segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Cine Cult


Más notícias para o Sr. Mars

Philippe Mars (François Damiens) é apresentado ao novo colega de trabalho, o neurótico Jérome (Vincent Macaigne), um cidadão solitário em busca de um amor verdadeiro. Mars divide sua mesa de trabalho com ele e acaba acolhendo Jérome em sua casa por alguns dias. Esse será o período mais turbulento de sua vida, que terá de lidar com o estranho comportamento do colega e com outros problemas familiares.

Comédia franco-belga diferentona, que mistura momentos de humor anárquico e humor negro com sutilezas dramáticas, escrita e dirigida pelo alemão radicado na França Dominik Moll, que tem uma visão particular de cinema (diretor de “O monge” e “Harry chegou para ajudar”). É uma história de vida em desequilíbrio de dois personagens opostos que, diante de tremendas confusões no mundo do trabalho e na vida pessoal, acabam virando amigos. É legal notar a diferença de estilo dos dois personagens: o de François Damiens (de “A delicadeza do amor” e “A família Bélier”) não exprime emoções, sempre calado e de cara amarrada, desconectado do mundo, sem saber lidar com a ex-mulher e os filhos. Já o de Vincent Macaigne (de “Agnus Dei” e “Vidas duplas”) é a bagunça em pessoa, atrapalhado, psicótico, intruso, que transforma radicalmente a vida do outro. Os dois cruzarão por uma série de problemas e pequenas aventuras familiares, rodeados por figuras excêntricas. Há duas cenas bem inusitadas no filme, uma que beira o absurdo (a da orelha) e o desfecho na explosão do carro (que vira uma espécie de ‘cinema fantástico’ com suas notas de fantasia).


Não digo que é uma comédia para todo mundo, mas que é criativa, isso é. Tente assistir (disponível em DVD pela Imovision).

Más notícias para o Sr. Mars (Des nouvelles de la planète Mars). França/Bélgica, 2016, 101 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Dominik Moll. Distribuição: Imovision

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Cine Especial


1917

Dois jovens soldados britânicos precisam atravessar trincheiras e campos minados para entregar uma mensagem primordial para o comandante da tropa que está do outro lado das linhas inimigas, durante a Primeira Guerra Mundial.

O diretor e roteirista Sam Mendes (ex-marido de Kate Winslet), de “Beleza americana” (1999), “Estrada para perdição” (2002) e de dois filmes de James Bond, “007: Operação Skyfall” (2012) e “007 contra Spectre” (2015), realizou um grande épico cinematográfico e um dos longas-metragens de guerra mais impressionantes dos últimos anos. Posso dizer que é uma façanha de técnica inconfundível e difícil de ser idealizada, cheia de referências e truques visuais, a começar pelo plano-sequência que atravessa o filme inteiro (são duas horas ininterruptas de gravação, pelo menos assim era a ideia original do diretor, mas logicamente deve ter ocorrido um corte ali e uma emenda acolá, que ficaram imperceptíveis, assim como houve em “Arca Russa” e “Birdman”).


Parte de um roteiro básico, de uma história só, cheia de reviravoltas, sobre um soldado britânico que, com ajuda de outro soldado, vaga pelo front de guerra, na Primeira Guerra Mundial, atravessando as linhas inimigas com destino ao comandante da tropa, para entregar a ele a seguinte mensagem:  a ofensiva contra os alemães não pode ocorrer pois se trata de uma armadilha. E o que assistimos é toda a travessia infernal e heroica desse soldado, chamado Schofield (interpretação boa do jovem George MacKay, de “Capitão Fantástico” e “A verdadeira história de Ned Kelly”), que corre contra o tempo para levar tal mensagem – ele e o colega têm poucas horas até a ofensiva, passarão por campos minados, por corpos em decomposição nas trincheiras, levarão tiros, sem contar explosões, queda de avião etc
O que o protagonista presencia são histórias reais vividas pelo próprio avô do cineasta Sam Mendes, Alfred Hubert Mendes, que aos 19 anos lutou num batalhão britânico na Primeira Guerra, sobreviveu e depois virou escritor - ele morreu em 1991, aos 93 anos de idade.
A fotografia é impecável, de Roger Deakins (ganhadora do Oscar), que usa uma câmera penetrante e íntima, que observa e capta tudo ao redor, de expressões de medo dos personagens a grandes sequências panorâmicas, e de explosões que colocam o espectador dentro do filme.
É uma obra desafiadora, com momentos de angústia, tensão, feitos com vigor. E atenção para participações especiais excelentes de Colin Firth, Mark Strong, Benedict Cumberbatch e Richard Madden.


