sexta-feira, 17 de abril de 2020

Cine Lançamento



Downton Abbey: O filme

Em 1927, os aristocratas britânicos da família Crawley receberão a visita do rei e da rainha da Inglaterra na mansão Downton Abbey. Os preparativos começam a todo vapor, mobilizando o intrépido grupo dos criados e cozinheiros. Até a aguardada hora, uma série de escândalos, intrigas e uma tentativa de assassinato colocarão em cheque as relações dos Crawley com a realeza.

Esse é o primeiro filme da consagrada série britânica “Downton Abbey”, um fenômeno mundial que existiu por seis temporadas, entre 2010 e 2015, ganhando três Globos de Ouro dos 11 que concorreu (venceu melhor série em 2012, melhor atriz coadjuvante em 2013, para a fantástica Maggie Smith, que rouba as cenas – na época com 80 anos, e depois melhor coadjuvante para Joanne Froggatt, em 2015). Para quem segue a trama dos Crawley no seriado, é formidável; quem nunca ouviu falar, vai ficar perdido nesse filme que mais parece um episódio esticado da franquia – o longa estreou em setembro de 2019, com bilheteria surpreendente por ser uma fita de época britânica (custou U$ 13 milhões, e rendeu, no mundo todo, quase U$ 200 mi). Ou seja, há público para produções assim, sem contar os fãs da Terceira Idade (uma fita típica para eles) – quando vi no cinema, a sessão estava cheia de senhoras felizes por ver na telona personagens da sua série favorita.
O diretor, Michael Engler, havia feito episódios da série, assim como de seriados famosos, como “Sex and the city”, “30 rock” e “The affair”. Teve a feliz ideia de convidar o roteirista-criador da franquia, Julian Fellowes, ganhador do Oscar pelo roteiro de “Assassinato em Gosford Park” (2001), e manteve o incrível time principal de atores e atrizes, como Maggie Smith (que volta a roubar as cenas), Elizabeth McGovern, Jim Carter, Michelle Dockery, Joanne Froggatt e Hugh Bonneville. Eles estão em perfeita sintonia! E tem a entrada de uma personagem bem legal, feita pela veterana Imelda Staunton. É um glamour as festas, danças, banquetes, tem o humor tipicamente britânico que muitos não compreendem, e como novidade, uma trama policial com crime e conspiração.
Particularmente gosto do baita elenco e da parte técnica, que flui bem, como a fotografia, direção de arte, cenários e figurino – as externas foram rodadas na zona rural do condado de Yorkshire, e a mansão Downton Abbey é na verdade o real Castelo de Highclere (em Berkshire).


Uma prova de que filme e seriado podem andar juntos, vide a bilheteria!
Já em DVD pela Universal Pictures com bons extras no disco.

Downton Abbey: O filme (Downton Abbey). EUA/Reino Unido, 2019, 122 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Michael Engler. Distribuição: Universal Pictures

Nota do Blogueiro


Faleceu anteontem aos 77 anos o diretor de fotografia Allen Daviau, revelado por Steven Spielberg e que trabalhou em vários filmes do cineasta. Ao longo da carreira recebeu cinco indicações ao Oscar - por "E.T. - O extraterrestre" (1982), "A cor púrpura" 91985), "Império do sol" (1987 - pelo qual ganhou o Bafta), "Avalon" (1990) e "Bugsy" (1991). Ainda fez a fotografia de "Um hóspede do barulho" (1987), "Sem medo de viver" (1993), "Congo" (1995), "Enigma do espaço" (1999), dentre outros.
Segundo familiares, faleceu vítima de complicações da Covid-19.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Nota do Blogueiro


RIP: Brian Dennehy (1938-2020). E foi-se um grande ator, com papéis memoráveis no cinema, como em "Rambo: Programado para matar"(1982), "Os lobos nunca choram" (1983), "Silverado" (1985), "Cocoon" (1985), "A barriga do arquiteto" (1987), "A marca da corrupção" (1987) e "Romeu + Julieta"(1996).


quarta-feira, 15 de abril de 2020

Resenhas Especiais




Força maior

Uma família em viagem aos Alpes Franceses fica presa no hotel após uma avalanche. Enclausurados por vários dias, o marido e a esposa travam longas discussões sobre o relacionamento, enquanto traumas vêm à tona.

