terça-feira, 7 de setembro de 2021

Cine Especial


Estranha obsessão

Gil Renard (Robert De Niro) é um vendedor de facas que no passado tentou ser jogador de baseball. Fanático pelo esporte, sempre é visto na torcida quando há jogos em sua cidade. Sua vida anda péssima, com problemas familiares e também no trabalho. Assim como Renard, seu ídolo, o jogador de baseball Bobby Rayburn (Wesley Snipes), enfrenta uma maré de azar. Ele acredita que pode ajudar o famoso jogador a se superar, então passa a segui-lo. Torna-se um fã obcecado, disposto a tudo, inclusive a matar, para estar próximo ao ídolo.

Quando lançado em VHS, em 1996, muita gente assistiu a esse filme de suspense com Robert De Niro em mais um papel de vilão doentio, aqui um fã psicótico, num tipo que sabia representar bem (lembram-se de “Cabo do medo” e “Os intocáveis”?). Não é uma grande obra, nem original, mas tem bons elementos do thriller psicológico e um bom trabalho de De Niro e Wesley Snipes (como o jogador de baseball que sofre nas mãos do obcecado homem).


Há no cinema americano vários filmes sobre fãs dispostos a tudo para ter seu ídolo próximo, na linha de suspense/terror, como “O fã: Obsessão cega” (1981), “Louca obsessão” (1990) e, lembrei agora, “O rei da comédia” (1983), com o mesmo De Niro, dirigido por Martin Scorsese – essa era uma sátira, de humor negro, com Jerry Lewis como ele mesmo.
Ellen Barkin, hoje sumida das telas, faz uma locutora de rádio, e Benicio Del Toro, em início de carreira, interpreta um jogador rival de Snipes. John Leguizamo também aparece numa ponta.


É baseado num romance de Peter Abrahams, lançado em 1995, e dirige o inglês Tony Scott, irmão de Ridley Scott, de “Top Gun: Ases indomáveis” (1986) e “Inimigo do estado” (1998), que infelizmente morreu cedo, em 2012. Já havia uma cópia esgotada no mercado brasileiro, pela Spectra Nova, e agora sai em DVD numa edição de luxo no box “Tony Scott – The red collection”, pela Classicline, acompanhado dos longas “Fome de viver” (1983), “Vingança” (1990) e “Amor à queima-roupa” (1993).


Estranha obsessão (The fan). EUA, 1996, 116 minutos. Suspense. Colorido. Dirigido por Tony Scott. Distribuição: Classicline

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Na Netflix


Arquivos de um serial killer

Em 1983, um homem recluso chamado Dennis Nilsen confessou, em gravações de fitas cassetes, ter assassinado 15 pessoas no Reino Unido. Ele é preso, e a polícia britânica inicia uma investigação que irá durar vários anos.

Documentário chocante produzido pela Netflix que registra o método de crimes cometidos pelo serial killer mais notório do Reino Unido, Dennis Nilsen. Um cidadão recluso que atraía homens gays até sua casa, matava-os e escondia partes do corpo no armário de seu quarto, e partes enterrava em seu jardim. O caso teve ampla repercussão na Europa nos anos 80, e Nilsen é considerado até hoje um dos assassinos mais frios e perversos da história. Com imagens televisivas da época, o doc entrevista famílias e amigos das vítimas, e até de pessoas que cruzaram o caminho do assassino e por pouco não foram mortas.
De curta duração (são 84 minutos), o filme é pesado e pode impressionar os mais sensíveis. Estreou recentemente na Netflix, que vem investindo em séries e documentários de crimes reais (há ao menos 60 obras desse tipo lançados entre 2019 e 2021 na Netflix).


Arquivos de um serial killer (Memories of a murderer: The Nilsen tapes). Reino Unido, 2021, 84 minutos. Documentário. Colorido. Dirigido por Michael Harte. Distribuição: Netflix

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Dica de Livros


A editora Aleph, especializada em literatura de ficção científica, lançou recentemente a edição de luxo do livro "Jurassic Park" (1990), em um box que acompanha a continuação, "O mundo perdido" (1995), ambos escritos por Michael Crichton. Os dois livros, que chegam com novas capas, devidamente ilustradas, reúnem uma trama mirabolante de aventura, ação e suspense, de um mundo aterrador dominado por dinossauros criados a partir de modernos processos de genética e da biotecnologia, e que ganhou as telonas pelas mãos do cineasta Steven Spielberg nos anos 90. Confira abaixo trechos dos dois livros:

