista Petrúcio Ferreira, da lançadora de dardos Raíssa Machado, dos nadadores Gabriel Araújo e Carol Santiago, da tenista de mesa Bruna Alexandre e de outros, em que falam de suas trajetórias, da disciplina e superação para alcançar o pódio. O filme foca no intenso treinamento a que são submetidos, na intimidade com a família e traz reportagens com momentos históricos em que diversos deles foram medalhistas de ouro, campeões brasileiros e até mundiais. O Brasil está hoje em uma boa fase do esporte paralímpico, sendo que no último torneio mundial, os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, conquistou a quinta colocação no quadro final de medalhas. A Bushatky Filmes, produtora de André Bushatsky, produziu esse ano a série “Da inclusão ao pódio", sobre atletas paralímpicos, disponível na Globoplay, e como ‘continuação’ do tema, produziu e lançou nesse fim de semana, no Sportv e no Globoplay, o bom documentário ‘O instante decisivo’, com apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Assistam.

 


 

Salão de baile: This is Ballroom (2024)

 

O melhor documentário brasileiro do ano está nos cinemas! Um filme para ficar em êxtase, feito sob uma brilhante montagem e uma fotografia de brilhar os olhos. Exibido em dezenas de festivais mundiais, e aqui no Brasil no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de SP, e ganhador do principal prêmio do Festival Mix Brasil desse ano, o longa-metragem explora a frenética cena voguing do Rio de Janeiro atual. Nela, dançarinos e dançarinas da comunidade LGBTQIAPN+ resgatam o movimento Ballroom novaiorquino da década de 70, numa competição incansável experimentando novos movimentos de corpo. A cena Ballroom no Rio vem sendo recriado desde a metade dos anos 2010, e de lá para cá dezenas de cidades brasileiras vem organizando seus ‘bailes’ na periferia. Para o documentário foi idealizada uma competição ball real nas margens da Baía de Guanabara, conduzida por casas Ballroom, como a House of Alafia, House of Cazul, Casa de Dandara, House of Império e os 007 (aqueles que não integram nenhuma casa). Acompanhamos luzes intensas e uma música vibrante em que os artistas se entregam na pista, performando uma nova identidade com roupas celebrativas - o que proporciona total imersão do espectador naquele momento. Com uma direção eletrizante da dupla de diretoras Juru e Vitã, que dançam em balls – o roteiro é delas também, é um filme pioneiro sobre o movimento no Brasil. “A ballroom é um lugar de potencialização desses corpos dissidentes, um espaço criado por e para pessoas trans e pretas, especialmente, poderem resistir às opressões e celebrar suas existências”, conta Juru em entrevista.
O filme vem fazendo boa carreira internacional, depois de abrir no notório festival de documentários de Copenhagen, o CPH:DOX. E olha só que beleza, praticamente toda a equipe do filme vem da cena Ballroom, da direção de arte à produção, o que colabora na construção real e fiel do Ballroom.
A Ballroom – na tradução direta, “salão de baile”, é uma manifestação cultural de grupos LGBTQIAPN+, essencialmente não-brancos, que dançam em bailes performáticos, como forma de resistência às violências que sofrem.  Surgiu no fim da década de 60 nos Estados Unidos, em concursos de drag, e na década seguinte expandiu os horizontes com as ‘houses’, espaços físicos e simbólicos liderados por uma "mãe" ou um "pai" que acolhiam jovens negros e latinos da comunidade LGBTQIAPN+ expulsos de casa ou que estavam em situação de vulnerabilidade social. Com a popularização dos balls, os concursos passaram a reunir todas as identidades: travestis, mulheres e homens trans, homens gays cis, mulheres cis etc, e junto ao concurso de beleza e moda veio um novo estilo de dança, o voguing. Desde 2015 há registros de Ballroom em todas as regiões do país, que fortalece o movimento LGBTQIAPN+ e a inclusão.
Produzido pela Couro de Rato, o filme está nos principais cinemas brasileiros com distribuição pela Retrato Filmes.







Estreias da semana - Nos cinemas - Parte 2

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