segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Morre o diretor e produtor polonês Andrzej Wajda


Faleceu ontem o premiado diretor, produtor e roteirista polonês Andrzej Wajda, aos 90 anos. Politizado e defensor de causas sociais, o cineasta recebeu, ao longo da carreira de seis décadas, os principais prêmios do cinema mundial: Bafta, Palma de Ouro, Urso de Prata em Berlim, César, Prêmio Luchino Visconti no David di Donatello, Prêmio de Ouro em Moscou e até um Oscar Honorário, entregue a ele em 2000.
Dentre os principais trabalhos como diretor destacam-se Cinzas e diamantes (1958), Terra prometida (1975), O homem de mármore (1977), O homem de ferro (1981), Um amor na Alemanha (1983), Danton: O processo da revolução (1983), Os possessos (1988), As 200 crianças do Dr. Korczak (1990), Katyn (2007) e Walesa (2013 - seu último trabalho).
Foi casado quatro vezes e deixa um filho.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Resenha especial


Jurassic World: O mundo dos dinossauros


Um novo parque temático com dinossauros de verdade é inaugurado, em substituição ao Jurassic Park, que fora destruído. Situado em uma ilha selvagem, com atrações únicas, o agora Jurassic World recebe diariamente milhares de visitantes do mundo inteiro, curiosos para chegar perto dos animais jurássicos. A diversão de um dia comum é abalada quando uma falha no sistema de monitoramento permite a fuga do mais temível das criaturas, um dinossauro branco, geneticamente modificado.

2015 foi o ano dos remakes, reboot e continuações na indústria norte-americana de cinema (pelas minhas contas lançaram 35 só no ano passado). O top one da lista é exatamente Jurassic World, um dos mais rentáveis, com bilheteria estrondosa que ultrapassou U$ 1 bilhão nas salas de cinema do mundo. A franquia de sucesso de Jurassic Park retorna com fôlego, precisão e diversão de primeira linha depois de 14 anos de ausência (e olha que demorou, hein, para pensarem num novo filme). “Jurassic World” surge das cinzas numa aventura emocionante, que atualiza a história original de Michael Crichton e propõe traços evidentes com as fitas anteriores. Um novo parque é erguido para substituir o velho Jurassic Park, que há 22 anos fora destroçado por um Tiranossauro Rex. Moderno, atrativo, tecnológico, seguro, o Jurassic World agora é gerenciado por uma mulher, Claire, papel da interessante Bryce Dallas Howard. Ela dá as cartas, comanda com mão de ferro, e deposita confiança no treinador de dinossauros, Owen (o carismático Chris Pratt), dedicado funcionário do empreendimento (e a figura central do blockbuster). Mas a calmaria termina quando um dinossauro perigoso escapa, destruindo tudo e todos pela frente.
Com uma deslumbrante direção de arte, da equipe de “Piratas do Caribe”, “Os vingadores” e “Homem de ferro”, e excelente fotografia do indicado ao Oscar John Schwartzman, parceiro de Steven Spielberg (que assina a produção), a aventura classe A recupera com garra a cinessérie, maximizando os efeitos visuais para o melhor que há no cinema contemporâneo. E com a inserção, na história, do dinossauro geneticamente modificado, alerta para o perigo das tecnologias científicas ultramodernas utilizadas sem controle.
Há sequências imperdíveis e já memoráveis no novo filme, como a destruição do aviário (com consequências desastrosas) e a fuga das crianças na gyrosphere (um veículo de vidro em formato redondo), além de dois momentos surpresa de pura nostalgia.
“Jurassic World” teve a segunda maior bilheteria de 2015, com o recorde de U$ 1 bilhão nos 13 primeiros dias em cartaz (“Star Wars: o despertar da força” veio no fim do ano e abocanhou “Jurassic World” por poucos milhões de dólares a mais nos cinemas). Tinha tudo para dar errado (a começar pelo trailer bobinho e pelo diretor desconhecido, Colin Trevorrow, substituto de Spielberg – olha a responsa!), no entanto, no final das contas, o filme arrebentou! Um entretenimento exemplar, maneiro, moderno, divertido de ver e rever. Depois do absoluto “Jurassic Park” (1993), este é o melhor das três continuações, sem sombra de dúvida.
O DVD e o Blu-ray vem com bons extras, como cenas excluídas e depoimentos de Chris Pratt e Colin Trevorrow.


