sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cine Lançamento



Resenhas dedicadas ao jornalista, crítico de cinema e amigo Rubens Ewald Filho, falecido anteontem aos 74 anos.

Um homem comum

Um general acusado por crimes de guerra (Ben Kingsley) é procurado pelos quatro cantos do mundo. Ninguém sabe de seu paradeiro. Hoje, com setenta anos, vive numa cidade distante, com outra identidade. Sua rotina muda quando desenvolve uma estranha relação com a nova camareira, Tanja (Hera Hilmar), 40 anos mais jovem que ele. Até que a garota fica sabendo, pelas páginas de um periódico, sobre uma grande recompensa pela cabeça do general.

Modesto drama de ação com um Ben Kingsley em plena forma, ele que é o eterno Gandhi do cinema, em uma trama chamativa, que se passa na antiga Iugoslávia, exatamente no fim do Comunismo, quando rivalidades étnicas e religiosas dividiram o povo. Explodiram, na época, crimes contra a humanidade (torturas, estupros e assassinatos em massa), muitos cometidos por generais, que fugiam para outros lugares do mundo para não serem julgados. Um deles é o protagonista do filme (que não tem nome, apenas se referem a ele como ‘general’), que vive há muito tempo com nova identidade e fisionomia. Ele é o tal do “homem comum”, um anti-herói de alto calibre, que no passado assassinou gente inocente, agora tenta esquecer esse período sombrio fugindo dos atos cometidos. Sua aparência é de um cidadão do bem, com cara de vovô cuidadoso e gosta de cozinhar. Ao mesmo tempo é sarcástico, chega a ser desagradável, e tem plena consciência de que é procurado vivo ou morto – por isso redobra os olhares na porta com receio de ser preso ou assassinado a qualquer instante. Um dia chega até sua casa uma camareira jovem, atenciosa (a atriz Hera Hilmar, de “Máquinas mortais”), disposta a ajudá-lo nos afazeres diários. Mesmo duro com a garota, abre-se para uma aproximação, enquanto ela, que também tem um segredo escondido, descobre que o general é um foragido, com uma grande recompensa por trás, o que altera a relação entre os dois - e um desfecho que indica tragédia à vista.
Prometia ser uma fita de ação, no entanto parte para um profundo drama sobre quem realmente somos, como o passado nos assombra, além de pincelar um pouco sobre a amarga História da ex-Iugoslávia, na época da desintegração (1991 a 2001), que culminou numa triste guerra civil com limpeza étnica nos Balcãs, gerando uma onda de violência tamanha e que marcou um triste capítulo na Europa. Não é uma aula sobre o episódio, fica num nível da menção nos créditos e no clima de perturbação dos personagens – e mesmo assim permite relembrarmos estes horríveis acontecimentos dos anos 90, hoje esquecidos.
Gravado em Belgrado, capital da Sérvia (um dos seis países desmembrados da antiga Iugoslávia), reúne um elenco de atores sérvios e uma participação do filho de Ben, Edmund Kingsley. Escrito e dirigido por Brad Silberling, de “Cidade dos anjos” (1998) e “Desventuras em série” (2004), que realizou “Um homem comum” com baixo orçamento - teve pouca divulgação e ficou míseros dias em cartaz no Brasil saindo recentemente em DVD pela Focus Filmes. Curiosidade: em 2013 saiu uma fitinha fraca de ação com Ben Kingsley com o mesmo título, “Um homem comum”, por isto não confunda - este de 2017 é muito melhor.

Um homem comum (An ordinary man). EUA/Sérvia, 2017, 90 min. Drama/Ação. Colorido. Dirigido por Brad Silberling. Distribuição: Focus Filmes


Letras da morte

O detetive Will Ruiney (Karl Urban) convida um investigador aposentado chamado Ray Archer (Al Pacino) para ajudá-lo na caçada de um assassino em série que vem espalhando o terror em uma cidade. O modus operandi do criminoso é o antigo jogo da forca, em que suspende a vítima com uma corda no pescoço e inscreve em seu corpo uma letra do alfabeto para formar no futuro uma misteriosa palavra.

