sábado, 8 de setembro de 2012

Cine Lançamento



Minhas tardes com Margueritte

Numa cidadezinha do interior da França, o solitário Germain Chazes (Gérard Depardieu), um homem grandalhão e semi-analfabeto, é tachado de burro pelos amigos, além de ser desprezado pela família. Ele sofre traumas desde a infância, quando era humilhado pela própria mãe, e hoje, com mais de cinqüenta anos de idade, tem dificuldades em se relacionar. Certo dia, no banco de uma praça, senta-se ao lado de uma senhorinha contadora de histórias e apaixonada por livros, chamada Margueritte (Gisèle Casadesus). Nasce ali uma amizade incondicional entre dois totais desconhecidos.

Delicada fita francesa que resulta em uma ode à vida. O ponto de partida é o mesmo da chegada: a amizade entre um cinqüentão com limitações, Chazes, e a carismática Margueritte, uma idosa que passa as horas do dia relembrando o passado – muitas vezes inventado “causos”.
Traumatizado desde criança, Chazes (papel bem humano do importante ator Gérard Depardieu) perambula pelas ruas da cidade após ficar desempregado. No banco da pracinha central, conhece Margueritte, e entre os dois surge uma terna convivência marcada por lembranças de outrora e ensinamentos, que mudarão decisivamente a vida desses novos amigos. Interpreta Margueritte a veterana atriz Gisèle Casadesus, pouco conhecida dos brasileiros, mas uma mulher ativa no cinema francês – ela participou de mais de 60 produções, não aparentando seus 98 anos de idade!
O diretor é Jean Becker, filho do falecido cineasta Jacques Becker, premiado por “Conversas com meu jardineiro” (2007). Ele rodou “Minhas tardes com Margueritte” aos 77 anos de idade, demonstrando enorme disposição nesse seu mais recente trabalho.
Enfim, um filme apropriado para a Terceira Idade, de orçamento modesto, curto, elenco de primeira linha e com resultado simpático, que mexe com nossos sentimentos.
Distribuído pela Imovision, uma distribuidora de obras independentes e de cult europeus, que de uns tempos para cá se destaca no mercado brasileiro pelos lançamentos selecionados a dedo. Por Felipe Brida

Minhas tardes com Margueritte (La tête en friche). França, 2010, 78 min. Drama. Dirigido por Jean Becker. Distribuição: Imovision

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cine Lançamento



Filha do mal

A jovem Isabella Rossi (Fernanda Andrade) acredita que a mãe tenha assassinado três pessoas. O crime ocorrera 20 anos atrás, e hoje a mulher está internada em um hospital psiquiátrico. Indícios mostram que as mortes ocorreram durante um ritual secreto de exorcismo. Querendo saber a verdade, Isabella, com a ajuda de uma equipe de filmagem, parte para a Itália, onde participa de diversos exorcismos não autorizados, ao mesmo tempo em que vasculha documentos da polícia e da Igreja Católica.

Reza a lenda que o filme é baseado em fatos reais. Uns acreditam, outros descartam a ideia. No próprio desfecho há menção sobre a veracidade dos fatos. Eu sou descrente. Pra mim, pura jogada de marketing, assim como fizeram com “A bruxa de Blair”, “Atividade paranormal” e outros de terror barato.
“Filha do mal” tem raras qualidades e defeitos à beça. Primeiro, provoca tensão e sustos (recomendo àqueles que ficam impressionados não assistirem de madrugada, ainda mais se chegarem à cena de uma menina amarrada na cama, toda contorcida com o diabo no corpo, imitação de “O exorcista”). O defeito: todo em primeira pessoa; o cinegrafista é um dos personagens, e com a câmera no ombro, ele fica no encalço da jovem em busca da verdade sobre a mãe assassina. Tudo fica trepidado, mal gravado, sem foco (de propósito), enquadramentos piores não existem como aqui! Uma falta de estética total, que tira o gostinho de terror da trama. Cansa quem está do outro lado assistindo, e confunde a visão, dificultando notarmos as minúcias da história.
Desavisadas, as pessoas compareceram em peso na estreia. Todas queriam assistir, ainda mais sabendo da polêmica em torno do projeto (de que o Vaticano proibiu as gravações – outra jogada de marketing apelativo). Nada impediu o sucesso. Abriu em mais de 2.200 salas de cinema, fez um baita barulhão na bilheteria, sendo um dos filmes mais vistos no primeiro bimestre de 2012 – U$ 53 milhões arrecadados. Uma quantia generosa, acima da média, pois o projeto custou apenas U$ 1 mi.
Notamos de cara os recursos mínimos, as poucas locações (rodado inteiramente em estúdio em Bucareste, Romênia), cuja trama se repete a cada ano. Reparem na quantidade de filmes semelhantes lançados nos três últimos anos. É uma tendência que vai permanecer por um bom tempinho.
No elenco central está a paulistana Fernanda Andrade, radicada nos EUA há muito tempo, que por lá atua em séries e filmes para TV. Esse é o primeiro trabalho importante na carreira da atriz de 28 anos. Ela é bonita, mas não tem presença. Até porque as gravações, sem enquadramentos adequados, não ajudam. Conta também com a participação pequena de outra atriz de TV, a veterana Suzan Crowley (no papel da mãe louca da jovem Isabella Rossi).
Os realizadores pecaram principalmente na escolha errada da técnica. Uma pena terem desperdiçado o intrigante roteiro num filme de baixo orçamento, mal gravado e mais: sem um desfecho convincente (outro erro crasso).
Pela curiosidade referente à publicidade do filme acredito que muita gente ainda irá conferir. Por Felipe Brida

