domingo, 26 de maio de 2019

Resenha Especial


O tempo não apaga

* Reedição (o DVD acaba de ser relançado no Brasil pela Classicline)

Três amigos de infância, Martha, Walter e Sam, guardam um segredo assustador. Duas décadas se passam, e Martha (Barbara Stanwyck) está casada com Walter (Kirk Douglas); ela é uma industrial bem-sucedida e gananciosa, enquanto ele trabalha como promotor de justiça, de comportamento suspeito e muito ambicioso. A rotina dos dois muda quando o velho amigo Sam (Van Heflin) surge de forma inesperada na cidade, passando a ameaçar o casal para se “vingar” do crime cometido pelos três no passado.

Um autêntico filme noir norte-americano em plena época em que Hollywood produzia filmes desse subgênero ‘importado’ da França. Indicado ao Oscar de melhor roteiro original em 1947, “O tempo não apaga” fala do sentimento da culpa, da consciência suja, tudo porque o trio da história guarda um terrível segredo a sete chaves – eles, pequenos, cometeram um assassinato brutal (logo na abertura exibe-se a referida ideia). O tempo passa, e cada um deles, já na idade adulta, tem suas vidas mesquinhas: Barbara Stanwyck é a mulher fatal, uma industrial com fama e poder; Kirk Douglas, o marido, promotor de justiça com ar perigoso; e Van Heflin, o tormento na vida do casal, um homem chantageador disposto a tudo, inclusive a revelar à sociedade o segredo que os une.


Como sempre nos filmes noir, e aqui não é diferente, há intriga, chantagem e reviravolta em torno dos personagens, todos de moral comprometida e de má índole – não há ‘mocinhos’ na trama, tampouco pessoas éticas. E outros elementos de estilo noir estão presentes, como o final não-feliz, a tortura psicológica, a tentativa de redenção etc.
Produzido em PB, acaba sendo um dos trabalhos importantíssimos e menos conhecidos do diretor Lewis Milestone, duas vezes vencedor do Oscar – por “Dois cavaleiros árabes” (1927) e “Nada de novo no front” (1930), um cineasta que teve papel fundamental para a solidificação do cinema norte-americano durante a década de 30, cuja carreira durou até a metade dos anos 60.
Milestone escolheu bem o elenco: Barbara, uma das mulheres fatais do cinema noir, Kirk Douglas, aqui estreante, e Van Heflin, um de meus atores preferidos, além da participação menor da grande atriz Judith Anderson (como a mãe rude de Martha Ivers) e a coadjuvante Lizabeth Scott (a namorada de Sam).
Com título dramático demais – a tradução do original seria “O estranho amor de Martha Ivers”, que soa ambíguo e bem esquisito, o filme acaba de ser relançado em DVD pela Classicline - havia saído pela primeira vez em 2011 na coleção ‘Clássicos’ pela Paramount Pictures. Para quem tem curiosidade em conhecer o noir, este é um exemplo dos bons.

O tempo não apaga (The strange love of Martha Ivers). EUA, 1946, 116 min. Drama. Preto-e-branco. Dirigido por Lewis Milestone. Distribuição: Classicline

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Cine Lançamento


Como treinar o seu dragão 3

Soluço (voz de Jay Baruchel) cresceu, decidido em manter a pacificidade entre homens e dragões na Ilha de Berk. Sua nova missão é soltar os dragões ainda aprisionados pelos vikings, procurando por eles em outras terras, o que desperta a atenção do mal-intencionado Grimmel (F. Murray Abraham). Para capturar Soluço, Banguela e seu grupo, Grimmel usa um dragão fêmea, chamada Fúria da Luz, desencadeando uma nova guerra em Berk.

Último filme da trilogia “Como treinar o seu dragão”, este capítulo três rendeu a maior bilheteria da franquia se contabilizado os festivais que antecederam a estreia no Brasil e nos Estados Unidos, no início deste ano. Encerrou com chave de ouro uma cinessérie sólida, de sucesso entre a garotada e até entre o público adulto – os três juntos, nesses nove anos, arrecadaram U$ 1,3 bilhões nas salas de cinema, um estrondo inigualável!
Com menos ação e mais romance e ternura, pode ser analisado como uma fábula sensata sobre amadurecimento, coragem, amizade, perdas e o primeiro amor, envolvendo os personagens consagrados da franquia: Soluço, Banguela, Astrid, Melequento, Perna-de-peixe e a estreia neste exemplar, a Fúria da Luz. Preciso confessar que de todos é o capítulo que menos se encaixa no meu gosto; esperava momentos mais intensos de ação, como nos anteriores, e aqui o romance é muito melosinho para uma animação para crianças, além de repetições de elementos dos filmes um e dois – melhora da metade para o final, chama atenção pela radicalização de cores impressionantes e é incontestável o visual, de tirar o chapéu. É um trabalho bom de animação, mas inferior da franquia. 


