sábado, 3 de maio de 2025

Especial de cinema


Filmes em DVD e Bluray - Clássicos e Lançamentos

Confira 3 resenhas especiais de filmes lançados recentemente pela distribuidora Obras-primas do Cinema.



Bagdad Café

Turista alemã nos Estados Unidos, Jasmin (Marianne Sägebrecht) é abandonada pelo marido no meio do deserto de Mojave, no Arizona. Perdida, com malas nas mãos, no calorão da região inóspita, dirige-se a uma espelunca à beira da estrada, um posto-motel chamado ‘Bagdad Café’. Aos poucos fica amiga da proprietária, uma mulher de temperamento forte e deprimida, que vive brigando com a família, Brenda (CCH Pounder). Com o correr dos dias, as duas mulheres revitalizam a cafeteria, que deixa de ser um lugar velho e sujo, e é reaberto com pompa, cores e brilho, atraindo mais clientes.
Indicado ao Oscar de melhor canção em 1989, com a música ‘Calling you’, que fez sucesso, cantada por Jevetta Steele, que depois se dedicaria à música gospel, o drama sentimental, íntimo e muitíssimo feminino é um dos filmes da minha vida. Na infância, tinha o filme em VHS de uma coleção da revista Caras e revia sempre que possível. Aquela história surpreendente de duas mulheres solitárias isoladas numa espelunca à beira da estrada, apresentadas de maneira humana e sensível, aquela fotografia estourada de um amarelo precioso do deserto, tudo me causava deslumbramento. Ainda hoje causa, pois a fita de arte continua belíssima e adorável, um dos grandes cult movies dos anos 80 que, depois, seria até cultuado na TV com sessões na rede aberta. Ganhou o César de filme estrangeiro, tem uma mistura de humores, ora terno e engraçadinho, ora melancólico, tudo funcionando graças ao trabalho magistral das atrizes centrais. Do cineasta alemão recém-falecido Percy Adlon (1935-2024), que fez três filmes com a atriz Marianne Sägebrecht, ‘Estação doçura’ (1985), ‘Bagdá Café’ (1987) e ‘Rosalie vai às compras’ (1989) – ela depois faria filmes americanos, como ‘A guerra dos Roses’ (1989), e aqui faz o papel principal, Jasmin, que é abandonada pelo marido no meio do deserto de Mojave. CCH Pounder é um rosto conhecido, uma atriz de primeira linha, que fez séries e filmes aos montes, e interpreta Brenda, a mulher de temperamento forte, briguenta, dona da cafeteria. As duas, juntas, apesar de serem diferentes – uma branca de classe média toda certinha e tímida, a outra negra pobre com filhos pendurados, com a vida bagunçada e muito explosiva, aos poucos se completam naqueles dias vazios e solitários, a ponto de reerguerem a cafeteria com poucos recursos, tornando-se sócias.





Na época, foi filmado numa cafeteria verdadeira chamada Sidewinder Café, que depois do longa mudou de nome, para ‘Bagdá Café’, situada em Newberry Springs, no deserto de Mojave, na California. O drama foi rodado em 28 dias apenas. Há muito tempo atrás saiu em DVD em edição de banca, e recentemente saiu pela Obras-primas do Cinema, na versão integral alemã, de 108 minutos, bem melhor que a versão americana de cinema, de 95 minutos, e ainda mais numa cópia restaurada – conheçam essa versão que está com uma imagem de tirar o chapéu, além de conferir no DVD 50 minutos de extras.
Bagdad Café (Bagdad Cafe/ Out of Rosenheim). Alemanha, 1987, 108 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Percy Adlon. Distribuição: Obras-primas do Cinema


O menino e a garça
 
O garoto Mahito perde a mãe durante a guerra e sofre o luto. Sua família se muda então para o campo, num lugar tranquilo cercado por bosques e riachos. Num passeio, cruza com uma garça misteriosa que o leva a uma antiga torre, e os dois adentram ali a um mundo mágico com humanos, bichos e criaturas fantásticas.
 

Em junho o Studio Ghibli completa 40 anos, um estúdio de cinema responsável por grandes clássicos de animação japonesa, como ‘O castelo no céu’ (1986), ‘Meu amigo Totoro’ (1988), ‘Porco Rosso’ (1992), ‘A viagem de Chihiro’ (2001 – vencedor do Oscar), ‘Ponyo – Uma amizade que veio do mar’ (2008) e tantos outros. O líder por trás disso tudo é Hayao Miyazaki, diretor desses filmes mencionados e que está na ativa aos 83 anos – ele havia anunciado a aposentadoria, mas voltou atrás e realizou ‘O menino e garça’ (2023), uma animação grandiosa, que funciona para crianças, jovens e adultos. Aliás, os animes do Studio Ghibli nunca foram apenas para os pequenos, já que suas histórias atingem uma dimensão existencial, com personagens em conflitos universais, como os horrores da guerra, construção da identidade, orfandade, luto, o primeiro amor etc.





