quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Morre o diretor de fotografia Harry Savides


Morreu hoje em Nova York, aos 55 anos, o diretor de fotografia Harris Savides. A causa da morte não foi divulgada.
De origem grega, deixou uma vasta obra, com filmes bem conhecidos. Alguns deles: "Vidas em jogo" (1997), "Encontrando Forrester" (2000), "Gerry" (2002), "Elefante" (2003), "Reencarnação" (2004), "Últimos dias" (2005), "Zodíaco" (2007), "O gângster (2007)", "Milk - A voz da igualdade" (2009), "Tudo pode dar certo" (2009), "O solteirão" (2010), "Um lugar qualquer" (2010) e "Inquietos" (2011).
Abaixo, Savides com a cineasta Sofia Coppola, em "Um lugar qualquer". Por Felipe Brida

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cine Lançamento




Ricky

Katie (Alexandra Lamy) é uma mulher humilde, casada e ganha pouco trabalhando em uma fábrica. Certo dia conhece Paco (Sergi López), um homem também simples, e ambos iniciam um romance. Meses depois descobre a gravidez; quando nasce o bebê, Ricky, a mãe percebe nele um dom especialmente mágico.

Com certeza o trabalho menor do notório e premiado diretor francês François Ozon, ovacionado pelos brilhantes “Oito mulheres”, “O tempo que resta”, “Swimming Pool – À beira da piscina” e o recente (e encantador) “Potiche – Esposa troféu”. Menor porque a história não passa de um conto de fadas superficial, semelhante a filmes para a TV, da Sessão a Tarde.
Lançado timidamente nos cinemas estrangeiros, mal repercutiu no Brasil, saindo direto para home video, com atraso.
Rodada na França, com baixo orçamento e efeitos visuais regulares, “Ricky”, título que dá nome ao bebê da história, é uma fantasia moderna, engraçadinha, agradável. E só. Evito prolongar mais sobre o personagem central, pois há por trás uma surpresa sobre quem ele é (reparem que no fim da sinopse deixei claro: “a mãe percebe nele um dom especialmente mágico”). Acontece um milagre, de natureza divina. E simbólica, com pezinho na mitologia grega.
Impõe um tom realista em torno de um casal que descobre o fantástico dentro do próprio lar. E como lidar com algo sobrenatural, que vem alcançando proporções assustadoras, mobilizando inclusive a comunidade?
Sei bem que os leitores ficaram curiosos. Pois bem, agora arrisquem assistindo. Eu achei divertido, a dupla central formada pela francesa Alexandra e pelo espanhol Sergi conduz tudo muito bem, mas confesso: é somente uma obra bonitinha, sem outra definição melhor. Experimente. Por Felipe Brida.

Ricky (Idem). França/Itália, 2009, 89 min. Comédia dramática. Dirigido por François Ozon. Distribuição: California Filmes

sábado, 6 de outubro de 2012

Cine Lançamento




O Lórax – Em busca da trúfula perdida

Para conquistar a garota que tanto ama, Ted (voz de Zac Efron), um menino de apenas 12 anos, sai à procura de uma árvore rara, a Trúfula, cujas flores coloridas encantam os olhos. Na jornada rumo ao desconhecido, entre florestas afastadas e percalços pelo caminho, Ted conhece a incrível história de Lórax (voz de Danny DeVito), uma criatura mágica protetora das árvores.

Dos mesmos realizadores de “Meu malvado favorito”, chega às locadoras uma bonita animação alegórica, com incisiva mensagem ambientalista, baseada no personagem homônimo de Dr. Seuss (1904-1991), um dos mestres das histórias infantis contemporâneas (o mesmo criador de “O Grinch” e “Horton e o mundo dos quem”).
Fez imenso sucesso nos cinemas esse ano, numa das bilheterias mais agitadas da temporada (rendeu U$ 335 milhões dos U$ 70 milhões gastos na produção), inclusive com boa aceitação no Brasil, onde muitos desconheciam o personagem Lórax, um animal redondo, alaranjado, de longos bigodes louros, conhecido como o protetor das florestas. Ranzinza, ele aparece em momentos de perigo à vista, em épocas de desequilíbrio da natureza (por exemplo, na época em que os homens iniciam devastação em massa das árvores). Ele apazigua os ânimos e parte para o ataque em caso de extrema necessidade. Ou seja, Lórax personifica a voz da razão, uma entidade sagrada (e até mística) que procura proteger o meio ambiente com unhas e dentes.
Contada em versos, com rimas e sonoridade, a animação tem mote didático e um aguçado lado crítico, adequado para crianças, jovens e adultos, ainda mais na atualidade em que se fala sobre ecologia e desenvolvimento sustentável.
Como nas adaptações anteriores de Dr. Seuss para o cinema, os próprios traços dos desenhos são destoantes e altamente coloridos (nada que lembre a Disney/Pixar), e a narrativa cantarolada e repleta de poesia pode causar estranheza ao público geral. Mas nada que tire o encantamento dessa inteligente fábula, conduzida por um garotinho, Ted, que mora em uma cidade futurista artificial, sem árvores pelas ruas. O lugar é comandado por um empresário meticuloso, o nanico The Once-ler, que vende a preço caríssimo ar engarrafado (já que o índice da poluição na cidade alcança números exorbitantes). Ted resolve impressionar a menina que gosta, pois ela tem o desejo de ver de perto uma árvore. Ele então sai da cidade à procura de uma, e no caminho torna-se amigo de uma misteriosa pessoa aprisionada em uma casa suspensa. É quando esta conta para Ted a historia de Lórax, e a aventura começa.
A partir da metade, o filme é narrado em flashbacks, por meio de lembranças do sábio encarcerado (que simboliza o vidente, ao mesmo tempo o estado caótico que o futuro nos reserva caso a devastação continue em larga escala).
Não posso contar mais porque a trama envolverá perigo pelos lados e surpresas emocionantes.  Encerro com a dica preciosa: essa nova animação da Universal é apaixonante, e vale cada segundo! Por Felipe Brida

