quinta-feira, 2 de abril de 2026

Resenhas especiais

 
Novos filmes em DVD pela Obras-primas do Cinema
 

Afire

* Reedição
 
Quatro pessoas, dentre eles velhos amigos, reúnem-se em uma casa de veraneio no mar Báltico. Os dias são quentes, e as conversas entre eles são um misto de memórias e descobertas. Até que um terrível incêndio florestal nas proximidades coloca todos em risco.
 
O diretor alemão Christian Petzold deixa de lado seus filmes complexos de drama de guerra com ar de ficção científica e se volta para um drama com humor e romance. É um filme diferente do que estamos acostumados a ver dele – é o diretor de ‘Phoenix’ (2014) e ‘Em trânsito’ (2018). A história é em torno de alguns dias na vida de um jovem escritor (papel do austríaco Thomas Schubert, de “O impostor”, num bom desempenho) que vai com um amigo para uma casa de férias no mar Báltico. Lá tentará terminar seu novo livro, enquanto aguarda a chegada do editor. Ele conhecerá uma mulher hospedada no quarto ao lado que mudará sua vida. Os dias são quentes, ele está preocupado com o livro, até que um incêndio de grandes proporções atinge florestas de região, deixando-os isolados e sem comunicação. É um filme de estudo de personagem, com boa fotografia e muito sentimento autoral na trama (talvez o filme mais fácil de compreender de Petzold, que tem no currículo obras complexas). No elenco temos a atriz alemã Paula Beer, que trabalhou com Petzold no longa anterior dele, ‘Undine’ (2020). Venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, foi indicado ao prêmio de melhor filme em San Sebastián e teve a estreia no Brasil na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2023 (onde vi pela primeira vez). Saiu recentemente em DVD pela Obras-primas do Cinema em parceria com a Imovision, em um disco contendo dois extras (trailer e galeria de fotos), embalado em luva e ainda com dois cards com os pôsteres do filme.
 
Afire (Roter Himmel). Alemanha, 2023, 102 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Christian Petzold. Distribuição: Obras-primas do Cinema e Imovision (em DVD)
 
* Reedição - Texto publicado em 28/10/2023

 
Buffy, a caça-vampiros
 
Universitários de uma renomada escola aparecem mortos misteriosamente. A polícia descobre que há mordidas no pescoço deles, como se fossem dentes de vampiro. Desconfiada de que a escola abrigue um antro de criaturas vampirescas, a estudante Buffy (Kristy Swanson), que é líder de torcida, encabeça um grupo de jovens para investigar o caso.
 
Irreverente, com referências ao mundo pop e ao cinema oitentista de vampiro, a comédia de terror tornou-se cult, antes mesmo de ser exibida inúmeras vezes na TV aberta no fim da década de 90. O filme teenager veio na onda de fitas de terror vampírico daquela saudosa época, como “A hora do espanto” e “Os garotos perdidos”, mas aqui com mais dose de humor e deboche. A história acompanha Buffy Summers, uma líder de torcida empenhada em desmantelar um clã de vampiros na escola onde estuda – papel de Kristy Swanson, descoberta por John Hughes em “Curtindo a vida adoidado” (1986), atriz que se tornou popular em filmes norte-americanos dos anos 80. Ela lidera o grupo de amigos no combate às criaturas ao descobrir que é herdeira de uma linhagem de exterminadores de vampiros, uma espécie de neta de Van Helsing. Quem faz o chamado para ela seguir com a caçada aos vampiros é o misterioso mentor Merrick (Donald Sutherland). As criaturas da noite estão à solta a mando do sinistro Lothos (Rutger Hauer), determinado a acabar com os humanos. O tom do filme é leve, com cenas contidas de violência, seguindo um lado mais satírico, que brinca com os clichês do gênero. A estética é marcadamente anos 90, com diálogos e figurinos que reforçam o caráter juvenil da obra. Exatamente por isso houve atrito na produção envolvendo o roteirista, Joss Whedon, que retirou o nome dos créditos, por divergir com os produtores e a direção quanto a manter sua ideia original – até o elenco entrou em crise, por pouco o filme foi engavetado e a diretora não fez mais nada (Fran Rubel Kuzui). Tanto que cinco anos depois Whedon produziu e dirigiu a série que ficou mais conhecida que o longa, “Buffy: A caça-vampiros” (1997-2004), protagonizada desta vez por Sarah Michelle Gellar. Whedon, que vinha da TV, dirigiu depois “Serenity: A luta pelo amanhã” (2005) e os dois primeiros longas da franquia “Os Vingadores” (2012 e 2015). Não vi a série, apenas conheço trechos de episódios, e os fãs dizem ser melhor que o filme. No elenco há gente premiada, como Paul Reubens, como um vampiro escrachadão, e a indicada ao Oscar Candy Clark (como a mãe de Buffy), além de artistas em início de carreira, como David Arquette, Hilary Swank, Thomas Jane e Luke Perry. O filme acaba de sair em DVD pela Obras-primas do Cinema, em ótima cópia, com três extras (trailer, spots de TV e vídeo promocional).
 
Buffy, a caça-vampiros (Buffy the vampire slayer). EUA, 1992, 85 minutos. Comédia/Terror. Colorido. Dirigido por Fran Rubel Kuzui. Distribuição: Obras-primas do Cinema (em DVD)

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