segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Cine Clássico


Música e lágrimas

O músico Glenn Miller (James Stewart) começa cedo a escrever sua história, que ficou conhecida no mundo inteiro. Nos anos 30, ele dá os primeiros passos no cenário musical e vê o fracasso de sua primeira banda de estrada. No entanto, Miller não desiste e segue em frente diante dos percalços. Conhece a mulher de sua vida, Helen Burger (June Allyson), que o auxiliará a trilhar o sucesso.

Anthony Mann, diretor recorrente em filmes épicos como “El Cid” (1961) e faroestes, dentre eles “Winchester ‘73” (1950) e “Um Certo Capitão Lockhart” (1955), assinou aqui a cinebiografia de um dos maiores músicos e instrumentistas de jazz na era do swing, o bandleader Glenn Miller (1904-1944), escalando James Stewart para o papel central. Stewart ficou parecido com o verdadeiro Miller, na época o ator tinha 46 anos e precisava aparentar metade da idade – a maquiagem deu conta do recado. O ator já era consagrado nos EUA desde a década de 30 e já havia trabalhado com Mann (os dois filmes de faroeste citados acima são com ele).


O drama tem números musicais bem coreografados, e o recorte dado é de parte da juventude de Miller, quando jovem criou sua primeira orquestra, até ingressar no exército como capitão, depois major e diretor da banda da Força Aérea americana durante a Segunda Guerra. Trombonista, visitava fronts de guerra para entreter os soldados. Numa viagem do Reino Unido a Paris, o avião em que estava desapareceu, e até hoje nunca foram encontrados nem destroços nem corpos (Miller foi dado como morto nesse “desastre de avião” em 1944). Deixou composições notórias e até hoje tocadas em festas (e que aparecem no filme), como “Moonlight serenade” (parte da memorável trilha sonora de “O iluminado”, de Stanley Kubrick), “Chatanooga Choo-Choo”, “In the mood” e “A string of Pearls”.
O filme ganhou o Oscar de melhor som, indicado ainda a melhor roteiro e melhor trilha sonora e ao Bafta de ator para Stewart. Aliás, Stewart estava no auge fazendo filmes de Alfred Hitchcock (nesse mesmo ano faria “Janela indiscreta”) e foi par romântico de June Allysson várias vezes, como em “Sangue de campeão” (1949) e “Comandos do ar” (1955). O filme é bonito, nostálgico, conta com uma boa reconstituição do mundo do jazz e um final choroso.


Em DVD e bluray pela Classicline, relançados recentemente e já disponíveis nos melhores sites para venda.

Música e lágrimas (The Glenn Miller story). EUA, 1954, 115 minutos. Drama/Musical. Colorido. Dirigido por Anthony Mann. Distribuição: Classicline (DVD e Bluray)

sábado, 10 de setembro de 2022

Cine Cult


As garotas


Tosya (Nadezhda Rumyantseva), uma jovem russa, viaja a uma aldeia na Sibéria para ser cozinheira. Ela vai morar em uma cabana e lá faz refeições para um grupo de lenhadores. Ilya (Nikolay Rybnikov) é um desses trabalhadores, que se apaixona por ela. Tosya não quer se envolver com ninguém, porém uma série de desventuras amorosas se sucederão em sua vida.

Comédia romântica produzida na extinta URSS (União Soviética) em 1961 e uma das mais adoradas pelo público russo. Até hoje é uma fita leve, cativante, de alto astral. Tem uma deslumbrante fotografia no gelo da Sibéria (as externas do filme foram gravadas na verdadeira Sibéria, enquanto as cenas internas, da cabana e da cidade, em estúdios da Mosfilm). A atriz Nadezhda Rumyantseva, de filmes como “O mexicano” (1956) e “A princesa do Cáucaso” (1967), esbanja charme juvenil em um papel encantador, sempre alegre, com simpatia estampada no rosto – ela teve fama mundial com o lançamento desse filme, e vale destacar, na época tinha 30 anos e interpretava uma garota de 18 aqui.


