terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Especial de Cinema


CINEMA
Retrospectiva 2016

Fim de ano, dezembro se findando, época de balanços e retrospectivas de cinema. Segue abaixo minha lista dos 25 melhores filmes em DVD e Bluray lançados pela Versátil Home Video em 2016. Foi difícil escolher, mas vamos lá - e fica a dica para os cinéfilos de plantão:

1.   Metrópolis (1927, de Fritz Lang) - Bluray
2.   Suspiria (1977, de Dario Argento) – no box ‘Argento Essencial’ - Bluray
3.  Uma mulher sob influência (1974, de John Cassavetes) – no box ‘Cassavetes e a Nova Hollywood’
4.   O comboio do medo (1977, de William Friedkin) – no box ‘O cinema da Nova Hollywood’
5.   A máfia nunca perdoa (1972, de Barry Shear) – no box ‘Blaxploitation’
6.   O fantasma do paraíso (1974, de Brian De Palma) – no box ‘A arte de Brian De Palma’
7.   Mulheres diabólicas (1995, de Claude Chabrol) – no box ‘Cinema Francês’
8.   Yndio do Brasil (1995, de Sylvio Back) – no box ‘Cinemateca Sylvio Back – vol. 1’
9.   Satyricon de Fellini (1969, de Federico Fellini) – no box ‘A arte de Federico Fellini’
10. Kwaidan: As quatro faces do medo (1964, de Masaki Kobayashi)
11. Fase IV: Destruição (1974, de Saul Bass) – no box ‘Clássicos Sci-fi – vol.3’
12. Malcolm X (1992, de Spike Lee)
13. Torso (1973, de Sergio Martino) – no box ‘Giallo – vol.2’
14. Jovem e inocente (1937, de Alfred Hitchcock) – no box ‘A arte de Alfred Hitchcock’
15. Viver (1952, de Akira Kurosawa) – no box ‘O cinema de Kurosawa’
16. A espinha do diabo (2001, de Guillhermo Del Toro) – no box ‘Obras-primas do terror – vol. 4’
17. Luta sem código de honra (1973, de Kinji Fukasaku) – no box ‘Cinema Yakuza – vol.2’
18. Glória feita de sangue (1957, de Stanley Kubrick) – no box ‘Kubrick Essencial’ - Bluray
19. Deixem-nos viver (1969, de Arthur Penn) – no box ‘A arte de Arthur Penn’
20. Pânico nas ruas (1950, de Elia Kazan) – no box ‘Filme Noir – vol. 5’
21. O intendente Sansho (1954, de Kenji Mizoguchi) – no box ‘O cinema de Mizoguchi – vol.2’
22. O vampiro (1932, de Carl T. Dreyer) – no box ‘A arte de Carl T. Dreyer’
23. Os filhos do medo (1979, de David Cronenberg) – no box ‘Cronenberg Essecial’ - Bluray
24. Os amigos de Eddie Coyle (1973, de Peter Yates) – no box ‘Cinema Policial’
25. Tepepa (1969, de Giulio Petroni) – no box ‘Faroeste Spaghetti’


sábado, 24 de dezembro de 2016

Viva Nostalgia!


Rio Grande

Tenente-coronel da Cavalaria Norte-Americana, Kirby Yorke (John Wayne) recebe a árdua tarefa de treinar um grupo de recrutas para controlar uma tribo de índios apaches em Rio Grande, na divisa com o México. Em meio a uma sangrenta batalha, Yorke terá de proteger sua família e seus companheiros.

