quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Resenha


Crime de amor

Executiva de uma multinacional na França, Christine (Kristin Scott Thomas) escraviza de forma cruel sua jovem secretária, Isabelle (Ludivine Sagnier). Ela então planeja o assassinato da chefe.

Ficou inédito nos nossos cinemas esse engenhoso suspense psicológico, rodado em 2010 e lançado somente dois anos depois em DVD no Brasil.
Um embate sofisticado entre duas mulheres ambiciosas, a executiva perversa e sua assistente, passível de todo tipo de assédio moral. Porém, na metade da história, há um novo rumo, quando a chefe inicia um jogo com a subordinada, de seduções, que não terá final feliz. Há um estranho clima homoerótico, de olhares e insinuações, nada explícito. Diferente, parece, do que Brian De Palma fez em “Passion”, sua versão de “Crime de amor”, também rodada na França, e que traz na capa as atrizes Rachel McAdams e Noomi Rapace se beijando na boca. O filme, indicado ao Leão de Ouro em Veneza em 2012, estreia na próxima semana na Europa.
Bom, voltando a “Crime de amor”, o suspense se sustenta pela presença sempre marcante (e elegante) da premiada atriz Kristin Scott Thomas, como a vilã fria e inescrupulosa. Infelizmente pouco podemos esperar da outra atriz, Ludivine Sagnier, revelada em “Swimming Pool – À beira da piscina” (2003), outra obra francesa de nuances homossexuais; ela não segura o papel, sempre com cara de desconfiada, perdida.
Com resoluções macabras e final ambíguo, “Crime de amor” sem dúvida é uma fita européia bem planejada, que merece uma atenção – ainda mais porque a refilmagem vem aí, e não sabemos como vai ser, já que De Palma anda numa maré de azar, com filmes fracassados.
Último filme do diretor Alain Corneau, falecido em 2010, que detém pelo menos duas obras sofisticadas no currículo, ambas com o amigo Gérard Depardieu no elenco: “Todas as manhãs do mundo” (1991) e “Forte Saganne” (1984). Por Felipe Brida

Crime de amor (Crime d’amour). França, 2010, 106 min. Suspense/Drama. Dirigido por Alain Corneau. Distribuição: California

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Morre o editor inglês Gerry Hambling



O editor de filmes Gerry Hambling, indicado a seis Oscars, morreu no último dia 5, porém somente ontem a família comunicou o falecimento à imprensa. Ele estava com 86 anos.
Nascido em 1926 na cidade de Croydon (Inglaterra), Hambling era parceiro de trabalho do diretor Alan Parker; juntos fizeram 14 filmes; em cinco deles Hambling recebeu indicação ao Oscar na categoria melhor montagem - "O expresso da meia-noite" (1978), "Fama" (1980), "Mississipi em chamas" (1988), "The Commitments - Loucos pela fama" (1991) e "Evita" (1996). As outras produções com Parker foram "Quando as metralhadoras cospem" (1976), "A chama que não se apaga/ Depois do amor" (1982), "Pink Floyd - The wall" (1982), "Asas da liberdade" (1984), "Coração satânico" (1987), "Bem-vindos ao paraíso" (1990), "O fantástico mundo do Dr. Kellogg" (1994), "As cinzas de Ângela" (1999) e "A vida de David Gale" (2003), seu último trabalho.
Hambling também foi indicado ao Oscar pela edição de "Em nome do pai" (1993).
Atuava como montador desde os anos 50, em sua filmografia constam também as produções "Corações explosivos" (1981), "Memórias de um espião" (1984), "Cidade da esperança" (1992), "Tormenta" (1996) e "O lutador" (1997). Por Felipe Brida

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cine Lançamento




O legado Bourne

Tempos atrás, o agente Jason Bourne revelou ao mundo projetos sigilosos do governo americano, dentre eles o Treadstone e o Outcome, uma fórmula química que aumenta a inteligência e a força dos poucos que a detém. Novos agentes especiais, chefiados por Bryer (Edward Norton), iniciam um plano secreto para apagar os vestígios da Outcome, assassinando médicos e pessoas diretamente ligadas à empresa fabricante da poderosa fórmula. Quando desconfia que está sendo caçado, Aaron Cross (Jeremy Renner), atirador recrutado pela Treadstone, foge e consegue salvar a única sobrevivente da matança da corporação Outcome, a Dra. Martha (Rachel Weisz). Um terá de proteger o outro para escapar com vida das emboscadas do governo e da CIA.

