Belíssimo trabalho intimista dirigido pelo veterano Yôjirô Takita, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro esse ano. Sensível, com trilha sonora profundamente tocante, essa pequena obra de arte intercala momentos cômicos (já que o tema mórbido necessita ser suavizado para não causar incômodo ao público) e dramáticos, que com certeza levará as pessoas às lágrimas.
Frente às lentes da câmera estão o aprendiz (o músico, interpretado por Masahiro Motoki) e seu mestre, um senhor que já trabalha na funerária há décadas (o ótimo veterano Tsutomu Yamazaki). Ambos são responsáveis pela passagem dos falecidos para a outra vida, o que incumbe aos agentes funerários enorme responsabilidade.
A preparação dos mortos carrega um ritual mágico, repleto de sutileza, num verdadeiro trabalho artesanal, que vai desde a troca das vestimentas até a limpeza e a colocação de maquilagem. E o filme explora esse campo, sem ser piegas.
Um dos melhores filmes do ano, “A partida” é uma poesia radiante, que deve ser vista, revista e, acima de tudo, sentida. Por Felipe Brida






