Novidades em DVD da distribuidora Obras-primas do Cinema. Três lançamentos preciosos de outubro: box "Expressionismo Alemão - volume 2", com cinco filmes - A última gargalhada (1924), Os Nibelungos: A morte de Siegfried (1924), Os Nibelungos: A vingança de Kriemhild (1924), O Golem - Como veio ao mundo (1920) e Diário de uma garota perdida (1929); "Uma noite sobre a Terra" (1991) e "Os aventureiros" (1967). Todos em cópia restaurada, discos com extras e cards para colecionar. Valeu, @obrasprimas_docinema, pelo envio dos filmes.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
domingo, 5 de novembro de 2017
Cine Lançamento
Um passado sombrio
A
inspetora Nancy Porter (Elizabeth Banks) investiga o misterioso desaparecimento
de uma criança. Oito anos atrás ela vivenciou algo parecido, que terminou com a
morte de um bebê, fato que ainda a assombra. Na nova investigação, Nancy
cruzará o caminho de duas jovens, suspeitas pelo crime no passado.
Lançamento
imperdível da Flashstar em home video, um suspense angustiante de investigação
criminal, no melhor estilo que o cinema independente americano sabe produzir.
Nesse primeiro trabalho de ficção, a diretora Amy Berg, indicada ao Oscar pelo
polêmico documentário “Livrai-nos do mal” (2006), realizadora também do revelador
“Janis: Little Girl Blue” (2015), sobre Janis Joplin, conta duas histórias de
desaparecimento de crianças, em circunstâncias misteriosas, e a tentativa da
polícia em descobrir o paradeiro de cada uma delas, fatos ocorridos num espaço
de tempo de sete anos. Tanto no passado como no presente, os casos permanecem nas
mãos de uma detetive audaciosa, que até hoje sente os efeitos trágicos do
evento anterior, que culminou com a morte de um bebê e duas suspeitas presas -
estas cumpriram pena por um período, agora encontram-se livres. Com o andamento
das apurações dos crimes, a detetive irá mergulhar num labirinto de informações
truncadas, não desistindo em saber quais os verdadeiros culpados.
Muito
bem no papel central, Elizabeth Banks tem apoio no regular elenco secundário,
como Diane Lane (desaparecida das telas), Nate Parker e Dakota Fanning (que
aparece em todo tipo de filme). Atenção nas pistas deixadas, cada detalhe da
história é imprescindível, mesmo que o desfecho seja ambíguo, com abertura para
várias interpretações. Baseado no bestseller de Laura Lippman, o filme vai além
de um suspense bem conduzido: tem um apelo para os sumiços de crianças nos
Estados Unidos, que crescem a cada dia, mais da metade ligado a tráfico de
órgãos. Passou nos cinemas americanos em 2014, com lançamento somente nesse bimestre
no Brasil, em DVD.
Um passado sombrio (Every secret
thing). EUA, 2014, 93 min. Dirigido por Amy Berg. Distribuição: Flashstar
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Nota do blogueiro
Cabine de imprensa pela manhã do drama "Invisível" ("Invisible", 2017, 87 minutos, escrito e dirigido por Pablo Giorgelli), que entra em cartaz no Brasil no dia 09 de novembro, distribuído pela Vitrine Filmes.
Esta co-produção Argentina, Brasil, Uruguai e França é um trabalho introspectivo do diretor argentino de "Las acacias" (2011), sobre uma estudante argentina de 17 anos que engravida de um homem mais velho, mas não deseja ter o filho. Com a ajuda de uma amiga, planeja fazer aborto, decisão difícil de ser tomada.
Com câmera empenhada nos pormenores das ações, além de explorar o aborto de forma atual e sincera, o cineasta trata junto o tema do sistema de ensino na Argentina, com críticas ao modelo tradicionalista praticado no país (parecido com o Brasil), que mais distancia o aluno do que gera aprendizagem (como no caso da protagonista, vivido pela interessante Mora Arenillas). Adoro o cinema de Giorgelli, sou admirador de Las Acacias e este novo trabalho dele me pôs num estado de catarse.
Confira dia 09 de novembro nos cinemas esta produção independente exibida na Bienal de Veneza, obra para ser vista e discutida entre os educadores, pais e adolescentes.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Nota do blogueiro
Ontem cedo teve cabine do filme Terra selvagem ("Wind River", 2017, 107 minutos, escrito e dirigido por Taylor Sheridan), que entra em cartaz no Brasil no dia 02 de novembro, distribuído pela Califórnia Filmes.
Baseado em fatos reais, estreou em Cannes, ganhando lá o Un certain regard, de melhor diretor para Taylor Sheridan, também responsável pelo roteiro.
Com carreira em ascensão, ele escreveu mais um filme eletrizante de ação, cotado para os principais prêmios do cinema americano no próximo ano. Enquanto as histórias dos seus anteriores "A qualquer custo" e "Sicario" se passavam no calor infernal do Texas e do México, respectivamente, em "Terra selvagem" leva o telespectador para o extremo frio das montanhas congeladas de Wyoming. Lá o corpo de uma mulher indígena é encontrado com marcas de violência. A Polícia Tribal, liderada por um bom Graham Greene (com atuação de destaque), investiga o caso com o apoio de uma agente novata do FBI (Elizabeth Olsen), que não conhece a região, e de um caçador inconformado com a morte da filha (Jeremy Renner). Tudo se complica quando descobrem outros corpos na neve gerando ao público um clima de desconfiança e tensão a todo minuto.