Filha do mal (The devil inside). EUA, 2012, 83 min. Horror. Dirigido por William Brent Bell. Distribuição: Paramount Pictures

sábado, 1 de setembro de 2012

Cine Lançamento



Os especialistas

O agente secreto inglês Danny (Jason Statham) aposenta-se em breve. Antes, encara a missão de libertar um antigo parceiro, o assassino de aluguel Hunter (Robert De Niro), que está aprisionado no Oriente Médio. E é chamado às pressas para combater um grupo militar mantido pelo bandido Spike (Clive Owen), que vem espalhando o terror na Europa. A guerra dos dois lados começa, e no trajeto para libertar seu mentor e disposto a prender Spike, Danny envolve-se em uma série de atentados.

Eficiente fita de ação para quem gosta de uma boa história, com muitos percalços, ao som de balas e explosões. Inspirado em história real extraída do livro de Ranulph Fiennes (primo do ator Ralph Fiennes), o filme traz três atores de peso, de gerações diferentes, especializados em policiais: Robert De Niro (em papel menor, porém memorável como o velho matador de aluguel), Clive Owen (um daqueles vilões à moda antiga, de bigode, com instinto assassino) e o protagonista Jason Statham, como sempre repetindo o perfil de anti-herói à base de adrenalina no corpo inteiro. Ele conduz a confusa trama de assassinatos e violência, com reviravoltas aos montes, que prendem a atenção até os minutos finais. Desde o prólogo a ação se inicia em ritmo acelerado: o personagem principal (Statham) participa de uma arriscada missão no México, que resulta em mortes de inocentes. Cansado dessa vida, muda-se para a Austrália para respirar novos ares. Na tranqüilidade do interior, é convocado para investigar e desmantelar um grupo de militares perigosos tendo como líder um homem inescrupuloso (Owen). E ao mesmo tempo precisa libertar o colega (De Niro), preso por árabes. Recorre a antigos companheiros, como um notável paraquedista, para assim concretizar seus objetivos, enfrentando extremistas, comunistas e outros ‘istas’.
Com fugas mirabolantes, a história percorre países como França, Austrália, Inglaterra e Oriente Médio, rodada com profissionalismo pelo novato diretor Gary McKendry. Mesmo com a mão pesada, garante-se um resultado elogiável.
Por pouco acreditei que seria remake de uma fita menor de Sam Peckinpah dos anos 70, “The killer Elite” (quase homônima). Não tem relação alguma entre as duas – aliás, muita gente achou o mesmo. Entre o de Peckinpah e o de McKendry, dê mais atenção ao segundo. E bom filme! Por Felipe Brida

Os especialistas (Killer elite). EUA/Austrália, 2011, 116 min. Ação. Dirigido por Gary McKendry. Distribuição: Imagem Filmes

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Viva Nostalgia!



Forasteiros em Nova York

O executivo George Kellerman (Jack Lemmon) está prestes a ser promovido na empresa. Ele é um pacato cidadão que mora no interior do estado de Ohio com a esposa Gwen (Sandy Dennis) e os filhos. A entrevista para o promoção no emprego será em poucas horas, e para tanto pega o avião rumo a Nova York juntamente com a mulher. No caminho, dezenas de confusões inusitadas irão atrapalhar a rotina daquele tranqüilo casal.