Indicado ao Globo de Ouro e ao Bafta de melhor filme estrangeiro, ganhou o prêmio do Júri em “Un Certain Regard” em Cannes essa coprodução Suécia/Dinamarca/Noruega que trata com simbologias o desmoronamento familiar. Vi em 2014 quando saiu em DVD, apostei como um dos melhores filmes europeus daquele ano, e ontem pude revê-lo – ele continua com a mesma força!
É a jornada claustrofóbica de um marido, a esposa e os dois filhos presos num hotel quando vão esquiar nos Alpes na França, depois de uma assustadora avalanche tomar o local.  Hóspedes se machucam, uns ficam receosos com novos casos de desmoronamento de neve, e aquela família, aparentemente em paz, entra em colapso. O incidente provoca no casal uma série de desentendimentos, discussões calorosas, conversas por meio de ironias e exposições na mesa para desconhecidos. A avalanche não representa apenas o fenômeno da natureza, vai além, o do declínio do casamento.
No meio da delicada temática, somos invadidos por lindas paisagens da neve dos Alpes, numa fotografia belíssima de Fredrik Wenzel – grande parte da filmagem ocorreu em estações de esqui de Les Arcs, Savoie (França), na temporada de gelo. E sem falar da trilha sonora, de Ola Fløttum, magnânime!
Uma obra autoral de um cineasta sueco de destaque no atual mundo do cinema de arte, Ruben Östlund, que fez “Involuntário” (2008) e “The Square – A arte da discórdia” (2017 – ganhador da Palma de Ouro), e que novamente volta a trazer personagens egoístas, mentirosos e em declínio moral. Ele também assina o roteiro ponta-firme (com humor ácido e diálogos afiadíssimos).

Força maior (Force Majeure/ Turist). Suécia/ França/ Noruega/ Dinamarca, 2014, 119 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Ruben Östlund. Distribuição: California Filmes

 
O ídolo

O garoto Mohammed Assaf (Kais Attalah) sonha em ser um cantor famoso. Abandona a cidade onde mora, Gaza, uma região tomada por guerras, e foge sozinho para o Egito, para tentar a carreira musical. Anos se passam, depois de muito lutar ganha o “Arab Idol”, principal programa de música para descobrir novos talentos, tornando-se rapidamente ídolo do mundo árabe.

Cativante drama palestino, coproduzido em outros seis países (como Holanda e Inglaterra), que nada mais é que a honestíssima biografia de Mohammed Assaf, um jovem cantor que lutou horrores para ascender na música e como recompensa venceu em primeiro lugar o disputado programa televisivo Arab Idol, a versão árabe de “American Idol”. Sonhador, quando pequeno teve um grupinho musical com a irmã e uma amiga, detentor de uma voz poderosa. Chegou a cantar em festas de casamento, dedicando-se da infância à adolescência (o filme retrata sua trajetória entre 2005 a 2013), de corpo e alma para tentar trabalho real na música – por morar em Gaza, uma região controlada, de eternos conflitos bélicos, fugiu para um país mais aberto, o Egito, onde as condições eram mais favoráveis.
A história de Assaf é inspiradora, de superação, e conta com um ótimo protagonista na frente das câmeras, Tawfeek Barhom (ele na fase adulta). Pra dizer a verdade, todo o elenco brilha e é simpático, com rostinhos amigáveis, como Kais Attalah (o Assaf criança), a garotinha Hiba Attalah (a melhor amiga dele), e participações especiais da atriz e diretora Nadine Labaki e dos astros Ali Suliman e Ashraf Barhom. No desfecho prepare os lencinhos para cenas reais da premiação de Assaf, na época acompanhada pela TV por milhões de pessoas no mundo árabe.
Dois dramas do diretor israelense Hany Abu-Assad foram indicados ao Oscar de filme estrangeiro, “Paradise Now” (2005) e “Omar” (2013), e este era para ter sido também – era o indicado da Palestina para disputar uma vaga no prêmio da Academia, mas não prosseguiu. Foi indicado em Rotterdam e exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP, onde assisti pela primeira vez em 2016 (e agora revi em DVD). Assista e inspire-se com essa linda história!

