quinta-feira, 11 de abril de 2024

Resenhas Especiais


Em DVD, coleção 'Aranhas', pela Classicline. Confira resenha dos dois filmes disponíveis no box.


A maldição das aranhas

Animais começam a morrer de forma estranha numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. O veterinário local, Dr. Rack Hansen (William Shatner), investiga o caso e percebe que todos os animais apresentam picadas no pescoço e nos membros. Até que a cidadezinha é aterrorizada por uma invasão de tarântulas venenosas.

Rodado em um menos de mês nos desertos do Arizona, com baixo orçamento, essa cultuada fita de terror tornou-se frisson na época e deu pânico nas plateias. Isso porque as aranhas que invadem a tela são tarântulas reais e não bonecos ou computação gráfica. A produção utilizou mais de cinco mil aranhas espalhadas pelo set para contracenar com os atores, nessa história rápida, de terror e aventura, que virou uma pequena pérola do cinema B. William Shatner, o capitão Kirk dos filmes e da série de ficção espacial ‘Star Trek’, comanda o elenco na pele de um veterinário que investiga o caso dos ataques dos aracnídeos numa cidadezinha ensolarada no meio do deserto americano. Gente de monte morre, assim como cavalos, vacas, cachorros... Ao lado dele estarão policiais e a própria comunidade para eliminar as criaturas malignas.
Roteiro eficiente e direção coesa do ator e stunt John Cardos, de filmes B como ‘Mutante’ (1984). O filme funciona como passatempo – e quem tem medo de aranhas, evite.




Saiu no mês passado na ‘Coleção Aranhas’, juntamente com ‘Aracnofobia’ (1990), um clássico da TV que foi inspirado em ‘A maldição das aranhas’ – a coleção sai em um disco, em boa cópia, e acompanha cards com as capas originais. Também foi exibida na TV aberta como ‘O império das aranhas’, tradução literal do título em inglês.

A maldição das aranhas (Kingdom of the spiders). EUA, 1977, 97 minutos. Terror/Aventura. Colorido. Dirigido por John 'Bud' Cardos. Distribuição: Classicline


Aracnofobia

Uma espécie rara de aranha da América do Sul é transportada, sem querer, para os Estados Unidos. O animal vai parar numa cidadezinha do interior da Califórnia, lá cresce e acasala com aranhas locais, procriando filhotes híbridos letais, que matam com uma só picada. O terror tomará conta do lugar.

Exaustivamente exibido na TV aberta, essa caprichada aventura com elementos de terror setentista dá calafrios naqueles que tem medo de aranhas. Um filme popular, muito apreciado pelos fãs e que gerou imitações nas décadas seguintes. O ator Jeff Daniels, em início de carreira – depois faria ‘Debi & Loide - Dois idiotas em apuros’ (1994), interpreta um médico que chega a uma cidadezinha da California e vai morar com a família numa velha casa. Seus pacientes morrem inesperadamente, e ele é acusado de negligência. Junto com a polícia, descobre que aranhas assassinas são as responsáveis pelas mortes, e elas saem do porão de sua residência, espalhando medo e terror no povoado. Descobrimos, ao longo do filme, que as aranhas são um híbrido de uma espécie de tarântula da América do Sul com aracnídeos pequenos do deserto californiano, transformadas em verdadeiras máquinas de matar. Elas entram nos sapatos, saem da torneira da pia, estão em todo canto para o desespero das pessoas.
O falecido ator Julian Sands, de ‘Warlock: O demônio’ (1989), faz um cientista disposto a capturar os animais, John Goodman, de ‘O grande Lebowski’ (1998), interpreta um papel cômico, um matador de aranhas, e o veterano Henry Jones, de ‘Um corpo que cai’ (1958), completa o elenco como um médico rabugento e desconfiado.





Produzido pela Amblin, de Steven Spielberg, tem como produtor executivo o diretor do filme, Frank Marshall, aqui estreante na direção – ele produziu mais de 150 longas, foi indicado a cinco Oscars e dirigiu filmes conhecidos do público, como ‘Vivos’ (1993), ‘Congo’ (1995) e ‘Resgate abaixo de zero’ (2006).
Há poucos meses, anunciaram o remake desse filme, que deverá ser gravado em breve – a Amblin Partners está por trás do projeto, e tudo indica que o diretor será Christopher Landon, de ‘A morte te dá parabéns – partes 1 e 2’ (2017 e 2019).
‘Aracnofobia’ sai em DVD na ‘Coleção Aranhas’, pela Classicline, juntamente com o filme que deu origem a ele, chamado ‘A maldição das aranhas’ (1977), também conhecido como ‘O império das aranhas’, com William Shatner.

