terça-feira, 18 de outubro de 2022

Especial de cinema


46ª Mostra Internacional de Cinema de SP tem início nessa quinta-feira

Entre os dias 20 de outubro e 02 de novembro os fãs do cinema independente têm um encontro marcado com a 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Evento tradicional na capital paulista, criado em 1977 pelo falecido crítico de cinema Leon Cakoff, a Mostra de São Paulo reunirá esse ano 231 filmes premiados nos principais festivais internacionais de cinema, como Berlim, Veneza, Cannes, Toronto, Tribeca, Sundance e San Sebastian. Haverá longas de cineastas renomados, como o ganhador da Palma de Ouro esse ano, “Triângulo da tristeza”, do polêmico diretor sueco Ruben Östlund, “Com amor e fúria”, da diretora Claire Denis, além de 15 filmes pré-selecionados ao Oscar, dentre eles “Nada de novo no front” (Alemanha, de Edward Berger), “Bardo” (México, de Alejandro G. Iñárritu), indicado ao Leão de Ouro em Veneza, “Pilgrims” (Lituânia, de Laurynas Bareisa), ganhador do prêmio de melhor filme no Venice Horizons, no Festival de Veneza, e “Alcarrás” (Espanha, de Carla Simón), ganhador do Urso de Ouro em Berlim.
O pôster da Mostra de 2022 foi criado por Eduardo Kobra, artista plástico e muralista dos mais importantes da atualidade. Na arte criada por ele vemos uma garota tocando a lua do filme “Viagem à lua” (1902), de George Méliès. Haverá na Mostra um filme em homenagem a ele, “Kobra autorretrato” (2022), de Lina Chamie.
A vinheta está disponível no Youtube, em - https://www.youtube.com/watch?v=9vkPCxHqmRg, e toda programação, incluindo o valor dos ingressos, pacotes e credenciais, e as salas e horários de exibição de cada filme, já estão disponíveis no site da Mostra (https://46.mostra.org). Quanto aos ingressos, eles podem ser adquiridos avulsos, em pacotes ou permanentes, diretamente pelo app da Mostra ou pelo site da Velox Tickets – ingressos avulsos giram em torno de R$ 24 a R$ 30 (inteira) e R$ 12 a R$ 15 (meia-entrada), e os pacotes, de R$ 250 a R$ 410, além das permanentes, de R$ 127 a R$ 600 (assinantes da Folha de São Paulo têm desconto especial). Também haverá, como todo ano, os ingressos com preços populares nos circuitos SPCine, com ingressos entre R$ 2 e R$ 4.
A 46ª Mostra de Cinema de SP será presencial, em 15 salas de cinema e espaços abertos da capital, e online e gratuito nas plataformas digitais do Sesc Digital e SPCine Play.

 

Mais sobre a Mostra 2022

 

O júri desse ano é composto pelos diretores de cinema Rodrigo Areias, Lina Chamie e André Novais Oliveira. O prêmio Leon Cakoff será entregue para a atriz e cantora Dóris Monteiro, e a Mostra irá exibir filmes restaurados com participação dela, como “Agulha no palheiro” (1953). Já o prêmio Humanidade irá para a cineasta brasileira Ana Carolina - a Mostra trará uma retrospectiva com três filmes de Ana Carolina, “Mar de rosas” (1978), “Das tripas coração” (1982) e “Sonho de valsa” (1987), além da apresentação de seu trabalho, o inédito “Paixões recorrentes” (2022).
Haverá ainda homenagem ao cineasta Arnaldo Jabor, falecido esse ano, com exibição da cópia restaurada de “Eu te amo” (1980), e ao diretor Jean-Luc Godard, com exibição do inédito “Até sexta, Robinson” (2022).
Outros filmes antigos recém-restaurados serão exibidos em sessões especiais: “A mãe e a puta” (1972) e “Meus pequenos amores” (1974), ambos de Jean Eustache, “Deus e o diabo na terra do sol” (1964, de Glauber Rocha), “A rainha diaba” (1973, de Antônio Carlos da Fontoura) e “Bratan” (1991, de Bakhtyar Khudojnazarov).
A Mostra 2022 abre ainda ao público exibições de “Durval discos” (2002) e curtas em primeira mão de cineastas renomados, como “A camareira” (2022), de Lucrecia Martel e “Le pupille” (2022), de Alice Rohrwacher.
Terá também o retorno das apresentações em VR (Realidade Virtual), com oito filmes de várias nacionalidades, como Brasil, Holanda, Peru, Bélgica e Itália, bem como o lançamento de três livros e o “II Encontro de Ideias Audiovisuais”, espaço para debater ideias e incentivar projetos audiovisuais. E por fim, as tradicionais exibições no vão-livre do Masp voltarão – são dois filmes programados gratuitos, “Kobra autorretrato” e “Carvão”.