Foi um dos melhores filmes de 2019, e ganhou três Oscars em 2020 (melhor fotografia, efeitos visuais e mixagem de som), indicado ainda ao Oscar de melhor filme, diretor, roteiro, maquiagem/cabelo, design de produção, trilha sonora e edição de som. Levou também para casa quase todos os Baftas daquele ano (sete ao todo, como filme, diretor, filme britânico do ano e outros). Disponível em DVD, bluray e nas plataformas digitais.

1917 (Idem). EUA/Reino Unido/Índia/Espanha 2019, 119 minutos. Ação/Guerra. Colorido. Dirigido por Sam Mendes. Distribuição: Universal Pictures

sábado, 15 de janeiro de 2022

Cine Cult



O cidadão do ano

Nils (Stellan Skarsgård) é um cidadão norueguês que trabalha como motorista de um caminhão limpa-neve nas montanhas do seu país. Recebeu o título de ‘cidadão do ano’ e vive com a esposa e o filho jovem numa cidadezinha pacata, coberta pelo gelo. Um dia, traficantes matam o filho dele, acusado de roubo de drogas. A polícia esclarece aos pais que o rapaz morreu de overdose, porém Nils não acredita nessa versão. Sozinho e escondido, passa a caçar um a um os criminosos, e até se envolve com uma outra gangue rival, a dos sérvios.

Está aí uma fita de arte europeia curiosa e criativa, um thriller à moda nórdica, com humor negro, piadas jocosas, mortes sanguinárias e por vezes brutais, e uma enxurrada de situações inusitadas, com um herói de meia-idade em busca de vingança, lutando contra duas gangues envolvidas na morte do seu filho. O sueco Stellan Skarsgård conduz a trama com brilhantismo; ele é um dos grandes nomes do cinema do seu país e recorrente em filmes americanos (fez mais de 40 longas nos EUA, como “Gênio indomável”, “Cinderela”, e no ano passado ganhou o Globo de Ouro e o Bafta de ator coadjuvante pela arrebatadora série ‘Chernobyl’). E outra aparição de peso é de Bruno Ganz, com sua presença notável.


Indicado ao Urso de Ouro em Berlim em 2014, tem tudo o que um bom filme policial precisa, e vai além com uma caprichada dose de comédia que faz a obra se tornar anárquica. Ponto alto é a fotografia do gelo da Noruega, tudo é branco em cena – não só a paisagem lembra ‘Fargo’, como o próprio modelo de cinema (em especial a narrativa) nos remete aos irmãos Coen (e também a Tarantino). Há uma desconstrução de estereótipos (por exemplo, o herói de meia-idade que apanha, o chefe da máfia que é vegano e os gangsteres gays que escondem o relacionamento) e certa originalidade nos pulos de cena, como a inserção das lápides no fundo preto dos personagens que vão morrendo.


O diretor norueguês Hans Petter Moland mandou bem e acabou refilmando esse seu grande trabalho nos Estados Unidos, “Vingança a sangue-frio” (2019), com Liam Neeson e Laura Dern.

O cidadão do ano (Kraftidioten). Noruega/ Dinamarca/ Suécia, 2014, 116 minutos. Ação/Comédia. Colorido. Dirigido por Hans Petter Moland. Distribuição: Imovision

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Especial de Cinema


As estreias programadas para 2022

Como faço todo início de ano, divulgo aqui a relação das principais estreias para 2022. São filmes programados para os cinemas e para o streaming, divididos mês a mês (na lista constam o título do filme, muitos ainda sem tradução no Brasil, e na frente a data prevista para estrear).



Sing 2 (06/01)

King's Man: A origem (06/01)

O festival do amor (06/01)

Juntos e enrolados (06/01)

The tender bar (07/01) – no Amazon Prime

As agentes 355 (07/01)

Benedetta (13/01)

Pânico 5 (14/01)

Hotel Transylvania: Transformonstrão (14/01) – no Amazon Prime

Licorice Pizza (20/01)

Spencer (20/01)

Eduardo e Mônica (20/01)

O beco do pesadelo (27/01)


As aventuras de Gulliver (03/02)

Moonfall: Ameaça lunar (03/02)

Família Soprano: Newark (03/02)

Jackass para sempre (03/02)

Tô ryca 2 (03/02)

Morte no Nilo (10/02)