Um dos excelentes faroestes de John Ford, o mestre do western psicológico, daqueles que dirigiu sobre a Cavalaria, enaltecendo a bravura dos norte-americanos durante a Guerra Civil. Na linha de “Sangue de heróis” (1948), “Legião invencível” (1949) e “Marcha de heróis” (1959), todos com seu ator preferido, John Wayne, Ford opta por histórias sobre a redenção do ser humano, sempre utilizando, como protagonistas, homens valentes e sem esperança, sedentos em dominar o inimigo. Como aqui, os finais nem sempre eram felizes e deixava de escanteio patriotismos baratos.
“Rio Grande” também é um dos grandes momentos de John Wayne, aqui de bigode comprido, e da bela Maureen O’Hara, falecida em 2015 aos 95 anos de idade.
O faroeste traz, como de praxe nos trabalhos de Ford, romance, sequências dramáticas e perseguições movimentadas com cavalos. Ótimo filme para os apreciadores do gênero.
Curiosidade: John Wayne atuou em quatro filmes que tem no título o nome Rio: “Rio Vermelho” (1948), “Rio Grande” (1950), “Rio Bravo” (1959 - que no Brasil chamou-se “Onde começa o inferno”) e “Rio Lobo” (1970).
O filme saiu em DVD no Brasil pela primeira vez em 2010, na coleção “Clássicos Paramount”, e agora acaba de ser relançado pela Classicline. Vem com os seguintes extras: trailer de cinema, galeria de fotos e cartazes originais.


Rio Grande (Idem). EUA, 1950, 105 min. Faroeste/ Romance. Dirigido por John Ford. Distribuição: Classicline

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Especial de Cinema


CINEMA 2017
Temporada de prêmios começa com SAG e Globo de Ouro

E a temporada de premiações do cinema para 2017 teve a arrancada nessa semana. Depois de divulgada a lista dos indicados ao Globo de Ouro na última segunda-feira, agora foi a vez dos filmes, seriados e telefilmes que concorrem ao Screen Actors Guild (SAG), prêmio do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos, com cerimônia marcada para o dia 29 de janeiro de 2017. Façam suas apostas para o Oscar! Ele está chegando...
Confira abaixo os indicados ao SAG 2017 (e mais abaixo a do Globo de Ouro):


Melhor Elenco em Filme
Capitão Fantástico
Fences
Estrelas Além do Tempo
Manchester à Beira-Mar
Moonlight

Melhor Ator
Casey Affleck por Manchester à Beira-Mar
Andrew Garfield por Até o último Homem
Ryan Gosling por La La Land: Cantando Estações
Viggo Mortensen por Capitão Fantástico
Denzel Washington por Fences

Melhor Atriz
Amy Adams por A Chegada
Emily Blunt por A Garota no Trem
Natalie Portman por Jackie
Emma Stone por La La Land: Cantando Estações
Meryl Streep por Florence: Quem é Essa Mulher?

Melhor Performance por Ator Coadjuvante
Mahershala Ali por Moonlight
Jeff Bridges por A Qualquer Custo
Hugh Grant por Florence: Quem é Essa Mulher?
Lucas Hedges por Manchester à Beira-Mar
Dev Patel por Lion

Melhor Performance por Atriz Coadjuvante
Viola Davis por Fences
Naomie Harris por Moonlight
Nicole Kidman por Lion
Octavia Spencer por Estrelas Além do Tempo
Michelle Williams por Manchester à Beira-Mar

Melhor Elenco em Série Dramática
The Crown
Downton Abbey
Game of Thrones
Stranger Things
Westworld

Melhor Elenco em Série de Comédia
The Big Bang Theory
Blackish
Modern Family
Orange is the New Black
Veep

Melhor Atriz em Série Dramática
Millie Bobby Brown por Stranger Things
Claire Foy por The Crown
Thandie Newton por Westworld
Winona Ryder por Stranger Things
Robin Wright por House of Cards

Melhor Ator em Série Dramática
Sterling K. Brown por This Is Us
Peter Dinklage por Game of Thrones
John Lithgow por The Crown
Rami Malek por Mr. Robot
Kevin Spacey por House of Cards

Melhor Ator em Série de Comédia
Anthony Anderson por Black-ish
Titus Burgess por Unbreakable Kimmy Schmidt
Ty Burrell por Modern Family
William H. Macy por Shameless
Jeffrey Tambor por Transparent