O Lórax – Em busca da trúfula perdida (The Lorax). EUA, 2012, 86 min. Animação. Dirigido por Chris Renaud/Kyle Balda. Distribuição: Universal

sábado, 29 de setembro de 2012

Cine Lançamento




Traição perigosa

Num dia de serviço, a novata policial Kate Logan (Alexis Bledel) revista um executivo francês, Benoit Gando (Laurent Lucas), suspeitando que ele seja criminoso. Ao perceber que cometera um erro, seduz aquele homem para que ele não a denuncie aos superiores. Kate, de comportamento desequilibrado, leva Benoit a um mundo perverso, de mentiras e até de assassinato.

Difícil explicar as razões que levaram a distribuidora Paramount Pictures a lançar, aqui no Brasil, esse péssimo thriller de traição e troca de identidade. Há tempos não assistia a uma produção tão sofrível, com história absurda e talhada de furos.
Tudo acontece em poucos dias na vida de dois personagens estranhos. Uma policial que para evitar ser punida por um erro no serviço (suspeitar de um executivo rico, revistá-lo e ameaçá-lo categoricamente) resolve seduzir o coitado. Porém ela é bipolar, tem atitudes agressivas, e acaba destruindo a vida do homem. O problema: os desconhecidos atores centrais são fracos, sendo que o casal não tem química – Laurent Lucas, com um sotaque irritante, parece desmotivado, sem expressão, e Alexis Bledel, nova demais para o papel de uma mulher misteriosa e vingativa, não convence, tampouco transmite credibilidade. Até que se esforça para ser uma figura forte na trama, só que o resultado fica em débito.
Em suma, trama ruim, elenco abaixo da crítica, clima inexistente. Não tem atrativo algum, portanto não dá para levar a sério.
Rodado no Canadá em 2010, com recursos mínimos, por produtora independente. Evite. Por Felipe Brida

Traição perigosa (The Kate Logan affair). Canadá, 2010, 86 min. Dirigido por Noël Mitrani. Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 25 de setembro de 2012

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O caçador

Martin David (Willem Dafoe) é um mercenário contratado por uma empresa de biotecnologia com uma difícil missão pela frente: caçar, na Tasmânia, o último tigre-da-Tasmânia, espécie praticamente extinta do planeta, que servirá de cobaia para pesquisas na área da saúde. Ele viaja para a famosa ilha australiana e hospeda-se em uma casa de campo onde mora os filhos e a esposa de um expedicionário desaparecido nas montanhas. Solitário, David aproxima-se daquela família, e a divide com o pouco tempo que lhe resta para capturar o tigre.