Ainda tem chances de ser indicado ao Oscar de 2020, pois estreou em janeiro passado (o que deverá ocorrer, já que os dois foram). Os méritos vão para o criador Dean DeBlois, canadense que ganhou respeito no mundo da animação desde quando trabalhava na Disney, em “Lilo & Stitch” (perceba que Stitch é um animal alienígena, mistura de cão e dragão, que indica a preferência do cineasta por criaturas assim). Ele trouxe o elenco de volta, com nomes de peso emprestando suas vozes, como Jay Baruchel, Cate Blanchett, Jonah Hill, Gerard Butler e Kristen Wiig, e o roteiro segue a mesma tradição, baseado na série de livros infanto-juvenis de Cressida Cowell (as obras já venderam oito milhões de cópias no mundo todo, um sucesso desde o lançamento no Reino Unido em 2003).
“Como treinar o seu dragão 3” chegou ontem em DVD e Bluray, num disco recheado de extras – o Bluray, por exemplo, traz dois curtas-metragens de animação da Dreamworks, abertura alternativa, cenas excluídas, especiais e comentários.

Como treinar o seu dragão 3 (How to train your dragon: The hidden world). EUA/Japão, 2019, 104 min. Animação. Colorido. Dirigido por Dean DeBlois. Distribuição: Universal Pictures/Dreamworks


E com o lançamento de "Como treinar o seu dragão 3" em DVD e Bluray, leia resenha especial de "Como treinar o seu dragão 2", outro sucesso da franquia.

Como treinar o seu dragão 2

Dragões e humanos começam a conviver em paz na Ilha de Berk, graças ao empenho do garoto viking Soluço (voz de Jay Baruchel). Num dia comum, passeando com seu dragão de estimação Banguela, descobre uma caverna onde habita uma enorme geração de lendários dragões, protegidos por Valka (voz de Cate Blanchett), mãe de Soluço, que foi afastada dele quando era bem pequeno. Soluço e os vikings adultos precisarão preservar a caverna de um ataque planejado pelo malvado Drago Bludvist (voz Djimon Hounson), que quer roubar as criaturas para utilizá-las para o mal.

Uma animação grandiosa e emocionante que ganhou o Globo de Ouro de melhor animação desbancando o favorito do ano, “Operação Big Hero”, da Disney, e em seguida recebeu indicação ao Oscar na mesma categoria. Vale a pena cada momento do filme, superior ao primeiro “Como treinar o seu dragão” (de 2010 – também indicado ao Oscar, na verdade dois, de melhor animação e trilha sonora). Romântico, espirituoso, com um visual lindíssimo em computação gráfica com destaque para a ilha de dragões, parte exatamente de onde terminou o outro, com o garoto Soluço apaziguando o clima de terror entre humanos e as criaturas voadoras. Neste capítulo, que teve boa repercussão de bilheteria, há mais elementos do cinema de aventura, como lutas, além de reviravoltas e uma mensagem cheia de significados honestos sobre amizade, proteção aos animais e como tornar o mundo melhor.


O acerto se dá pela manutenção do diretor, Dean DeBlois, pela mesma equipe técnica e de roteiristas da Dreamworks, e claro o elenco de nomes pop, como Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, Jonah Hill, T.J. Miller e Kristen Wiig. Para crianças, jovens e adultos não perderem de vista!
Com o sucesso dos dois primeiros filmes (baseados nos livros infanto-juvenis de Cressida Cowell), o Netflix produziu várias séries complementares, como “Dragões: Corrida até o limite” e “Como treinar o seu dragão: Legends”, que continuam bem assistidos pelo público e ajudam na compreensão de detalhes da trama.

Como treinar o seu dragão 2 (How to train your dragon 2). EUA, 2014, 102 min. Animação. Dirigido por Dean DeBlois. Distribuição: 20th Century Fox/ Dreamworks

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Cine Lançamento


Lançamento da semana em DVD e Bluray pela Universal Pictures! 