Jurassic World: O mundo dos dinossauros (Jurassic World). EUA, 2015, 124 min. Ação/Aventura. Dirigido por Colin Trevorrow. Distribuição: Universal

sábado, 1 de outubro de 2016

Resenha especial (Reeditada)


O intendente Sansho


No Japão feudal, com o exílio do marido, um governador influente, a esposa e os filhos acabam separados por um grupo a mando do chefe de estado. Os três partem para uma exaustiva jornada ao interior de uma selva. No caminho, mercadores de escravos sequestram as crianças e as vendem. A esposa vai arrastada para uma prisão na floresta, e os filhos são submetidos ao trabalho forçado, crescendo em um ambiente de opressão. Dez anos depois, já crescidos, os garotos recebem a notícia de que uma mulher solitária vive em uma ilha clamando pela volta das suas duas crianças perdidas. Eles entendem o recado e fogem do local em busca da suposta mãe.

Descoberta e lançada pela Lume Filmes em 2010, o notório clássico japonês chega agora em versão restaurada pela Versátil na caixa “O cinema de Mizoguchi – volume 2”, com outros cinco filmes do falecido diretor.
Vencedora do Leão de Prata em Cannes - e ainda recebeu indicação ao Leão de Ouro, a obra é pedra fundamental do cinema oriental, um drama sobre opressão e separação familiar, dirigido por um dos mestres da Sétima Arte, Kenji Mizoguchi (morreu de leucemia em 1956, aos 58 anos), que foi contemporâneo de Akira Kurosawa e Yasujiro Ozu.
A trágica história de duas crianças raptadas da mãe por mercadores de escravos ganha poesia e amargo lirismo nesse conto moralista baseado em um romance perdido de Ogai Mori, que por sua vez recorreu a ensinamentos do sábio chinês Confúcio. O diretor explora com perfeição o sistema medieval do Japão com foco na escravidão, tanto infantil quanto adulta, com aliados mágicos: a belíssima fotografia em preto-e-branco, as locações em selvas e praias do país e o exato figurino da época.
Na segunda metade do filme, com os filhos crescidos em meio à escravidão, o entristecido canto da mãe, efeito alegórico ao canto das sereias, transforma o enredo e revela minuto a minuto futuras surpresas. O próprio roteirista Yoshikata Yoda declarava que a obra era pessimista e amarga, e que Mizoguchi tinha dificuldades em rodar determinadas cenas, por serem tristes, como a do afogamento como sacrifício e o curioso retorno à casa de praia, no desfecho. Ambas uma aula de cinema, sequências das mais belas já produzidas pelo cinema.
No Brasil a carreira de Mizoguchi passou despercebida. É dele os conhecidos “Utamaro e suas cinco esposas” (1946) e “Contos da Lua Vaga” (1953), além de outras 90 produções em que explora o folclore japonês, dramas familiares existencialistas, opressão, sofrimento e abuso de poder. Obrigatório para fãs!
Além de “O intendente Sansho”, no box “O cinema de Mizoguchi – vol.2” temos outros cinco excelentes trabalhos do cineasta: “A mulher infame” (1954), “Crisântemos tardios” (1939), “Elegia a Osaka” (1936), “Os músicos de Gion” (1953) e “Rua da vergonha” (1956) - todos restaurados, e mais de uma hora de extras imperdíveis.