O ídolo (Ya tayr el tayer). Holanda/ Inglaterra/ Qatar/ Argentina/ Egito/ Palestina/ Emirados Árabes, 2015, 98 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Hany Abu-Assad. Distribuição: California Filmes

Nota do blogueiro


E se foi hoje o escritor Rubem Fonseca, aos 94 anos. Adorava seus romances policais - alguns viraram séries, como "Agosto", outros filmes, como "Lúcia McCartney - Uma garota de programa", "A grande arte", "Bufo & Spallanzani". Ele também escreveu roteiros para cinema, em que se destacam "A extorsão", "Stelinha" e "O homem do ano".


segunda-feira, 13 de abril de 2020

Resenhas Especiais


Vamos de Netflix nessa quarentena? Conheça esses cinco bons títulos que estão disponíveis na plataforma!

O declínio

Num campo de treinamento de sobrevivência no meio da neve na província de Quebec, um estranho acidente desencadeia uma caçada mortal entre os participantes.

Thriller canadense no melhor estilo “fervura máxima”, a primeira investida do Netflix Quebec, portanto falado em língua francesa. Em seu primeiro longa-metragem, o jovem diretor Patrice Laliberté escala um elenco de atores locais promissores, nenhum conhecido nosso, e parte de um roteiro próprio, sobre caçada e sobrevivência no meio do gelo. Demora um pouco para desenrolar a ideia, depois de apresentados os personagens o filme dá um up com perseguições sem fim, tiros, mortes, com plot twist e sacadas legais, tudo fotografado em maravilhosas locações, em florestas congeladas no meio do nada (as lindas paisagens são das montanhas de Quebec).
Curtinho, com apenas 83 minutos, é um autêntico e estranho jogo de gato e rato, onde pouquíssimos irão se manter em pé... Programa adequado para quem gosta de suspense e ação, que acabou de “estrear” no Netflix.

O declínio (Jusqu'au déclin/ The decline). Canadá, 2020, 83 minutos. Ação. Colorido. Dirigido por Patrice Laliberté. Distribuição: Netflix


Paddleton


Michael (Mark Duplass), um homem de meia-idade solitário, descobre um câncer agressivo. Seu único contato é o vizinho Andy (Ray Romano), que também vive só, e acaba se solidarizando a ele. Ambos partem sem destino para uma última viagem de carro pelos Estados Unidos.

Mark Duplass, ator americano de vários filmes independentes, como “Creep” (2014), também roteirista e produtor, protagoniza esse bonito drama ao lado de Ray Romano, indicado a dois Globos de Ouro pela série “Everybody loves Raymond”, e que recentemente apareceu no filme de máfia “O irlandês” (2019). Eles formam a dupla de amigos solitários que, depois da descoberta do câncer de um deles, resolvem seguir viagem pelos EUA, sem rumo, sem prumo. Pelas estradas, aprofundam a relação, conversam sobre o passado, o futuro e a morte. Haverá momentos ternos, outros cômicos, sempre tratados com um lado humano, realista, sem cair em dramalhões pesados, por mais que o tema possa parecer. Já vimos diversas histórias assim no cinema, mas esse aqui é honesto, tocante e merece ser descoberto (essa modesta produção do Netflix entrou no catálogo em fevereiro de 2019).
Exibido no Festival de Sundance, tem roteiro assinado por Duplass junto de Alex Lehmann, que dirigiu o filme.

Paddleton (Idem). EUA, 2019, 89 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Alex Lehmann. Distribuição: Netflix


Loja de unicórnios

Kit (Brie Larson) é uma jovem alegre e sonhadora, pressionada pelos pais para ter um emprego digno. Um dia, de maneira mágica, recebe a ilustre visita do proprietário de uma loja que vende unicórnios de verdade (Samuel L. Jackson). Ele oferece a Kit o poder de realizar seus sonhos de criança.

Passou no Festival de Toronto em 2017 e só dois anos depois entrou no Netflix essa produção original deles, uma fita bem com cara de cinema independente. É uma comédia dramática up, bonitinha, leve, que beira o fantástico (devido aos toques de fantasia), com a presença marcante de Brie Larson, que dessa vez não só atua como estreia na direção, dois anos após ter ganhado o Oscar de melhor atriz pelo impactante “O quarto de Jack” (2015). Samuel L. Jackson aceitou mais um papel excêntrico para sua galeria de personagens meio over, meio loucos, agora usando ternos rosas, com adornos coloridos (ele é famoso por caricaturas), esbanjado graça, super à vontade como o vendedor de unicórnios. O filme é uma inspiração para adolescentes, fala sobre a realização de sonhos de crianças (aqueles sonhos impossíveis), e encanta pela forma que conduz a história. Conta com uma ajuda extra do bom time de coadjuvantes, como Joan Cusack e Bradley Whitford, que interpretam os pais da protagonista.
Não quebre a cabeça procurando explicações palpáveis, entre na onda e divirta-se com esse entretenimento meio maluquinho do Netflix.