A direção, de Yury Chulyukin (1929-1987), pontua momentos bem femininos (do diálogo às caracterizações) e investe na figura da mulher em processo de independência (pelo menos na escolha de seus amores), que vive em um ambiente dominado por homens durões (os lenhadores na Sibéria) – e nesse lugar ela consegue transformar seu entorno de maneira virtuosa. Chulyukin, filho de diretor do teatro Bolshoi, foi diretor de cinema, roteirista, ator e compositor de músicas, atuando também na TV russa dirigindo programas e especiais. O roteiro é de Boris Bednyj, ex-combatente do Exército Vermelho que atuou na Segunda Guerra onde foi preso pelos fascistas em 1942 (só libertado em 1945). Dedicou-se, depois da guerra, à escrita, lançando livros como “Grande corrente” e “As garotas”, o romance original que inspiraria sua adaptação para o cinema.


Quem tiver curiosidade em ver, procure o DVD, lançado esse mês pela CPC-Umes Filmes. A distribuidora, especializada em filmes russos e soviéticos, acertou novamente com a distribuição em mídia física desse longa inspirador e espirituoso!

As garotas (Devchata). URSS, 1961, 95 minutos. Comédia/Romance. Preto-e-branco. Dirigido por Yury Chulyukin. Distribuição: CPC-Umes Filmes

domingo, 4 de setembro de 2022

Cine Especial


A travessia de Cassandra


Um terrorista escapa de um atentado que deu errado e se esconde em um luxuoso trem europeu. O homem acabou se contaminando com uma doença mortal e pode espalhá-la em pouco tempo para os passageiros. A Inteligência Militar norte-americana se reúne então com patologistas para capturar o criminoso e quem sabe salvar mais de 400 pessoas que estão em viagem no trem.

Eletrizante thriller dos anos 70 que aborda temas que nunca fugiam à regra do período da Guerra Fria, como terrorismo, guerra biológica/tecnológica e crise militar. Todo rodado na Europa (em países como Itália, França e Suíça), conta com um time de astros a perder de vista, como Sophia Loren, Richard Harris, Martin Sheen, O.J. Simpson (na época jogador de futebol americano), Ingrid Thulin, Burt Lancaster, Lee Strasberg, Ava Gardner, Alida Valli, Lionel Stander, John Phillip Law e Ann Turkel – alguns em papéis de destaque, outros bem passageiros.


A coprodução Reino Unido-Itália-Alemanha traz cenas movimentadas, de perseguição e tiroteios, e um clima de angústia e claustrofobia, já que a trama é inteiramente dentro de um trem em movimento com um passageiro contaminado com uma doença mortal. E tem um desfecho que, apesar de absurdo, é eficiente para o deleite dos fãs de fitas de ação (os efeitos especiais do longa remetem a maquetes com trens em miniaturas descarrilando e resgate nos ares tanto com helicópteros reais quanto “de brinquedo”) – o cinema americano usaria depois veículos em movimentos para contar histórias de resgate parecidas, como “Velocidade máxima” (1994), “Assalto sobre trilhos” (1995) e “Incontrolável” (2010).
“A travessia de Cassandra” também é um exemplar esquecido da linha ‘disaster movie’, feito no auge de filmes assim, que trazia na história um desastre iminente de grandes proporções. No cinema americano os disaster movies se passavam em ambientes diversos, como num prédio em chamas, em “Inferno na torre” (1974), num naufrágio em alto-mar, em “O destino de Poseidon” (1972), e num avião com explosivos, em “Aeroporto” (1970) - e investiram até em outras modalidades malucas, como um ataque cruel de abelhas em “O enxame” (1978). E sempre neles havia um timaço de atores e atrizes consagrados (para garantir público nas salas).


Perceba que da metade para o fim há um novo contorno na trama em referência ao título “Cassandra Crossing”, uma ponte onde o trem transcontinental irá cruzar.
Dirigido pelo italiano George P. Cosmatos, que faria no Canadá o terror “Origem desconhecida” (1983) e nos Estados Unidos duas fitas de ação com Sylvester Stallone muito conhecidas do público, “Rambo II: A missão” (1985) e “Stallone: Cobra” (1986) - e lá ainda faria o terror com scifi “Leviathan” (1989) e um dos melhores faroestes dos anos 90, “Tombstone: A justiça está chegando” (1993). Ele auxiliou no roteiro, e a eficiência deste se justifica pelas mãos de dois parceiros, Tom Mankiewicz, roteirista da grandiosa fita de guerra “A águia pousou” (1976), e Robert Katz, de “A pele” (1981) e “Aldo Moro: Herói e vítima da democracia” (1986).