Lançado em 2023 no Festival de Toronto, ‘O menino e garça’ é uma animação de aventura repleta de criaturas enigmáticas num mundo mágico e estranho. O roteiro, fabuloso e fabular, cria um universo rico de detalhes e cores, levando o jovem protagonista, um garoto em luto pela perda da mãe, e a garça-guia, sua nova amiga, a uma jornada de redescobertas. Inspirado em acontecimentos da infância de Miyazaki, como a vivência ainda criança na Segunda Guerra e as passagens pela área rural, que por sua vez se inspirou no clássico homônimo ‘Kimitachi wa dô ikiru ka’, do japonês Genzaburo Yoshino, de 1937. Ou seja, é uma obra autoral de tema bem pessoal e com traços autobiográficos de Miyazaki, que escreveu o roteiro também. Ganhou os principais prêmios da temporada, como o Oscar, o Bafta e o Globo de Ouro de melhor animação, sem contar 33 outros prêmios em festivais e mostras mundiais. Não tem como não se apaixonar pelos filmes de Miyazaki. Conheçam ‘O menino e a garça’ - disponível em DVD e bluray pela Obras-primas do Cinema, com mais de uma hora de extras no disco. Também está na Netflix.
 
O menino e a garça (Kimitachi wa dô ikiru ka/The boy and the heron). Japão, 2023, 124 minutos. Animação. Colorido. Dirigido por Hayao Miyazaki. Distribuição: Obras-primas do Cinema


Monster
 
Saori (Sakura Andô) é uma mãe solo que mora com o filho pré-adolescente, Minato (Soya Kurokawa). Percebe que o menino anda angustiado, conversando pouco, mas ele não fala sobre seus sentimentos. Ao descobrir que um professor, Sr. Hori (Eita Nagayama), pode estar envolvido com esse estranho comportamento de Minato, Saori vai até a escola. A partir de uma reunião com a diretora, Sra. Makiko (Yûko Tanaka), três histórias tensas e dramáticas serão construídas a partir do passado de quatro personagens: Minato, do novo colega de classe dele, Yori (Hinata Hiiragi), de Sr. Hori e da Sra Makiko.
 
Pré-selecionado para representar o Japão como melhor filme estrangeiro no Oscar 2024, ‘Monster’, infelizmente, ficou fora da lista final – e quem representou o país oriental na Academia foi ‘Dias perfeitos’ (2023), do alemão Wim Wenders, filmado no Japão, um trabalho muito bonito. Dirigido pelo excepcional cineasta japonês Hirokazu Koreeda, um mestre da linguagem, realizador de pequenas obras-primas contemporâneas como ‘O que eu mais desejo’ (2011), ‘Pais e filhos’ (2013) e o ganhador da Palma de Ouro ‘Assunto de família’ (2018), ‘Monster’, para mim, é o longa mais brilhante desse diretor que sabe contar histórias misturando drama e humor, que toca na alma e às vezes causa tensão e surpresa. É o seu trabalho mais pessoal e humano, um filme emocionante que narra quatro histórias dentro de um mesmo contexto, que envolvem temas delicados, como bullying na escola, amadurecimento na adolescência, pré-julgamento/falsas acusações e conflitos de mãe e filho. Nos primeiros minutos do filme, uma tragédia ocorre dentro de um carro em movimento, e a partir dessa cena, que faz parte da metade da trama, o filme vai e volta, trazendo o passado de personagens marcados por traumas e seus pontos de vista – o adorado professor de uma escola, um garoto pré-adolescente e sua forte relação com o novo amigo de classe, uma mãe solo desesperada em busca de saber os motivos da mudança de comportamento do filho e a diretora escolar que guarda tristes segredos. Aos poucos vamos entendendo a complexidade de suas vidas e vemos de perto a rotina dessas pessoas. Inteligente, bem escrito e com uma edição primorosa que sabe cortar de uma historieta para outra, o drama tem ecos de ‘Rashomon’ (1950), de Akira Kurosawa, que trata do ponto de vista de quatro personagens frente a um assassinato na floresta. ‘Monster’ é para ver e rever, até porque são vários detalhes que numa primeira assistida podem passar despercebidos – eu o assisti na estreia nos cinemas em SP em novembro de 2023, depois revi duas vezes. Indicado à Palma de Ouro em Cannes, ganhou dois prêmios no festival, de melhor roteiro e o Queer Palm (entregue a filmes com temática LGBTQIAPN+).






A trilha sonora é um primor, extasiante, último trabalho do premiado compositor japonês Ryuichi Sakamoto (1952-2023), ganhador do Oscar pela trilha de ‘O último imperador’ (1987) e que assina o soundtrack de um dos filmes da minha vida, o drama de guerra japonês/britânico ‘Furyo: Em nome da honra’ (1987). Lançado em DVD e Bluray pela Obras-primas do Cinema em parceria com a Imovision – em ambas as versões em mídia física há 1h30 de materiais extras, como making of e bastidores. Também pode ser assistido na plataforma do Reserva Imovision.
 
