quarta-feira, 31 de maio de 2017

Comentários do blogueiro


Grandes lançamentos de maio da Obras-Primas do Cinema. Três ótimos filmes pela primeira vez em DVD no Brasil: Havaí (1966), Ponette - À espera de um anjo (1996) e Nó na garganta (1997). Discos com muitos extras e qualidade que só a @obrasprimas_docinema traz para o público! E tem também o box especial "Expressionismo Alemão", contendo cinco filmes emblemáticos do movimento. São eles: O gabinete do Dr. Caligari (1920), O castelo Vogelöd (1921), A morte cansada (1921), Fausto (1926) e A caixa de Pandora (1926). Todos em versão restaurada, lindos cards e um disco com mais de duas horas de extras (documentários, especiais etc). Necessário para qualquer colecionador!
Obrigado, equipe da Obras-Primas do Cinema, pelo envio dos filmes.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Nota do blogueiro


Dois livros da editora Atica que chegaram em casa, para divulgação. "O chamado do monstro", inteiramente ilustrado, deu origem ao belíssimo filme "Sete minutos depois da meia-noite", enquanto "Os 13 porquês" virou a cultuada série do Netflix "13 reasons why". Amanhã falo mais.
Obrigado, equipe da Ática, pelo envio das obras.


Nota do blogueiro


Lançamentos de maio da Obras-Primas do Cinema - parte 1. Três grandes filmes pela primeira vez em DVD no Brasil: Havaí (1966), Ponette - À espera de um anjo (1996) e Nó na garganta (1997). Discos com muitos extras e qualidade que só a @obrasprimas_docinema traz para o público! Obrigado, equipe da OPC, pelo envio dos filmes.


sábado, 27 de maio de 2017

Viva Nostalgia!


Balas que não erram

O temível pistoleiro de aluguel John Gant (Audie Murphy), de passagem pela pequena cidade de Lordsburg, no Novo México, hospeda-se num hotel. Os moradores ouvem falar em seu nome e ficam apavorados, pois todos conhecem seu método de agir: ele chega, instala-se no local por dias até ir atrás da vítima e matá-la com um tiro certeiro, sem nunca informar quem é o alvo. Com Gant ali, as horas ficam lentas, e o medo vai tomando conta da cidade.

Memorável faroeste psicológico realizado pela Universal na Era de Ouro do Cinema Americano, original no roteiro, que une o velho bangue-bangue a bons elementos do suspense. Famoso na época, o filme deu chance a Audie Murphy demonstrar o talento à frente de um personagem central – quase sempre o ator era posto como coadjuvante, e aqui está excepcional, no melhor trabalho de sua curta carreira, encerrada de forma trágica – ele morreu aos 46 anos em um acidente de avião, em 1971.
Os pormenores da história partem da explosiva ideia central, a do pistoleiro que chega à cidade e provoca tensão nos moradores pelo seu modus operante infalível (suas balas não erram!). Ninguém tem motivo plausível para um encontro com Gant, mas por ele ser quem é, o povoado entra em paranoia, todos têm medo de sair às ruas.
O diretor Jack Arnold (1916-1992) acertou em cheio nesse faroeste exemplar, gênero que pouco explorou - ele era um mestre em fitas scifi, dirigindo mais de 10 produções com monstros e viagens espaciais nos anos 50.
Indico especialmente aos cinéfilos amantes de western clássico, que vão se deleitar, ainda mais nessa edição recém-lançada pela Classicline.


Balas que não erram (No name on the bullet). EUA, 1959, 77 min. Faroeste. Dirigido por Jack Arnold. Distribuição: Classicline

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Resenha Especial


O quadragésimo primeiro

Na guerra civil russa, a guerrilheira Mariutka (Izolda Izvitskaya), exímia atiradora do Exército Vermelho, apaixona-se por um prisioneiro que ela escolta, tenente Vadim (Oleg Strizhenov), do Exército Branco Czarista. Para continuar o romance, eles fogem para uma ilha deserta, enquanto o país endurece com a Revolução Russa.