Aracnofobia (Arachnophobia). EUA, 1990, 109 minutos. Aventura/Terror. Colorido. Dirigido por Frank Marshall. Distribuição: Classicline


quarta-feira, 10 de abril de 2024

Especial de Cinema


'É tudo verdade' continua até dia 14 com programação gratuita em SP e no RJ

O Festival Internacional de Documentários ‘É Tudo Verdade’ continua em São Paulo e no Rio de Janeiro até o dia 14 de abril, com dezenas de filmes gratuitos ao público. No dia 15 começa parte da programação no formato online, também gratuito, pela plataforma de streaming Itaú Cultural Play – leia abaixo. Confira alguns dos filmes que assisti e recomendo.

‘Verissimo’
(Brasil, 2024, 89 minutos, de Angelo Defanti)

Um dos melhores filmes da edição desse ano do Festival, ‘Verissimo’ traz a rotina do escritor gaúcho Luís Fernando Verissimo prestes a completar 80 anos – o doc foi filmado em 2016 e só lançado agora. A agenda cheia de Verissimo está presente, com viagens para lançar livros pelo Brasil, participação em conferências, recepção de amigos em casa, entrevistas para TV e telefonemas que não cessam. Cansado e de voz baixa, Verissimo fala sobre sua velhice e como ele lida com essa fase da vida, enquanto sua mente trabalha a mil por hora. Não é uma biografia do escritor, até porque já existem duas lançadas no cinema, e sim essa amostra da rotina dele em casa e nos diversos tipos de trabalho. O diretor Angelo Defanti já tinha contato com o universo de Verissimo pois adaptou um dos livros do escritor para o cinema, ‘O clube dos anjos’ (2020).
Sessões: Dia 10/04, 17h30, no Estação Net de Cinema Rio – RJ; dia 10/04, 20h30, no Espaço Itaú de Cinema Augusta – SP; e dia 11/04, 19h30, na Cinemateca Brasileira – SP. Gratuito.




‘Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida’
(Brasil, 2024, 95 minutos, de Bel Bechara e Sandro Serpa)

O casal de cineastas Bel Bechara e Sandro Serpa filmam, durante um ano, na pandemia, o processo de adoção do primeiro filho, Gael, de apenas quatro meses. Ao longo do doc, acompanhamos a rotina do casal, trancados em casa, no período mais crítico da pandemia, em 2021, e mesmo isolados conseguiram fazer todo o processo de adoção do bebê. Eles tocam violão, conversam sobre a expectativa de serem pais, falam sobre política, fazem videochamadas com amigos e familiares, até que Gael chega para mudar a vida dos dois. Um filme íntimo e revelador sobre adoção, feito com muita sinceridade. Adorei o novo trabalho de Bechara e Serpa, que realizaram muitos curtas, como ‘Walter Franco muito tudo’ (2000), e longas como ‘Onde quer que você esteja’ (2018).
Sessões: Dia 10/04, 19h30, na Cinemateca Brasileira - SP; dia 12/04, 20h30, no Espaço Estação Net de Cinema Botafogo - RJ; e dia 13/04, 17h30, no Estação Net de Cinema Rio - RJ. Gratuito.




‘Zinzindurrunkarratz’
(Espanha, 2023, 89 minutos, de Oskar Alegria)

Curioso filme, de título impronunciável, rodado na Espanha, sobre um cineasta que utiliza uma antiga câmera Super-8 para gravar a jornada de pastores em um vilarejo espanhol rumo ao pico de uma montanha. A velha câmera da família não capta mais som, por isso grande parte do filme é mudo, só com as imagens desse percurso que durou dias e noites. Sons de ferramentas, conversas, cantos e animais relinchando são inseridos em alguns trechos após gravação com outros equipamentos, misturando um silêncio profundo e rápidos lances sonoros. Um filme sobre as lembranças do diretor quando fazia esse percurso na infância e que trata também de um mundo esquecido, de um lugar parado no tempo, no meio do nada. Exibido em festivais como Telluride, Vienna, Denver e Valladolid. Do diretor espanhol Oskar Alegria, dos premiados doc ‘La casa Emak Bakia’ (2012) e ‘Zumiriki’ (2019).
Sessões: Dia 10/04, 18h, no Espaço Estação Net de Cinema Botafogo – RJ; e dia 11/04, 20h, no Espaço Estação Net de Cinema Rio. Gratuito.




