quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cine Lançamento


A garota no trem

Abalada com o recente divórcio, Rachel (Emily Blunt) é uma mulher solitária e deprimida, viciada em álcool. Todos os dias faz o mesmo trajeto de trem, de casa para o centro da cidade, onde trabalha, e sempre observa, pela janela do vagão, um casal aparentemente perfeito, morador de um bairro nobre. Até que um crime bárbaro colocará a vida de Rachel em risco.

Por pouco Emily Blunt não recebeu indicação ao Oscar de melhor atriz pela soberba interpretação da alcoólatra e decadente Rachel nesse suspense desafiador classe A da Universal, coproduzido pela Dreamworks, baseado no best-seller mundial de Paula Hawkins. Infelizmente Emily ficou de fora da lista da Academia, porém foi nomeada ao Bafta e ao SAG, nas edições de 2017.
Formatado como thriller de mistério com reviravoltas e vendido com um final surpresa (mas bem previsível para os atenciosos na trama), “A garota no trem” interliga três mulheres da mesma cidade a um crime brutal. Numa ponta do quebra-cabeça está Rachel (Emily Blunt), alcoólatra, que viaja de trem, importuna o ex-marido pelo telefone, quer saber o que ele anda fazendo. Controladora, entra de cabeça num processo de autodestruição devido ao divórcio e por outros traumas do passado, anunciados no filme em flashbacks. Na outra ponta, Anna (Rebecca Ferguson, boa atriz, cada vez mais com fisionomia parecida com Ingrid Bergman), a atual esposa do ex de Rachel; e entre as duas, Megan (Haley Bennett, jovem, bonita e promissora), a indiferente babá do filho de Anna. Nenhuma se conhece, apesar de as três possuírem semelhança nas características de personalidade, até que um assassinato irá aproximá-las, numa trilha sombria de erros, desconfianças e pistas falsas (e ponto final, para não cometermos spoiler). Com um intenso toque policial, o suspense psicológico dialoga com a narrativa da mulher encorajada e ao mesmo tempo reprimida na sociedade machista e argumenta contra a autoridade masculina, com uma pegada deslumbrantemente sexy e passional. A edição lembra os telefilmes à moda antiga (com fade, clarões e câmera lenta), único defeito de opção do diretor Tate Taylor. Como filme de mistério e suspense funciona bem, acima da média dos lançamentos do gênero.
O DVD, lançado pela Universal, traz como extras making of e cenas excluídas.

A garota no trem (The girl on the train). EUA, 2016, 112 min. Suspense. Dirigido por Tate Taylor. Distribuição: Universal Pictures

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nota do blogueiro


Outro lançamento imperdível da Sony Pictures que chegou em casa em DVD: o romance com ficção científica "Passageiros" (2016), indicado a dois Oscars. Chris Pratt e Jennifer Lawrence arrebentam em cena! Já nas lojas para venda e nas locadoras. Obrigado, @sonypictureshebr, pelo envio do filme. Adorei, e vou rever.


sábado, 29 de julho de 2017

Nota do blogueiro


"Tentei guardar o registro da cena na minha cabeça como uma foto. O Dr. Fowler esticado na cama com um buraco no olho e os miolos espalhados pelas cobertas. Havia um abajur aceso na mesinha de cabeceira ao lado da Bíblia. Dentro da Bíblia havia balas de revólver. A foto no porta-retratos, antes da cômoda, agora presa à mão fria do médico". Trecho do romance de investigação com pitadas de horror "Coração satânico", o super lançamento da Darkside Books de junho passado (319 páginas, tradução de Carla Madeira). Escrito por William Hjortsberg e publicado em 1978, a sinistra história policial que envolve ocultismo, desaparecimento e assassinatos brutais numa Nova York da década de 50 originou o cultuado filme homônimo de 1987, dirigido magistralmente por Alan Parker. O livro já se encontra disponível para venda nas melhores livrarias. Obrigado, equipe da @darksidebooks, pelo presente.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Nota do blogueiro


Grandes lançamentos da Universal, Paramount e Sony Pictures que chegaram no mercado em DVD para locação  e venda - e que recebi em casa dias atrás. Os dramas vencedores do Oscar "Um limite entre nós" e "Manchester a beira-mar", o thriller de espionagem indicado ao Oscar "Aliados", o drama de guerra "A longa caminhada de Billy Lynn", o suspense eletrizante "Fragmentado" e o drama britânico "T2 Trainspotting", continuação  de "Trainspotting -  Sem limites". Um melhor que outro! Obrigado, @sonypictureshebr @universalpicsbr @paramountmovies, pelo envio dos DVDs.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Resenha Especial


Aleksandr Nevsky

Na Rússia do século XIII, o príncipe Aleksandr Nevsky (Nikolay Cherkasov) organiza um exército popular para lutar contra os Cavaleiros Teutônicos, que pretendem invadir o território russo durante as Cruzadas.