Suspense lado B cujo atrativo é a participação de Al Pacino como um detetive que sai da aposentadoria para caçar um terrível serial killer. Quando gravou o filme, Pacino estava com 77 anos, com disposição para correr, lutar, repetindo-se num papel já visto centenas de vezes, do investigador linha dura (muito parecido com o de “Fogo contra fogo”). É ajudado em cena por dois talentos, os outros dois detetives, Karl Urban (neozelandês das franquias de cinema “O senhor dos anéis” e “Star Trek”) e Brittany Snow (da trilogia “A escolha perfeita”), todos inseridos numa trama complexa de investigação, com mortes violentas, e a velha fórmula, ainda muito estimulante para fitas como essa, “quem é o assassino”.
Envolve e tem duração rápida (98 minutos). É um passatempo de suspense com cara dos anos 90, como aquelas exibidas no antigo Supercine. Não deseje nada além disto...
Em 2001 houve um telefilme com trama idêntica e, pasmem, mesmo título original, “Hangman” (aqui lançado como “O jogo da forca”, com Lou Diamond Phillips, bem inferior a este). Opte por esta produção de 2017, dirigida por Johnny Martin, que trabalhou como ator e teve uma sólida carreira como dublê de centenas de fitas de ação da década de 90.
“Letras da morte” saiu em DVD discretamente há pouco meses pela distribuidora Flashstar, do grupo A2 Filmes.

Letras da morte (Hangman). EUA, 2017, 98 min. Ação/Suspense. Colorido. Dirigido por Johnny Martin. Distribuição: Flashstar

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Nota do Blogueiro


Triste demais saber do falecimento do mestre e amigo Rubens Ewald Filho, que influenciou gerações como a minha na crítica de cinema... caramba! :/
Ele tinha 74 anos e estava internado desde o dia 26 de maio depois de sofrer uma queda em uma escada. Tive o prazer de viajar com ele para diversos festivais de cinema pelo Brasil (abaixo nosso encontro no Festival de Anápolis, em 2013, e outra no Festival de Goiânia, em 2012).
Pensando aqui, quantas vezes folheei seus dicionários de filmes, o dicionário de diretores, livros importantes para minha formação, além de acompanhar seus comentários sobre o Oscar... um profissional nota 1000, de um coração generoso que era só dele... Descanse em paz, REF.



quarta-feira, 19 de junho de 2019

Resenha Especial



Olhos de gato

Um misterioso gato malhado é o elo que une três histórias de terror do universo de Stephen King.

Na década de 80 o escritor de livros de terror Stephen King virou fenômeno entre os leitores do mundo inteiro. Nessa época grande parte de suas obras receberam adaptação para o cinema, fidelizadas com roteiro do próprio King, como neste bom e menos conhecido “Olhos de gato”, de 1985. O filme reúne três historietas de terror, mistério, suspense, humor negro e a última, em especial, com criaturas bizarras, feitas para consumo rápido e voltadas para os fãs do autor.
Na primeira história, um fumante (James Woods) entra num grupo de ajuda para deixar o tabagismo, porém a terapia é radical, envolvendo tortura e ameaças. A segunda fala de um tenista (Robert Hays) sequestrado por um mafioso desequilibrado (Kenneth McMillan) que o faz caminhar pelo parapeito de um edifício como forma de puni-lo por ter transado com a sua esposa. E na última delas, uma garotinha (Drew Barrymore) é atacada todas as noites por um monstro que sai da parede de seu quarto.


Um pouco irregular pela diferença de tom e gênero entre as histórias, a fita reuniu uma equipe técnica de alta qualidade, com nomes conhecidos do cinema da época: produção de Dino de Laurentiis, fotografia de Jack Cardiff, trilha de Alan Silvestri e maquiagem e criaturas do mago dos efeitos Carlo Rambaldi (de “ET” e “Alien). Fora as referências bacanas do universo de Stephen King – na abertura, por exemplo, há menção aos cultuados “Cujo” e “Christine – O carro assassino”. Outro ponto-chave é a participação de Drew Barrymore, ainda criança, em início de carreira, em papéis diferentes nas três histórias, todas dirigidas por Lewis Teague, de filmes de terror como “Cujo” (1983) e “Alligator – O jacaré assassino” (1980) e de “A joia do Nilo” (1985).
A título de conhecimento, as historietas foram extraídas do primeiro livro de contos do escritor, o famoso “Sombras da noite” (1978) – do livro saíram contos que também inspiraram “Colheita maldita”, “Voo noturno” e “Às vezes eles voltam”.
Saiu pela primeira vez em DVD em 2004 pela Universal e acabou de ser relançado pela Classicline. Fãs de terror devem experimentar.