Case comigo (10/02)

Tarsilinha (10/02)

Coração de fogo (10/02)

Licorice Pizza (17/02)

C’mon c’mon: Sempre em frente (17/02)

Os olhos de Tammy Faye (17/02)

Uncharted: Fora do mapa (17/02)

Ambulância: Um dia de crime (17/02)

A liga de monstros (17/02)

O massacre da serra elétrica: O retorno de Leatherface (18/02) – na Netflix

Madres paralelas (18/02) – na Netflix

Detetives do Prédio Azul 3: Uma aventura no fim do mundo (24/02)


Batman (03/03)

Belfast (10/03)

Red: Crescer é uma fera (10/03)

A verdade (10/03)

Alemão 2 (10/03)

Os caras malvados (17/03)

A luz do demônio (17/03)

Downton Abbey 2: A nova era (17/03)

Cidade perdida (24/03)

O homem do norte (31/03)

Morbius (31/03)

Cyrano (31/03)



Sonic 2: O filme (07/04)

Cano serrado (07/04)

O palestrante motivador (07/04)

Animais Fantásticos: Os segredos de Dumbledore (07/04)

Predestinado (07/04)

Pacificado (07/04)

Minha irmã e eu (07/04)

Medida provisória (14/04)

Papai é pop (21/04)

O peso do talento (28/04)

Dragonkeeper (28/04)

Thirteen lives (28/04)


Doctor Strange in the Multiverse of Madness (04/05)

A suspeita (12/05)

Liga dos Superpets (19/05)

Quatro amigas numa fria (19/05)

Uma pitada de sorte (19/05)

Top Gun: Maverick (26/05)

Minecraft: O filme (26/05)

Vovó ninja (26/05)




Elvis (02/06)

Jurassic World: Domínio (09/06)

Lightyear (16/06)

Legalmente loira 3 (16/06)

O telefone preto (23/06)

Me tira da mira (30/06)

Minions: The rise of Gru (30/06)


Thor: Love and danger (07/07)

Pluft: O fantasminha (14/07)

Nope (21/07)

Black Adam (29/07)


Os suburbanos (04/08)

Beast (25/08)


Nas ondas da fé (01/09)

Salem’s Lot (08/09)

Samaritan (15/09)

White bird: A ‘Wonder’ story (15/09)

Gato de Botas 2: O último desejo (22/09)

Don't worry Darling (22/09)

Missão: Impossível 7 (30/09)

Homem-Aranha: Através do Aranhaverso - Parte 1 (06/10)

Halloween ends (14/10)

Desapega (27/10)



The Flash (03/11)

Bee Gees (03/11)

Pantera Negra: Wakanda para sempre (09/11)

Micronautas (17/11)

Os mercenários 4 (17/11)

O amor dá voltas (24/11)


Os aventureiros: A origem (01/12)

Aquaman 2 (15/12)

Avatar 2 (22/12)



Estreiam em 2022, mas ainda sem data:


Abracadabra 2

Enola Holmes 2

Rustin

Deep water

Firestarter

Killers of the Flower Moon

The man from Toronto


Estreias prorrogadas para 2023


Guardiões da Galáxia 3

As Marvels

Shazam 2

John Wick 4

Indiana Jones 5

Transformers 7: O despertar das feras

Missão: Impossível 8

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania

Scarface

Dungeons & dragons

Babylon

The Nightingale


domingo, 2 de janeiro de 2022

Especial de Cinema


Balanço de cinema: Os melhores e os piores de 2021

Apesar do atraso de dois dias, segue a minha tradicional lista dos melhores (35 ao todo) e dos piores (20) filmes do ano, vistos em festivais online, em salas de cinema e no streaming. São filmes exibidos no Brasil, alguns deles de 2019 e 2020, mas que estrearam depois, e outros que, por estarem em festivais pontuais, ainda não entraram no circuito.
Aproveito para desejar a todos um feliz Ano Novo, com saúde e esperança de um 2022 melhor.

 

Melhores filmes de 2021

 

Judas e o messias negro

The mauritanian

Meu pai

Valentina

Fuga

Mil cortes

Eu e o líder da seita

Raya e o último dragão


Army of the dead: Invasão em Las Vegas

Verão de 85

Os melhores anos de uma vida

Santa Maud

Slalom: Até o limite

Quo vadis, Aida?