Loja de unicórnios (Unicorn store). EUA, 2017, 92 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Brie Larson. Distribuição: Netflix


Gente de bem


Anders (Ben Mendelsohn), um americano de 60 anos, está cansado da vida que leva. Acaba de abandonar o trabalho, separou-se há pouco da esposa, tem uma difícil relação com o filho adolescente. Meio perdido, ocupa o tempo decorando a casa, enquanto tenta se reaproximar do filho e inicia uma amizade com um jovem usuário de drogas.

Muita gente não conhece Ben Mendelsohn, e muitos que o conhecem não gostam dele pelo ar de antipático, sempre em papéis fechados, sérios. Eu gosto dele por causa dessas particularidades – é um ator australiano, indicado ao Globo de Ouro pela série “Bloodline”, fez cerca de 40 longas, dentre eles um personagem fortíssimo no drama “Una” (2016), o vilão de “Jogador número 1” (2018), participações em blockbusters como “Rogue One: Uma história Star Wars” (2016), “Robin Hood: A origem” (2018), “Capitã Marvel” (2019) e “Homem-Aranha: Longe de casa” (2019). Em suma, um cara que está em voga.
Nessa produção original do Netflix, ele dá um show como Anders, um homem que tem a vida bagunçada nos aspectos “família” e “trabalho”, não se encontra de jeito nenhum. Separado, tenta se reconciliar com o filho-problema, pensa na ex-esposa na hora que transa com outras mulheres. E arruma uma solução para se organizar internamente quando fica fissurado em decorar a casa.
O drama mostra a dificuldade dele em reajustar o seu interior e as relações que o cercam, tornando-se um retrato das famílias americanas de classe média em crise. O filme se segura principalmente pelo trabalho de Mendelsohn – apesar que tem coadjuvantes bons, como a grande atriz Edie Falco, pouco aproveitada (ela é mais vista em séries de sucesso, como “Nurse Jackie” e “The Sopranos”, pelo qual ganhou dois Globos de Ouro), Thomas Mann (que tem o mesmo nome do famoso escritor alemão, o garoto fez filmes como “Eu, você e a garota que vai morrer”), e a premiada Connie Britton.
Não é para todos os públicos... é uma história dura tratada com certo humor, baseado no romance de Ted Thompson, adaptado para as telas e dirigido pela cineasta Nicole Holofcener, de “À procura do amor” (2013), indicada ao Oscar de roteiro pelo fantástico drama real “Poderia me perdoar?” (2018).

Gente de bem (The land of steady habits). EUA, 2018, 98 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Nicole Holofcener. Distribuição: Netflix


Amizades improváveis

Trevor (Craig Roberts) é um garoto de 19 anos, cadeirante, portador de distrofia muscular. Seu novo cuidador é Ben (Paul Rudd), um homem 20 anos mais velho, com depressão devido à morte do filho pequeno, e inexperiente na área de cuidados médicos. Nessa amizade improvável, farão juntos uma viagem pelo interior dos Estados Unidos, em busca de redescobertas.

Agradável comédia dramática produzida pelo Netflix na linha do emotivo filme francês “Intocáveis” (2011 - que teve remake e imitações), sobre a amizade de um homem com um garoto cadeirante que tem pouco tempo de vida. Em primeiro plano temos um escritor recém-divorciado que trata de uma depressão, pois se sente culpado pela morte do filho pequeno (Paul Rudd, em bom momento). Então inicia um job diferente, para ajudar nos cuidados diários de um garoto cadeirante, agitado, que fala pelos cotovelos, cheio de piadas na ponta da língua e adora fazer adivinhações com números (outro bom ator, o jovem Craig Roberts). Com a permissão da mãe do menino (a ótima Jennifer Ehle), viajam sozinhos de carro para o interior do país, onde terão longos momentos para conversar sobre si, acerca da vida, do futuro, sonhos, ou seja, vão se autodescobrir e entrar em sintonia. No caminho até arrumam uma companheira de estrada (a cantora e também atriz Selena Gomez).
Tudo é previsível, agridoce, a história cativa, emociona, servindo de reflexão sobre o tema “Nada está perdido”!
Dirige Rob Burnett, produtor de “Late show with David Letterman”, ganhador de cinco Emmys pelo programa, que escreveu o roteiro baseado no romance de Jonathan Evison, de 2015.