Uma divertida comédia de erros sobre as dificuldades em se viver na cidade grande, baseada em uma peça de Neil Simon e que recebeu duas indicações ao Globo de Ouro (Lemmon e Sandy).
Quem conduz a história (e sofre o diabo em Nova York) é o casal de americanos tranqüilos George e Gwen. O primeiro, o executivo, concorre a uma vaga de chefe na empresa, que tem uma entrevista marcada para o outro dia na cidade mais notória dos EUA; a segunda, a esposa de bons modos, resolve acompanhar o marido. Na viagem, desde a entrada no avião, ambos passarão por um calvário tenebroso, com apuros diversos, um atrás do outro: são assaltados por bandidos armados, perseguidos pela polícia, ficam presos em uma passeata comunista, o homem perde o dente da frente e logo depois fica surdo, a esposa fica manca ao torcer o pé, um forte temporal repentino deixa os dois em pingos e por aí vai... Na verdade, o filme é uma piada só, com sucessão de fatos trágicos para os personagens e cômicos para o público (eu não queria estar na pele de nenhum dos coitados), Eles são projetados para dentro de universo cruel, no caso os malefícios da cidade grande, aqui mostrada como um perigo alarmante. E também, simbolicamente, retrata o preconceito aos moradores do interior (o azarado casal nunca se dá bem, já que Nova York conspira contra eles, transformando-os aos poucos em marginais).
O famoso diretor Arthur Hiller, hoje com 88 anos, dirigiu mais de 60 filmes, muitos deles conhecidos, como “Love Story”, “Tobruk” e “Cegos, surdos e loucos”, e acertou em cheio com “Forasteiros em Nova York”. Principalmente por dois motivos: fotografou NY como ninguém (tirando a sátira e a visão pessimista da dor de cabeça em se viver em uma metrópole, o filme serve como um passeio pelos principais pontos da cidade, como o Central Park), e segundo pela escolha do par central, os ótimos Jack Lemmon e Sandy Dennis. Eles dão um show gritando, nervosos, e perdendo as estribeiras – esquecida hoje, Sandy ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por “Quem tem medo de Virginia Wool?” e faleceu prematuramente em 1992, aos 54 anos, de câncer; e Lemmon, vencedor de dois prêmios da Academia, por “Mister Roberts” e “Sonhos do passado”, além de seis outras nomeações, foi um dos melhores atores de sua geração (e um de meus preferidos). Por isso, um entretenimento altamente recomendado para toda a família.
Foi refilmado em 1999 com o título “Perdidos em Nova York”, com a dupla Steve Martin e Goldie Hawn, em estilo de maior pastelão, com resultado desprezível. Por Felipe Brida

Forasteiros em Nova York (The out of towners). EUA, 1970, 97 min. Comédia. Dirigido por Arthur Hiller. Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Resenha




Coisas de meninos e meninas



Nell (Samaire Armstrong) é a garota careta do colégio, que não suporta Woody (Kevin Zegers), o ídolo máximo das meninas. Certo dia, em uma visita escolar no museu da cidade, os dois iniciam um bate-boca nervoso, defronte a estranha estátua de um deus asteca, que lança uma maldição. Tomados pela força sobrenatural, Nell e Woody trocam de corpo: a garota adota o comportamento do rapaz e vice-versa. Como eles conseguirão se socializar a partir de agora?

Produzido por Elton John e seu parceiro civil David Furnish, “Coisas de meninos e meninas” é um agradável filme para jovens sobre as diferenças do sexo oposto. Funciona pelo roteiro engraçadinho, além do casal, que dá conta do recado - o ator Kevin Zegers, revelado no excelente “Transamérica”, e a atriz de origem japonesa Samaire Armstrong interpretam dois jovens que se odeiam, até que uma maldição os aproxima. Com almas trocadas, um terá de se habituar à rotina do outro. Obviamente que os dois têm pais com comportamentos distintos, ritmos de vida nada semelhantes etc, tudo para criar barreiras no caminho dos dois.
Outras do gênero fizeram sucesso em décadas passadas, como “Tal pai, tal filho” (1987) e “Vice-versa” (1988), e mais recentemente a comédia brasileira “Se eu fosse você” (2006). Apesar de não trazer nenhuma novidade, a fita é curta e sem ofensas, servindo como um modesto entretenimento.
Na trilha sonora músicas de Elton John, Deep Purple, The Black Eyed Peas e Eminem. Procure conhecer. Por Felipe Brida

Coisas de meninos e meninas (It's a boy girl thing). EUA/ Inglaterra/ Canada, 2006, 96 min. Comédia. Dirigido por Nick Hurran. Distribuição: Europa Filmes

Especial de Cinema

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