‘Inutensílios’
(Brasil, 2024, 71 minutos, de Bruno Jorge)

Um doc inteiramente produzido e realizado por Bruno Jorge, que assina direção, roteiro, montagem etc. Feito em preto-e-branco, ele filma uma série de figuras que estiveram presentes em sua jornada nos últimos anos quando viveu com a família numa região rural de Minas Gerais. A cultura popular e a etnografia estão presentes nesse filme pessoal e independente de Jorge, que cria imagens belíssimas e nos propõe ver o mundo com outros olhos.
Sessões: Dia 09/04, 19h30, na Cinemateca Brasileira - SP. Gratuito.




‘Tesouro Natterer’
(Brasil, 2023, 83 minutos, de Renato Barbieri)

Documentário que entrelaça parte da biografia do naturalista e historiador austríaco Johann Natterer (1787-1843), quando esteve no Brasil em 1817 como membro da Expedição Austríaca, com o legado de estudos que deixou tanto no Brasil quanto em Viena. Um narrador lê trechos do diário de Natterer enquanto a equipe do filme visita estudiosos do Brasil e de Viena para falar dos mais de 50 mil objetos guardados pelo naturalista que hoje compõe um dos maiores acervos etnográficos sobre os povos indígenas do Brasil, preservados em dois grandes museus da capital austríaca. Do diretor Renato Barbieri, dos documentários ‘Cora Coralina – Todas as vidas’ (2018) e ‘Servidão’ (2020), e do drama ‘Pureza’ (2020).
Sessões: Dia 09/04, 17h30, no Espaço Estação Net de Cinema Rio - RJ. Gratuito.



Streaming

De 15 a 30 de abril, parte da programação estará gratuitamente no streaming Itaú Cultural Play. Serão nove títulos da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e sessão também do curta “Paraíso, Juaréz” (1971), da Retrospectiva ‘Thomaz Farkas, 100’. Acesso em https://www.itauculturalplay.com.br

Realização e Parceiros

O ‘É Tudo Verdade’ é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura do Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei N. 8313). Conta com patrocínio master do Instituto Cultural Vale, patrocínio do Itaú e da Desenvolve SP, parceria do Sesc-SP, apoio cultural do Galo da Manhã, SPCINE e Itaú Cultural. Para mais informações sobre o festival, acesse o site https://etudoverdade.com.br/

domingo, 7 de abril de 2024

Resenha Especial - Reedição


Halloween

Reedição - Resenha publicada em 26/01/2019

Quarenta anos escondida do irmão, o temível Michael Myers, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) prepara-se para encontrá-lo na noite de Halloween em Haddonfield, Illinois, cidade onde houve uma terrível matança cometida pelo psicopata mascarado no passado.

Quatro décadas se passaram do notório filme de terror “Halloween”, que consolidou a carreira de John Carpenter (um dos mestres absolutos do horror), abriu escola e ajudou a fortalecer o “slasher” (fitas de assassinos mascarados matando jovens inocentes). Teve inúmeras continuações e imitações influenciando uma legião de cineastas no mundo inteiro. E agora este novo capítulo da saga é um retorno retumbante às origens, com muita energia e violência.
John Carpenter, o criador da história e diretor do primeiro “Halloween” (1978), passou as funções de direção para David Gordon Green (de “Joe” e “Manglehorn”), que também assina como roteirista e produtor executivo. Green, fã dos filmes de Carpenter desde moleque, dedicou-se em uma adaptação fiel ao original, na verdade uma continuação direta do filme um, eliminando todas as sequências - eram oito, de “Halloween II – O pesadelo continua” (1981) a “Halloween Ressurreição” (2002). Isto porque os produtores não queriam nem um remake nem reboot - até existiu pela mente insana de Rod Zombie a infância de Michael Myers em “Halloween – O início”, e sim reinventar algo para os fãs que homenageasse as origens do icônico filme. Assim, acompanhamos um segundo capítulo, exatamente de onde terminava o de 1978. No meio do caminho há revelações que não terei o desprazer de contar, relacionando Laurie e seus filhos, e dela com o assassino Michael Myers. O que adianto é que a sacada foi certeira, tornando o filme um dos bons espetáculos visuais de horror do cinema americano recente.
As mulheres dominam a cena, com destaque para dois papéis femininos corajosos, Jamie Lee Curtis (também produtora), que arrebenta como Laurie envelhecida (ela está com longos cabelos brancos, isolada numa propriedade altamente segura), e Judy Greer, a filha afastada dela.
Botaram até um novo psiquiatra na sangrenta história (Myers era cuidado por Dr. Loomis, papel Donald Pleasence, que fez seis partes de “Halloween”, mas morreu em 1995), e agora há um médico que foi aprendiz de Loomis, um agora interpretado pelo turco Haluk Bilginer.




