segunda-feira, 26 de julho de 2021

Dica de Leitura


"Ao meio-dia, o príncipe Humperdinck apareceu na sacada do castelo do pai e ergueu os braços. A multidão, já ganhando proporções perigosas, acalmou-se pouco a pouco. Havia rumores de que o rei estava morrendo, de que ele já havia morrido, de que havia morrido fazia tempo, de que estava bem".

Trecho de "A princesa prometida", romance do falecido escritor William Goldman, que também era roteirista de cinema duas vezes ganhador do Oscar. Lançado originalmente em 1973, ganhou edição de capa dura no Brasil pela editora Intrínseca (2018, 416 páginas, tradução de Alice Mello).
Divertido, o livro parodia aventuras clássicas de capa e espada, misturando histórias de realeza com lutas de esgrima e invasão pirata, num reino perdido. A protagonista é a camponesa Buttercup, apaixonada por Westley, um jovem humilde que trabalha na fazenda do pai dela. Descobrem o amor verdadeiro, mas acabam se envolvendo num acidente com um navio pirata. Até que é raptada por uma gangue com planos mirabolantes.
Com o subtítulo "Um conto clássico de amor verdadeiro e grandes aventuras, de S. Morgenstern", o romance é um conto de fadas com muito humor, que deu origem ao filme de mesmo título produzido e dirigido por Rob Reiner em 1987, com roteiro do próprio Goldman - o filme fez muito sucesso nos cinemas e na TV, contava com um grande elenco, como Cary Elwes, Mandy Patinkin, Robin Wright, Peter Falk e Chris Sarandon, e foi indicado ao Oscar de melhor canção.




Cine Clássico (Reedição)

Johnny Guitar

* Reedição

Prestes a ser expulsa da cidade onde vive, Vienna (Joan Crawford), proprietária de um saloon no Oeste americano, recorre a um antigo namorado, Johnny Guitar (Sterling Hayden), para enfrentar o xerife local. Este, aliado a um grupo de pistoleiros comandados pela insensata Emma Small (Mercedes McCambridge), antiga rival de Vienna, fará de tudo para cumprir com a promessa.

Notório pelas cores agressivamente fortes e por uma fotografia escura, esse faroeste barroco é um dos mais diferentes do gênero. Com alta tensão psicológica, traz em destaque duas mulheres que se odeiam de corpo e alma. E que se movem pelo prazer da vingança. Como resultado, bons diálogos e embates nervosos entre duas grandes atrizes da época (as ótimas Joan Crawford e Mercedes McCambridge, ambas vencedoras de Oscar). Quando lançado em 1954, diziam que era um “western homossexual”, devido à frieza com que as personagens centrais femininas se tratam e do clima que paira no ar quando se encontram. Teriam tido Vienna e Emma Small, no passado, um relacionamento amoroso e hoje seriam arqui-inimigas?
No elenco, Sterling Hayden, Scott Brady, Ernest Borgnine e John Carradine.

PS: Em 2009 escrevi essa resenha sobre o filme, que havia sido lançado em DVD no Brasil pela extinta Cult Classic, na versão de 104 minutos, que era aquela reduzida que foi exibida na Alemanha Oriental. Esse mês a Classicline acaba de lançar o filme também em DVD, só que na versão de cinema, a integral, com seis minutos a mais (110 minutos), o que vale muito a pena rever. Poucos anos atrás a Versátil tinha lançado o filme nessa versão de 110 min no box “Cinema Faroeste – volume 7”, junto com outros bons filmes do gênero.

* Reedição de resenha publicada em 26/09/2009, no Blog Cinema na Web

Johnny Guitar (Idem). EUA, 1954, 110 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Nicholas Ray. Distribuição: Classicline (DVD de 2021, com a versão integral de 110 min) e Cult Classic (DVD de 2009, com a versão de 104 min)

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Nota do Blogueiro


Novidades chegando em DVD!

Confira os lançamentos de julho da Classicline:


- Box 'Tony Scott: The red collection', com quatro filmes do diretor especializado em cinema de ação e suspense - "Fome de viver" (1983, terror/romance, com David Bowie, Catherine Deneuve e Susan Sarandon), "Vingança" (1990, ação, com Kevin Costner e Madeleine Stowe), "Amor à queima-roupa" (1993, ação, com Christian Slater e Gary Oldman e roteiro de Quentin Tarantino) e "Estranha obsessão" (1996, suspense, com Robert De Niro e Wesley Snipes) - acompanha quatro cards colecionáveis.