Olhos de gato (Cat's eye). EUA/Holanda, 1985, 90 min. Terror. Colorido. Dirigido por Lewis Teague. Distribuição: Classicline

terça-feira, 18 de junho de 2019

Cine Lançamento



A caminho de casa

Na cidade de Denver uma lei proíbe famílias de criar cães da raça Pitbull. Isto faz com que o jovem médico Lucas (Jonah Hauer-King) e sua mãe Terri (Ashley Judd) entreguem a cachorrinha deles, de nome Bella, para outras pessoas adotarem. Ela então é levada para uma cidade a 640 quilômetros, sem contato nenhum com a antiga família. Bella não se adapta, foge e inicia um longo percurso de volta para casa.

A jornada de uma cachorrinha que anda milhas e milhas em busca de seus donos é narrada com afeto e simpatia nesse drama feito para emocionar todos os públicos. Prepare os lenços e embarque numa aventura repleta de coragem e entusiasmo!
O roteiro de “A caminho de casa” foi escrito pelo próprio autor do livro original homônimo, W. Bruce Davison, juntamente com a esposa, Cathryn Michon – Davison gosta muito de animais, é dele outros dois best sellers com cães que viraram filmes, “Quatro vidas de um cachorro” (2017) e a continuação, “Juntos para sempre” (2019), em exibição nos cinemas.
A história da cachorrinha Bella lembra as clássicas peripécias de Lassie, que impulsionaram inúmeras imitações nas décadas passadas, e agora o tema volta com tudo inundando Hollywood.
Aqui conhecemos um jovem médico (Jonah Hauer-King) que recolhe uma cadelinha numa casa abandonada, levando-a para casa. Ela foi criada por gatos, e agora servirá de companhia para a mãe dele, que tem depressão (a sumida Ashley Judd). Bella cresce, caseira, até que um vizinho liga para a vigilância sanitária para uma denúncia, pois na cidade de Denver há uma lei que proíbe domesticação de pitbulls; apesar de ela não ser da raça, acaba malvista (na verdade a cadelinha tem vaga semelhança com um pitbull, mas a própria lei diz que cães parecidos podem ser recolhidos pela “carrocinha”). Bella é pega pelos fiscais; para não sacrificarem o animal, a família permite a sua adoção em outro estado americano, 640 quilômetros longe. Ela não se acostuma lá e foge em busca dos verdadeiros donos. No caminho enfrentará perigos e aventuras, como frio, fome, faz amizade com um puma, é perseguida por lobos, atropelada etc – mas nunca perde o objetivo de estar de volta ao lar.


Mistura de drama com aventura, o filme tem bonitas paisagens de gelo, montanha, campos (foi rodado na Columbia Britânica, no Canadá), nos enche de lágrimas ao mostrar a trajetória de amadurecimento de Bella para voltar para casa - quem dubla os pensamentos da cadelinha é Bryce Dallas Howard, filha do diretor Ron Howard. E outro tema tratado com ternura é a fidelidade dos cães e os fortes laços que eles têm com os humanos, além de discorrer sobre os maus tratos a animais e preconceito (na questão da lei que sacrifica pitbulls).
Uma fita irresistível para o público que gosta de pets!
A direção é de outro apaixonado por animais, o ator Charles Martin Smith, de “Os intocáveis” (1987) e “Loucuras de verão” (1973), que dirigiu “Bud: o cão amigo” (1997) e as duas partes de “Winter, o golfinho” (2011 e 2014).
Chegou esta semana em DVD pela Sony Pictures, num disco repleto de extras (cenas deletadas, making of e especiais).