Jogo do poder

King Kong em Asunción

O Esquadrão Suicida

Val


Homem-onça

Suk Suk: Um amor em segredo

Ataque dos cães

Carro rei

A lenda de Candyman

Não olhe para cima

O homem que vendeu sua pele

Sem tempo para morrer

Duna

Titane


A noite do fogo

Armugan

Marighella

Ghostbusters: Mais além

tick, tick... boom!

A mão de Deus

A filha perdida

 

Piores filmes de 2021

 

Um príncipe em Nova York 2

Dia do Sim

Rogue

Esquadrão Trovão

Amor, casamento e outros desastres

Vozes e vultos

Rogai por nós

Espiral: O legado de Jogos Mortais

Perfeição insondável

Encrencão


Em guerra com o vovô

Mudança mortal

Terapia do medo

Cinderella

O sétimo dia

Diários de intercâmbio

Reação em cadeia

Sem conexão: parte 2

Dois

After: depois do desencontro


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Na Netflix


Não olhe para cima

Os cientistas Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) descobrem que um meteoro está em direção à Terra e que dentro de seis meses ele poderá acabar com a humanidade. Eles recorrem às emissoras de TV e às redes sociais para alertar a população, bem como marcam encontros com a presidente dos Estados Unidos, Orlean (Meryl Streep), para pensar formas de amenizar o desastre, no entanto sempre são recebidos com hostilidade e desconfiança.

Há uma semana que o assunto do momento é o filme “Não olhe para cima”, a nova produção da Netflix que bateu recordes de público: até ontem estava como top #1 da Netflix no mundo, ranking ocupado em praticamente todos os países, com mais de 111 milhões de horas assistidas somente no final de semana de estreia (de 24 a 26/12) - e esse número só tende a crescer, caminhando para ser um dos três filmes mais vistos na Netflix de todos os tempos (‘Birdbox: Caixa de pássaros’ ainda é o líder, com 282 milhões de horas assistidas). Isso comprova a força do marketing viral (boca a boca), onde um fala para o outro assistir, sem contar a divulgação e a publicidade em massa sobre o filme nas redes sociais.
“Não olhe para cima” é isso tudo? Eu achei o máximo, diverti-me à beça, atento aos detalhes, e enquanto assistia fazia as relações com a política no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países que seguem a cartilha do reacionarismo e da extrema-direita. Nessa altura do campeonato todos sabem que é uma comédia com pano de fundo de disaster movie, sobre um meteoro que viaja em direção ao planeta Terra, e que os cientistas que fizeram a descoberta são desacreditados. A trama tem tudo a ver com o que passamos hoje na pandemia da Covid, e olha que o roteiro foi escrito por Adam McKay (o diretor do filme) bem antes do coronavírus estar entre nós: ele falava inicialmente sobre a crise climática, e o meteoro era uma metáfora disso. Mas com a Covid, o filme não pôde ser gravado, e a Netflix adquiriu os direitos para a produção em abril de 2020. O tema teve um novo contorno, a crise do coronavírus, que se aplica bem ao longa-metragem, ou seja, houve um “desvio de rota”, e o que era para criticar a questão ambiental, ganhou um viés ainda mais aplicável e atual.


O filme é um raio-X sobre a política nos países de extrema-direita, como o Brasil de hoje e o EUA de Trump. É fácil notar personagens da vida real ali, como Trump, Bolsonaro e a família dele, bem como um séquito de negacionistas da ciência, de falsos cientistas, da imprensa comprada e de gurus políticos, além do descalabro que a rede social se transformou na mão deles.
A dupla de cientistas do filme (DiCaprio e Jennifer, ambos bons e indicados ao Globo de Ouro pelos papéis) tentam a todo custo convencer as pessoas e a presidente da República sobre o futuro da humanidade, já que o meteoro será devastador. Ninguém dá ouvidos, quem deveria dar a lição seria a mandatária maior da nação, mas ela é uma negacionista de carteirinha e zombeteira (outra cópia dela é o filho, interpretado por Jonah Hill, que faz um assessor direto da presidência, um troglodita abobalhado e não menos anticiência). A presidente (olha a coincidência que vemos no Brasil) chega a usar as redes sociais para abrir um debate sobre a verdade do meteoro, se os americanos são favoráveis ou não à tese dos cientistas – e daí lançam a campanha “Não olhe para cima” (ou seja, não vejam o meteoro, olhem para frente e sigam suas vidas). Tal ideia representa bem a política do absurdo total da extrema-direita, encabeçada por um bando de gente enganosa e despreparada, fascistóides de plantão, que com métodos desordeiros tumultuam e dividem as pessoas com suas teses malucas – o “Não olhe para cima” é o “Não use máscaras” e o “Não se vacine”.