 


Filmes de destaque na Mostra 2022:

 

“A cozinha” (Brasil), de Johnny Massaro

 

“A mãe” (Brasil), de Cristiano Burlan

 

“Aldeotas” (Brasil), de Gero Camilo

 

“Armageddon time” (EUA/Brasil), de James Gray

 

“As paredes falam” (Espanha), de Carlos Saura

 

“Com amor e fúria” (França), de Claire Denis

 

“Conto de fadas” (Rússia/Bélgica), de Alexander Sokurov

 

“Flux Gourmet” (Reino Unido/EUA/Hungria), de Peter Strickland

 

“Noite exterior” (Itália), de Marco Belocchio

 

“O filme da escritora” (Coreia do Sul), de Hong Sang-Soo

 

“O pastor e o guerrilheiro” (Brasil), de José Eduardo Belmonte

 

“O teto amarelo” (Espanha), de Isabel Coixet

 

“One fine morning” (França), de Mia Hansen-Løve

 

“Pacifiction” (França/Espanha/Alemanha/Portugal), de Albert Serra

 

“Paloma” (Brasil), de Marcelo Gomes

 

“Regra 34” (Brasil), de Julia Murat

 

“Sem ursos” (Irã), de Jafar Panahi

 

“That kind of summer” (Canadá), de Denis Côté

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Especial de Cinema


46ª Mostra de Cinema de SP começa dia 20 com 231 filmes na programação



Se você é de São Paulo e curte cinema, anote na agenda. De 20 de outubro a 02 de novembro haverá mais uma edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É a 46ª edição desse evento que reúne filmes premiados de diversos lugares do mundo.
Na manhã do último sábado, dia 01/10, ocorreu a coletiva de imprensa para anunciar a programação da mostra. Serão 231 filmes de 60 países, apresentados nas seções ‘Perspectiva Internacional’, ‘Competição Novos Diretores’, ‘Mostra Brasil’ e ‘Apresentação Especial’. Na noite de abertura, o filme exibido será o ganhador da Palma de Ouro esse ano, “Triângulo da tristeza”, do diretor sueco Ruben Östlund. Um filme aguardado pelos cinéfilos e que causou polêmica em Cannes, do mesmo diretor de “The square – A arte da discórdia” (2017), também ganhador da Palma de Ouro e exibido na Mostra de SP.
O pôster da Mostra de 2022 foi criado por Eduardo Kobra, artista plástico e muralista dos mais importantes da atualidade. Na arte criada por ele vemos uma garota tocando a lua do filme “Viagem à lua” (1902), de George Méliès. A vinheta foi apresentada na coletiva e está disponível no Youtube, em - https://www.youtube.com/watch?v=9vkPCxHqmRg, assim como foi lançado o site da Mostra (https://46.mostra.org). A programação, incluindo o valor dos ingressos e credenciais, e as salas e horários de exibição de cada filme, serão disponibilizados no site em breve.
A 46ª Mostra de Cinema de SP será presencial, em cinemas da capital (em breve sai a lista dos lugares) e online (nas plataformas Sesc Digital e SP Cine Play).