Monster (Kaibutsu). Japão, 2023, 127 minutos. Drama/Suspense. Colorido. Dirigido por Hirokazu Koreeda. Distribuição: Obras-primas do Cinema e Imovision

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Especial de Cinema

Cinema Neo-noir

A Versátil Home Video acaba de lançar no mercado, em DVD, três boxes com filmes policiais e neonoir dos anos 90, contendo ao todo 18 longas-metragens - fotos abaixo. São eles 'Cinema policial Anos 90 - vol. 2', 'Cinema policial Anos 90 - vol. 3' e 'Filme Noir - Neonoir anos 90'. Dentre os filmes que compõem as caixas estão 'Jogo perverso' (1990), com Jamie Lee Curtis; 'Os imorais' (1990), com Anjelica Huston; 'Rush - Uma viagem ao inferno' (1991), com Jason Patric; 'O dono da noite' (1992), com Willem Dafoe; 'A testemunha ocular' (1992), com Joe Pesci; e 'Ligadas pelo desejo' (1996), com Jennifer Tilly. Em todos os boxes em DVD há quase duas horas de materiais extras. A Versátil também lançou um livro temático, 'Neo-noir- Filmes essenciais', com 72 páginas. Nele há 14 textos escritos por jornalistas e críticos de cinema convidados - um deles é o meu, sobre o filme 'Morte por encomenda' (1993), que segue abaixo, na íntegra.





'Red Rock – A cidade do engano'

Por Felipe Brida *
Deserto de Wyoming. Mike (Nicolas Cage, de ‘Despedida em Las Vegas’) acorda dentro de um carro velho à beira da estrada. Desorientado, está no banco do motorista, no meio do nada. Ele sai do automóvel, veste-se, corta a barba num cocho e faz flexões na pista onde não passa um veículo sequer. Volta para o carro e parte em direção a um campo de extração de petróleo, para uma entrevista de emprego. Mike contava com o trabalho, no entanto é dispensado por ter uma deficiência na perna, que o impede de se locomover com rapidez. Viaja então para uma cidade vizinha, localizada a 80 quilômetros a oeste, Red Rock, que possui cerca de 1500 habitantes.
Na primeira cafeteria que avista, entra e é recebido no balcão pelo proprietário, Wayne Brown (J.T. Walsh, de ‘Breakdown: Implacável perseguição’). Ao conversar com Mike, Wayne o confunde com um matador de aluguel que teria sido contratado por ele, por telefone, para matar sua esposa; Mike afirma ser ele o tal cidadão, fingindo ser o cara que era para ter chegado lá há dias e não apareceu. Como precisa de grana, aceita cometer o assassinato, que vale 10 mil dólares. O plano aparentemente dará certo, Mike recebe metade em dinheiro vivo, e passa a seguir os passos da mulher de Wayne em seu rancho particular – ela se chama Suzanne (Lara Flynn Boyle, de ‘Quanto mais idiota melhor’). Mike invade a fazenda, e quando Suzanne chega, aborda a mulher com uma arma. Em vez de matá-la, para para ouvir a contraproposta dela – Suzanne oferece o dobro para Mike matar o marido. Sem pairar qualquer dúvida, aceita. Só que resolve fugir num estalo com o dinheiro, sem matar ninguém. No caminho, atropela um homem, e um carro que vem atrás estaciona para ajudar Mike. Do veículo sai o verdadeiro matador de aluguel, Lyle, de Dallas (Dennis Hopper, de ‘Sem destino’), um homem que fala muito e se veste de maneira excêntrica – e atrasado para seu serviço. Mike aceita a ajuda, jamais imaginando quem seria aquela pessoa. Já é tarde da noite, Lyle dá carona para Mike e leva-o a um bar. O rapaz, que só queria fugir com a dinheirama, leva um choque com uma dupla surpresa: descobre que Wayne, além de ser dono dos cafés e dos bares da cidadezinha, inclusive o bar em que está, é xerife do local, que manda e desmanda, e que Lyle é o indivíduo que ele fingiu ser. A partir daí, Mike se complica, restando a ele escapar daquele lugar tomado pela corrupção e violência.




