terça-feira, 2 de maio de 2017

Cine Lançamento


Lolo – O filho da minha namorada

Em férias no sul da França, Violette (Julie Delpy), uma quarentona workaholic que trabalha com Moda, apaixona-se por Jean-René (Dany Boon), nerd na área de informática, recém-divorciado. Rola uma química entre os dois, que passam dias juntos. Pouco tempo se passa, ele retorna com Violette para a cidade dela, Paris, e na casa da amada encontrará um obstáculo: o filho rebelde Lolo (Vincent Lacoste), de 19 anos, que não aceita qualquer tipo de relacionamento da mãe com outros homens.

Nova comédia francesa dirigida pela atriz Julie Delpy, agradável para o público comum, que com certeza o assistirá com prazer, pois há todos os ingredientes de uma típica fita de gosto popular, “água com açúcar”, bem intencionada, resoluções passageiras, reviravoltas cômicas e, em cena, bons atores franceses atuais afinados no humor, com destaque para dois coadjuvantes, Dany Boon, o namorado, centro das intrigas do filho de Violette, e Karin Viard, a melhor amiga (e conselheira) dela.
Uma história sobre duas pessoas com suas singularidades e duas vidas de mundos bem opostos: Violette, rica, fashionista, descolada, residente na capital, workaholic, com filho, e Jean-René, nerd interiorano, atrapalhado, visto como idiota e caipira, ou seja, dificilmente haveria um romance entre a dama e o patinho feio. Posto em prova o namoro, a partir de detalhes do relacionamento entre o novo casal nascerão todos os conflitos do enredo, sobre afinidades, aceitação e permissividade, contado com ânimo e jovialidade.
Julie Delpy acertou na direção e no roteiro, e mesmo sob a estrutura de uma rápida comédia romântica criou um ambiente favorável para discutir se todas as formas de amor são possíveis e sinceras. Disponível em DVD pela Mares Filmes.


Lolo – O filho da minha namorada (Lolo). França, 2015, 98 min. Comédia. Dirigido por Julie Delpy. Distribuição: Mares Filmes

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Nota do blogueiro


"Ele observava a atitude dos robôs pela visitela. Eram centelhas cor de bronze em suave movimento contra os rochedos obscuros do asteroide sem ar. Estavam em formação de marcha agora [...]". Trecho de "É preciso pegar o coelho", um dos nove contos sobre robôs inteligentes e a tecnologia dos autômatos escritos pelo russo Isaac Asimov, que compõem um de seus livros mais fascinantes, "Eu, robô", publicado no Brasil pela Editora Aleph (2014, 317 páginas, tradução de Aline Storto Pereira). Lançado em 1950, esse clássico da ficção científica é indispensável para quem gosta do gênero - e também originou um filme de mesmo título em 2004, indicado a Oscar. Obrigado, equipe da @editoraaleph, pelo envio do lindo livro.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nota do blogueiro


Chegou o lindíssimo catálogo oficial do 43o. Festival Sesc Melhores Filmes, com a votação do público e da crítica. Minha escolha de os melhores de 2016 está lá! Eu e outros 121 críticos de cinema brasileiros votamos! Viva o cinema! :)



terça-feira, 25 de abril de 2017

Nota do blogueiro


Um grande pacote de filmes da A2 acabou de chegar em casa! Dentro dele, sete lançamentos de abril em DVD, com os selos Mares Filmes, Focus e Flashstar. São eles: a ação "Resgate suicida" (2015), o policial sci-fi "Flashes" (2015), o drama religioso "Salvo pela graça" (2016), a comédia dramática "Segundas intenções" (2014), a comédia dramática franco-romena indicada à Palma de Ouro "Sieranevada" (2016), o drama italiano "Belos sonhos" (2016) e o drama de guerra francês "Longe dos homens" (2014). Já nas locadoras. Obrigado, equipe da A2 Filmes, pelo envio das amostras. Logo logo tem resenhas no ar!