O júri desse ano é composto pelos diretores de cinema Rodrigo Areias, Lina Chamie e André Novais Oliveira. O prêmio Leon Cakoff será entregue para a atriz e cantora Dóris Monteiro, e a Mostra irá exibir filmes restaurados com participação dela, como “Agulha no palheiro” (1953). Já o prêmio Humanidade irá para a cineasta brasileira Ana Carolina - a Mostra trará uma retrospectiva com três filmes de Ana Carolina, “Mar de rosas” (1978), “Das tripas coração” (1982) e “Sonho de valsa” (1987), além da apresentação de seu trabalho, o inédito “Paixões recorrentes” (2022).
Haverá ainda homenagem ao cineasta Arnaldo Jabor, falecido esse ano, com exibição da cópia restaurada de “Eu te amo” (1980), e ao diretor Jean-Luc Godard, com exibição do inédito “Até sexta, Robinson” (2022).
Outros filmes antigos recém-restaurados serão exibidos em sessões especiais: “A mãe e a puta” (1972) e “Meus pequenos amores” (1974), ambos de Jean Eustache, “Deus e o diabo na terra do sol” (1964, de Glauber Rocha), “A rainha diaba” (1973, de Antônio Carlos da Fontoura) e “Bratan” (1991, de Bakhtyar Khudojnazarov).
A Mostra 2022 abre ainda ao público exibições de “Durval discos” (2002) e curtas-metragens em primeira mão de cineastas renomados, como “A camareira” (2022), de Lucrecia Martel e “Le pupille” (2022), de Alice Rohrwacher, além de dois episódios da série dinamarquesa “The Kingdom exodus” (2022), de Lars von Trier.
Terá também o retorno das apresentações em VR (Realidade Virtual), com oito filmes de várias nacionalidades, como Brasil, Holanda, Peru, Bélgica e Itália, bem como o lançamento de três livros e o “II Encontro de Ideias Audiovisuais”, espaço para debater ideias e incentivar projetos audiovisuais. E por fim, as tradicionais exibições no vão-livre do Masp voltarão (aguardem a programação, que deve sair até o final dessa semana).

Filmes da edição de 2022

Na 46ª. Mostra serão exibidos filmes premiados em festivais como Berlim, Veneza, Cannes, Toronto, Tribeca, Sundance, San Sebastian, Locarno e Sitges, de diretores e diretoras renomados, como Alejandro González Iñárritu, Albert Serra, José Eduardo Belmonte, Claire Denis, Peter Strickland, Diego Lerman, Hong Sang-soo, James Gray, Alê Abreu, Denis Côté, Mia Hansen-Love), Alexandr Sokurov, Isabel Coixet, Carlos Saura, Jafar Panahi, Marcelo Gomes, Julia Murat e outros.
Nesse ano, a Mostra traz 13 longas pré-selecionados ao Oscar, dentre eles “Nada de novo no front” (Alemanha, de Edward Berger), “Bardo” (México, de Alejandro G. Iñárritu), indicado ao Leão de Ouro em Veneza, “Pilgrims” (Lituânia, de Laurynas Bareisa), ganhador do prêmio de melhor filme no Venice Horizons, no Festival de Veneza, e “Alcarrás” (Espanha, de Carla Simón), ganhador do Urso de Ouro em Berlim.




Outros filmes de destaque na Mostra:

 

“A cozinha” (Brasil), de Johnny Massaro

 

“A esposa de Tchaikovsky” (Rússia/França), de Kirill Serebrennikov

 

“A mãe” (Brasil), de Cristiano Burlan

 

“A noiva” (Portugal), de Sérgio Tréfaut

 

“Aldeotas” (Brasil), de Gero Camilo

 

“Armageddon time” (EUA/Brasil), de James Gray

 


“As paredes falam” (Espanha), de Carlos Saura

 

“Ciclo” (Brasil), de Ian SBF

 

“Com amor e fúria” (França), de Claire Denis

 