O filme é radiográfico e contém as caricaturas do mundo político contemporâneo, com figuras da anticiência que espalham fake News em nome da ‘liberdade de expressão’ (percebem que na boca desse pessoal tudo é ‘liberdade’, tudo pode ser falado e divulgado, o que os faz confundir liberdade de expressão com crime).
É uma sátira inteligente que devasta e incomoda, e procura alvos claros como bolsonaristas e trumpistas (muitos deles assistiram, mas pelos comentários que vejo nas redes, não entenderam direito a crítica e a mensagem ali expressa). Mensagem essa que trata da imbecilidade dos tempos sombrios que vivemos, da mentalidade obtusa da extrema-direita que nega, grita, xinga e defende absurdos em nome do bem coletivo.
Adam McKay acerta novamente e há nele um bom ajuste a cada filme – ele começou quase vinte anos atrás com “O âncora” (2004) e se dedicou a filmes políticos com fino humor, baseados em fatos reais, como “A grande aposta” (2015 – pelo qual ganhou o Oscar de roteiro adaptado), sobre o estouro da bolha imobiliária americana, e “Vice” (2018), que biografa Dick Cheney, vice-presidente na era Bush filho.


Além da indicação ao Globo de Ouro de ator e atriz que já mencionei, recebeu ainda indicação de melhor filme – comédia ou musical e melhor roteiro, e deverá ser finalista do Oscar 2022.
Ah, não desligue a TV até o final dos créditos, pois existem duas cenas escondidas, bem curtinhas e engraçadas.

Não olhe para cima (Don’t look up). EUA, 2021, 138 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Adam McKay. Distribuição: Netflix

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Cine Especial


Resenha Especial (publicada na coluna 'Top Cinema' desse mês, na revista Top)


Yesterday


Jack (Himseh Patel) é um jovem músico de descendência indiana procurando espaço no mundo musical. Certo dia percebe que é a única pessoa de seu círculo de amigos, e depois da cidade, que conhece os Beatles. Desconfia que esteja em um mundo paralelo e aproveita para cantar as músicas daquela “desconhecida” banda para fazer sucesso. Ele se torna famoso e inicia um relacionamento com a professora Ellie (Lily James).

Danny Boyle, diretor de grandes filmes que chacoalharam o mundo, realizador de gêneros variados, como “Cova rasa”, “Trainspotting: Sem limites”, “Extermínio”, “Quem quer ser um milionário” e “127 horas”, presta uma singela homenagem aos Beatles nesse seu filme bem pessoal, de drama romântico com fantasia, e que resulta numa obra tocante para quem aprecia música dos anos 60 (ainda mais as músicas da maior banda de todos os tempos!). Com clichês fáceis de serem perdoados, o filme conta a história de um músico frustrado que após um apagão na cidade onde mora, sofre um acidente de bicicleta e vai para o hospital. Ele sente algo diferente no ar ao perceber que marcas conhecidas como a Coca-Cola nunca existiram e que ninguém nunca ouviu falar dos Beatles. Ele aproveita o ensejo e começa a cantar para multidões canções dos Beatles, mas como esse grupo “nunca existiu”, apresenta-as como suas. E passa a fazer sucesso e se apaixona por uma professora de matemática (aliás, os dois atores estão muito entrosados em cena, o que engrandece o desenvolvimento do filme).


Esse mundo de fantasia que o protagonista vive nunca é explicado, é como se ele entrasse em uma fenda do tempo e vivesse outra realidade (meio trama do mundo da ficção científica sem ter aparência de fita scifi) – tudo simplesmente acontece, de maneira mágica. Boyle concebeu um roteiro deleitoso e o executou muito bem, injetando bons momentos de romance, emoção, comédia, farsa e muita música legal – para citar algumas dos Beatles, tem “Obla-di obla-dá”, “Yesterday” (logicamente), “Here comes the sun” e “Hey Jude”. Se não viu, não perca tempo: é uma fita que passa rápido, cheia de graça e simpatia, com personagens adoráveis, e tem também participação de Ed Sheeran como ele próprio, num momento divertido. Um filme sobre o poder transformador da música (e como os Beatles mudaram o comportamento de toda uma geração).

Yesterday (Idem). EUA/Reino Unido/China/Japão, 2019, 116 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Danny Boyle. Distribuição: Universal Pictures

Especial de Cinema

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