Novo capítulo da cinessérie Bourne, precedido pelos exemplares “A identidade Bourne” (2002), “A supremacia Bourne” (2004) e “O ultimato Bourne” (2007), protagonizados por Matt Damon. Prejudicado pela trama confusa, difícil de acompanhar e que no final das contas faz pouco sentido, “O legado Bourne” reúne os principais elementos de espionagem do universo de Robert Ludlum, que serviu de inspiração para Tony Gilroy, o diretor, rodar seu terceiro longa. Gilroy conhecera a fundo o personagem Bourne porque escreveu o roteiro dos três filmes anteriores. Por ter adaptado os livros de Ludlum para o cinema, aguardava-se o mesmo impacto com esse projeto da franquia. Algo que ficou complexo demais para o público entender – repare que a sinopse, por mais que eu tenha tentado deixá-la objetiva, parecem códigos indecifráveis!
Bourne não aparece, apenas citam o nome dele na abertura. No lugar, surge um novo agente especial, um atirador treinado na mesma Treadstone, Aaron, interpretado pelo ator Jeremy Renner, em composição antipática, super séria, sem a fotogenia de Matt Damon. Perseguido nos confins do mundo, o protagonista escapa, descobre os planos do governo e da CIA e salva uma médica integrante da equipe que fabricou uma fórmula secreta para dar mais vitalidade aos agentes policiais, que vira também alvo número um junto com Aaron. E claro que o recheio do bolo está nas perseguições infernais, tiroteios, escapadas mirabolantes, no estilo sagaz de James Bond (sem o humor).
Até a metade quebramos a cabeça para sacar quem são os personagens e o teor das tramas de assassinato; a segunda parte melhora, com menos diálogos e altas doses de ação. E as peças do tétrico quebra-cabeça são vagarosamente montadas, mesmo com absurdos, rumando para um desfecho onde comprovamos que, em breve, um novo Bourne chegará aos cinemas!
Thriller de espionagem de alta complexidade, cansativo, que em nada acrescenta e deixa um vácuo na franquia. Conheça os anteriores. Por Felipe Brida

O legado Bourne (The Bourne legacy). EUA, 2012, 135 min. Ação. Dirigido por Tony Gilroy. Distribuição: Universal

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Morre o maquilador de Star Wars, Stuart Freeborn


RIP: Stuart Freeborn (1914-2013).
Maquilador, faleceu ontem em Londres aos 98 anos.
Em seis décadas de trabalho voltado ao cinema, criou personagens famosos da série "Star Wars", como Mestre Yoda, Chewbacca e Jabba The Hutt, além dos macacos da abertura de "2001 - Uma odisseia no espaço" (1968).
Outros trabalhos como maquilador e supervisor de efeitos visuais: O rato que ruge, Dr. Fantástico, Assassinato no expresso Oriente, Superman I, II, III e IV, A profecia (1976), Rei Davi e Lua de mel assombrada. Por Felipe Brida

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cine Lançamento



O ditador

General Aladeen (Sacha Baron Cohen), um temível ditador africano, comando o país a ferro e fogo, não permitindo a democracia. Lá, na República de Wadiya, organiza anualmente seus próprios Jogos Olímpicos, manda assassinar rebeldes sem qualquer piedade e ergue infinitas estátuas para homenagear a si mesmo. Quando a comunidade internacional suspeita de que ele esteja construindo armas nucleares, Aladeen viaja aos Estados Unidos para prestar esclarecimentos à ONU. Em solo americano, o déspota megalomaníaco envolve-se em confusões de proporções calamitosas.

