sábado, 22 de agosto de 2009

Cine Lançamento


Valsa com Bashir

Atormentado pelas lembranças da Guerra do Líbano, Ari Folman, ex-combatente israelense, sai numa jornada à procura dos antigos companheiros de guerra. Em crise de existência, Folman passa a dividir com os ex-soldados um misterioso sonho envolvendo cães ferozes e confrontos sangrentos.

De temática séria e sem concessões, a premiada animação israelense “Valsa com Bashir” é um complexo painel sobre os tormentos causados pela Guerra do Líbanos, no início dos anos 80. Todo falado em hebraico, projeta na tela curiosidades e experiências pessoais vividas pelo diretor Ari Folman, que serviu o Exército de Israel aos 19 anos em 1982 e presenciou todo o massacre nos campos de Sabra e Shatila, aonde milhares de refugiados libaneses foram fuzilados pela milícia maronita. Tal episódio aparece em pormenores na animação, inclusive com imagens fotográficas no desfecho, chocante por sinal.
Ele mesmo, o diretor (o desenho dele), entrevista amigos veteranos da mesma guerra, criando assim uma extensa análise psicológica do confronto armado, ampliada pela narrativa particular aonde toma vida o desenho com traços grafitais, de cor amarela forte. Diante dessas referências, resta ao filme uma bem retratada moral anti-guerra.
Relativamente barato (custou um milhão de dólares), a animação biográfica representou Israel no Oscar de melhor filme estrangeiro esse ano (perdeu para o japonês “A partilha”). Ainda venceu o Globo de Ouro e o César (o “Oscar francês) na mesma categoria. Uma pequena obra-prima para assistir com olhar crítico. Por Felipe Brida

Título original: Vals im Bashir
País/Ano: Israel/ França/ Alemanha, 2008
Elenco: Ari Folman e outros ex-combatentes da Guerra do Líbano.
Direção: Ari Folman
Gênero: Animação/Documentário
Duração: 90 min.
Lançamento: Segunda quinzena de julho
Distribuidora: Sony Pictures
Site oficial: http://waltzwithbashir.com/

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Cine Lançamento


Lançamentos em DVD

Felipe Brida


Um ato de liberdade

1941, Segunda Guerra Mundial. Grupo de refugiados judeus se une a três irmãos foragidos de um campo de concentração nazista e, isolados em uma floresta, armam planos para conter o avanço alemão.
Drama e aventura realçam essa história real de coragem, narrada com muito patriotismo. Na verdade, o filme não é grande coisa. O roteiro é super convencional, traz um elenco competente, rápidas sequências de conflito e algumas de bravura (como a execução, a pauladas, de um soldado nazista). O lance é que podemos conhecer um outro lado dos judeus na Segunda Guerra – desmitificando a ideia de meros coitados mortos em câmara de gás e aprisionados nos campos de concentração. Aqui, inclusive mulheres, pegam em armas e partem para atacar o inimigo.
Recebeu indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor trilha sonora (para James Newton Howard). É válido conhecer.


Simplesmente feliz

Poppy (Sally Hawkins) é uma professora primária que vive feliz, sempre sorridente e enxergando o lado positivo da vida. Quando entra na auto-escola, orientada por um professor durão, sente a necessidade de mudar o comportamento. Será que Sally conseguirá transformar sua personalidade?

Indicado ao Oscar de melhor roteiro original esse ano, “Simplesmente feliz” é uma comédia dramática super agradável, de fina sutileza e com momentos engraçados. A personagem central, uma moleca irresponsável e sempre de bem com a vida, conduz o espectador a um mundo alheio à preocupação, nutrido de puro êxtase existencial (o que está longe da realidade). A atriz – a ótima Sally Hawkins, que, por esse papel, foi premiada com o Globo de Ouro de atriz e ainda com o Urso de prata no Festival de Berlim, irradia felicidade e nos contagia.
Na direção, um dos meus cineastas preferidos, Mike Leigh, que foge dos dramas amargos e faz aqui um singelo filme, mais aconselhado para o público feminino. Assista.