Inédito em nossos cinemas, “O caçador” também passou despercebido nos cinemas americanos. Os distribuidores falharam ao exibi-lo em apenas quatro salas nos EUA, cuja bilheteria rendeu míseros U$ 19 mil. O filme, pelo bom elenco, custou barato (U$ 176 mil), e é uma pena o público não ter conhecido esse bom trabalho que venceu prêmios na Austrália, país que o produziu. Agora a Paramount resolveu resgatá-lo lançando diretamente em DVD no Brasil.
O longa parte do romance de Julia Leigh, uma escritora desconhecida, que rodou no ano passado seu primeiro longa como diretora, “Beleza adormecida” (lançado esse mês em DVD também pela Paramount). Do livro, extraíram com cuidado o estranho clima de tensão que envolve os personagens dessa trama de aventura e drama.
Willem Dafoe, em bom momento da carreira, interpreta o caçador europeu absorvido nas montanhas geladas da Tasmânia, no encalço do último exemplar do tilacino, marsupial semelhante a um lobo com costas rajadas, mais conhecido como tigre-da-Tasmânia. Não sabemos ao certo a razão de ele estar naquela missão – só temos a sensação de que o mercenário, de passado duvidoso, chega ali para cumprir um antigo trato. De temperamento frio, aloja-se na residência da família de um caçador desaparecido. Aos poucos cria laços fortes com as crianças e em especial com a mulher da casa (Frances O’Connor), que tenta esquecer o sumiço do marido. Pressionado a terminar a missão em curto espaço de tempo, o solitário caçador tem sua vida revirada, e sua história de vida confunde-se com a do homem desaparecido. Ele assume a figura do pai, cujas conseqüências serão trágicas.
Pautado por um clima denso, de intensa recorrência dramática, o filme focaliza a pequenez humana, envolta na presença de um homem disposto a arriscar tudo para ganhar um bom dinheiro – no caso, caçar o animal extinto. Com certo sentimento de culpa, procura se redimir ao lado de uma família angustiada, que espera o retorno do pai.
Aparece no meio da história, com participação inferior, o ator Sam Neill, como um pacato guia local com ar de investigador.
Não é um trabalho facilmente assimilado. De difícil classificação e um desfecho avesso, é mais recomendado para público de fitas de arte.
Segundo filme de um diretor australiano, Daniel Nettheim, que soube aproveitou as gélidas paisagens montanhosas da real Tasmânia (ilha localizada ao sul da Austrália), onde a trama ocorre. Os interessados devem conhecer. Por Felipe Brida

O caçador (The hunter). Austrália, 2011, 102 min. Drama. Dirigido por Daniel Nettheim. Distribuição: Paramount Pictures

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cine Lançamento



Jovens adultos

Aos 37 anos, a escritora de livros infanto-juvenis Mavis Gary (Charlize Theron) leva uma vida solitária, sem amigos, sem família e sem namorado. O humor oscila e seu refúgio é na bebida. Certo dia, retorna à cidade natal, no estado de Minnesota, na tentativa de reconquistar o antigo amor da época de colégio, Buddy (Patrick Wilson). Só que atualmente ele está bem casado e pai de um bebê. Durante aquela estada desafiadora na cidade, Mavis passará por dias amargos encarando uma série de situações embaraçosas.

Indicado ao Globo de Ouro 2012 na categoria de melhor atriz (Charlize Theron), “Jovens adultos” foi erroneamente vendido como comédia, até pela capa engraçadinha, toda colorida e com um forte background cor-de-rosa. Fiquem avisados: o filme é pesado, bem pra baixo, com uma dura lição de vida por trás. Tudo porque a personagem central, a escritora, tem problemas de comportamento, vive como se fosse uma garota que está se descobrindo (ela tem 37!) e para fugir das obrigações toma altas doses de álcool. O único companheiro é o cachorro branco de pêlos arrepiados. Para piorar, sai de casa para reencontrar o amor do passado, numa viagem marcada por momentos de sofrimento. Esse antigo namorado agora tem mulher e filho, mas a descontrolada ex, Mavis, reluta em entender a situação. A história toda gira em torno dos conflitos existenciais dessa mulher imatura, cuja vida profissional está um desastre. Ela facilmente se entregue a emoções de um caso mal resolvido, e que agora não faz mais sentido para o outro. Em meio a crises, ela se aproxima de um amigo de colégio com problemas de locomoção (o comediante Patton Oswalt, num papel bizarro e patético), e tenta consertar o que está despedaçado em milhões de minúsculos pedaços...
O teor da fita beira o amargo, com resoluções difíceis, destoante das obras do cineasta responsável pela fita. Aliás, já conhecíamos a boa parceria entre a roteirista Diablo Cody e o diretor Jason Reitman (filho do famoso diretor Ivan Reitman), que conquistaram o público com “Juno”, em 2007 – ela até ganhou o Oscar de roteiro original. Mas aqui retornaram com personagens menos carismáticos em uma história deprê. E a trágica andança da personagem se dá pela excelente caracterização da atriz Charlize Theron, num papel nada agradável. Ou seja, uma atriz experiente interpretando uma mulher auto-destrutiva numa história sem dúvida alguma muito triste, reduzindo as possibilidades do filme. Não é ruim, no entanto os pontos negativos dos personagens e da condução da trama repudiam o público, que está mais interessado em situações alegres, com finais felizes. Por Felipe Brida

Jovens adultos (Young adult). EUA, 2011, 93 min. Drama. Dirigido por Jason Reitman. Distribuição: Paramount Pictures

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