segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Morre o diretor francês Eric Rohmer


O cineasta e roteirista francês Eric Rohmer morreu hoje aos 89 anos em Paris, onde vivia. Pioneiro da Nouvelle Vague e editor da famosa revista “Cahiers du Cinéma” nas décadas de 50 e 60, o diretor foi indicado ao Oscar de melhor roteiro por “Minha noite com ela” (1969).
Nascido em Nancy (Lorraine/França), no dia 4 de abril de 1920, Rohmer era professor de literatura. No cinema dirigiu cerca de 50 filmes, dentre eles “O signo do leão” (1959), “A colecionadora” (1967), “O joelho de Claire” (1970), “Amor à tarde” (1972), “A marquesa D’O” (1976 – ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes), “A mulher do aviador” (1981), “Um casamento perfeito” (1982), “Noites de lua cheia” (1984), “O raio verde” (1986), “O amigo da minha amiga” (1987), “As quatro aventuras de Reinette e Mirabelle” (1987) e “A árvore, o prefeito e a mediateca” (1993).
Em 1963 assinou a direção do média-metragem “A carreira de Suzanne” e também do curta “A padeira do bairro”.
Entre 1990 e 1998 dirigiu os notórios “contos das quatro estações” – “Contos da primavera”, ”Contos de inverno”, “Contos de outono” e “Contos de verão”.
Além de roteirista e diretor, costumava aparecer como figurante em suas produções.
Ao longo da carreira de 50 anos dedicados ao cinema, venceu importantes prêmios em festivais, como Veneza e Berlim. Por Felipe Brida

Viva Nostalgia!

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Iwo Jima – O portal da glória

O sargento John Stryker (John Wayne) coordena um pelotão de fuzileiros novatos para combater na batalha de Iwo Jima, durante a Segunda Guerra Mundial. Com a missão de transformar os jovens em máquinas de guerra, terá de treiná-los dia e noite, fazendo-os vencerem o medo da guerra.

Quatro anos depois da famosa batalha de Iwo Jima, travada entre os EUA e o Japão durante a Guerra do Pacífico, um dos episódios mais sangrentos da Segunda Guerra, os produtores da antiga Republic Pictures rodaram esse projeto sobre heroísmo e bravura, hoje um tanto quanto ingênuo e cheio de patriotismo, aonde se enaltece a figura dos combatentes norte-americanos. Outras versões hollywoodianas do mesmo fato vieram, e até Clint Eastwood filmou com mais intensidade o fotogênico “Cartas de Iwo Jima” (2006).
John Wayne, ícone do western, recebeu aqui sua primeira indicação ao Oscar, e só ganharia a estatueta 20 anos depois em “Bravura indômita”, no final da carreira.
Além de relembrar um fato histórico preciso, “Iwo Jima” também retrata a preparação para a guerra, a angústia dos soldados frente aos campos de batalha e os cruéis treinamentos a que eram submetidos. No desfecho tem a famosa cena dos fuzileiros fincando a bandeira dos EUA no Monte Suribachi, um vulcão adormecido e o ponto mais alto da ilha de Iwo Jima, após os EUA terem vencido o controle daquela região.
Além de Wayne como melhor ator, o filme foi indicado a outros três prêmios da Academia: montagem, som e roteiro. Sai na coleção “Clássicos Paramount”, que a distribuidora vem lançando desde novembro do ano passado. Por Felipe Brida

Título original: Sands of Iwo Jima
País/Ano: EUA, 1949
Elenco: John Wayne, John Agar, Richard Jaeckel, Adele Mara.
Direção: Allan Dwan
Gênero: Guerra/Drama
Duração: 109 min
Distribuidora: Paramount Pictures

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cine Lançamento


Tempos de paz


Em abril de 1945, chega ao Brasil em um navio de imigrantes de descendência judia um ator polonês chamado Clausewitz (Dan Stulbach). Ele vem foragido da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ao desembarcar na capital do Rio de Janeiro, passa por um longo interrogatório, frente a frente com o chefe da alfândega Segismundo (Tony Ramos), insensato ex-agente da polícia de Getúlio Vargas. Entre os dois homens de natureza oposta nascerão sentimentos de amor e ódio.