Coração de tinta – O livro mágico

Apaixonada por histórias infantis e contos-de-fadas, a garota Meggie (Eliza Bennett) estimula o pai, Mo Folchart (Brendan Fraser), à literatura. Certo dia, em um sebo, Mo ouve vozes vindas do assustador livro “Coração de tinta”; sem querer, acaba trazendo ao mundo real os personagens daquela misteriosa obra literária, como criaturas com chifres, unicórnios e bandidos malvados. Meggie enfrentará uma série de perigos pela frente para salvar os amigos e a própria mãe, aprisionada anos antes dentro daquele livro.

Filme passageiro, um típico filme-pipoca de Sessão da Tarde, porém com boa direção de arte e efeitos digitais convincentes. Magia e fantasia com muitas criaturas estranhas e outras assustadoras invadem a tela nesse conto-de-fada com cara de “histórias de fim de ano”. A ideia de materializar personagens que saem dos livros não é nova, no entanto essa aventura infanto-juvenil garante boas doses de diversão. Os bandidos que perseguem a garotinha tem um visual estranho, uma espécie de punks doidos com narizes achatados do mundo de 'Dick Tracy', além de um unicórnio que chama a atenção. Até Brendan Fraser, que não engulo nem à força e está numa péssima fase da carreira, está contido, sem fazer micagens e cara de bobo como é de costume. Paul Bettany, Helen Mirren, Jim Broadbent e Jennifer Connelly aparecem em participações coadjuvantes. O diretor é um inglês que admiro há tempos e já vi tudo dele, Iain Softley, de 'Backbeat - Os 5 rapazes de Liverpool', 'Hackers - Piratas de computador', 'Asas do amor', 'K-Pax - O caminho da luz' e 'A chave mestra'. Baseado no livro da alemã Cornelia Funke, publicado em 2003. Recomendado para toda a família - disponível em DVD pela Playarte.


(*) Coluna "Cinema em Foco", publicada sempre às sextas-feiras no jornal "O Regional", e também divulgada no programa de mesmo nome na rádio Bandeirantes, de Catanduva. Data: 14/08/2009

sábado, 8 de agosto de 2009

Cine Lançamento


Lançamentos em DVD (*)

Felipe Brida

Gran Torino

Veterano da Guerra da Coréia, Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um homem preconceituoso e bastante arrogante. Após a morte da esposa, passa a viver sozinho em um bairro onde moram imigrantes hmong (grupo étnico de Laos e Cambodja), os quais ele despreza. Porém sua vida muda quando impede com que uma gangue roube seu precioso carro, um Gran Torino.
Em seu mais novo filme, Clint Eastwood retoma o perfil do personagem durão que o consagrou na cinessérie Dirty Harry nos anos 70 – por isso, a figura central, antipática por natureza, poderá irritar aqueles que não conhecem o jeitão do ator. De poucas palavras, Kowalski vira o herói do bairro já que, num ato rápido, consegue pôr em cheque a ação de uma gangue hmong que toma conta das ruas da cidade. A partir daí a história dá uma guinada tremenda, tornando-se sensível e mais confortável.
É um bom Eastwood em fase de renovação. Tem um roteiro frio que trata o tema do preconceito racial sem cair em absurdos de patriotismo.
O filme fez carreira lá fora, recebeu indicação ao Globo de Ouro de melhor canção original (“Gran Torino”, cantada por Clint nos créditos finais) e, vai entender a injustiça, não entrou para os finalistas do Oscar. Vale conhecer.


Salvador

História real baseada na vida do militante espanhol Salvador Puig Antich (Daniel Brühl). Anarquista, o jovem espanhol praticava assaltos a bancos a fim de arrecadar fundos para o grupo guerrilheiro que integrava, "Movimento Ibérico de Liberação". Sua execução, em 1974, pelo método de garrote, levantou uma série de polêmicas na política da Espanha, dentre elas o fim da ditadura de Franco.
Superficial, porém bem produzido, esse drama biográfico de pouca repercussão no Brasil esteve na Seleção Oficial do Festival de Cannes em 2007 e ainda ganhou mais de 15 prêmios em inúmeros festivais de cinema. A importância da vida do militante político e dos temas retratados (abuso de poder, violência e guerrilha urbana) merecia um projeto mais audacioso, com garra. Até porque a execução do jovem foi a última por método de garrote na Espanha (e tal informação fica só nas entrelinhas). Apesar do resultado pequeno, a fita é sincera e universal. Rodado em 2006, chega em DVD no Brasil pela Europa Filmes.


