quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Resenhas especiais



Heróis de barro
 
Durante uma expedição ao México para capturar o líder revolucionário Pancho Villa, em 1916, o major do Exército Thomas Thorn (Gary Cooper) é incumbido de resgatar cinco soldados para serem condecorados com a maior honraria do Congresso americano. Ele terá de trazer o grupo a salvo até a base militar de Cordura. No caminho haverá conflitos e ataques na divisa dos dois países.
 
“Heróis de barro” é um dos tantos filmes adaptados da literatura do romancista Glendon Swarthout (que dedicou a carreira a livros de faroeste). Insere-se na linha do “western psicológico”, que foca na mente dos personagens deixando os tradicionais tiroteios em segundo plano - essas obras exploram a solidão e os medos dos pistoleiros e soldados em cenários áridos e arriscados. O pano de fundo do longa é a Expedição Punitiva (ou “Expedição Pancho Villa”), operação militar do Exército dos Estados Unidos no México entre 1916 e 1917 que levou para lá 10 mil soldados para capturar o líder revolucionário Pancho Villa, que tinha iniciado ao lado de Emiliano Zapata a Revolução Mexicana. O major vai com um pequeno grupo de pessoas a um lugar desconhecido, de terreno irregular, sob o sol escaldante. Entra em crise ao se ver cercado num ambiente hostil, e a missão começa a desmoronar. O filme prioriza o lado psicológico, mas tem cenas de bangue-bangue, duelos e pitadas de romance (a figura feminina é de Rita Hayworth, femme fatale do cinema, de filmes noir como “Gilda”). Gary Cooper, lenda do gênero western (de “Matar ou morrer”), entrega uma atuação madura, marcada pela introspecção, num de seus últimos trabalhos (seria seu penúltimo filme, já que morreria dois anos depois, em 1961). O filme questiona mitos do Oeste americano, mostrando que a glória militar pode ser tão frágil quanto a areia que cobre o deserto (por isso os heróis de barro). Quem dirige é Robert Rossen, cineasta e roteirista que durante o Macarthismo (o "caça às bruxas" anticomunista nos EUA) foi incluído na lista negra, impedido de trabalhar e convocado a depor no comitê do Congresso – depois de recusar a devassa contra colegas, cedeu à pressão em 1953 e entregou o nome de 57 pessoas. Acabou tendo dificuldades de voltar ao cinema, sendo “Heróis de barro” um dos poucos que ele fez depois do interrogatório – um de seus últimos trabalhos seria o mais famoso e simbólico a tudo o que enfrentou no “caça às bruxas”, “Desafio à corrupção” (1961), indicado a nove Oscars (incluindo ator para Paul Newman) e ganhador de dois. Em DVD pela Classicline.
 
Heróis de barro (They came to Cordura). EUA, 1959, 123 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Robert Rossen. Distribuição: Classicline
 
 
Sangue por sangue
 
Entre 1835 e 1836, na Guerra pela independência do Texas, um homem deixa o Forte Álamo para ajudar outras pessoas no conflito separatista entre EUA e México.
 
Diretor de 12 filmes faroeste, sendo sete com Randolph Scott, Budd Boetticher realizou aqui um de seus notórios trabalhos. Glenn Ford, lenda do cinema western, protagoniza, travando uma luta cruel no Texas, como um homem em uma missão quase impossível. Ação, honra e vingança envolvem o filme em torno da lenda do Álamo, antiga missão espanhola transformada em forte militar, situada na cidade de San Antonio, no estado do Texas (o local ficou famoso por causa da Batalha do Álamo, ocorrida em 1836, que se tornou um símbolo de resistência e sacrifício na luta pela independência do Texas em relação ao México). Ford interpreta John Stroud, um homem que abandona o famoso cerco para proteger sua família, e por isso acaba marcado como traidor. Ao retornar para as terras, descobre que seus entes foram mortos, e sua jornada passa a ser de busca por justiça. O filme traz todos os elementos típicos do faroeste: vastas paisagens texanas, emboscadas, cavalgadas e o embate entre colonos e forças mexicanas. E ainda trata de um fato real: na Revolução do Texas, os colonos americanos e tejanos (mexicanos que apoiavam o Texas) se rebelaram contra o governo centralizador de Santa Anna, pois queriam formar um governo próprio, sendo duramente reprimidos pelo general mexicano Antonio López de Santa Anna. “Sangue por sangue” é um faroeste de excelência, cheio de vigor e com personagens cercados por dilemas morais (que marcariam os filmes do diretor Budd Boetticher). Em DVD pela Classicline.
 
Sangue por sangue (The man from the Alamo). EUA, 1953, 79 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Budd Boetticher. Distribuição: Classicline

* Textos publicados na coluna Middia Cinema, na revista Middia (de Catanduva-SP), edição de Agosto/Setembro de 2026

Nenhum comentário:

Resenhas especiais

Heróis de barro   Durante uma expedição ao México para capturar o líder revolucionário Pancho Villa, em 1916, o major do Exército Thomas Tho...