domingo, 3 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 3

 
Zico - O samurai de Quintino
 
Estreou anteontem nos cinemas pela Downtown Filmes o documentário que homenageia a vida e a trajetória de Arthur Antunes Coimbra, o jogador meio-campista Zico. Um filme não só para fãs do atleta, mas também para quem gosta de futebol, já que é uma viagem pelas últimas cinco décadas do esporte no país. O longa reúne vasto acervo pessoal de Zico, grande parte inéditos, incluindo registros em Super-8 (da família e amigos em momentos íntimos) e cadernos de anotações. Foi o principal jogador do Flamengo nas décadas de 1970 e 1980, e pela Seleção Brasileira, disputou três Copas do Mundo, de 1978, 1982 e 1986. O time do coração de Zico, Flamengo (que o defendeu profissionalmente por 15 anos), participou ativamente da produção do filme, cedendo material raro para a obra, que conta com uma direção competente e entusiasmada de João Wainer, diretor da minissérie “Meu Ayrton, por Adriane Galisteu” (2025). O doc parte do bairro Quintino Bocaiúva, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde Zico nasceu e cresceu, para mostrar como família e a disciplina moldaram a sua forte personalidade (demonstrada dentro e fora dos gramados). E depois de narrar a trajetória dele no Brasil, mostra a relação de Zico com o Japão, seu segundo país, onde fundou a liga japonesa de futebol, dirigiu times, foi técnico e até hoje apelidado de “deus do futebol” – o título “Samurai” remete à fase japonesa de Zico. É um filme dinâmico, bacana, com depoimentos de jogadores como Ronaldo Fenômeno e Júnior, além dos treinadores Carpegiani e Parreira, da esposa Sandra e dos filhos do homenageado. Com montagem fluida e tom intimista, o documentário celebra tanto o homem Zico quanto o craque aplaudido por várias gerações. Produzido pela Vudoo Filmes e Guará Entretenimento, é uma coprodução da Globo Filmes, SporTV, Pontos de Fuga e Investimage com patrocínio do Sicoob, da Tim e Austral, além de contar com a RioFilme como codistribuidora.



 O diabo veste Prada 2
 
Lotando as salas de cinema de todo o mundo, a continuação de “O diabo veste Prada”, 20 anos depois do original, virou um fenômeno inesperado e repentino. Assim como “Michael”, estreou muito bem nas bilheterias e logo se aclamou como um arrasa-quarteirão – no Brasil, por exemplo, as sessões andam abarrotadas de gente. Gostei do filme, é uma sequência que atualiza o original, mas prefiro o frescor do primeiro. Diretor, produtores e elenco retornam com tudo em seus icônicos personagens, em uma história que volta à crítica ao mundo da moda e da mídia, ambas em crise na era digital. A conceituada editora de moda Miranda Priestly (Meryl Streep), para driblar o colapso do jornalismo impresso, planeja formas de manter em pé a antiga revista Runway. Ela precisa urgentemente adequar o formato ao digital, já que a maior parte das revistas e jornais não sobrevivem mais no papel. O choque maior vem quando descobre que Emily Charlton (Emily Blunt), antes sua fiel assistente, ocupa hoje um cargo executivo em uma grife de luxo, ou seja, virou sua uma rival direta. Entra para abrir novos conflitos na trama a jornalista Andy Sachs (Anne Hathaway), que era estagiária de Miranda e agora procura por um novo emprego, após ser demitida; ela acaba voltando à Runway, onde terá de lidar com os estresses de Miranda, bem como com os dilemas da profissão em tempos de redes sociais e desinformação. O trio de mulheres entrega atuações formidáveis, com destaque para Emily Blunt, uma antagonista tão mesquinha quanto Miranda era no filme 1 – a atriz pode pegar indicações a prêmios no ano que vem. Stanley Tucci retorna como Nigel, o assessor de Miranda, e novos nomes aparecem, como Lucy Liu na pele de uma magnata da moda, Kenneth Branagh como o marido de Miranda, e até Lady Gaga como ela mesma, num momento glamuroso em que canta nos palcos do Fashion Week de Milão. Gostei especialmente do tratamento ao tema da crise do papel e da era digital, mostrando que em menos de 20 anos, de um filme para o outro, o mundo se transformou radicalmente (mais dinâmico e fugaz), com desgaste das grandes revistas, a explosão do marketing digital e a fragilidade das carreiras diante da velocidade da informação. E os figurinos seguem deslumbrantes, com assinatura da figurinista Molly Rogers, que demonstrava talento lá no passado com as roupas das personagens do seriado “Sex and the city”. Nos cinemas pela 20th Century Studios.

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