Melhor Atriz em Série de Comédia
Uzo Aduba por Orange is the New Black
Jane Fonda por Grace & Frankie
Ellie Kemper por Unbreakable Kimmy Schmidt
Julia Louis Dreyfus por Veep
Lily Tomlin por Grace & Frankie

Melhor Ator em Minissérie ou Filme para a TV
Riz Ahmed - The Night Of
Sterling K. Brown - People v. O.J. Simpson: American Crime
Bryan Cranston – Até o Fim
John Turturro - The Night Of
Courtney B. Vance - People v O.J. Simpson: American Crime

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV
Kerry Washington - Confirmação
Bryce Dallas Howard - Black Mirror
Felicity Huffman - American Crime
Audra MacDonald - Lady Day at Emerson’s Bar & Grill
Sarah Paulson - The People v. O.J. Simpson: American Crime Story


GLOBO DE OURO 2017

Aqui segue a lista dos indicados ao Globo de Ouro 2017, cuja cerimônia acontece no dia 8 de janeiro de 2017. Os filmes “La la land: Cantando estações”, “Moonlight” e “Manchester à Beira-Mar” lideram com, respectivamente, sete, seis e cinco nomeações cada um.


CINEMA



Melhor filme dramático
"Até o Último Homem"
"A qualquer custo"
"Lion"
"Manchester à Beira-Mar"
"Moonlinght"

Melhor ator em filme dramático
Casey Affleck, "Manchester à Beira-Mar"
Joel Edgerton, "Loving"
Andrew Garfield, "Até o Último Homem"
Viggo Mortensen, "Capitão Fantástico"
Denzel Washington, "Fences"

Melhor atriz de filme dramático
Amy Adams, "Animais Noturnos"
Jessica Chastain, "Miss Sloane"
Isabelle Hupert, "Elle"
Ruth Negga, "Loving"
Natalie Portman, "Jackie"

Melhor diretor
Damian Chazelle, por "La La Land: Cantando Estações"
Tom Ford, por "Animais Noturnos"
Mel Gibson, "Até o Último Homem"
Barry Jenkins, "Moonlight"
Kenneth Lonergan, por "Manchester à Beira-Mar"

Melhor roteiro
Damien Chazelle, por "La La Land: Cantando Estações"
Tom Ford, por "Animais noturnos"
Barry Jenkins, "Moonlight"
Kenneth Lonergan, "Manchester à Beira-Mar"
Taylor Sheridan, "A qualquer custo"

Melhor filme de comédia ou musical
"20th Century Women"
"La La Land: Cantando Estações"
"Deadpool"
"Sing Street"
"Florence: Quem é Essa Mulher?"

Melhor atriz em filme de comédia ou musical
Annete Bening, "20th Century Women"
Lilly Collins, "Rules Don't Apply"
Halee Steinfeld, "The Edge of Seventeen"
Emma Stone, "La La Land: Cantando Estações"
Meryl Streep, "Florence: Quem é essa mulher?"

Melhor ator em filme de comédia ou musical
Colin Farrell, "O Lagosta"
Ryan Gosling, "La La Land: Cantando Estações"
Hugh Grant, "Florence: Quem é essa mulher?"
Jonah Hill, "Cães de Guerra"
Ryan Reynolds, "Deadpool"

Melhor atriz coadjuvante
Viola Davis, "Fences"
Naomie Harris, "Moonlight"
Nicole Kidman, "Lion"
Octavia Spencer, "Estrelas Além do Tempo"
Michelle Williams, "Manchester à Beira-Mar"

Melhor ator coadjuvante
Mahershala Ali, "Moonlight"
Jeff Bridges, "A Qualquer Custo"
Simon Helberg, "Florence: Quem é essa mulher?"
Dev Patel, "Lion"
Aaron Taylor Johnson, "Animais Noturnos"