A produção é de Carlo Ponti, o lendário produtor italiano de obras-primas como “A estrada da vida” (1954), “Doutor Jivago” (1965) e “Blow-up” (1966), e então marido de Sophia Loren. Atenção para a boa trilha de Jerry Goldsmith, ganhador do Oscar pela trilha de “A profecia” (1976) e indicado a outros 17 prêmios da Academia. Em DVD pela Classicline.

A travessia de Cassandra (The Cassandra Crossing). Reino Unido/Itália/Alemanha, 1976, 128 minutos. Ação. Colorido. Dirigido por George P. Cosmatos. Distribuição: Classicline

domingo, 28 de agosto de 2022

Cine Terror


A vingança do espantalho

Acusado pela morte de uma criança, Buba Ritter (Larry Drake), um homem com deficiência intelectual, é assassinado por quatro cidadãos em uma cidadezinha na zona rural dos Estados Unidos. Tempo depois, eles são perseguidos, um a um, e mortos por alguém misterioso. Acreditam que o espírito de Buba se apossou de um espantalho para cometer os crimes.

Marcou minha infância esse telefilme de terror com clima de investigação e trama policial, com muito mistério no ar que ronda os personagens perseguidos por um possível espantalho assassino (nunca fica claro, tudo é subentendido, e se prepare para o grande desfecho - mesmo sendo filme de terror, traz poesia e leveza). Ingrediente vital para o bom andamento da história é a locação, nas paisagens de campo, com milharal, tratores, corvos e um sol danado, que representa bem o sul dos Estados Unidos (foi rodado na Califórnia). Quem interpreta Buba é Larry Drake, que ficou famoso em papéis de vilão, como o inescrupuloso mafioso Durant, de “Darkman: Vingança sem rosto” (1990), e o filme para a TV tem participações de veteranos premiados, como Charles Durning (o policial líder do bando que assassina Buba) e Jocelyn Brando, irmã mais velha de Marlon Brando (de “Os corruptos” e “Caçada humana”), na pele da mãe de Buba.


Ganha edição caprichada no box “Sessão da meia-noite: Espantalhos”, com outras duas fitas, “A maldição do espantalho” (1988, de William Wesley) e “A noite do espantalho” (1995, de Jeff Burr). É o melhor exemplar dessa caixa que homenageia filmes independentes de terror das antigas sessões da meia-noite, não exibidos nos cinemas. E se pararmos para pensar, não há muitos longas com espantalho assassino (é um tema raro, que poderia ser melhor explorado no cinema).


A vingança do espantalho (Dark night of the scarecrow). EUA, 1981, 97 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Frank de Felitta. Distribuição: Obras-primas do terror

sábado, 20 de agosto de 2022

Cine Brasil


São Bernardo


O humilde caixeiro-viajante Paulo Honório (Othon Bastos) enriquece e compra terras no Alagoas. Casa-se com a professora Madalena (Isabel Ribeiro) e aos poucos se torna um homem violento e obcecado, a ponto de tratar com desprezo e indiferença a esposa, seus funcionários e os próprios amigos.

Lançado em 1972 após sete meses de censura pelo Regime Militar, o drama “São Bernardo”, baseado na obra de Graciliano Ramos escrita em 1934, ganhou duas edições em DVD, a primeira distribuída pela Vídeo Filmes, em 2008, e outra pelo Instituto Moreira Salles (IMS), em 2013. As duas cópias estão excelentes, resultado do projeto de restauro digital da obra de Leon Hirszman (1937-1987), diretor do longa-metragem (encabeçaram o trabalho de restauração o crítico de cinema Carlos Augusto Calil, os irmãos Lauro e Eduardo Escorel, diretores de cinema, e o primeiro diretor de fotografia do filme, e os filhos do cineasta falecido, Maria e João Pedro Hirszman).
“São Bernardo” retrata a vida do modesto caixeiro-viajante Paulo Honório (Othon Bastos), que, no interior de Alagoas, enriquece de uma hora para outra e torna-se um homem rude e inescrupuloso. Adquire terras, escraviza seus funcionários e tenta de todas as formas comprar a vizinha fazenda de São Bernardo. Arranja um casamento forçado com a professora Madalena (Isabel Ribeiro), que é tratada por ele como objeto. O conflito entre o casal se intensifica quando Madalena resolve se livrar da dominação do marido.