- "Rosa de esperança" (1942, drama/guerra, ganhador de seis Oscars, como melhor filme, melhor diretor e melhor atriz para Greer Garson)

- "Sob o signo de capricórnio" (1949, policial/drama, com Ingrid Bergman, dirigido por Alfred Hitchcock)

- "Johnny Guitar" (1954, western, com Joan Crawford, Mercedes McCambridge e Sterling Hayden)

- No mundo da lua" (1991, romance, com Reese Whiterspoon, Tess Harper e Sam Waterston, no último filme dirigido por Robert Mulligan)

Todos os titulos estão disponíveis nas melhores lojas! Obrigado, Classicline, pelo envio dos filmes.





terça-feira, 20 de julho de 2021

Dica de Leitura


"Não gostei daquele pneu. A sombra dele era muito esquisita. O sol batia em nossas costas, porém a sombra do pneu se estendia em nossa direção. Mas tudo bem, ele estava longe. No geral, nada ameaçador, pode-se trabalhar com isso. Se ainda soubesse o que era aquele brilho prateado... ou foi apenas fruto de minha imaginação?".

Trecho do complexo romance 'Piquenique na estrada" (1972), dos irmãos Arkádi e Boris Strugátski, os mais famosos escritores de ficção científica da União Soviética. O livro foi lançado no Brasil pela Editora Aleph, especializada em literatura scifi, em capa dura, em 2017 (320 páginas, tradução de Tatiana Larkina).
A obra inspirou o cultuado filme de Andrei Tarkovski "Stalker", ganhador do prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes em 1980, e trata de uma expedição ilegal a uma área protegida pelo governo, considerada proibida após ser palco de invasões alienígenas. À frente da expedição estão Redrick e um grupo de stalkers, intrusos que pretendem coletar estranhos objetos deixados pelos extraterráqueos para revendê-los.
Misterioso e filosófico, com pegada existencialista, o livro (e também isso se aplica ao filme) faz uma alegoria ao contato do humano com os alienígenas, ao mundo desconhecido e aterrador além das fronteiras da Terra, e ainda é uma crítica feroz à Guerra Fria e à insignificância humana. Leia e assista ao filme!




domingo, 18 de julho de 2021

Cine Especial


71: Esquecido em Belfast

Em 1971, o jovem soldado britânico Gary Hook (Jack O'Connell) é deixado para trás pela sua tropa nas ruas de Belfast durante a guerra civil da Irlanda do Norte. Ele passará por dias intermináveis de angústia e tensão.

Em sua estreia no cinema, o francês Yann Demange realizou uma brilhante fita independente sobre a guerra civil na Irlanda do Norte, centrando toda a ação em apenas um personagem, interpretado com coerência por Jack O'Connell, de “Invencível” (2014). É um filme britânico com um recorte de época específico, que mescla ação, drama e guerra, indicado ao Bafta e ganhador de uma menção especial do Júri Ecumênico no Festival de Berlim.
O personagem passa por dias intermináveis, de tensão e medo, quando fica para trás no momento em que seu grupamento se dispersa nas manifestações populares durante a guerra civil, quando o Exército Republicano Irlandês (IRA) tocou o terror nas ruas de Belfast (ou seja, o pano de fundo é real, já o personagem não, mas reflete a situação de civis e militares no país naquele período). Em poucas horas tem de se esconder, ele vai em lugares abandonados, é acolhido por moradores, tudo para escapar dos paramilitares irlandeses que desejam eliminá-lo.
Trata de uma questão humanitária a partir de um dos fatos mais notórios da História da Irlanda, o separatismo provocado pelo IRA, que desde 1919 luta contra a influência britânica na ilha (eles vão para a guerra, cometem atentados e emboscadas a bomba, e são, portanto, terroristas).


A fotografia nas ruas de Belfast em tom desbotado, de Tat Radcliffe, é caprichada, e o roteiro, de Gregory Burke, procura retratar os horrores de uma guerra civil onde inocentes acabam vítimas das piores atrocidades.
Ainda sobre o IRA, recomendo bons filmes que tratam do tema, como “Jogos patrióticos” (1992), “Em nome do pai” (1993), “Michael Collins: O preço da liberdade” (1996), “Inimigo íntimo” (1997) e Domingo sangrento” (2002). Em DVD pela Universal.