Amizades improváveis (The fundamentals of caring). EUA, 2016, 97 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Rob Burnett. Distribuição: Netflix

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Resenhas Especiais


Faroeste na quarentena

Cinco filmes de faroeste para assistir em casa. Em DVD pela Classicline! Confira aí!

Duelo sangrento

No Novo México, o jovem pistoleiro Billy the Kid (Audie Murphy) é perseguido por capangas quando decide se vingar pela morte do patrão.

Modesto faroeste de início de carreira de Audie Murphy, em seu quatro longa-metragem, e o primeiro western, que retrata a saga do lendário pistoleiro Billy the Kid (1859-1881), o gatilho mais rápido do Oeste. Centra-se na chamada Guerra do Condado de Lincoln (ocorrida em 1878), quando o tímido garoto Billy, com apenas 21 anos, armou uma revolta com seu grupo de 20 homens contra fazendeiros e comerciantes que mataram seu patrão. O conflito durou três anos, mobilizou xerifes de vários estados, encerrando-se com a morte de Billy três anos depois.
Murphy, marcante no cinema faroeste, protagonizou pela primeira vez aqui, na época com 26 anos, atraindo a atenção do público – o ator morreu cedo, aos 46 anos, em 1971, vítima de acidente de avião.
O filme é ingênuo, de baixo orçamento, com cenários cafonas, no entanto empolga pelas cenas de tiroteio, sendo assim um bangue-bangue regular. Tem argumento original de Robert Hardy Andrews, com roteiro dele, que fez “No velho Colorado” (1948), e direção de Kurt Neumann, de “A mosca da cabeça branca” (1958). Originalmente da Universal, saiu em DVD pela Classicline.

Duelo sangrento (The kid from Texas). EUA, 1950, 74 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Kurt Neumann. Distribuição: Classicline


Terra do inferno


O vaqueiro Owen (Randolph Scott) passa a ser alvo de atiradores contratados por um rancheiro que disputa suas terras com ele.

Original da Columbia Pictures, feito num bonito Technicolor, é um dos bons faroestes com a marca de André De Toth, cineasta e roteirista austro-húngaro realizador de cinema noir, destacando-se também em faroestes, por exemplo recebeu indicação ao Oscar de melhor roteiro por “O matador” (1950). Com um rosto típico dos westerns da época, Randolph Scott (de “Resgate de bandoleiros”), o filme tem um roteiro bem amarrado, no patamar das fitas da época, com ótimos momentos de suspense, drama e até romance (quando há uma disputa entre o vaqueiro e o rancheiro pelo amor da mesma mulher) – o roteiro foi baseado no romance rancheiro de Ernest Haycox, roteirista de um dos faroestes mais aclamados do cinema, “No tempo das diligências” (1939).
Rodado em vales reais da California, como o belíssimo Lone Pine, tem como atrativo a marcante canção, de mesmo título do filme, “Man in the saddle”, composta pelo cantor country Tennessee Ernie Ford (que até faz uma pontinha na metade, tocando violão). Ah, não nos esqueçamos das atuações femininas: Joan Leslie e Ellen Drew fazem bonito!
Sou fã de faroeste, e este é um pequeno achado, disponível em DVD pela Classicline (que fez bem em resgatá-lo).

Terra do inferno (Man in the saddle). EUA, 1951, 86 min. Faroeste. Colorido. Dirigido por André De Toth. Distribuição: Classicline


E três exemplares com o astro Glenn Ford

Império da desordem

Ex-caçador de recompensas, Cheyenne (Glenn Ford), que hoje leva uma vida fora dos crimes, é preso acusado de assaltar um banco. Seu melhor amigo é o xerife Steve (Randolph Scott), da cidade onde o local foi roubado. Ele tenta provar a inocência de Cheyenne procurando pelo verdadeiro bandido.