Melhor filme estrangeiro
"Divines" (França)
"Elle" (França)
"Neruda" (Chile)
"O apartamento" (Irã)
"Toni Erdmann" (Alemanha)

Melhor animação
"Kubo e as Cordas Mágicas"
"Moana: Um Mar de Aventuras"
"Ma vie de Courgette"
"Sing: Quem Canta Seus Males Espanta"
"Zootopia"

Melhor canção original
"Can't Stop the Feeling", de "Trolls"
"City of Stars", de "La La Land: Cantando Estações"
"Faith", de "Sing: Quem Canta Seus Males Espanta"
"Gold", de "Ouro e Cobiça"
"How Far I'll Go", de "Moana: Um Mar de Aventuras"

Melhor trilha sonora
"Moonlight"
"La La Land: Cantando estações"
"A Chegada"
"Lion"
"Estrelas Além do Tempo"


TELEVISÃO

Melhor série dramática
"The Crown"
"Game of Thrones"
"Stranger Things"
"This Is Us"
"Westworld"

Melhor série de comédia ou musical
"Atlanta"
"Black-ish"
"Mozart in the jungle"
"Transparent"
"Veep"

Melhor minissérie ou telefilme
"American Crime"
"O Fiel Camareiro"
"The Night Manager"
"The Night Of"
"The People vs. OJ Simpson"

Melhor atriz em série dramática
Caitriona Balfe, "Outlander"
Claire Foy, "The Crown"
Keri Russell, "The Americans"
Winona Ryder, "Stranger Things"
Evan Rachel Wood, "Westworld"

Melhor ator em série dramática
Rami Malek, "Mr. Robot"
Bob Odenkirk, "Better Call Saul"
Matthew Reese, "The Americans"
Liev Schreiber, "Ray Donovan"
Billy Bob Thornton, "Goliath"

Melhor ator em série de comédia
Anthony Anderson, "Black-ish"
Gael Garcia Bernal, "Mozart in the Jungle"
Donald Glover, "Atlanta"
Nick Nolte, "Graves"
Jeffrey Tambor, "Transparent"

Melhor atriz em série de comédia ou musical
Rachel Bloom, "Crazy Ex-Girlfriend"
Julia Louis-Dreyfus, "Veep"
Sarah Jessica Parker, "Divorce"
Gina Rodriguez, "Jane The Virgin"
Tracy Ellis Ross, "Black-ish"

Melhor ator em minissérie ou telefilme
Riz Ahmed. por "The Night Of"
Bryan Cranston, por "Até o Fim"
John Turturro, por "The Night Of"
Tom Hiddleston, por "Night Manager"
Courtney B. Vance, por "People v. OJ Simpson"

Melhor atriz em minissérie ou telefilme
Felicity Huffman, "American Crime"
Riley Keough, "Girlfriend Experience"
Sarah Paulson, "People v. OJ Simpson: American crime story"
Charlotte Rampling, por “London Spy”
Kerry Washington, por “Confirmação”

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Olivia Colman, "The Night Manager"
Lena Headey, "Game of Thrones"
Mandy Moore, "This Is Us"
Chrissy Metz, "This Is Us"
Thandie Newton, "Westworld"

Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Sterling K. Brown, "People v. OJ Simpson: American crime story"
Hugh Laurie, "The Night Manager"
John Lithgow, "The Crown"
Christian Slater, "Mr. Robot"

John Travolta, "People v. OJ Simpson: American crime story"

sábado, 3 de dezembro de 2016

Nota do blogueiro


Presente de final de ano que recebi ontem da DarkSide Books. "The Warriors - Os selvagens da noite", de Sol Yurick, maravilhosa edição de 50 anos do livro, em capa dura e ilustrada com mapas. A obra literária, publicada em 1965 e traduzida no Brasil em 2015, deu origem ao cultuado filme de ação de Walter Hill em 1979. Obrigado, equipe da Darkside, pelo envio e parabéns pelo lindo trabalho de vocês. Já nas lojas.
Conheça todos os produtos da DarkSide pelo site www.darksidebooks.com.br


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha especial


Mil séculos antes de Cristo

Pré-História, milhões de anos atrás. Tumak (John Richardson) briga com o pai e com os líderes de sua tribo e, como punição, é banido das terras onde vive. Solitário, vaga por dias até ser adotado por um povoado distante. Neste novo grupo Tumak apaixona-se por Loana (Raquel Welch) e juntos, para sobreviver, enfrentarão ataque de monstros, pássaros vorazes e dinossauros voadores.