“Conto de fadas” (Rússia/Bélgica), de Alexander Sokurov

 

“Flux Gourmet” (Reino Unido/EUA/Hungria), de Peter Strickland

 

“Fumar causa tosse” (França), de Quentin Dupieux

 

“Noite exterior” (Itália), de Marco Belocchio

 

“O deus do cinema” (Japão), de Yôji Yamada

 

“O filme da escritora” (Coreia do Sul), de Hong Sang-Soo

 

“O pastor e o guerrilheiro” (Brasil), de José Eduardo Belmonte

 

“O suplente” (Argentina/México/Espanha/Itália), de Diego Lerman

 

“O teto amarelo” (Espanha), de Isabel Coixet

 

“O visitante” (Bolívia/Uruguai), de Martín Boulocq

 

“One fine morning” (França), de Mia Hansen-Løve

 

“Pacifiction” (França/Espanha/Alemanha/Portugal), de Albert Serra

 

“Paloma” (Brasil), de Marcelo Gomes

 

“Regra 34” (Brasil), de Julia Murat

 

“Sem ursos” (Irã), de Jafar Panahi

 

“Terra de Deus” (Dinamarca/Islândia), de Hlynur Pálmason

 

“That kind of summer” (Canadá), de Denis Côté



segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Cine Cult


Schramm

Fechado em seu apartamento, Lother Schramm (Florian Koerner von Gustorf) está caído no chão, todo ensanguentado. Sem ninguém por perto, ele agoniza. Ele é um assassino em série, e agora sua vida passa diante de seus olhos.

Cult movie de terror psicológico escrito e dirigido pelo polêmico cineasta independente alemão Jörg Buttgereit, de “Nekromantik” (1988), da continuação “Nekromantik 2” (1991) e de “O rei da morte” (1990). Ele tumultuou a mente (e o estômago do público) quando exibiu o body horror “Nekromantik”, um dos filmes mais macabros, escatológicos e bizarros do cinema, sobre um triângulo amoroso com necrofilia (só de lembrar dele, tenho enjoo).
Estabelecido nesse restrito circuito de cinema de horror, lançou “Schramm” (1993), uma investigação da mente de um assassino em série, com seus devaneios, paranoia e planos horrendos.
Mergulhou a fundo nos pensamentos desse criminoso atormentado pelo passado enquanto agoniza no chão após um acidente doméstico. As cenas dos delírios do assassino são distorcidas, como um cinema experimental, com cores irreais e intenso movimentos de câmera. São imagens aleatórias que puxam a violência e o sangue, além de perversão sexual (a que o diretor sempre usou em seus filmes – vide “Nekromantik”). E ao longo da história acompanhamos (uns com repulsa, outros com pavor) a jornada de autodestruição de Schramm, um homem solitário, amargo e em constante conflito de identidade.


Florian Koerner von Gustorf fez, como ator, apenas “Schramm” e “Nekromantik 2” (1991), e a partir dos anos 2000 tornou-se um importante produtor de cinema, trabalhando em praticamente todos os filmes do diretor alemão Christian Petzold, seu conterrâneo, um dos nomes mais importantes do cinema europeu – fizeram juntos “Phoenix” (2014), “Em trânsito” (2018) e o recente “Undine” (2020).
“Schramm” é uma obra imaginativa, forte (de classificação 18 anos), para público restrito. Ganhou uma ótima edição nacional em DVD pela Obras-primas do Cinema, com vários extras, incluindo um curta experimental do diretor, “Heaven” (1984), uma introdução do diretor e um making of de 36 minutos. A versão apresentada em DVD é a sem cortes, que tem apenas 65 minutos.


Schramm (Idem). Alemanha, 1993, 65 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Jörg Buttgereit. Distribuição: Obras-primas do Cinema

domingo, 2 de outubro de 2022

Na Netflix


Travelin' band: Creedence Clearwater Revival at the Royal Albert Hall

Documentário sobre a lendária turnê da banda americana Credence Clearwater Revival (CCR), em Londres, entre 1969 e 1970.