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Nota do blogueiro


"A peste havia se espalhado tão rápido... Isso podia ter acontecido se fossem apenas os vampiros a disseminá-la?". Já está à venda nas melhores livrarias a edição em capa dura do livro Eu sou a lenda (editora Aleph, 2015, 382 páginas, tradução: Delfin), pedra fundamental da literatura sci-fi de horror, que inspirou escritores contemporâneos e deu origem a três filmes norte-americanos (o mais conhecido deles com Will Smith no papel principal, o solitário Robert Neville). Publicado em 1954, de autoria de Richard Matheson, o livro projeta uma visão aterradora de um futuro pós-apocalipse, onde a população mundial morreu contaminada por uma terrível praga, só restando um homem, um cachorro e criaturas noturnas sedentas por sangue. A primorosa edição brasileira reúne um material extra sensacional: prefácio de Stephen King, um artigo científico sobre a obra e uma entrevista com o autor, além das assustadoras ilustrações espalhadas pelas páginas. Obrigado, equipe da Aleph, pelo envio do livro.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Comentários do blogueiro


Amostras de abril em DVD da Universal Pictures: "Capitão Fantástico", um drama familiar fora de série, com Viggo Mortensen arrasando no papel do pai, que lhe rendeu indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro; e o intrigante suspense "Animais noturnos", com Amy Adams e Jake Gyllenhaal. Já nas locadoras e também à venda. Valeu, @universalpicsbr, pelos filmes.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Viva Nostalgia!


Monstros

Em um circo de horrores de quinta categoria, a bonita trapezista Cleopatra (Olga Baclanova) rejeita o amor do anão Hans (Harry Earles), que é o gerente do empreendimento. Quando descobre que ele herdará uma grande fortuna, elabora, com o amante, um plano maquiavélico: casar-se com o pequenino para depois matá-lo e assim ficar com todo o dinheiro. Mas as “criaturas” que habitam o circo passarão a desconfiar da mudança de atitude de Cleopatra.

Até que enfim chega ao Brasil uma das obras mais polêmicas da História do Cinema, cult classic dramático com convite ao horror que abalou a sociedade na época, foi rejeitado por décadas e censurado em vários países. O motivo do rumor: a utilização de pessoas, no elenco, com deficiências físicas e intelectuais, apresentadas como criaturas repugnantes, num desfile chocante de aberrações. Xifópagos, anões, mulher barbada, portadores da Síndrome da Talidomida, em suma, os freaks, atrações comuns do mundo do circo de horrores, interpretam eles mesmos, desnudados, aguçando e atraindo o olhar do telespectador às suas reais deficiências. Diante do burburinho, o roteiro meio policial, com trama de assassinato, cai para segundo plano. Não se permite margem para enxergarmos o filme além da fronteira do estranho, da condição humana adversa, pois o projeto nasceu com esse duro e tenebroso propósito e assim foi vendido, como fita de terror.
Nessa versão definitiva e restaurada há, como extra, um prólogo de três minutos, uma mensagem especial sobre a triste história das “criaturas”, dos deformados, forçados a viver à margem, ridicularizados pela sociedade, e que criaram um código entre eles, bem discutido no filme: “a alegria de um é a de todos, e o sofrimento de um é o de todos”.
Emblemático na galeria dos filmes bizarros do cinema, “Monstros” causa inquietação e consternação, perturba, questiona o preconceito atroz e a pobreza do comportamento do ser humano frente aos marginalizados e nos deixa estarrecidos pela forma como os deficientes eram tratados no início do século passado (o filme é de 1932). É um dos trabalhos mais estranhos feitos em estúdio nos EUA, produzido com dificuldade pela MGM, numa onda de filmes de horror de entretenimento que a Universal estrearia com “Drácula” e “Frankenstein”. Aliás, o diretor, Tod Browning (1880-1962), havia rodado no ano anterior o notório “Drácula” e por ter trabalhado em circo soube como encarar um diálogo direto, cruel, sobre os bastidores desse ambiente único.
Em DVD pela Obras-primas do Cinema, “Monstros” é um filme seríssimo, melancólico, controverso e pungente, pioneiro do ponto de vista do processo criativo, indicado aos cinéfilos de primeira ordem.


Monstros (Freaks). EUA, 1932, 64 min. Drama/Horror. Dirigido por Tod Browning. Distribuição: Obras-primas do Cinema

* Publicado na coluna 'Middia Cinema', da revista Middia Magazine, edição de abril/maio de 2017

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