Evocando espíritos


Diagnosticado com câncer, Matt (Kyle Gallner) muda-se de casa com a família, para ficar mais próximo da clínica onde receberá tratamento. Após estranhas visões, descobre que a residência onde está morando abrigava sessões espíritas e salas onde eram feitas mumificações. Enquanto a mãe, Sara (Virginia Madsen), passa a vigiar o rapaz desconfiando de seu comportamento, o jovem será perseguido por fantasmas em busca de vingança.
Baseada em fatos verídicos, essa fita de terror sobre casa mal-assombrada aborda um assunto já esgotado no cinema norte-americano. A história causa estranhamento, os sustos são previsíveis e o resultado fica a dever. Para quem conhece Espiritismo, o filme pode ter alguns fundamentos, mesmo que por ora seja terror comercial, ou seja, exagerado. Filme de rotina, não espere muito.

(*) Coluna "Cinema em Foco", publicada sempre às sextas-feiras no jornal "O Regional", e também divulgada no programa de mesmo nome na rádio Bandeirantes, de Catanduva. Data: 08/08/2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Morre o diretor de cinema John Hughes, aos 59 anos


O diretor e roteirista de cinema John Hughes, 59 anos, morreu na manhã de hoje em Manhattan, Nova York. Ele sofreu um ataque cardíaco enquanto fazia caminhada.
Nascido em Lansing, Michigan, em 18 de fevereiro de 1950, Hughes dirigiu apenas oito filmes ao longo da carreira, entre 1984 e 1991. Especializado em comédias teens, seu maior sucesso de público deu-se em “Curtindo a vida adoidado” (1986). Os outros trabalhos como diretor foram “Gatinhas & gatões” (1984), “O clube dos cinco” (1985), “Mulher nota 1000” (1985), “Antes só do que mal acompanhado” (1987), “Ela vai ter um bebê” (1988), “Quem vê cara não vê coração” (1989) e “A malandrinha” (1991).
Como produtor assinou mais de 30 filmes. Hughes deixa esposa e filhos. Por Felipe Brida

domingo, 2 de agosto de 2009

Cine Lançamento


Frost/Nixon *


Felipe Brida


Três anos após renunciar ao cargo de presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon resolver abrir o jogo e explicar o que realmente desencadeou o escândalo Watergate. Frente a frente nas câmeras com o apresentador David Frost, o ex-presidente ingressa em um desafio de perguntas e respostas que se tornou uma das maiores entrevistas da TV norte-americana e inglesa, repercutida no mundo inteiro.
Indicado a cinco Oscars – melhor filme, diretor, ator (Frank Langella), roteiro adaptado e edição, “Frost/Nixon” retrata com fidelidade o real embate entre o apresentador Frost e o ex-presidente dos Estados Unidos, exibido em redes de TV em todo o mundo em 1977. Baseado na peça teatral homônima, que contava inclusive com os dois atores centrais (apesar de não ter o mesmo semblante de Nixon, Langella incorpora com exatidão o personagem, com direito a tiques e expressões faciais idênticas), o drama não exagera em discussões políticas e pode ser visto até como didático, que serve para entender um momento turbulento registrado na história política da maior potência do mundo. Ao mesmo tempo em que foca as artimanhas do presidente em preservar sua imagem diante do escândalo, mostra as facetas do entrevistador em busca da verdade. Um bom filme para assistir e discutir.


O casamento de Rachel

Internada em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, a jovem Kym (Anne Hathaway) é liberada em um final de semana para participar do casamento da irmã, Rachel (Rosemarie DeWitt), com quem mantém um relacionamento de intensos conflitos. Em meio às festividades, passará por momentos difíceis para restabelecer os laços familiares.
Dirigido por Jonathan Demme (ganhador do Oscar pelo prestigiado suspense “O silêncio dos inocentes”), esse drama amargo trata da ressocialização dos dependentes químicos, o preconceito em torno daquela pessoa que procurar levar uma nova vida, e ainda as dúvidas que fazem com que o individuo seja sempre visto como um estranho. Conduzido com bastante seriedade, o filme estrutura-se sob um assunto pesado, sem concessões ou meio-termo. Anne Hathaway (a mesma de “O diário da princesa” e “O diabo veste Prada”) interpreta com competência o difícil papel da jovem Kym; ela está correta e bem humana em uma atuação que lhe rendeu indicação ao Oscar de atriz e ao Globo de Ouro esse ano.