‘Morte por encomenda’ (1994) foi um ponto alto na carreira do cineasta norte-americano John Dahl, que começou dirigindo videoclipes nos anos 80, depois teve uma fase com longas-metragens policiais e de suspense entre os anos 90 e 2000 – muitos deles neonoir – e de 2005 até hoje apenas dirigindo séries televisivas e telefilmes.
Dahl entende o cinema noir e escreve roteiros com estilo e vigor. Dos sete filmes que dirigiu, cinco orbitam o universo neonoir – o longa de estreia, “Mate-me outra vez” (1989, com Val Kilmer e Joanne Whalley), sobre um rapaz que se envolve com uma mulher fatal e tem de fugir tanto de um assassino quanto de mafiosos; seu segundo filme, “Morte por encomenda” (1993); “O poder da sedução” (1994, com Linda Fiorentino e Bill Pullman), sobre uma mulher sensual que rouba um dinheiro escuso de bandidos e foge em busca de uma vítima para seu novo plano; “Inesquecível” (1996, com Ray Liotta e Linda Fiorentino) - um policial noir com ficção científica, sobre um suspeito de ter matado a esposa que faz uma experiência médica para estudar as memórias da falecida; e “Cartas na mesa” (1998, com Matt Damon e Edward Norton), a história de um ex-jogador de pôquer que, para ajudar um amigo que saiu da cadeia, volta aos jogos a fim de recuperar um dinheiro perdido. Grande parte desses filmes de Dahl trazem elementos fundamentais do neonoir, o noir moderno, como mulheres fatais (a figura clássica da Femme fatale tem no neonoir variações, como mulheres perdidas, abandonadas ou viciadas, não necessariamente envolvidas com crime e que de certa maneira empurram os homens para situações de risco); protagonistas fragilizados (por problemas financeiros, dependência de drogas ou bebida, desempregados, atormentados por erros do passado ou traídos pela esposa), que agem de maneira inconsequente e por vezes violenta, portanto, carimbados como anti-heróis; um clima austero de decadência moral; ambientes marginais onde há corrupção e o crime; reviravoltas que negam ou distorcem os acontecimentos até então apresentados; desfechos trágicos. O neonoir é uma inspiração/adaptação do estilo noir francês e americano que retorna a Hollywood com brilhantismo a partir dos anos 80 e produzido com frequência até o fim dos anos 90 – nas décadas o neonoir ainda aparece, é uma ideia de cinema que nunca morreu. Em seu livro ‘Neo-noir: Contemporary film noir from Chinatown to The Dark Knight’ (2010), Douglas Keesey destaca que os componentes do velho cinema noir, como os de filmes de gângsters, migrou para o cinema policial, de suspense e de serial killers nos anos 80e décadas seguintes, fazendo surgir híbridos como psico-noir, visto em ‘Amnésia’ (2000), tecno-noir, em ‘Matrix’ (1999), e superhero noir, em ‘Sin City: A cidade do pecado’ (2005) e ‘Batman - O cavaleiro das trevas’ (2008). O neonoir, segundo Keesey, traz novas discussões para o mundo contemporâneo, ampliando os dilemas dos personagens que enfrentam outros conflitos em um mundo em rápida e plena transformação.
Em ‘Morte por encomenda’, Dahl abre a caixa de ferramentas do noir realizando um filme policial sólido, com personagens fortes, todos eles imbricados no crime, colocados contra a parede, em situações de desespero, e com pouca possibilidade de sobrevivência: do rapaz desempregado que monta uma farsa para se dar bem passando pelo xerife sem escrúpulos, chegando até a mulher que guarda segredos e seria alvo de tiros e finalizando com o matador de aluguel de vestes extravagantes. Os quatro personagens representam o colapso, a crise, a imoralidade, o desajuste na sociedade.
Há em ‘Morte por encomenda’ subtramas que requerem atenção, como a de Kurt, um rancheiro baleado, o affair entre Mike e Suzanne e o caso do roubo milionário à siderúrgica.
O filme tem conexões com outros dois neonoir primorosos lançados em 1981, ‘O destino bate à sua porta’ (de Bob Rafelson) e ‘Corpos ardentes’ (de Lawrence Kasdan) – o primeiro é a versão do noir clássico de 1946. E claro, com ‘Gosto de sangue’ (1984), dos irmãos Coen. Nesses três longas, há um plano infalível e aparentemente fácil de assassinato, em que o marido contrata para alguém matar a esposa ou vice-versa. Mas nenhum crime é perfeito, sempre alguma pista é deixada para trás...




Nos filmes noir e neonoir, e em ‘Morte por encomenda’ não seria diferente, os personagens estão esgotados da vida, vivem a chamada ‘Síndrome do Cansaço do Mundo’, em inglês ‘World-weary Syndrome’, querem sumir, precisam de algo que os motivem pelo menos por um momento. Também em ‘Morte por encomenda’ há a figura do ‘homem errado’, que as vezes aparece no noir e, só para destacar, foi uma recorrência no cinema de Hitchcock – Mike, papel de Nicolas Cage, é o homem ferrado, que se aproveita da ocasião para se passar por um assassino e pegar uma boa grana, porém a ideia será um inferno. Ele é um típico anti-herói, que engana os outros, se engana e se corrompe.
A parte técnica do filme abrilhanta o roteiro – há uma curiosa mescla de ‘temperaturas’ com cores opostas, que vai do amarelo quente do deserto ao azul enevoado na perseguição na floresta e também no fascinante desfecho no cemitério.
Rodado no Arizona, com orçamento de U$ 8 milhões, repercutiu no cinema alternativo, exibido no Festival de Toronto e indicado em duas categorias ao Film Independent Spirit Awards, de direção e roteiro. Aliás, o roteiro foi elaborado por John Dahl ao lado do irmão, Rick Dahl - Rick só escreveu esse filme, foi assistente de diretor do irmão em ‘Mate-me outra vez’ (1989) e fez a produção executiva com ele de ‘Inesquecível’ (1996).
* Felipe Brida é jornalista, crítico de cinema e professor. Nascido e residente em Catanduva (SP), é autor do livro “Cinema em Foco: Críticas selecionadas” (2013). Mantém o blog Cinema na Web (de sua autoria, criado em 2008), além da coluna semanal “Cinema em Foco” (no jornal O Regional) e das colunas mensais “Middia Cinema” (na Revista Middia) e “Top Cinema” (na revista Top). Conduz os quadros semanais “Cinema em Foco” (na rádio Vox FM - Catanduva), “Mais Cinema” (na Nova TV/TV Brasil) e “Palavra do Especialista – Cinema” (na rádio Câmara de Bauru, em Bauru/SP). É professor de Cinema, Comunicação e Artes no Senac, Fatec e Imes Catanduva e atua como palestrante, júri e curador em festivais de cinema em todo o Brasil. Jornalista formado pela Unirp – São José do Rio Preto, é mestre em Linguagens, Mídia e Arte, pela PUC-Campinas, e tem duas pós-graduações - em Artes Visuais, pela Unicamp, e em Gestão Cultural, pelo Centro Universitário Senac/SP. Colaborou com a Versátil escrevendo em ensaios em dez livros, como “Slashers”, “Cinema policial”, “O cinema da Nova Hollywood” e “Clássicos Sci-fi”.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Cine cult