Adaptação para o cinema da peça "Novas diretrizes para tempos de paz", do dramaturgo paulista Bosco Brasil, com os mesmos atores centrais e em interpretações marcantes – Tony Ramos e Dan Stulbach (o Tom Hanks brasileiro). O conjunto dos elementos da obra surpreende pela harmonia do resultado: o roteiro minuciosamente trabalhado, a bonita fotografia de época e os diálogos de impacto fazem de “Tempos de paz” uma das melhores produções da safra nacional dos últimos anos.
Mais do que a dualidade bem e mal, o filme é sobre a essência da alma do artista. Nos palcos, o ator tem o poder de transformar o ambiente que o cerca, fazendo seu público extravasar sentimentos dos mais variados, desde a risada de prazer ao choro de tristeza.
Excelente no papel do ator foragido, Dan Stulbach fala com forte sotaque (ele é realmente descendente de polonês, e sua mãe, Ewa, que lembra a falecida atriz Estelita Bell, faz uma participação especial), e Tony Ramos, com frieza de assustar, travam um embate com diálogos primorosos, em sequências de puro enquadramento teatral.
"A vida é um sonho", texto do poeta espanhol Calderón de La Barca, conduz a trama, aparecendo nas declamações de Stulbach e ainda emergindo da essência dos personagens.
Nos créditos finais, há uma singela homenagem a personalidades que, saindo da Europa por causa da Segunda Guerra, radicaram-se no Brasil e fizeram história no país.
O diretor Daniel Filho, que também atua como um médico que teve a mão decepada durante a repressão no governo de Vargas, é merecedor de aplausos por mais uma rica colaboração ao cinema nacional. Não perca esse filme comovente. Já está na minha lista dos 10 melhores de 2009! Por Felipe Brida

Título original: Tempos de paz
País/Ano: Brasil, 2009
Elenco: Tony Ramos, Dan Stulbach, Louise Cardoso, Aílton Graça, Anselmo Vasconcellos, Ewa Stulbach
Direção: Daniel Filho
Gênero: Drama
Duração: 80 min
Distribuidora: Europa Filmes

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Viva Nostalgia!

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O dólar furado

Com o término da Guerra Civil Americana, o ex-soldado Gary O’Hara (Giuliano Gemma) parte com a esposa em busca de um novo povoado para morar. Ao se instalar em um território desconhecido, é procurado por pistoleiros, que oferecem a ele a proposta de prender um perigoso bandido, sem saber que este é seu irmão desaparecido.

Dos faroestes produzidos na Itália nos anos 60, apelidados de “western spaghetti”, este é o mais conhecido e também o menos violento, inúmeras vezes reprisados em canais de TV aberta. Imortalizou o ator Giuliano Gemma, que depois se destacaria com a cinessérie “Ringo”.
A famosa trilha da introdução, composta por Gianni Ferrio, abre o filme com uma rápida animação com desenhos de saloons, cavalos, pistolas voando e bandidos mascarados.
Um clássico do seu tempo, “O dólar furado” veio nos primeiros anos da popularização dos faroestes italianos, cujo representante de maior expressão, o cineasta Sergio Leone, logo alcançaria notoriedade com sua trilogia do oeste, estreladas por Clint Eastwood.
Apesar do roteiro truncado e cheio de reviravoltas batidas que o gênero impunha, o filme é um gostoso entretenimento, que trará lembranças aos mais nostálgicos.
Apenas se atente às cópias que estão no mercado. Como o filme caiu em domínio público, há muitos DVDs lançados por distribuidoras duvidosas, trazendo má qualidade de som e imagem. A melhor delas é a recém-lançada pela Top Tape/Paris Filmes.
Uma curiosidade: na época dos faroestes italianos, os artistas mudavam o nome artístico para o inglês - Gemma se auto-apelidou de Montgomery Wood, e o falecido diretor Giorgio Ferroni assina sob o charmoso nome de Calvin J. Badget. Por Felipe Brida

Título original: Un dollaro bucato
País/Ano: Itália/França, 1965
Elenco: Giuliano Gemma, Ida Galli, Pierre Cressoy, Giuseppe Addobbati.
Direção: Calvin J. Badget
Gênero: Faroeste
Duração: 96 min
Distribuidora: Top Tape/Paris Filmes/ LK-Tel

sábado, 2 de janeiro de 2010

Cine Lançamento

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Coração vagabundo

Documentário intimista sobre Caetano Veloso, gravado entre 2004 e 2005, durante o tour musical “A foreign sound”, em Nova York, Tóquio e Kyoto. Caminhando pelas ruas das metrópoles estrangeiras, jantando com amigos e se preparando para entrar no palco, o cantor baiano, então com 63 anos, comenta sua trajetória no mundo musical e se propõe a analisar suas composições e também as músicas dos outros.
Aguardado pelos fãs brasileiros, o documentário “Coração vagabundo” chega às locadores em edição dupla, acompanhado pelo discreto “Pocket Show Acústico” gravado no restaurante Baretto, em São Paulo. Nesse excelente projeto audiovisual, o cineasta Fernando Grostein Andrade capta, com a câmera apoiada nos ombros, cenas dos shows durante a turnê, além de seguir a vagarosa rotina do cantor e compositor brasileiro.Caetano é espontâneo: fala o que vêm à mente, desfere críticas a personalidades da música, faz comentários esdrúxulos sobre a vida que leva, filosofa, solta besteiras, abraça árvores, caetaneia.Musicalmente o documentário tem produção caprichada, com bonitas locações em Tóquio e Nova York.Depoimentos de amigos de longa data exibem quem é o verdadeiro Veloso, como Pedro Almodóvar, David Byrne e uma aparição derradeira de Michelangelo Antonioni, o grande cineasta italiano, o “poeta do tédio”, já sem voz e debilitado – morreria pouco tempo depois.Um belo trabalho de cinema e música, que não recorre ao típico formato biográfico, e sim um breve perfil do artista com a pessoalidade revisitada por ele mesmo. Por Felipe Brida