Criativa fita de aventura que fugiu dos padrões da Hammer, famosa companhia de cinema britânica especializada em terror, e que levou a belíssima atriz Raquel Welch ao patamar de sex symbol. Poucas produções retrataram a Pré-História no cinema, e este aqui serve como um entretenimento curioso. Não leve a sério o convívio dos homens das cavernas com os dinossauros e deixe de lado a fraca história de amor entre Tumak e Loana. Embarque de cabeça na jornada perigosa dos personagens ancestrais em épocas remotas. É cinema, e bem legal por sinal! No lançamento, em 1966, surpreendeu o público com os inovadores efeitos especiais regidos pelo mestre Ray Harryhausen (1920–2013), que utilizou as técnicas originais do stop-motion (um avanço para a época, hoje ingênuos devido à computação gráfica). Ele era um artesão: criou à mão bonecos e moldes em massinha de criaturas jurássicas, inseridos quadro a quadro nas cenas, além de gravar com lente macro lagartos e depois ampliá-los na tela para dar a impressão de serem gigantes. E deu aquele impacto!
Originalmente da Fox, o filme inglês obteve sucesso com quase U$ 3 milhões de bilheteria e foi gravado em dois lugares - parte das externas, com as paisagens selvagens, nas Ilhas Canárias, na Espanha, e a de cenários em estúdio na Inglaterra.
Quem procura uma boa aventura das antigas conheça “Mil séculos antes de Cristo”, lançamento do mês de julho em DVD da Obras-Primas do Cinema.


Mil séculos antes de Cristo (One million years B.C.). Inglaterra, 1966, 91 min. Aventura. Dirigido por Don Chaffey. Distribuição: Obras-primas do Cinema

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Resenha Especial


Meu jantar com André

Wallace (Wallace Shawn) e André (André Gregory) são dois velhos amigos que se encontram para jantar em um sofisticado restaurante francês em Manhattan. Os anos caminharam e eles não se viram mais, e nesta noite especial deixam fluir uma conversa filosófica sobre as experiências acumuladas em diversos âmbitos: na família, nos relacionamentos amorosos, no teatro e nas andanças pela cidade grande.

Um grandioso filme conceitual de Louis Malle (1932-1995), um dos papas da Nouvelle Vague, em sua fase americana. Apaixonado por teatro, Malle reuniu o novato ator Wallace Shawn, que seguia os primeiros passos de roteirista, e o diretor teatral francês André Gregory, para escrever a quatro mãos relatos de suas experiências sobre a arte que tanto os inspirava e de mais 25 assuntos aleatórios. Dos encontros saiu um roteiro pessoal, inteligente e sincero de Gregory e Shawn, e a partir daí Malle levantou uma grana miúda para produzir o filme, destinando ao projeto pouquíssimos dias de gravação. O cineasta trouxe os próprios roteiristas como atores, com a condição de interpretarem eles mesmos, não como num documentário, mas em formato de cinema. O que vemos é uma joia da Sétima Arte norte-americana dos anos 80, uma aula magna sobre o diálogo e a vida.
Tudo começa com um ator desempregado (Shawn) que percebe um sentido em sua existência durante um jantar, em uma longa conversa filosófica com o diretor de teatro André Gregory. Sentados um de frente para o outro, os dois amigos que há anos não tinham contato dialogam por uma hora e meia sobre Grotowski, morte, arte, viagens, encontros, crenças, solidão, o ser humano e relacionamentos. Shawn é pontual nas breves colocações, ouve mais, enquanto Gregory expressa-se em comentários convictos, acalorados – o primeiro exerce função de pupilo, e o segundo, de veterano, de mestre. Para o efeito esperado, Malle abstraiu cenários, reduziu figurantes, deixou a câmera captar somente imagens da dupla na mesa para, da discussão, pautada por perspectivas de vida diferentes, eclodir um rico ensaio sobre as transformações na cidade de Nova York no campo político e, sobretudo, artístico, que também reflete na mudança de comportamento no mundo daquela década. Fascinante a ideia!
Sensorial e conceitual, o filme aborda as conexões, quando já se notava a falta de tato e aproximação das pessoas nas metrópoles e a ausência de conversas com profundidade (hoje mais gritante com as tecnologias).
Obra magistral do final de carreira de Louis Malle, “Meu jantar com André” sai em DVD este mês pela distribuidora Obras-primas do Cinema (há no disco dois extras imperdíveis: uma entrevista com os atores gravadas em 2011, e um episódio do programa Arena BBC, onde Wallace Shawn entrevista Louis Malle).