"O carro moveu-se adiante e Tim olhou para trás, na direção dos hadrossauros. De repente, ele viu um animal amarelo-pálido se mexendo com rapidez, na lateral dos bichos e meio afastado. Havia faixas marrons nas costas dele. Tim o reconheceu de imediato" (Trecho de 'Jurassic Park', 1990)

"E então, abruptamente, o tiranossauro se afastou e caminhou para a frente do carro. Deu as costas para eles, erguendo sua enorme cauda bem alto. O tiranossauro recuou na direção do automóvel. Os três homens escutaram a cauda raspando sobre o teto do carro. As ancas do bicho chegaram mais perto..." (Trecho de 'O mundo perdido', 1995)





terça-feira, 31 de agosto de 2021

Dica de Leitura


"Gostaria de contar como L. entrou na minha vida, em que circunstâncias. Gostaria de descrever com precisão o contexto que permitiu que L. entrasse na minha esfera privada e, com paciência, a dominasse. Mas não é tão simples. E no instante em que escrevo esta frase, 'como L. entrou na minha vida', percebo que a expressão ganha pompa, um exagero desnecessário, uma maneira de dar ênfase a um drama que ainda não existe, uma vontade de anunciar uma virada ou uma reviravolta".

Abertura do livro "Baseado em fatos reais" (2015), de Delphine de Vigan, lançado no Brasil pela editora Intrínseca (2016, 256 páginas, tradução de Carolina Selvatici). O romance, um thriller psicológico, acompanha os dias turbulentos da escritora Delphine quando conhece uma jovem, de apelido L., que trabalha como ghost writer. As duas ficam próximas, uma auxilia a outra no processo de escrita, ao mesmo tempo que loucura e pesadelo se misturam, tornando aquela relação perigosa.
Ágil, tenso, com traços autobiográficos e reviravoltas brilhantes, o premiado livro da escritora francesa ganhou uma formidável versão para cinema, de mesmo título, lançada em 2017, com direção de Roman Polanski, e contando no elenco com nomes de peso, como Emmanuelle Seigner, Eva Green e Vincent Perez. Recomendo livro e filme!
Obrigado, equipe da Intrínseca, pelo envio do exemplar.




Cine Brasil


4x100: Correndo por um sonho

Duas atletas, após fracassarem nas Olimpíadas do Rio em 2016, preparam-se arduamente para os jogos de Tóquio com a meta de reerguer a carreira.

As atrizes Thalita Carauta e Fernanda de Freitas engrandecem esse drama sobre competições esportivas que acaba de entrar no catálogo do Telecine, dois meses depois de estrear nos cinemas (tem como produtora a Globo Filmes com a Gullane e distribuição da Imovision). Elas interpretam duas mulheres dando duro para reerguer a carreira no Atletismo após um fiasco nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Ao serem derrotadas no revezamento 4x100 e consequentemente perderem a chance de ganhar medalhas de ouro, um efeito catastrófico se abate sobre suas vidas. Os anos se passam, e elas têm a chance de uma nova etapa no mundo do esporte. Mas precisarão abandonar a rivalidade para conseguir espaço nas Olimpíadas de Tóquio de 2020, e quem sabe reviver os tempos áureos de quando eram verdadeiras estrelas na mídia.
É raro vermos filmes sobre atletismo feminino (confesso que nunca havia assistido um feito no Brasil), e esse é um exemplar modesto, bem realizado e com alta qualidade de roteiro e trabalho técnico. Não é apenas sobre esporte, competição, determinação, há subtramas sobre preconceito e a mídia esportiva no Brasil, sendo um bom entretenimento para quem está à procura de conferir o nosso cinema brasileiro.
É o melhor trabalho do diretor de “Operações especiais” (2015) e “Desculpe o transtorno” (2016), Tomas Portella, que reuniu um elenco adequado em papéis sinceros, como o de Augusto Madeira (o treinador), além das duas atrizes já mencionadas.


Esqueça o título genérico e nada chamativo, e assista, pois é um dos bons feitos do cinema brasileiro de 2021, e que anteciparia a participação do país nas Olímpiadas de Tóquio.

4x100: Correndo por um sonho (Idem). Brasil, 2021, 91 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Tomas Portella. Distribuição: Imovision

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Cine Lançamento


Val

Documentário sobre o ator Val Kilmer, do início da carreira nos anos 80 até os dias atuais, em que enfrenta um duro tratamento contra o câncer, que o fez perder a voz.