Indicado à Palma de Ouro em 1957 e vencedor de um prêmio especial no Festival de Cannes, “O quadragésimo primeiro” é um dos grandes e belíssimos filmes soviéticos da História do Cinema, também conhecido no Brasil com o título de “A guerrilheira”. Produzida pela Mosfilm, mistura guerra e romance com lucidez e sobriedade, utilizando pano de fundo histórico, que recorta os antecedentes da Guerra Civil Russa, ocorrida entre 1916 e 1918, com conflito ideológico e armado entre o Movimento Branco dos Czaristas e o Exército Vermelho Bolchevique, no pós-Primeira Guerra Mundial. Para representar esse contraste, temos a personagem da guerrilheira Mariutka (Izolda Izvitskaya, que morreu de alcoolismo, pobre e abandonada, aos 38 anos em 1971), mulher de forte convicção, integrante do Exército Vermelho, e o tenente Vadim, do Movimento Branco, único sobrevivente de um grupo de 40 e poucos homens (por isso o título, em menção ao personagem, que é o 41º do destacamento). Mariutka, junto da tropa, é responsável pela morte do grupo de Vadim, e como ele sobrevive, recebe a missão de escoltá-lo pelo deserto de Karakum, onde estão perdidos. O único contato local é com os Cazaques, povo de origem medieval, que os auxilia a sair de lá em direção ao mar de Aral. Temerosos com o destino da guerra, os membros do Exército Vermelho, Mariutka e Vadim vagam ao Norte, açoitados pelo frio, passam fome no deserto, enfrentam tempestades e abrigam-se em precárias cabanas de pesca, enquanto uns morrem pelo caminho, situações dramáticas que compõem a estrutura de saga no filme. Em meio a isto tudo, a atiradora e o prisioneiro iniciam um relacionamento, forçados a fugir para uma ilha deserta para viver o romance proibido, na segunda parte da saga, que muda de drama de guerra para o romance, com desfecho dramático e de impacto.
A fotografia no deserto, feita pelo prestigiado Sergey Urusevskiy, no início do filme, é deslumbrante, com detalhes bem significativos, como o conflito armado, as dunas e um enfoque nos esquecidos cazaques, com seus camelos e vestuários incríveis.
“O quadragésimo primeiro”, realizado em 1956, é remake de uma fita de 1927, ambos baseados no livro de Boris Lavrenyev, e tem na direção o ucraniano Grigoriy Chukhray (1921-2001), em sua estreia no cinema soviético. Ele fez apenas sete longas-metragens, e mesmo com poucos na carreira, recebeu indicação a três Palmas de Ouro e ao Oscar de roteirista por “A balada do soldado” (1959).
A companhia russa Mosfilm restaurou a obra, oportunidade imperdível para assistirmos em DVD, recém-lançado no Brasil pela CPC-Umes Filmes, distribuidora do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo. Saiu em linda edição, com um projeto gráfico de tirar o chapéu e preço acessível. Além deste, a CPC-Umes lançou um catálogo de cinema soviético com mais de 20 filmes restaurados, com preciosidades como “Aleksandr Nevsky” (1938) e “Tratoristas” (1939), e muitos outros trabalhos dos anos 60, 70 e 80. Vale conhecer a lista completa e, de forma especial, “O quadragésimo primeiro”.


O quadragésimo primeiro (Sorok pervyy). URSS, 1956, 87 min. Drama/Guerra. Dirigido por Grigoriy Chukhray. Distribuição: CPC-Umes Filmes

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de maio/junho de 2017.

sábado, 20 de maio de 2017

Cine Lançamento


Segundas intenções

Tobi Powell (Patrick Stewart) é um veterano professor de dança, dedicadíssimo à profissão. Quase octogenário, gay e sozinho, vive tranquilamente em um apartamento na velha Manhattan. Após um contato, aceita conceder entrevista à jornalista Lisa Davis (Carla Gugino), acadêmica que está escrevendo uma tese sobre a dança na cidade de Nova York. Acompanhada do marido, o policial Mike (Matthew Lillard), ela é bem recebida no apartamento de Tobi, porém a vida dos três mudará devido a uma série de segredos que vem à tona durante a entrevista.

Perdoem o título em português genérico e superficial dessa ótima fita dramática independente, digna, com humor sadio e um excepcional trabalho de Patrick Stewart, que implode paradigmas dos papéis que costuma interpretar no cinema de ficção científica e ação (como as franquias X-Men e Star Trek). Ele interpreta um carismático professor de dança, homossexual, membro da Juilliard School, que viveu toda uma história no mundo da dança norte-americana. Hoje, é um homem solitário, mora num aconchegante apartamento em Manhattan, faz tricô assistindo televisão, fuma maconha e tem o estranho hábito de colecionar as pontas de suas unhas cortadas num pote, como objeto de decoração na sala. A rotina do velho senhor se transforma da água para o vinho quando recebe em casa uma jornalista, com o marido, que, numa entrevista para sua tese, pretende traçar um perfil da dança em Nova York nos anos 60. Com o passar das horas juntos, revelações surgem abalando o clima harmonioso daquele dia aparentemente comum.
Do início ao fim o filme assume o estilo teatral, com diálogos intensos sobre trabalho, intimidades, arte, sexo e vida, rodado em poucos ambientes (quase tudo ocorre na sala, durante a entrevista) e dá liberdade aos três atores, resultando em uma obra sensata e emocionante, inclusive para o público menos familiarizado com o cinema independente.
E para finalizar destaco de novo: a atuação de Patrick Stewart, aos 75 anos, é a alma graciosa do filme. Ele arriscou e se deu bem nesse exercício particular da carreira, brindando-nos com um papel magistral!
Produzido em 2014, chegou ao Brasil somente agora em DVD, lançado pela A2 Filmes com o selo da Flashstar.


Segundas intenções (Match). EUA, 2014, 92 min. Drama. Dirigido por Stephen Belber. Distribuição: Flashstar

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Nota do blogueiro


"Hugo não entendia por que o velho tinha guardado o ratinho azul. Imaginou que o brinquedo fora vendido tempos atrás. Mesmo assim, o menino gostou de vê-lo".
Trecho do livro infanto-juvenil "A invenção de Hugo Cabret", best seller mundial, escrito por Brian Selznick, com ilustrações do próprio autor (Edições SM, 2007, 534 páginas, tradução de Marcos Bagno). Poético, metafórico, é uma lindíssima homenagem ao cinema, a Georges Méliés e a cidade de Paris. Inspirou o grande filme homônimo de Martin Scorsese, de 2011, ganhador de cinco Oscars. Recomendo a leitura! Obrigado, @edicoessm, pelo envio do exemplar.



Especial de Cinema

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