Tara maldita
Gentil e atuante no
trabalho, Christine (Nancy Kelly) é casada com um comandante da Marinha, Penmark
(William Hopper), com quem tem uma filha, Rhoda (Patty McCormack). A garotinha,
de apenas oito anos, tem cara de anjo, mas esconde um perfil sombrio quando
está sozinha. Egoísta e mentirosa, Rhoda também pode fazer planos diabólicos e
até matar. Até que um dia um crime horrendo ocorre na vizinhança da família
Penmark.
Ousado na época de seu
lançamento, há quase 70 anos, ‘Tara maldita’, também conhecido no Brasil por ‘A
semente maldita’, é a adaptação para as telas de um romance sombrio que se
tornou cult, ‘The bad seed’, último
livro de William March, no Brasil lançado recentemente pela Darskide com o
título de ‘Menina má’. Foi um dos primeiros filmes com criança vilã, que
esconde um perfil de assassina e sabe como ninguém mentir e fazer planos criminosos.
Ela disfarça com seu lado angelical, fala muito bem e tem lábia para ludibriar.
Sua mãe não desconfia e até a superprotege, enquanto o pai, comandante da
Marinha, é ausente devido ao trabalho. Ela encarna a maldade, o lado mais
sombrio do ser humano, capaz de matar com frieza. Certo dia, um amiguinho de
classe da menina morre de maneira misteriosa, e ela se torna suspeita – a ponto
de a mãe do garoto, uma alcoólatra, ameaçar a família da menina. A construção
do filme é de tensão constante, com um clima ameaçador e de neurose – e na
nossa mente sempre ecoa a figura perturbadora daquela criança vil. A fotografia
do filme, num preto-e-branco único, foi indicada ao Oscar – aliás, o filme teve
outras três indicações, no caso o elenco – de melhor atriz para Nancy Kelly, no
papel da mãe, a protagonista; atriz coadjuvante para Patty McCormack, a menina,
na época com 11 anos, e também coadjuvante, num papel deslumbrante, Eileen
Heckart, como a mãe do garoto morto, sempre alcoolizada.
Um estudo sobre
crianças com transtornos de personalidade e conduta, que as levam a agir com
manipulação, sem remorso e com muita frieza em suas atitudes. Direção grandiosa
de Mervyn LeRoy (1900-1987), que captura bons diálogos e cenas fechadas na casa
da família Penmark, que são verdadeiras aulas de enquadramento. Saiu há tempos
em DVD pela Classicline e recentemente no box ‘Obras-primas do terror - Vol. 22’
pela Versátil, em cópia restaurada – na caixa vem sete filmes, dentre eles ‘A
balada de Tam Lin’ (1970) e
‘Herança maldita’ (1974).
Tara maldita (The bad seed). EUA, 1956, 129 minutos.
Terror/Suspense. Preto-e-branco. Dirigido por Mervyn LeRoy. Distribuição:
Versátil Home Video (em DVD no box ‘Obras-primas do terror – vol. 22’, lançado
em 2024) e Classicline (DVD lançado em 2020)
O castelo sinistro
Mary Carter (Paulette Goddard) fica rica da noite para o dia ao herdar uma
mansão em uma ilha remota de Cuba. Ela decide viajar ao local para conhecer
melhor os aposentos, e convida para ir junto o locutor de rádio Larry Lawrence
(Bob Hope). Ao chegarem lá, descobrem que o casarão na verdade é um antigo
castelo considerado mal-assombrado.
Um dos atores mais engraçados e longevos do cinema se junta a uma das
atrizes mais charmosas e bonitas de Hollywood nesse filme de comédia com boas
doses de suspense, que representou bem o cinema dos anos 40, quando a fantasia
e o fantástico se misturavam a temáticas realistas. Estamos falando de Bob Hope
(1903-2003), que chegou aos 100 anos, tornou-se embaixador de causas humanitárias
em Hollywood, ganhou prêmios especiais pela carreira e apresentou por décadas o
Oscar, participando de mais de 100 filmes, e Paulette Goddard (1910-1990), ex-mulher
de Charles Chaplin, com quem trabalhou em ‘Tempos modernos’ (1936) e foi indicada
ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por ‘A legião branca’ (1944). Eles fazem
uma dupla que arranca risos e altas emoções em cenas que beiram o terror, como
dois cidadãos que viajam a Cuba para inspecionar um castelo mal-assombrado que
será herdado pela protagonista. Tem estereótipos típicos da época, como
fantasmas envoltos de aura luminosa, uma Cuba mística e momentos pastelão e
outros de filmes de gangsters – no meio da trama eles serão perseguidos por
mafiosos.
Tornou-se um filme notório nos Estados Unidos e apontado pelos fãs de
Bob Hope um de seus melhores filmes – eu gosto muito deste, ao lado de outro
clássico de Hope que via quando pequeno, ‘O valente treme-treme’ (1948). Adaptação
para o cinema da peça teatral da dupla Paul Dickey e Charles W. Goddard, que
escreviam peças e roteiros de mistério com humor, como um outro filme que
lembra este, ‘Morrendo de medo’ (1953 – feito pela dupla Dean Martin e Jerry
Lewis). Em DVD pela Classicline.
O castelo sinistro (The ghost breakers).
EUA, 1940, 84 minutos. Comédia. Preto-e-branco. Dirigido por George Marshall.
Distribuição: Classicline (em DVD)
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