O ator e roteirista Sacha Baron Cohen e o diretor Larry Charles, dois doidos de carteirinha assinada, firmaram uma parceira duradoura que vem desde “Borat” e “Bruno”. Especializaram-se em um humor agressivo, politicamente incorreto, grosseiro, de ataque a políticos e ao sistema, com fundo crítico e contínuo deboche. Ambos os filmes eram concebidos numa espécie de falso documentário: Cohen dava vida real a personagens bizarros, e embaixo da pele do apresentador Borat e do estilista gay Bruno, fazia entrevistas com personalidades americanas, estudiosos, artistas, e circulando pelas ruas pregava peças nas pessoas, no estilo “câmera escondida”. O resultado: comédias ultrajantes, que expunha o público a situações pitorescas e embaraçosas, tudo para provocar gargalhadas no espectador (“Borat” é criativo e pouco menos vulgar que “Bruno”, mas não foge à regra das piadas abusivas).
Explico o passado cinematográfico de Sacha Baron Cohen e de Larry Charles para termos uma noção básica do teor de “O ditador”. Os produtores optaram por uma obra puramente ficcional, não mais com o estilo de falso documentário, sem provocar transeuntes nas ruas e, pasmem, sem a agressividade e a escatologia dos anteriores.
“O ditador” segue a fórmula convencional das narrativas hollywoodianas, que pode ser aproveitado como um entretenimento acima da média, ainda que para poucos. Cohen, com uma barba postiça caricata, interpreta um general inescrupuloso, que governa um país fictício, Wadiya, no Norte da África. Rasga as leis, pisa na democracia, administra o lugar de maneira absurda, cheio de ostentação. Investigado por uma suposta construção de armas nucleares, segue para os EUA, para dar seu depoimento frente à ONU. Pela frente encontrará uma série de problemas: perde-se dos oficiais africanos que o acompanham, passa fome nas ruas, cai pelas esquinas como um indigente, porém nunca perde a pose de governante austero.
A comédia, inspirada na vida de Saddam Hussein (como os produtores fizeram questão de divulgar), mostra a trajetória descabida de um homem com poder infinito nas mãos e sua “virtude”, a de cometer atrocidades sociais – que simboliza a égide de tantas autoridades que governaram seus países com os exageros mostrados (Reza Pahlevi, Komeini, Fulgêncio Batista, Amin Dada, Baby Doc e Papa Doc, Sesse Seko etc).
O filme traz as participações de Ben Kingsley (num dos poucos momentos cômicos da carreira) e da humorista sumida Anna Faris.
Não teve bilheteria agradável nem ponto positivo da crítica americana. No Brasil também ficou poucos dias em cartaz devido ao desprestígio por parte do público. Assim como em “Borat” e “Bruno”, “O ditador” segue a linha de “Ame-o ou deixe-o”. Quer fazer o teste? Por Felipe Brida

O ditador (The dictator). EUA, 2012, 83 min. Comédia. Dirigido por Larry Charles. Distribuição: Paramount

domingo, 3 de fevereiro de 2013

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ParaNorman

O garoto Norman (voz de Kodi Smit-McPhee) é apaixonado por filmes de terror. Assim como a avó, costuma conversar com fantasmas. Certo dia, seu tio revela a ele sobre a antiga maldição de uma bruxa, que pode ressuscitar os mortos da cidade. Assustado, Norman recorre ao fiel amigo Neil (voz de Tucker Albrizzi) para confidenciar o segredo. Poucas horas depois, a terra começa a tremer, e das tumbas os zumbis saem à procura dos vivos.

Indicado ao Oscar de melhor animação esse ano, “ParaNorman” é o novo trabalho excepcional da produtora independente Laika, responsável por duas outras produções de desenhos sombrios, “Coraline e o mundo secreto” e “A nova cadáver”, que fizeram sucesso e também nomeados ao prêmio da Academia.
De dez anos para cá, um número considerável de animações procura atingir outro público, os adultos, com teor dark, não apropriadas às crianças. “ParaNorman” resgata um estilo antigo de fazer cinema, o “terrir” (o terror com comédia), trazendo para as telas figuras grotescas, mortos-vivos verdes de podre, sequências de sangue coagulado e cérebros espalhados pelo assoalho, além de bruxas medonhas. Seres monstruosos que infernizam a cidade de Norman, uma maldição secular que agora vem à tona, e que só o garoto tem o poder de mandar as criaturas de volta ao lugar de origem.
Um conto moderno de horror, que brinca com as fitas de zumbi, misturando comédia e aventura, com direito a perseguições infernais e muito barulho.
Já é criativo desde o título bem planejado, uma menção ao dom do menino Norman, paranormal, uma herança da avó falecida, que também via fantasmas e conversava com eles.
Chris Butler, em parceria com Sam Fell, estreia como diretor. Ele adquirira conhecimentos na área quando trabalhou como assistente de arte em “A noiva cadáver” e “Coraline e o mundo secreto”. Seu “ParaNorman” teve orçamento caro, de U$ 60 milhões, devido à técnica de computação gráfica precedida por stop-motion (foram confeccionados milhares de bonecos, fotografados quadro-a-quadro, um por um, e depois arranjados nos cenários via computador). Ou seja, um trabalho minucioso, rico em detalhes. Por fim, atores consagrados emprestam a voz para os personagens, dentre eles John Goodman, Anna Kendrick, Casey Affleck e Bernard Hill.
Pegue carona nessa diversão incrível, uma homenagem ao cinema de terror, apropriada a jovens e adultos. Por Felipe Brida

