segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cine Lançamento


Mamma Mia! – O filme

Prestes a se casar na ilha grega de Kalokairi, a jovem Sophie (Amanda Seyfried) resolve desvendar um antigo mistério: quem é o seu verdadeiro pai. Ela descobre em um diário que a mãe, Donna (Meryl Streep), relacionou-se com três homens diferentes em um curto espaço de tempo. Para saber a verdade, Sophie, sem contar para a mãe, convida para o casamento os três supostos genitores – Sam (Pierce Brosnan), Bill (Stellan Skarsgard) e Harry (Colin Firth). A confusão está armada quando Donna reencontra com os amores passados e, diante da filha, terá de revelar o segredo.

Baseado na peça teatral homônima originalmente montada em Londres em 1999, a comédia musical “Mamma mia” liderou bilheteria no mundo todo, tornando-se a sensação do momento. Há razões para o estrondoso sucesso de público: o filme é alto astral e as músicas, todas elas do Abba, contagiam. Traz ainda fascinantes locações de uma ilha paradisíaca numa Grécia banhada por um exuberante mar azul. É irresistível acompanhar as traquinagens e os desastres cometidos pelo trio feminino de cinquentonas – Meryl Streep, Julie Walters e Christine Baranski, que estão à vontade em papéis de molecas. Há doses de humor equilibradas com momentos dramáticos bem bonitos – como a reprodução do clássico “The winner takes it all” e de “Slipping through my fingers”.
Apesar do charme e do colorido todo, o musical tem um enredo bobinho, fraco mesmo. É basicamente uma história de reencontro e descobertas, cujo mote se centraliza no desejo de uma garota em busca do sonho – não materialista – de conhecer o pai. Para conquistá-lo, acaba armando uma confusão daquelas ao reunir os três supostos pais para festejar o casamento.
Como o elenco todo solta a voz, temos de perdoar o tom desajeitado dos atores – em certos momentos é uma piada federal escutar Julie Walters e Meryl Streep. As coreografias são mal encenadas e nem um pouco marcantes. E os homens da fita não têm o mesmo destaque do trio composto pelo sexo oposto.
Por ser tudo tão alegre, tão divertido, a fita cativa, e deixamos de olhar as falhas.
Assim como eu, fãs do Abba deverão curtir a fita. Quem dançou ao som da banda sueca nos anos 70 e início dos 80 vai lembrar com saudosismo de ritmos que marcaram época, como “Dancing Queen”, “Super trouper”, “SOS”, “Take a chance on me”, “Honey, honey” e, obviamente, a canção-título, um dos melhores momentos do filme, em que Meryl Streep, de macacão azul, anda pelos telhados da casa.
Além do casal Tom Hanks e Rita Wilson, estão ligados na produção executiva do filme os ex-integrantes do Abba, Björn Ulvaeus e Benny Andersson, que ainda aparecem como figurantes em duas seqüências. E este é o primeiro trabalho da diretora inglesa Phyllida Lloyd, que também dirigiu a remontagem da peça na Broadway anos atrás. Difícil prever, mas o sucesso de “Mamma mia!” indica o retorno do gênero musical? Por Felipe Brida

Título original: Mamma mia!
País/Ano: EUA/Inglaterra/Alemanha, 2008
Elenco: Meryl Streep, Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Julie Walters, Stellan Skarsgard, Colin Firth, Christine Baranski, Dominic Cooper
Direção: Phyllida Lloyd
Gênero: Musical/Comédia
Duração: 108 min.
Lançamento: Primeira quinzena de dezembro
Distribuidora: Universal

sábado, 3 de janeiro de 2009

Entrevista Especial


Ex-símbolo sexual, atriz Darlene Glória retorna ao cinema como mãe alcoólatra e protetora (*)

Felipe Brida

A atriz capixaba Darlene Glória, 65 anos, musa da Pornochanchada nos anos 70 e ex-símbolo sexual reconhecida internacionalmente, retorna às origens artísticas no filme de estréia de Selton Mello como diretor, “Feliz Natal”. No drama ela interpreta Mércia, a mãe alcoólatra de Caio, homem que volta para casa para se reencontrar com a família nas vésperas do Natal. Pela excepcional atuação Darlene venceu o prêmio de melhor atriz nos festivais do Paraná, Paulínia e Goiânia.
Em entrevista especial ao NM, a atriz, hoje artista plástica e pregadora da religião evangélica Assembléia de Deus, comenta sobre a criação da personagem Mércia e relembra o passado de drogas pesadas e da imagem de prostituta que tanto fragilizou sua vida pessoal.