71: Esquecido em Belfast (‘71). Reino Unido, 2014, 99 minutos. Ação/Drama. Colorido. Dirigido por Yann Demange. Distribuição: Universal Pictures

sábado, 17 de julho de 2021

Cine Cult


A festa de Babette

Na metade do século XIX, em uma vila dinamarquesa, duas solitárias irmãs, filhas de um pregador, acolhem uma refugiada francesa chamada Babette (Stéphane Audran). Para recompensar as irmãs pela moradia, ela começa a trabalhar como empregada. Um dia ganha um grande prêmio em dinheiro na loteria, e para agradecer as irmãs por terem fornecido o abrigo, faz um banquete com comidas requintadas para os moradores do vilarejo.

Um filme inspirador, simples e delicado, que marcou muitas pessoas, especialmente o público feminino. Continua um de meus filmes preferidos e também o de minha mãe (revimos há pouco tempo nessa linda cópia da Classicline, relançada em DVD no Brasil).
O filme foi inspirado no conto “A festa de Babette e outros contos do destino”, presente no livro “Anedotas do destino” (1958), escrito por Isak Dinesen, pseudônimo da escritora dinamarquesa Karen Blixen – ela é a autora do livro autobiográfico “Uma fazenda africana”, que virou o clássico romântico dos anos 80 “Entre dois amores”, com Meryl Streep e Robert Redford.
Ganhou merecidamente o Oscar de filme estrangeiro em 1988, e o Bafta no ano seguinte na mesma categoria, além do prêmio de Júri Ecumênico no Festival de Cannes. Na época, conquistou o coração das pessoas pela simplicidade e singeleza, sem falar da esplendorosa fotografia no verdadeiro vilarejo de Jutlândia, na Dinamarca, e dos apetitosos pratos de alta classe que a protagonista cria (dá uma fome lascada!).


Tudo é muito bem conduzido e narrado, as imagens tornam-se memoráveis, e a direção do veterano dinamarquês Gabriel Axel é uma aula de técnica cinematográfica – curioso que só havia feito documentários e telefilmes em seu país, sendo “A festa de Babette” um dos poucos filmes dele para cinema, e o mais celebrado de sua longa carreira; depois faria seu último trabalho, que também se passa em Jutlândia, “Jutland - Reinado de ódio” (1994, com Christian Bale bem novinho).
O drama trata do banquete como um ritual pontual de felicidade e celebração, que reúne pessoas de diferentes idades e pensamentos, e faz uma reflexão irônica e contraditória: as irmãs isoladas, religiosas, fechadas em um mundo próprio, sem prazer para nada, versus os prazeres da mesa, da comida refinada, uma espécie de orgia quando todos estão diante dos pratos saborosos.
Elegante e bonito, é uma obra-prima para ver muitas vezes. No final dá uma vontade de experimentar as receitas de Babette, como caviar, babá ao rum (sponge cake) e outras comidas exóticas, como sopa de tartaruga e codornas assadas na massa folhada.


Babette, feita com sinceridade pela ótima Stéphane Audran (atriz de diversos filmes, como “O discreto charme da burguesia”, falecida em 2018 aos 85 anos), entrou para a galeria de personagens inesquecíveis da Sétima Arte. No elenco tem também participação de uma das musas de Ingmar Bergman, Bibi Andersson (de “Persona”, “O sétimo selo” e “Morangos silvestres”).

A festa de Babette (Babettes gæstebud). Dinamarca, 1987, 103 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Gabriel Axel. Distribuição: Classicline

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Dica de Leitura


"Ele nunca tinha passado pela experiência de uma tragédia antes. Sei que ele estava exausto e preocupado. Lembro de tentar fazer com que ele risse. Eu punha minha máscara de oxigênio, inspirava profundamente e dizia, na minha melhor imitação de Darth Vader: 'Chris, eu sou seu pai. Agora vá pegar um cheeseburger com fritas para o papai'. Chris deveria estar comigo na maratona, mas eu o convidei  tarde demais".

Trecho de "O que te faz mais forte" (2014), livro autobiográfico de Jeff Bauman, que trata do atentado a bomba que sofreu em abril de 2013, na Maratona de Boston, onde perdeu as duas pernas. Ele e mais 263 pessoas ficaram feridas, e três morreram na tragédia que chocou os Estados Unidos e o mundo. Nessa obra emocionante, lançada pela editora Vestígio, do grupo Autêntica (2017, 288 páginas, tradução de Antonio Carlos Vilela), o autor relata sua vida antes e depois do atentado, conta como foi a adaptação à nova realidade que o aguardava, e como ajudou o FBI nas investigações.
O livro deu origem a uma boa versão para o cinema, em 2017, dirigida por David Gordon Green, com Jake Gyllenhaal no papel de Jeff. Conheça essa história real de dor e superação.




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