A abertura é apreensiva, com o psicopata recebendo visita de dois repórteres investigativos na penitenciária, seguida de créditos retrô com a abóbora que aparecia nos filmes anteriores. E daí a trama segue numa espiral de medo, mortes escabrosas e tensão de tirar o fôlego (as sequências de assassinato espirram sangue, algo que no filme original não aparecia). E sempre acompanhado da distinta trilha escrita por John Carpenter, agora com toques de música eletrônica.
Há clichês típicos do gênero (nada que atrapalhe), e por fim fez um bom sucesso na bilheteria - de um custo de U$ 10 milhões rendeu mais de U$ 255 milhões no mundo todo, mas nada supera a marca do primeiro, que custou U$ 300 mil e rendeu U$ 70 milhões, ou seja, marca única no cinema de horror, com quase 28 milhões de espectadores na época.
Já em DVD com bons extras, distribuído pela Universal Pictures.

Halloween (Idem). EUA, 2018, 106 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por David Gordon Green. Distribuição: Universal Pictures

sábado, 6 de abril de 2024

Resenhas especiais


Três filmes de terror lançados em DVD pela Classicline.

Fantasmas

Duas irmãs viajam à pequena cidade de Snowfield, no Colorado, para passar as férias. Chegando lá, Jennifer (Joanna Going) e Lisa (Rose McGowan) estranham o fato de que todos os habitantes sumiram de maneira misteriosa. O xerife Bryce Hammond (Ben Affleck) e seu auxiliar, Stu (Liev Schreiber), investigam o caso, e as irmãs se juntam a eles. Ao percorrerem pela cidade abandonada, localizam corpos mutilados nas casas e nas ruas. As pistas levam a uma força sobrenatural que dizimou Snowfield.

Terror com ficção científica que virou fita cult na época das locadoras, em 1998, e foi peça-chave para lançar futuros astros e estrelas, como Rose McGowan, Liev Schreiber e Ben Affleck - naquele ano, Affleck recebeu o Oscar de roteiro junto de Matt Damon por ‘Gênio indomável’ (1997). Não é um filme comum de terror, tudo é muito estranho e aos poucos se revela. É sobre duas irmãs que ajudam dois xerifes na investigação do desaparecimento total da população de uma cidadezinha encravada nas montanhas do Colorado. Parece que o local foi tomado por espíritos malignos, depois acreditam em criaturas da noite, até que chegam à conclusão de uma entidade sobrenatural, vinda de outro mundo, capaz de absorver a consciência das pessoas. Fugindo para sobreviver, o grupo contará com a ajuda de um veterano médico/cientista, papel do premiado ator Peter O’Toole.




O filme tem clima, é tenso, assusta e tem certa originalidade. Dirigido por Joe Chappelle, de ‘Halloween 6: A última vingança’ (1995) e das séries ‘A escuta’ e ‘Fringe’, o filme tem roteiro de Dean R. Koontz, que adaptou seu próprio romance para o cinema, escrito em 1983 – Koontz escreveu livros de terror com scifi e literatura fantástica, alguns viraram filmes, como ‘Geração Proteus’, ‘O limite do terror’, ‘O esconderijo’ e ‘O estranho Thomas’.
Lançado pela Dimension Films, produtora sinônimo de fitas de terror para jovens que foi popular no final dos anos 90, responsável pela franquia ‘Pânico’, ‘Mutação’, ‘O principal suspeito’, ‘Prova final’, ‘Halloween H20: Vinte anos depois’ e ‘Tentação fatal’.
Saiu em DVD pela Classicline, em boa cópia.

Fantasmas (Phantoms). EUA/Japão, 1998, 96 minutos. Terror/Ficção. Colorido. Dirigido por Joe Chappelle. Distribuição: Classicline


Halloween H20 – Vinte anos depois

Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) mudou de cidade para escapar do seu irmão, o temido psicopata Michael Myers. Hoje ela é diretora de uma escola e tem uma nova identidade. O Halloween se aproxima, e o assassino mascarado retorna com fúria para uma caçada sem trégua contra Laurie e seu filho.