ParaNorman (Idem). EUA, 2012, 92 min. Animação. Dirigido por Chris Butler/Sam Fell. Distribuição: Universal

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cine Lançamento



Tropicália

Documentário sobre o movimento tropicalista (1967-1968), que alcançou a música, o teatro, o cinemas e as artes plásticas no Brasil, influenciado pelo Antropofagismo, pela cultura pop e pelo Concretismo.

Com roteiro didático e direção precisa do cineasta araraquarense Marcelo Machado, “Tropicália” pode ser classificado como um importante estudo sobre o movimento que inovou a cultura brasileira do fim dos anos 60. Um documentário criativo, que acompanha o difícil percurso de jovens artistas idealistas, barrados pelo Regime Militar por lançarem novas formas de pensar e conceber uma arte despojada, crítica, caótica, considerada hermética por parte do público e “subversiva” pela censura. Alguns, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, até foram exilados.
Influenciou a música, o cinema e as artes plásticas, mas teve o teatro como mola propulsora do movimento, a partir da primeira encenação do espetáculo “O rei da vela”, em 1967, comandada pelo revolucionário José Celso Martinez Correa e seu teatro Oficina, que ressuscitou a peça original de Oswald de Andrade, um dos pais do Modernismo. Paralelamente acontecia o Festival de Música Popular Brasileira, promovida pela TV Record, que ajudou a amarrar os futuros tropicalistas. Tudo isto está no filme “Tropicália”, que de maneira explicativa, para leigos mesmo (quem tiver referências do Tropicalismo melhor), documenta passo a passo esse momento da história cultural do nosso país.
A estrutura da narrativa faz um jogo curioso: começa com a narração dos criadores do Tropicalismo, acompanhada apenas de imagens de arquivo e vídeos antigos, e termina com todos eles aparecendo no tempo atual, em depoimentos recentes, como os músicos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Rogério Duarte e os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista (ex-Mutantes).
E ao longo do documentário, uma série de personalidades já falecidas enriquece a obra com suas aparições emblemáticas, como Nara Leão, Hélio Oiticica, Torquato Neto, Rogério Duprat e Glauber Rocha, misturada por trechos de produções cinematográficas rodadas na época, dentre elas “Terra em Transe”, “Câncer”, “O demiurgo”, “Opinião pública”, “Os herdeiros”, “Hitler III Mundo”, “As amorosas”, “O desafio”, “O bandido da luz vermelha”, “Ver e ouvir”, “Meteorango Kid” e “Nosferatu do Brasil”, além de cenas dos festivais de música da Record.
Os que viveram a época sairão com um semblante saudosista; já as novas gerações, eis aqui uma oportunidade e tanto para conhecer o movimento tropicalista. Merece ser visto e prestigiado esse trabalho de mestre de Marcelo Machado, companheiro de faculdade e depois de trabalho do cineasta Fernando Meirelles, que produziu o documentário.
Observação: “Tropicália” saiu na mesma época de outro documentário sobre o movimento tropicalista. Este segundo, intitulado “Futuro do pretérito: Tropicalismo now!”, de Ninho Moraes, foi exibido em mostras e festivais, e ainda não saiu no mercado brasileiro. Por Felipe Brida

Tropicália (Idem). Brasil/EUA/Inglaterra, 2012, 88 min. Documentário. Dirigido por Marcelo Machado. Distribuição: Imagem Filmes

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