Em 1972 “São Bernardo” foi exibido no Festival de Berlim, recebendo lá um prêmio especial, e em 1974 ganhou, no Festival de Gramado, os Kikitos de Ouro de melhor ator para Bastos e melhor fotografia (para Lauro Escorel), sem contar diversos prêmios APCA em São Paulo no mesmo ano (como diretor, atriz para Isabel e ator coadjuvante para Nildo Parente).
A obra restaurada teve sua primeira exibição em tela de cinema na noite de abertura do 41º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, no dia 18 de novembro de 2008 (onde eu estava presente e lá entrevistei Othon Bastos, Nildo Parente, Lauro Escorel e a filha de Leon, a jornalista e crítica de arte Maria Hirszman). Na entrevista lembro bem que Othon destacou as dificuldades em se adaptar a obra de Graciliano Ramos para o cinema em plena época do Regime Militar (pois era um período de repressão). Bastos compôs um dos personagens mais duros e complexos do cinema brasileiro nesse filme, um homem temperamental, de extremos, conservador nas ideias e nos costumes, frio e perturbado, que não aceita discordâncias. Chega a destratar até o padre da região acusando-o de comunista, assim como a esposa (a grande atriz Isabel Ribeiro, outro papel marcante em sua carreira), mulher convicta que diz o que pensa. Opressor e machista, Paulo Honório sufoca todas suas relações próximas, a ponto de espancar funcionários que exigem um salário digno. Um indivíduo inescrupuloso, que representava o capitalismo selvagem e corrosivo e as ideias ultraconservadoras que ainda pairam em nossa sociedade.


Sempre considerei um dos grandes filmes do cinema brasileiro (que deve ser visto e discutido), revi há poucas semanas em DVD e continua forte e presente! Um filme que não envelheceu e conta com um elenco de coadjuvantes importantes, como Nildo Parente, Vanda Lacerda, Jofre Soares, Mário Lago e Rodolfo Arena.

São Bernardo (Idem). Brasil, 1972, 111 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Leon Hirszman. Distribuição: IMS (DVD de 2013); VideoFilmes (DVD de 2008)

domingo, 14 de agosto de 2022

Resenha Especial


King Kong


Expedição em busca de petróleo chega a uma ilha isolada na Indonésia e lá encontra uma tribo que cultua uma divindade na floresta. A divindade é um enorme gorila apelidado por eles de King Kong. Dwan (Jessica Lange), uma jovem resgatada nas águas pela expedição, acaba raptada pelo macaco, então o grupo decide capturá-lo. A intenção é também levar o gorila até Nova York, para uma apresentação a céu aberto para o público.

Em 1974, o lendário produtor italiano Dino de Laurentiis decidiu fazer um remake ambicioso do famoso filme da era muda “King Kong” (1933). O projeto demorou dois anos para sair do papel, e somente em 1976 foi gravado. Custou caro e foi detonado na época pela crítica dividindo a opinião do público. Das três versões de Kong para o cinema (a primeira, de 1933, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack; essa segunda, de 1976, de John Guillermin; e a de 2005, de Peter Jackson), esse remake para mim é a mais inferior, mas ainda há pontos altos que comentarei a seguir. O primeiro deles: lançou Jessica Lange ao cinema, num papel sedutor - ela até ganhou o Globo de Ouro de atriz revelação, faria em seguida “O show deve continuar” (1979) e receberia dois de seis dos Oscars que concorreria ao longo da carreira (por “Tootsie”, de 1982, e “Céu azul”, de 1994). É hoje uma das maiores atrizes do cinema. Outro ponto alto é o elenco, que vai dos bons Jeff Bridges e Charles Grodin a coadjuvantes de peso, como Rene Auberjonois, John Randolph e Ed Lauter. Terceiro ponto: os efeitos especiais dariam força para a trama, deixando Kong ainda mais perigoso, realista e assustador. Por isso levou merecidamente um Oscar especial de efeitos, para a equipe de Carlo Rambaldi, um dos magos do cinema, criador dos efeitos especiais de “Alien – O oitavo passageiro” (1979) e “ET: O extraterrestre” (1982). Rambaldi fez uma façanha inédita no cinema com um grupo de engenharia: confeccionou um macaco de 12 metros de altura e cinco toneladas de alumínio, borracha, todo hidráulico e elétrico, operado por 20 homens, com um custo de quase U$ 2 milhões, 10% do orçamento do filme (o filme todo custou U$ 24 mi). O sete vezes ganhador do Oscar de maquiagem e efeitos visuais Rick Baker estava em início de carreira e auxiliou na produção das próteses de macaco para as sequências do dublê vestido de Kong. Outros dois pontos altos são a fotografia escurecida, em tons sombrios, que ganhou o Oscar também, assinada por Richard H. Kline (de “O enigma de andrômeda”), e a trilha sonora do cinco vezes vencedor do Oscar John Barry.