Máquinas mortais

Num futuro incerto, a civilização foi destruída com a Guerra dos 60 Minutos. Poucos sobreviventes espalhados em algumas regiões do planeta organizaram-se em bandos para dar início a um novo mundo, dominado por cidades que se movem sobre enormes rodas. Nesse ambiente de caos e desolação, Hester Shaw (Hera Hilmar) é uma heroína disposta a tudo para impedir os terríveis planos de um perigoso inimigo, Thaddeus (Hugo Weaving), comandante da cidade predadora de Londres.

O aplaudido cineasta neozelandês Peter Jackson é o produtor desta fita de aventura longa, que conta com um visual pesado de um mundo apocalíptico tomado por desertos e grandes máquinas em movimento, e que dividiu bem a opinião do público. Jackson trouxe sua equipe de roteiristas das trilogias “O senhor dos anéis” e “O Hobbit” (Fran Walsh e Philippa Boyens) e juntos adaptaram a estranha história do primeiro capítulo de uma série de livros de mesmo título, de Philip Reeve, lançado em 2001 (disponível no Brasil pela Harper Collins) – no total são quatro volumes, que poderão ganhar versões para o cinema em breve.
Na abertura o narrador informa que o mundo acabou nas mãos da humanidade numa guerra devastadora que durou 60 minutos. Os sobreviventes fizeram assentamentos para uma nova era da evolução humana, numa terra condenada. Inaugurava-se a “Era das Grandes Cidades Predadoras do Oeste”, onde as cidades se movem sobre rodas, e quem as comanda busca comida, combustível e outros recursos. Enquanto os fortes permanecem poderosos, os marginalizados pensam em saídas para ter espaço nesse mundo caótico, e é onde surge a personagem principal, uma heroína com um lenço vermelho no rosto para esconder uma cicatriz. Ela se rebela contra uma conspiração levantada pelo personagem de Hugo Weaving, o comandante de Londres, cidade predadora que engole sem dó as cidades menores. E para derrotar o inimigo ela trava uma batalha ao lado de outros jovens com o mesmo ideal.


O ritmo de ação não dá tréguas, é ataque e explosão por terra e pelos ares, perseguições sem fim, muito barulho e momentos bizarros (por exemplo, as Cidades-Tração, aquelas que se movem, que literalmente devoram as cidades pequenas puxando-as com ganchos para dentro delas).
Meu problema é com a estética exagerada do filme, por ser algo sujo, brega e delirante demais, que chega a enjoar - em partes o visual e algumas sequências lembram “Mad Max: Estrada da fúria” e “O castelo animado” (a animação japonesa do castelo que anda). Por ter Peter Jackson nos créditos esperava-se um equilíbrio e incrementos brilhantes, o que não ocorre... é apenas uma fita de aventura com ficção científica para consumo imediato, nada memorável ou especial. Assiste-se num estalo de dedos e pronto!
Rodado na Nova Zelândia, em locações e estúdios, custou U$ 120 milhões e amargou feio nas bilheterias, tendo um prejuízo estrondoso – até agora é o filme de menor rentabilidade de 2018.
Quem dirige é Christian Rivers, em sua estreia na direção. Especializado em efeitos visuais, é pupilo de Peter Jackson, ganhou um Oscar (de efeitos por um filme do diretor, “King Kong”) e trabalha com seu mestre desde o terror trash “Fome animal” (1992).

Máquinas mortais (Mortal engines). EUA/Nova Zelândia, 2018, 128 min. Ação. Colorido. Dirigido por Christian Rivers. Distribuição: Universal Pictures

Nota do Blogueiro


A Panini lançou este mês no Brasil uma ótima HQ de "O espetacular Homem-Aranha", na mesma semana do lançamento do DVD e do Bluray de "Homem-Aranha no Aranhaverso". Trata-se de "A sorte dos Parker", licenciada pela Marvel Comics, num álbum de luxo em capa dura, com 152 páginas. Reúnem-se no volume várias aventuras de Homem-Aranha publicadas em 2014 em "The Amazing Spider-Man", em que o super-herói se encontrará com diversos personagens, como Doutor Octopus, Homem de Ferro, Hulk, Mulher-Aranha, Capitão América, Mary Jane Watson, Electro, Gata Negra e Teia de Seda. Todas as histórias têm roteiro de Dan Slott. Já nas livrarias e nas bancas!