Meu jantar com André (My dinner with Andre). EUA, 1981, 111 min. Drama. Dirigido por Louis Malle. Distribuição: Obras-Primas do Cinema

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Resenha especial


100 rifles


Designado para uma missão crucial, o xerife Lyedecker (Jim Brown) cruza a fronteira do Arizona com o México para prender um ladrão de bancos, Joe Herrera (Burt Reynolds), revolucionário de origem indígena cujos planos é comprar rifles para seu povo lutar contra os mexicanos. Ao chegar à região de Sonora descobre que Herrera acabara de ser preso pelo Exército daquele país. Em meio à “terra de ninguém”, Herrera conhece a bela guerrilheira Sarita (Raquel Welch), que procura se vingar de um austero general mexicano, Verdugo (Fernando Lamas), responsável pela morte de seu pai. Com emoções divididas, o xerife Lyedecker terá de escolher entre deixar Herrera ser fuzilado ou aliar-se à causa do rebelde revolucionário.

Originalmente da Fox e lançado esse mês em DVD no Brasil pela Classicline, “100 rifles” é um faroeste explosivo com fundo histórico (ocorre durante a sangrenta Revolução Mexicana), violento para os padrões da época e uma excelente trilha sonora de Jerry Goldsmith. Produzido em 1969, carrega os primeiros traços da Blaxploitation, movimento de ascensão dos negros no cinema a partir do final dos anos 60, nítido na forte presença do bom ator Jim Brown (há uma cena de amor tórrida entre ele e Raquel Welch, com closes e ângulos abusados). Sex symbol, com mix caliente de Bolívia e Irlanda, Raquel estava em plena forma, exibindo sem dó o corpão em decotes. De cair o queixo! E o galã Burt Reynolds convence como um indígena disposto à guerra, num papel em homenagem aos seus ancestrais – ele é descendente de índios Cherokee, e no filme interpreta um nativo americano, meio branco, meio índio Yoeme, da região de Sonora, um dos 31 estados mexicanos. E para fechar o ciclo de personagens, o filme traz um vilão cruel, nas mãos do lendário ator argentino Fernando Lamas, pai do ator Lorenzo Lamas, que faz uma pontinha com 11 anos de idade!
Baseado no livro “The Californio”, de Robert MacLeond, “100 rifles” é um western caprichado, em completo estilo barroco e tendência a grandes reviravoltas de fitas de aventura. Para ver e rever! Como extras do DVD, trailer e galeria de fotos.


100 rifles (Idem). EUA, 1969, 109 min. Faroeste. Dirigido por Tom Gries. Distribuição: Classicline

Especial de Cinema

  Mostra Internacional de Cinema de SP comemora 50 anos e dá início na próxima semana   A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comemo...