Um acerto da Netflix para os fãs de rock, mais notadamente os que curtem rock clássico! O documentário britânico, de título enorme, tem produção da Concord Originals e distribuição mundial da Netflix, com direção de Bob Smeaton, realizador de inúmeros documentários musicais para o cinema e a TV, responsável pela monumental minissérie “The Beatles Anthology” (1995–1996) e pelo premiado doc “Festival Express” (2003). Com esses dois títulos de exemplo, já sabemos o que ele fez com CCR: uma pequena joia documental! Smeaton não traz dados ou vídeos das origens do grupo, mas acompanha a primeira turnê europeia do Credence, com foco no show em Royal Albert Hall, em Londres, entre 1969 e 1970, um “ano mágico” para eles. Nesse período “explodiram” quando o Beatles saía de cena.
Há longas cenas do show histórico e também uma série de imagens raras da banda nos bastidores, além de vídeos antigos com depoimentos dos membros do CCR pelas ruas (incluindo entrevistas reveladoras e irreverentes).
Originária de El Cerrito, California, o Credence tinha como membros o quarteto composto pelos irmãos John Fogerty (guitarra e vocais) e Tom Fogerty (guitarra), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria). Eram amigos da época de escola e tocavam juntos desde 1959, com uma banda de nome The Blue Velvets. Em 1967 fundaram o CCR, que permaneceu em atividade por cinco anos (até 1972). Tiveram pelo menos cinco músicas no top 10 mundial entre 1969 e 1971, dentre elas “Proud Mary”, “Midnight special” e “Bad moon rising”, vendendo mais discos que o próprio Beatles (foram nove discos de ouro, com mais de 25 milhões de cópias só nos EUA). Tom faleceu em 1990, aos 48 anos, e os demais continuam em atividade no mundo da música – John segue carreira solo, enquanto Stu e Dou viajam com a banda CCR Revisited (fundada em 1995).


Narrado pelo ator Jeff Bridges, o doc compartilha um pouco das andanças do grupo que marcou toda uma geração, num período de contestação e liberdade criativa, quando o rock passou a incorporar outros gêneros e assim pode se reinventar.

Travelin' band: Creedence Clearwater Revival at the Royal Albert Hall (Idem). Reino Unido, 2022, 86 minutos. Documentário. Dirigido por Bob Smeaton. Distribuição: Netflix

sábado, 24 de setembro de 2022

Cine Cult


Foxfire – Confissões de uma gangue de garotas


No interior do estado de Nova York nos anos 50, oito jovens organizam uma gangue para lutar contra os abusos dos homens.

Primeiro (e único) filme em língua inglesa do diretor francês Laurent Cantet, cineasta de grande renome internacional, vencedor da Palma de Ouro em Cannes por “Entre os muros da escola” (2007). Ele quem fez o roteiro, adaptado do livro “Foxfire”, da norte-americana Joyce Carol Oates, sobre uma gangue de garotas que busca se vingar dos abusos sofridos no ambiente de trabalho e na escola (a história se passa numa cidadezinha interiorana de Nova York, na metade dos anos 50, com uma pegada moderna nos figurinos e nos diálogos). Elas revidam com fúria, atacando professores que tentaram estuprá-las e homens que abusaram delas na rua. Elas enfrentam uma sociedade misógina e machista, porém a luta delas é com armas e agressões, gerando um novo discurso de violência, de justiça com as próprias mãos (o que sabemos não ser o melhor caminho). Por isso passam a ser vistas como foras-da-lei, perseguidas pela polícia – o filme segue numa crescente a ponto de as garotas destruírem casas, sequestrarem homens e até matá-los.
Cantet fez uma obra fascinante e vigorosa. E como sempre utilizando uma linguagem própria, com a câmera na mão, em constante movimento, resultando em imagens tremidas e fora de foco, que jogam o espectador para o centro das cenas. Novamente escalou um elenco de pessoas desconhecidas – aqui são jovens atrizes francesas, muitas em cena pela primeira vez (destaque para Katie Coseni, que ganhou o prêmio de atriz no Festival de San Sebastian).