NM – Darlene, sua carreira foi marcada por grandes trabalhos no cinema, como “Toda nudez será castigada” (1973) e “O marginal” (1974). Por outro lado, passou por escândalos e exageros, como uso freqüente de drogas e internações em hospitais psiquiátricos. Essa era – ou ainda é – a vida idealizada pelos artistas?

Darlene – Meu passado negro eu quero enterrar. No auge da carreira eu vivia sob uso de drogas pesadas, como LSD e cocaína. Sempre fui explosiva e autêntica, expunha o que pensava, e isto causava certo temor quanto à minha imagem. Por causa do papel da prostitua Geni em “Toda nudez será castigada” (1974), era mau vista pelas pessoas. Briguei com diretores e produtores que me faziam proposta de trabalho em troca de sexo. Nos anos 70, tive uma depressão profunda, tentei suicídio e fiquei internada. Mas aí, com meu afastamento da TV, na década seguinte, converti-me à igreja evangélica e fui morar em Nova York. Muitos artistas, devido ao estrelato, deixam-se levar pelas drogas e maluquices. Eu fui assim, mas hoje vivo para Jesus, sigo seus ensinamentos e procuro trilhar o melhor caminho para mim, para minha família e para meus amigos. Dificilmente faço filme. Só quando o personagem me interessa muito.

NM – Para criar a personagem Mércia, uma mulher de meia-idade e que vive à base de remédios e bebidas alcoólicas, você fez um olhar para o próprio passado ou espelhou-se em alguém?

Darlene – A Mércia tem um pouco daquela Darlene antiga. É um personagem complexo, uma mãe alcoólatra, inconseqüente e separada do marido. Tanto o filme como o papel da Mércia não são novos – Hollywwod já retratou várias vezes esse perfil de pessoa em filmes dramáticos. Maspor trás de “Feliz Natal” está o olhar densa de Selton. O diferencial está nas mãos desse promissor cineasta.

NM – De que forma resumiria a essência de “Feliz Natal”?

Darlene – Resumo o trabalho em poucas palavras. É uma fita realista sobre almas de pessoas do mesmo sangue que não se reencontram há anos. E quando há o encontro cada membro da família se revela como realmente é, sem disfarces. Por isso nem sempre as situações são felizes. Predominam os sentimentos de tristeza e angústia de pessoas em crise.

NM – Como foi trabalhar com Selton Mello?

Darlene – Estou afastada da televisão e dos cinemas desde os anos 80. Tenho uma vida tranqüila em Teresópolis e não pretendia voltar aos cinemas em um papel central – fiz, de uns anos para cá, participações pequenas em filmes e TV. Um dia conheci o Selton quando fui entrevistada no programa “Tarja preta”. Adorei conhecê-lo pessoalmente, e ele demonstrou a maior admiração pelo meu trabalho. Meses depois Selton me ligou para me convidar para o novo filme dele. Nunca na minha vida dei uma resposta imediata antes de ler o roteiro, mas como sabia que com Selton sairia algo diferente, disse “sim” na hora. Aí ele me afirmou: “Não tenho papel pra você ainda. Mas irei criar um”. Eu levei um baque, mas continuei aceitando o convite. Ele montou o papel e o script. Eu participei dos laboratórios e ensaios, e no final deu tudo certo. Foi um encontro de amor mesmo, eu e ele, eu e a Mércia. O papel da mãe cresceu com o filme. Mergulhei fundo no personagem, como sempre faço. Esse papel caiu do céu, e sou muito grata a Selton. Vivo repetindo ao Selton: “Você, tão jovem, como conseguiu condensar sentimentos tão profundos numa fita como essa?”. Por isso é promissor. Torço muito por ele.