Vinte anos depois do original e macabro ‘Halloween’ (1978), de John Carpenter, um novo longa veio para restaurar a franquia com o objetivo de trazer novos públicos e dar folego para a série que ao longo do caminho perdeu sintonia. Entrou para a direção Steve Miner, que vinha do antigo cinema slasher, responsável por dois dos mais violentos filmes da cinessérie ‘Sexta-feira 13’, as partes 2 e 3 (1981 e 1982), sem contar outros trabalhos de terror e drama que desenvolveu durante uma extensa carreira nos Estados Unidos. Com ‘H20’, Miner deu um upgrade nessa franquia que passou por reboot e remakes em várias épocas, sendo uma das mais antigas e prestigiadas do mundo slasher, com um vilão mascarado assustador, Michael Myers, que ataca na surdina com uma faca, no Halloween. O original, de John Carpenter, virou sensação em 1978 - de um filme de 325 mil dólares consagrou-se nas salas de cinema obtendo mais de 45 milhões de bilheteria no mundo; depois veio uma boa continuação, que gosto muito, em 1981, ‘Halloween II – O pesadelo continua’, ainda com Jamie Lee Curtis, como a irmã do assassino, e Donald Pleasence, o médico dele, do primeiro, um filme de perseguição, investigação, jumpscares e mortes violentas. A partir desse exemplar, a franquia caiu em desgraça - fizeram uma banalidade com a terceira parte, um filme apartado, sem qualquer relação com os personagens ou Michael Myers, até hoje uma incógnita no cinema, aproveitando apenas o título e a ambientação num Halloween, chamado ‘Halloween III – A noite das bruxas’ (1982) – na história, crianças e jovens atacam as casas na noite, matando toda uma cidadezinha. Michael Myers retornaria nas próximas continuações, com mais fúrias, em fitinhas corriqueiras - ‘Halloween 4: O retorno de Michael Myers’ (1988), ‘Halloween 5: A vingança de Michael Myers’ (1989) e ‘Halloween 6: A última vingança’ (1995), contando com Donald Pleasence em todos os três.
Em termos de ordem de lançamento, ‘Halloween H20’ seria o sétimo filme da franquia, no entanto ele ‘nega’ tudo o que ocorreu a partir do segundo filme, dando um novo start para a série de cinema. Trouxeram de volta Jamie Lee Curtis, a ‘Scream Queen’ de Hollywood, como a irmã foragida de Myers, que vive numa nova cidade, com outra identidade, tem um namorado e um filho. A paz dela acaba quando o psicopata a encontra e volta a atacar no ‘Dia das Bruxas’ – ela é alvo dele, assim como professores da escola e os amigos do filho dela. É uma boa continuação, na época fez certo sucesso e, segundo os fãs, é o melhor de todos depois do original.
Myers não pararia sua matança em ‘H20’. Quatro anos depois, o psicopata voltaria no pior filme, ‘Halloween: Ressurreição’ (2002), novamente cancelando os fatos do anterior. Em 2007, o polêmico cineasta Rob Zombie reescreveu o perfil do assassino trazendo a infância e juventude de Myers com novos acontecimentos nunca contados, negando parte dos outros filmes, com o seu instigante e curioso ‘Halloween - O início’ (2007) – Zombie, cheio de altos e baixos na carreira, pôs tudo a perder com a segunda parte, o péssimo ‘Halloween II’ (2009). A série estacionou aqui, até que David Gordon Green, um diretor inicialmente original e depois responsável por trabalhos medíocres, reassumiu a franquia com uma nova trilogia, contratando Jamie Lee Curtis, já com mais de 60 anos, envelhecida e perseguida pelo irmão – os filmes foram ‘Halloween’ (2018), que é bom e tem clima, e os dois capítulos finais de extrema violência, difícil de acompanhar, e que acho muito ruim, ‘Halloween kills – O terror continua’ (2021) e ‘Halloween ends’ (2022). Juntos, esses três filmes conquistaram 500 milhões de dólares na bilheteria, sendo uma das maiores da cinessérie. Ou seja, ‘Halloween’, entre idas e vindas, com longas assustadores e outros deploráveis, segue firme trazendo público, conquistando espaço entre os fãs e gerando muito dinheiro para a indústria de cinema de Hollywood.




‘Halloween H20 – Vinte anos depois’, que assisti várias vezes em VHS na época das videolocadoras, ganhou há pouco tempo uma boa cópia em DVD pela Classicline. A produtora original é a Dimension Films, de fitas de terror teenager do final dos anos 90, como ‘Pânico’ e ‘Prova final’. Vale assistir quem nunca teve contato.