sexta-feira, 17 de maio de 2019

Nota do Blogueiro


A Dreamworks, juntamente com a Universal Pictures, lançou esta semana em DVD e Bluray a animação "Como treinar seu dragão 3", que encerra a premiada trilogia e que foi enorme sucesso nos cinemas este ano. Uma aventura bacana para toda a família! No disco, há extras variados, como abertura alternativa, curtas-metragens da Dreamworks, cenas excluídas, especiais e comentários.
Para comemorar o lançamento do filme, a empresa de jogos Cobag lançou um divertido jogo de tabuleiro para a criançada. Trata-se de uma aventura no reino mágico dos dragões com os principais personagens da franquia, que se movimentam através das peças dispostas nos números do tabuleiro. Na caixa vem um minitabuleiro, duas modalidades de cartas e peças em papelão para movimentar as figuras.
Tanto o DVD e o Bluray quanto o jogo estão disponíveis nas melhores lojas. Obrigado, pessoal da Universal, pelo envio dos itens! :)




quarta-feira, 15 de maio de 2019

Nota do Blogueiro


Cinema de qualidade

A Obras-primas do Cinema lançou recentemente em DVD três boxes especiais no mercado brasileiro, para o delírio dos cinéfilos. A remessa de abril traz os seguintes títulos:  "Trilogia Terror em Amityville", com os três primeiros filmes da assustadora franquia de terror (Terror em Amityville, de 1979; Amityville II - A possessão, de 1982; e Amityville 3: O demônio, de 1983), a caixa "Andrzej Wadja", com quatro filmes cult premiados do cineasta polonês (Cinzas e diamantes, de 1958; Terra prometida, de 1975; O homem de mármore, de 1977; e O homem de ferro, de 1981); e por último a minissérie "Jesus de Nazaré" (1977), de Franco Zeffirelli, em versão integral de seis horas e meia de duração. Todos eles encontram-se em inéditas cópias remasterizadas, com muitos extras e cards colecionáveis, que só a Obras-Primas do Cinema traz para o público. Garanta já o seu!
Obrigado, equipe da OPC, pelo envio dos boxes!








segunda-feira, 13 de maio de 2019

Resenha Especial



O mundo fora do lugar

O fotógrafo aposentado Paul (Matthias Habich), que vive na Alemanha, fica intrigado com uma descoberta na internet: há uma sósia de sua esposa falecida morando nos Estados Unidos. Ela é uma cantora lírica, de nome Caterina Fabiani (Barbara Sukowa). Coincidentemente a filha de Paul, Sophie (Katja Riemann), também canta, mas está desempregada. No dia da descoberta mostra a foto de Caterina para Sophie e insiste para que a filha viaje à América para se encontrar com aquela mulher. Ela resolve ir, e no encontro das duas virão à tona estranhos fatos do passado atrelados a um segredo guardado a sete chaves.

Drama sóbrio repleto de revelações surpreendentes dirigido com maestria por uma das cineastas mais talentosas da Alemanha, Margarethe von Trotta, ex-mulher do premiado diretor Volker Schlöndorff e que trabalhou como atriz no cinema e na TV de seu país. Três anos antes havia dirigido a veterana Barbara Sukowa na excelente biografia da filósofa judia Hannah Arendt (no filme de nome “Hannah Arendt - Ideias que chocaram o mundo”), voltando aqui a trabalhar com essa atriz de forte presença e personalidade. Reúnem-se a ela o polonês Matthias Habich e a alemã Katja Riemann, em seus melhores trabalhos no cinema, para uma história impactante sobre estranhas coincidências da vida em torno dos nossos laços afetivos. Katja interpreta uma mulher desempregada, que faz bicos como cantora em bares noturnos, e certo dia resolve viajar aos Estados Unidos, a pedido do pai, para entender uma inusitada situação envolvendo a mãe falecida e uma sósia dela, que é uma cantora lírica de prestígio. A filha investiga por conta própria o caso descobrindo segredos sobre as origens da sua família, numa jornada difícil e amarga, algo que mudará seus dias para sempre.


O roteiro também é Margarethe von Trotta, que optou por um desfecho simbólico. Exibido nos cinemas brasileiros em 2017, dois anos depois do lançamento na Europa, esta fita de arte alemã íntima e feminina deveria ter recebido maior atenção da crítica e do público. Quem perdeu no cinema, pode assistir em DVD, distribuído pela Mares Filmes.

O mundo fora do lugar (Die abhandene welt). Alemanha, 2015, 100 min. Drama. Colorido. Dirigido por Margarethe von Trotta. Distribuição: Mares Filmes

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...