Conheça a atriz Darlene Glória

Atriz capixaba, Darlene Glória nasceu no dia 20 de março de 1943. Iniciou a carreira como cantora em rádio nos anos 50. Apresentava-se em programas de calouro e logo se tornou vedete de teatro de revista. Estreou no cinema em 1965 em “São Paulo – Sociedade Anônima”, e passou por todas as fases do cinema brasileiro moderno – Cinema Novo, Cinema Marginal, Pornochanchada e Retomada. Fez 29 filmes, dentre eles “Paraíba – Vida e morte de um bandido” (1966), “Terra em transe” (1967), “Os raptores” (1969), “Os paqueras” (1969) e “O marginal” (1974). Em 1973 recebeu, no Festival de Gramado, o Kikito de Ouro de melhor atriz pelo filme “Toda nudez será castigada”, aonde interpretou a prostituta Geni. Atuou nas novelas “O bofe” (1972), “Araponga” (1990) e “Pecado capital” (1998). Após a conversão evangélica, abandonou a carreira artística e mudou-se para Nova York nos anos 80, passando a produzir vídeos religiosos.
Mãe de quatro filhos, Darlene Glória foi casada duas vezes – uma delas com o policial da repressão Mariel Mariscot, acusado de pertencer ao Esquadrão da Morte – a vida de Mariscot pode ser vista no filme “Eu matei Lúcio Flávio” (1979), cujo personagem-título foi interpretado por Jece Valadão.

(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 03/01/2009. Crédito para as três fotos: Divulgação.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Morre no Rio o ator Fábio Sabag


O ator e diretor Fábio Sabag morreu na madrugada de hoje (dia 31) aos 77 anos no Rio de Janeiro. Vítima de câncer de próstata, estava internado desde o mês passado no Hospital Quinta D´Or, no Rio.
Nascido em 19 de novembro de 1931 em Bariri, Sabag era descendentes de libaneses. Estreou a carreira artística como ator de cinema em "Ladrão em noite de chuva" (1960). Atuou em cerca de 50 filmes, dentre eles "Mineirinho vivo ou morto" (1967), "Os raptores" (1969), "Memórias de um gigolô" (1970), "Os inconfidentes" (1972), "Os condenados" (1973), "Tati - A garota" (1973), "O casal" (1975), "Teu tua" (1979), "O homem do pau-brasil" (1982), "Luz Del Fuego" (1982), "Memórias do cárcere" (1984), "Ópera do malandro" (1986) e "Maria, mãe do filho de Deus" (2003).
Em novelas participou de "Elas por elas" (1982), "Partido alto" (1984), "Cambalacho" (1986), "Brega & Chique" (1987), "Pecado capital" (1998), "Kubanacan" (2003) e "A lua me disse" (2005), sua última aparição na TV.
Na Rede Globo, onde trabalhou nos anos 70 como produtor executivo, dirigiu, em conjunto com outros realizadores, as novelas "A cabana do pai Tomás" (1969), "Nina" (1977), "Mandala" (1987), "Que rei sou eu?" (1989), "Rainha da sucata" (1990), "Vamp" (1991) e "De corpo e alma" (1992).
Recentemente completou 60 anos de carreira no teatro, onde atuou em mais de 70 peças - as montagens mais famosas, "Gata em teto de zinco quente" e "O fiel camareiro". O corpo do ator será enterrado amanhã em São Paulo. Por Felipe Brida

domingo, 28 de dezembro de 2008

Cine Lançamento


Wall-E

No ano de 2800, o planeta Terra sofre com o acúmulo de lixo. Devido à poluição atmosférica os seres humanos trocaram suas casas por naves e foram viver em outra órbita. Wall-E, um dos robôs especiais programados para limpar o lixo, passa a trabalhar sozinho em uma área contaminada por gases tóxicos. Certo dia conhece uma robô, de nome Eva, que chega à Terra com a missão de procurar vida naquele ambiente devastado. Nasce então um estreito laço de amizade entre os dois.