Foram muitos problemas na produção: o filme foi rodado numa região de difícil acesso no Havaí, que ocasionou acidentes na equipe e demorou sete meses para ser gravado, além das panes no macaco robótico, os transtornos com os milhares de figurantes na cena final etc. Acho o filme longo demais, principalmente na primeira parte na floresta, e o desfecho muito rápido - faltou uma mão mais moderada do diretor britânico John Guillermin, de “Inferno na torre” (1974) e “Morte no Nilo” (1978), e mais injeção de humor.
Mas ainda é um cinemão na linha do blockbuster e disaster movie, com muitas cenas de destruição pelo macacão. Aliás, Kong ganharia outros contornos no cinema, com filmes que recontam suas origens, como a digna aventura “Kong: A ilha da caveira” (2017), e travando batalhas contra Godzilla (no movimentado longa de 2021 “Godzilla vs. Kong”).
Nessa versão de 1976, a produção modificou partes da história original de 1933, dando mais sensualidade a Dwan, e um final novo, em que em vez de o macaco escalar o Empire State, aqui sobe no World Trade Center (que tinha sido inaugurado três anos antes). Além de muita ação, incrementaram mais pitadas de romance entre o gorila e a beldade loira (e com isso clichês e breguices). Em 1986 Guillermin teve a loucura de dirigir a continuação, “King Kong 2” (1986), com Linda Hamilton e Brian Kerwin, um filme pavoroso e um dos piores do cinema.
O filme saiu numa edição de luxo em bluray, no ano passado, pela Obras-primas do Cinema, com pôster, três cards, livreto, luva, capa dupla e muitos extras no disco único. Esse ano, a pedido dos colecionadores, a distribuidora trouxe o mesmo filme em DVD, com parte dos extras e um card dentro. É a versão de cinema, de 134 minutos – aquela versão para TV americana, com 60 minutos a mais (194min), nunca saiu nem lá nem aqui.



King Kong (Idem). EUA, 1976, 134 minutos. Ação. Colorido. Dirigido por John Guillermin. Distribuição: Obras-primas do Cinema (DVD e Bluray)

sábado, 13 de agosto de 2022

Cine Cult


Nós somos do jazz

Três amigos montam uma banda de jazz improvisada na década de 20 e percorrem cidades russas para levar música e descontração.

Comédia musical soviética inusitada e descompromissada, mas que não deixa de ter críticas sociais, dirigida por Karen Shakhnazarov (de “O mensageiro” e “Tigre branco”), hoje diretor da Mosfilm, um dos maiores e mais antigos estúdios de cinema da Rússia. Conta a jornada de idas e vindas de três músicos inspirados e novatos, que improvisam instrumentos para criar um conjunto de jazz, uma dixie band (estilo musical malvisto, por ser um tipo de música “menor”, dos negros e dos proletários, e ligado aos EUA, país capitalista - a história tem como pano de fundo a década de 20, já com a URSS formada). Fazem certo sucesso e passam a viajar levando a música para pequenos grupos e salões. Com parcos recursos, reutilizam materiais domésticos e de cozinha, como potes de cobre como prato, e recorrem a instrumentos antigos e gambiarras para emitir o melhor som do mundo, e assim alegrar a vida das pessoas.

É um filme pouco conhecido, sobre a revolução da música nas comunidades, o poder de transformação dela (para quem faz e para quem ouve), e trata da união de esforços para algo coletivo e inovador. Tem muitos números musicais e longas cenas de preparação do conjunto e do grupo nos palcos. Recomendo os apreciadores de música assistirem – o filme acaba de sair em DVD pela CPC-Umes Filmes em boa cópia.

Nós somos do jazz (My iz dzhaza). URSS, 1983, 88 minutos. Musical/Comédia. Colorido. Dirigido por Karen Shakhnazarov. Distribuição: CPC-Umes Filmes

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...