Halloween H20 – Vinte anos depois (Halloween H20: 20 years later). EUA, 1998, 86 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Steve Miner. Distribuição: Classicline



A mão assassina

Anton (Devon Sawa) é um adolescente folgado que detesta estudar. Certo dia, sua mão direita é possuída por uma entidade diabólica e passa a ter controle próprio. Ela vira uma máquina de matar. A mão de Anton assassina dois amigos dele, Pnub (Elden Henson) e Mick (Seth Green), que retornam como zumbis bobalhões para ficar ao lado do colega e quem sabe protegê-lo.

Daquelas comédias de terror engraçadas, bizarras e criativas que os americanos de vez em quando acertavam. Virou cult na época, em 1999, num período de intensa transformação no cinema – o digital ganhava força, o DVD surgia etc. Mãos assassinas não são novidade no cinema, lembro de pelo menos dois filmes que me marcaram, ambos de terror – ‘As mãos de Orlac’ (1924), obra do Expressionismo Alemão sobre um pianista que recebe duas novas mãos após perdê-las, e os membros vinham de um assassino, e ‘A mão’ (1981), de Oliver Stone, um drama de terror sobre um ilustrador que perde a mão num acidente e, enquanto ela se rasteja procurando-o, vai matando pelo caminho as desavenças dele. Em ‘A mão assassina’ o tom é mais fantasioso, porém levado para o campo do humor, com mortes bizarras, mortos-vivos brincalhões e atrapalhados, muita bagunça em cena, numa aventura nonsense, esquisita e cheia de energia. O elenco dá graça ao filme, em especial o trio central - Devon Sawa, de ‘Premonição’ (2000), Seth Green, de ‘Uma saída de mestre’ (2003) e Elden Henson, de ‘Efeito borboleta’ (2004) – aparecem ainda Jessica Alba, Vivica A. Fox e o veterano Fred Willard.




A direção é de Rodman Flender de filmes de terror B do início dos anos 90, como ‘O retorno do duende’ (1994), e que dirigiu mais séries, dentre elas ‘Chicago Hope’ e ‘Dawson’s creek’.
Curiosidade: a mão maldita do protagonista é a mesma ‘Mãozinha’ usada no filme ‘A família Addams’ (1991), manipulada pelo mágico e ator Christopher Hart.

A mão assassina (Idle hands). EUA, 1999, 92 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Rodman Flender. Distribuição: Classicline

 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Especial de Cinema


Dica de filmes no Festival 'É Tudo Verdade'

O Festival de documentário ‘É Tudo Verdade’ segue em formato presencial em São Paulo e no Rio de Janeiro até o dia 14 de abril. Ao todo serão exibidos gratuitamente 77 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos em 34 países. Seguem comentários sobre dois filmes que assisti na edição desse ano e que recomendo.

‘Cento e quatro’ (Alemanha, 2023, 91 minutos, de Jonathan Schornig)

104 imigrantes resgatados em alto-mar é o mote desse incrível documentário alemão, cuja montagem é o diferencial do longa – a tela é dividida em seis partes, para que o público acompanhe momento a momento da retirada dos homens do mar, numa luta dura contra o tempo. As câmeras registram a agonia dos náufragos, que estão num bote de borracha, e também a euforia da tripulação que se desafia a salvar aquelas pessoas, num ato humanitário. Não há depoimentos nem trilha sonora; o filme é o retrato dramático de um resgate quase impossível, e que por pouco não teve desfecho trágico.
Sessão hoje, dia 05, 16h, no Estação Net de Cinema – Botafogo – RJ. Outras sessões: Dia 07/04, 13h, no Estação Net de Cinema Rio – RJ; dia 09/04, 14h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta – SP; e dia 10/04, 17h, no IMS Paulista – SP. Gratuito.


‘Antônio Candido, anotações finais’ (Brasil, 2024, 87 minutos, de Eduardo Escorel)

Sociólogo, professor e crítico literário, Antônio Candido (1918-2017) deixou setenta cadernos inéditos, a mão, pouco antes de morrer em São Paulo, aos 98 anos. O diretor Eduardo Escorel então selecionou dois deles, escritos entre 2015 e 2017, que traçam um pouco da lucidez dos pensamentos de Candido quanto à política brasileira e problemas sociais do nosso país. Durante o filme, um narrador lê os manuscritos, enquanto imagens de Candido, da família dele e dos personagens-chave ilustrados naqueles papéis desfilam na tela. Candido analisa o impeachment/golpe contra a presidenta Dilma, faz comentários sobre o PT – partido do qual foi filiado por décadas, lembra da infância e discorre bastante sobre a solidão e sua velhice.
Encantei-me com o filme e recomendo a todos se debruçarem com atenção sobre ele.
Sessão amanhã, dia 06, 16h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta – SP. Outras sessões: Dia 07/04, 18h, no Espaço Estação Net de Cinema Botafogo - RJ; dia 08/04, 15h, no Estação Net de Cinema Rio – RJ; e dia 10/04, 17h, na Cinemateca Brasileira – SP. Gratuito.