Nesse documentário revelador produzido pela A24, com distribuição mundial pela Amazon Prime Video, conhecemos a vida e a carreira do ator Val Kilmer, que foi astro nos anos 90 e hoje se encontra debilitado devido a um terrível câncer de garganta que o fez perder a voz – ele está irreconhecível aos 61 anos, utiliza um aparelho de inteligência artificial para falar, além de sonda para se alimentar. Traz um vasto material de arquivo, com vídeos caseiros de Kilmer quando criança e momentos de juventude em família, além de trechos de filmes do ator e registros de bastidores/making of, como dos longas “The Doors”, “Tombstone: A justiça está chegando”, “Batman eternamente”, “Fogo contra fogo” e “A ilha do Dr. Moreau”.
O filme surpreende ao mostrar como Kilmer encontra-se atualmente (confesso que fiquei impressionado com sua aparência), devido ao exaustivo tratamento de quimio e radioterapia. Ele revelou a doença em 2016, e na première do documentário, no início desse mês em Los Angeles, seus dois filhos informaram à imprensa que o pai ainda está sob tratamento médico.


Os astros e estrelas de cinema não são eternos, um dia envelhecem, outros morrem cedo, e tem aqueles que são acometidos por enfermidades, como qualquer pessoa. Que o ator se recupere e retorne em breve à cena! Assista ao doc, que é um dos grandes lançamentos do mês no Prime.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Cine Cult


Amor à queima-roupa

Na cidade de Detroit, Clarence (Christian Slater) passa uma noite com a garota de programa Alabama (Patricia Arquette). Eles se apaixonam e resolvem fugir para morar em outra cidade. Mas ela precisa dar satisfação ao seu cafetão, Drexl (Gary Oldman). Clarence tenta chegar a um acordo com Drexl, que não aceita entregar Alabama para ele, dando início a uma guerra com traficantes e criminosos. Clarence mata Drexl, arrasta Alabama com ele, e a dupla foge com uma mala de cocaína pertencente ao cafetão, o que desencadeia uma perseguição interminável pelas estradas de Michigan.

Cultuadíssima fita policial dirigida pelo inglês Tony Scott (irmão de Ridley Scott e diretor de “Top Gun”, “Dias de trovão” e “Inimigo do estado”), com um roteiro porrada e violento de Quentin Tarantino em início de carreira (um ano depois de fazer “Cães de aluguel” e um ano antes de “Pulp fiction”). Infelizmente Scott morreu cedo, aos 68 anos, em 2012 (cometeu suicídio), deixando uma marca notável no cinema americano dos anos 80 e 90.


“Amor à queima-roupa” é talvez o melhor trabalho dele, o mais movimentado, realizado com eficácia, ousado nas cenas de sexo e drogas, e com uma estética da violência típica de Tarantino. Era o auge da carreira de Christian Slater e Patricia Arquette, em cena com feras do cinema em participações admiráveis, como Christopher Walken (o bandido vilão), Dennis Hopper (o policial pai de Slater), Gary Oldman (o cafetão, sob forte maquiagem e cabelos rastafari), Val Kilmer (o mentor, em homenagem a Elvis Presley, que conversa com Slater como se fosse sua mente), além de pontas de Brad Pitt, Michael Rapaport, Saul Rubinek, Bronson Pinchot, Chris Penn, Tom Sizemore, James Gandolfini e Samuel L. Jackson.


Marcou época, influenciou o gênero e tornou-se cult (deu prejuízo na estreia, depois afamou-se entre um seleto público americano).
Fita de ação de excelência, saiu em DVD pela Obras-primas do Cinema, em 2018, com uma hora de extras, inclusive com um final alternativo, e recentemente ganhou edição de luxo no box em DVD “Tony Scott – The red collection”, pela Classicline, acompanhado dos longas “Fome de viver” (1983, com David Bowie e Susan Sarandon), “Vingança” (1990, com Kevin Costner e Anthony Quinn) e “Estranha obsessão” (1996, com Robert De Niro e Wesley Snipes). Ambas as versões estão em excelente cópia, retiradas do mesmo master, e são a versão do diretor, de 121 minutos (isso porque houve a versão editada para cinema, de 119 min).


Amor à queima-roupa (True romance). EUA/França, 1993, 121 min. Policial/Romance. Colorido. Dirigido por Tony Scott. Distribuição: Classicline (DVD de 2021, no box ‘Tony Scott’) e Obras-primas do Cinema (DVD de 2018)

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