Título original: Coração vagabundo
País/Ano: Brasil, 2008
Direção: Fernando Grostein Andrade
Gênero: Documentário
Duração: 71 min
Distribuidora: Paramount Pictures

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cine Lançamento


O contador de histórias

Baseado em fatos reais, o filme acompanha a trajetória de Roberto Carlos Ramos, hoje pedagogo e um dos mais renomados contadores de histórias do Brasil, de fama internacional. Nascido em uma favela em Belo Horizonte, passou a infância na Febem, local onde conheceu a educadora e pedagoga francesa Margherit Duvas (Maria de Medeiros), alicerce fundamental para a construção de seu repertório e conhecimento.

Um belíssimo drama brasileiro ligado a causas humanas, que até recebeu o selo da Unesco. A grande atriz portuguesa Maria de Medeiros, que viveu na França por muitos anos, encaixa-se sublimemente no papel – ela está ótima, domina as cenas com sua personagem sensível e amorosa. Como a pedagoga que “adota” o pequeno marginal, faz das tripas coração para que o menino se torne sociável, já que o aterrador ambiente onde foi criado não trouxe futuro digno para seu crescimento pessoal. Ela descobre o potencial escondido no rapaz e o inicia às práticas de leitura e ao contato com a boa literatura. Com todo esse arranjo perfeito entre roteiro (de José Roberto Torero), atuação, ritmo e sensibilidade, o filme tem estrutura suficiente para ser apontado como um dos destaques imperdíveis do ano.
Mesmo com poucos projetos rodados, o diretor Luiz Villaça demonstra ser fera no assunto - antes havia filmado o engraçadinho “Cristina quer casar” (2003), agradável, mas pouco memorável.
Confira “O contador de histórias”, um bom drama cuja vida dos personagens centrais trará emoções compreensíveis ao público. Por Felipe Brida

Título original: O contador de histórias
País/Ano: Brasil, 2009
Elenco: Maria de Medeiros, Marco Antônio, Cleiton dos Santos da Silva, Paulo Henrique, Ju Colombo, Victor Fasano, Chico Diaz.
Direção: Luiz Villaça
Gênero: Drama
Duração: 100 min
Distribuidora: Warner Home Video

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Viva Nostalgia!

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Adorável avarento

Ebenezer Scrooge (Albert Finney) é um senhor rabugento que vive de mau humor e trabalha em um escritório em Londres, na primeira metade do século XIX. Odeia as festividades do Natal, só reclama da vida e despreza as pessoas que o cercam. Na véspera do Natal, sua vida começa a tomar novos rumos quando recebe a visita de três fantasmas – o do passado, o do presente e o do futuro. Será que Scrooge ainda tem chance de se tornar um homem de coração bom?

Musical de excelente qualidade visual, “Adorável avarento” é uma das melhores adaptações de “O conto de Natal”, de Charles Dickens, considerado um clássico natalino, talvez o mais famoso de todos os tempos, que inclusive já foi transformado em inúmeros filmes, musicais, espetáculo teatrais e séries de TV.
As lições de moral inseridas na história tratam sobre harmonia entre os homens, procura pela paz interior, ou seja, aqueles velhos temas de clima natalino, que, mesmo saturados, tornam a perspectiva do final de ano reflexiva.
Fita de primeira, com Albert Finney no papel de Scrooge, o velho que detesta o natal, e ainda com a participação especial de grandes nomes do cinema inglês, dentre eles Sir Alec Guiness (como o assombroso espírito das correntes) e Edith Evans, como o fantasma do passado.
Recebeu quatro indicações ao Oscar – direção de arte, figurino, trilha sonora e canção (“Thank you very much”). Disponível em DVD pela Paramount Pictures. Por Felipe Brida

Título original: Scrooge
País/Ano: Inglaterra, 1970
Elenco: Albert Finney, Kenneth More, Alec Guiness, Edith Evans, Laurence Naismith, Roy Kinnear, Kay Walsh.
Direção: Ronald Neame
Gênero: Musical
Duração: 113 min
Distribuidora: Paramount Pictures

Especial de Cinema

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