Sessão dupla ‘Tetsuo’

 
Tetsuo: O homem de ferro
 
Um empresário mata por engano um estranho homem apelidado de Fetichista de Metal. O morto volta para se vingar e transforma seu assassino numa horrenda criatura, um híbrido de metal enferrujado e carne.
 
A Versátil Home Video acaba de lançar em DVD no Brasil o box ‘Sci-fi japonesa – Vol. 3’ que reúne quatro filmes de ficção científica restaurados, além de um média-metragem e quase 1h30 de extras. Os filmes são ‘Tetsuo: O homem de ferro’ (1989), ‘Tetsuo II: O homem-martelo (1992), ‘O segredo do homem elétrico’ (1960) e ‘Guerra no espaço’ (1977), além do média-metragem que deu origem à franquia ‘Tetsuo’, ‘As aventuras de Denchu Kozo’ (1987). Cultuado, ‘Tetsuo’ é um filme de body horror japonês inspirado numa peça que o diretor Shin'ya Tsukamoto escreveu na universidade, intitulada ‘Monstros de tamanho normal’. Com curta duração, foi feito com baixíssimo orçamento e gravado em preto-e-branco em película de 16mm, propositalmente riscada e com defeitos, que passa a impressão de um filme perdido ou envelhecido e mal cuidado. É um horror de puro visual estranho, que se passa num futuro indeterminado, com elementos do cyberpunk, cheio de câmeras girando, closes e uso de stop-motion, resultando num filme para público cinéfilo mesmo. Na trama, um homem vira alvo de uma maldição após matar o Fetichista de Metal – ele o transforma num híbrido de carne com peças metálicas, uma metamorfose asquerosa, que tem eletrônicos no corpo e membros e órgãos substituídos por aço, e aos poucos se torna uma máquina de matar.
Teve problemas na produção, já que elenco e equipe abandonaram o set devido ao filme ser bem maluco, que beira uma alucinação. Sombrio, impactante, ganhou duas continuações do mesmo diretor, ‘Tetsuo II: O homem martelo (1992) e ‘Tetsuo: O homem bala’ (2009), e a versão disponível no Brasil em DVD pela Versátil é a de cinema, de 67 minutos – há uma estendida no exterior, de 77 minutos. O ganhador da Palma de Ouro ‘Titane’ (2021), de Julia Ducournau, inspirou-se nesse filme.
 
Tetsuo: O homem de ferro (Tetsuo). Japão, 1989, 67 minutos. Horror/Ficção científica. Preto-e-branco. Dirigido por Shin'ya Tsukamoto. Distribuição: Versátil Home Video
 


 Tetsuo II: O homem-martelo
 
Em Tóquio, um homem é atacado por skinheads, e vê seu corpo sofrer uma terrível mutação, que o transforma em Tetsuo, um vingativo híbrido de carne e metal.
 

Três anos depois do cultuado filme de terror scifi ‘Tetsuo: O homem de ferro’ (1989), o diretor e o elenco retornaram para essa continuação ainda mais insana e monstruosa, um autêntico body horror cyberpunk que agora ganha cor – o anterior era PB. Tomorowo Taguchi e Shin'ya Tsukamoto, que é o diretor, interpretam de novo Tetsuo e o Fetichista de Metal, descontrolados num mundo em constante mudança, numa Tóquio violenta e suja, com gangues de rua, skinheads e bandidos mercenários. As cores apagadas realçam o body horror, com destaque para um azul lancinante que invade a tela. A simbiose de metal enferrujado com carne humana que compõe o protagonista, sedento de vingança e com poderes absurdamente letais, é o ponto alto do filme – que lembra vilões de seriados japoneses como ‘Changeman’ e ‘Ultraman’, só que mais sinistros. Continua uma obra pesada, de visual impactante, um trabalho peculiar do cultuado cineasta japonês Shin'ya Tsukamoto, que rodou mais uma parte, ‘Tetsuo: O homem bala’ (2009). Exibido e premiado em festivais de horror e de cinema fantástico conhecidos dos cinéfilos, como Avoriaz, Bruxelas, Sitges e Fantasporto, está disponível em DVD, em ótima cópia restaurada, pela Versátil, no box ‘Sci-fi japonesa – Vol. 3’, que reúne quatro longas, um média-metragem e 1h30 de extras.
 