Rodado no Canadá, tem como co-roteirista Robin Campillo, parceiro de trabalho de Cantet em outros longas, como “Entre os muros da escola” e “A trama” (2017). Campillo escreveu e dirigiu um dos filmes mais impactantes do cinema francês atual, que trata sobre a Aids, “120 batimentos por minuto” (2017), ganhador de três prêmios em Cannes, o da Crítica, o Grande Prêmio do Juri e o Queer Palm.
PS: Em 1996 houve a primeira versão de “Foxfire”, intitulado no Brasil de “Rebeldes”, bem fraquinha, com Angelina Jolie no início de carreira (dirigido por Annette Haywood-Carter, trazia a história dos anos 50 para os anos 90).
Procure conhecer a versão de 2012, de Cantet – tem em DVD pela Imovision.

Foxfire – Confissões de uma gangue de garotas (Foxfire). França/Canadá, 2012, 143 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Laurent Cantet. Distribuição: Imovision

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Nos streamings


O escândalo da Wirecard


O jornalista da Financial Times Dan McCrum desvenda um golpe milionário da empresa alemã de pagamentos Wirecard AG.

Um documentário empolgante e de qualidade da Netflix, que acaba de estrear na plataforma. É baseado no livro “Money men: A hot startup, a billion dollar fraud, a fight for the truth”, de Dan McCrum, jornalista investigativo do jornal britânico Financial Times, que descobriu a fraude milionária da Wirecard AG em 2020 e investigou o caso a fundo. Pelo trabalho, McCrum foi agraciado com um dos maiores prêmios do jornalismo investigativo da Alemanha, e o caso Wirecard ganhou repercussão mundial.
Fundada em 1999, com sede em Aschheim, na Alemanha, a Wirecard AG foi uma processadora de pagamentos que em 2020 entrou com pedido de falência, com um rombo de quase 2 bilhões de euros (cerca de R$ 12 bilhões). Descobriu-se que um dos CEOs, Markus Braun, estava envolvido em fraudes fiscais e manipulação contábil, e com a investigação em 2020 ele foi preso acusado pelos crimes. Outros executivos da empresa também foram acusados e presos, e alguns permanecem foragidos.
O filme tem uma trama surpreendente, com reviravoltas bem colocadas, e por tratar de temas complexos, como fraudes bancárias e muitas informações técnicas do mundo corporativo, consegue ser didático e explicativo para o grande público.


É uma produção britânica, assinada pelo diretor James Erskine, que fez bons documentários como “Sachin” (2017, sobre um dos maiores jogadores de críquete do mundo, o indiano Sachin Ramesh Tendulkar) e “Billie” (2019, sobre a lendária cantora de jazz Billie Holiday).

O escândalo da Wirecard (Skandal! Bringing down Wirecard). Reino Unido, 2022, 92 min. Documentário. Colorido. Dirigido por James Erskine. Distribuição: Netflix


Luck
 
Sam (voz de Eva Noblezada) é uma garota azarada, que só se envolve em problemas. Ela vê a sorte chegar quando cruza na rua com um gato preto falante, Bob (voz de Simon Pegg). Os dois acabam encontrando uma moeda mágica que os transportam a um mundo mítico, chamado Terra da Sorte, com dragões coloridos e gnomos, e lá a dupla irá encarar uma série de aventuras.
 