Possivelmente será finalista do Oscar, com bons motivos: a fotografia no gelo impressiona (há tempos não via a neve tão bem mostrada nas telas), o roteiro é caprichado (uma caçada a assassinos com investigação criminal envolta em um quebra-cabeça de peças bem soltas), o elenco, integrado. Taylor Sheridan (que é ator) nos arrebata com uma direção segura, criando personagens violentos, produtos do meio hostil onde vivem, fazedores das suas próprias leis. Imperdível!! Dia 02 de novembro nos cinemas.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Nota do blogueiro
Assisti nesta quarta-feira, em cabine, ao filme "Deserto" (2015, 88 minutos, escrito e dirigido por Jonás Cuarón), que estreia nos cinemas no dia 02 de novembro, distribuído no Brasil pela Esfera Filmes. O promissor filho do cineasta mexicano Alfonso Cuarón realiza um bom filme em seu segundo trabalho na direção. Produzido por Alfonso e pelo ator Gael García Bernal, protagonista aqui, o filme é um thrilller do começo ao fim sobre caçada aos imigrantes ilegais na fronteira dos Estados Unidos com o México, num lugar perigoso, inabitado, tomado pelo sol escaldante. Bernal lidera os membros do grupo de imigrantes fugindo a todo custo de um caçador impiedoso (Jeffrey Dean Morgan), que, apoiado em seu rifle, atira para matar igual quando caça coelhos. Além das balas certeiras, conta com o auxílio do cão, chamado de Rastreador, que também caça humanos.
No meio do nada, nos cactos e nas pedras, um a um cai pelo caminho com os tiros restando três ou quatro que arrumam alternativas de esconderijos.
Apesar de ser uma obra de única nota, é um grande exercício de câmera; o diretor captou bem o calor e a aridez do deserto, com ótimas sequências de tensão, comprovando domínio de técnicas fotográficas, da música (trilha sonora excitante, do francês Woodkid), da condução do thriller, de como gravar perseguições num lugar difícil e afinar o todo num discurso político - em tempos de calamidade do governo Trump, o filme cai como uma resposta vigorosa ao presidente norte-americano e trata a sério a questão das barreiras aos imigrantes, aqui condenados à execução.
Não deixem de conferir. Dia 02 de novembro nos cinemas.
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Nota do blogueiro
Cabine para jornalistas do filme "Manifesto" (co-produção Alemanha/Austrália, 2015, 95 minutos, escrito e dirigido por Julian Rosefeldt). Exibido nos Festivais de Sundance, Rotterdam e Tribeca, ele entra em cartaz no Brasil a partir desta quinta-feira, dia 26, distribuído pela Mares Filmes.
O que achei? Um filme desafiador, já na minha lista dos melhores do ano, com um trabalho visceral e fora do comum de Cate Blanchett num tour-de-force interpretando 13 personagens em manifestos efusivos, alguns históricos, contra todo tipo de sistema e convenções. Cheiro de Oscar no ar... Na pele de uma viúva no funeral do marido, de um andarilho, de uma cientista (numa cena lindamente alusiva à "2001", com direito ao monolito negro), de uma operária no chão de fábrica, de uma professora com metodologias revolucionárias ou de uma ventríloqua que manipula um boneco em autoimagem, por trás existe um grito desesperado por mudanças, em uma sociedade deteriorada pelo modo capitalista de viver. As declarações públicas dos personagens surgem em referências claras a artistas modernos e contemporâneos que romperam com a arte tradicional (Kandinsky, Braque, Godard, Rodchenko etc). Para o diretor, só a arte, engajada e sincera, poderá salvar a humanidade de um sistema falido para habilitar uma nova práxis e por consequência reconstruir um novo mundo. Uma obra experimental desconcertante e urgentemente obrigatória!
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Nota do blogueiro
"Estirado em uma rede, passava as horas deixando que minha mente, como o estômago de um bovino, ruminasse as experiências naquele lugar em que se habitava dentro de um âmbito regido por outras leis que não a da razão".
Trecho do livro "Alejandro Jodorowsky: A jornada espiritual de um mestre", lançado recentemente pela editora Gryphus (2017, 255 páginas, tradução de Gilson B. Soares). Publicada pela primeira vez em 2005, a obra, segundo palavras do autor, um conjunto de "memórias em estilo romanceado", traça longas e curiosas experiências espirituais do cineasta, escritor e psicoterapeuta chileno Alejandro Jodorowsky durante meio século dedicado a estudos profundos do Zen-budismo. Nas páginas Jodo destaca a influência dos Koans, a busca pela saúde da mente por meio da espiritualudade, a admiração por David Lynch e Violeta Parra e comenta sobre a produção de seus conturbados filmes místicos. Adorei! Altamente recomendado!
Obrigado, equipe da Gryphus, pelo envio do livro, genial!
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