A caminho de casa (A dog’s way home). EUA/China, 2019, 96 min. Aventura/Drama. Colorido. Dirigido por Charles Martin Smith. Distribuição: Sony Pictures

domingo, 16 de junho de 2019

Cine Lançamento



A morte te dá parabéns 2

A sarcástica estudante Tree Gelbman (Jessica Rothe) escapou da morte após enfrentar um looping eterno, em que revivia o dia do aniversário, e na data festiva era assassinada por um bandido mascarado. Dois anos se passaram, e agora ela e seus amigos universitários terão de fugir novamente do psicopata com máscara de bebê, caindo nas garras de um novo looping.

Sequência curiosa e divertida do terrir “A morte te dá parabéns”, um pequeno sucesso nos cinemas em 2017, de novo produzido pela Blumhouse, os mesmos estúdios de uma safra positiva de fitas de horror, como “Corra!” e “Fragmentado”. Esta vívida continuação traz o diretor e todo o elenco do filme 1, subvertendo os acontecimentos do anterior de forma brilhante.
Tree e os amigos Carter e Ryan se deparam com um novo looping, que agora atinge não só a garota, mas os rapazes também. O trio terá de fugir da morte a todo custo, para descobrir quem é o assassino e, logicamente, o porquê de reviverem sempre o dia da morte.
A sacada foi terem incrementado no terrir o gênero ficção científica, que dá um impacto danado na trama, além de pitadas de drama e romance, com foco em outros pontos de vista, no caso os dois personagens masculinos que no primeiro filme eram secundários – destaque para Ryan, o garoto oriental, que na abertura já descobre ter o mesmo poder de morrer e voltar, num looping interminável.


Haverá surpresas incríveis sobre uma máquina do tempo, ideia original para uma fita de terror, que trata de situações sobre viagem no tempo e de um outro tema que está em moda no cinema, os multiversos (ou universos paralelos). Continuam as mortes violentas, muito sangue, no estilão do cinema slasher que predominou nos Estados Unidos nos anos 80 (a ideia era simples: um assassino mascarado matando inocentes com armas variadas, cuja identidade só é desvendada nos minutos finais).
Inventivo, empolgante, tem um bom clima de mistério suavizado pelo humor negro em momentos oportunos, com um bom trabalho dos atores principais. Engraçado, não teve a bilheteria do primeiro (que havia sido sucesso, se pensarmos que era uma fita barata e independente), ficando de fora do ranking norte-americano, já que nos EUA consome-se bem fitas como essa.
Quem não viu na telona, pode assistir agora em DVD ou nas plataformas digitais; é o lançamento da semana da Universal Pictures. O DVD tem extras bacanas, como erros de gravação, making of e cenas excluídas.

A morte te dá parabéns 2 (Happy death day 2U). EUA/Japão, 2019, 99 min. Terror/Suspense. Colorido. Dirigido por Christopher Landon. Distribuição: Universal Pictures

sábado, 15 de junho de 2019

Nota do Blogueiro


RIP: Franco Zeffirelli (1923-2019), cineasta italiano que adaptou boa parte das peças de Shakespeare para o cinema, como "A megera domada" (1967), "Romeu e Julieta" (1968) e "Hamlet" (1990), além de dirigir "Irmão Sol, Irmã Lua" (1972), "O campeão" (1979) e "Amor sem fim" (1981).


Nota do Blogueiro


Lançamentos em DVD da Classicline de junho. Quatro títulos imperdíveis para quem curte o bom cinema! Tem o drama de aviação "Na estrada do céu" (1951, de Henry Koster, com James Stewart e Marlene Dietrich), o western "Texano: O bandoleiro temerário" (1966, com Audie Murphy e Broderick Crawford), a fita de ação e guerra baseada em fatos reais "Os heróis de Telemark" (1965, de Anthony Mann, com Kirk Douglas e Richard Harris) e o terror adaptado de contos de Stephen King "Olhos de gato" (1985, de Lewis Teague, com Drew Barrymore e James Woods). Já nas melhores lojas. Obrigado, Classicline, pelo envio dos filmes!


Especial de Cinema

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