O intendente Sansho (Sanshô dayû/ Sansho the bailiff). Japão, 1954, 123 min. Drama. Dirigido por Kenji Mizoguchi. Distribuição: Versátil Home Video

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Nota do blogueiro


Lançamentos na Looke

Agora na Looke você pode encontrar também clássicos dos anos 80 como "De volta para o futuro", "ET - O extraterrestre" e "Clube dos Cinco", "Top Gun - Ases Indomáveis", "O Iluminado" e "A história se fim".
Looke é a única plataforma de streaming de vídeo que permite comprar, alugar ou assinar filmes, séries, documentários, animações e shows. Acesse o site http://www.looke.com.br e conheça! Pode ser também utilizado nos aplicativos de celulares e tablets com sistemas operacionais IOS, Android e Windows 10, nas Smart TVs LG, Samsung, Phillips e Sony e nos consoles Xbox e, em breve, no PlayStation 3 e 4 e Apple TV2.

Facebook: https://www.facebook.com/LookeBrasil

Twitter: https://twitter.com/lookebrasil

Instagram: https://www.instagram.com/lookebrasil


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Cine Lançamento


Um romance proibido

Dois jovens com ideais diferentes lutam para se estabilizar em Nova York. Sam (Martin Starr) é um ex-soldado de guerra, que retorna para casa, e Amira (Dina Shihabi), uma iraquiana que espera pela cidadania americana. Sozinhos na cidade grande, eles iniciam um romance proibido.

Outra boa fita independente lançada pela Flashstar em agosto, produzida em 2014 e até então sem sinal para chegar ao Brasil. Um drama romântico modesto, com história pouco casual nos gêneros drama/romance. Em “Um romance proibido” duas pessoas buscam sonhos na cidade de Nova York: Sam, ex-soldado marcado pela tragédia da guerra, e a imigrante Amira, prestes a ser deportada, na esperança de adquirir a cidadania para firmar território e identidade na Grande Maçã. Os dois começam uma amizade que leva a um relacionamento visto, na sociedade, como proibido, e da união entre os jovens brota a sensação de um futuro digno e humano. Como serão para eles os dias a partir de agora?
Nova York não aparece como a metrópole iluminada, de badalação e beleza, mas de um lugar esvaecido, duro, pelo ponto de vista dos meandros dos subúrbios (onde moram os personagens centrais, bem interpretados por Martin Starr e pela delicada Dina Shihabi), reforçando a ideia das dificuldades diárias que Sam e Amira carregam nas costas.
Não é uma fita comercial de fortes emoções ou de apelo romântico exagerado como estamos cansados de ver no mercado. Ela vai além, foge dos clichês, produzindo efeitos de reflexão acerca da imigração, da crise financeira, dos efeitos traumáticos das guerras e das diferenças culturais, no caso entre Estados Unidos e Iraque, países que estiveram em conflito militar em duas tristes ocasiões – Guerra do Golfo (1990-1991) e Guerra do Iraque (2003-2011). Recomendo descobrir esse bom filme independente. Já em DVD.


Um romance proibido (Amira & Sam). EUA, 2014, 87 min. Drama/Romance. Dirigido por Sean Mullin. Distribuição: Flashstar

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Cine Lançamento


Jackie & Ryan: Amor sem medidas

Mãe solteira, a cantora country Jackie (Katherine Heigl) luta pela guarda da filha pequena. Pelas ruas de Ogden, em Utah, conhece o cantor folk Ryan (Ben Barnes), que propõe ajuda a Jackie na questão da guarda. Nesse longo caminho pela frente Jackie e Ryan iniciarão um relacionamento sincero, em que irão compartilhar sonhos, desejos e perspectivas de um futuro melhor.