Primeiro filme de animação da Skydance Animation, um braço da Skydance, em parceria com a AppleTV, que traz nomes conhecidos na dublagem, como Simon Pegg, Jane Fonda, Whoopi Goldberg, John Ratzenberger e Eva Noblezada. A coprodução Espanha e EUA conta com assinatura de John Lasseter, em seu primeiro trabalho fora da Disney; ele foi diretor de criação da Pixar, da Walt Disney Animation Studios e da DisneyToon Studios, dirigindo lá clássicos da animação moderna, como “Toy Story” e “Vida de inseto”, e saiu da empresa após acusações de abusos sexuais. É um filme de desenho em Computação Gráfica menos casual e sem os grandes efeitos da Disney, mas que ainda vale uma espiadinha, por ter um roteiro leve, alegre, para crianças e jovens se divertirem. É uma fábula moderna sobre sorte e azar, em torno de uma garota em pleno desenvolvimento que é lançada para uma jornada de desafios, que, queira ou não, a preparam para a vida adulta. Ao adentrar no mundo mágico, ela precisará aceitar tanto os bons quanto os maus momentos, lembrando que o equilíbrio entre sorte e azar é parte essencial da vida.


O carisma da dupla Sam e Bob (a menina e o gato) sustenta toda a experiência visual, demonstrando entre eles uma relação de amizade e ternura que ultrapassa a imagem e humano e animal. A animação iria estrear nos cinemas em 2021, porém foi prorrogado por causa da crise do coronavírus; estreou no dia 05 de agosto desse ano, um ano depois de ser finalizado, indo diretamente para a AppleTV, em mais de 50 países, incluindo Brasil.

Luck (Idem). EUA/Espanha, 2022, 102 minutos. Animação. Colorido. Dirigido por Javier Abad e Peggy Holmes. Distribuição: AppleTV (streaming)

sábado, 17 de setembro de 2022

Cine Especial

 

Encontro marcado com a morte

Odiada por muitas pessoas, uma herdeira é encontrada morta com sinais de envenenamento durante uma viagem a Jerusalém. Ela estava acompanhada por familiares e amigos, e todos são suspeitos do crime. Entra em ação o investigador Hercule Poirot (Peter Ustinov) para desvendar o caso.

Produzido pela Cannon, “Encontro marcado com a morte” é mais um interessante filme de mistério baseado na obra da ‘Rainha do Crime’ Agatha Christie. Premiado com dois Oscars, o veterano ator Peter Ustinov retorna ao papel do investigador Hercule Poirot, com seu longo bigode e suas piadinhas – foi seu último papel como Poirot, ele o interpretou em “Morte sobre o Nilo” (1978) e “Assassinato num dia de sol” (1982), e em três telefilmes nos anos 80. O roteirista britânico Anthony Shaffer também volta a adaptar Agatha - ele havia feito todos os outros do Poirot citados acima, incluindo o melhor filme de todos, a primeira versão de “Assassinato no expresso Oriente” (1974), demonstrando uma mão exata para histórias intrigantes de crime – são dele ainda os imperdíveis “Frenesi” (1972) e “Jogo mortal” (1972).

Dessa vez a trama é na exótica Jerusalém, passando em pontos turísticos como o Mar Morto, e há um crime a desvendar envolvendo o envenenamento de uma senhora chantagista, herdeira de bens e odiada por muitos.
Como sempre o elenco é grandioso, com astros e estrelas de outrora: Lauren Bacall, Carrie Fisher, John Gielgud, Piper Laurie e Hayley Mills são alguns dos nomes que realçam a qualidade da fita, uma produção caprichada, rodada em Israel, Itália e Reino Unido.
Do diretor Michael Winner, das fitas policiais “Assassino a preço fixo” (1972), “Scorpio” (1973) e “Desejo de matar” (1974) e do terror “A sentinela dos malditos” (1977).
Integra o box “Agatha Christie – volume 4”, lançado em DVD pela Obras-primas do Cinema, contendo ainda o longa para cinema “Dez convites para a morte” (1989, conhecido como “O caso dos dez negrinhos”) e o telefilme “Um passe de mágica” (1985).

Encontro marcado com a morte (Appointment with death). EUA/Reino Unido, 1988, 102 minutos. Suspense. Colorido. Dirigido por Michael Winner. Distribuição: Obras-primas do Cinema

Especial de Cinema

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