Tetsuo II: O homem-martelo (Tetsuo II). Japão, 1992, 83 minutos. Horror/Ficção científica. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Shin'ya Tsukamoto. Distribuição: Versátil Home Video



Nota do blogueiro


Primeira produção feita 100% no Mato Grosso do Sul, o filme 'Do sul, a vingança' estreia nos principais cinemas brasileiros no dia 15 de maio. Produzida pela Render Brasil e com distribuição da Kolbe Arte, o filme, de baixo orçamento, é finalista no Los Angeles Film Awards 2025 e no World Film Festival, em Cannes. Comédia com faroeste moderno, tem direção de Fábio Flecha, que assina o roteiro ao lado de Edson Pipoca - a história reúne lendas e costumes tradicionais e se passa em um cenário de conflitos na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Confira abaixo informações sobre o filme divulgadas ontem pela assessoria, como sinopse, ficha técnica, trailer e o pôster oficial.

Sinopse

Em busca de material para seu novo livro, o escritor Lauriano parte para a conturbada fronteira entre Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia, onde o crime organizado dita suas próprias leis, em busca de um “Jacaré”. O que começa como uma simples investigação se transforma em uma jornada inesperada, repleta de ação, conflitos e personagens excêntricos. Em meio ao caos de uma vastidão silenciosa e cheia de contrastes, Lauriano mergulha em uma trama tão perigosa quanto cômica — onde sobreviver é o seu maior desafio.

Ficha Técnica

Gênero: Ação / Comédia.
Duração: 107 min.
Direção: Fábio Flecha.
Produção: Render Brasil.
Distribuição: Kolbe Arte.
Elenco: Espedito Di Montebranco (Jacaré), Bruno Moser (Febem), Felipe Lourenço (Lauriano), Leandro Faria (Victor Bautista), Luciana Kreutzer (Dra. Lucia),Victor Samudio (Edson), David Cardoso (Coronel Massada).

Trailer do filme
https://www.youtube.com/watch?v=heGCGxegdFc



segunda-feira, 28 de abril de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 2


O contador 2
 
Nove anos depois de ‘O contador’ (2016), um filmaço de ação com Ben Affleck que dava um nó em nossa cabeça, Gavin O'Connor reuniu a mesma equipe para uma continuação, agora mais excitante. Mesmo com toda a complexidade da trama e das camadas dos personagens, o filme de ação e suspense é uma boa surpresa e acaba de estrear nos cinemas brasileiros pela Warner Bros. O astro Ben Affleck retorna no papel de Christian Wolff, um contador forense de mente brilhante e métodos nada ortodoxos para resolver crimes – agora o caso que cai em seu colo é o assassinato de seu ex-chefe (J.K. Simmons), um estranho crime cometido por bandidos desconhecidos. Ele é recrutado por uma agente do Tesouro americano (Cynthia Addai-Robinson) e para investigar as profundezas do caso se une ao irmão distante (Jon Bernthal), um ex-agente policial especializado em rastrear criminosos. Assim como o original, não é uma fita de consumo fácil, a história é complexa, trata do mundo das corporações e de negócios escusos, com muitos diálogos, e poucas, mas caprichadas sequências de ação. A escalação de elenco está preparada para entrar em jogo, num filme sólido, meticuloso, criativo.
 

 
Serra das Almas
 
Diretor de filmes brasileiros notórios da pós-Retomada, como ‘Baile perfumado’ (1997 – junto de Paulo Caldas) e ‘Árido movie’ (2005), o pernambucano Lírio Ferreira volta com todo seu lirismo e realismo em seu novo trabalho, ‘Serra das Almas’ (2024), thriller violento que se passa no interior de Pernambuco. Começa com um roubo de joias organizado por um grupo de desajustados, cujos líderes são dois amigos de infância, hoje traficantes. Perseguidos pela polícia, procurando esconderijo no meio do agreste, eles são vigiados por fantasmas do passado, e caem numa espiral de tormento. O confronto inicial é com a polícia e depois entre eles mesmos, deixando um rastro de crime. O filme mistura a estética poética do diretor, com fé e misticismo num agreste vivo, lugar de perpétua disputa, que absorve os personagens – ‘Serra das Almas’ foi gravado durante dois meses na região de Bezerros, no Pernambuco, e parte na capital, Recife, com um elenco afinado, que entrega tudo, com destaque para o quarteto central, Ravel Andrade, Davi Santos, Julia Stockler e Mari Oliveira. Nos cinemas pela Imagem Filmes. PS - Exibido em outubro de 2024 no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, onde ganhou o Prêmio Netflix – depois de passar nos cinemas, a produção será exibida na Netflix de mais de 190 países, em breve.
 