Streaming

De 15 a 30 de abril, parte da programação estará gratuitamente no streaming Itaú Cultural Play. Serão nove títulos da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e sessão também do curta “Paraíso, Juaréz” (1971), da Retrospectiva ‘Thomaz Farkas, 100’. Acesso em https://www.itauculturalplay.com.br

Realização e Parceiros

O ‘É Tudo Verdade’ é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura do Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei N. 8313). Conta com patrocínio master do Instituto Cultural Vale, patrocínio do Itaú e da Desenvolve SP, parceria do Sesc-SP, apoio cultural do Galo da Manhã, SPCINE e Itaú Cultural.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Especial de Cinema


Festival 'É tudo verdade' começa hoje no RJ e amanhã, em SP; evento traz 77 filmes gratuitos ao público

Começa hoje um dos festivais de documentário mais importantes do Brasil, o ‘É Tudo Verdade’, realizado em formato presencial em São Paulo e no Rio de Janeiro até o dia 14 de abril. Ao todo serão exibidos gratuitamente 77 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos em 34 países. O filme de abertura no RJ, hoje, será “Um Filme para Beatrice”, de Helena Solberg, às 20h, no Estação Net Botafogo, enquanto a abertura em SP será de “O Competidor”, de Clair Titley, em 4 de abril, às 20h30, na Cinemateca Brasileira – ambas as sessões apenas para convidados.



'Um filme para Beatrice' (Brasil, 2024, 78 minutos, de Helena Solberg)

Hoje a sessão de abertura do Festival 'É tudo verdade' será no Rio de Janeiro, com exibição do documentário brasileiro "Um filme para Beatrice" (2024). Em seu novo filme, a documentarista Helena Solberg, dos premiados 'Carmen Miranda: Bananas is my business' (1995) e 'Palavra (en)cantada' (2008), fala sobre a mulher no cinema, analisando personagens de seus filmes desde os anos 60, em especial o seu primeiro curta, 'A entrevista' (1966). E também ela trata de como era complexo fazer filmes críticos em épocas duras, como a ditadura no Brasil. Trocando mensagens e vídeos com uma jornalista italiana de nome Beatrice, Helena constrói narrativas em torno do papel da mulher em diversos contextos sociais, através da linguagem do documentário.
Gostei muito e recomendo - e a diretora merece palmas, pois aos 83 anos continua ativa com filmes belíssimos e impactantes.
Outras sessões: Dia 04/04, 20h30, na Estação Net Botafogo - RJ; dia 06/04, 18h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta - SP; dia 10/04, 14h30, no IMS Paulista - SP; e dia 13/04, 14h, no Estação Net de Cinema Rio - RJ.



'O competidor' (Reino Unido, 2023, 89 minutos, de Clair Titley)

Amanhã a sessão de abertura do Festival 'É tudo verdade' em São Paulo será do documentário britânico 'O competidor' ('The contestant', 2023), exibido nos festivais de Toronto, Miami e Cleveland. Nesse doc inteligente e bem montado, conhecemos a inusitada história de um estudante japonês que, em 1998, ficou trancafiado num apartamento pequeno, nu, preenchendo cupons para ganhar um milhão de dólares; ele ficou lá por meses, e aquela experiencia foi transmitida para milhões de telespectadores do Japão. Nasubi, o rapaz, não sabia que era gravado, o programa foi um sucesso - antes mesmo de surgir o Big Brother, porém depois ele deixou o estrelato de maneira angustiante. Um estudo de caso sobre exploração de pessoas nas mídias e a busca das TVs por sucesso a qualquer preço. Recomendo!
Outras sessões: Dia 05/04, 20h30, no Espaço Itaúa de Cinema Augusta - SP; dia 05/04, 20h30, no Espaço Estação Net de Cinema Botafogo - RJ; e dia 12/04, 14h, no Estação Net de Cinema Rio - RJ.


quarta-feira, 27 de março de 2024

Cine Clássico


Manequim

Jonathan (Andrew McCarthy) é um jovem artista que fabrica uma manequim para uma loja. Ele se apaixona pelo boneco, até que um dia a manequim adquire vida. Ela tem o nome de Emmy (Kim Cattrall). Jonathan descobre que a manequim incorporou uma deusa egípcia de milhares de anos atrás, e os dois iniciam um relacionamento marcado por altas aventuras.