Seriados

Aos fãs de seriados antigos, aqui vão as dicas da semana.
Chega em DVD a segunda temporada completa de “Os intocáveis” (1960-1961), que traz as aventuras do agente Elliot Ness durante a Lei Seca; tem a sexta temporada da clássica série policial sobre espionagem “Missão: Impossível” (1971-1972); e ainda casos médicos surpreendentes na 11ª temporada de “ER – Plantão Médico” (2004-2005). E sai também, tanto para locação quanto para venda, a quarta e penúltima temporada das atrapalhadas do super espião Maxwell Smart em “Agente 86” (1968 - foto).

* Coluna "Cinema em Foco", publicada sempre às sextas-feiras no jornal "O Regional", e também divulgada no programa de mesmo nome na rádio Bandeirantes, de Catanduva. Data: 31/07/2009

domingo, 26 de julho de 2009

Morre o ator Sérgio Viotti aos 82 anos

.
O ator brasileiro Sérgio Viotti morreu na manhã de hoje aos 82 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Ele estava internado desde o dia 19 desse mês no Hospital Samaritano, em São Paulo.
Paulistano nascido no dia 14 de março de 1927, Viotti teve extensa carreira como ator (além de inúmeras peças teatrais, participou de 17 novelas, cinco minisséries e três filmes). Destacou-se também como diretor de teatro, crítico de arte e tradutor de obras literárias.
Dentre seus trabalhos mais importantes destacam-se as novelas "Dulcinéia vai à guerra" (1980), "Sinhá Moça" (1986), "Kananga do Japão" (1989), "Mico preto" (1990), "Meu bem meu mal" (1990), "Despedida de solteiro" (1992), "Olho no olho" (1993), "Irmãos Coragem" (1995), "Terra nostra" (1999) e "Suave veneno" (1999).
Esteve no elenco das minisséries "O primo Basílio" (1988), "Os maias" (2001), "A casa das sete mulheres" (2003), "Um só coração" (2004) e "JK" (2006), e no cinema participou de "Um ramo para Luíza" (1965), "22-2000 Cidade alerta" (1965) e "Sábado" (1995 - narrador). Sua última aparição na TV foi na novela da Rede Globo "Duas caras" (2007). Por Felipe Brida

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cine Lançamento


Sexta-feira 13

À procura da irmã desaparecida, o jovem Clay (Jared Padalecki) percorre, juntamente com um grupo de amigos, uma floresta em Crystal Lake, onde, há 20 anos, o psicopata Jason Vorhees cometera uma matança em um acampamento estudantil. O que Clay não imaginava era se reencontrar com o temível assassino, mais sanguinário do que nunca.

Só mesmo para os fãs menos exigentes servirá essa nova fita de terror da série “Sexta-feira 13”. Na verdade é uma espécie de refilmagem dos três primeiros filmes da franquia slasher que piorava a cada filme, porém cultuado pelos jovens nos anos 80.
O maníaco Jason Vorhees volta mais ágil, mais sanguinário, deixando como sempre rastros de sangue. Como dá pra prever, não há como fugir da violência explícita nesse repeteco de alcance para os adolescentes.
O diretor Marcus Nispel, que em 2003 trouxe uma dimensão mais profunda e moderna no remake de “O massacre da serra elétrica”, aqui faz um trabalho menos cuidadoso. A fotografia é escura, e o roteiro não tem novidade alguma – a história é uma velha conhecida. A produção preserva até aqueles finais-clichês das fitas de terror antigas, que dá brechas para prováveis continuações. Enfim, uma fita desnecessária e vazia, sem muito o que acrescentar. Dias ruins para Jason Vorhees... Por Felipe Brida

Título original: Friday the 13th
País/Ano: EUA, 2009
Elenco: Jared Padalecki, Danielle Panabaker, Amanda Righetti, Aaron Yoo, Derek Mears.
Direção: Marcus Nispel
Gênero: Terror
Duração: 97 min.
Lançamento: Segunda quinzena de julho
Distribuidora: Paramount Pictures/ UIP / Warner Bros Pictures
Site oficial: http://www.fridaythe13th-themovie.com/intl/br

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...