Dirigido por Andrew Stanton, ganhador do Oscar de melhor animação por “Procurando Nemo” em 2004, quando dividiu o prêmio com o co-diretor Lee Unkrich, “Wall-E” rapidamente tornou-se sucesso de público e de crítica. A nova animação da Pixar/Disney liderou o primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas na estréia em junho deste ano, e a sensação repetiu-se no Brasil, onde o filme também ficou em primeiro lugar no final de semana quando lançado.
Bem escrito, o filme evita piadas e carrega um visual intenso de desolação pós-apocalipse, o que nem por intervenção divina irá agradar as crianças. A lenta narrativa inicial e a temática adulta deverão atrair em especial os jovens.
Como pano de fundo, mensagens de preservação ambiental e de preocupação com o futuro da vida humana. Os reduzidos diálogos ajudam a remeter ao clima de devastação de um planeta Terra engolido pelo lixo, conseqüência do consumismo capitalista. Como podemos notar os desenhos estão deixando de lado aquelas antigas historinhas para fazer criança sorrir. Questões de debate envolvendo problemáticas sociais já podem ser vistas em animações recentes – “Happy Feet – O pingüim”, por exemplo.
Os conhecedores de cinema encontrarão em “Wall-E” referências musicais de outras fitas, como o clássico tema “Assim falou Zaratustra”, de “2001 – Uma odisséia no espaço” (aliás, na seqüência que precede o clímax o sistema que comanda uma das naves rebela-se de forma parecida ao do personagem de Arthur C. Clarke, Hall-9000). As semelhanças não param por aí. A animação tem um quê de “Corrida Silenciosa” (1972) – a proteção de um ser em extinção, as plantas em ambos os casos. O modelo de Wall-E é o mesmo de “Short Circuit – Um robô em curto-circuito” (1986), e seu sentimento de solidão lembra “ET”, de Spielberg (até a voz é parecida). Tem ainda a homenagem-mote declarada a “Alô, Dolly” cuja música “Put on your Sunday clothes” repete incessantemente ao longo do filme.
Não é por acaso que Eva, a robô por quem Wall-E se apaixona, evoca o nome da primeira mulher criada por Deus e conseqüentemente a primeira a habitar o mundo. Acopla-se assim à idéia defendida por estudiosos de que, se a degradação ao meio ambiente continuar, as catástrofes, naturais ou induzidas, acometerão a vida na Terra, e o a humanidade se reorganizará a partir dos primórdios.
Por essas razões “Wall-E” fica distante de uma animação comum. E a ambientação recria um medonho futuro não muito longínquo ou impossível. Por Felipe Brida

Título original: Wall-E
País/Ano: EUA, 2008
Elenco: vozes de Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver, MacInTalk.
Direção: Andrew Stanton
Gênero: Animação
Duração: 98 min.
Lançamento em DVD: Primeira quinzena de dezembro
Distribuidora: Walt Disney

sábado, 27 de dezembro de 2008

Entrevista Especial


Selton Mello estréia como diretor em filme sobre desestruturação familiar (*)

Felipe Brida

Mineiro natural de Passos, o ator Selton Mello, que completa 36 anos na próxima terça-feira, dia 30, assinou recentemente seu primeiro filme como diretor de cinema. O drama “Feliz Natal” teve estréia nos cinemas brasileiros no dia 21 de novembro e, devido às críticas positivas, deverá permanecer nas salas de projeção até o próximo mês.
Premiado em festivais de cinema de todo o país, dentre eles três prêmios no Festival de Paulínia – melhor diretor, atriz coadjuvante (Darlene Glória e Graziella Moretto) e menção especial para o ator Fabrício Reis, e nove troféus no Festcine Goiânia, “Feliz Natal” é um dramático painel sobre desestruturação e tragédia familiar.
O longa-metragem narra a história de Caio (Leonardo Medeiros), um homem de 40 anos que, no dia de Natal, decide retornar à casa dos pais após vários anos longe da família. Lá reencontra o pai, Miguel (Lúcio Mauro), que não aceita a sua volta, o irmão Téo (Paulo Guarnieri), que enfrenta uma crise conjugal, e a mãe, Mércia (Darlene Glória), alcoólatra e perturbada. A presença de Caio altera a vida de todos os membros da família, provocando comportamentos extremos, como ódio e reconciliação.
Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida pelo diretor Selton Mello ao Notícia da Manhã.