 
Sobreviventes
 
José Barahona (1969-2024) foi um diretor e roteirista português, falecido recentemente no auge da carreira, em novembro do ano passado, após longa doença. Da área técnica de som partiu para a direção; dirigiu curtas no fim dos anos 90, dedicando a carreira ao documentário político/historiográfico, e mesmo doente, conseguiu finalizar seu último trabalho, o filme ficcional de drama coprodução Brasil e Portugal ‘Sobreviventes’ (2024), que acaba de ser lançado nos cinemas. Trazendo atores de lá, como Miguel Damião, e daqui, como Roberto Bomtempo, é uma história conflituosa que se passa no século XIX - um grupo sobrevive ao naufrágio de um navio negreiro e fica à mercê numa ilhota, na espera de resgate. Só que a tensão entre brancos e negros aumenta quando ficam sem comida, em meio a uma ilha inóspita, sem vegetação e pessoas. A discussão central é a tensão racial, uma metáfora do colonialismo e escravidão africana, feita em tom épico, com diálogos que lembram poesia, e encenado numa esplêndida fotografia em preto-e-branco. O roteiro é assinado pelo premiado escritor angolano José Eduardo Agualusa, a partir de uma ideia original de Barahona, que corroteiriza. A trilha sonora é do brasileiro Philippe Seabra, fundador da banda Plebe Rude, e em uma das faixas Milton Nascimento empresta sua voz. Exibido em festivais como IndieLisboa, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e Festival de Cinema Brasileiro de Paris, chega aos cinemas pela Pandora Filmes.
 

 
Família
 
Diretor queer, Francesco Costabile realiza aqui seu trabalho mais pessoal, um filme que é um grito de socorro, inspirado em um complexo caso real. O jovem Luigi Celeste mora com a mãe e o irmão mais velho no subúrbio de Roma. O pai, Franco, está preso há nove anos, e a família rompeu o contato com ele, por ser um homem violento, que batia na esposa e ameaçava os filhos desde pequenos. Só que Franco sai da cadeia após cumprir a pena e tenta se reconciliar com a família, mas Luigi volta a sofrer os traumas da infância abusada. Sempre isolado, Luigi, como maneira de extravasar as tensões, entra em um grupo secreto de skinheads, que prepara uma série de ataques contra diversas minorias. Drama e suspense se intercalam num filme cult de primeira linha, numa história que dura 20 anos na vida dos personagens, entre os anos 90 e 2010 – são dois momentos, a primeira parte com a família em crise e as crianças pequenas, depois com os filhos crescidos e o pai preso, num ambiente marcado por traumas e dores, de abuso psicológico, de violência doméstica. É nessa parte que entra outro tema no filme, as organizações skinheads na Itália durante uma nova onda de neofascismo, quando o protagonista passa a integrar um dos movimentos extremistas. ‘Família’ (2024) é um filme duro, pesado, com resoluções difíceis. Venceu seis prêmios no Festival de Veneza, na Mostra Orizzonti, dentre eles melhor filme e melhor ator, o protagonista, o jovem de 22 anos que dá um show, Francesco Gheghi. Indicado ainda a oito prêmios no David di Donatello, o Oscar italiano, e exibido no Festival do Rio do ano passado. Todo o elenco está formidável, em especial os integrantes da família Celeste, com destaque para Francesco Gheghi, o Luigi, Barbara Ronchi como a mãe, Licia, Francesco Di Leva, o pai abusador, e Tecla Insolia, como Giulia, a namorada de Luigi. Inspirado no livro autobiográfico de Luigi Celeste, ‘Non sarà sempre così: La mia storia di rinascita e riscatto dietro le sbarre’. É da Imovision e está disponível na plataforma de streaming dela em parceria com o cinema Reserva Cultural, o Reserva Imovision.



domingo, 27 de abril de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas


A mais preciosa das cargas
 
Comovente animação franco-belga para público adulto, que foi exibida no maior festival de cinema animado do mundo, o Annecy, na França, ainda indicada à Palma de Ouro em Cannes e que infelizmente ficou fora da lista de finalistas ao Oscar de 2025. Digo que é para adultos, porque é um filme sério, triste, com poucos diálogos e se contextualiza no Holocausto. Um simplório lenhador e a esposa residem num casebre na floresta, enquanto o mundo se desespera com a Segunda Guerra Mundial. É frio, tudo está congelado. Um dia, a mulher encontra um recém-nascido abandonado na neve, após ser jogado pelos pais de um trem – trem esse que os levava para o campo de concentração. Ela carrega o bebê para casa, comprando um atrito com o marido, que não quer crianças. Aos poucos, o rude lenhador tem o coração amolecido pela criança, afeiçoam-se e passa a cuidar com carinho dela. A bebê cresce, vira uma menina zelosa, e em breve uma surpresa impensável baterá à porta daquela família. A Segunda Guerra e o Holocausto não eram evidentes até a chegada dos últimos trailers de cinema desse filme peculiar, e de fato essa questão vai se confirmado a partir da metade do filme. Conta com uma técnica de ilustração belíssima, inspirada nos quadros do pintor pós-impressionista francês Henri Rivière (1864-1951). É a primeira animação do diretor Michel Hazanavicius, mundialmente conhecido pelo filme que o consagrou com o Oscar de direção, ‘O artista’ (2011) – ele foi quem pintou os quadros para o longa, que demorou cinco anos para ser finalizado. Prepare-se emocionalmente para a terça parte, que é contundente, toca fundo na alma. Último trabalho de Jean-Louis Trintignant, que é o narrador – ele faleceu durante as gravações, em 2022. Assisti à animação no Festival do Rio de 2024, numa sessão lotada, aplaudida no fim. Curtinho, com apenas 81 minutos, saiu com classificação de 14 anos e está nos cinemas pela Paris Filmes.
 