Cada vez mais bonita e boa atriz, Katherine Heigl protagoniza, ao lado do carismático Ben Barnes (de “Stardust: O mistério da estrela” e “As crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”), esse drama romântico leve, agradável de assistir, para todos os públicos, sobre duas pessoas solitárias, unidas em comum pelo mundo da música folk, tentando viver de sua arte nas ruas americanas da pequena cidade de Ogden, cravada nas montanhas geladas de Utah. Jackie sonha por dias melhores, enquanto enfrenta um problemão na justiça, pois disputa a guarda da filha; o porto seguro dela está em Ryan, um jovem artista de rua, cantor e compositor independente, com quem divide sentimentos amorosos. Cada qual com suas angústias e necessidades, Jackie e Ryan trilham um caminho para conquistar seus propósitos de vida.
Katherine, num papel dramático levado com seriedade, é a alma feminina da história, na melhor interpretação de sua carreira, ofuscando Barnes, deixado em segundo plano. Com química equilibrada, os dois, em cena, se completam nos momentos de ternura, de companheirismo e até no trabalho (nas composições musicais).
É uma fita romântica independente adequada, sem melodrama, bem fotografada (as paisagens reais de Utah no inverno dá vivacidade o clima da história), de curta duração, que vale uma conferida. Ah, e a figura do novo casal traz nitidez a reflexões cotidianas: a da mãe solteira que cuida da filha sozinha, e a do cantor de rua libertando-se com sua expressiva arte autoral.
Há ainda participação rápida de duas atrizes afastadas das telas, Sheryl Lee e Clea DuVall. Recebeu indicação ao prêmio de melhor filme no Venice Horizons, no Festival de Veneza em 2014, e agora o filme pode ser visto em DVD pela Flashstar.


Jackie & Ryan: Amor sem medidas (Jackie & Ryan). EUA, 2014, 90 min. Drama/Romance. Dirigido por Ami Canaan Mann. Distribuição: Flashstar

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Cine Lançamento


Joe

Em uma pequena cidade do Texas, Joe (Nicolas Cage) retorna à sociedade após sair da prisão na tentativa de deixar o passado sombrio para um recomeço. De dia trabalha em uma madeireira, e à noite tem o escape na bebida. Certo dia, conhece um jovem de 15 anos chamado Gary (Tye Sheridan), abusado pelo pai, que está desesperadamente à procura de emprego para sustentar a família. Solitário no mundo, Joe resgata o garoto, enquanto Gary o ajudará no trabalho.

De 2005 para cá, Nicolas Cage coleciona papéis horrorosos em fitas ruins de doer a alma, destacado pela crítica como um perfeito canastrão. Já ganhou Oscar e Globo de Ouro, produz dezenas de filmes, é de família importante no cinema (sobrinho de Francis Ford Coppola), mas ano a ano cai no erro de aceitar trabalhos duvidosos. Acompanho a carreira do ator, e falo com garantia: nos últimos 10 anos o vemos no elenco de 20 filmes como protagonista, destes, 17 desprezíveis, até indicados ao Framboesa de Ouro. Diante desse colapso artístico, a boa notícia é que “Joe” super foge à regra. Cage brinda o público com sua melhor atuação, compacto, sério, de um sujeito em degradação psicológica e social. Tiro certo, mas momentâneo, pois em seguida entrou na enrascada de novos trabalhos sem dignidade (vide a filmografia dele de 2013 a 2016).
Neste drama sólido, visivelmente autoral, personagens difíceis, áridos, com temperamento violento, vivem histórias amargas em um mundo de desilusão, sondados pela inércia do abandono. Joe sai da prisão, mora sozinho, trabalha duro na madeireira, enche a cara à noite, até que encontra uma luz no fim do túnel na figura de Gary, um jovem perdido em conflitos familiares, abusado pelo pai beberrão. De gerações diferentes, os dois encontram, um no outro, esperança e apoio para a desalentada vida que segue.
Indicado ao Leão de Ouro em Veneza em 2013, o bom filme, baseado no livro de Larry Brown, não tem tema fácil para digerir e serve para uma reflexão atual: o fim do sonho americano.
Destaque especial para a direção firme de David Gordon Green (cada vez melhor), a atuação de Nicolas Cage e Tye Sheridan, e a fotografia de Tim Orr. Lançado nas salas dos Estados Unidos em 2013, demorou à beça para chegar no Brasil - veio em DVD há um mês pela Flashstar.

Joe (Idem). EUA, 2013, 117 min. Drama. Dirigido por David Gordon Green. Distribuição: Flashstar

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...