Lançado em 1943, é um dos primeiros filmes Technicolor da Columbia Pictures, que chacoalhou o mercado cinematográfico americano da época com a novidade tecnológica! A imagem no Technicolor era realçada, as cores carregavam nova perspectiva, o enquadramento melhorava, enfim, o campo de visão do público submetia-se a outra configuração. Em “Império da desordem”, percebe-se especialmente a qualidade da fotografia, mas o que viria em filmes futuros marcaria mais a memória das pessoas.
Trazia o astro do western Randolph Scott, e tinha ainda um Glenn Ford novinho em folha, então com 27 anos - depois atuaria em uma dezena de faroestes, como “A pistola do mal”. O roteiro empolgante de Robert Carson, ganhador do Oscar de roteirista pela primeira versão de “Nasce uma estrela” (1937), segura o telespectador na cadeira, aliado à formidável direção do icônico Charles Vidor, dos clássicos “À noite sonhamos” (1945) e “Gilda” (1946). A trama segue os ingredientes do western: rivalidade, vingança, brigas com bala por todo lado, o mocinho versus o bandido. E No meio disso tudo, há um romance entremeado (no papel feminino, a da condessa, Claire Trevor), e para fechar o trio masculino, outro nome do cinema faroeste, Edgar Buchanan (de “Pistoleiros do entardecer”, de novo com Randolph Scott). Para apreciadores do gênero, uma boa pedida!

Império da desordem (The Desperadoes). EUA, 1943, 86 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Charles Vidor. Distribuição: Classicline


O pistoleiro do Rio Vermelho

Prestes a se casar com a dona de um saloon no Velho Oeste, o ex-pistoleiro, hoje assistente de xerife, Dan Blaine (Glenn Ford), trava um duelo mortal com um jovem atirador, recém-chegado à sua cidade.

Um digno faroeste de um dos mais profícuos cineastas do cinema americano, Richard Thorpe, realizador de 185 filmes entre as décadas de 20 e 60, como o clássico “Ivanhoé, o vingador do rei” (1952). E foi também seu último trabalho – Thorpe aposentou-se depois de “O pistoleiro do Rio vermelho”, morrendo em 1991 aos 95 anos.
No padrão das produções de bangue-bangue da época, ao contrário de Império da desordem” (1943) que tinha Glenn Ford novinho, aqui o ator envelheceu, estrelando no papel de um ex-pistoleiro cheio de rugas, cansado da vida de crime (na época ele tinha 53 anos), disposto a recomeçar de forma diferente ao lado de uma mulher (Angie Dickinson, linda e elegante). Mas nada é como planejado; um duelo cara a cara com um garoto bom de gatilho fará com que empunhe novamente sua arma. Como diz o título original, será “o último desafio” do fora-da-lei aposentado.
Com longas cenas no interior de saloon, nem tantas de tiroteio, misturando romance e drama, o “far-west” da MGM é um exemplar requintado, bem feito, para os saudosistas do gênero (eu me encaixo nessa). Em DVD pela Classicline.

O pistoleiro do Rio Vermelho (The last challenge). EUA, 1967, 95 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Richard Thorpe. Distribuição: Classicline


A pistola do mal

Quando retorna para casa depois de cumprir sua jornada de pistoleiro, Lorn (Glenn Ford) encontra seu rancho em ruínas e descobre que a esposa e as filhas foram raptadas por apaches. Em busca de pistas, junta-se a um velho que negociava com índios, Owen (Arthur Kennedy), para localizarem a família raptada.

Clássico faroeste da MGM, “A pistola do mal” conta com atuações memoráveis de Glenn Ford, astro do gênero, e de Arthur Kennedy, um de meus atores favoritos (indicado a cinco Oscars), numa trama envolvendo pistoleiros contra índios apaches. Não tem como não lembrar de “Rastros de ódio” (1956), o filme até pode ter recorrido à obra-prima de John Ford, com resultado menor. Porém isso não rebaixa a qualidade desse bangue-bangue caprichado, por vezes down, angustiante, que trazia na direção o filho de Richard Thorpe, Jerry (assim como o pai, viveu até os 90 anos, falecendo em 2018) – ele era um atuante produtor, dirigiu menos filmes, mais seriados. Como de praxe nos westerns americanos das décadas passadas, o índio é tratado com o mal da vez (sendo que eles revidam por terem sido expropriados de suas próprias terras!). Há ganchos com tramas paralelas, com direito a reviravoltas no desfecho. Prepara-se para uma grande aventura no Oeste selvagem.

A pistola do mal (Day of the evil gun). EUA, 1968, 92 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Jerry Thorpe. Distribuição: Classicline

Especial de Cinema

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