 
12.12: O dia
 
Adiado três vezes desde janeiro de 2025, quando era para ter estreado nos cinemas brasileiros, o angustiante thriller político sul-coreano acaba de entrar em algumas salas, com distribuição pela Sato Company. Também visto como um docudrama, misturando forte comentário social, parte de uma história verídica, ocorrida em 1979, na capital Seul, logo após o assassinato do presidente do país Park Chung-hee, um general autoritário que ficou no poder por 18 anos. A Lei Marcial é decretada, e entra em curso um Golpe de Estado. Até o golpe ser dado pelos militares em 1980, dois grupos políticos entram em desavença, culminando com uma noite violenta, que marcou a História de Seul. Com imagens da época, cenografia realista que constituiu bunker e salas de generais, fotografia sombria, elenco caprichado e diálogos intensos, é um filme tenso, sobre os rumos de um país dividido, marcado por crises e violência institucional e disputado por facções políticas contrárias. O filme, que é de 2023, tornou-se muito atual e tem paralelo a Coreia do Sul de hoje – o país, desde dezembro de 2024, está sob uma nova Lei Marcial, decretada pelo presidente direitista e recém-impichado Yoon Suk Yeol; as ruas da capital e de outras cidades grandes estão tomadas por manifestações, algumas pacíficas, outras violentas que necessitaram de contenção policial, enquanto as eleições se aproximam, em junho. E tudo indica que o barril de pólvora continua aceso num dos países mais importantes da Ásia. Fez boa bilheteria nos cinemas da Coreia do Sul e agora está em circuito nos cinemas brasileiros. Representante da Coreia do Sul no Oscar 2025, ficou de fora do shortlist de melhor filme estrangeiro. É assinado pelos produtores dos filmes de ação sul-coreanos de sucesso ‘Infiltrados’ (2015) e ‘O homem ao lado’ (2020 – que trata do Presidente Park assassinado em 1979), escrito e dirigido pelo diretor de ‘A gripe’ (2013), Sung Soo Kim – segundo ele, presenciou boa parte dos fatos narrados no longa, quando tinha 19 anos.
 

 
Café, Pépi, Limão
 
Dirigido por Adler Kibe Paz e Pedro Léo Martins, o drama brasileiro narra a amizade de três jovens na periferia de Salvador, na Bahia, apelidados de Café, Pépi e Limão. Café está na capital em busca do pai preso, após fugir do interior por causa de uma vingança; a menina Pépi acaba de ser expulsa de casa pela mãe e está nas ruas; e Limão é um garoto em situação de vulnerabilidade que mora debaixo de um viaduto. O caminho dos adolescentes se cruza, e juntos criam conexão para superar os problemas diários e encontrar um sentido para suas vidas marcadas pela dor e falta de afeto. Com narrativa simples, é um filme delicado, sentimental, com pitadas de humor e que, no desenrolar, ganha intensa carga dramática. O filme marca também o território familiar destruído de cada um, como Café procurando o pai que está na cadeia, Pépi, alvo de estupro do pai/padrasto, mas que não pode falar nada para a mãe, e Limão que convive com uma mulher que cuida dele, mas é viciada em drogas. Infelizmente é um retrato doloroso de muitos jovens brasileiros. Rodado na Bahia, tem um elenco inteiro de lá – são rostos desconhecidos, mas bons atores, como o trio central, João Vitor Souza, Leonardo Lacerda e Mary Nascimento. Produzido pela DocDoma Filmes, chega aos cinemas de São Paulo e Salvador pela Kajá Filmes.



sábado, 26 de abril de 2025

Nota do Blogueiro

 
Cine Debate promove hoje sessão com premiada comédia dramática brasileira
 
O Cine Debate do Imes Catanduva exibe hoje, sábado, a comédia dramática brasileira inspirada em fatos verídicos ‘Pacarrete’ (2023), do cineasta cearense Allan Deberton. O filme venceu mais de 40 prêmios nacionais e internacionais, dentre eles o Kikito de Ouro em Gramado, além de outros sete prêmios nesse importante festival de cinema brasileiro. A sessão é gratuita e aberta ao público, a partir 14h, na sala de ginástica do Sesc Catanduva. A mediação do debate será feita pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, professor do Imes e do Senac e crítico de cinema Felipe Brida.
 
Sinopse: Tempos depois de deixar a cidade de Russas, no Ceará, para viver o sonho de ser bailarina clássica, Pacarrete (Marcélia Cartaxo) retorna para sua terra. Com o desejo de continuar expressando sua arte, ela terá de lidar com a rejeição dos moradores.

 
Cine Debate
 
O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do IMES Catanduva em parceria o SESC e o SENAC Catanduva. Completa 13 anos em 2025 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...