NM – Selton, nessa primeira investida como diretor de cinema você resolveu rodar um projeto de carga dramática densa, que aborda a desestruturação no ambiente familiar. Como foi levar essa temática tão séria ao cinema?

Mello – Foi uma tentativa de dizer algo que eu vinha querendo me expressar há tempos, mas como ator não tive a possibilidade de fazer. Resolvi então ir a fundo num projeto cuja idéia principal era de fazer um filme intenso sobre incomunicabilidade entre pais e filhos e ao mesmo tempo o da solidão em suas diversas formas. Outro diferencial do meu primeiro longa é que o caso gira em torno de uma família classe média, tão pouco abordada no cinema brasileiro hoje em dia. Espelhei-me nos ensinamentos de Arnaldo Jabor, que fazia tão bem filmes sobre a classe média em sua fase inicial da pornochanchada.


NM – Pelo fato de o filme ser dramático, pesado, angustiante, o que foge do gosto habitual do telespectador, acredita que “Feliz Natal” atingirá o público?

Mello – Espero que sim. As críticas são positivas, e o público vem demonstrando calorosa aceitação. Destaco que o longa é uma história próxima de nós; existe uma família em ruínas, o filho sai de casa, a mãe é alcoólatra e separou-se do marido, o irmão está infeliz com o casamento. Há um passado negro na vida do personagem central, só revelado nos momentos finais da fita, em uma seqüência marcante, puramente visual e poética. Estou confiante: acredito que fui feliz nesse projeto.

NM – Uma das críticas positivas sobre seu trabalho é de que você “dirige atores”. Por ser um estreante tal comentário torna-se um grande empurrão para continuar nesse ramo. No entanto, “dirigir atores” atrapalha num momento em que o cinema prefere almejar o mercado e a indústria?

Mello – O diferencial do filme é justamente ter reunido um time de atores e atrizes de primeira categoria, e, claro, ter rodado um projeto de cunho autoral e bastante peculiar. Cada um dos personagens traz uma história diferente. Darlene Glória não atuava há muito tempo, pelo menos num papel de destaque. Uma atriz grandiosa nos anos 70 e que hoje estava esquecida. E seu papel é uma explosão. Paulo Guarneiri não atuava desde 1996, e é um dos grandes atores brasileiros, também esquecido. Tem ainda Lúcio Mauro, Graziella Moretto e o principal, Leonardo Medeiros, que vem firmando carreira e é sem duvida um dos maiores nomes da geração atual de atores.

NM – Recentemente, no Festival de Cinema de Goiânia, você declarou ao público que irá a partir de agora dedicar-se à direção e possivelmente dará uma freada como ator. Você pretende deixar de atuar?

Mello – Não pretendo, por enquanto, deixar o trabalho de ator. Apenas estou me sentindo cansado, meu emocional anda esgotado. Eu sou uma pessoa bastante crítica; considero que meus trabalhos como ator, nos últimos tempos, vem se repetindo. E eu não quero continuar na mesmice. Por isso minha intenção é tirar férias, repensar meu trabalho e me reinventar.

