sábado, 21 de fevereiro de 2026

Especial de cinema

 
76º Festival de Berlim termina amanhã; vencedores serão anunciados hoje
 
O 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) continua a todo vapor até amanhã, dia 22 de fevereiro, na capital alemã, com uma extensa programação de filmes históricos e sociais. Longas e curtas-metragens potentes, escolhidos a dedo, transcendem as narrativas óbvias, com a maior parte deles em première mundial. Um dos filmes que ganhou o louvor da crítica e do público, tornando-se forte candidato ao Urso de Ouro (e amanhã saberemos), é “Josephine”, que comento abaixo. Após a divulgação oficial hoje, trarei aqui a lista dos ganhadores. Confira sobre o filme “Josephine”:
 

Josephine
(EUA – 2026, 114 minutos, de Beth de Araújo)
 
Assisti a 16 longas na Berlinale de 2026, a maior parte em sessão de imprensa na Berlinale Palast, e “Josephine” foi o filme que teve mais aplausos da imprensa (composta por 1200 jornalistas e críticos de cinema do mundo inteiro). O aplauso acalorado como resposta não tem exagero nenhum: é um dos melhores títulos do Festival de Berlim, que me deixou extasiado. Na coletiva de imprensa, uma hora depois da exibição, com a participação do elenco, fui saber, pelas falas da diretora Beth de Araújo, que a história era verídica, baseada em uma ocorrência de estupro que ela presenciou quando tinha oito anos de idade. Tudo fez mais sentido me causando mais impacto. Beth, que tem descendência brasileira por parte de pai e chinesa por parte de mãe, vive em São Francisco há muitas décadas e escreveu o roteiro puxando essa dolorosa imagem do passado, de como foi atravessada por um trauma ao ser testemunha de um crime sexual. O filme começa com Josephine (papel cativante e de pura singularidade da garotinha Mason Reeves), uma menina de oito anos, caminhando pelo parque Golden Gate em São Francisco ao lado do pai, Damien (Channing Tatum). Ela anda mais à frente dele e caminha por um corredor de árvores altas, até que se esconde atrás de um tronco e vê algo estranho a poucos metros: é um homem cometendo estupro contra uma mulher. A garota observa sem entender a cena, até que Damien chega, percebe o ocorrido e corre atrás do criminoso, ligando em seguida para a polícia. Confusa, pois viu uma mulher gritar de dor e ser forçada a algo que não queria, a menina aguarda a polícia. E a partir daí sua rotina infantil é estraçalhada, sendo assombrada constantemente pela figura do abusador sexual (que aparece em suas visões, no quarto, na escola). Josephine desenvolve um comportamento violento, e os pais tentam encontrar uma solução para ajudá-la (quem interpreta a mãe de Josephine é Gemma Chan, em ótimo papel também). Mais uma questão surge e instalará uma nova crise na família e dentro do íntimo da menina, quando ela terá de depor no tribunal sobre o caso, já que é a única testemunha do estupro. Josephine passa a enxergar o mundo com um olhar duro, pessimista, reflexo do que viu no parque e da pressão que sofre agora para ir todo dia na delegacia relembrar o trágico ocorrido. Beth filma a menina em primeiro plano, com closes perfeitos para demonstrar a angústia silenciosa que a pequena protagonista enfrenta – e que é ela, Beth, no passado. A construção do filme mergulha na tensão familiar, com enfoque na instabilidade dos pais e no novo modo de enxergar a vida de Josephine (que perde um pouco do encanto da infância ao levar um baque como aquele). Recebeu o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio do Público em Sundance no mês passado, e agora em Berlim crescem as chances de levar o tão concorrido Urso de Ouro – este ano tem títulos páreos, como “Dao”, “Rose” e “Queen at sea”. Veremos logo mais.

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