Monumental aventura épico-filosófica soviética, dirigida pelo mestre da linguagem cinematográfica Sergei Eisenstein, que estruturou uma biografia audaciosa de Aleksandr I, da Novogórdia (1220-1263), líder militar da Rússia Medieval, traçando forte paralelo com o Nazismo, cujo partido se fortalecia na época do filme (1938). Com trilha retumbante de Serguey Prokofiev, que repetiu a dose com Eisenstein em “Ivan, o terrível” (1944-1945), o épico é dividido em dois blocos essenciais: no primeiro, dramático, sólido e de teor musical, conta-se o exílio de Nevsky, a invocação de seu nome pelo povo de Novgorod, como um salvador, e em seguida os acontecimentos que o levaram a estruturar o levante popular; no segundo, a demarcação da guerra, com gigantescas batalhas entre os russos e os alemães e agregados que compunham a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, organização militar da Igreja Católica.
Ímpar na linguagem construtivista, Eisenstein era mestre nas referências semióticas. Quando menciona os teutônicos faz alusão aos nazistas. A truculência nas ações dos cavaleiros, de invadir casas e matar pessoas nas ruas, mostradas no filme, seria a mesma praticada pelas hordas hitleristas, como a SS e a Gestapo, quando a Segunda Guerra estouraria um ano depois – reparem nas cenas chocantes de crianças queimadas vivas na fogueira! Uma obra cinematográfica até premonitória!
Falando em Construtivismo, Eisenstein recorre a recursos grandiosos de montagem, com destaque na segunda parte do filme, com enquadramentos, músicas rápidas e avanço das imagens.
Conhecido no Brasil com o título de “Cavaleiros de Ferro”, o filme foi restaurado pela Mosfilm em 2015 e chega com esta ótima cópia em DVD no Brasil pela CPC Umes Filmes. Surpreenda-se com a forma e o estilo do diretor Sergei Eisenstein, que revolucionou a linguagem do cinema.

Aleksandr Nevsky (Aleksandr Nevskiy). URSS, 1938, 103 min. Drama/Ação. Dirigido por Sergei M. Eisenstein. Distribuição: CPC Umes Filmes

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de julho/agosto de 2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Resenha especial


Homem comum

Documentário que registra duas décadas na vida de um caminhoneiro paranaense, Nilson de Paula, hoje cego, viúvo e com sérios problemas de saúde.

Qual o real significado de viver para um cidadão comum? A resposta aparenta ser simples, mas está distante de conclusões determinadas. Nesse premiado documentário brasileiro, o diretor Carlos Nader caminha na direção de soluções para esta questão crucial, a partir das histórias de vida de um caminhoneiro cheio de sonhos e esperanças, que representam, no geral, os anseios do povo brasileiro. Ensaio e narrativa se misturam, documentário e ficção tornam-se um só, vida e morte se completam e ilustram a essência do filme, uma obra pessoal e especial do cineasta paulistano.
Nader conheceu o protagonista de seu “Homem comum” em 1994, por mero acaso, num ponto de encontro de caminhoneiros. Dali em diante iniciou uma extensa jornada audiovisual, de quase vinte anos, capturando momentos alegres e tristes de Nilson com a família até o falecimento dele, em 2012. Em casa ou na rua, as falas simplórias do humilde trabalhador demonstram a generosidade de uma vida dedicada a duras viagens nas estradas pelo Brasil afora, ao lar, à esposa e filhos. Dificilmente Nilson consegue exprimir com palavras o real significado de viver. É nas imagens que parte da resposta surge, elas substanciam o que o diretor quer saber do caminhoneiro para contar ao público.
No documentário intercalam-se cenas caseiras antigas de Nilson, gravadas por Nader, algumas bem tristes, retiradas do baú familiar, como a morte da mulher amada (aparece o velório e o funeral, registro guardado até então a sete chaves pelo cineasta), e cenas cotidianas atuais, de um senhor debilitado, cego, solitário. No antes e depois, desabrocham temas tão simples e tão essenciais.
Junto, Nader cria um paralelo, de sábia inteligência cinematográfica, com o cultuado filme dinamarquês de tema semelhante “A palavra” (1955), de Carl T. Dreyer, e também com um curta em preto-e-branco dirigido por ele mesmo especialmente para o projeto, chamado “Life: the dream” (este, um segmento baseado em “A palavra”, mas em ambiente inglês, para dialogar sobre a brevidade da vida).
Feito de maneira autoral, artesanal e com afeto por um diretor aplaudido em festivais, “Homem comum” instiga o público a repensar o que a vida é e o que queremos deixar escrito durante nossa existência. Venceu o prêmio de melhor documentário no Festival É Tudo Verdade, em 2014, e melhor montagem no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2016.
Quem quiser assistir ao doc, ele está disponível em DVD, lançado pelo Instituto Moreira Salles (IMS). O disco traz o documentário, em metragem ampliada, de 103 minutos (20 a mais da exibida nos cinemas brasileiros), e um livreto ilustrado de 26 páginas, com textos do músico e ensaísta José Miguel Wisnik e do próprio diretor Carlos Nader. Como sempre, as edições em disco do IMS são um investimento magnífico para colecionador nenhum botar defeito.

Homem comum (Idem). Brasil, 2015, 103 min. Documentário. Dirigido por Carlos Nader. Distribuição: Instituto Moreira Salles (IMS)

Nota do blogueiro


"No caminho de casa, com o soco inglês limpo e guardado de novo, Healy parou em uma faixa pavimentada ao lado da Mulholland Drive. Estava atrasado, quase vinte minutos atrasado, mas a nova cliente com a qual havia combinado de se encontrar não havia desistido dele. Ela estava sentada no banco do motorista do conversível vermelho da VW [...]". Trecho do capítulo quatro do livro "Dois caras legais", uma novelização do filme, de autoria de Charles Ardai, baseada no engraçadíssimo roteiro de ação escrito por Shane Black e Anthony Bagarozzi. Conheça a história incomum de March e Healy, dois homens durões que buscam solucionar o sumiço de uma garota e ao mesmo tempo o misterioso assassinato de uma atriz pornô, possivelmente cometido por magnatas americanos. Altas doses de adrenalina e um incansável humor feroz conduzem a narrativa agitada. O livro saiu no Brasil pela editora Gryphus em 2016 (234 páginas, tradução de Miguel Damian Ribeiro Pessoa), com um bom projeto gráfico (com destaque para as cores da capa, lombada e orelhas). Assista também ao ótimo filme, com Russell Crowe e Ryan Gosling.
Obrigado, equipe da Gryphus, pelo gentil envio do livro.


Especial de Cinema

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