Comédia romântica em tom de fantasia que fez enorme e inesperado sucesso de público nos cinemas na época, em 1987, e depois foi muito reprisado na TV aberta. Teve até uma continuação, ‘Manequim: A magia do amor’ (1991), com história semelhante, mas outro elenco e direção.
Esse conto de fadas urbano, moderno e gracioso, conquista o público ainda hoje, e foi levemente inspirado na clássica comédia musical com Ava Gardner ‘A deusa do amor’ (1948), sobre uma estátua que cria vida depois de receber um beijo de um vitrinista de uma loja.
Andrew McCarthy, de ‘A garota de rosa shocking’ (1986), e Kim Cattrall, da série ‘Sex and the city’ (1998-2004), estavam no auge da carreira e fazem um belo par – ele, um rapaz de carne e osso, que adora andar de moto, e ela, a manequim que cria vida e tem um romance inusitado com o garotão, saindo em altas aventuras pelas ruas da Filadélfia.
O elenco de apoio é bacana, com nomes como a veterana Estelle Getty, o novato James Spader e os comediantes G.W. Bailey e Meshach Taylor (que faz piadas bem engraçadas). A música ‘Nothing's gonna stop us now’, de Jefferson Starship, recebeu indicação ao Oscar, Grammy e Globo de Ouro de melhor canção, a primeira nomeação da compositora Diane Warren, hoje campeã de indicações, com 15 ao todo - ela nunca ganhou nenhum, por incrível que pareça. A canção aparece nos créditos finais e retorna no filme dois. Outra música composta exclusivamente para o longa é a de abertura, toda em desenho animado, ‘In my wildest dreams’, de Belinda Carlisle.




Foi o melhor trabalho do falecido diretor Michael Gottlieb, que fez somente mais três filmes, dentre eles ‘O senhor babá’ (1993) - Gottlieb também foi roteirista aqui e dos outros trabalhos da carreira.
Saiu há poucos meses em DVD na coleção ‘Manequim’, juntamente com a continuação, ‘Manequim: A magia do amor’ (1991).

Manequim
(Mannequin). EUA/Reino Unido, 1987, 89 minutos. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por Michael Gottlieb. Distribuição: Obras-primas do Cinema



Manequim: A magia do amor

Decorador de vitrines, Jason (William Ragsdale) liberta o espírito de uma mulher (Kristy Swanson) preso em uma manequim da loja onde trabalha. Juntos, viverão uma incrível história de amor e de aventuras.

Devido ao sucesso do filme anterior, ‘Manequim’ (1987), uma continuação era inevitável. O produtor do original, Edward Rugoff, trouxe o premiado produtor executivo John Foreman, de ‘Butch Cassidy’ (1969), para essa parte dois, mais movimentada e maluca, com impossíveis e destemidas peripécias na mesma Filadélfia. A trama segue a premissa do outro longa, um rapaz que se apaixona por uma manequim que adquire vida. Dessa vez, o papel principal é do carismático William Ragsdale, que vinha do terror de sucesso ‘A hora do espanto’ (1985). Ao seu lado, a atriz Kristy Swanson, que começou a carreira mirim, na época desse ‘Manequim’ tinha 22 anos e fez ‘Curtindo a vida adoidado’ (1986), além do papel-título do longa ‘Buffy, a caça-vampiros’ (1992). E o espírito agora é de uma mulher medieval, enquanto no anterior era uma deusa egípcia.
Investiram num vilão de peso, um conde maquiavélico que quer destruir o par romântico, feito pelo ator Terry Kiser, o morto Bernie das cultuadas comédias ‘Um morto muito louco – partes 1 e 2’ (1989 e 1993). O único personagem reaproveitado do filme um é o gay Hollywood, interpretado pelo mesmo Meshach Taylor, que fica com as piadas prontas.




Com novo diretor, Stewart Raffill, de ‘Piratas das galáxias’ (1984), o filme não fez o mesmo sucesso do anterior, mas foi tão reprisado quanto na TV aberta – acho que ainda mais do que o original. A música-tema do anterior, indicada ao Oscar ‘Nothing's gonna stop us now’, de Jefferson Starship, volta em dois momentos.
É daqueles filmes fáceis, uma típica sessão da tarde simpática, para todos os públicos. Saiu em DVD na coleção ‘Manequim’, juntamente com o primeiro filme, ‘Manequim’ (1987) - foto abaixo.


Manequim: A magia do amor (Mannequin: On the move). EUA, 1991, 95 minutos. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por Stewart Raffill. Distribuição: Obras-primas do Cinema

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...