(*) Entrevista publicada no jornal Notícia da Manhã, periódico de Catanduva, na edição do dia 27/12/2008. Crédito para as duas fotos: Divulgação.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Morre o diretor Robert Mulligan


Indicado ao Oscar como melhor diretor por "O sol é para todos" em 1963, o cineasta Robert Mulligan morreu na última sexta-feira (dia 19) aos 83 anos. Ele sofria de problemas cardíacos.
Irmão mais velho do falecido ator Richard Mulligan (1932-2000), Robert nasceu no Bronx, Nova York, em 23 de agosto de 1925. Iniciou a carreira na primeira metade dos anos 50, dirigindo filmes para TV e seriados. Dentre os trabalhos desse período estão "Suspense", "The Alcoa Hour", "Studio One" e "Playhouse 90".
No cinema dirigiu 20 filmes. Sua estréia deu-se em 1957 com "Vencendo o medo", cujo elenco contava com Anthony Perkins e Karl Malden. Logo depois vieram duas fitas com Tony Curtis como protagonista - "A taberna das ilusões perdidas" (1960) e "O grande impostor" (1961). Ainda em 1961 dirigiu "Quando setembro vier", clássica comédia romântica estrelada por Rock Hudson e Gina Lollobrigida. Voltou a trabalhar com Hudson no ano seguinte, em "Labirinto de paixões".
A partir de 1962 Mulligan foi responsável por filmes que receberam uma série de indicações ao Oscar. "O sol é para todos" ganhou três prêmios da Academia, dentre eles o de melhor ator para Gregory Peck. "O preço de um prazer" (1963) foi indicado a cinco categorias no Oscar - uma delas melhor atriz para Natalie Wood. O drama "À procura do destino" (1965) recebeu três indicações, incluindo atriz coadjuvante para a veterana Ruth Gordon, e a comédia dramática "Tudo bem no ano que vem" (1978), quatro.
Em 1971 Mulligan dirigiu "Verão de 72", filme-símbolo da época - aqui no Brasil recebeu o título de "Houve uma vez um verão". O drama projetou a atriz carioca Jennifer O'Neill ao mundo do cinema e deu a Michel Legrand o Oscar de melhor música.
Outros trabalhos do diretor incluem "Subindo por onde se desce" (1967), "A noite da emboscada" (1968), "A inocente face do terror" (1972), "Irmãos de sangue" (1978), "Clara's heart" (1988) e "No mundo da lua" (1991), seu último trabalho. Por Felipe Brida

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Morre o ator Van Johnson aos 92

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Astro de Hollywood nos anos 40 e 50, o ator Van Johnson morreu hoje aos 92 anos. Ele vivia em um asilo em Nova York e faleceu de causas naturais.
Nascido em 26 de agosto de 1916 em Newport, Rhode Island (EUA), Johnson iniciou a carreira em 1940 fazendo pontas em filmes. Em 1942, logo após assinar contrato com a MGM, foi convocado para combater na Segunda Guerra Mundial; porém não pôde servir seu país devido ao fato de que, em decorrência de um acidente automobilístico, havia implantado uma placa metálica na cabeça.
Longe de metralhadoras e bombas, firmou sólida carreira no cinema a partir dos anos 50. Atuou em mais de 100 filmes. Com Humphrey Bogart e Jose Ferrer participou do drama de guerra "A nave da revolta" (1954); no mesmo ano fez par romântico com Eizabeth Taylor em "A última vez que vi Paris" (1954). Trabalhou com grandes atrizes, dentre elas Esther Williams, Judy Garland, Janet Leigh e Jane Wyman. Na carreira de Johnson constam ainda os filmes "Dois no céu" (1943), "A comédia humana" (1943), "Ziegfeld Follies" (1946), "Mamãe, ele e eu" (1949), "O preço da glória" (1949), "A noiva desconhecida" (1949), "Meu coração tem dono" (1950), "Todos são valentes" (1951), "Brigadoon - A lenda dos beijos perdidos" (1954), "Pelo amor de meu amor" (1955), "A 23 passos da rua Baker" (1956), "Esposas e amantes" (1963), "Os seus, os meus e os nossos" (1968) e "O seqüestro do presidente" (1980).
Conhecido por usar meias vermelhas extravagantes, o ator atuou em seriados norte-americanos, como "Maude". A única indicação a um prêmio que Johnson recebeu ao longo da carreira foi um Emmy pela participação no seriado "Rich Man, Poor Man" em 1976. Johnson deixa uma filha. Por Felipe Brida

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